Cristofobia no Oriente Médio

Veja também: 80 fuzilados na Coréia do Norte por crimes como a posse de Bíblias

cristaos-perseguidos

Notícia 1:

O cristianismo está perto da extinção no Oriente Médio devido às perseguições religiosas. A afirmação faz parte do relatório de um estudo divulgado em dezembro de 2012 pela Universidade de Oxford. Segundo o estudo, conduzido pelo professor Rupert Shortt, “os cristãos são o grupo religioso mais perseguido do mundo”. Concluiu-se também que a maior ameaça aos cristãos em países do Oriente Médio vem justamente dos muçulmanos; e que muitas vezes a imprensa internacional não faz a devida cobertura do assunto por medo de ser taxada de preconceituosa ao atacar grupos islâmicos.

Shortt explica que aproximadamente 200 milhões de cristãos em todo o mundo sofrem com “perseguição, opressão ou prejuízo social devido à sua fé”. Menciona ainda que, nos países onde casos de perseguição aos cristãos são rotineiros, muitos políticos fazem vista grossa para a questão: “Expor e combater o problema, na minha opinião, deveria ser prioridade política em muitos lugares do mundo. Como este não é o caso, a situação nos diz muito sobre uma hierarquia questionável”, afirmou. O estudo cita ainda que a “cristofobia” – termo que intitula o relatório – é resultado do medo que os governos orientais têm em relação à religião cristã. Shortt afirma que muitos governantes vêem o cristianismo como uma ameaça a seus governos. A recente divulgação de um documento do governo chinês, que classifica o cristianismo como uma “doença”, reforça a tese. O risco é que o cristianismo seja extinto justamente na região geográfica de sua origem.

Fonte: The Thelegraph.


Notícia 2:

Durante entrevista a um programa de TV, um dos líderes religiosos do Iraque, o aiatolá Ahmad Al Baghdadi Al Hassani afirmou que a minoria cristã terá duas alternativas se continuar no país: “converter-se ao islamismo ou morrer”. A polêmica declaração veio acompanhada de uma ameaça bastante preconizada entre os radicais islâmicos, que entendem ser legítimo raptar e estuprar esposas e filhas de pessoas de religiões diferentes das suas. Al Hassani é tido como um dos mais radicais líderes islâmicos pró-Jihad, que é a “guerra santa” usada como argumento para justificar a violência por parte dos muçulmanos. Recentemente, uma pesquisa feita pela Universidade de Oxford chegou à conclusão que aproximadamente 200 milhões de cristãos sofram perseguição no mundo, e o pior cenário é visto nos países de maioria muçulmana. O relatório da pesquisa apontou que, se nada for feito pelas autoridades, o cristianismo pode ser extinto do Oriente Médio, justamente a localização geográfica de seu surgimento.

Fonte: The Blaze.


Notícia 3:

Um relatório sobre intolerância religiosa divulgado pela Fundação para a Análise e Estudos Sociais (FAES) apresentou um dado alarmante: mais de 20 cristãos morrem diariamente vítimas de perseguição por outros grupos religiosos. O número de mártires chega a quase um por hora, segundo o pesquisador Javier Rupérez, autor do estudo A perseguição aos cristãos no século 21. “Os cristãos no mundo, mais do que qualquer outra comunidade religiosa, constituem hoje um grupo perseguido e ameaçado, com urgência na necessidade de proteção e assistência”, afirmou o pesquisador. O levantamento foi feito a partir da análise de inúmeros artigos, estudos e outras avaliações a respeito de eventos noticiados pela mídia de todo o planeta. Segundo Javier, os casos que aparecem na mídia são apenas a ponta do iceberg: “Eles não são nada. Particularmente, são amostras violentas de uma tendência conhecida e multiplicada por todo o período contemporâneo e não podem ser entendidas como eventos isolados e, portanto, insignificantes”, lamenta.

Além dos países islâmicos da África e do Oriente Médio, há ainda, de acordo com o estudo, os casos de perseguição religiosa em países ou regimes “que tem o ateísmo de estado e a perseguição religiosa como padrão”, como é o caso da Coreia do Norte. Em sua análise, Javier Rupérez informa que o número de cristãos mortos nos últimos 10 anos chega a 100 mil. O relatório traz ainda outros dados a respeito da perseguição religiosa no mundo, e destaca que 75% da população mundial sofre alguma restrição ao exercício da liberdade religiosa.

