Universidade de Brasília terá disciplina sobre “golpe de 2016” no curso de Ciência Política

A Universidade de Brasília (UnB) vai oferecer uma disciplina sobre “o golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”. As aulas do curso de ciência política começam no dia 5 de março, na retomada do semestre letivo. Na ementa do curso, ministrado pelo professor Luis Felipe Miguel, a disciplina pretende analisar a “agenda de retrocesso” durante o governo do presidente Michel Temer. As aulas também têm o objetivo de entender os “elementos de fragilidade” do sistema político brasileiro, “que depuseram a presidente Dilma Rousseff”. O programa da disciplina foi publicado nas redes sociais. Ao decorrer de cinco módulos, os estudos vão discutir pontos – organizados em ordem cronológica–, desde o “golpe de 1964”. O conteúdo pretende abordar, ainda, o debate sobre o “PT e o pacto lulista”, “jornadas de junho” e “governo ilegítimo e resistência”.


ementa unb


Por e-mail, o G1 procurou o professor Luis Felipe Miguel para comentar a forma de avaliação dos alunos, mas ele disse que não comentaria o assunto. Em uma publicação em seu próprio perfil no Facebook, Luis Felipe Miguel afirmou tratar-se de um “disciplina corriqueira”, que não merece o “estardalhaço artificialmente criado sobre ela”. “A única coisa que não é corriqueira é a situação atual do Brasil, sobre a qual a disciplina se debruçará”, escreveu. “A disciplina que estou oferecendo se alinha com valores claros, em favor da liberdade, da democracia e da justiça social, sem por isso abrir mão do rigor científico ou aderir a qualquer tipo de dogmatismo”, completa.

A reportagem também procurou a Universidade de Brasília para comentar o processo de escolha e aprovação das disciplinas ministradas. Por meio de nota, a instituição afirma que a proposta de criação das matérias é de responsabilidade das unidades acadêmicas, que têm “autonomia para propor e aprovar conteúdos”. No texto, a UnB reiterou ainda que tem “compromisso com a liberdade de expressão e opinião”, considerados valores fundamentais para a universidade. “São espaços, por excelência, para o debate de ideias em um Estado democrático”, diz nota enviada. Já na ementa do curso, o professor diz que os trabalhos deverão incorporar as leituras indicadas para cada unidade. Além de trabalhos escritos, os alunos serão avaliados, ainda, a partir de provas orais. “A avaliação dos trabalhos vai levar em conta a desenvoltura na utilização precisa dos principais conceitos das diferentes autoras, a visão crítica, além da capacidade de realizar conexões com a realidade e o desenvolvimento de ideias próprias”, diz o texto.

Fonte: G1.

Modelo de ensino popular na Dinamarca tem a floresta como sala de aula para crianças

Um modelo de ensino popular na Dinamarca tem a floresta como sala de aula. Não por acaso chamadas de jardins de infância florestais, essas escolas tiram as crianças do ambiente fechado e as levam para aprender por meio de brincadeiras e experiências ao ar livre. A primeira reação de quem se depara com o sistema é, com frequência, o espanto. Isso porque nele crianças de 2 a 6 anos são pouco supervisionadas, podem escalar árvores altas, manuseiam facas afiadas, lidam com animais, ficam próximas a fogueiras e dormem sob o frio às vezes congelante do inverno dinamarquês.

“Lembro-me de ter visto uma criança no topo da árvore, chamei um pedagogo e disse: ‘tem uma criança lá em cima’; e ele respondeu: ‘tem sim’. Chocada, eu questionei: ‘mas ela pode cair!’; ‘sim’, disse o pedagogo, ‘pode, mas geralmente não cai'”, descreve Jane Williams-Siegfredsen no livro Understanding the Danish Forest School Approach (Compreendendo a abordagem da escola florestal dinamarquesa). Mais de duas décadas depois do primeiro contato, Jane hoje advoca pela disseminação do modelo e faz treinamentos em diversos países, como Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Portugal. “Vinda de uma cultura de superproteção e de constante preocupação de que as crianças corram riscos, aquilo parecia assustador”, explica Jane à BBC Brasil. “É uma surpresa perceber o quão confiantes e competentes as crianças são ao ar livre”.

