Os filósofos mais importantes do ocidente

Quais são os filósofos mais influentes e importantes para a cultura e civilização ocidental? A metodologia que usei para responder a essa pergunta foi muito simples e a pesquisa levou menos de uma hora para ser concluída. Primeiro eu pesquisei por “filosofia” na página em língua portuguesa e por “philosophy” na página em língua inglesa da Wikipedia. Uma vez abertas as respectivas páginas sobre “filosofia” na Wikipedia (em português e inglês), usei o bom e velho “Ctrl+F” para localizar, em cada uma das páginas, referências aos nomes dos maiores filósofos que a humanidade produziu e a tradição consagrou. Em seguida fiz uma lista com os 18 filósofos cujos nomes aparecem mais vezes, tanto na página em português como em inglês. Depois disso, somei os dois resultados e obtive uma lista geral. Todo esse trabalho está resumido na tabela a seguir. Merece destaque o distanciamento com que os filósofos gregos clássicos (Platão e Aristóteles) lideram o ranking. Depois deles, os modernos Kant e Descartes aparecem também com certa folga em relação aos demais.

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Se você tem alguma noção de filosofia e consegue ler razoavelmente em inglês, vai se divertir respondendo este pequeno teste. São 12 questões simples de múltipla escolha sobre variados temas e problemas filosóficos. Não há respostas certas ou erradas: o que se espera é a sua opinião honesta sobre cada tema. A partir de suas respostas, um algoritmo irá dizer com qual filósofo (ou escola) suas ideias mais se assemelham. Sem nenhuma surpresa, meu resultado deu majoritariamente Platão (82%) e Aristóteles (78%). Os filósofos aos quais eu menos me assemelho são Nietzsche e Sartre. Mas então, qual filósofo você é? CLIQUE AQUI PARA FAZER O TESTE.


O gráfico das ideias

O britânico Simon Raper usou um algoritmo para processar dados extraídos da Wikipedia e montar o infográfico abaixo, no qual cada filósofo é representado por um nó na rede e as linhas entre eles representa as respectivas influências. O algoritmo que produziu o gráfico foi programado para colocar os nós mais conectados no centro do diagrama, assim vemos os nomes dos filósofos mais influentes em tamanho maior e agrupados no centro. As cores representam as diferentes escolas e tradições filosóficas.

Clique na imagem para ver no tamanho original:

Inspirado pela criação de Raper, o blog Griffs Graphs resolveu ir mais longe nessa empreitada. Usando o mesmo algoritmo, eles montaram um gráfico ainda mais completo, incluindo, além dos filósofos, políticos, cientistas, artistas, escritores e todos os demais pensadores mais importantes de todos os tempos e de todas as áreas do saber. O resultado foi esse abaixo. Clique na imagem para ver no tamanho original:


O infográfico em formato de fluxograma abaixo é uma excelente ferramenta para quem estuda Filosofia Antiga, especialmente os filósofos pré-socráticos. Os nomes são posicionados de cima para baixo conforme a linha do tempo (lado esquerdo), as cores representam as diferentes escolas (legenda do lado direito) e as setas representam as influências (as vermelhas por oposição). Clique na imagem para vê-la em tamanho maior.

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Padres, revolucionários e poetas

Crônica de Aires Almeida, professor de filosofia em uma escola secundária de Portugal, publicada em novembro de 2008 no blog Questoes Básicas.


Nunca mais me esqueço do que, há muitos anos, um colega mais velho de matemática me disse na sala dos professores. Além do seu cachimbo (nessa altura ainda se fumava nas escolas), esse colega era conhecido por assumir frequentemente uma atitude intelectualmente provocadora e até politicamente incorreta, como hoje se diz. Estava eu, então, a lamentar baixinho pelo fato de tantas pessoas pensarem que os filósofos são aqueles que procuram saber tudo sobre coisa nenhuma quando o colega, que ainda mal conhecia, se virou para mim e disse: “Olha lá, pá, ainda não cheguei a perceber se tu és dos padres, dos pseudo-revolucionários ou dos poetas lunáticos”.

