As 45 cidades mais ricas das Américas

Veja também: As 10 cidades mais ricas do mundo

Segundo ranking da PwC, das 45 metrópoles com maior PIB do continente americano, mais da metade (23) ficam nos Estados Unidos. Fora dos EUA, a cidade mais bem colocada no ranking é São Paulo, na quarta colocação, atrás apenas das americanas Nova York, Los Angeles e Chicago. A segunda cidade brasileira melhor colocada é o Rio de Janeiro, na 18ª posição. Brasília, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Recife, Fortaleza e Salvador também aparecem entre as 45 mais ricas do novo mundo. Veja:

PosiçãoCidadePaísPIB (bi US$)capital nacional
1Nova York EUA$ 1406
2Los Angeles EUA$ 792
3Chicago EUA$ 574
4São Paulo Brasil$ 477
5Filadélfia EUA$ 388
6Cidade De Mexico México$ 388
7Washington DC EUA$ 375
8Boston EUA$ 363
9Buenos Aires Argentina$ 362
10Dallas EUA$ 338
11Atlanta EUA$ 304
12São Francisco EUA$ 301
13Houston EUA$ 297
14Miami EUA$ 292
15Toronto Canadá$ 253
16Detroit EUA$ 253
17Seattle EUA$ 235
18Rio de Janeiro Brasil$ 201
19Phoenix EUA$ 200
20Minneapolis EUA$ 194
21San Diego EUA$ 191
22Denver EUA$ 165
23Montreal Canadá$ 148
24Baltimore EUA$ 137
25St. Louis EUA$ 126
26Tampa EUA$ 123
27Santiago Chile$ 120
28Cleveland EUA$ 112
29Brasília Brasil$ 110
30Portland EUA$ 110
31Lima Peru$ 109
32Monterrey México$ 102
33Bogotá Colômbia$ 100
34Pittsburgh EUA$ 99
35Vancouver Canadá$ 95
36Guadalajara México$ 81
37Porto Alegre Brasil$ 66
38Belo Horizonte Brasil$ 61
39Medellín Colômbia$ 50
40Curitiba Brasil$ 44
41Puebla México$ 42
42Caracas Venezuela$ 41
43Recife Brasil$ 35
44Fortaleza Brasil$ 25
45Salvador Brasil$ 10

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Fonte: PwC e Wikipedia.

Nova York e João Pessoa registram mesma temperatura na noite de Natal

Normalmente com temperaturas negativas e coberta de neve nessa época do ano, a cidade de Nova York acaba de bater um recorde curioso: esta foi a véspera de Natal mais quente da história. O antigo recorde era de 17º C, registrado em 1996, segundo dados do Serviço Meteorológico Nacional americano (NWS), que mede desde 1871. Na última noite de Natal, porém, os termômetros por lá marcaram incríveis 22º C, mesma temperatura registrada aqui em João Pessoa, na Paraíba, de onde escrevo.

weather nyc christmas

Os termômetros também não ficaram muito diferentes disso em Boston, Washington, Recife e Natal. Com uma diferença básica importante: no Nordeste brasileiro estamos em pleno verão de uma região tropical, enquanto o Nordeste americano está em pleno inverno de uma região temperada. Por aqui, tudo normal. É por lá que o clima anda bastante confuso e está intrigando os meteorologistas. Depois do recorde de frio e das intensas nevascas no inverno passado, o Natal sem neve nos EUA e Canadá frustrou os turistas, e as lojas de Manhattan voltaram a ligar o ar-condicionado. A imagem abaixo é um sinal bastante influente de que o clima está meio louco no mundo. Ela mostra, em plena véspera de Natal, novaiorquinos jogando beachvoley de bermuda e sem camisa no Central Park (foto: AFP), coisa definitivamete impensável em um ano normal.

beachvoley nyc christmas

Por que Recife é a capital do Nordeste?

Recife

“Imagina o Brasil ser dividido e o Nordeste ficar independente”… É o que propõe a música “Nordeste Independente“, uma composição dos paraibanos Bráulio Tavares (escritor e compositor) e Ivanildo Vilanova (poeta repentista) que foi interpretada e gravada pela primeira vez pela cantora paraibana Elba Ramalho no início dos anos 1980. A canção é um bem-humorado e utópico manifesto contra a discriminação sofrida pelo Nordeste, que gerou muita polêmica na época. “Já que existe no sul esse conceito que o nordeste é ruim, seco e ingrato… Já que existe a separação de fato, é preciso torná-la de direito… Quando um dia qualquer isso for feito, todos dois vão lucrar imensamente… Começando uma vida diferente da que a gente até hoje tem vivido… Imagina o Brasil ser dividido e o Nordeste ficar independente”, sugere a primeira estrofe.

nordeste-independenteSim: a ideia é utópica, improvável, ficcional e conta com muita licença poética, mas o movimento separatista do Nordeste existe há muito tempo e é mais organizado do que você imagina. Já existem trabalhos acadêmicos e livros publicados sobre esse tema e, desde 1992, existe em Pernambuco o GESNI (Grupo de Estudos sobre o Nordeste Independente), que é um movimento pacífico e organizado que examina as possibilidades de independência e melhorias no território nordestino. “O Brasil nunca encontrou uma solução para o problema nordestino, porque não tem interesse nisso, mas nós poderíamos encontrar”, diz Jaques Ribemboim, fundador do grupo. Ribemboim é economista, doutor em economia, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mestre em economia pela University College of London, na Inglaterra, e autor do livro “Nordeste Independente”, publicado em 2002 na cidade do Recife. Além do GESNI, o Nordeste já contou com movimentos de cunho separatista mais antigos como a Conspiração dos Suaçunas, Revolução Pernambucana, Confederação do Equador e Revolução Praieira.