O modelo surgiu na década de 1950 em Copenhague, capital da Dinamarca. Hoje há escolas do tipo em todo o país. Não há estatísticas nacionais oficiais. Mas só a capital abriga em seus arredores 91 delas, de um total de 3.975 instituições. São cerca de 4 mil alunos, num universo de 20 mil, segundo dados da prefeitura. Nos jardins de infância florestais, as crianças brincam, exploram a área verde, observam insetos, cuidam de animais como coelhos, constroem estruturas de madeira, cantam, escutam histórias, dormem em cabanas abertas e cozinham sobre fogueiras, além de aprenderem sobre matemática, biologia e outras disciplinas com a ajuda de objetos naturais ou observação do ambiente. As estruturas das escolas podem variar. Há aquelas que funcionam exclusivamente dentro de florestas, as que levam as crianças de ônibus para passarem o dia na natureza e as que dividem suas atividades entre dentro e fora de sala, embora com foco na atividade ao ar livre. Costumam funcionar de 7h às 17h, com turmas entre 10 e 20 crianças, supervisionadas por entre dois e quatro pedagogos.

“Os jardins de infância florestais reafirmam a importância da brincadeira como forma de aprendizado, engajam a criança no contato com a natureza, despertam empatia, inclusive de animais, desenvolvem habilidades motoras e sociais. Quando adultas, elas serão capazes de gerenciar situações de insegurança e desafiadoras com mais facilidade”, afirma Iben Dissing Sandahl, professora e psicoterapeuta não ligada a nenhuma escola ou instituição, autora do livro The Danish Way of Parenting (A maneira dinamarquesa de educar), que será lançado no Brasil. “Ao proteger a criança de todos os riscos e acidentes naturais, não as permitindo usar a imaginação e ter contato com a natureza, corremos o risco de ter crianças paralisadas e assustadas. A criança não será forçada a subir árvores antes que esteja pronta, e tampouco usará uma faca sem orientação. Elas serão ensinadas no tempo certo e aprenderão fazendo”.

Daniel e Aimie Stilling são um casal de cineastas dinamarqueses e hoje vivem em Orlando, nos Estados Unidos. Há três anos, eles decidiram passar alguns meses na Dinamarca e, na ocasião, sua filha Bella, na época com 4 anos, frequentou um jardim de infância florestal. Ambos admitem terem ficado inseguros, de início, com as atividades. Mas a partir da experiência que consideraram positiva, surgiu a ideia de um documentário sobre o tema, que acaba de ser lançado e deverá ser exibido em TVs de diferentes países. Com Daniel na direção e Aimie na produção, o filme Nature Play mostra o dia a dia e a metodologia por trás dessas escolas. É ainda um contraponto crítico ao sistema de ensino americano. “As crianças aqui nos Estados Unidos não conseguem brincar porque passam horas fazendo lições de casa e estudando para provas”, critica Daniel Stilling, que ao voltar aos EUA decidiu manter o “espírito”, como descreve, da educação que Belle recebeu no jardim florestal. “Ela é com certeza menos estressada que seus colegas, está sempre sorrindo, cantarolando, tem um ótimo controle físico e capacidade de reter informações”, exemplifica Daniel, que durante a entrevista mostra com a câmera do computador o quintal de sua casa, todo equipado com jogos e equipamentos infantis. “Passamos boa parte do tempo aqui fora ou no bosque perto de casa”.

