Teste de QI online

O QI (Quociente de Inteligência) é um valor obtido através de testes de raciocínio lógico, que estressam o cérebro com questões feitas especialmente para utilizar toda a capacidade cognitiva (leia-se inteligência) de uma pessoa. A média do QI mundial foi estabilizada em 100 pontos, com desvio-padrão de 15 pontos para mais ou para menos. Compartilho abaixo um teste de QI online. Clique na imagem para acessar:

QI

O teste consiste em 60 questões de raciocínio lógico em múltipla escolha que devem ser respondidas em, no máximo, 45 minutos. Para iniciá-lo, acesse o site, leia as instruções, preencha os campos com seu nome e idade, e clique no botão “iniciar teste”. O teste leva em consideração a sua idade, o tempo em que você fez a prova, o número de respostas certas e erradas, e o grau de dificuldade das questões que você acertou e errou.

Vale lembrar que o resultado pode não corresponder ao de um teste supervisionado por especialistas em laboratório, no entanto, o site garante que a variação que ocorre entre os métodos é de, em média, 5 pontos – tornando esse um dos sites brasileiros mais confiáveis da atualidade para se realizar testes gratuitos de QI. Se você estiver cansado, com sono ou não estiver muito concentrado, os resultados podem ser ligeiramente inferiores. Depois de realizar o teste, para que você possa ter uma base de comparação, volte aqui no blog e confira a lista abaixo:

  • Golfinhos tem QI de 75 pontos e Chimpanzés, de 80.
  • Abaixo de 90 pontos, o indivíduo é diagnosticado com possíveis retardos mentais.
  • A média mundial é 100 pontos. Entre 90 e 120, a pessoa é considerada na média.
  • De 121 a 130 pontos, a pessoa é inteligente e considerada acima da média.
  • De 131 a 150 pontos, a pessoa é muito inteligente, podendo ser considerada superdotada.
  • Acima de 151 pontos entramos no mérito da genialidade, que, em muitos casos, vem acompanhada de distúrbios mentais (como o autismo).
  • O físico alemão Albert Einstein possuía um QI de 160 pontos.
  • A escritora americana  Marilyn von Savant teve o maior QI da história, de 228 pontos.

Para os mais curiosos, aqui está a minha pontuação:

QI-charlezine

Como o advento da internet está mudando o funcionamento do cérebro humano

Artigo de Nicholas Carr, publicado originalmente em inglês no portal The Atlantic.

Há alguns anos tenho a impressão de que algo vem mexendo com meu cérebro, remapeando os circuitos neuronais, reprogramando a memória. Minha mente está mudando. Não estou mais pensando como costumava pensar. Percebo isso de modo mais acentuado quando estou lendo. Mergulhar num livro, ou num longo artigo, costumava ser fácil. Minha mente se enredava na narrativa ou nas voltas do argumento e eu passava horas lendo longos trechos de prosa. Isso raramente ocorre atualmente. Agora minha atenção começa a divagar depois de duas ou três páginas. Eu fico inquieto, perco o fio de meada, começo a procurar outras coisas para fazer. Sinto como se estivesse sempre arrastando meu cérebro divagante de volta ao texto. A leitura fluida e profunda que costumava ser tão natural para mim agora se tornou uma luta.

Creio que sei o que está acontecendo. Por mais de uma década venho passando mais tempo online, procurando, surfando e algumas vezes acrescentando informação à grande biblioteca da internet. A internet tem sido uma dádiva para um escritor como eu. Pesquisas que antes exigiam dias de procura em jornais ou na biblioteca agora podem ser feitas em minutos. Algumas procuras no Google, alguns cliques rápidos em hiperlinks e eu consigo os fatos reveladores ou as citações exatas que procurava. Mesmo quando não estou trabalhando acabo me surpreendendo, mais frequentemente do que deveria, à caça de informação na web ou lendo e escrevendo e-mails, escaneando manchetes e blogs, assistindo vídeos, ouvindo podcasts ou apenas vagando de um link para outro. Ao contrário das notas de rodapé, às quais eles são comparados, hiperlinks não apenas nos referem a trabalhos relacionados; eles nos arremessam em direção a eles.

