As capitais linguísticas do mundo

Seguindo a mesma linha do post no qual escolhi quais são as capitais de cada continente, agora chegou a vez de dizer quais são as capitais de cada idioma. Da nossa lista dos 10 idiomas mais falados no mundo, troquei o Hindi e o Bengali pelo Alemão e o Italiano. Penso ter obtido, assim, a lista das 10 línguas mais importantes do mundo (primeira coluna a esquerda na tabela abaixo). Essa escolha não foi arbitrária: embora possuam um maior número de falantes, especialmente na Índia e em Bangladesh, os idiomas Hindi e Bengali não têm a mesma importância cultural que o Alemão e o Italiano têm para o resto do mundo. Depois disso, para cada um desses 10 idiomas, escolhi, por ordem de importância cultural, econômica e demográfica, as três cidades mais influentes nas quais esse idioma é a língua oficial. Chamei-as de “capitais linguísticas do mundo”.

INGLÊS

Nova York (EUA)

Londres (ING)

Los Angeles (EUA)

ESPANHOL

Madri (ESP)

Cid. do México (MEX)

Buenos Aires (ARG)

FRANCÊS

Paris (FRA)

Montreal (CAN)

Bruxelas (BEL)

ALEMÃO

Berlim (ALE)

Frankfurt (ALE)

Munique (ALE)

PORTUGUÊS

São Paulo (BRA)

Rio de Janeiro (BRA)

Lisboa (POR)

ITALIANO

Roma (ITA)

Milão (ITA)

Nápoles (ITA)

RUSSO

Moscou (RUS)

São Petersburgo (RUS)

Kiev (UCR)

ÁRABE

Cairo (EGI)

Teerã (IRÃ)

Dubai (EAU)

MANDARIM

Shangai (CHI)

Pequim (CHI)

Hong Kong (CHI)

JAPONÊS

Tóquio (JAP)

Osaka (JAP)

Nagoia (JAP)

Conheça a Biblioteca Nacional

O vídeo a seguir foi divulgado há exatos 5 anos, em 29 de outubro de 2010, por ocasião do bicentenário da Fundação Biblioteca Nacional, no centro histórico do Rio de Janeiro. Pelo mesmo motivo, nesta data se comemora também o Dia Nacional do Livro aqui no Brasil. A Biblioteca Nacional é a maior biblioteca do país e recebe, por lei, um exemplar de cada livro publicado no Brasil. Todo o seu acervo fica disponível à consulta pública. Parada obrigatória pra quem for dar uma passadinha na cidade maravilhosa.

A filosofia nas obras de Machado de Assis, Fernando Pessoa e Cecília Meireles

Palestras ministradas pela professora Lúcia Helena Galvão, diretora da Nova Acrópole de Brasília, sobre a filosofia presente na obra literária de Machado de Assis (1839-1908), Fernando Pessoa (1888-1935) e Cecília Meireles (1901-1964).

Artur Avila é o primeiro brasileiro a conquistar a Medalha Fields, o “Nobel da matemática”

artur-avilaAlguns dizem que a Medalha Fields é o equivalente do Prêmio Nobel para a matemática. Outros dizem que é ainda mais valiosa, pois é concedida apenas a cada 4 anos e só premia pesquisadores que se destacaram antes de completar 40 anos – o que os obriga, necessariamente, a ter algo de prodigioso. Seja como for, o Brasil acaba de ter o primeiro medalhista Fields de sua história: o matemático carioca Artur Avila, de 35 anos. Ele recebeu a honraria na abertura do Congresso Internacional de Matemáticos, realizado em Seul, capital da Coreia do Sul, juntamente com outros três premiados: Manjul Bhargava (Universidade de Princeton, EUA), Martin Hairer (Universidade de Warwick, Reino Unido), e Maryam Mirzakhani (Universidade de Stanford, EUA), a primeira mulher a receber o prêmio. Artur é o primeiro latino-americano a ganhar o prêmio.