Jardins de infância florestais seguem o mesmo enquadramento jurídico que os tradicionais e têm que apresentar um plano de como garantirão que as crianças sejam estimuladas a determinadas habilidades, como linguagem, desenvolvimento motor, etc. Prefeitura e conselhos locais são responsáveis pelo financiamento e pela fiscalização de que as instituições cumpram as normas. De acordo com a prefeitura de Copenhague, há inspeções anuais. Um terço dos custos é pago pelos pais, e o restante, pelo conselho local. Os valores são os mesmos de um jardim de infância tradicional. No caso da capital, varia de 1,5 mil a 3,5 mil coroas dinamarquesas (cerca de R$ 790 e R$ 1.800), dependendo da opção por horário parcial ou integral, além de inclusão ou não da alimentação. Na Dinamarca, famílias com crianças pequenas ainda têm direito a um auxílio financeiro extra do governo, que pode ser usado para abater o custo da escola.

Por que somos míopes?

Tradução de uma matéria publicada na BBC Future.

Quando eu era adolescente, minha visão aos poucos começou a ficar ruim e tive que passar a usar óculos. O que começou como uma fina lente de vidro logo se aproximava de um fundo de garrafa. “Por quê?”, eu perguntava ao oftalmologista. E a resposta dele era sempre a mesma: “A culpa é dos seus genes e do seu gosto pela leitura”. Eu não tinha por que duvidar dele. É provavelmente a mesma coisa que o seu oftalmologista disse se você também sofre de miopia. Mas pesquisas recentes sugerem que esses argumentos estão relativamente enganados. Muitos outros fatores do mundo moderno podem estar levando as pessoas a ter uma visão pior. E, com algumas medidas simples, nossos filhos podem se ver livres de uma “maldição” que já dura gerações.

A ideia de que a miopia é primariamente genética nunca me pareceu verdadeira. Sem meus óculos, eu não consigo saber se o que tenho na minha frente é uma enorme pedra ou um rinoceronte. Então como é que meus ancestrais não foram eliminados se tinham dificuldades de enxergar? Além disso, a miopia é como uma epidemia: de 30% a 40% dos habitantes da Europa e dos Estados Unidos precisam de óculos, enquanto na Ásia esse número pode chegar a 90%. Se tivéssemos genes da miopia, os ancestrais dessas pessoas seriam “heróis” que conseguiram sobreviver apesar de sua clara desvantagem.

Experiências com a comunidade inuit do Canadá deveriam ter resolvido essa questão há quase 50 anos. Enquanto a geração mais velha dessa população indígena praticamente não apresentava casos de miopia, de 10% a 25% das crianças precisavam de óculos. “Isso não seria possível com uma doença genética”, diz Nina Jacobsen, do Hospital Universitário Glostrup de Copenhague, na Dinamarca. O que os cientistas perceberam é que, no intervalo entre as gerações, os inuit foram abandonando seus hábitos tradicionais de caçar e pescar em troca de um modo de vida mais ocidentalizado – uma causa muito mais provável para o problema.

“A miopia é uma doença industrial”, define Ian Flitcroft, do Children’s University Hospital de Dublin, na Irlanda. “Nossos genes podem até ter um papel ao definir quem se tornará míope, mas foi apenas por causa de uma mudança ambiental que os problemas surgiram”. A conclusão imediata tirada pelos cientistas foi a de que a maneira como somos educados hoje em dia pode ter provocado o aumento da miopia. Dê uma olhada no mar de óculos em qualquer sala de aula de uma universidade e você pensará que há uma ligação entre uma coisa e a outra. Estudos epidemiológicos, no entanto, sugerem que os efeitos são muito menores do que se acreditava. Muitos cientistas argumentam que é o tempo passado dentro de espaços fechados que mais influencia na visão, e não o ato de ler. Pesquisas realizadas na Europa, na Austrália e na Ásia indicam que as pessoas que passam mais tempo ao ar livre têm bem menos chances de desenvolver a miopia do que aqueles cujas vidas acontecem entre quatro paredes.