Fiquei intrigado com o comentário dele e perguntei o que queria dizer com aquilo. “Ora, todos os professores de filosofia que conheci ou pareciam padres ou pseudo-revolucionários de esquerda ou tolinhos armados em poetas lunáticos”. Achei a generalização algo abusiva, mas quis saber como ele caracterizava cada um desses grupos. A resposta foi mais ou menos nestes termos: “Os padres ensinam filosofia como se fosse catequese; os pseudo-revolucionários de esquerda não estão interessados em ensinar seja o que for, mas a levar a rapaziada a mandar bocas contra o sistema; os poetas lunáticos são aqueles que, sem paciência para raciocinar disciplinadamente, querem liberdade para dizer a primeira bobagem que lhes passe pela cabeça”.

Penso que o comentário do colega foi injusto, pois felizmente não se aplica a muitos professores de filosofia. Mas, ainda assim, não deixou de me fazer pensar. A verdade é que ele estava a tentar denunciar aquilo em que a filosofia não se pode tornar e que, a ser assim, a tornaria dispensável. O colega queria, no fundo, protestar contra a ideia de que a filosofia é um conjunto de preceitos que se transmitem dogmaticamente (os padres); ou um gesto de pura contestação, seja contra o que for (os revolucionários); ou ainda um pretexto para cada um exprimir o que lhe vai na alma, seja lá isso o que for (os poetas). Sem desprimor para os verdadeiros padres, revolucionários e poetas.

Ora bem, esta ideia não é totalmente uma invenção dele. A verdade é que a tentação para muitos de nós santificarmos ou idolatrarmos os nossos filósofos preferidos pode fazer-nos deslizar facilmente do campo do exercício crítico que caracteriza a filosofia para o campo da catequese quase religiosa. Assim como é fácil ser impaciente e criticar sem antes ter compreendido, ou confundir a ausência de dogmas com a livre expressão de sentimentos e o reino do vale tudo. Filosofia não é religião, não é política e não é poesia. A filosofia ocupa-se dos seus próprios problemas, apesar de alguns deles serem acerca da religião, da política e da poesia. É certo que estes domínios por vezes se contaminam, tal como se pode misturar água com café. Mas, tal como a água não passa a ser café e o café não passa a ser água, também a filosofia não passa a ser religião, política e poesia, bem como estas a ser filosofia. Também não é de estranhar que a melhor filosofia se manifeste na discussão direta com os filósofos, pois afinal são eles os profissionais do ofício, os que mais treinados estão para formular corretamente e discutir criticamente os problemas filosóficos. A filosofia tem um valor intrínseco e não precisa de se tornar religião, política ou poesia para ter dignidade.

Físicos e biólogos estão fazendo metafísica em plena era “pós-metafísica”, diz Cirne-Lima

Trecho de um artigo do filósofo e professor gaúcho Carlos Roberto Velho Cirne-Lima.

Na filosofia, o século 20 nasceu sob o impacto da destruição da metafísica; Deus está morto, proclamou Nietzsche, a razão está em cacos. Estamos numa era pós-metafísica. O positivismo lógico do Círculo de Viena, o atomismo de Bertrand Russel e a pluralidade dos jogos de linguagem de Wittgenstein fizeram da filosofia terra arrasada. Metafísica ou filosofia primeira, com queriam Aristóteles, os clássicos da Idade Média e do Idealismo Alemão, o vento do século a levou; sobrou apenas a Ética, a doutrina sobre o dever-ser.

Todas as demais disciplinas, antes filosóficas, se é que sobreviveram, devem ser colocadas lado a lado com a física, a química, a astronomia, a biologia, a linguística; lado a lado, em pé de igualdade, com a mesma dignidade e a mesma amplitude. Uma ciência universal que paire sobre as ciências particulares e as fundamente é algo, embora belo, obsoleto. Também o Deus de eras anteriores foi destronado e reduzido a mero produto da fértil imaginação humana; vivemos a era da secularização.

Onde a filosofia recua, porém, avançam os cientistas oriundos principalmente da biologia e da física. Os filósofos não ousam mais falar de metafísica, de filosofia primeira, mas os físicos estão aí a postular, a pesquisar e a construir uma Grand Unified Theory que deveria juntar numa só teoria válida para todo o universo a relatividade e a mecânica quântica. Eles falam abertamente de uma Theory of Everything, teoria sobre toda e qualquer coisa, ou seja, uma teoria geral do universo. Os físicos falam sem medo, escrevem sem maiores reservas, onde nós filósofos há mais de um século calamos.

Mais audazes que os físicos são ainda os biólogos, que elaboraram uma General System Theory; em cima desta e com os mesmos pressupostos neoplatônicos surge agora a Complexity Theory, as teorias sobre Artificial Life, as teorias sobre sistemas evolutivos complexos, etc. Físicos e biólogos querem, sim, desenhar uma ciência que explique não apenas áreas particulares do saber, mas a totalidade do universo; eles estão fazendo metafísica em plena era pós-metafísica.