Fonte: Gospel+.


Notícia 4:

Autoridades paquistanesas incluíram “Jesus Cristo” em um grupo de palavras que deverão ser bloqueadas nos torpedos de celular enviados no país. Segundo a agência de noticias Charisma, a Autoridade de Telecomunicações do Paquistão criou uma lista de palavras consideradas “obscenas” e ordenou que as operadoras de telefonia móvel bloqueassem mensagens que contém qualquer uma dessas palavras. A lista contém 596 palavras na língua local e 1.109 palavras em inglês. Na lista estão incluídas palavras como “camisinha”, “flatulência”, “absorvente” e “Jesus Cristo”.

Muitos questionamentos foram levantados sobre a motivação do Paquistão ao incluir “Jesus Cristo” numa lista de palavras consideradas obscenas. Uma carta não-oficial do PTA diz que a liberdade de expressão pode ser restringida “no interesse e glória do Islã”. A carta fala do equilíbrio entre a liberdade de expressão e da pornografia na Constituição da República Islâmica do Paquistão e explica que o objetivo desta lista é combater o spam, descrito pelo PTA como “a transmissão de mensagens prejudiciais, fraudulentas, enganosas, ilegais ou não solicitadas que são enviadas em massa para qualquer pessoa sem a autorização do destinatário”. O Paquistão figura na lista da ONG Portas Abertas como um dos países onde a perseguição religiosa está mais presente em todo o mundo.

Fonte: Charisma News.


Notícia 5:

Mais de 6 mil bíblias foram confiscadas, sites foram fechados e igrejas foram destruídas por autoridades iranianas em uma ofensiva do governo contra o crescimento do cristianismo no país. Segundo a agência oficial de notícias Mehr, a ação se justifica por que “os missionários cristãos têm feito uma campanha milionária, com publicidade enganosa para que a opinião pública e a juventude se afastem dos ensinamentos do Islã”. O aiatolá Hadi Jahangosha manifestou sua preocupação com a “expansão do cristianismo entre os jovens”, e culpou os meios eletrônicos de comunicação e a facilidade de acesso a literatura cristã pela expansão: “É responsabilidade de todos os cidadãos do Irã que façam algo sobre isso e cumpram seu papel na difusão do Islã puro, lutando contra as culturas falsas e distorcidas do Ocidente”. “O importante neste assunto é que a polícia, os juízes e os líderes religiosos devem estar cientes que os cristãos estão se fortalecendo para enfrentar o Islã, caso contrário, qual o sentido de terem produzido este grande número de Bíblias?”, disse um representante do governo sobre as bíblias confiscadas, que segundo ele “foram produzidas com uma melhor qualidade de papel, em tamanho de livro de bolso”.

Além do confisco de bíblias, o que preocupa a liderança cristã no país é a destruição de igrejas, como aconteceu na cidade de Kerman, onde uma das principais igrejas da cidade foi destruída por autoridades islâmicas locais. A liderança afirma também que o governo Mahmoud Ahmadinejad está preocupado com o grande número de muçulmanos que estão se convertendo ao cristianismo. Segundo eles, o país já tem pelo menos 100 mil cristãos. Outro alvo de ataque do regime iraniano são os sites em língua persa com conteúdo cristão, entre eles a agência Mohabat News. Muitos sites foram tirados do ar com ataques que sobrecarregam os servidores, um tipo de ataque cibernético. E o governo não se preocupa em esconder seus atos: o Ministério da Segurança do Irã anuncia ter eliminado uma rede de internet que, segundo as autoridades, “fazia propaganda antirreligiosa no ciberespaço”. O ministério anunciou também a prisão de várias pessoas envolvidas com esses sites e criou um comitê regulatório para monitorar os usuários de internet no país.

Fonte: Mohabat News.