E por que isso acontece? Uma explicação popular é a de que a luz do sol nutre os olhos, de alguma forma, o que foi verificado por um estudo da Universidade de Queensland, na Austrália. Também pode ser porque a luz do sol estimula a fixação de vitamina D, responsável pela saúde do cérebro e do sistema imunológico, e que também pode regular a saúde dos olhos. Uma ideia com mais aceitação é a de que o sol estimula a liberação de dopamina diretamente nos olhos. A miopia é causada pelo crescimento excessivo do globo ocular, dificultando a formação de uma imagem na retina. Mas a dopamina parece conter esse crescimento, mantendo o olho saudável.

É possível também que se trate de uma questão de cor. Ondas de luz verde e azul tendem a entrarem em foco na frente da retina, enquanto a luz vermelha atinge a parte de trás. Como a iluminação artificial de um espaço coberto tende a ser mais vermelha do que os raios solares, o desencontro poderia confundir os mecanismos de controle do globo ocular. “Eles dizem ao olho que ele não está focalizando no melhor ponto, então ele cresce para compensar isso”, explica Chi Luu, da Universidade de Melbourne, na Austrália.

Já Flitcroft acredita que o problema está no aglomerado de objetos poluindo nosso campo visual. Dê uma olhada à sua volta e entenderá o que ele quer dizer. “Quando você olha para a tela de um computador, tudo o que está atrás dela fica bem fora de foco. Se você muda o olhar da tela para um relógio, há uma enorme inversão – o relógio fica em foco, mas outras coisas perto de você ficam borradas”, diz ele. Onde quer que você pouse seu olhar, sempre há um ponto desfocado que brinca com os mecanismos de feedback dos olhos. Mas na rua as coisas tendem a ficar separadas por uma distância maior, resultando em uma imagem mais limpa que ajuda a regular o desenvolvimento dos olhos.

Essas descobertas podem render novos tratamentos. Luu, por exemplo, pretende realizar um ensaio que oferece sessões com luz azul para crianças míopes. Ele espera que a deterioração da visão delas seja mais lenta ou até se reverta. Flitcroft destaca que estão sendo realizados testes promissores com lentes de contato que reduzem os objetos borrados na nossa visão periférica. Ele também está otimista quanto a um colírio chamado atropina, que desacelera os sinais que incentivam o crescimento do globo ocular e a miopia. Seus efeitos colaterais desagradáveis – como a dilatação das pupilas e os halos vistos em fontes de luz – tornaram seu uso inviável. Mas uma descoberta acidental mostrou que a substância pode ser eficiente com um centésimo da dose original, com efeitos colaterais mínimos.

Por enquanto, os cientistas recomendam cautela. Um erro muito comum é acreditar que os óculos são ruins para seus olhos: isso não é verdade. Mas se você quer já tomar algum tipo de atitude, vai gostar de saber que a maioria dos pesquisadores concorda que incentivar as crianças a brincar ao ar livre é uma boa ideia. Um teste feito em escolas em Taiwan até mostrou que a iniciativa teve um sucesso moderado. “Se deixados em seu habitat natural, ao ar livre, os humanos não se tornam míopes”, conclui Flitcroft.

Coisas que até um ateu pode ver

Comentários sobre o livro Mind & Cosmos, do filósofo americano Thomas Nagel, escrita pelo Rev. Augustus Nicodemus e publicada originalmente no blog Tempora-Mores.


Um número razoável de cientistas e filósofos ateus ou agnósticos vem em anos recentes engrossando as fileiras daqueles que expressam dúvidas sérias sobre a capacidade da teoria da evolução darwinista para explicar a origem da vida e sua complexidade por meio da seleção natural e da natureza randômica ou aleatória das mutações genéticas necessárias para tal. Poderíamos citar Anthony Flew, o mais notável intelectual ateísta que, no início do século 21, anunciou sua desconversão do ateísmo darwinista e adesão ao teísmo, por causa das evidências de propósito inteligente na natureza. Mais recentemente o biólogo ateu James Shapiro, da Universidade de Chicago, publicou o livro Evolution: A View from 21st Century, que desconstrói impiedosamente o darwinismo.

