Tabela periódica ilustrada

Keith Enevoldsen, cientista e professor de Engenharia Mecânica da South Dakota State University, nos Estados Unidos, criou a tabela periódica abaixo. As ilustrações mostram a principal utilidade prática de cada elemento químico. Clique na imagem para ver em tamanho maior. Saiba mais no site do projeto.

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Pesquisador cria animações em 3D para ajudar
estudantes a entender conceitos de química

Aprender química pode ser complicado: alguns assuntos exigem que criemos imagens mentais para entendê-los. Sabendo disso, o engenheiro Manuel Moreira Baptista desenvolveu para o seu doutorado pelo Instituto de Química da Unicamp uma série de animações em 3D que podem ajudar muito quem sofre para entender certos conceitos. O trabalho está sendo muito bem recebido no mundo todo: as 70 animações que ele produziu já tiveram mais de um milhão de visualizações no YouTube, vindas de 148 países; e já foram feitos mais de 360 mil downloads dessas animações através do site Química 3D. Os vídeos exploram, em sua maioria, temas mais avançados, voltados para estudantes universitários; mas eles podem ajudar a entender melhor certos conceitos que também caem no vestibular. Além disso, esse trabalho abre caminho para animações do tipo serem exploradas em outras disciplinas.

Fonte: Guia do Estudante.

Argumentos contra as cotas raciais

São vários os nomes: ação afirmativa, discriminação positiva, política com­pensatória… Mas a ideia é uma só: corrigir a desigualdade social entre negros e brancos dando benefícios ao lado considerado “mais fraco”. Conheça abaixo os principais argumentos usados por quem é contra a política de cotas raciais nesta matéria da Superinteressante.

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Para poder se beneficiar das cotas, é preciso fazer uma escolha: ou se é branco ou se é negro. Essa proposta de divisão explícita dos brasileiros em duas categorias bem delimitadas é o primeiro ponto a tirar do sério os opositores das cotas. Questiona-se a criação de um sistema que subverte um pilar da democracia: a ideia de que todos somos iguais perante a lei. Para a antropóloga Yvonne Maggie, da UFRJ, o efeito dessa produção artificial de etnias e raças é o fim da identidade nacional. Deixamos de ser simplesmente cidadãos do Brasil para nos tornar brasileiros negros ou brasileiros brancos. “É o caminho para a difusão do ódio racial no Brasil”, afirma o sociólogo Demétrio Magnoli.

Outra distorção, na opinião dos críticos da política de cotas, é a supressão do mérito como critério de recompensa. Uma organização meritocrática é aquela que dá as melhores oportunidades a quem demonstrar mais habilidade e talento. Ao derrubar essa ideia, as cotas podem estigmatizar quem é beneficiado por elas. “Nos Estados Unidos, os estudantes asiáticos tiram dos brancos mais vagas nas universidades de ponta do que os negros. Mesmo assim, nas não são obrigados a lidar com o mesmo ressentimento. Isso porque existe a percepção comum de que eles entraram por mérito e não ajudados por um sistema de cotas. Ou seja: o ressentimento não é em relação à perda de vagas, mas ao modo injusto como isso acontece”, diz Thomas Sowell, economista da Universidade Stanford e autor de Ação Afirmativa ao Redor do Mundo.

Há ainda o temor de que a qualidade do ensino nas universidades piore com a entrada de alunos que não necessariamente obtiveram as melhores notas de acesso. Para os críticos das cotas, as funções primordiais da universidade pública são a pesquisa e a formação de alto nível, não a prestação de um auxílio social ao país. “Quando as universidades admitem alunos por critérios não acadêmicos, há um risco real de que percam qualidade”, alerta Simon Schwartzman, ex-presidente do IBGE.