 Não quero aqui entrar no mérito dessa questão e discutir se ela é factível, se traria mais vantagens ou desvantagens para ambas as “partes”, nem nada disso. Mas essa semana, conversando com alguns amigos, nos permitimos imaginar essa possibilidade e, supondo sua deflagração, ficamos a debater sobre qual seria a capital desse novo país. Qual cidade receberia o nobre título de capital do Nordeste? Qual é a cidade mais importante para a região, seja política, econômica, geográfica, histórica ou culturalmente? As candidatas logo emergiram, destacando-se das demais: Salvador (Bahia), Fortaleza (Ceará) ou Recife (Pernambuco). E agora? Como decidiríamos? Quais seriam os critérios da escolha? Após muita conversa, chegamos a um consenso: Recife seria a capital do Nordeste; pelos seguintes motivos:

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GEOGRAFIA

Observe o mapa do Nordeste. Dentre as três cidades candidatas, Salvador fica bem ao sul, Fortaleza fica bem ao norte, e Recife fica bem no centro da região. Recife tem ao norte as capitais estaduais João Pessoa e Natal separando-a de Fortaleza; e tem ao sul as capitais estaduais Maceió e Aracaju separando-a de Salvador. Se Brasília foi construída no meio de um deserto (praticamente) para ser a capital federal, apenas por aquela ser uma região geograficamente mais central, isso significa que, para nós, esse quesito é importante. E nele, em se tratando de Nordeste, Recife sai na frente.

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HISTÓRIA

A cidade do Recife é a capital mais antiga do Brasil e está prestes a completar 500 anos de fundação (em 2037). Muitos dos mais importantes eventos da História do Brasil aconteceram lá, como a guerra dos mascates (1710-1711), a revolução pernambucana (1817), a confederação do Equador (1824), a revolta praieira (1848-1850), etc. No início do século 20, antes da ascensão de São Paulo, Recife só perdia em importância política e econômica para o Rio de Janeiro, que era na ocasião a capital do Brasil (Brasília só foi fundada em 1960). Na década de 1970, Recife era ainda a terceira maior metrópole do Brasil, atrás apenas do Rio de Janeiro e São Paulo. Uma das regiões mais antigas das Américas e principal centro financeiro do Brasil Colônia até meados do século 18, a metrópole pernambucana abriga importantes cidades históricas, como é o caso de Olinda, cujo centro histórico é Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

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POLÍTICA

A região metropolitana do Recife é o maior aglomerado urbano do Norte-Nordeste, o 5ª maior do Brasil e um dos 120 maiores do mundo, com uma população de 4,5 milhões de habitantes. Ela é a terceira área metropolitana mais densamente habitada do país, superada apenas por São Paulo e Rio de Janeiro. A capital pernambucana está atrás somente de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo na hierarquia da gestão federal. Recife tem ainda o maior número de consulados estrangeiros fora do eixo Rio-São Paulo, sendo inclusive a única cidade, com exceção daquelas duas, que tem Consulados-Gerais de países como Estados Unidos, China, França e Reino Unido.

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ECONOMIA

Recife é a metrópole mais rica do Norte-Nordeste em PIB, além de ser o maior pólo industrial e econômico do Nordeste. Destaca-se por possuir a melhor universidade do Norte-Nordeste, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); o 2º maior polo médico do Brasil; o 9º maior número de arranha-céus das Américas; o melhor aeroporto do Brasil, o Aeroporto Internacional do Recife (Guararapes); e o Complexo Industrial e Portuário de Suape, que abriga o Porto de Suape (melhor porto do Brasil), o Estaleiro Atlântico Sul (maior estaleiro do hemisfério sul), entre outros empreendimentos. O metrô do Recife é composto atualmente de 28 estações, com linhas que somam 39,5 quilômetros de extensão, transportando cerca de 225 mil usuários por dia. O Shopping RioMar, localizado na Zona Sul, é o maior centro de compras do Norte-Nordeste e o 3º maior do Brasil.

A cidade é considerada um dos mais importantes polos de tecnologia da informação do país. O Porto Digital, que abriga mais de 200 empresas, entre elas multinacionais como Motorola, Nokia, IBM e Microsoft, é reconhecido internacionalmente como o maior parque tecnológico do Brasil em faturamento e número de empresas. O Centro de Informática da UFPE fornece mão de obra para o polo, que gera 7 mil empregos e tem participação de 3,5% no PIB do Estado de Pernambuco. Por isso alguns especialistas chamam a capital pernambucana de Vale do Silício brasileira.

A cidade foi eleita por pesquisa encomendada pela MasterCard Worldwide como uma das 65 cidades com economia mais desenvolvida dos mercados emergentes no mundo. Apenas 5 cidades brasileiras entraram nessa lista, e Recife ficou em 4º lugar, após São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Segundo a consultoria britânica PwC, Recife será uma das 100 cidades mais ricas do mundo até 2020, à frente de cidades como Munique (Alemanha), Nápoles (Itália) e Amsterdã (Holanda). Recife destaca-se ainda por ser a capital nordestina com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo dados da ONU de 2010, figurando como a capital mais alfabetizada, com a menor incidência de pobreza e a com a maior renda média domiciliar mensal do Nordeste.