A internet está se tornando um meio universal, o conduíte por onde passa a maior parte da informação que chega aos meus olhos, ouvidos e mente. As vantagens de ter acesso rápido a quantidades inacreditavelmente ricas de informação são muitas, e elas têm sido extensivamente descritas e justamente aplaudidas. Mas isso tem seu preço. Como disse o teórico da comunicação Marshall McLuhan nos anos 1960, a mídia não é apenas um canal passivo para o tráfego de informação. Ela fornece a matéria, mas também molda o processo de pensamento. E o que a internet parece fazer é pulverizar minha capacidade de concentração e contemplação. Minha mente agora espera absorver informação do modo como a internet as distribui: num fluxo veloz e intermitente de partículas. Antes eu era um mergulhador num mar de palavras. Agora eu deslizo pela superfície.

Não sou o único. Quando menciono meu problema com a leitura a amigos e conhecidos – tipos literários, em sua maioria – muitos dizem ter experiências similares. Quanto mais eles usam a web, mais precisam lutar para permanecerem concentrados em longos textos. Alguns dos blogueiros que acompanho também começaram a mencionar o fenômeno. Scott Karp, que escreve um blog sobre mídia online, confessou recentemente ter parado completamente de ler livros: “Eu era um graduando em literatura na faculdade e costumava ser um leitor voraz. O que houve?”. E especula em sua resposta: “E se eu leio exclusivamente na web não apenas porque o modo como eu leio mudou, isto é, estou apenas buscando conveniência, mas porque o modo como eu penso mudou?”.

Bruce Friedman, que escreve regularmente sobre o uso de computadores na medicina, também descreveu como o uso da internet alterou seus hábitos mentais. “Eu agora praticamente perdi toda a habilidade para ler e absorver um artigo mais extenso na web ou na mídia impressa”, confessou. Patologista e professor há algum tempo na Escola de Medicina da Universidade de Michigam, Friedman elaborou melhor suas impressões sobre o assunto numa conversa comigo por telefone. “Não consigo mais ler Guerra e Paz”, ele admite. “Perdi a capacidade de fazer isso. Mesmo posts de blogs com mais de três ou quatro parágrafos são demais para absorver. Eu apenas passo os olhos”.

Continuamos esperando pelos experimentos psicológicos e neurológicos de longa duração que irão desenhar o quadro definitivo sobre o modo como a internet afeta a cognição. Contudo, um recente estudo sobre hábitos de pesquisa online, conduzido por pesquisadores da University College London, sugere que podemos estar no meio de uma mudança radical no modo como lemos e pensamos. Parte do estudo, que durou 5 anos, consistia na análise de arquivos de acesso que documentavam o comportamento dos visitantes de dois sites populares de pesquisa, um operado pela Biblioteca Britânica e outro pelo Consórcio Britânico de Educação. Esses sites permitem acesso a artigos de jornais, e-books, e outras fontes de informação escrita. Os pesquisadores descobriram que os usuários dos sites apresentaram “uma forma de atividade mental associada à identificação rápida, na leitura, das ideias principais de um texto (em inglês, skimming)”, saltando de uma fonte a outra e raramente retornando a fontes já visitadas. Eles tipicamente não leem mais do que uma ou duas páginas de um artigo ou livro antes de pular para outro. Algumas vezes eles salvam algum artigo, mas não há nenhuma evidência de que realmente leem posteriormente o que salvaram.

Os autores afirmam: Está claro que os usuários não estão lendo online no sentido tradicional; de fato há sinais de que um modo novo de leitura está aparecendo na medida em que os usuários navegam horizontalmente através de títulos, conteúdos de páginas e resumos buscando resultados rápidos. Parece até que eles procuram a informação online para evitar ler no sentido tradicional. Graças à ubiquidade do texto na internet – sem falar na popularidade das mensagens de texto nos telefones celulares – é realmente possível que estejamos lendo muito mais hoje do que nas décadas de 1960 e 1970, quando a televisão era o meio da moda. Mas é um tipo diferente de leitura, e por trás dele está um tipo diferente de pensamento – talvez até mesmo um novo senso de si mesmo.

“Nós não somos apenas o que lemos”, diz Maryanne Wolf, psicóloga da Universidade de Tufts. “Nós somos como lemos”. Wolf acredita que o estilo de leitura promovido pela internet, um estilo que coloca a eficiência e a imediatidade acima de qualquer outra coisa, pode estar diminuindo nossa capacidade de leitura profunda que emergiu quando uma antiga tecnologia, a prensa, tornou os longos e complexos romances algo comum. Quando lemos online, ela afirma, tendemos a nos tornar “decodificadores de informação”. Nossa habilidade para interpretar textos, para fazer as ricas conexões mentais que se formam quando lemos em profundidade e sem distrações, fica desligada.