Por fim, o time anticotas não tem dúvidas de que o seu caráter supostamente temporário é uma grande farsa. A maioria dos países que adotam a política de cotas acaba por prorrogá-la indefinidamente. Qual político quer se expor à impopularidade de suspender um benefício social? Ao contrário: as cotas costumam ser sempre ampliadas para beneficiar outros grupos em desvantagem. Quando a Índia adotou a ação afirmativa, em 1949, foi determinado um prazo de 10 anos. A reserva está até hoje em vigor. O motivo? Cotas não custam nada ao governo; e ainda dão aos políticos a chance de se gabarem por promover o avanço racial. Quem não quer uma mamata dessas?

Voltemos á realidade brasileira. Suponhamos que determinado governo analisou algumas estatísticas e decidiu que é preciso aumentar a presença de negros nas universidades públicas do país. Como seria possível fazer isso? Como determinar quem é negro e quem não é em um país miscigenado como o Brasil? Recentemente, a Universidade de Brasília (UnB) instituiu uma comissão para julgar se a autodeclaração de raça é verdadeira. Os integrantes da banca, cujos nomes não são revelados, dão uma bela olhada na foto do candidato e decidem, assim no olho, quem é negro e quem não é. Em 2005, 48% dos candidatos inscritos tiveram suas fotos rejeitadas e foram impedidos de concorrer a uma vaga pelo sistema de cotas. O “tribunal racial” da UnB, como ficou conhecido, recebeu uma enxurrada de críticas. Houve até um caso de dois irmãos gêmeos idênticos que se inscreveram nas cotas: um deles foi considerado negro e o outro não.


O que diz a ciência sobre a existência de raças humanas?

Nunca entendi por que sou obrigado a preencher, em formulários e documentos oficiais do governo, uma declaração de cor ou raça. Não vejo nenhum sentido em dividir as pessoas por cor ou raça, principalmente se isso é feito com a desculpa de combater o racismo. Na minha opinião, esse hábito é que é um tipo de racismo. Talvez o pior tipo: o racismo institucionalizado. Sorte a nossa que a ciência tem atuado para combater essa ideia equivocada de que cor ou raça é geneticamente importante nos humanos. É o que mostra o artigo abaixo, de Alexandre Varsignassi para a revista Superinteressante.


A cor da pele não é assunto entre os chimpanzés. Se você depilar um, uma pele branca vai aparecer por baixo da manta de pelos. Passa a gilete em outro e surge uma pele preta. Manda mais outro para a cera quente e quem sai do centro de depilação é um chimpanzé rosa. Na verdade, eles mudam de cor ao longo da vida: nascem mais claros e vão escurecendo. Mas não importa. A cor da pele é tão relevante para eles quanto a do pâncreas é para a gente. Não que eles não sejam racistas. No mundo chimpanzé, o pelo pode ser de qualquer cor, contanto que seja preto. Quando nasce algum albino, com pêlo branco, não tem jeito: os outros chimpanzés não aceitam. Ele vai apanhar, ficar isolado e morrer logo – ou linchado ou de fome.

Nosso ancestral comum com os chimpanzés, um símio que viveu há 6 milhões de anos, provavelmente obedecia a mesma regra. A cor da pele não tinha importância, só a dos pelos. Mas uma hora essa história mudou. Há coisa de 2 milhões de anos alguns dos descendentes desse ancestral comum começaram a perder pelos. A cada mil partos nascia um macaco pelado. Um mutante. Algumas dessas aberrações genéticas tinham o mesmo destino dos albinos: bullying e morte prematura. Outros não. Talvez a falta de pelos os tenha ajudado a lidar melhor com o calor africano, e eles conseguiam ir mais longe para arranjar comida. Assim, viviam mais e melhor, então se reproduziam mais.

Deu tão certo que, uma hora, esses macacos pelados tinham formado uma super espécie – eram maiores e bem mais inteligentes que seus antepassados peludos. Nada mal para quem começou a vida evolutiva apanhando. Hoje esse animal sem pelos é conhecido como Homo erectus – são os nossos avós diretos. E as mutações não pararam, lógico. Quanto maior a inteligência de um erectus, maior era a chance de ele deixar mais descendentes. Então 1,8 milhão de anos depois já havia alguns erectus com cérebro gigante, e, de quebra, com traços idênticos aos dessa maravilha genética que você vê no espelho todas as manhãs. Era o Homo sapiens.