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CULTURA

A cidade do Recife deu origem a grandes nomes de todas as áreas do conhecimento, como, Cristovam Buarque, Paulo Freire, Nelson Rodrigues, João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector, Gilberto Freyre, Manuel Bandeira, Joaquim Nabuco, entre diversos outros, como Ariano Suassuna, que nasceu na Paraíba, mas vivia no Recife e se considerava pernambucano de coração. Na música, Recife deu ao Brasil e ao mundo nomes como Luiz Gonzaga, Lenine, Alceu Valença, Reginaldo Rossi, Bezerra da Silva, Michael Sullivan, Clarice Falcão, Chico Science e Nação Zumbi, dentre outros tantos. Com atletas e esportistas consagrados, o Recife tem, no cenário brasileiro, a maior representação esportiva do Nordeste. Isso é especialmente verdade no futebol, esporte mais popular do país, já que este ano o Sport é o único clube do Norte-Nordeste na série A do campeonato brasileiro.

Recife também é a casa do Galo da Madrugada, reconhecido pelo Guinness Book (o livro dos recordes) como o maior bloco carnavalesco do mundo, que todos os anos arrasta cerca de 2,5 milhões de foliões pelas ruas do Recife Antigo. O frevo, um dos principais gêneros musicais nascidos no Recife, foi declarado pela UNESCO, em cerimônia realizada em 2012 em Paris, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Não podemos esquecer ainda do maracatu, ritmo regional responsável pelo surgimento, nos anos 1990, do movimento manguebeat, uma das maiores provas de que momentos de efervescência cultural elevam a auto estima de uma cidade e influenciam no crescimento da economia. Por isso e muito mais, pode-se dizer que Recife é a cidade do Nordeste (e quiçá do Brasil) mais rica culturalmente. Ela possui uma cultura própria e independente, além de um sotaque próprio, diferente dos estados à sua volta e que não é falado em nenhum outro lugar. Poetas já chamaram Recife de “Veneza Brasileira”, “Florença dos Trópicos”, “Cidade Maurícia” e “Manguetown“.

O que vi no TEDx Recife 2014

TEDx Recife 2014Na última terça (16), estive na capital pernambucana participando do TEDx Recife e vou contar o que vi por lá. Este foi o primeiro TEDx que participei e a experiência valeu muito a pena. De certo modo, o TEDx é como o Charlezine: conteúdo inteligente para amantes do conhecimento. Saí de lá com ideias fervilhando na cabeça, muita inspiração e aprendizados que pretendo levar para toda a vida.

Veja também: O que vi no Campus Festival 2014

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SOBRE AS CONFERÊNCIAS TED

Resumindo bastante, as conferências TED e TEDx são organizadas em várias cidades ao redor do mundo e reúnem grandes mentes com grandes ideias. O objetivo é comunicar essas grandes ideias ao público em uma apresentação curta, clara, direta e objetiva. São apenas 18 minutos para cada palestrante, de modo que não há tempo para enrolação e “encheção de linguiça”: o papo tem que ser reto e ir direto ao ponto. Eu diria que essa é a essência e a filosofa do TED. Nessas conferências, quase não há espaço para o tédio, como é comum em apresentações mais longas. É como se o público colocasse o palestrante na parede e dissesse: “Vamos lá, nós não temos o dia todo! Qual é a sua grande ideia? O que você tem de interessante, original, genial ou impactante para nos contar? Queremos ser informados, persuadidos, fascinados, inspirados pelo que você tem a dizer! Você tem 18 minutos para isso. Acha que dá conta?”.

Essa exigência pode parecer, à primeira vista, uma arbitrariedade, um capricho dessa geração acelerada e apressada, para a qual “tempo é dinheiro”. Mas não é bem isso o que ocorre (pelo menos não de todo). Há muita ciência (neurociência, mais precisamente) por trás dos 18 minutos das apresentações do TED. Pretendo escrever um post inteiro sobre isso no futuro (me cobrem), mas por ora posso dizer que, em suma, já foi devidamente comprovado que pessoas normais não conseguem manter o nível máximo de atenção por mais de 18 minutos. Elas até conseguem prestar atenção num discurso de uma hora ou mais (desde que o orador tenha talento e conteúdo suficiente); mas aquele nível máximo de atenção, que permite a chamada “comunicação de alto impacto”, só dura no máximo 18 minutos. Depois disso, a plateia até pode continuar ouvindo atentamente, mas não com o mesmo rendimento.

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CREDENCIAMENTO E ABERTURA

As palestras aconteceram no moderno e belíssimo teatro Luiz Mendonça, que fica no Parque Dona Lindu, praia de Boa Viagem, zona sul de Recife. Gente de vários estados se reuniram no mesmo lugar e formaram filas enormes no credenciamento. Cada participante recebia um kit que continha uma camiseta personalizada, um crachá com seu nome, uma pasta, alguns adesivos e folders dos patrocinadores, uma caneta e uma espécie de caderno para ser usado durante o evento; tudo da melhor qualidade. Nesse “caderno” havia, além de um editorial de Alfredo Júnior (coordenador geral) apresentando o evento e dando as boas vindas aos participantes, informações sobre cada palestra do dia (ou “talks“, como eles chamam). Para cada palestrante, duas páginas do caderno eram reservadas à informações e rascunho. Numa página, o nome, a foto e uma breve apresentação do palestrante eram informados junto ao tema de seu talk. Na outra, o público podia fazer anotações sobre cada palestra e avaliar a performance de cada palestrante marcando opções como “Fiquei de boca aberta”, “Persuasivo”, “Corajoso”, “Engenhoso”, “Fascinante”, “Inspirador”, “Lindo”, “Engraçado”, “Informativo”, “Ok”, “Nada convincente”, “Confuso”, “Prolixo” ou “Desagradável”. Logo na abertura, fomos informados de que o TEDx Recife 2014 bateu o recorde de público de todas as conferências TEDx já realizadas no Brasil! Éramos mais de 500 pessoas naquele teatro!