Ele é pesquisador do IMPA (Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada), com sede no Rio de Janeiro, e do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica), órgão de pesquisa do governo francês; e foi escolhido não por uma realização específica, mas por diversas contribuições ligadas à compreensão de sistemas dinâmicos, análise e outras áreas, em muitos casos provando resultados decisivos que resolveram problemas em aberto há muito tempo. O trabalho de Artur Avila provavelmente não vai mudar o mundo ou produzir alguma revolução na nossa compreensão dos fenômenos que ocorrem à nossa volta. Até porque as abstrações em que ele trabalha muitas vezes não têm relação alguma com a realidade. São construções abstratas e lógicas de difícil apreensão – exercícios ultrassofisticados para a mente. Mas isso não o incomoda nem um pouco. “Eu sou uma pessoa que faz matemática porque gosta, não sou ligado às aplicações”, declarou o pesquisador logo após a cerimônia de premiação.

Os trabalhos de Avila lançam luz sobre sistemas físicos tão diversos quanto a evolução de populações, o embaralhamento de cartas em um baralho e a agitação de moléculas de um gás, para não falar em certos aspectos bem complicados da mecânica quântica e no simples padrão de movimento de bolas de bilhar. Mas nada disso realmente interessa a ele. Como matemático, sua única paixão são os problemas lógicos envolvidos nessas questões. Aplicando sua criatividade e intuição, Avila destravou impasses na matemática que já duravam décadas e envolviam diferentes questões ligadas aos chamados sistemas dinâmicos, que obedecem regras matemáticas e evoluem com o tempo. Avila demonstrou um interesse particular por sistemas que, mesmo que assentados sobre alguma regra simples, eventualmente atingiam um padrão caótico, imprevisível. E, de certa forma, domou o caos, ao determinar em que circunstâncias gerais o sistema se apresenta ordenado e quando ele se transforma numa bagunça aleatória.

Mas como provar isso matematicamente? A resposta veio de Avila, que, em um trabalho publicado em 2003 em colaboração com o brasileiro Welington de Melo e o russo Mikhail Lyubich, produziu um entendimento mais completo dessa questão, confirmando essa dualidade entre regularidade e caos para todos os sistemas que produzem mapas com uma forma parabólica, os chamados “mapas unimodais”. Essa é apenas uma das contribuições citadas pela União Internacional de Matemática para justificar a premiação. Há outras, revelando um padrão no trabalho de Avila: a forma criativa e decisiva com que ele aborda os problemas, encontrando novas formas de atacá-los e debelá-los, como fez no caso dos mapas unimodais. “Com sua característica combinação de poder analítico e profunda intuição sobre sistemas dinâmicos, Artur Avila certamente ainda será um líder na matemática por muitos anos”, afirma a comissão responsável pela Medalha Fields.

A solução de problemas como esses causa profundo êxtase nos matemáticos, como se eles estivessem diante de algo sublime, uma realidade de abstração suprema, existente apenas na mente. Nas entrevistas que deu, Avila demonstra ter esse prazer, e indica que o interessante em seu trabalho é encontrar novos ângulos para atacar esses desafios e, com a lógica inabalável que dá consistência à matemática, debelá-los. Nesse contexto, até mesmo compartilhar a solução com outros colegas é o de menos. Aplicá-la a algum problema real, físico, então, nem se fale. Seria então nada mais que um capricho pessoal? De jeito nenhum. O avanço da ciência depende de pesquisadores assim, que desenvolvem teoremas e provas matemáticas por puro prazer, sem se preocupar com suas aplicações. Além de expandir o alcance do intelecto humano, eles estão, mesmo sem querer, construindo ferramentas que podem vir a ser muito úteis no futuro.

