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Ciência e tecnologia

Extraterrestres existem ou não?

Opinião de Marcelo Gleiser (professor de física e astronomia do Dartmouth College, nos Estados Unidos, e autor de vários livros) para a revista Galileu.

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ufo et alienigenaÉ bem verdade que, hoje, a lista de medos que afligem a sociedade é muito mais imediata que a possibilidade de alienígenas virem aqui nos destruir. Mas muita gente, inclusive o famoso físico Stephen Haw­king, vem alertando para essa possibilidade, alegando que é melhor ficarmos quietos por aqui, sem revelar nossa posição. Será que esses temores procedem? Apesar da popularidade do assunto e dos vários depoimentos de visões de óvnis e de sequestros realizados por extraterrestres, o fato é que nada sabemos sobre a existência de vida fora da Terra. Em seu livro O mundo assombrado por demônios, Carl Sagan, o famoso astrônomo e escritor, argumenta que os medos relativos a ETs refletem medos antigos, antes atribuídos a demônios alados e outros espíritos maléficos vindos dos céus.

Infelizmente, se houve visitas de extraterrestres à Terra, não temos evidência oficial, aceita pela comunidade científica como incontroversa. Por exemplo, alguma liga metálica que não exista aqui, ou algum tipo de circuito tão avançado que demonstre uma engenharia muito diferente da nossa. Fotos e depoimentos pessoais não funcionam como provas. Com isso, o que podemos fazer é inferir a possibilidade de vida extraterrestre a partir do que conhecemos da vida aqui, nosso único ponto de referência. Sabemos hoje que a maioria das estrelas tem planetas a sua volta e que uma fração pequena delas tem planetas rochosos, com características semelhantes às da Terra: água líquida (em planetas que estão na “zona habitável” da estrela), possivelmente carbono e oxigênio. Mas a vida não é uma receita de bolo; para que seus ingredientes se misturem da forma certa, uma série de condições tem de ser satisfeita. E, mesmo supondo que essas condições sejam reais em vários mundos, é necessária também uma estabilidade climática para que as criaturas vivas possam sobreviver e, através do processo de mutação e seleção natural, se diversificar com o tempo. Isso significa que a vida é um fenômeno raro no cosmo – e a vida inteligente mais rara ainda, considerando que diversas barreiras precisam ser ultrapassadas para se passar de bactérias a seres capazes de criar tecnologias.

Fora a raridade da vida, temos a questão das dificuldades técnicas das viagens interestelares. As distâncias são enormes. Chegar até a estrela mais próxima do Sol com nosso foguete mais rápido demoraria em torno de 100 mil anos! Se os ETs existem e podem realizar viagens interestelares em tempo viável, devem ter tecnologias que sequer podemos imaginar. Essas tecnologias devem também protegê-los da radiação cósmica, extremamente nociva aos humanos. E há por fim a questão dos efeitos de viagens prolongadas no metabolismo, estrutura óssea e sistema psíquico dos exploradores. Juntando tudo isso, não é de surpreender que não recebamos visitas frequentes de vida inteligente. Tampouco é claro que existam outras inteligências nesta galáxia, se bem que a ciência não pode eliminar essa possibilidade. Afinal, a ausência de evidência não é evidência de ausência, como dizia Carl Sagan. Sem dúvida. Mas, dado o que sa­bemos, parece que temos outros medos bem mais imediatos para nos preocupar.

Ciência e tecnologia

Vida fora do planeta Terra

Palestra do professor Adauto Lourenço.

Ciência e tecnologia

Os 11 maiores mistérios do Universo

Veja também: As grandes questões da ciência moderna.

É sempre bom incrementar a nossa biblioteca pessoal com um livro novo, especialmente quando ele vem de graça e sem que você esteja esperando. Foi o que aconteceu comigo. A grata surpresa foi que, junto com a edição de novembro da revista Superinteressante que me chegou pelos correios, veio um livro. Eu não comprei, não pedi, não fui avisado e nem sequer questionado se gostaria de recebê-lo. Mas ele veio mesmo assim. Apenas um presente, um mimo da editora Abril para os assinantes da Super. Como eu amo ganhar livros, gostei muito do presente. E como aprendi a ser sempre grato pelas coisas, resolvi retribuir a gentileza escrevendo esta resenha. Penso que esta é uma maneira de dar, na minha medida do possível, mais visibilidade ao livro – se é que um livro publicado por uma revista do porte da Super precisa do “empurrãozinho” deste modesto blog.

LOPES, Reinaldo José. Os 11 maiores mistérios do Universo. São Paulo: Abril, 2014 (212 pp.)

LOPES, Reinaldo José. Os 11 maiores mistérios do Universo. São Paulo: Abril, 2014 (212 pp.)