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REVOLUÇÕES SILENCIOSAS

O TEDx Recife deste ano teve como tema as “Revoluções Silenciosas”. Ao todo, 11 palestrantes subiram ao palco para contar suas histórias e comunicar suas ideias inovadoras. São em geral pessoas que transformaram uma inquietação pessoal em uma verdadeira revolução. Mas não uma macro revolução, daquelas que vão parar nos livros de História. São revoluções no âmbito do micro, do indivíduo, silenciosas, que começam por transformar o modo de ver o mundo e de agir sobre ele em uma pessoa apenas, depois de espalha “infectando” outras e, quando menos se espera, já está transformando toda a sociedade. Essas pequenas revoluções, como noticiou o G1, “começaram de forma silenciosa e hoje chamam a atenção por realizarem transformações em diversos campos, da saúde ao urbanismo, da literatura à reciclagem”. Seguindo essa visão, os temas de todos os talks começavam com “um novo olhar sobre…” e aí seguia-se o assunto a ser tratado. Alfredo Júnior (coordenador geral), descreveu isso dessa forma:

“Com o tema Revoluções Silenciosas, o TEDx Recife 2014 objetiva identificar as atitudes e mudanças que tem sua gênese no indivíduo, muitas vezes pequenas ações silenciosas e pessoais que quando percebidas por outros ao redor têm potência para transformar a cidade e a sociedade. A revolução é a luta pela mudança. É rever, revolver, remexer, remoer mas nunca retroceder. É sair de uma determinação, de um conceito, de um vício, de uma forma de viver anterior, para algo novo e quase sempre turvo já que não é possível saber o exato rumo e impacto dessas mudanças. É preciso uma adesão profunda de corpo e alma do indivíduo para que haja uma revolução consciente e uma mudança real e efetiva. O foco não pode ser o convencimento da massa, mas da pessoa. A massa é consequência das mudanças pessoais profundas. Queremos tirar do foco as macro transformações causadas pelas novas tecnologias, pelas grandes ideias ou por grandes projetos. Colocaremos em pauta o poder do micro, do convencimento real do indivíduo por uma causa, estimulando cada vez mais as revoluções pessoais que primeiro mudam o indivíduo para depois influenciar a sociedade à sua volta. Aquelas revoluções que começam com pequenas atitudes no dia a dia, tímidas e discretas, mas vão ganhando força e acabam por inspirar e mudar muito além do seu âmbito inicial. Essas são as Revoluções Silenciosas. Esse é o TEDxRecife 2014!”

“Se você perceber, todas as palestras têm algo em comum: todas são movimentos que começaram dentro de uma pessoa que acabaram influenciando as pessoas ao redor. Os palestrantes são de várias áreas diferentes, tem política, educação, religião, reciclagem, reutilização de água, mas têm a mesma inquietude: querem transformar o que sentem dentro deles em uma revolução”, explicou a expert em comunicação verbal e integrante da curadoria do evento, Daniella Marcusso.

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THIANA SANTOS

Um novo olhar sobre a arte:

O descarte que vira arte

Artista plástica e artesã, Thiana graduou-se em Belas Artes na UFBA (Universidade Federal da Bahia) em 1986 na cidade de Salvador. Desenvolve seu trabalho com foco no design sustentável. Trabalha de forma independente, com projetos de consultoria em comunidades, da pesquisa ao desenvolvimento de produtos artesanais. Há alguns anos, vem desenvolvendo novas técnicas de trabalho para o reuso de garrafas PET e outros materiais reutilizáveis, como latinhas de alumínio, aplicando os conceitos de ecodesign. Em apenas 10 anos, Thiana estima já ter reaproveitado em suas obras de arte cerca de 200 mil garrafas PET e cerca de 50 mil latinhas de alumínio.

Thiana já é uma referência bastante reconhecida pelo seu trabalho. Ela costuma ser convidada para fazer a decoração de grandes eventos. Durante sua fala, ela mostrou alguns de seus incríveis trabalhos: são belos lustres, luminárias, abajures, bancos, bolsas e acessórios, tudo feito de garrafa PET ou latinha de alumínio. Não tem quem diga! Ela já fez, pasmem, a escultura de um galo gigante de 15 metros de altura e que pesa 12 toneladas para desfilar no bloco Galo da Madrugada, o maior e mais tradicional bloco carnavalesco do Recife. Ficou lindo. E o mais incrível: ela usou apenas latinhas de alumínio recicladas! A própria decoração do palco do TEDx Recife 2014 foi feita por ela! É, de fato, um exemplo a ser seguido pelo bem do planeta.

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EDILSON TAVARES

Um novo olhar sobre a sustentabilidade:

Dando nó em pingo d’água

Edilson nasceu e cresceu em Toritama, uma cidadezinha muito pequena no interior de Pernambuco. Naquela época, Toritama era um lugar pobre, esquecido e que sofria com a seca. Hoje, Toritama é um importante pólo da indústria têxtil e é conhecida por exportar tecidos, roupas, jeans e confecções para todo o Nordeste. Toritama hoje é responsável por boa parte do PIB do Estado de Pernambuco, com uma economia ativa que trouxe muitas melhorias na qualidade de vida para a população. Edilson participou ativamente e é um dos responsáveis por essa “revolução silenciosa” de Toritama. Em sua fala, ele conta como isso foi possível graças ao empreendedorismo criativo e sustentável.