Tome como exemplo o físico alemão Albert Einstein. É indiscutível a revolução que ele causou na nossa compreensão do universo, ao propor a famosa Teoria da Relatividade, nas versões especial e geral. O que pouca gente discute é que, apesar de suas teorias serem fortemente assentadas em matemática avançada, ele não era um supremo matemático. Na teoria da relatividade especial, em que ele determina que o tempo e o espaço se contraem e se esticam de acordo com a velocidade do observador, suas contas foram baseadas em derivações de equações de transformação obtidas pelo físico holandês Hendrik Lorentz. E a relatividade geral, considerada hoje o grande feito de Einstein, ao entrelaçar a gravidade com a flexibilidade do espaço-tempo, não teria sido possível não fosse a contribuição do matemático alemão Georg Bernhard Riemann.

Na década de 1850 (65 anos antes que o físico alemão publicasse sua teoria, portanto), Riemann desenvolveu uma estrutura geométrica que incluía mais dimensões do que as três da clássica geometria euclidiana. Seu trabalho era puramente matemático, como o é o do brasileiro Artur Avila. Mas foi graças a seu interesse por esse tema puramente abstrato que Einstein encontrou a estrutura matemática adequada para mais tarde formular sua teoria. As aplicações da teoria da relatividade geral hoje são imensas, e permitem desde o funcionamento correto dos satélites de GPS até a decifração da origem e da evolução do Universo. Da mesma maneira, Artur Avila pode estar contribuindo hoje com revoluções científicas que por ora fazem parte apenas do porvir. Mas ele não se importa com isso. No fundo, a única coisa que lhe agrada é enfrentar o desafio de estender as fronteiras da matemática, atividade que, segundo a comissão julgadora da Medalha Fields, ele ainda deve conduzir com grande sucesso por muitos e muitos anos.

Fonte: Superinteressante.

A Revolta do Vintém e e os protestos de 2013

Trechos deste artigo constituíram o enunciado de uma das questões do Enem 2014. O artigo completo foi publicado na Revista de História, sob o título “A guerra do vintém”, escrito por José Murilo de Carvalho, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Ciências. Qualquer semelhança com fatos atuais não é mera coincidência.


Em 1879, no Rio de Janeiro, cerca de 5 mil pessoas reuniram-se para solicitar a Dom Pedro II a revogação de uma taxa de 20 réis, um vintém, sobre o transporte urbano, ou seja, bondes puxados a burro. O vintém era a moeda de menor valor da época. A polícia não permitiu que a multidão se aproximasse do palácio. O imperador mandou dizer que receberia uma comissão para negociar. Panfletos distribuídos pela cidade desafiavam o imperador a negociar diretamente com o povo, pregavam o boicote da taxa e incitavam a população a reagir com violência, arrancando os trilhos dos bondes. No dia combinado, ao meio dia, a multidão se reuniu no local previsto. A massa moveu-se, então, pelas ruas do centro e se dirigiu ao Largo de São Francisco, ponto final de várias linhas de bonde. Percebendo a enrascada em que se meteram, os próprios líderes do movimento fizeram um apelo aos manifestantes para que se dispersassem. Mas àquela altura eles já haviam perdido o controle dos acontecimentos.

Ao grito de “Fora o vintém!”, os manifestantes começaram a espancar condutores, esfaquear mulas, virar bondes e arrancar trilhos. O delegado que comandava as tropas da polícia pediu reforços ao Exército, mas, antes que a ajuda chegasse, ordenou à polícia que dispersasse a multidão a cacetadas. Dois pelotões do Exército ocuparam o Largo de São Francisco. Alguns manifestantes mais exaltados passaram a arrancar paralelepípedos e atirá-los contra os soldados. Por infelicidade, um deles atingiu justo o comandante da tropa, o tenente-coronel Antônio Galvão, primo de Deodoro da Fonseca, militar que uma década depois se tornaria o primeiro presidente do Brasil. Atingido pelo paralelepípedo, o oficial descontrolou-se e ordenou que a tropa abrisse fogo contra a multidão. As estatísticas de mortos e feridos são imprecisas. Muitos interesses se fundiram nessa revolta, de grandes e de políticos, de gente miúda e de simples cidadãos. Uma grande explosão social, detonada por um pobre vintém.

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