BÔNUS: Matéria da revista Época sobre Cristofobia

São Nicolau: o verdadeiro Papai Noel

Mesmo que o Natal tenha se tornado essa festa consumista, com o Papai Noel como figura proeminente, em substituição a Jesus, é interessante pesquisar as raízes do “bom velhinho” na cultura popular. Primeiro, é curioso ver como a nomenclatura varia de país para país, inclusive dentro do mesmo idioma, como acontece em Portugal, onde Papai Noel é conhecido como Pai Natal. Isto se justifica pelo fato de que Noël significa Natal em francês. A influência gaulesa se fez sentir também nos países hispânicos, que o chamam de Papá Noel, com a defasada exceção do Chile, que o chama de Viejito Pascuero.

Entretanto, é pelo idioma inglês que o nome Santa Claus remete à origem mais remota do Papai Noel. O personagem histórico que inspirou a criação do mito do bom velhinho foi Nicolau de Mira, também conhecido como São Nicolau de Bari, canonizado por católicos e ortodoxos, considerado o padroeiro da Rússia, da Grécia e da Noruega. A própria Lapônia, terra onde habitaria o Papai Noel, é uma região ártica que engloba parte dos territórios de Suécia, Noruega, Finlândia e Rússia. Só que São Nicolau de Mira nasceu mais ao sul, em Patara, hoje Demre, na Turquia, supostamente na segunda metade do século III, vindo a morrer no mesmo local em 6 de dezembro de 342 d.C.

O santo continua tão popular na Europa que, depois do alegado descobrimento, em 1993, de sua tumba na ilha turca de Gemile, o governo muçulmano da Turquia requereu formalmente à Itália, em 2009, a devolução dos restos mortais de Nicolau, que haviam sido levados a Bari em 1087, ainda na época das Cruzadas. No ano 2000, governo russo chegou a doar uma estátua de São Nicolau à cidade de Demre, mas em 2005 o prefeito da cidade trocou o pobre Nicolau de bronze por um Papai Noel de plástico (vermelho, é claro), de olho nos ganhos financeiros advindos do turismo. Os protestos russos não tardaram a ser ouvidos, mas o prefeito turco foi irredutível. Deixou Papai Noel no pedestal e retornou São Nicolau a uma esquina perto da igreja da cidade.

É difícil separar o que é lenda do que é real na vida de São Nicolau, mas o fato incontestável é que ele era muito popular no seu tempo. Conta-se, por exemplo, que ele teria ressuscitado três crianças vítimas de um macabro assassinato, além de ter convertido ladrões que queriam saquear a sua igreja. A mais famosa história que se conta a seu respeito é a de um pai muito pobre que não tinha como prover o dote para casar as três filhas. Nicolau, à noite, teria atirado três sacos de moedas de ouro e prata na casa da família pela chaminé, e assim salvou as moças de se tornarem prostitutas, o que fatalmente aconteceria caso não pudessem se casar. Por esse dado, histórico ou não, nota-se de onde vem boa parte da inspiração que, associada a pitadas de mitos germânicos e escandinavos, resultou na “invenção” folclórica do Papai Noel.

Já que o mito suplantou o personagem histórico, é bom voltar às origens e resgatar um pouco da vida de São Nicolau. Ele era muito religioso desde a mais tenra idade, e após perder os pais ainda muito jovem, em decorrência de uma epidemia, foi criado pelo tio, que também se chamava Nicolau e era bispo de Patara à época. O jovem Nicolau teria ido a Jerusalém, buscando se dedicar a uma vida eremita de oração, como era comum naqueles tempos, mas se convenceu de que deveria voltar a sua terra, onde seria mais útil ao Senhor. Foi assim que ele subiu paulatinamente na hierarquia eclesiástica e, por ocasião do Concílio de Niceia, em 325 d.C., foi um dos cerca de 300 bispos presentes para decidir questões cruciais que ameaçavam os rumos da ortodoxia da Igreja.

O tema mais disputado em Niceia foi a doutrina da trindade, combatida por Ário de Alexandria e seus seguidores. Conta-se que, enquanto Ário defendia que Jesus, o Filho, não era nem nunca havia sido igual (ou consubstancial) ao Pai, Nicolau ficou tão furioso que cruzou o recinto e, na presença do imperador Constantino, deu um tapa na cara do herege. O ato intempestivo teria causado profundo constrangimento no concílio, e Nicolau foi sumariamente despido de suas vestes episcopais. Lendas à parte, o fato é que, terminado o concílio, o arianismo foi derrotado e declarado anátema, consolidando-se o dogma da trindade, e Nicolau foi posteriormente restituído à sua posição de bispo.