E agora é a vez de Thomas Nagel, professor de filosofia e direito da Universidade de Nova York, membro da Academia Americana de Artes e Ciências, ganhador de vários prêmios com seus livros sobre filosofia, e um ateu declarado. Ele acaba de publicar o livro Mind & Cosmos (“Mente e Cosmos”), com o provocante subtítulo Why the materialist neo-darwinian conception of nature is almost certainly false” (“Por que a concepção neo-darwinista materialista da natureza é quase que certamente falsa”), onde aponta as fragilidades do materialismo naturalista que serve de fundamento para as pretensões neo-darwinistas de construir uma teoria de tudo. (Não pretendo fazer uma resenha do livro. Para quem lê em inglês, indico a excelente resenha feita por William Dembski e o comentário breve de Alvin Plantinga). Estou mencionando estes intelectuais e cientistas ateus por que quando intelectuais e cientistas cristãos declaram sua desconfiança quanto à evolução darwinista são descartados por serem “religiosos”. Então, tá. Mas, e quando os próprios ateus engrossam o coro dos dissidentes?

Neste post, eu gostaria apenas de destacar algumas declarações de Nagel, no livro, que revelam a consciência clara que ele tem de que uma concepção puramente materialista da vida e de seu desenvolvimento, como a evolução darwinista, é incapaz de explicar a realidade como um todo. Embora ele mesmo rejeite a possibilidade de que a realidade exista pelo poder criador de Deus, ele é capaz de enxergar que a vida é mais do que reações químicas baseadas nas leis da física. A solução que ele oferece – que a mente sempre existiu ao lado da matéria – não tem qualquer comprovação, como ele mesmo admite, mas certamente está mais perto da concepção teísta do que do ateísmo materialista. Ele deixa claro que sua crítica procede de sua própria análise científica e que, mesmo assim, não será bem vinda nos círculos acadêmicos:

“O meu ceticismo [quanto ao evolucionismo darwinista] não é baseado numa crença religiosa ou numa alternativa definitiva. É somente a crença de que a evidência científica disponível, apesar do consenso da opinião científica, não exige racionalmente de nós que sujeitemos este ceticismo [a este consenso] neste assunto. (…) Eu tenho consciência de que dúvidas desta natureza vão parecer um ultraje a muita gente, mas isto é porque quase todo mundo em nossa cultura secular tem sido intimidado a considerar o programa de pesquisa reducionista [do darwinismo] como sacrossanto, sob o argumento de que qualquer outra coisa não pode ser considerada como ciência.” (p.7)

Ele profetiza o fim do naturalismo materialista, o fundamento do evolucionismo darwinista: “Mesmo que o domínio do naturalismo materialista está se aproximando do fim, precisamos ter alguma noção do que pode substitui-lo” (p. 15). Para ele, quanto mais descobrimos acerca da complexidade da vida, menos plausível se torna a explicação naturalista materialista do darwinismo para sua origem e desenvolvimento:

“Durante muito tempo eu tenho achado difícil acreditar na explicação materialista de como nós e os demais organismos viemos a existir, inclusive a versão padrão de como o processo evolutivo funciona. Quanto mais detalhes aprendemos acerca da base química da vida e como é intrincado o código genético, mais e mais inacreditável se torna a explicação histórica padrão [do darwinismo]. (…) É altamente implausível, de cara, que a vida como a conhecemos seja o resultado da sequência de acidentes físicos junto com o mecanismo da seleção natural. (…) “Com relação à evolução, o processo de seleção natural não pode explicar a realidade sem um suprimento adequado de mutações viáveis, e eu acredito que ainda é uma questão aberta se isto poderia ter acontecido no tempo geológico como mero resultado de acidentes químicos, sem a operação de outros fatores determinando e restringindo as formas das variações genéticas.” (pp. 5, 6, 9)

