Quantas dimensões há no universo?

No início do século 20, a resposta para essa pergunta era tão óbvia quanto velha. Euclides, lá na Grécia antiga, já havia sacado que são 3 as direções possíveis para qualquer movimento: para cima ou para baixo (altura); para a esquerda ou para a direita (largura); e para a frente ou para trás (profundidade). Portanto, o espaço possui 3 dimensões. Fácil, não? Vai sonhando… Em 1905, Einstein começou a bagunçar tudo. Ele demonstrou que, ao contrário do que dizia a física até então, o espaço e o tempo não eram fixos e imutáveis. Na verdade, eles eram flexíveis e manipuláveis, de modo que era possível, sob certas condições, encolher o tamanho de um centímetro ou esticar a duração de um segundo. E o pior: a modificação sobre um estava atrelada à transformação do outro. Ou seja: o tempo era, do ponto de vista físico, indistinguível do espaço. Com isso, deixou de ser possível falar em 3 dimensões – já que o tempo não podia mais ser colocado em uma gaveta distinta da das outras dimensões. Ficou claro que tudo era uma coisa só: um continuum espaço-tempo, como os físicos hoje adoram dizer. Até aí, bastava incorporar o tempo, que até Euclides conhecia, à lista das 3 dimensões existentes.

Mas Einstein fez questão de complicar ainda mais as coisas quando, em 1915, conseguiu aprofundar sua Teoria da Relatividade. Ao estudar os movimentos acelerados, ele percebeu que a gravidade era nada menos do que uma distorção na geometria das 4 dimensões. Saía de cena a geometria euclidiana e vinha em seu lugar uma geometria não-euclidiana (em que a soma dos ângulos de um triângulo não necessariamente dá 180 graus e linhas paralelas podem se cruzar!). Não satisfeito em pôr de cabeça para baixo a geometria básica do Universo, Einstein decidiu que o passo seguinte era unificar a física toda num só conjunto de equações. Naquela época, em que ninguém conhecia ainda as forças que agiam dentro dos átomos, a tão sonhada unificação era apenas uma questão de costurar a relatividade (que explicava a gravidade) e o eletromagnetismo (responsável, como você pode imaginar, pelos fenômenos elétricos e magnéticos, ambos relacionados à partícula que aprendemos a chamar de elétron).

Einstein não foi muito adiante com seus esforços, mas outros foram inspirados por sua busca. Entre eles, dois se destacaram muito cedo: Theodor Kaluza e Oskar Klein. Trabalhando individualmente em meados da década de 1920, os dois perceberam que, se a relatividade geral fosse reescrita para acomodar 5 dimensões, em vez de 4, as equações do eletromagnetismo brotavam naturalmente dela. Mas tinha um probleminha: até onde se pode ver, o Universo não tem 5 dimensões, mas apenas 4. Klein, em 1926, sugeriu que não podíamos ver a 5ª dimensão porque ela estaria enrolada em si mesma, como um tubinho minúsculo. Foi então que surgiu a Teoria das Cordas – a noção de que as partículas que compõem o Universo poderiam ter a forma de cordas vibrantes. Os físicos desconfiam que, a partir dessa premissa, seria possível descrever todos os componentes da natureza numa única teoria – mas só se o Cosmos possuísse nada menos que 26 dimensões. Uma dimensão enrolada escondida, vá lá. Mas quem vai acreditar em 22 dimensões escondidas? Como explicar que 4 dimensões são aparentes e as outras todas ficam ocultas?

Pois é, como os próprios físicos achavam essa ideia difícil de engolir, começaram a trabalhar numa forma de reduzir o número de dimensões necessárias. Hoje eles já conseguiram fechar com 10 ou 11 dimensões – e muitos pesquisadores acreditam que o número não vai cair muito mais que isso. Ou seja, se a Teoria das Cordas estiver certa, o Universo deve estar cheio de dimensões enroladas e, portanto, invisíveis. Bem mais recentemente, a física quântica começou a desconfiar que os elétrons não são imutáveis em suas órbitas, como muitos pensam, mas sim viajantes dimensionais existindo em dimensões paralelas. É sabido que os elétrons existem de forma oscilatória, surgindo e sumindo a todo o momento; a partir disso, a Teoria das Cordas tenta provar que eles estão à todo momento viajando entre as 11 dimensões.

Fonte: Superinteressante.

Quanta beleza temos deixado de apreciar?

violinNuma fria manhã de janeiro, um homem sentou-se em uma estação de metrô em Washington DC e começou a tocar violino. Durante cerca de 45 minutos, ele tocou seis composições de Bach. Durante esse tempo, considerando que era horário de pico, calcula-se que mais de mil pessoas passaram pela estação, a maioria a caminho do trabalho. Passaram-se 3 minutos até que um homem de meia-idade percebeu que um músico estava tocando. Ele diminuiu o passo, parou por alguns segundos, e então apressou-se a seus compromissos.