Fonte: O Contorno da Sombra.

Profecias do fim do mundo que falharam

Profecia do fim do mundo com data marcada é um fenômeno assim meio sazonal. Mal uma é desmascarada como falsa, e já surge outra no seu lugar.  É um caso cíclico de lendas e mitos divulgados por pessoas que se acham iluminadas, mas não aprendem com os erros dos “profetas” que lhes antecederam. Na edição de 20 de maio de 2011, ainda sob o impacto do “fim do mundo” que Harold Camping havia previsto exatamente para aquele dia, a revista Time publicou a sua lista das 10 mais famosas profecias apocalípticas que falharam. Curiosamente, todas as profecias têm em comum o sentido de urgência. Aguarda-se o apocalipse para muito breve, e todos devem proceder com a rapidez desejada para tanto, e, cá entre nós, faz tempo que a sabedoria popular diz que a pressa é inimiga da perfeição. Agora, diante da perspectiva de mais um dia do fim do mundo fracassado, no caso ontem (21/12/2012), nada melhor do que relembrar aquela matéria da Time.


Os anabatistas de Münster, 1530

Nos conturbados anos que se seguiram à Reforma Protestante, surgiram não só as igrejas reformadas tradicionais que conhecemos hoje em dia, mas várias seitas apocalípticas que incomodaram profundamente os próprios reformadores. Entre os anabatistas não estavam somente “pessoas que batizam de novo”, como a raiz grega do nome evoca, mas anarquistas e revolucionários de todo tipo que pregavam um mundo sem ordem e hierarquias enquanto aguardavam – para muito breve – o retorno de Cristo.

Na década de 1530, milhares de camponeses alemães tomaram a cidade de Münster, e ali ficaram entrincheirados numa espécie de sociedade comunista medieval, dizendo que Münster era a Nova Jerusalém, na qual esperavam a segunda vinda de Jesus. Entre eles estava Jan Bockelson, um alfaiate de origem holandesa, que se declarou o “messias dos últimos dias”, virou polígamo, emitiu moedas que profetizavam o apocalipse urgentemente vindouro e dominou cruelmente toda a população de Münster. O fim veio para Bockelson em 1535, quando a cidade foi tomada e a população dizimada pelas forças dos príncipes alemães. Detalhe: há quem diga que os testículos de Bockelson foram pregados no portão de entrada de Münster.


Londres e o incêndio de 1666

O número 666 tem um significado místico-cabalístico que transcende aquele registrado como “a marca da besta” no livro de Apocalipse (13:18). As pessoas até suspeitam que o número 666 tem alguma, digamos, “maldição embutida”, embora nem sempre saibam exatamente a sua origem. Imagine agora como se sentiam os europeus às vésperas do ano 1666, sobretudo no ano 1665, quando uma praga matou 100 mil pessoas em Londres, o que equivalia a 20% da população local à época. Se já havia rumores de que o fim do mundo se aproximava, a praga só os reforçou, até que no dia 2 de setembro de 1666 um incêndio aparentemente inofensivo começou numa padaria da Pudding Lane e rapidamente se alastrou pela cidade, cerca de 13 mil edifícios e dezenas de milhares de casas durante 3 dias do mais absoluto terror. Apesar do pânico gerado, quando o fogo baixou e as cinzas se assentaram, pouco menos de 10 pessoas morreram, e o fim do mundo foi adiado mais uma vez.


William Miller, 1844

O pastor William Miller, a quem a revista Time chama de “provavelmente o mais famoso falso profeta da história”. Miller começou a pregar o fim do mundo no começo da década de 1840, dizendo que Jesus retornaria à Terra e o planeta arderia em fogo em algum ponto entre 21 de março de 1843 e 21 de março de 1844. A mensagem de Miller foi amplamente divulgada e cerca de 100 mil seguidores seus venderam tudo o que tinham e foram para as montanhas esperar o fim predito. Entretanto, quando o período anunciado passou em brancas nuvens, Miller disse que havia cometido um “equívoco” nos cálculos, e marcou a nova data do fim do mundo para 22 de outubro de 1844. Novo fiasco. Esse dia entrou para a história americana como o “Dia da Grande Decepção”, mas boa parte dos seguidores de Miller se reagrupou alguns anos depois sob o comando de Ellen G. White, vindo a formar a Igreja Adventista do Sétimo Dia, que manteve o dia 22 de outubro de 1844 como a sua peculiar doutrina do “juízo investigativo”, em que Cristo teria retornado aos céus para terminar sua obra de expiação dos pecados.