E você era negro. A pele escura era a melhor para aguentar o sol africano sem a proteção de uma camada de pêlos, já que é menos propensa a brindar seu dono com um câncer de pele. Por essas, nossa linhagem trocou o arco-íris de pigmentação que provavelmente tinha antes de perder os pêlos por uma tonalidade só. Ficamos monocromáticos. Mas não demorou e o sapiens começou a colonizar outras partes do mundo. Um dos momentos mais definidores dessa fase foi quando chegamos à Europa, há 40 mil anos, e exterminamos os neandertais. Eles eram nossos primos, também descendentes do erectus. A diferença é que os ancestrais deles tinham saído da África há 400 mil anos (200 mil antes de a nossa espécie surgir).

Por essas, os neandertais já nasciam adaptados ao frio: eram fortes que nem um bisão e, como todo mamífero que vive no gelo, tinham pele e cabelos claros. Não que camuflagem na neve fosse tão importante para eles quanto é para um urso polar ou uma raposa siberiana. Os neandertais mantiveram a mutação dos seus avós africanos – a de não ter pêlos (pelo menos não tantos pêlos). Então precisavam se cobrir de peles o tempo todo para aguentar as temperaturas negativas. A vantagem da pele clara era outra: ela sintetiza melhor a vitamina D nas altas latitudes, onde não existe sol o bastante para fazer esse trabalho a contento. Num tempo em que nutriente era tudo o que faltava, qualquer vantagem na absorção de algum deles fazia toda a diferença. O processamento mais eficaz de vitamina D era uma vantagem. Assim os neandertais foram embranquecendo.

Não que isso tenha ajudado muito quando nós, negros Homo sapiens, entramos na Europa. Nossa tecnologia àquela altura era bem superior à dos neandertais, com lanças mais leves e afiadas. Mas o que fazia mesmo a diferença era a nossa organização social: andávamos em grupos de 100, 200 pessoas. Eles, em famílias com no máximo 10 indivíduos. Cada encontro, então, era um massacre. Não demorou e já tínhamos matado todos os neandertais. Algumas fêmeas de neandertal, no entanto, conseguiam escapar da morte trabalhando como escravas sexuais.

A maior evidência disso é que 20% do genoma neandertal continua vivo no nosso DNA. Todo não-africano tem entre 2% e 3% de DNA neandertal dentro de suas células. Bom, pode ser também que machos neandertais tenham inseminado nossas fêmeas ao longo do processo, mas dificilmente essa foi a regra: mulheres são um espólio de guerra constante na nossa história, e talvez mais ainda na nossa pré-história.  Mas não foi a hibridização com os neandertais que empalideceu o sapiens na Europa. Não havia neandertais o bastante para fazer a diferença no pool genético da pigmentação e, provavelmente, os machos nascidos desses encontros eram inférteis, como acontece com machos filhos de tigres com leoas – aí complica mais ainda.

sapiens embranqueceu pelo mesmo processo de sempre: a cada mil, dez mil nascimentos, aparecia um mutante. Em alguns casos, a mutação era ter uma pele mais clara. Esses indivíduos deviam levar seus pescotapas na infância, por serem diferentes do resto. Alguns certamente eram mortos pela própria família logo que viam a luz. Mas naquele ambiente ser branco ainda era vantagem, também por causa da vitamina D. Uma vantagem grande o bastante para que, em poucas dezenas de milhares de anos, só nascessem sapiens de pele clara nas latitudes mais altas. Era a evolução emulando dentro da nossa espécie o que já tinha acontecido entre os ancestrais dos neandertais num passado ainda mais remoto.