Um minuto depois, o violinista recebeu sua primeira gorjeta de 1 dólar: uma mulher arremessou o dinheiro na caixa e continuou a andar. Alguns minutos depois, alguém encostou-se na parede para ouvi-lo, mas o homem olhou para seu relógio e voltou a andar. Obviamente ele estava atrasado para o trabalho. Quem prestou mais atenção foi um garotinho de 3 anos. Sua mãe o apressou, mas o garoto continuou parado olhando o violinista. Então a mãe o puxou com força pela mão e a criança continuou a andar, olhando para trás várias vezes. Isso se repetiu com muitas outras crianças. Todos os pais, sem exceção, os forçaram a seguir andando.

Durante os 45 minutos que o músico tocou, apenas 6 pessoas pararam e observaram por um tempo. Aproximadamente 20 pessoas o deram dinheiro, mas continuaram a andar normalmente. Quando ele acabou de tocar, ninguém percebeu. Ninguém aplaudiu, tampouco houve algum reconhecimento. E ele só conseguiu arrecadar 32 dólares. Ninguém no metrô sabia, mas o violinista era Joshua Bell, um dos maiores músicos do mundo. Ele acabara de tocar 6 das peças mais belas e difíceis já compostas, em um violino que valia 3,5 milhões de dólares. Dois dias antes de tocar no metrô, Joshua bell esgotou os ingressos em um teatro de Boston, onde cada poltrona custava aproximadamente 100 dólares.

A apresentação foi organizada pelo jornal Washington Post como parte de um experimento científico sobre percepção, gosto, e prioridade das pessoas; cujo questionamento era: “Num ambiente comum, numa hora inapropriada: Nós percebemos a beleza? Nós paramos para apreciá-la? Nós reconhecemos talento em um contexto inesperado?”. A mais óbvia conclusão extraída desse experimento se resume numa pergunta de retórica: Se nós não temos tempo para parar e ouvir um dos melhores músicos do mundo tocando algumas das melhores músicas já compostas, quantas outras coisas belas temos deixado de apreciar todos os dias?

O ritmo do tempo

pontualidade tempo

Se você levantar no meio da madrugada e ficar em silêncio na sua varanda poderá ouvir um barulho. Se for muito alto pode dar nos nervos, caso contrário apenas preencherá o ambiente. Pode aumentar ou diminuir de volume, mas com alterações raramente perceptíveis. É um som contínuo, quase sempre despercebido. Um ruído muito monótono, sem começo nem fim. O mesmo ruído ecoa a noite toda. São apenas grilos. Agora outro tipo de ruído. Neste exato momento estou ouvindo “As Quatro Estações” de Vivaldi. Também cheio de ruídos. Barulhos que começam e param, vêm e vão. Algumas notas sustentam uma melodia por segundos. Os violinos tocam, agora o piano, as cordas ressoam… Todos aqueles sons trabalham juntos para criar algo atraente, inspirador, belo, que evoca e propicia muitos estados de espírito. Dois tipos de ruído, duas variações. Um desses sons chamamos de música e o outro são apenas grilos.

Essa diferença nos leva a pensar sobre o tempo, pois o tempo é muito parecido com o som. A música acontece porque os ruídos e sons, tons e acordes, estão arranjados em uma percepção exata do tempo. A medição do tempo é que divide a música em batidas, dando-lhe um fluxo, um padrão, um ritmo. Todos nós experimentamos o desespero que se instala na alma quando nossos dias apenas misturam despertar com tomar café, escovar os dentes, ir ao trabalho ou faculdade, fazer compras, pagar as contas, encher o tanque, comer… E dormir para fazer tudo novamente no dia seguinte. Um dia parece igual ao outro, a vida parece ser o equivalente existencial do ruído dos grilos.