Ler, explica Wolf, não é uma habilidade instintiva para os seres humanos. Não está impressa em nossos genes do mesmo modo que falar está. Somos obrigados a ensinar nossa mente a traduzir os caracteres simbólicos que vemos na linguagem que compreendemos. E a mídia e outras tecnologias que usamos no processo de aprendizado da arte de ler têm um papel importante na formação dos circuitos neurais em nosso cérebro. Experimentos demonstram que leitores de ideogramas, tais como os chineses, desenvolvem um circuito mental para leitura que é diferente do circuito encontrado naqueles, como nós, em que a linguagem escrita é alfabética. As variações se estendem por várias regiões do cérebro, incluindo aquelas funções cognitivas altamente importantes como a memória e a interpretação de estímulos visuais e sonoros. Nós podemos esperar, do mesmo modo, que os circuitos tecidos pelo uso da internet serão diferentes da trama costurada pela leitura de livros e outros tipos de mídia impressa.

Em algum momento de 1882, Nietzsche comprou uma máquina de escrever. Sua visão estava falhando e manter o foco na página havia se tornado um esforço doloroso e exaustivo, provocando fortes dores de cabeça. Ele foi forçado a limitar sua escrita e temia logo ser obrigado a desistir de escrever por completo. A máquina datilográfica o salvou, pelo menos por um tempo. Uma vez tendo dominado a habilidade de datilografar, ele conseguia escrever com os olhos fechados, usando apenas as pontas dos dedos. As palavras podiam mais uma vez fluir da sua mente para a página em branco. Mas a máquina teve um efeito bastante sutil no seu trabalho. Um dos amigos de Nietzsche notou a mudança de estilo na sua escrita. Sua prosa, já muito concisa, tornou-se telegráfica. “Talvez você, através deste instrumento, acabe criando um novo idioma”, escreveu o amigo numa carta. “Você está certo”, respondeu Nietzsche, “o equipamento para a escrita participa da formação dos nossos pensamentos”.

O cérebro humano é quase infinitamente maleável. Pensava-se que nossa malha mental, as densas conexões formadas pelos 100 bilhões de neurônios dentro dos nossos crânios, estava quase completamente formada quando atingíamos a idade adulta. Mas pesquisas descobriram que não é bem assim. James Olds, professor de neurociência e diretor do Instituto Krasnow para Estudos Avançados, afirma que até a mente adulta ainda é “muito plástica”. Células nervosas rotineiramente quebram velhas conexões e formam novas. “O cérebro”, de acordo com Olds, “possui a habilidade de se reprogramar, alterando o modo como geralmente funciona”. Quando usamos o que o sociólogo Daniel Bell chama de “tecnologias intelectuais” – as ferramentas que estendem nossas capacidades mentais – nós inevitavelmente começamos a assimilar as qualidades destas tecnologias.

O relógio mecânico, que teve seu uso popularizado no século 14, serve como exemplo particularmente convincente. Em Technics and Civilization, o historiador e crítico cultural Lewis Mumford descreve como o relógio “desassociou o tempo dos eventos humanos, ajudando a gerar a crença num mundo independente de sequências matematicamente mensuráveis”. A “estrutura abstrata do tempo dividido” tornou-se “a referência tanto para as ações quanto para o pensamento”. O tique-taque metódico do relógio ajudou no nascimento da mente científica e do homem científico. Mas também levou algo embora. Como observou o cientista da computação do MIT Joseph Weizenbaum em seu livro de 1976, Computer Power and Humam Reason: From Judgment to Calculation, o conceito de mundo que emergiu do uso disseminado do instrumento de medição do tempo “permanece uma versão empobrecida do antigo conceito de mundo, pois ele se baseia na rejeição daquelas experiências diretas que formavam a base e, na verdade, constituíam a antiga realidade”. Ao decidirmos quando comer, trabalhar, dormir, acordar, nós paramos de ouvir nossos sentidos e passamos a obedecer ao relógio.

O processo de adaptação a novas tecnologias reflete-se nas metáforas que usamos para nos compreendermos. Quando o relógio mecânico apareceu, as pessoas começaram a imaginar que seus cérebros operavam “como relógios”. Hoje, na era do software, nós imaginamos que eles operam “como computadores”. Mas as mudanças, diz-nos a neurociência, vão bem mais fundo do que a metáfora sugere. Graças à plasticidade do nosso cérebro, a adaptação se estende ao nível biológico. A internet promete um impacto de longo alcance na cognição. Num artigo publicado em 1936, o matemático britânico Alan Turing provou que um computador digital, naquele tempo apenas uma hipótese, poderia ser programado para cumprir a função de qualquer outro aparelho de processamento informacional. E é isso que vemos hoje. A internet, uma espécie de imensamente poderoso sistema computacional, está subsumindo a maioria das outras tecnologias intelectuais. Está se tornando nosso mapa e nosso relógio, nosso jornal e nossa máquina de escrever, nossa calculadora e nosso telefone, nosso rádio e nossa TV.