Nagel surpreendentemente sai em defesa dos proponentes mais conhecidos da teoria do design inteligente na atualidade, Michael Behe e Stephen Meyer:

“Apesar de que escritores como Michael Behe e Stephen Meyer sejam motivados parcialmente por suas convicções religiosas, os argumentos empíricos que eles oferecem contra a possibilidade da vida e sua história evolutiva serem explicados plenamente somente com base na física e na química são de grande interesse em si mesmos. (…) Os problemas que estes iconoclastas levantam contra o consenso cientifico ortodoxo deveriam ser levados a sério. Eles não merecem a zombaria que têm recebido. É claramente injusta.” (p.11)

Num parágrafo quase confessional, Nagel reconhece que lhe falta o sentimento do divino que ele percebe em muitos outros: “Confesso (…) que não considero a alternativa do design inteligente como uma opção real – me falta aquele sensus divinitatis [senso do divino] que capacita – na verdade, impele – tantas pessoas a ver no mundo a expressão do propósito divina da mesma maneira que percebem num rosto sorridente a expressão do sentimento humano” (p.12). Para Nagel, porém, o evolucionismo darwinista, com sua visão materialista e naturalista da realidade, não consegue explicar o que transcende o mundo material, como a mente e tudo que a acompanha:

“Nós e outras criaturas com vida mental somos organismos, e nossa capacidade mental depende aparentemente de nossa constituição física. Portanto, aquilo que explica a existência de organismos como nós deve explicar também a existência da mente. Mas, se o mental não é em si mesmo somente físico, não pode, então, ser plenamente explicado pela ciência física. E então, como vou argumentar mais adiante, é difícil evitar a conclusão que aqueles aspectos de nossa constituição física que trazem o mental consigo também não podem ser explicados pela ciência física. Se a biologia evolutiva é uma teoria física – como geralmente é considerada – então não pode explicar o aparecimento da consciência e de outros fenômenos que não podem ser reduzidos ao aspecto meramente físico. (…) Uma alternativa genuína ao programa reducionista [do darwinismo] irá requerer uma explicação de como a mente e tudo o que a acompanha é inerente ao universo. (…) Os elementos fundamentais e as leis da física e da química têm sido assumidos para se explicar o comportamento do mundo inanimado. Algo mais é necessário para explicar como podem existir criaturas conscientes e pensantes, cujos corpos e cérebros são feitos destes elementos. (pp. 15, 20)

Menciono por último a perspicaz observação de Nagel: se a mente existe porque sobreviveu através da seleção natural, isto é, por ter se tornado mais esperta para sobreviver, como poderemos confiar nela? E aqui ele cita e concorda com Alvin Plantinga, um renomado filósofo de fé reformada:

“Eu concordo com Plantinga que, ao contrário da benevolência divina, a aplicação da teoria da evolução à compreensão de nossas capacidades cognitivas acaba por minar nossa confiança nelas, embora não a destrua por completo. Mecanismos formadores de crenças e que têm uma vantagem seletiva no conflito diário pela sobrevivência não merecem a nossa confiança na construção de explicações teóricas sobre o mundo como um todo. (…) A teoria da evolução deixa a autoridade da razão numa posição muito mais fraca. Especialmente no que se refere à nossa capacidade moral e outras capacidades normativas – nas quais confiamos com frequência para corrigir nossos instintos. Eu concordo com Sharon Street [professora de filosofia da Universidade de Nova York] que uma auto-compreensão evolucionista quase que certamente haveria de requerer que desistíssemos do realismo moral, que é a convicção natural de que nossos juízos morais são verdadeiros ou falsos independentemente de nossas crenças.” (p.28)

Não consegui ler Nagel sem lembrar do que a Bíblia diz: “Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim” (Eclesiastes 3:11). “De um só Deus fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós” (Atos 17:26-27). Nagel tem o sensus divinitatis, sim, pois o mesmo é o reflexo da imagem de Deus em cada ser humano, ainda que decaídos como somos. Infelizmente o seu ateísmo o impede de ver aquilo que sua razão e consciência, tateando, já tocaram.


