Universitários ingleses querem remover filósofos brancos dos seus programas

O politicamente correto continua atuando. A implicância agora é com a cor da pele dos filósofos que são estudados na universidade. De acordo com o jornal britânico Daily Telegraph, estudantes da Universidade de Londres “estão exigindo que figuras como Platão, Descartes e Kant sejam removidos do currículo porque eles são brancos”. Exigir que os pensadores brancos sejam removidos do currículo, dizem os estudantes, é parte de uma campanha mais ampla que visa “descolonizar” a universidade. Eles argumentam que os filósofos brancos deveriam ser estudados somente se requisitados, e que suas ideias deveriam ser ensinadas somente a partir de um “ponto de vista crítico”.

Essa exigência surgiu após autoridades da educação terem advertido que as universidades deverão se ajustar às demandas dos estudantes. Em resposta, o vice-chanceler da Buckingham University, Sir Anthony Seldon, disse que “há um perigo real de que o politicamente correto esteja saindo do controle”. Fato é que esses estudantes estão levando mais em conta a cor da pele dos filósofos do que seus pensamentos. Isso é racismo. Como se sabe, a filosofia não tem cor. A filosofia tem perguntas universais que, na grande maioria das vezes, independem de contextos políticos e sociais.

Mapa racial do Brasil

Três programadores abriram uma empresa chamada Pata – análise e visualização de dados e, entre outros feitos, produziram um mapa interativo mostrando onde se concentram os diferentes grupos raciais do Brasil. O mapa é composto por 190 milhões de pontos coloridos e foi baseado nos dados do Censo demográfico do IBGE de 2010. Cada ponto no mapa representa uma pessoa e as cores representam os principais grupos raciais: Branco, Pardo, Preto, Amarelo e Indígena.

Acesse aqui o Mapa racial do Brasil e entenda melhor como ele foi feito.

Mapa Racial do Brasil

Embora eu não acredite nessa distinção entre raças (pra mim, somos todos mutantes) e seja contrário a políticas de ação afirmativa como as cotas raciais, não posso deixar de reconhecer alguma utilidade estatística no trabalho duro desses caras. Se você abstrair as cores (ignorando as “raças”), por exemplo, tem um excelente indicador da concentração urbana e da demografia brasileira. Como sou apaixonado por geografia e mapas, passei um tempão vasculhando isso.

 

Argumentos contra as cotas raciais

Veja também: Mapa racial do Brasil
O ponto de vista da ciência sobre a existência de raças humanas

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São vários os nomes: ação afirmativa, discriminação positiva, política com­pensatória… Mas a ideia é uma só: corrigir a desigualdade entre negros e brancos dando benefícios ao lado “mais fraco”. Projetos como o Estatuto da Igualdade Racial e a Lei de Cotas tramitam há anos no Congresso. O debate sobre o tema anda quente. De um lado, as cotas são defendidas como a única forma de resolver, de maneira imediata, o problema do racismo e suas consequências sócio-econômicas. Do­ outro, são apontadas como uma fon­te de novos problemas, além de não terem dado certo onde foram implementadas. Mais surpreendente é descobrir que, enquanto teóricos teo­rizam e o Legislativo não legisla, o Brasil implementa a todo vapor sua política de cotas: de forma independente, mais de 40 universidades já reservam vagas por critérios raciais.

Para poder se beneficiar das cotas, é preciso fazer uma escolha: ou se é branco ou se é negro. Essa proposta de divisão explícita dos brasileiros em duas categorias é o primeiro ponto a tirar do sério os opositores das cotas. Questiona-se a criação de um sistema que subverte um pilar da democracia: a ideia de que todos somos iguais perante a lei. “Para combater o racismo, o Estado vai instituir o negro como figura jurídica. Isso nunca existiu em nosso sistema legal”, diz a antropóloga Yvonne Maggie, da UFRJ. Para ela, o efeito dessa “produção artificial de etnias e raças” é o fim da identidade nacional. Deixamos de ser cidadãos do Brasil para nos tornar brasileiros negros ou brasileiros brancos. “É o caminho para a difusão do ódio racial no Brasil”, afirma o sociólogo Demétrio Magnoli.

