Nova York e João Pessoa registram mesma temperatura na noite de Natal

Normalmente com temperaturas negativas e coberta de neve nessa época do ano, a cidade de Nova York acaba de bater um recorde curioso: esta foi a véspera de Natal mais quente da história. O antigo recorde era de 17º C, registrado em 1996, segundo dados do Serviço Meteorológico Nacional americano (NWS), que mede desde 1871. Na última noite de Natal, porém, os termômetros por lá marcaram incríveis 22º C, mesma temperatura registrada aqui em João Pessoa, na Paraíba, de onde escrevo.

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Os termômetros também não ficaram muito diferentes disso em Boston, Washington, Recife e Natal. Com uma diferença básica importante: no Nordeste brasileiro estamos em pleno verão de uma região tropical, enquanto o Nordeste americano está em pleno inverno de uma região temperada. Por aqui, tudo normal. É por lá que o clima anda bastante confuso e está intrigando os meteorologistas. Depois do recorde de frio e das intensas nevascas no inverno passado, o Natal sem neve nos EUA e Canadá frustrou os turistas, e as lojas de Manhattan voltaram a ligar o ar-condicionado. A imagem abaixo é um sinal bastante influente de que o clima está meio louco no mundo. Ela mostra, em plena véspera de Natal, novaiorquinos jogando beachvoley de bermuda e sem camisa no Central Park (foto: AFP), coisa definitivamete impensável em um ano normal.

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Compre experiências e não coisas

capa-epoca-867Investir em viagens, jantares e aventuras – em vez de produtos – pode levar a uma vida mais feliz. É o que sugere a reportagem a seguir, publicada originalmente na revista Época.


Carro com cheiro de novo, sapatos e roupas da última coleção ou a caríssima luminária criada por seu designer preferido. Comprar o que desejamos é um dos caminhos mais fáceis – e talvez mais enganosos – para a felicidade. Por isso o mundo em que vivemos é muitas vezes descrito como sociedade do consumo. Todos o praticam desenfreadamente. Comprar um objeto, um doce ou um livro ativa em nosso cérebro mecanismos químicos de recompensa. Dá prazer. O problema é que a felicidade do consumo se dissipa rapidamente. Muitas vezes, antes mesmo da chegada da fatura do cartão. A tendência é que busquemos repor o prazer da compra com outra compra, num mecanismo similar ao do vício. Há, no entanto, uma solução simples para usufruir o prazer e evitar os problemas da dependência: consumir menos – e melhor. Consumir de modo que a sensação de prazer perdure e até mesmo se renove com o passar do tempo. Ou, em outras palavras, consumir experiências, em vez de coisas.

A ciência está do lado de quem compra para viver – e não de quem vive para comprar. De acordo com pesquisas feitas nos últimos anos, investir em experiências aumenta substancialmente as chances de ter uma vida mais feliz, mais plena de sentido e significado. Uma dessas pesquisas foi divulgada recentemente pela Universidade de Cornell, nos EUA. Liderado pelo pesquisador americano Thomas Gilovich, o estudo intitulado Uma vida maravilhosa: o consumo experimental e a busca pela felicidade mediu, durante três anos, a forma como consumidores se sentiram em relação a suas compras, em intervalos de tempo distintos. Mais de 2 mil pessoas, dos 21 aos 69 anos, participaram da pesquisa. Gilovich é um dos maiores especialistas do mundo em comportamento dos consumidores. Desde o início dos anos 1990, ele estuda como as pessoas empregam seu dinheiro – e o efeito dessas opções. No estudo mais recente, sua principal conclusão é que o gasto com experiências como jantares, viagens, passeios e espetáculos causa uma sensação de felicidade mais intensa e duradoura do que compras de produtos – por mais grandiosos e antecipados que eles sejam. “As experiências, ao contrário dos produtos, seguem em nossa memória e são revividas sempre que compartilhadas, expandindo nossa percepção de prazer e a de pessoas com quem as dividimos”, disse Gilovitch à revista Época. Num mundo em que nunca houve tanta oportunidade de compartilhar, apostar em experiências pode ser um jeito divertido de distribuir bem-estar – e recolher um pouco de felicidade.