Como se sabe, a indústria têxtil usa muita água para a lavagem dos tecidos. Mas Toritama é um município que sempre sofreu com a escassez de água. A seca era tão grave que nem mesmo poços artesianos podiam ser cavados. Por mais fundo que se escavasse, não se encontrava água. As escavações sempre “davam na pedra”, como popularmente se dizia. Como fazer essa indústria crescer sem um grande volume de água disponível? É aí que entra em cena a criatividade desse grande espírito empreendedor. Dono de uma pequena lavanderia (pequena na época), Edilson implantou um inovador sistema de reciclagem de água em Toritama. A mesma água usada na lavagem dos tecidos ia para uma estação de tratamento e voltava para ser reutilizada. Com isso, a lavanderia de Edilson economizou muita água e dinheiro, puxando para cima a economia da cidade. Atualmente, Edilson é presidente do Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco. Ele foi o fundador e 1° Presidente da ACIT (Associação Comercial e Industrial de Toritama).

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PIQUENIQUE AO PÔR DO SOL

Pontualmente às 17 horas, as palestras foram interrompidas para um intervalo de uma hora. Todos já estavam famintos quando soubemos da grata surpresa: O G1 (portal de notícias da Globo) havia patrocinado um piquenique. Na saída do teatro, cada participante do evento recebeu uma sacolinha cheia de comidas deliciosas. Mais à frente, cada um recebeu uma latinha de refrigerante e nos dirigimos ao gramado do parque Dona Lindú, onde já haviam centenas de toalhas espalhadas no chão à nossa espera. Foi um momento muito agradável poder comer, conversar e curtir o pôr do sol do Recife cercado de gente interessante.

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FRANCISCO CUNHA

Um novo olhar sobre a mobilidade:

Ei, devolve a minha calçada!

O arquiteto Francisco Cunha nunca gostou de carro. Ele prefere andar a pé. Afinal de contas, “andar é o exercício físico mais natural que existe”. Mais do que isso: para ele, “andar sobre as duas pernas é o que nos torna humanos”, diferenciando-nos dos outros animais. Convicto desse fato, ele recomenda: “Nunca pare pra pensar: pense andando mesmo”. Francisco lamenta que muitos de nós têm, talvez por falta de segurança, abandonado o hábito de andar pela cidade. Acordamos, vamos até a garagem, entramos no carro e saímos com os vidros fechados e o ar ligado até o trabalho. Chegando lá, pegamos um elevador até o escritório para trabalhar o dia todo e depois voltar pra casa pelo mesmo “túnel refrigerado” que nos isola das ruas, da cidade. Francisco acredita que esse é o motivo de darmos tão pouca importância aos pedestres, calçadas e ciclovias.

Com o intuito de conscientizar os motoristas, Francisco Cunha criou a Multa Cidadã, uma notificação simbólica que todos os pedestres de Recife podem aplicar aos carros que estacionarem nas calçadas. É claro que a tal multa não tem valor oficial e que os motoristas não ficam obrigados a pagar nada nem perdem pontos na carteira se receberem uma dessas, mas agora os recifenses têm uma maneira muito mais organizada de protestar contra os abusos de motoristas infratores. O projeto Multa Cidadã deu certo: foi aprovada e muito bem recebida pela população do Recife, é amplamente divulgada nas redes sociais e já estampou as manchetes dos principais jornais e portais de notícias locais. A “revolução silenciosa” iniciada por um cidadão inconformado se espalhou e está transformando a cidade. Isso é lindo de se ver!

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WILSON DE OLIVEIRA JÚNIOR

Um novo olhar sobre a medicina:

Você pode me ouvir, doutor?

Wilson de Oliveira Júnior é médico, professor de cardiologia da Universidade de Pernambuco (UPE) e foi presidente da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática. Sua missão no TEDx Recife 2014 foi alertar a todos nós (pacientes em potencial) acerca dos nossos direitos quando procuramos atendimento médico. Segundo ele, todo médico têm o dever moral e a obrigação legal de, antes de qualquer exame ou diagnóstico, ouvir o paciente, prestando muita atenção às suas queixas. Wilson lamenta que muitos médicos hoje em dia, devido ao grande número de atendimentos a realizar por plantão, nem sequer ouvem mais os seus pacientes.

Isso é reflexo, segundo ele, da sociedade moderna, que parece estar acometida de “obesidade tecnológica e desnutrição humana”. Temos as mais precisas e avançadas tecnologias nos hospitais para tratar o corpo, mas está em falta o lado humano, do médico disposto a ouvir e tratar também a alma do paciente. Diante disso, Wilson propõe, tanto a pacientes como a colegas médicos, que a medicina seja praticada de maneira menos mecânica e mais humanitária e holística. Ele defende uma medicina de inspiração grega, como fazia Hipócrates (460-377 a.C.). Afinal, o ser humano não é apenas uma máquina, para ser “consertado” na oficina quando dá defeito; ele também tem alma, e esta é inclonável.