Outra distorção, na opinião dos críticos da política de cotas, é a supressão do mérito como critério de recompensa. Uma organização meritocrática é aquela que dá as melhores oportunidades a quem demonstrar mais habilidade e talento. Ao derrubar essa ideia, mesmo com a boa intenção de criar uma sociedade em que mais pessoas tenham acesso à meritocracia, as cotas podem estigmatizar quem é beneficiado por elas. “Nos EUA, os estudantes asiáticos tiram dos brancos mais vagas nas universidades de ponta do que os negros. Mas não são obrigados a lidar com o mesmo ressentimento. Isso porque existe a percepção de que eles entraram por mérito e não ajudados por um sistema de cotas. Ou seja: o ressentimento não é em relação à perda de vagas, mas ao modo como isso acontece”, diz Thomas Sowell, economista da Universidade Stanford e autor de Ação Afirmativa ao Redor do Mundo, uma análise dos resultados de políticas compensatórias implantadas no mundo. E ainda há mais um ingrediente no caldo da estigmatização: estudos mostram que as ações afirmativas beneficiam mais a classe alta do grupo alvo do privilégio, deixando os mais pobres na mesma.

Em seu trabalho, Sowell desfaz outro mito, frequentemente citado por defensores das cotas: a de que as ações afirmativas foram responsáveis pela ascendência social dos negros nos EUA. Seu estudo mostra que a proporção da população negra que frequentava as universidades dobrou nas duas décadas que precederam a revolução dos direitos civis ocorrida nos anos 1960. Nesse período, logo após a 2ª Guerra Mundial, os EUA passaram por um período de crescimento econômico sem precedentes em sua história. O crescimento fez, por exemplo, com que 3 milhões de negros trocassem a pobreza e as escolas fracas do sul pelas regiões urbanas e modernas do norte. O efeito da mudança logo foi sentido: a porcentagem de famílias negras abaixo da linha de pobreza caiu de 87% em 1940 para 47% por volta de 1960. Depois de 1970, quando foram adotadas as cotas, essa taxa diminuiu apenas um ponto percentual. A conclusão é que somente a combinação de crescimento econômico e bom ensino é capaz de transformar os indicadores sociais de um país. Cotas – para negros, para imigrantes ou para pobres – não resolvem o problema.

Há ainda o temor de ver a qualidade do ensino piorar com a entrada de alunos que não tiveram as melhores notas no vestibular. Para esses críticos, as funções primordiais da universidade pública são a formação de alto nível e a pesquisa, não a prestação de um auxílio social ao país. “Quando as universidades admitem alunos por critérios não acadêmicos, há um risco real de que elas se transformem em grandes escolões de baixa qualidade”, diz Simon Schwartzman, ex-presidente do IBGE. Por fim, o time anticotas não tem dúvidas de que o caráter temporário é uma farsa. A maioria dos países que as adotam acaba por prorrogá-las. Qual político quer se expor à impopularidade de suspender um benefício? Ao contrário, as cotas costumam ser ampliadas para beneficiar outros grupos em desvantagem. Quando a Índia adotou a ação afirmativa, em 1949, foi determinado um prazo de 10 anos. A reserva está até hoje em vigor. O motivo? Cotas não custam nada ao governo; e ainda dão aos políticos a chance de se gabarem por promover o avanço racial. Quem não quer uma mamata dessas?

Então o país decidiu que é preciso aumentar a presença de negros nas universidades. Mas como fazer isso? Como determinar quem é negro em um país miscigenado como o Brasil? Nos Estados Unidos a coisa é simples: negros quase só fazem filhos com negros; e brancos com brancos. Mas como saber quem é quem num país como o Brasil, que instituiu o mulato como cor nacional e onde japonês dorme com italiana, branca com negro e negra com índio? Segundo pesquisa do geneticista Sérgio Pena, 87% da população brasileira tem pelo menos 10% de ancestralidade africana. Os números da pesquisa mostram ainda que são 77 milhões os brasileiros que têm pelo menos 90% de ancestralidade africana, aqueles que apresentam traços físicos bem característicos dos nativos daquele continente.

A UnB instituiu uma comissão para julgar se a autodeclaração é verdadeira. Os integrantes da banca, cujos nomes não são revelados, dão uma bela olhada na foto do candidato. Decidem assim, no olho, quem é negro e quem não é. O tribunal racial da UnB recebeu uma chuva de críticas. A Academia Brasileira de Ciências, por exemplo, afirmou que o preconceito racial no país não deve ser enfrentado com critérios destituídos de qualquer base científica. Em 2005, nada menos que 48% dos candidatos inscritos tiveram suas fotos rejeitadas e foram impedidos pela banca de concorrer a uma vaga pelo sistema de cotas. Houve até um caso de dois irmãos gêmeos idênticos que se inscreveram nas cotas: um deles foi considerado negro e o outro não.

Fonte: Superinteressante.