O microempresário paulista Carlos Carnellas está aí para comprovar o trabalho de cientistas como Gilovitch. Aos 34 anos, sofreu um acidente grave no trabalho. Quebrou o braço em três lugares. “Estava internado quando decidi que queria investir numa grande experiência”, conta ele. Resolveu subir o Everest – logo ele, que nunca havia escalado. Foram dois anos de escaladas na América do Sul e treinos físicos diários antes de sua primeira viagem ao Everest, em 2009. Daquela vez, chegou ao primeiro acampamento, o ponto de parada mais baixo do monte, a 5.400 metros de altitude. Carnellas vendeu um apartamento que tinha em São Paulo para financiar a expedição, que lhe custou US$ 62 mil. “A sensação de realização foi a coisa mais incrível que já vivi”, diz ele. “A noção de fragilidade que a montanha nos impõe é transformadora”. Desde então, Carnellas já participou de duas outras expedições ao Everest. Na segunda, em 2011, alcançou o cume. Cada viagem é precedida de intensa preparação financeira. Dono de uma pequena fábrica de embalagens, ele troca o prazer fugidio – e o conforto – de dirigir carros novos e viver numa casa maior pela promessa de grandes aventuras, grandes lembranças. “Nunca penso no que deixo de ter. A montanha me tornou alguém mais desapegado e feliz. A lembrança de como me senti na primeira vez que a venci ainda me emociona”, diz ele.

E nem é preciso ter dinheiro para escolher experiências em vez de coisas. É possível ter o mesmo tipo de prazer em atividades cotidianas. Isso acontece devido à forma como nossa mente interpreta nossas experiências. Enquanto as coisas que compramos ficam em garagens, armários ou prateleiras, as experiências tornam-se parte do que somos. “É o oposto da noção errada de que produtos duram e vivências são fugazes”, diz Gilovich. “O que experimentamos estará conosco enquanto tivermos memória para resgatá-lo”. É claro que, quanto mais extraordinárias as experiências, quanto maior o investimento de tempo e energia, mais profundamente as impressões serão gravadas na memória. São muitos os mecanismos psicológicos que explicam por que viver algo traz sensações mais intensas do que possuir algo. O primeiro é que somos seres sociais. Conviver e compartilhar experiências são, para nós, fontes comprovadas de prazer. Ao longo das últimas décadas, vários estudos mostraram que pessoas com vida social equilibrada e fortes laços de afeto tendem a sofrer menos com depressão, melancolia e ansiedade. As experiências reforçam os aspectos positivos da nossa psicologia gregária. É mais fácil transformar um jantar ou um passeio numa experiência coletiva do que esperar que as pessoas se deleitem com nossa nova TV ou com aquela batedeira de grife, importada – por mais que às vezes pareça que não.

“Vivências são mais facilmente transformadas em experiências coletivas do que produtos”, afirma Sonja Lyubomirsky, pesquisadora da Universidade da Califórnia que há mais de 20 anos se dedica ao estudo da felicidade. Seu último livro, Os mitos da felicidade (Editora Odisseia), foi lançado em 2014 no Brasil. Ela diz que conversas sobre viagens, filmes ou uma peça de teatro são combustível certo de momentos prazerosos com amigos. Há compras que sugerem experiências, como o sítio onde você pode se reunir com amigos, mas, em geral, esse não é o resultado das compras. Mesmo compras longamente antecipadas, como o carro dos sonhos, não despertam empatia ou interesse nos demais. É um triunfo pessoal, apenas. Falar de conquistas materiais pode até gerar constrangimento. Transmite a impressão de que o interlocutor está diante de um novo-rico exibicionista. E talvez esteja mesmo… As redes sociais e os comunicadores instantâneos não só aumentam as possibilidades de compartilhar experiências como transformam as vivências em ponte para nos aproximar de pessoas com quem, de outra forma, não teríamos contato direto. Ao descobrirmos que amigos fizeram aquela mesma viagem ou provaram da última receita que nos surpreendeu, a relação de afinidade que estabelecemos com eles produz uma gostosa sensação de cumplicidade e pertencimento a um grupo – fonte comprovada de felicidade. Isso não ocorre com a posse de objetos. Pessoas com o mesmo modelo de carro que o nosso ou com o mesmo sapato não têm efeito positivo sobre o nosso bem-estar.