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DEBORAH ZANFORLIN

Um novo olhar sobre a esperança:

Biossensores, o sonho de uma vida longa e saudável

Biomédica por formação, Deborah atualmente está cursando doutorado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) na área biotecnologia e nanotecnologia. O seu projeto é a criação de um sistema de diagnóstico rápido, portátil, seguro e indolor para uma das doenças que ainda perturbam nossa sociedade, o câncer de mama. Este biossensor se parece muito com aquele usado por diabéticos para medir instantaneamente a concentração de glicose no sangue. A boa notícia é que, graças ao trabalho de Deborah e sua equipe, esse aparelho já existe e está em fase de testes. Além do aparelho de diagnosticar câncer de mama, ela revelou que pretende dedicar a sua vida às pesquisas e ao desenvolvimento de outros tipos de biossensores, que no futuro serão capazes de detectar de forma rápida e com muita antecedência outros tipos de doenças. Em suma, Deborah se dedica a realizar o sonho de uma vida longa e saudável através da cura de doenças por meio de biossensores.

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OUTROS PALESTRANTES

Além desses, outros seis palestrantes subiram ao palco do TEDx Recife 2014 para contar suas histórias inspiradoras: A publicitária e blogueira Clarice Freire, criadora do blog Pó de Lua, apresentou “um novo olhar sobre a literatura”. O professor e jornalista Gabriel Marquim, fundador da Comunidade dos Viventes (associação católica aberta ao ecumenismo) e do Projeto Vincular (que faz um belo trabalho social), falou do seu “encontro revolucionário com a fé”. O consultor Fernando Félix falou sobre superação, contando sua história e fazendo uma analogia com os quatro cavaleiros do Apocalipse. O professor, publicitário e administrador Fernando de Holanda trouxe “um novo olhar sobre a política”. Ruy Belfort propôs “um novo olhar sobre a educação”. E a empresária e consultora Verena Petitinga se dirigiu em especial às mulheres e deu dicas de “empreendedorismo feminino”.

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O que vi no Campus Festival 2014

campus festival 2014No último fim de semana, emendado com esse feriado da segunda, estive no Espaço Cultural José Lins do Rego (em João Pessoa-PB) participando da segunda edição do Campus Festival – Conferência Universitária de Artes integradas e Tecnologia, o maior evento universitário do Nordeste, que este ano teve como tema “Nômades globais na savana digital”. Como prometi no meu perfil do Facebook, resolvi contar o que vi por lá. Foram basicamente dois dias de palestras e debates sobre os mais variados temas (com cientistas, pesquisadores, artistas, convidados ilustres e palestrantes renomados), duas noites de shows e apresentações musicais (Nação Zumbi, Seu Pereira e Coletivo 401, Os Gonzagas, entre outros), uma exposição de artes visuais (fotografias, pinturas, ilustrações e desenhos de 14 artistas da Paraíba) e uma mostra de cinema (6 filmes de diretores paraibanos) – isso sem mencionar o convívio com um monte de gente bacana. A experiência valeu muito a pena. Foi como o Charlezine: conteúdo inteligente para mentes curiosas. Os R$ 70,00 da inscrição foram um investimento muito bem aplicado. Ano que vem quero participar de novo.

As palestras e debates ocorreram de forma simultânea em 5 espaços diferentes, divididos de acordo com o tema de interesse. Nos quatro auditórios do Espaço Cultural, os estudantes podiam discutir com especialistas de suas respectivas áreas acadêmicas divididas em quatro eixos temáticos: Comunicação, Saúde, Design e Arquitetura, Direito e Sociedade. Enquanto isso, no Teatro Paulo Pontes – que, por sinal, depois da reforma ficou lindo (fotos abaixo) –, as atrações mais aguardadas se revezavam na programação principal. Durante todo o evento, não participei de nada nos auditórios. Preferi ouvir todas as palestras da programação principal no Teatro Paulo Pontes; e não me arrependi. Em um ambiente misto, diverso e multicultural, aprendi um pouco sobre os assuntos mais variados. A experiência foi positiva por me fazer sair um pouco do gueto da minha especialização acadêmica (filosofia) e ter contato com o que de mais interessante está rolando nas universidades como um todo, em outros cursos, outras áreas do saber, outros mundos. Esse contato ampliou minha visão de mundo, abriu minha mente a novas ideias, me possibilitou colidir universos bastante distintos. Saí de lá com ideias fervilhando.

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Teatro Paulo Pontes (Foto: Charles Andrade)
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Teatro Paulo Pontes (Foto: Charles Andrade)

Marcado para ter início às 14h, a abertura do evento no sábado (06) atrasou um pouco. Um show à parte foi o apresentador e mestre de cerimônias, que se apresentou como Dom Quixote, inspirado no icônico personagem de Cervantes. Com sua fantasia pra lá de criativa e sempre recitando versos e poemas famosos, ele deu um toque poético e literário às apresentações. Eu não resisti e quis tirar uma foto com essa figura.

Dom Quixote
Eu e Dom Quixote

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Silvio Meira e Alfredo Júnior

O primeiro bate papo da tarde foi sobre o tema “Negócios sociais: conexões que mudam o mundo” e contou com a participação de Silvio Meira e Alfredo Júnior, ambos de Recife-PE. Silvio Meira é cientista, pesquisador, engenheiro, especialista em ciências da computação e fundador do CESAR Recife – Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (veja aqui sua participação no programa De Frente com Gabi). Alfredo Júnior é CEO e co-fundador do Impact Hub Recife, além de organizador do TEDx Recife, a ser realizado no próximo dia 16 (estarei lá e depois conto tudo também). Tanto Silvio quanto Alfredo são especialistas e referências nacionais na área de tecnologia, informática e computação. Dentre os assuntos discutidos, um em especial me chamou a atenção. Descobri que, se tudo correr bem, com o planejamento, o empenho e os investimentos atuais, a cidade do Recife tem tudo para se tornar, nas próximas décadas, o “Vale do Silício” brasileiro, um pólo de relevância mundial na área de tecnologia e inovação. Contribui para isso, hoje, o funcionamento a pleno vigor do Porto Digital, um pólo de desenvolvimento de softwares e economia criativa localizado no centro histórico de Recife desde o ano 2000.