Entendendo o evolucionismo darwinista

Palestra do Rev. Augustus Nicodemus.

Uma ótima notícia para a humanidade: Obesidade já mata mais do que a fome

Um dos mais completos estudos sobre as causas de morte no mundo indicou que a obesidade mata mais do que a desnutrição nos dias atuais. De acordo com o relatório da Global Health Burden, instituição ligada à Organização Mundial de Saúde, problemas físicos gerados pela obesidade mórbida foram responsáveis por 3 milhões de mortes em 2010. O número é 3 vezes maior que os óbitos relacionados à desnutrição. Segundo o estudo, feito por 500 cientistas de 300 instituições em 187 países, as mortes relacionadas à subnutrição caíram de 3,4 milhões, em 1990, para 1,4 milhão em 2010, último ano analisado. Em 1990, a subnutrição era a maior causa de mortalidade em pessoas saudáveis. Agora, ela despencou no quadro geral para oitavo lugar. Já a obesidade subiu de décimo para o sexto lugar. A má alimentação (dieta pobre em nutrientes) aparece em quinto lugar. Na frente estão a pressão alta, o tabagismo, o uso de álcool e a poluição.

Segundo um dos pesquisadores, o professor Alan Lopez, da Universidade de Queensland, na Austrália, o resultado surpreendeu. Ele ressaltou que embora esse seja um fenômeno mais acentuado nos países ricos, a obesidade também se tornou um problema nas nações em desenvolvimento. “Foi surpreendente para nós a disseminação da obesidade em países em desenvolvimento. Não é como nos países ricos, mas (o fenômeno) está crescendo”, disse. Nos Estados Unidos, o excesso de peso é considerado uma epidemia que atinge mais de um terço dos adultos e 17% das crianças. Atualmente, mais de 500 milhões de adultos e 43 milhões de crianças abaixo de cinco anos são obesos, e as doenças relacionadas a esse problema estão no topo da lista de causas evitáveis de morte. Indivíduos com sobrepeso têm maiores chances de desenvolver hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares.

Fonte: BBC Brasil e Eu Atleta.


Alimentos naturais

Nossa sociedade está perdendo a noção de significado da palavra “natural”, especialmente quando se trata de alimentação. Hoje fui procurar um lugar pra fazer um lanche perto da pediatra de Catarina e encontrei duas opções, uma ao lado da outra. Uma era uma lanchonete tradicional, bem simples. Exatamente ao lado tinha um ambiente mais sofisticado no qual estava escrito com letras enormes: ALIMENTOS NATURAIS. É claro que escolhi a segunda opção. Entrei, dei uma olhada e, para minha surpresa, a única coisa efetivamente natural que encontrei foi um saquinho de castanha de caju por 15 reais. O resto era suco de caixinha ou de copinho industrializado, água de côco industrializada, barras de cereais, tortas, bolos, biscoitos e salgados com massa integral, pastel integral à base de soja sabor ricota com num sei o quê, brigadeiro sem açúcar, etc. Não tinha absolutamente nada que pudesse ser preparado na hora, com ingredientes frescos e in natura. Estava tudo pronto, embalado, empacotado, com rótulo e data de validade. Saí imediatamente do estabelecimento e pedi um cheese-egg-bacon na lanchonete ao lado. Estava uma delícia. Tirando o pão, o queijo e o hambúrguer, os demais ingredientes eram todos genuinamente naturais: a salada de alface, tomate e cebola estava fresca; o ovo e o bacon foram fritos na hora, na minha frente. Foi a coisa mais natural que encontrei pra comer essa tarde, no melhor sentido da palavra.

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