Isso, naturalmente, nos leva de volta para o Êxodo. A história dos escravos hebreus resgatados das mãos do Faraó não é apenas sobre o Deus que salva as pessoas de precisarem fazer tijolos todos os dias. Ela fala sobre o Deus que também salva as pessoas de outros tipos de escravidão: da que envolve o tempo. A vida no Egito era apenas fazer diariamente tijolos para o Faraó, durante o tempo todo. Tijolos, tijolos, tijolos, comer, dormir, mais tijolos e tijolos. Amanhã será como hoje: tijolos, tijolos… No entanto, quando os israelitas foram resgatados, Deus deu-lhes ordens. Uma das mais urgentes foi separar o sábado do resto da semana, fazer dele um dia diferente dos outros. Seis dias terá trabalho, mas no sétimo não. Por isso é algo fantástico. Deus lhes dá ritmo! Mas não o ritmo do som, é o ritmo do tempo. A vida antes era uma sucessão interminável de dias iguais, como o barulho perturbador de um grilo no silêncio da noite. Mas agora seu tempo é dividido, medido: seis e um, seis e um, seis e um…

Precisamos de ritmo em nosso tempo. É isso o que faz um momento ser diferente do outro. Ele dá forma e cor para toda a vida. Nossos antepassados compreenderam que o tempo, assim como o som, é melhor quando é separado, dividido e organizado em padrões e ritmos. Então eles criaram o calendário e o relógio: Uma maneira de organizar o tempo, uma forma de trazer variação aos nossos dias, uma maneira de encontrar música durante a passagem do tempo. Hoje, dia 31 de dezembro, acontece uma virada, dentre tantas viradas dessa música. A partir de amanhã começa um novo ritmo, uma nova batida. O Charlezine deseja que você encontre a batida perfeita. E que seja uma batida feliz. Feliz como um ano novinho em folha!

FELIZ ANO NOVO!

“O calendário cristão está errado”, diz papa

calendar_icon1O nosso calendário cristão, que é baseado no ano de nascimento de Jesus, estaria atrasado devido a um erro de cálculo, afirmou o Papa Bento 16. As declarações estão na série de livros com 3 volumes chamada L’Infanzia di Gesu (“A infância de Jesus”, em tradução livre), escrito pelo próprio Bento 16 e editado pela Casa Publicadora do Vaticano em parceria com a editora Rizzoli, da Itália. Segundo o Papa, o cálculo do calendário cristão que é usado atualmente foi feito pelo monge Dionysius Exiguus, que havia errado em alguns anos. Essa afirmação do líder católico reforça a tese de estudiosos que afirmam que o nascimento de Jesus teria acontecido entre 4 e 6 anos antes da data conhecida atualmente. Essas não são as únicas afirmações polêmicas publicadas na trilogia de livros. Bento 16 também afirma que não haviam animais na manjedoura onde Jesus nasceu, e justifica dizendo que a Bíblia não menciona isso, e que os anjos nunca cantaram para os pastores anunciando o nascimento de Jesus. O livro deverá ser lançado em inglês em breve, com o título Jesus of Nazareth: The Infancy Narratives (“Jesus de Nazaré: narrativas da infância”).

Fonte: Daily Mail.

Se Jesus não nasceu em 25 de dezembro,
por que o Natal é comemorado nesta data?

Na Antiguidade, povos pagãos realizavam o Natalis Solis Invicti, o “nascimento do sol invencível”, uma festa em homenagem ao deus persa Mitras. O Natalis, que podia ser celebrado entre 22 e 25 de dezembro, era realizado pelos pagãos nesse período porque é nele que acontece o solstício de inverno, o dia mais curto do ano. Em 354 d.C., a Igreja Católica, na figura do Papa Libério, cristianizou a festa pagã e começou a comemorar nela o nascimento de Jesus. Hoje, ele é celebrado nesse dia pelas Igrejas Católica, Anglicana e Protestantes. A Igreja Ortodoxa, que se baseia no calendário juliano, celebra o Natal em 7 de janeiro, quando o menino Jesus teria sido circuncidado.

Em entrevista à revista Mundo Estranho, o cientista da religião Carlos Caldas defende que, entre os estudiosos especialistas no assunto, é consenso que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. O primeiro argumento é o climático e está na própria Bíblia, que confirma que Cristo nasceu em um período de recenseamento, no qual as pessoas deveriam viajar do campo às suas cidades de origem para se alistar. “Sendo o inverno de Israel tão rígido, como explicar esses deslocamentos? Também por causa do frio, não dá para imaginar um menino nascendo numa estrebaria”, disse o professor à publicação. Ao que tudo indica, Cristo nasceu entre março e novembro, quando o clima é menos rigoroso. E até sobre o ano de seu nascimento não há consenso. A maioria dos historiadores (e até o próprio papa Bento 16!) concordam que  Jesus teria nascido por volta do ano 7 a.C. Isso se deve a um erro de cálculo cometido pelo monge Dionysius Exiguus, que teria feito o calendário cristão que até hoje usamos no ocidente.

Eu trocaria – Hélio Fraga

A crônica abaixo me fez chorar. Escrita pelo jornalista Hélio Fraga em meados da década de 1980, ela traz uma trágica e comovente lição de vida. Se você é pai ou mãe, esse depoimento pode mudar a forma como você se relaciona com seus filhos.