Nossa extraordinária capacidade de adaptação também ajuda a explicar por que o prazer das experiências é mais duradouro que o prazer das compras. As pesquisas mostram que cada ser humano tem um nível próprio de satisfação com a vida, ao qual costuma voltar depois de qualquer impacto, negativo ou positivo. Essa volta ao estado básico (ou adaptação, no dizer dos psicólogos) é essencial quando passamos por traumas, como a morte de alguém querido ou uma doença que nos traga limitações. Alguns estudos acompanharam gente que ficou paraplégica após um acidente. Constatou-se que, depois de um ou dois anos, a maioria voltava ao estado usual de satisfação – ou insatisfação – antes do trauma. A mesma adaptação às circunstâncias ruins se dá com as coisas boas. Pouco depois da euforia de comprar a casa de seus sonhos, é provável que você retorne ao estado de felicidade anterior à compra. O mesmo vale para o sapato, a bolsa, o carro, a promoção no trabalho… Em pouco tempo, viver naquela casa vira rotina, o carro perde o cheiro de novo, a bolsa sai de moda e a responsabilidade extra que chegou com a promoção começa a pesar. Esse mecanismo leva à necessidade de buscar outras compras que reproduzam a sensação de prazer. A isso, Philip Brickman e Donald Campbell, psicólogos da Universidade Yale, chamaram de esteira hedonista (ou esteira dos prazeres, ou esteira adaptativa). É uma referência à imagem dos hamsters na esteira, correndo desesperadamente sem sair do lugar.

A opção pelas experiências, dizem os pesquisadores, ameniza em muito essa armadilha. Mesmo as experiências repetidas ainda são únicas, imunes ao efeito do hábito. Segundo o trabalho de Gilovich, ao contrário do que ocorre com os produtos, a sensação de bem-estar com experiências positivas tende a aumentar com o passar do tempo. A cada lembrança de um episódio feliz, o sentimento é revivido. Até experiências desastrosas, como o carro quebrado no início da viagem ou o vexame de uma bebedeira, podem virar histórias hilárias, depois que o sofrimento for apagado pelo tempo. Em linhas gerais, o prazer de uma compra é intenso no momento em que ela é feita. A partir dali, o objeto tende a se desvalorizar – imediatamente após sair da concessionária com seu carro novo, ele não vale mais aquilo que se pagou. Uma experiência funciona ao contrário. Seu valor pode não apenas ir crescendo com o tempo, mas às vezes tem o poder de modificar outras experiências – e até valores. Tome-se o exemplo do advogado Persio Bider. Ele sonhava em conhecer Israel. Aos 37 anos, finalmente, viajou para lá. Bider se surpreendeu com a comoção que sentiu ao conhecer locais sagrados das religiões judaica e cristã. Diz que sua relação com elas mudou. Agora, se organiza para ir ao Marrocos conhecer lugares sagrados dos muçulmanos. A revisora mineira Regina Pereira teve satisfação similar ao percorrer a trilha que passa pelas cidades citadas nas obras do escritor Guimarães Rosa, de quem é fã desde a adolescência. Passar pelos locais que Rosa descreveu e nos quais se inspirou lhe deu outra compreensão da obra. Ela se sentiu mais próxima do escritor e de seus livros.

A terceira razão para preferir experiências à compra de bens é a comparação. A satisfação de ter um carro bacana pode ser afetada quando nossos amigos ou conhecidos compram modelos mais avançados. Um estudo dos pesquisadores Leonardo Nicolao, da Universidade do Texas, e Joseph Goodman, da Universidade de Washington, em 2009, sugere que experiências são menos passíveis de comparação do que produtos. Por duas razões: experiências distintas têm características peculiares, e o impacto de cada uma depende do repertório de cada pessoa. Como comparar um passeio de balão a um jantar à luz de velas na beira da praia? Ou uma viagem a dois para o interior da Toscana com levar os filhos a esquiar? E mesmo quando a comparação é possível, a sensação de bem-estar não sofre alteração, segundo uma pesquisa de 2003, feita pela equipe de Gilovich. Ao comparar dois tipos de refeição, uma simples e outra mais elaborada, o fato de a segunda ser mais saborosa não influenciou na satisfação que a primeira produziu. O mesmo não ocorreu com o uso de objetos como canetas, canecas e notebooks. A satisfação obtida com o uso das primeiras amostras foi reduzida com o uso de objetos avaliados como mais eficientes ou confortáveis.

Há uma quarta razão para preferir experiências: o arrependimento causado por elas é menor. A compra de objetos causa duas vezes mais arrependimento do que os gastos com eventos. A conclusão é do estudo To do or to have (Fazer ou ter), de Leaf Van Boven, da Universidade do Colorado (EUA), em parceria com Gilovich, que também avaliou a duração da ressaca dos gastos indevidos. O desconforto causado pelo arrependimento de comprar demais perdura por muito mais tempo, e pode ser revivido toda vez que deparamos com o objeto da compra – ou com a fatura do cartão de crédito. O arrependimento produzido por gastos com experiências não só é passageiro, como também é diferente. Os consumidores se arrependeram três vezes mais pelo que deixaram de fazer do que pelo que viveram. Se olharmos para cada real em nossa conta bancária como oportunidade de aumentar nossa felicidade, as experiências parecem, à luz da ciência, um investimento melhor que os objetos. Oferecem prazer mais intenso e duradouro, e causam menos culpa e menos inveja. Qual sua próxima experiência?