Viagra para o cérebro

viagra-cerebroÉ assim que usuários se referem às pílulas que prometem turbinar o raciocínio, a memória e o aprendizado. Saiba mais na reportagem abaixo, publicada na revista Época.


Imagine tomar uma pílula e ser capaz de estudar a noite inteira sem sentir sono nem se distrair. Ou, com outra pílula, tornar-se mais criativo e destacar- se entre os colegas de trabalho. Pois é exatamente isso que uma nova geração de suplementos promete: um atalho para o sucesso ao turbinar a memória, afiar o raciocínio e aprimorar a capacidade de atenção. Entre quem usou e resolveu contar a experiência na internet, as pílulas ganharam o apelido de “viagra cerebral”, uma referência ao medicamento que revolucionou o mercado ao tratar a impotência sexual masculina. Os ingredientes que prometem prodígios cerebrais são velhos conhecidos da indústria farmacêutica: vitaminas e estimulantes naturais, como a cafeína. Agora, combinações dessas substâncias foram agrupadas em cápsulas, produzidas por pequenas empresas, interessadas no apetite de estudantes e jovens profissionais por soluções miraculosas. Faltam estudos sobre a eficácia dessas combinações e seus possíveis efeitos colaterais. Vale a pena assumir o risco e apostar nas pílulas?

Nos Estados Unidos, esse tipo de suplemento virou uma febre. Em vídeos na internet, centenas de usuários relatam suas experiências. Discutem as vantagens de cada uma das combinações com o mesmo entusiasmo e dedicação com que halterofilistas falam de novos produtos para aumentar os músculos. “São fisiculturistas do cérebro”, diz o pesquisador Sean Duke, da Universidade Trinity, na Irlanda. “Eles querem aumentar as capacidades mentais como os halterofilistas desejam melhorar o corpo”, compara.

A mais nova sensação desse universo anabolizado é um suplemento chamado OptiMind, lançado em junho. Ele foi criado pelos americanos Lucas Siegel, de 23 anos, e Timothy West, de 21, depois da morte de um colega de faculdade que usara uma quantidade excessiva de medicamentos tarja preta para afastar o cansaço e aumentar a concentração. “Essa experiência trágica nos inspirou a criar um produto seguro, que ajudasse os estudantes a manter a concentração sem se preocupar com riscos para a saúde”, diz West, que trabalha como chefe de vendas da empresa AlternaScript, que produz o OptiMind. O produto mistura estimulantes, vitaminas e moléculas de proteína; e promete aumentar a disposição física e aprimorar a memória e a concentração. West diz tomar dois comprimidos por dia e jura que não há perigo para a saúde.

O OptiMind não é o único suplemento desse tipo no mercado. Nos EUA, há pelo menos 20 produtos à venda pela internet. O AlphaBrain, produzido pela empresa Onnit, é popular entre jogadores de pôquer, para aprimorar o foco e diminuir o estresse. Cada pílula contém 11 substâncias. Os fabricantes estão de olho num público que já buscava esses efeitos, mas tinha de recorrer ao uso ilegal de remédios controlados. Algumas das substâncias favoritas desse público eram drogas para o Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Pessoas com esse diagnóstico costumam ser desatentas, inquietas e impulsivas. Os remédios, prescritos por médicos, são usados para manter esses sintomas sob controle. Sem receita, eles são usados por pessoas saudáveis que querem melhorar sua capacidade de concentração – ainda que não haja nenhum consenso médico atestando que são eficazes nessa situação.

As drogas costumam ser vendidas clandestinamente, pela internet, por pessoas que conseguiram uma receita ou o remédio com amigos. Há quem tente enganar o médico. “Precisamos ficar atentos com pessoas que simulam os sintomas para conseguir uma receita”, diz o psiquiatra paulistano Mario Louzã. É exatamente nesse nicho que os novos suplementos fazem sucesso. Os entusiastas não precisam recorrer a estratégias ilegais para ter acesso às drogas que procuram. Nos EUA, os novos coquetéis podem ser comprados livremente na internet, sem receita, porque foram considerados como “suplementos alimentares” pela agência que regula medicamentos, a FDA.