O pai moderno, muitas vezes perplexo, aflito, angustiado, passa a vida inteira correndo como um louco em busca do futuro e esquecendo-se do agora. Na luta para edificar esse futuro, ele renuncia ao presente. Por isso, é um homem ocupado, sem tempo para os filhos, envolvido em mil atividades – tudo com o objetivo de garantir o amanhã. E com que prazer e orgulho, a cada ano, ele preenche sua declaração de bens para o Imposto de Renda. Cada nova linha acrescida foi produto de muito esforço, muito trabalho. Lote, casa, apartamento, sítio, casa de praia, automóvel do ano, tudo isso custou dias, semanas, meses de luta. Mas ele está sedimentando o futuro de sua família: se partir de repente, por qualquer motivo, já cumpriu sua missão e não vai deixá-la desamparada. E para ir escrevendo cada vez mais linhas na sua relação de bens, ele não se contenta com um emprego só – é preciso ter dois ou três; vender parte das férias, em vez de descansar junto à família; levar serviço para casa, em vez de ficar com os filhos. É um tal de viajar, almoçar fora, discutir negócios, marcar reuniões, preencher a agenda – afinal, um executivo dinâmico não pode fraquejar nesse mundo competitivo.

No entanto, esse homem se esquece que a verdadeira declaração de bens, o valor mais alto, aquele que efetivamente conta, está em outra página do formulário do Imposto de Renda – mais precisamente naquelas modestas linhas, quase escondidas, onde se lê: “relação dos dependentes”. São os filhos que ele colocou no mundo, e a quem deve dedicar o melhor do seu tempo. Há filhos órfãos de pais vivos, porque estão “entregues” – o pai para um lado, a mãe para outro, e a família desintegrada, sem amor, sem diálogo, sem convivência. Há irmãos crescendo como verdadeiros estranhos,  correndo de um lado para o outro o dia inteiro – ginástica, natação, judô, ballet, aula de música, curso de inglês, terapia, etc. – e só se encontram de passagem em casa, um chegando, outro saindo. Não vivem juntos, não saem juntos, não conversam. Para ver os pais, é quase preciso marcar hora!

Seus filhos são novos demais e não estão interessados em propriedades e no aumento da renda. Eles só querem um pai para conviver, dialogar, brincar. Os anos passam, os meninos crescem, e o pai nem percebe, porque se entregou de tal forma ao trabalho que não viveu com eles, não participou de suas pequenas alegrias, não os levou ou os buscou no colégio, nunca foi a uma festa infantil, não teve tempo para assistir a apresentação da sua filha – pois um executivo não deve desviar sua atenção para essas bobagens. São coisas para desocupados. Depois de uma dramática experiência pessoal e familiar vivida, a única mensagem que tenho para dar é esta: não há tempo melhor aplicado do que aquele destinado aos filhos. Dos 16 anos de casado, passei 15 anos correndo e trabalhando sem parar, absorvido por muitas tarefas, envolvido em várias ocupações, totalmente entregue a um objetivo único e prioritário: construir o futuro para três filhos e minha mulher. Isso me custou longos afastamentos de casa, viagens, estágios, cursos, plantões no jornal, madrugadas no estúdio da televisão, uma vida sempre agitada, atarefada, tormentosa. A apaixonante dedicação à profissão escolhida – que foi, na verdade, mais importante do que minha família. E agora, aqui estou eu, de mãos cheias e de coração aberto, diante de todos vocês.

Aqui está o resultado de tanto esforço: construí o futuro penosamente, e agora não sei o que fazer com ele depois da perda de Luiz Otávio. De que valem casas, carros e tudo o mais que foi possível juntar nesses anos todos de esforço, se ele não está mais aqui para aproveitar isso com a gente? Se o resultado de 30 anos de trabalho fosse consumido agora por um incêndio e, desses bens todos, não restasse mais do que cinzas, isso não teria a menor importância; não ia provocar o menor abalo em nossa vida, porque a escala de valores mudou e o dinheiro passou a ter peso mínimo e relativo em tudo. Se o dinheiro não foi capaz de comprar a cura e a saúde de um filho amado, para que ele serve? Para que ser escravo dele?! Eu trocaria, explodindo de felicidade, todas as linhas de declaração de bens por uma única linha que eu tive de retirar, do outro lado da folha: o nome do meu filho na relação de dependentes. E como doeu retirar essa linha na declaração de 1983!

NOTA: Luiz Otávio morreu aos 12 anos, em novembro de 1982, na cidade de Belo Horizonte, vítima de um tumor cerebral.

Fonte: Revista Raio de Luz (Betel Brasileiro), edição 113.

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