O que a ciência diz sobre as “raças” humanas?

Veja também: Mapa racial do Brasil
Argumentos contra as cotas raciais

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Nunca entendi por que sou obrigado a preencher, em alguns formulários e documentos oficiais do governo, uma declaração de cor ou raça. Primeiro porque eu nunca sei o que responder. Não me enquadro em nenhuma das alternativas. Não me considero branco, preto, pardo, asiático nem indígena. Sou um típico ser humano vira-lata. O fato de terem colocado “pardo” na minha identidade não nega isso; pelo contrário, apenas confirma (afinal, o que diabos significa ser “pardo” senão uma mistura genética?). Em segundo lugar, não vejo nenhum sentido em dividir as pessoas por cor ou raça; ainda mais se isso é feito com a desculpa de combater o racismo. Na minha opinião, esse hábito é que é um tipo de racismo. Talvez o pior tipo, o racismo institucionalizado. Sorte a nossa que a ciência tem atuado para combater essa ideia equivocada de que cor ou raça é geneticamente importante nos humanos. Portanto, você que defende cotas raciais e ainda assim estima a ciência precisa ler este artigo publicado por Alexandre Varsignassi na revista Superinteressante.

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A cor da pele não é assunto entre os chimpanzés. Se você depilar um, uma pele branca vai aparecer por baixo da manta de pelos. Passa a gilete em outro e surge uma pele preta. Manda mais outro para a cera quente e quem sai do centro de depilação é um chimpanzé rosa. Na verdade, eles mudam de cor ao longo da vida: nascem mais claros e vão escurecendo. Mas não importa. A cor da pele é tão relevante para eles quanto a do pâncreas é para a gente. Não que eles não sejam racistas. No mundo chimpanzé, o pelo pode ser de qualquer cor, contanto que seja preto. Quando nasce algum albino, com pêlo branco, não tem jeito: os outros chimpanzés não aceitam. Ele vai apanhar, ficar isolado e morrer logo – ou linchado ou de fome.

Nosso ancestral comum com os chimpanzés, um símio que viveu há 6 milhões de anos, provavelmente obedecia a mesma regra. A cor da pele não tinha importância, só a dos pelos. Mas uma hora essa história mudou. Há coisa de 2 milhões de anos alguns dos descendentes desse ancestral comum começaram a perder pelos. A cada mil partos nascia um macaco pelado. Um mutante. Algumas dessas aberrações genéticas tinham o mesmo destino dos albinos: bullying e morte prematura. Outros não. Talvez a falta de pelos os tenha ajudado a lidar melhor com o calor africano, e eles conseguiam ir mais longe para arranjar comida. Assim, viviam mais e melhor, então se reproduziam mais.

Deu tão certo que, uma hora, esses macacos pelados tinham formado uma super espécie – eram maiores e bem mais inteligentes que seus antepassados peludos. Nada mal para quem começou a vida evolutiva apanhando. Hoje esse animal sem pelos é conhecido como Homo erectus – são os nossos avós diretos. E as mutações não pararam, lógico. Quanto maior a inteligência de um erectus, maior era a chance de ele deixar mais descendentes. Então 1,8 milhão de anos depois já havia alguns erectus com cérebro gigante, e, de quebra, com traços idênticos aos dessa maravilha genética que você vê no espelho todas as manhãs. Era o Homo sapiens.

E você era negro. A pele escura era a melhor para aguentar o sol africano sem a proteção de uma camada de pêlos, já que é menos propensa a brindar seu dono com um câncer de pele. Por essas, nossa linhagem trocou o arco-íris de pigmentação que provavelmente tinha antes de perder os pêlos por uma tonalidade só. Ficamos monocromáticos. Mas não demorou e o sapiens começou a colonizar outras partes do mundo. Um dos momentos mais definidores dessa fase foi quando chegamos à Europa, há 40 mil anos, e exterminamos os neandertais. Eles eram nossos primos, também descendentes do erectus. A diferença é que os ancestrais deles tinham saído da África há 400 mil anos (200 mil antes de a nossa espécie surgir).

Por essas, os neandertais já nasciam adaptados ao frio: eram fortes que nem um bisão e, como todo mamífero que vive no gelo, tinham pele e cabelos claros. Não que camuflagem na neve fosse tão importante para eles quanto é para um urso polar ou uma raposa siberiana. Os neandertais mantiveram a mutação dos seus avós africanos – a de não ter pêlos (pelo menos não tantos pêlos). Então precisavam se cobrir de peles o tempo todo para aguentar as temperaturas negativas. A vantagem da pele clara era outra: ela sintetiza melhor a vitamina D nas altas latitudes, onde não existe sol o bastante para fazer esse trabalho a contento. Num tempo em que nutriente era tudo o que faltava, qualquer vantagem na absorção de algum deles fazia toda a diferença. O processamento mais eficaz de vitamina D era uma vantagem. Assim os neandertais foram embranquecendo.