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Conheça a Biblioteca Nacional

O vídeo a seguir foi divulgado há exatos 5 anos, em 29 de outubro de 2010, por ocasião do bicentenário da Fundação Biblioteca Nacional, no centro histórico do Rio de Janeiro. Pelo mesmo motivo, nesta data se comemora também o Dia Nacional do Livro aqui no Brasil. A Biblioteca Nacional é a maior biblioteca do país e recebe, por lei, um exemplar de cada livro publicado no Brasil. Todo o seu acervo fica disponível à consulta pública. Parada obrigatória pra quem for dar uma passadinha na cidade maravilhosa.

Paraíba: muito mais que sol e mar

paraibaOntem, no aniversário da cidade de João Pessoa, postei aqui uma reportagem do quadro “tô de folga” do Jornal Hoje (Globo), o qual pretendia mostrar os principais pontos turísticos da capital paraibana. No entanto, toda a ênfase foi dada às praias, ao litoral, de modo que, se fossemos resumir os atrativos, encantos e belezas desta terra em apenas duas palavras, elas seriam “sol” e “mar”. O vídeo institucional abaixo é justamente para desmistificar essa visão redutora, mostrando que esta terra tem muito mais a oferecer.

João Pessoa: 430 anos

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A minha cidade de João Pessoa está completando hoje 430 anos desde a sua fundação, em 05 de agosto de 1585. Sendo a terceira capital mais antiga do Brasil, obviamente a cidade tem muita história. Mas, como dá para perceber na reportagem do Jornal Hoje (Globo) abaixo, o turismo daqui gira em torno do sol. É claro que tem mais coisas interessantes para ver, mas, basicamente, os turistas vêm aqui para ver o amanhecer onde o sol nasce primeiro, na Ponta do Seixas, extremo oriental das Américas; e depois atravessam Cabedelo para ver o pôr do sol das margens do rio Paraíba, na praia do Jacaré. Como costuma brincar o humorista pernambucano Murilo Gun, se houver um eclipse solar, a economia de João Pessoa para e o PIB do município cai pela metade.

Veja também: Paraíba: muito mais que sol e mar

Devido às belezas naturais e à boa qualidade de vida, muita gente também escolhe João Pessoa como destino para morar e aproveitar a aposentadoria. Durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Eco-92), João Pessoa recebeu o título de “segunda capital mais verde do mundo”, ficando atrás apenas de Paris. O cálculo baseia-se na relação entre o número de habitantes e a quantidade de árvores na zona urbana. A cidade ainda foi considerada pela organização International Living como uma das melhores cidades do mundo para se desfrutar a aposentadoria. No ranking da organização, a capital paraibana aparece ao lado de Fortaleza como as únicas cidades brasileiras citadas. Veja uma reportagem do SBT Brasil sobre isso:

Aproveitando a ocasião, veja abaixo quatro vídeos: duas relíquias que mostram imagens antigas de João Pessoa, e duas reportagens contando o surgimento da cidade e as curiosidades do seu centro histórico. Mas antes, um aviso: Se você conhece João Pessoa, vai ficar encantado vendo como eram as principais ruas, praças e lugares históricos da cidade – devido ao progresso, alguns lugares estão irreconhecíveis. Mas se você não conhece a cidade, talvez fique um pouco perdido e talvez pareça que as imagens não tenham muito sentido. Em suma, talvez esses vídeos interessem apenas aos meus conterrâneos. Porém, é possível que você fique curioso e queira vir conhecer essa terra. Se este for o seu caso, sinta-se sempre bem-vindo.


Este primeiro vídeo, de pouco mais de 10 minutos, é o mais antigo. Ele mostra como era a cidade de João Pessoa entre os anos de 1959 e 1963, durante a administração do então prefeito Luiz Gonzaga de Miranda Freire. Nessa época, a capital paraibana tinha uma população de apenas 172 mil habitantes.

Nesta reportagem da TV Câmara de João Pessoa, a historiadora Anal Leal conta, direto do rio Sanhauá, como aconteceu a colonização destas terras pelos portugueses, a fundação da cidade e como era a vida por aqui nos seus primeiros séculos de existência.

Finalmente, esta reportagem do programa Vida Melhor, do canal Rede Viva, leva você em um passeio pelos principais pontos turísticos do centro histórico de João Pessoa.

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