A venda sem receita não significa que as novas fórmulas sejam isentas de riscos. Faltam estudos para provar sua segurança. “É possível que, no futuro, pesquisas sugiram que esses suplementos podem causar algum grau de dependência, como já aconteceu com a nicotina e a cafeína”, afirma o pesquisador Mitul Mehta, do King’s College, em Londres. Outra possibilidade é que as fórmulas prejudiquem áreas do cérebro ligadas a outras funções. Pode ser um risco muito grande, considerando que os efeitos desejados pelos consumidores também não foram comprovados cientificamente. “Há a possibilidade de que a melhora do rendimento seja apenas placebo e autossugestão”, afirma a psicóloga Denise Barros, que estudou essas substâncias em seu doutorado na UERJ.

Os brasileiros entusiasmados com os novos suplementos devem conter a empolgação. Eles podem até ser importados de outros países, mas apenas para uso pessoal. Não podem ser distribuídos comercialmente no Brasil. Para isso, precisam ser aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Por ora, não há nenhum pedido de fabricantes ou importadores para regulamentar os produtos no país. O jeito é confiar na velha fórmula da inteligência: alimentação equilibrada, sono em dia e muita dedicação para estudar. Costuma dar trabalho, mas é infalível.

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Como manter seu cérebro jovem

Dicas de Cristiane Segatto publicadas na revista Época.

A capacidade de armazenar informações pode ser comparada ao desempenho de um atleta. É na juventude – entre os 20 e os 30 anos – que a memória costuma estar em sua melhor forma. Depois dos 50, a maioria das pessoas começa a notar falhas aqui e ali. Trata-se de um processo normal, lento e gradativo, que começa décadas antes. Não é, necessariamente, sinal de doença grave. Com o passar dos anos, fica mais difícil lembrar algumas informações ou reter novas memórias. Outras continuam acessíveis como sempre estiveram. É por isso que um idoso é capaz de contar histórias da infância, em mínimos detalhes, mesmo quando não lembra onde colocou as chaves de casa.

Quando as falhas se tornam frequentes, muitos idosos e familiares procuram exercícios, suplementos alimentares ou fórmulas mágicas para estimular a memória. Existirá alguma? Ler, talvez? Tocar piano? Resolver exercícios mentais pelo computador? Sozinha, nenhuma dessas atividades basta. O importante é diversificá-las. Desde 2000, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) acompanham mais de 2 mil moradores paulistanos. Todos têm mais de 60 anos. Alguns já passaram dos 100. “Os que envelhecem bem fazem de 5 a 7 atividades diferentes por dia”, diz Yeda Duarte.

Sem estímulos novos, diminui a capacidade natural que o cérebro tem de criar conexões alternativas entre os neurônios – algo que compensa, ao menos em parte, a perda dessas células nervosas na velhice. Com pequenas adaptações,  atividades cotidianas podem trazer benefícios. Quem é destro submeterá o cérebro a um belo treino se começar o dia escovando os dentes com a mão esquerda (ou vice-versa). Outra boa providência é desligar o GPS do carro e se aventurar por um caminho diferente. Desde, é claro, que isso seja feito em segurança. Vale considerar também as vantagens da terapia do dinheiro curto. “Ir às compras com o orçamento apertado é um excelente exercício”, diz o médico Edson Amaro Jr., coordenador científico do Instituto do Cérebro do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. É preciso andar de loja em loja (atividade motora), comparar preços (raciocínio), registrar mentalmente as ofertas (memória), prever os gastos (planejamento), interagir com os vendedores (comunicação) e ler nos olhos deles a intenção de cada um (empatia) para conseguir negociar.

Mexer o corpo é fundamental. “Atividade física é muito mais importante para o cérebro do que fazer palavras cruzadas”,  diz Amaro. Os músculos dos sedentários perdem volume. Essa condição, comum na velhice, aumenta o risco de quedas. O prejuízo vai além das fraturas. Uma alteração na capacidade de interagir com o meio pode provocar a perda das funções cognitivas. A consequência pode ser dramática: mudança na conexão entre os neurônios, perda de volume de algumas regiões cerebrais e uma degeneração irreversível, como o Alzheimer. Por enquanto, os medicamentos disponíveis apenas retardam a progressão da doença. A maioria das pessoas que apresentam  sintomas depois dos 65 anos não tem histórico familiar. A genética pode ser responsável por um pequeno número de casos. Alguns genes aumentam o risco de desenvolvimento do Alzheimer. Mas seu peso é relativo. “A alteração genética não é determinante”, diz o pesquisador Michel Naslavsky, do Centro de Estudos do Genoma Humano, da USP. “Outros componentes favorecem o aparecimento da doença, como o AVC e até outros fatores genéticos ainda desconhecidos”, afirma. Em menos de 5% dos casos, os genes não apenas aumentam o risco, mas causam a doença. Nessas famílias, o Alzheimer acomete gerações. Em geral, precocemente. Com exceção dessas pessoas, diminuir o risco de declínio cerebral é algo que está ao alcance da maioria. O que protege contra o Alzheimer não é ter mais neurônios – e sim ter mais conexões entre eles. Nunca é tarde para criá-las.