Hoje a cor da pele não faz diferença do ponto de vista evolutivo: por mais que a nossa dieta não seja uma maravilha, temos acesso a tantos nutrientes que a capacidade de sintetizar mais vitamina D não tem mais com apitar na cor da pele. Nem a vitamina D nem a quantidade de sol do ambiente. Um Nigeriano vai viver o mesmo tempo (e ter o mesmo sucesso reprodutivo) vivendo em Copenhague ou em Salvador. Um dinamarquês, idem. O mais provável, então, é que fiquemos todos marrons em alguns milhares de anos, já que mais hora menos hora todos os genes de pigmentação dos sapiens vão acabar misturados, em todos os indivíduos.

Não que isso vá ser a panaceia da humanidade. Na Índia todo mundo é marrom faz tempo, e isso não impediu que surgisse o sistema de castas. Os Hutus e os Tutsis, de Ruanda, são quase idênticos, mesmo para os ruandeses, nem por isso deixaram de protagonizar um dos maiores massacres étnicos da história, com 800 mil Tutsis assassinados por Hutus. Um corintiano pode ser geneticamente indiscernível de um palmeirense, mas mesmo assim, de vez em quando um acha motivo para espancar e matar o outro pela cor da camisa.

O problema é que sempre nos juntamos em tribos de “iguais” para lutar contra qualquer coisa que pareça “diferente”. É parte da nossa natureza. É parte da natureza de qualquer animal – por isso todos os mutantes sofrem, em todas as espécies. Mas, ironicamente, são os mutantes, os diferentes, que fazem a espécie evoluir. Não fossem por eles, a evolução simplesmente não teria acontecido. Mas, graças a ela, hoje temos neurônios o bastante para decidir não nos comportar como amebas, para entender que o próprio conceito de raça é uma ilusão, ainda que perpetrada por um instinto estúpido.

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Os negros loiros das Ilhas Salomão

Nas Ilhas Salomão, cerca de 10% da população nativa, de pele negra, tem cabelo loiro. Alguns insulares acreditam que a cor seria resultado da exposição excessiva ao sol, ou de uma dieta rica em peixe. Outra explicação seria a herança genética de ancestrais distantes — mercadores europeus que passaram pelo arquipélago. Mas essas hipóteses foram derrubadas por pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos.

A variante genética responsável pelo cabelo loiro dos insulares é diferente da que causa a mesma característica nos europeus. “Este caso acaba com qualquer noção simplória que podemos ter sobre raça. Nós, humanos, somos diferentes, e esta é apenas a ponta do iceberg“, revela o geneticista Carlos Bustamante. Ele e sua equipe publicaram as descobertas na edição desta semana da revista americana Science, especializada em divulgação científica. Eles analisaram amostras da saliva de mais de mil insulares (com atenção especial para um subconjunto de 43 loiros e 42 pessoas de cabelos escuros) e conseguiram rapidamente identificar um gene responsável por essa variação. Chamado de TYRP1, ele é conhecido por influenciar a pigmentação nos humanos. Sua variante encontrada nos cabelos loiros dos nativos não é encontrada no genoma dos europeus.

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Dicas de estudo #7 – Pierluigi Piazzi

O professor italiano Pierluigi Piazzi explica como estudar melhor e estimular a inteligência. Se você, como eu, quer se tornar mais inteligente, vale muito a pena encontrar tempo e ouvir o que este senhor tem a dizer.


Outros posts da série dicas de estudo:

1 – A atitude correta
2 – O ciclo do aprendizado
3 – Individual e ativo
4 – Educação egoísta
5 – Concentração e foco
6 – As quatro etapas
7 – Pierluigi Piazzi
8 – Lúcia Helena Galvão
9 – Como estudar sozinho em casa
10 – Como estudar para uma prova

Dicas de estudo #1 – A atitude correta

Na semana passada o G1 publicou uma matéria contando como eu fiz o Enem só para testar meus conhecimentos e acabei passando em medicina na UFPB, um dos cursos mais concorridos do Brasil. Muitas pessoas acharam essa história inspiradora, especialmente porque, em dado momento da matéria, eu digo o seguinte:

“Alguns amigos e familiares dizem que eu passei em medicina sem estudar. Isso não é verdade. Eu estudei o conteúdo do Enem, só que isso faz uns 7 anos. A grande questão é que eu estudei do jeito certo, e não como a maioria das pessoas estudam. As pessoas costumam estudar para o vestibular, para o concurso, para a prova de amanhã. Passado o dia da prova, simplesmente ‘deletam’ toda a informação, porque ela não foi sedimentada, ficou ali apenas provisoriamente, na memória de curto prazo. Esse é o problema de estudar para uma prova e não para a vida. Quando se estuda para a vida, do jeito certo, sem atalhos, sem ‘decoreba’, sem fórmulas mágicas, o aprendizado é para sempre e os bons resultados em provas são apenas uma agradável consequência.”

Veja também:
Aprovado em medicina fez prova só para testar conhecimentos (G1)
Aprovado em 7 vestibulares e 4 concursos dá dicas de estudo (G1)


medicina G1

Logo depois que a matéria foi publicada no G1, perdi o controle do meu perfil no Facebook e não consegui acompanhá-lo mais. Foram literalmente centenas de chamadas no bate papo, centenas de solicitações de amizade, centenas de compartilhamentos, milhares de comentários e incontáveis curtidas. As pessoas começaram a me procurar principalmente porque queriam saber o que eu quis dizer com “estudar do jeito certo”, o que significa “estudar para a vida”, como é a minha rotina de estudos, quais dicas e macetes eu tenho para dar, enfim, como passar em concursos e vestibulares. Então eu resolvi começar aqui no blog uma série com dicas de estudo. Quando anunciei isso no Facebook, as pessoas demonstraram bastante interesse em acompanhar a série, e o G1 novamente me procurou dizendo que estavam interessados em publicar outra matéria. Eles me convidaram a gravar nos estúdios da TV Cabo Branco, afiliada da rede Globo na Paraíba. Ganhei muito mais visibilidade depois que fui parar na página inicial do G1.

dicas de estudo (G1)

No vídeo, dou algumas dicas que considero valiosas não apenas para vestibulandos e concurseiros, mas para qualquer pessoa sinceramente interessada em melhorar seu rendimento nos estudos. São pequenas mudanças de hábitos que funcionaram muito bem comigo e que também podem funcionar com você:


Eu vejo esse pessoal nos cursinhos, quase sem vida social, passando horas trancado num quarto com a cara nas apostilas, com a mente fechada no programa das disciplinas, preocupados apenas com aquilo que eles acham que pode “cair” na prova, decorando dezenas de fórmulas e achando que isso vai lhes garantir um bom desempenho no Enem.

Na minha opinião, é muito improvável que isso aconteça; e o motivo é bem simples. O Enem, diferentemente dos antigos vestibulares, não mede conhecimento acumulado, mede competências. Ou seja, ele avalia se o estudante é capaz de interpretar textos, ler gráficos, resolver problemas de raciocínio lógico, se tem pensamento crítico… Mais do que possuir conhecimento, é importante saber o que fazer com ele.

Portanto, não estude só o que você acha que pode cair na prova; não fique com a mente fechada, preocupado em estudar só aquilo que está previsto no programa do Enem. Seja uma pessoa curiosa. Queira saber um pouco sobre tudo. Estude também aquilo que você acha que não tem a menor chance de cair na prova, mas que você simplesmente gosta de estudar, aquele assunto sobre o qual você tem um interesse pessoal, aquele assunto aparentemente inútil, mas que você consegue estudar apenas por prazer.