O título me agradou logo de cara e despertou minha curiosidade, embora tenha me deixado um tanto cético e receoso se daria conta da expectativa que inevitavelmente gera: “Os 11 maiores mistérios do Universo”. O subtítulo, logo abaixo, piora ainda mais a situação do autor: “As questões mais profundas da humanidade, com as respostas mais surpreendentes”. Quando você folheia um pouco e lê o sumário, aí é que a coisa complica. Sente o naipe das questões: Deus existe? O Universo teve um começo? Do que é feito o Cosmos? Como a vida surgiu? O Universo vai ter um fim? O que é a consciência? Existe vida após a morte? É possível viajar no tempo? Existe vida em outros planetas? O livre-arbítrio existe? Qual o sentido da vida? E por fim, uma questão que não está no livro, mas também é complicada: Com a expectativa do leitor nas alturas, como é que Reinaldo José Lopes, casado, pai, católico, blogueiro, jornalista de ciência da Folha e colaborador da Super desde 2003, daria conta do recado?

Primeiramente, devo esclarecer que Reinaldo não pegou esse projeto do zero. Além, é claro, dos incontáveis textos clássicos de filosofia e ciência que as melhores mentes da humanidade produziram, e além das ainda mais incontáveis publicações científicas que estão sendo produzidas nos dias de hoje por um timaço de especialistas nas melhores universidades do mundo, Reinaldo contou com um ótimo, digamos, ponto de partida (ou seria melhor dizer “referência”?). É que, em março de 2013, a matéria de capa da Super (edição nº 316) já trazia uma reportagem de Eduardo Szklarz com esse mesmo teor. O título só trocava o número onze pelo sete: “Os 7 maiores mistérios do Universo”. Eu li ambos: a reportagem e o livro. Parece que os editores da revista gostam muito dessa temática; primeiro porque ela é, de fato, um assunto “super interessante” (fazendo jus ao nome da revista); e depois porque, obviamente, vende muito bem (talvez pelo sensacionalismo implícito). Minha interpretação mercadológica desse lançamento é que, dado o sucesso da matéria publicada ano passado, eles resolveram detalhar, aprofundar e ampliar aquelas mesmas questões. Como o volume de informações ficou extenso demais para uma matéria na revista, eles resolveram explorar um novo nicho editorial e encomendaram o livro.

Editorial e visualmente, o livro ficou muito bonito. As ilustrações monocromáticas de Raul Aguiar ficaram belíssimas. Um detalhe importante é que os 11 capítulos podem ser lidos na ordem que o leitor bem entender. Isso porque o livro não possui a exigência de leitura linear, capítulo após capítulo; mas alinear, de modo que cada capítulo aborda o seu respectivo tema de maneira independente dos demais. Sobre o teor do texto, devo dizer que ele não tem nem de longe o rigor de um artigo científico. Abrindo mão da erudição e do tecnicismo exagerado, ele é voltado para um público leigo, para leitor de revista; foi escrito em uma linguagem informal e descontraída. Embora não tenha, para a comunidade científica, o prestígio de uma obra técnica, ele cumpre bem o seu papel de nos fazer pensar e nos colocar a par (falo como leigo) das mais recentes descobertas da ciência acerca dessas intrigantes questões. Sobre essa pretensão, só tenho a dizer que ela é um tanto megalomaníaca, já que muitas dessas questões propostas são metafísicas e estão num âmbito “metacientífico”. Deixando de lado a velha ilusão do cientificismo, não acredito que tais problemas poderão um dia ser solucionados por meio da “observação empírica verificável”. Portanto, todas as teorias apresentadas e defendidas no livro são, no fim das contas, apenas aproximações.

Filosofia e intelectualidade

Garoto filósofo de 9 anos falando sobre a vida, o universo e tudo o mais

Não sei se um adulto escreveu o texto e ele decorou ou se esses questionamentos são de fato dele, mas esse garotinho de 9 anos fala sobre problemas filosóficos bem intrigantes e nos leva à reflexão (além de ser um pouco engraçado ver uma criança com preocupações tão sofisticadas).

Futuro e futurismo

8º relatório de Riscos Globais

Fórum Econômico MundialA 8ª edição do relatório Riscos Globais, do Fórum Econômico Mundial, divulgado na semana passada, aponta que a descoberta de vida alienígena, o uso de medicamentos para aumentar a capacidade cognitiva e a mudança radical das condições climáticas na Terra podem implicar em dilemas éticos e provocar alterações na maneira como a sociedade se organiza e como ela vê a si mesma. A organização listou 5 fatores importantes que gostaria de ver nos debates da comunidade internacional em 2013 por terem consequências incertas para o futuro da humanidade. São eles:

Descoberta de vida extraterrestre

Dado o ritmo de exploração do espaço, é cada vez mais provável se descubra a existência de vida alienígena no sistema solar. Mas quais seriam as consequências dessa descoberta para o fluxo de financiamento da ciência e para a imagem que a humanidade tem de si mesmo? De acordo com o relatório, supondo que astrônomos descubram um planeta que possa servir como uma futura casa para a humanidade, ou detectem a existência de vida em nosso Sistema Solar, esses avanços trariam sérias implicações. Os cientistas iriam deslocar um grande contingente de missões robóticas e humanas para estudar o local, apoiados por agências de financiamento entusiasmadas com as descobertas. No longo prazo, haveria profundas implicações psicológicas e filosóficas desencadeadas pela descoberta de vida extraterreste, desafiando a religião e a filosofia humana, diz o relatório.