Como aumentar a sua inteligência

Artigo de Adonai Santanna, professor de matemática da UFPR.

Esta postagem se refere àquilo que psicólogos cognitivos chamam de inteligência fluida, a capacidade de aprender novas informações, mantê-las em nossos cérebros e usar este novo conhecimento para resolver problemas e desenvolver novas habilidades. O texto abaixo é baseado em uma palestra ministrada por Andrea Kuszewski na Universidade Harvard em 2010. Veja uma versão escrita e detalhada desta palestra aqui. As técnicas relatadas na palestra permitiram, entre outros resultados, aumentar o QI de uma criança autista de 80 para 100 pontos, em três anos. Por conta de uma propriedade cerebral chamada de neuroplasticidade, é possível aumentar significativamente a inteligência fluida de qualquer pessoa. Aqui estão as atividades que Kuszewski aponta como fundamentais para o desenvolvimento da inteligência fluida:

1. Buscar novidades: Os grandes gênios sempre tiveram múltiplos interesses intelectuais. Estagnar o cérebro em uma única área do conhecimento ou atividade intelectual é uma péssima ideia. É fundamental a abertura para novas experiências. Aquilo que é novo para o seu cérebro desencadeia novas conexões sinápticas, aumentando a atividade neuronal. Além disso, novidades ativam a dopamina, um neurotransmissor que, entre outras coisas, aumenta a motivação. Ou seja, a busca por novidades estimula a própria busca.

2. Enfrentar desafios: Existe vasta literatura sobre o papel de jogos para melhorar a inteligência, mas ela geralmente carece de fundamentação científica. Jogar tetris pode melhorar temporariamente certas habilidades cognitivas. Mas uma vez que o jogador domine o jogo, persistir com tetris inevitavelmente resultará em queda de atividade cerebral. Desafios precisam ser renovados. Ou seja, deve haver uma incessante busca por problemas. Quanto mais difíceis de serem resolvidos, melhor. Caso contrário, sua atividade cerebral diminuirá e sua inteligência será comprometida.

3. Pensar criativamente: Ao contrário do que diz a crença popular, criatividade envolve ambos os hemisférios do cérebro, não apenas o direito. Criatividade nada tem a ver com produção artística, mas com cognição criativa. Cognição criativa envolve a associação entre ideias aparentemente distantes, intercâmbio entre formas tradicionais e formas atípicas de pensamento, e a geração de ideias originais que sejam adequadas para as atividades que você exerce. Resolver problemas de matemática, por exemplo, apelando apenas para analogias com o mundo real, é o mesmo que matar a criatividade.

4. Seguir o caminho mais difícil: A tecnologia tem tornado o mundo mais eficiente, permitindo que as pessoas tenham mais tempo para se concentrar naquilo que é realmente importante. Certo? Errado. O emprego sistemático de GPS, por exemplo, piora a noção de localização espacial das pessoas. Mas nem todas as novas tecnologias são nocivas para o intelecto humano, ainda que compensações sejam necessárias. Faça contas sem usar calculadoras. Siga para um destino desconhecido sem usar GPS. Escreva textos impecáveis sem usar corretores ortográficos; e reescreva esses textos, para que fiquem realmente atraentes. Leia textos em idiomas estrangeiros sem usar tradutores. Faça sua própria comida. John Kennedy disse, no mais belo discurso que já ouvi: “Nós iremos para a Lua não porque é fácil, mas porque é difícil”.