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André Braga e Vinnie

O segundo tema discutido foi voltado ao empreendedorismo criativo e inovador. André Braga e Vinícios Oliveira, ambos de São Paulo, bateram um papo e deram muitas dicas sobre o tema “Transforme sua ideia numa startup” (saiba aqui o que é uma startup). André Braga é CEO e co-fundador do Eventick, site especializado na venda de ingressos online. Vinícios Oliveira, ou Vinnie, como prefere ser chamado, é CEO e fundador do Glocal Arts, portal na internet que reúne e expõe para a venda obras de centenas de artistas plásticos da cidade de Olinda-PE, Recife e região metropolitana. No site do Eventick, ideia do André, você pode criar um evento e centralizar as vendas de ingressos de forma organizada, recebendo pagamentos via cartão de crédito, débito em conta e boleto bancário (os ingressos para o Campus Festival 2014 e para o TEDx Recife 2014 foram vendidos por lá). Após o pagamento, o participante inscrito recebe por e-mail um voucher para imprimir e apresentar no dia do evento. No site Glocal Arts, ideia do Vinnie, qualquer artista plástico pode fazer um cadastro e passar a expor e vender online as suas obras, cobrando por elas o preço que bem entender. Em Pernambuco, o artista plástico que não tem uma conta no Glocal Arts é quase como um cidadão comum que não tem uma no Facebook, por exemplo.

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André Lemos

A palestra principal do primeiro dia de evento ficou por conta de André Lemos, professor da UFBA. Engenheiro, doutor em sociologia e referência nacional em cibercultura, André Lemos palestrou sobre o tema “A internet das coisas”. Em suma, ele desmistificou a ideia equivocada de que a internet é uma rede que liga pessoas apenas. Segundo Lemos, além de conectar pessoas a pessoas, a internet conecta também pessoas a máquinas e até máquinas a máquinas, sem a intervenção de um ser humano. Como tendência para as próximas décadas, Lemos antecipou que, no futuro, será cada vez mais comum que máquinas “conversem entre si”, sem a intermediação de um humano. O avanço da tecnologia fará com que os objetos do cotidiano se tornem cada vez mais inteligentes, fazendo praticamente tudo sozinhos e “aprendendo” tarefas por meio de inteligência artificial. Além de previsões futurísticas, Lemos mostrou como isso já é uma realidade hoje e como esse futuro que parece tão distante está mais próximo do que imaginamos.

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Eduardo Jorge e Alfredo Minervino

No segundo dia do evento, todo mundo queria ver em ação o médico e ex-candidato à presidência da República pelo Partido Verde (PV), Eduardo Jorge. Grande estrela do dia, Eduardo Jorge chegou ao Espaço Cultural caminhando, de camiseta, conversando e tirando foto com todo mundo. Somente depois fiquei sabendo que ele tem uma casa aqui em João Pessoa, bem perto do Espaço Cultural, e por isso foi a pé mesmo. De qualquer modo, essa atitude foi uma amostra de sua humildade. Apesar de discordar dele em algumas questões políticas, tive que me render à sua notável inteligência e sabedoria. Enquanto todos os palestrantes usavam recursos de ponta em suas apresentações, Eduardo Jorge não quis usar datashow. Ele próprio foi o show, armado apenas com um microfone. A julgar pelo que vi, ele é gente finíssima (inclusive fisicamente).

Contrariando a expectativa de todo mundo, a fala de Eduardo Jorge, a mais esperada do dia, foi inconvenientemente interrompida aos 28 minutos pela organização do evento porque havia estourado o tempo. A plateia não teve sequer direito a fazer perguntas, como sempre fazia ao fim de cada apresentação. O motivo dessa escassez de tempo dificilmente poderia ser mais decepcionante. É que a organização do evento resolveu inserir de última hora na programação uma palestra inesperada de Beto Chaves, que, em resumo, falou por quase uma hora sobre como teve uma vida fracassada, nunca conseguiu passar num vestibular decente, abriu dezenas de empresas, faliu todas e hoje ganha a vida dando palestras motivacionais e vive muito bem porque tem besta que paga para ouvir sua história.

Eduardo Jorge fez uma espécie de “debate” com Alfredo Minervino sobre a “Regulamentação para o uso medicinal e recreativo da maconha”. Alfredo Minervino, que é médico psiquiatra e professor de Medicina da UFPB, começou o debate se posicionando contra a descriminalização, legalização e/ou qualquer tipo de liberação do uso da maconha para fins recreativos (muito embora apoie o seu uso para fins medicinais). Ele apresentou muitas estatísticas, dados científicos e argumentos variados mostrando os males que o uso da maconha causa à saúde e à qualidade de vida do indivíduo, à convivência familiar e à sociedade como um todo. Para ele, a maconha deve continuar proibida para o bem da sociedade.

Do modo como o debate foi configurado e conhecendo o estereótipo que se criou em torno da figura de Eduardo Jorge, eu particularmente esperava que, após a fala de Minervino, o ex-candidato à presidência fosse se posicionar do lado contrário, defendendo a legalização e fazendo apologia ao uso da maconha. Mas não foi o que aconteceu. Para minha surpresa, Eduardo Jorge afirmou concordar com quase tudo o que Alfredo Minervino disse acerca dos males da maconha. Primeiro, ele revelou que, ao contrário do que dizem por aí, não usa maconha, não bebe nada com álcool e não fuma (“porque não sou besta”, disse). Depois, afirmou que, como médico, desaconselha convictamente o uso da maconha, pois, como sabemos, ela faz mal à saúde.

