Uma vida livre das ondas eletromagnéticas

De qualquer lugar da cidade é possível ligar um rádio e sintonizar numa frequência qualquer (AM ou FM), ligar um aparelho de TV e escolher uma emissora para assistir, fazer uma ligação pelo telefone celular, mandar uma mensagem pelo smartphone ou, em alguns lugares, ligar o notebook ou tablet e acessar a internet sem fio. Andando pela cidade é possível olhar para o horizonte e contar dezenas de antenas à vista. São enormes antenas de rádio, TV, telefone, internet… Todas elas emitindo algum tipo de sinal eletromagnético “no ar”. Isso sem falar nos inúmeros satélites em órbita, mandando para cá outros inúmeros tipos de sinais eletromagnéticos. Quais serão os possíveis efeitos desse bombardeio de ondas que recebemos 24 horas por dia? É provável que você jamais tenha pensado nisso dessa maneira, mas já faz um tempão que me dei conta dessa loucura, desse caos em forma de ondas que nos atingem sem parar.

Apenas muito recentemente foi que me dei conta de que não sou o único no mundo a pensar nessa bobagem (bobagem?). Li na Superinteressante que existe uma espécie de migração antitecnológica em curso nos Estados Unidos. Muitas pessoas estão se mudando para Green Bank, área livre de ondas eletromagnéticas no Estado da Virgínia. A região fica na chamada zona de silêncio de rádio dos EUA, onde os sinais são bloqueados para não afetar uma rede de espionagem do exército e de telescópios instalados no local. Os novos moradores dizem sofrer de hipersensibilidade eletromagnética, distúrbio que, segundo eles, afeta a saúde de quem estiver exposto a sinais de rádio, TV, telefones celulares, roteadores de banda larga (wi-fi) e outros aparelhos que emitem ondas eletromagnéticas. Cerca de 5% dos americanos acreditam sofrer do transtorno. Essas pessoas dizem que têm queimaduras na pele e dores de cabeça quando se aproximam de um celular, tornando-se forçadamente antissociais.

Em Green Bank, sem internet e celular, elas se sentem mais felizes e saudáveis. Mas há divergências sobre o assunto. Boa parte da comunidade científica questiona dados como os da Universidade do Estado da Louisiana, que publicou um estudo mostrando que há relação entre as dores e a frequência eletromagnética. Ainda não foi comprovada a relação entre o celular e o câncer; mesmo assim, a OMS elevou este ano o celular para a categoria de “possivelmente cancerígeno”. Eu mesmo, que não saberia viver sem o conforto e a facilidade de comunicação proporcionada por tais avanços tecnológicos, só posso esperar pra ver. Se haverá ou não efeitos negativos na saúde de quem vive exposto a tais ondas, ainda não é possível confirmar. Mas pelo menos um dado se pode prever: a população de Green Bank tende a crescer muito mais rapidamente do que a média mundial. Deixo com os leitores a árdua – e maliciosa – tarefa de encontrar uma explicação para esta previsão geográfica.

A arte de envelhecer

idosos velhiceO tema da velhice foi o objeto de brilhantes filósofos ao longo dos tempos. Um dos melhores livros sobre o assunto foi escrito pelo pensador e orador romano Cícero (106-43 a.C.): A arte do envelhecimento. Cícero nota, primeiramente, que todas as idades têm seus encantos e suas dificuldades. E depois aponta para um paradoxo da humanidade. Todos sonhamos ter uma vida longa, o que significa viver muitos anos. Quando realizamos a meta, em vez de celebrar o feito, nos atiramos em um estado de melancolia e amargura. “Todos os homens desejam alcançar a velhice, mas ao ficarem velhos se lamentam”, escreve. Para Cícero, “os velhos inteligentes, agradáveis e divertidos suportam facilmente a idade, ao passo que a acrimônia, o temperamento triste e a rabugice são deploráveis em qualquer idade”.

Um  ótimo exemplo disso foi a francesa Jeanne L. Calment, que morreu aos 122 anos em 1997. Jeanne foi a pessoa que mais viveu no mundo desde os lendários personagens do Gênesis – como Matusalém (969 anos). “Deus deve ter se esquecido de mim”, brincava sempre a anciã. Em seu 110º aniversário, a francesa disse bem humorada: “Eu só tenho uma ruga, e estou sentada em cima dela neste momento”.

Permanecer intelectualmente ativo é uma forte recomendação de Cícero. “A memória declina se não a cultivamos ou se carecemos de vivacidade de espírito”, disse. Cícero lembra que Sófocles em idade avançada ainda escrevia suas tragédias. No fim da vida, Sócrates aprendeu a tocar lira. Catão, na velhice, descobriu a literatura grega. Machado de Assis, para citar um brasileiro, aprendeu alemão também na velhice, língua na qual escreveu seus melhores romances. “A vida segue um curso preciso e a natureza dota cada idade de suas qualidades próprias”, escreveu Cícero. “Por isso, a fraqueza das crianças, o ímpeto dos jovens, a seriedade dos adultos e a maturidade da velhice são coisas naturais que devemos apreciar cada uma em seu tempo.” Sem dúvida, ler as palavras de Cícero sobre o envelhecimento pode ajudar a aceitar melhor a passagem do tempo. Em outras palavras: ler Cícero dá mais resultado do que Botox!

Com informações de: Revista Época.

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