5. Formar redes sociais: Não importa se suas redes sociais operam via Facebook ou contato pessoal. O fato é que a condição humana é de caráter social. Coloque a cara para bater. Exponha suas ideias. Mantenha contato com quem sabe muito mais do que você; é preciso aprender. Mantenha contato com quem sabe muito menos do que você; é preciso ensinar. Mantenha contato com aqueles que pensam como você, mas também com aqueles que pensam diferente. Troque ideias sobre ciência, educação, música, cinema, teatro, história, religião, vida. Uma vida social rica é fonte de novidades, é a oportunidade de encontrar desafios, é a inspiração para soluções criativas. Mas vida social rica não se traduz na forma de quantia de pessoas, porém na forma de diversidade de visões.

Três teoremas científicos que você provavelmente aprendeu errado na escola

A ciência avança mais rápido do que os livros didáticos. Por isso, frequentemente eles ficam desatualizados. São inúmeros os exemplos de teoremas ou teorias científicas que já estão desatualizadas há bastante tempo, mas que ainda são ensinadas nas escolas. Escolhi aqui apenas três exemplos clássicos para ilustrar isso.


Os cinco sentidos

sentidos-corpoVisão, audição, tato, olfato e paladar. O clássico quinteto existe, mas você já ouviu falar em propiocepção? É nossa capacidade de saber onde está cada parte do corpo, sem precisar ver ou tocar. Dor e temperatura, outros sentidos óbvios, ficam na pele, mas não tem nada a ver com tato. Equilíbrio fica na orelha interna, mas não é audição. Você também tem sensores diferentes para notar que o pulmão, bexiga, estômago e intestinos estão cheios e percebe quando seu sangue está com pouco oxigênio, quando prende a respiração. Temos até mesmo um GPS no nariz. Então, quantos sentidos existem? Na verdade, não é tão fácil assim definir o que é um sentido. Podemos chamar nossa percepção da passagem do tempo, sem nenhum órgão associado a ela, de sentido? No fim, há quem fale em mais de 20 sentidos. A certeza é que são mais de cinco.


As cores primárias

coresSegundo as aulinhas de educação artística, misturando amarelo, vermelho e azul, podemos obter todas as cores. E você não pode obtê-las misturando nenhuma outra cor. Pura balela. As verdadeiras cores primárias são ciano, magenta e amarelo. Simplesmente não dá para fazer qualquer cor com vermelho e azul; ao passo que dá para fazer azul com ciano e magenta, e vermelho com amarelo e magenta. Qualquer um que já recarregou uma impressora deve ter percebido: as tintas vêm nessas três cores, e não nas do guache com que você sujou os dedos na terceira série. Só que isso não é tudo. Essas são as cores primárias substrativas. Mas existe outro tipo de cores primárias, as aditivas. Quando a gente fala em tintas, misturá-las é remover cores. Como ensinado na escola, a luz branca contém todas as cores. Quando ela reflete num material pintado, volta com menos cores.

Quando você pinta uma parede branca de azul, o que está fazendo é impedir que ela reflita as outras partes do espectro luminoso. Misturando tintas, você reduz quais partes da luz branca são refletidas. O resultado é que, se você juntar as três cores primárias subtrativas, o resultado é preto, e não branco. O branco é a união de todas as cores de forma aditiva. E podemos produzir cores dessa forma emitindo luz. Se você acender uma luz vermelha e outra verde, o resultado é amarelo, e não o marrom desagradável produzido ao se misturar tintas. Isso porque estamos ampliando o espectro luminoso ao adicionar mais partes dele à uma emissão de luz. Dessa forma, as cores primárias aditivas são azul, vermelho e verde. De fato, é assim que seus olhos funcionam: eles tem receptores para essas três cores. As cores primárias erradas vem da Renascença, quando os pigmentos eram limitados. Desde o século 19 sabemos que não é assim.


Os estados da matéria

estados-aguaSólido, líquido e gasoso, certo? Mas o que dizer do plasma, em que os elétrons se separam de seus núcleos, criando algo que parece gás, mas conduz eletricidade e pode ser controlado por campos magnéticos? Ou o cristal líquido, com propriedades tanto de sólido quanto de líquido, que também está na sua TV, mas não nos livros didáticos? E ainda o superfluido, um material que tem zero viscosidade, e corre para cima quando posto num recipiente? Assim como no caso dos sentidos, existem muitos outros estados da matéria. A maioria deles só existe em condições raras e extremas, observados apenas em laboratório. Então, para simplificar, lembre-se pelo menos do plasma, que é comum, existe na natureza e é fácil de explicar: basta aquecer qualquer gás imensamente ou expô-lo a uma grande corrente elétrica.

Com informações de: Superinteressante.

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