Testemunhas de Jeová, 1914

Os Testemunhas de Jeová fazem de tudo para que o mundo esqueça que seu fundador, Charles Taze Russell, havia previsto  a segunda vinda de Jesus para 1914. O início da 1ª Guerra Mundial neste ano fez com que Russell decretasse o “fim da era dos gentios”, o que se confirmou, na verdade, como mais uma previsão furada. Ele morreria em 1918,  deixando aos seus sucessores a difícil tarefa de explicar por que o fim não chegou no ano previsto. A solução destes foi apontar 1914 como o retorno invisível de Jesus (que já tinha sido previsto por Russell para 1874). Afinal, a 1ª Guerra Mundial era um evento importante demais para não ser aproveitado como evidência, já que eles haviam previsto alguma coisa estranha para aquele ano.


Testemunhas de Jeová, 1925

Só que as previsões para o fim do mundo não parariam por aí. O segundo presidente da Sociedade Torre de Vigia, Joseph Franklin Rutherford, faria ainda uma previsão para 1925, quando os profetas do Antigo Testamento seriam ressuscitados. Para acomodá-los (fisicamente falando), ele construiu a casa conhecida como Beth Sarim (“Casa dos Príncipes”), e depois de 1925 a “hospedaria profética” sem uso acabou se tornando sua própria residência, onde morreria em 1942.


Testemunhas de Jeová, 1975

Um novo fim do mundo seria ainda previsto para 1975. A Torre de Vigia alegava que a criação do homem completaria 6 mil anos naquele ano específico. Em uma semana cujos dias equivalem a mil anos (2 Pedro 3:8) os próximos mil anos seriam uma espécie de “milênio sabático”. Mais uma vez a data passou em branco.


William Branham, 1977

O pastor pentecostal estava numa de suas pregações públicas em 1963 no Estado do Arizona (EUA), quando uma “linda e misteriosa nuvem” teria deslizado pelo deserto. William Branham então subiu à montanha Sunset, onde, segundo alegou posteriormente, teria se encontrado com 7 anjos que revelaram a ele o significado dos 7 selos do livro do Apocalipse. Alguns dias depois, já no Tabernáculo Branham de Jeffersonvile (Indiana), o pastor pregou 7 sermões por 7 noites, explicando o significado dos selos e das 7 visões que ele teria recebido, concluindo que Jesus retornaria à Terra em 1977. Não houve tempo, entretanto, para que Branham visse sua previsão dar com os burros n’água, já que ele morreu na noite de Natal de 1965, 6 dias após um motorista bêbado ter colidido seu carro com o do pastor.


David Koresh, 1983

Depois de uma infância pra lá de problemática e passagens pelas igrejas batista e adventista, David Koresh (cujo nome verdadeiro era Vernon Wayne Howell) se juntou em 1981 à seita Ramo Davidiano, um grupo dissidente dos adventistas que se formou na década de 1950. A seita davidiana era sediada em Waco, no Estado do Texas (EUA), num rancho que eles denominaram de Monte Carmelo. Não demorou muito, entretanto, para que Koresh decidisse alçar, digamos, voos próprios. Em 1983, ele se autoproclamou profeta, e após uma sucessão de intrigas dentro da seita, que incluíram assassinatos de líderes concorrentes, Koresh convenceu vários seguidores a se juntarem a ele no rancho em Waco para aguardar o fim do mundo. Só que o fim do mundo para Koresh veio na forma de um cerco das autoridades americanas, que durou 50 dias e exterminou da face da Terra dezenas de seguidores de Koresh, além dele próprio e alguns policiais.