Não que isso tenha ajudado muito quando nós, negros Homo sapiens, entramos na Europa. Nossa tecnologia àquela altura era bem superior à dos neandertais, com lanças mais leves e afiadas. Mas o que fazia mesmo a diferença era a nossa organização social: andávamos em grupos de 100, 200 pessoas. Eles, em famílias com no máximo 10 indivíduos. Cada encontro, então, era um massacre. Não demorou e já tínhamos matado todos os neandertais. Algumas fêmeas de neandertal, no entanto, conseguiam escapar da morte trabalhando como escravas sexuais.

A maior evidência disso é que 20% do genoma neandertal continua vivo no nosso DNA. Todo não-africano tem entre 2% e 3% de DNA neandertal dentro de suas células. Bom, pode ser também que machos neandertais tenham inseminado nossas fêmeas ao longo do processo, mas dificilmente essa foi a regra: mulheres são um espólio de guerra constante na nossa história, e talvez mais ainda na nossa pré-história.  Mas não foi a hibridização com os neandertais que empalideceu o sapiens na Europa. Não havia neandertais o bastante para fazer a diferença no pool genético da pigmentação e, provavelmente, os machos nascidos desses encontros eram inférteis, como acontece com machos filhos de tigres com leoas – aí complica mais ainda.

O sapiens embranqueceu pelo mesmo processo de sempre: a cada mil, dez mil nascimentos, aparecia um mutante. Em alguns casos, a mutação era ter uma pele mais clara. Esses indivíduos deviam levar seus pescotapas na infância, por serem diferentes do resto. Alguns certamente eram mortos pela própria família logo que viam a luz. Mas naquele ambiente ser branco ainda era vantagem, também por causa da vitamina D. Uma vantagem grande o bastante para que, em poucas dezenas de milhares de anos, só nascessem sapiens de pele clara nas latitudes mais altas. Era a evolução emulando dentro da nossa espécie o que já tinha acontecido entre os ancestrais dos neandertais num passado ainda mais remoto.

Hoje a cor da pele não faz diferença do ponto de vista evolutivo: por mais que a nossa dieta não seja uma maravilha, temos acesso a tantos nutrientes que a capacidade de sintetizar mais vitamina D não tem mais com apitar na cor da pele. Nem a vitamina D nem a quantidade de sol do ambiente. Um Nigeriano vai viver o mesmo tempo (e ter o mesmo sucesso reprodutivo) vivendo em Copenhague ou em Salvador. Um dinamarquês, idem. O mais provável, então, é que fiquemos todos marrons em alguns milhares de anos, já que mais hora menos hora todos os genes de pigmentação dos sapiens vão acabar misturados, em todos os indivíduos.

Não que isso vá ser a panaceia da humanidade. Na Índia todo mundo é marrom faz tempo, e isso não impediu que surgisse o sistema de castas. Os Hutus e os Tutsis, de Ruanda, são quase idênticos, mesmo para os ruandeses, nem por isso deixaram de protagonizar um dos maiores massacres étnicos da história, com 800 mil Tutsis assassinados por Hutus. Um corintiano pode ser geneticamente indiscernível de um palmeirense, mas mesmo assim, de vez em quando um acha motivo para espancar e matar o outro pela cor da camisa.

O problema é que sempre nos juntamos em tribos de “iguais” para lutar contra qualquer coisa que pareça “diferente”. É parte da nossa natureza. É parte da natureza de qualquer animal – por isso todos os mutantes sofrem, em todas as espécies. Mas, ironicamente, são os mutantes, os diferentes, que fazem a espécie evoluir. Não fossem por eles, a evolução simplesmente não teria acontecido. Mas, graças a ela, hoje temos neurônios o bastante para decidir não nos comportar como amebas, para entender que o próprio conceito de raça é uma ilusão, ainda que perpetrada por um instinto estúpido.

Holocausto: a execução do mal

O documentário a seguir revela a logística e o planejamento por trás do assassinato de mais de 6 milhões de inocentes nos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Para ilustrar o horror, fotografias e artefatos raros serão apresentados. Algumas dessas imagens são fortes: recomenda-se precaução.

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