Além disso, seja uma pessoa antenada. Não fique tanto tempo trancado no quarto. Tire um pouco a cara das apostilas do cursinho. Leia bons livros, especialmente os clássicos. Leia jornais e revistas, assista aos telejornais, saiba o que acontece no mundo. Viaje para lugares diferentes, faça coisas diferentes, fuja da rotina, aprenda coisas novas todo dia, exercite o seu cérebro com novos desafios e, sempre que possível, não use calculadora. Tenho certeza que, vivendo assim, você estará muito mais preparado para o Enem e para a vida do que passando o dia todo do quarto pro cursinho, do cursinho pro quarto.

Você deve estudar não para passar no vestibular ou num concurso: você deve estudar para aprender; e a consequência agradável de estudar para aprender é passar nessas provas. Quando o sujeito estuda para passar em um exame, ele geralmente não passa. Mas quando ele estuda para aprender, passar é consequência. Todo aluno que, durante uma aula, pergunta ao professor se determinado assunto “vai cair”, dificilmente vai passar, porque ele está interessado em passar no exame e não em aprender.


REPERCUSSÃO NA IMPRENSA:

Aprovado em medicina fez prova só para testar conhecimentos (G1)

Aprovado em 7 vestibulares e 4 concursos dá dicas de estudo (G1)

Je suis Charles (Jornal A Tarde, de Salvador-BA)

Estudante conta como conseguiu passar em sete vestibulares
e quatro concursos públicos
 (Portal Stoodi)

Aprovado em Medicina no Sisu dá dicas de estudo (Blog do Enem)

Aprovado em medicina na UFPB fez prova só para
testar conhecimentos
 
(Portal Alagoas 24 horas)

Aprovado em sete vestibulares e quatro concursos públicos
dá dicas de estudo
 
(Circuito Mato Grosso)


Outros posts da série dicas de estudo:

1 – A atitude correta
2 – O ciclo do aprendizado
3 – Individual e ativo
4 – Educação egoísta
5 – Concentração e foco
6 – As quatro etapas
7 – Pierluigi Piazzi
8 – Lúcia Helena Galvão
9 – Como estudar sozinho em casa
10 – Como estudar para uma prova

Muito cedo para decidir

Crônica de Rubem Alves em resposta a uma estudante que lhe escreveu angustiada por não saber qual curso escolher na inscrição do vestibular. O texto foi extraído do livro Estórias de quem gosta de ensinar: o fim dos vestibulares (São Paulo, 1995).


Gandhi se casou menino. Foi casado menino. Foram os adultos que assinaram o contrato. Os dois sequer sabiam direito o que estava acontecendo, ainda não haviam completado 10 anos de idade, estavam interessados em brincar. Ninguém era culpado: todo mundo estava sendo levado de roldão pelas engrenagens dessa máquina chamada sociedade, que tudo ignora sobre a felicidade e vai moendo as pessoas nos seus dentes. Os dois passaram o resto da vida arrastando pesos enormes, cada um causando a infelicidade do outro. Vocês dirão que felizmente esse costume nunca existiu entre nós: obrigar crianças que nada sabem a entrar por caminhos nos quais terão de andar pelo resto da vida é coisa muito cruel e burra. Além disso já existe entre nós remédio para casamento que não dá certo. Antigamente, quando se queria dizer que uma decisão não era grave e podia ser desfeita, dizia-se: “isso não é casamento”. Naquele tempo, casamento era decisão irremediável, para sempre, até que a morte os separe, eterna comunhão de bens — e de males. Mas os tempos mudaram muito e, agora, os casamentos fazem-se e desfazem-se com muita facilidade, e os dois ficam livres para começar tudo de novo.

Pois fiquem vocês sabendo que dentro de poucos dias vai acontecer com nossos adolescentes coisa igual ou pior do que aconteceu com Gandhi e sua mulher. E ninguém se horroriza, ninguém grita, os pais até ajudam, concordam, empurram, fazem pressão. O filho não quer tomar a decisão, refuga, está com medo. O pai e a mãe perdem o sono, pensando que há algo errado com o menino ou a menina, e invocam o auxílio de psicólogos. Está chegando para muitos o momento terrível do vestibular, quando serão obrigados, do mesmo jeito como o foram Gandhi e Casturbai (era esse o nome da menina), a escrever num espaço em branco o nome da profissão que vão ter. Do mesmo jeito não: a situação é muito mais grave. Porque casar e descasar são coisas que se resolvem rápido. Às vezes, antes de se descasar de uma pessoa, já se está com outra. Mas com a profissão não tem jeito. Pra casar, basta amar. Mas na profissão, além de amar, tem de saber. E o saber leva tempo para crescer.