Hal Lindsey e Edgar Whisenant, 1988

Hal Lindsey é um pastor e escritor americano que ficou muito conhecido nos anos 1970 por seu livro best seller “The Late, Great Planet Earth”, traduzido no Brasil por “A Agonia do Grande Planeta Terra”, publicado no Brasil pela editora Mundo Cristão. Lindsey foi um grande expoente do dispensacionalismo (corrente teológica que divide a história do mundo em “eras” ou “dispensações” dos desígnios de Deus), e no livro em questão, tomando como base sobretudo o retorno do povo judeu a Israel algumas décadas antes, predisse que o mundo terminaria em alguma data pouco antes de 31 de dezembro de 1988. Na esteira das previsões de Hal Lindsey, Edgar Whisenant publicou em 1988 o livro “88 Reasons Why the Rapture Will Be in 1988” (“88 razões pelas quais o arrebatamento acontecerá em 1988”), que (como todo bom “fim do mundo”) vendeu pra caramba, 4,4 milhões de cópias, deixando seu autor envergonhado pela falsa profecia, mas com uma gordíssima conta bancária para afogar suas lágrimas de crocodilo.

Os ensinos de Lindsey continuam populares até hoje, já que a famosa série “Left Behind” (“Deixados para Trás”), de Tim LaHaye e Jerry Jenkins, continua vendendo muito bem, obrigado, e não é nada mais nada menos do que a oferta das mesmas ideias requentadas da agonia do planeta Terra da década de 1970. Não vai tardar muito, portanto, para reaparecer uma nova “profecia do fim do mundo” nesses mesmos moldes. Dá grana! Aliás, esse é outro detalhe curioso. Porque esses “profetas” gostam tanto de ganhar dinheiro com isso se não terão tempo de gastar esse dinheiro?


bug do milênio, 2000

Os mais jovens não se lembrarão disso, mas a maioria recordará o furor que tomou conta do mundo por ocasião da virada do ano 1999 para o ano 2000. O temor de uma catástrofe mundial se baseava no fato de que a imensa maioria dos computadores de então, por uma questão de economia de equipamento, havia previsto apenas duas casas para designar o ano na data. Desta maneira, quando 1999 virasse para 2000, o risco era que, naquela meia-noite específica, os computadores de bancos, empresas aéreas, fornecedoras de serviços públicos, etc., entendessem que o mundo havia voltado a 1900 e alastrassem o caos pelo planeta. Associe a esse dado tecnológico ao ditado popular “até 2000 chegarás, de 2000 não passarás” (que de bíblico não tem nada), e – pronto! – a confusão está estabelecida. Apesar de todo o pânico prévio gerado pelo bug do milênio, nenhum incidente cibernético de monta foi registrado nos primeiros dias do ano 2000. Outro grande logro que também vendeu pra caramba.


Harold Camping, 1994 e 2011

O pastor americano é reincidente na triste função de falso profeta. Em 1992 ele já havia previsto a segunda volta de Cristo e o fim do mundo para alguma data em meados de setembro de 1994. Depois que sua profecia fracassou, Camping disse que estava triste mas isso não o incomodava nem um pouco. No entanto, o segundo fracasso, em 2011, parece que convenceu o frustrado pastor futurólogo a aposentar sua bola de cristal.


Calendário Maia, 2012

Ontem, 21 de dezembro de 2012, foi exatamente o dia em que o calendário maia terminou, segundo algumas fontes. Entretanto, existe uma grande controvérsia sobre se o calendário maia foi corretamente interpretado, o que não impediu que muita gente entrasse em pânico com a simples possibilidade de que ele pudesse estar certo. De qualquer maneira, filmes foram produzidos, livros foram escritos e – como sempre – muito dinheiro se ganhou com o pânico gerado pela previsão midiática. Sinal de que, diante do fracasso do apocalipse maia, novas profecias virão em seguida, a fim de que alguns espertalhões continuem ganhando muita grana às custas dos incautos.

Fonte: O Contorno da Sombra.

As linguagens míticas da Bíblia

Texto de Sóstenes Lima.