Habilidades super-humanas

young-supermanAntes reservadas à ficção científica, as habilidades sobre-humanas estão se aproximando rapidamente do nosso horizonte. Mas quais seriam as implicações éticas destes avanços? O relatório aponta que os cientistas estão trabalhando duro para desenvolver medicamentos e terapias que livrem o cérebro humano de doenças neurológicas, como o Mal de Alzheimer e a esquizofrenia. O relatório afirma que, num futuro próximo, pesquisadores irão identificar compostos que melhorem os atuais estimulantes cognitivos, por exemplo, a ritalina – medicamento indicado para pessoas diagnosticadas com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Embora sejam prescritos para tratar doenças neurológicas, os novos compostos capazes de melhorar a inteligência ou a cognição poderão ser usados ilegalmente por pessoas saudáveis à procura de vantagens no trabalho ou no estudo, destaca o relatório. O texto afirma ainda que os novos tratamentos irão trazer sérios conflitos éticos, estando disponíveis no mercado somente para quem puder pagar por eles.

O custo de viver mais

idosos velhiceA expectativa de vida tem aumentado nos últimos anos, mas será que a humanidade não está traçando as bases para a criação de uma sociedade futura fadada a lidar com uma massa de idosos, doentes e debilitados? São esperados, para um futuro próximo, grandes avanços na medicina para prevenir e tratar doenças como câncer, problemas no coração e acidente vascular cerebral, destaca o relatório. No entanto, o texto alerta para a necessidade de analisar o impacto de uma sociedade com um número crescente de idosos enfermos, protegidos das doenças que mais causam mortes, mas com uma qualidade de vida deteriorada por conta de outros males. De acordo com o artigo, esse cenário exige que sejam difundidos hábitos que melhorem a qualidade de vida e afastem possíveis patologias, como a prática de exercícios físicos. Ao mesmo tempo, é preciso tomar medidas para mitigar os custos decorrentes do aumento da população de idosos, por exemplo, fixando uma idade mais avançada para a aposentadoria, defende o texto. O impacto do envelhecimento da população será sentido por toda a sociedade e é preciso encontrar soluções para amenizar doenças crônicas e encontrar meios para tornar os idosos capazes de gerir males crônicos e gerar riqueza ao mesmo tempo, conclui o relatório.

Mudanças climáticas descontroladas

A ameaça do aquecimento global é bem conhecido, mas será que já não desencadeamos uma reação em cadeia descontrolada que rapidamente está empurrando a atmosfera para um estado inóspito? O texto sugere que o debate sobre o tema nas últimas décadas ficou centrado na questão se a humanidade poderia ou não ser responsável por alterar um sistema climático tão grande como o da Terra. No entanto, o artigo atesta que estamos caminhando forçadamente para uma discussão sobre a melhor forma de reforçar a resistência dos seres humanos e sua capacidade de adaptação para lidar com essa nova realidade. “Ligada no piloto automático, a mudança das condições climáticas nos empurra impiedosamente para um novo e desconhecido equilíbrio”, afirma o texto.

Riscos da geoengenharia

Em resposta às preocupações crescentes sobre as mudanças climáticas, os cientistas estão explorando maneiras de manipular o clima da Terra. A maioria das pesquisas tem se concentrado em injeção de enxofre através de aeronaves. A ideia básica na geoengenharia – também chamada de gestão da radiação solar – é a de que as pequenas partículas podem ser injetadas no alto da estratosfera para bloquear parte da energia solar recebida e refletir os raios para o espaço, tal qual as grandes erupções vulcânicas fizeram no passado. De acordo com estudos recentes, esse método poderia compensar o aquecimento global e daria aos seres humanos o controle sobre a temperatura da Terra. No entanto, destaca o relatório, uma série de implicações éticas, legais e científicas rapidamente surgiriam, junto com incontáveis efeitos colaterais, ainda difíceis de prever. De acordo com o artigo, no momento ninguém prevê a implantação da gestão da radiação solar, dadas as dificuldades de um acordo internacional sobre o tema. Mas, ressalva o texto, alguns analistas de geoengenharia já estão pensando nas implicações no caso de um país ou um pequeno grupo de pessoas precipitarem uma crise internacional ao avançar com a pesquisa de implantação da geoengenharia.

Fonte: G1.

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