Por fim, disse que “a legalização é a forma mais eficiente de reduzir os danos da dependência de drogas nos indivíduos e na sociedade”. Ele explicou que, como político, percebe que o Estado, ao longo de cerca de 50 anos, perdeu a chamada “guerra contra as drogas”; e que a melhor solução atualmente é liberar o uso da maconha para enfraquecer o poder e o monopólio dos traficantes; que são, no fim das contas, os únicos a lucrar com o mercado negro do narcotráfico. Segundo ele, o Estado deveria tratar o problema da maconha não como um problema de segurança pública, usando a polícia para combater o uso, mas como um problema de saúde pública, fazendo campanhas de conscientização, assim como já o faz contra o tabagismo e o alcoolismo.

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Lau Siqueira e Shiko

Após o debate sobre a regulamentação da maconha, subiram ao palco Lau Siqueira e Shiko, ambos de João Pessoa, para um bate papo descontraído sobre “Economias e cidades criativas”. Lau Siqueira é poeta e presidente da FUNESC; e Shiko é ilustrador e grafiteiro. Sem nenhum roteiro pré-estabelecido, eles fugiram muito ao tema proposto e falaram basicamente sobre como o artista pode viver de sua arte hoje em dia. Falaram também sobre como a indústria cultural e o mercado editorial muitas vezes se aproveitam desses artistas de forma gananciosa e exploratória. Quando um artista escreve um livro e quer publicá-lo, por exemplo, as editoras tomam para si os direitos autorais sobre a obra de modo que o autor perde até a propriedade sobre o seu trabalho. E isso em troca de uma porcentagem muito pequena (5%) do lucro das vendas de cada exemplar.

Lau e Shiko chegaram à conclusão de que o problema consiste em que os artistas muitas vezes sabem apenas produzir suas obras de arte, mas não sabem negociá-las (não sabem “vender o seu peixe”). Falta o empreendedorismo. A solução apontada para esse problema é a popularização das publicações independentes. Para eles, os artistas precisam perder o medo de recusar a oferta das editoras e escolher publicar suas obras de maneira independente, sem intermediação. Desse modo, eles mesmos diagramam, editam, imprimem a tiragem que quiserem numa gráfica e vendem seus livros por conta própria, ficando com 100% do lucro em vez dos 5% oferecidos pelas editoras. Ainda reforçando esse raciocínio, eles citaram o exemplo da literatura de cordel, que segue esse estilo independente desde os seus primórdios. Nas considerações finais, Shiko sugeriu que mudássemos nossa atitude diante da arte. Quando pagamos ou compramos um ingresso para um show, um filme, uma peça de teatro ou qualquer outra forma de expressão artística, não devemos pensar que estamos “ajudando” o artista porque somos legais. Devemos encarar isso como uma troca, um investimento. Estamos comprando um produto intelectual.

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Marco Gomes

A palestra de encerramento do Campus Festival 2014, com o tema “Empreendedorismo inovador”, ficou a cargo de Marco Gomes, CEO e fundador da Boo-Box, maior empresa de monetização e publicidade em blogs e mídias sociais do Brasil, com sede em São Paulo. Só pra vocês entenderem melhor o que faz a Boo-Box, os banners com anúncios publicitários que você vê no topo e na barra lateral deste blog, por exemplo, são gerados pelo sistema da Boo-Box e rendem uma graninha a este que vos escreve. Marco Gomes teve essa ideia de negócio aos 20 anos. Numa atitude de coragem, largou a universidade (cursava computação na UnB), desistiu de assumir o cargo após ter sido aprovado num concurso público federal, se mudou de Brasília para São Paulo, morou de favor comendo miojo por quase três anos, insistiu, persistiu no seu sonho e hoje é um dos mais jovens milionários deste país (já discursou até na sede da ONU em Nova York!). Apesar do currículo invejável, o cara é super gente boa, muito humilde, atencioso com todo mundo, “nerd, ciclista, viajante, cristão e marido” (conforme descrição no blog pessoal). Após a palestra e uma breve sessão de entrevistas, nos encontramos por acaso, batemos um papo, trocamos umas ideias e tiramos essa foto altamente nerd:

charlezine e boo-box
Vida longa e próspera, terráqueos!

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Shows musicais

Sobre os shows, para finalizar, não há muito o que dizer: um simples “foi massa” resolve. Um detalhe importante é que o primeiro dia de Campus Festival (06) coincidiu com o encerramento do Festival Internacional de Música Clássica à noite, lá mesmo, no Espaço Cultural. Os participantes do evento puderam, então, desfrutar de um belo concerto da Orquestra Sinfônica Municipal de João Pessoa, sob regência do maestro Isaac Karabtchewsky. No domingo (07), Seu Pereira e Coletivo 401, Os Gonzagas, entre outras bandas, se apresentaram em um palco montado no teatro de arena. Na segunda (08), milhares de pessoas assistiram aos shows de Nação Zumbi e outras bandas.

Os Gonzagas no teatro de arena do Espaço Cultural (foto: Charles Andrade)
Os Gonzagas no teatro de arena do Espaço Cultural (foto: Charles Andrade)
Nação Zumbi no Espaço Cultural (foto: Charles Andrade)
Nação Zumbi no Espaço Cultural (foto: Charles Andrade)
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