Quando cito um trecho do mito de Prometeu, não preciso dizer a ninguém que não estou tomando a narrativa como história, mas como mito. Mas se eu resolver citar um trecho da história da Torre de Babel, devo começar dizendo que se trata de um mito, para não ser tachado de estúpido. Por que preciso dizer que a Torre de Babel é um mito? Isso deveria ser um pressuposto básico. Quando digo que Prometeu é o inventor da tecnologia ninguém acha que estou tratando Prometeu como um sujeito histórico. Mas se falo de Jó, a maioria das pessoas acha que estou me referindo a um sujeito histórico. Caso eu queira ser compreendido de outra forma, devo dizer expressamente que Jó é personagem de uma narrativa da sabedoria trágica-épica judaica, não um sujeito histórico como Moisés.

Gostaria que certos pressupostos básicos aplicados às narrativas míticas e fantásticas também fossem aplicados a certas narrativas bíblicas. Por exemplo, quando conto a história da Branca de Neve, ninguém me pergunta se eu acredito ou não em Branca de Neve. As pessoas simplesmente ouvem e deixam a história fluir, tirando dela lições éticas e até valores transcendentes. Por que, então, quando conto a história da Serpente no Éden, as pessoas não aplicam o mesmo pressuposto? Por que preciso responder se acredito ou não em serpentes falantes? Rubem Alves dizia que Deus é poeta, não repórter ou historiador. Ele diz: “Eu leio os textos sagrados como quem lê poesia e não como quem lê jornal. Prefiro pensar que Deus é poeta a imaginá-lo como jornalista. Existirá ofensa maior para um poeta do que perguntar se o seu poema é reportagem?”.

A misteriosa origem do Natal

A historiadora Jany Canela afirmou em entrevista ao site Cross Content que “a origem do Natal é muito vaga”. Cristãos de todo o mundo celebram o nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro, porém há relatos históricos indicando que o Natal é uma festa anterior ao nascimento de Jesus. “Na verdade, é sabido que muitos rituais e festas instituídas pela Igreja Católica como cristãs eram originalmente tradições pagãs reunidas de maneira a incluir também a cultura popular”, afirma a historiadora.

Uma das possíveis origens do Natal é um antigo festival na Mesopotâmia, que simbolizava a passagem de um ano para o outro, com festas que duravam 12 dias e seguia uma tradição que dizia que o rei deveria morrer no fim do ano e, ao lado do deus Marduk, lutar contra os monstros. Para evitar que o rei fosse morto, um criminoso era vestido com roupas do rei e tratado com privilégios, antes de ser morto como sacrifício. “Os povos antigos sempre realizaram festas de celebração em deferência aos marcos de transição da natureza, como as estações ou períodos representativos de mudanças importantes, entre eles o solstício (em dezembro) e o equinócio (em março)”, explica Jany Canela. Outra possibilidade de origem para o Natal é um ritual praticado pelos persas e babilônios, chamado Sacae, também motivado pela luta contra o mal e com escravos sendo tratados como senhores. “Por conta da relação luz/escuridão trazida pela simbologia do solstício, a teoria mais difundida sobre o Natal associa a data a esse período, em que alguns povos passavam a noite em vigília com tochas acesas para garantir que o sol nascesse e imperasse sobre a escuridão”, afirma Canela.

Os gregos antigos também incorporaram os rituais estabelecidos pelos mesopotâmios ao celebrar a luta de Zeus contra o titã Cronos. Esse hábito também chegou aos romanos, que passaram a realizar a Saturnalia, uma comemoração em homenagem ao deus Saturno, que começava no dia 17 de dezembro e ia até o 1º de janeiro, celebrando a noite mais longa do ano, o solstício de inverno. Segundo essas tradições, o dia 25 era a data em que o sol se encontrava mais fraco (no hemisfério norte), porém pronto para recomeçar a crescer e trazer vida às coisas da Terra. Nessas tradições, o dia 25 de dezembro era conhecido como o Dia do Nascimento do Sol Invicto, e era tratado como feriado, pois não havia trabalho nem aulas e eram realizadas festas nas ruas e celebrações com amigos. As árvores verdes eram enfeitadas e iluminadas com muitas velas para expulsar os maus espíritos. A tradição cristã, historicamente mais recente, comemora em 25 de Dezembro a data em que a virgem Maria deu à luz o filho de Deus, Jesus, em uma manjedoura. Porém, a data exata do nascimento do homem que mais influenciou a cultura e as religiões de todo o mundo, é um mistério.

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