A dor que os adolescentes enfrentam agora é que, na verdade, eles não têm condições de saber o que é que eles amam. Mas a máquina os obriga a tomar uma decisão para o resto da vida, mesmo sem saber. Saber que a gente gosta disso e gosta daquilo é fácil. O difícil é saber qual, dentre todas, é aquela de que a gente gosta supremamente. Pois, por causa dela, todas as outras terão de ser abandonadas. A isso que se dá o nome de “vocação”; que vem do latim vocare, que quer dizer “chamar”. É um chamado que vem de dentro da gente, o sentimento de que existe alguma coisa bela, bonita e verdadeira à qual a gente deseja entregar a vida. Entregar-se a uma profissão é igual a entrar para uma ordem religiosa. Os religiosos, por amor a Deus, fazem votos de castidade, pobreza e obediência. Pois, no momento em que você escrever a palavra fatídica no espaço em branco, você estará fazendo também os seus votos de dedicação total a sua ordem. Cada profissão é uma ordem religiosa, com seus papas, bispos, catecismos, pecados e inquisições.

Se você disser que a decisão não é tão séria assim, que o que está em jogo é só o aprendizado de um ofício para se ganhar a vida e, possivelmente, ficar rico, eu posso até dizer: Tudo bem! Só que fico com dó de você! Pois não existe coisa mais chata que trabalhar só para ganhar dinheiro. É o mesmo que dizer que, no casamento, amar não importa. Que o que importa é se o marido — ou a mulher — é rico. Imagine-se agora nessa situação: você é casado ou casada, não gosta do marido ou da mulher, mas é obrigado a, diariamente, fazer carinho, agradar e fazer amor. Pode existir coisa mais terrível que isso? Pois é a isso que está obrigada uma pessoa casada com uma profissão sem gostar dela. A situação é mais terrível que no casamento, pois no casamento sempre existe o recurso de umas infidelidades marginais. Mas o profissional, pobrezinho, gozará do seu direito de infidelidade com que outra profissão? Não fique muito feliz se o seu filho já tem ideias claras sobre o assunto. Isso não é sinal de superioridade. Significa, apenas, que na mesa dele há um prato só. Se ele só tem nabos cozidos para comer, é claro que a decisão já está feita: comerá nabos cozidos e engordará com eles. A dor e a indecisão vêm quando há muitos pratos sobre a mesa e só se pode escolher um.

Um conselho aos pais e aos adolescentes: não levem muito a sério esse ato de colocar a profissão naquele lugar terrível. Aceitem que é muito cedo para uma decisão tão grave. Considerem que é possível que vocês, daqui a um ou dois anos, mudem de ideia. Eu mudei de ideia várias vezes, o que me fez muito bem. Se for necessário, comecem de novo. Não há pressa. Que diferença faz receber o diploma um ano antes ou um ano depois? Em tudo isso o que causa a maior ansiedade não é nada sério: é aquela sensação boba que domina pais e filhos de que a vida é uma corrida e que é preciso sair correndo na frente para ganhar. Dá uma aflição danada ver os outros começando a corrida, enquanto a gente fica para trás. Mas a vida não é uma corrida em linha reta. Quando se começa a correr na direção errada, quanto mais rápido for o corredor, mais longe ele ficará do ponto de chegada. Assim, Raquel, não se aflija. A vida é uma ciranda com muitos começos. Coloque lá a profissão que você julgar a mais de acordo com o seu coração, sabendo que nada é definitivo. Nem a própria vida.

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