Índios tupis-guaranis já viviam no Rio de Janeiro há quase 3 mil anos

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O povo tupi-guarani já vivia na região de Araruama-RJ há 2.920 anos (a margem de erro é de 70 anos). Isso corresponde a aproximadamente 1.180 anos antes do que as evidências científicas indicavam até hoje. A descoberta, publicada nos Anais da Academia Brasileira de Ciências, embaralha as teorias que tentam explicar a dispersão dessa cultura indígena, que teria começado na Amazônia. A nova datação, deduzida a partir dos carvões de uma fogueira (provavelmente usada na queima de cerâmica), na verdade foi feita no final dos anos 1990. Justamente pelo fato de ser antiga demais, porém, a autora do estudo, Rita Schell-Ybert, do Museu Nacional, não acreditou que a fogueira pudesse ser obra de humanos, e acabou engavetando a análise.

O panorama só começou a mudar recentemente, quando surgiu um outro dado. A datação de outra fogueira, desta vez de origem funerária, no mesmo sítio arqueológico de Morro Grande, município de Araruama, mostrou que ela havia sido feita 2.600 anos atrás. Em entrevista à Folha, Schell-Ybert disse que os tupis-guaranis enterravam seus mortos em urnas, mas ao lado eles faziam fogueiras – tanto para “espantar espíritos ruins” quanto para “aquecer a alma” do morto e prepará-la para entrar no Guajupiá (o paraíso da mitologia tupi-guarani). “Com essa nova datação, resolvi voltar ao estudo do final dos anos 1990”, diz a cientista, que contou com recursos do CNPq e da Faperj.

A hipótese de que aqueles carvões não tinham sido queimados por humanos acabou descartada. Uma das pistas que levaram a essa conclusão, explica a antropóloga, é a quantidade de cascas observadas nas amostras. “Quando a queima é de origem antrópica [humana], existe muito mais casca do que lenha, como foi visto”, afirma. Com as duas informações em mãos: a fogueira funerária de 2.600 anos e a fogueira doméstica de 2.920 anos, as evidências antropológicas de que os tupis-guaranis habitaram aquela região dos lagos fluminenses ficou mais robusta. “Nesta área, provavelmente, houve um ciclo de ocupação e desocupação”, explica. Mas se os tupis-guaranis chegaram ao atual Sudeste do país faz tempo, como eles poderiam ter deixado a Amazônia quase na mesma época, como mostram as evidências científicas disponíveis atualmente?

“Os resultados são bem surpreendentes. Eles complicam um pouco as coisas, talvez até nos levando a rejeitar uma origem amazônica dos tupis-guaranis”, afirma Eduardo Neves, antropólogo do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. Neves trabalha em Porto Velho-RO tentando descobrir se o centro a partir do qual os tupis-guaranis se dispersaram era naquela região. Segundo ele, as datas potencialmente candidatas para as ocupações da Amazônia são as mesmas que as divulgadas agora para o norte do Rio de Janeiro, “ou até mais recentes”. Mas essas datações, diz o pesquisador da USP, são baseadas em dados linguisticos e não arqueológicos. Para a pesquisadora do Museu Nacional, essa ocupação antiga dos tupis-guaranis no Rio, se não tira a importância da Amazônia como centro de origem desse grupo indígena, ajuda a mostrar, talvez, que a saída do norte do país começou bem antes do que se imaginava.

Fonte: Folha.

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Uma opinião sobre “Índios tupis-guaranis já viviam no Rio de Janeiro há quase 3 mil anos

  • 15 de janeiro de 2014 em 20:09
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    gostei da reportagem, os Tupis-guaranis podem ter vividos nos dois estados,

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