Quando a internet absorve uma mídia, essa mídia é recriada à imagem da internet. Ela contamina o conteúdo do meio com hiperlinks, anúncios, e outras bugigangas digitais; e encapsula o conteúdo com o conteúdo de todas as outras mídias já absorvidas. Um novo e-mail, por exemplo, pode anunciar sua chegada enquanto passamos os olhos pelas últimas manchetes num site de notícias. O resultado é a pulverização da atenção e a difusão da concentração. A influência da internet não acaba nas bordas do monitor, ademais. À medida que a mente das pessoas vai se ajeitando ao estofo maluco da internet, a mídia tradicional vai sendo obrigada a se adaptar às novas expectativas da audiência. Programas de televisão passaram a usar legendas e anúncios pop-ups; revistas e jornais diminuíram o tamanho das suas reportagens, introduziram boxes explicativos e lotaram suas páginas com infográficos didáticos.

Quando o New York Times decidiu reservar duas páginas de cada edição diária a resumos de artigos e reportagens, seu diretor gráfico, Tom Bodkin, justificou a opção explicando que estes “atalhos” iriam proporcionar aos leitores mais apressados um rápido “gostinho” das notícias do dia, poupando-os de realmente virar as páginas do jornal para ler os artigos. A velha mídia tem pouca opção a não ser jogar pelas regras da nova. Nunca os sistemas de comunicação cumpriram tantos papéis em nossas vidas – ou exerceram influência tão marcante em nossos pensamentos. Contudo, apesar do quanto se escreve sobre a internet atualmente, há pouca consideração sobre como, exatamente, ela está nos reprogramando. A ética intelectual da internet permanece obscura.

A internet é uma máquina desenhada para coletar, transmitir e manipular informação com o máximo de eficiência possível; e sua legião de programadores está empenhada em encontrar “o melhor método” – o algoritmo perfeito – para dar conta de cada movimento mental envolvido no que costumamos chamar “trabalho intelectual”. O quartel general do Google em Montain View, California, é a catedral da internet, e a religião praticada dentro de seus muros é o taylorismo. O Google, afirma seu presidente, Eric Schmidt, é “uma companhia fundada sobre a ciência da mensuração”, e luta para “sistematizar tudo”.

Baseado nos terabytes de informações comportamentais que coleta através de seu motor de busca e outros sites, a empresa realiza centenas de experimentos por dia, de acordo com a Harvard Business Review, e aplica os resultados no refinamento dos algoritmos que cada vez mais controlam como as pessoas encontram informação e as interpretam. A empresa declarou que sua missão é “organizar toda a informação do mundo e torná-la universalmente acessível e útil”. Quer desenvolver “o motor de busca perfeito”, que ela define como algo que “compreenda exatamente o que você quer dizer e te devolve exatamente o que você quer”. Na visão do Google, informação é um tipo de commodity, um recurso utilitário que pode ser minerado e processado com eficiência industrial. Quanto mais informação “acessamos” e mais rápido extraímos o que há de importante nela, mais produtivos nos tornamos enquanto pensadores.

Onde isso vai parar? Sergey Brin e Larry Page falam do desejo de transformar seu motor de busca num tipo de inteligência artificial que poderia conectar-se diretamente aos nossos cérebros. “O motor de busca perfeito deverá ser tão esperto quando as pessoas – ou mais”, afirmou Page numa conferência há alguns anos. “Para nós, trabalhar com buscas é um modo de trabalhar com inteligência artificial”. Numa entrevista à revista Newsweek, Brin disse: “Certamente, se você tiver toda a informação do mundo ligada diretamente no seu cérebro, você estará em vantagem”. Ano passado, Page disse a um grupo de cientistas que o Google está “tentando construir uma inteligência artificial”.

Tal ambição é natural, até mesmo admirável para um par de gênios matemáticos com muita grana e um pequeno exército de cientistas da computação. Um empreendimento fundamentalmente científico, o Google é motivado pelo desejo de usar a tecnologia, nas palavras de Eric Schmidt, “para resolver problemas que ninguém resolveu ainda”, e a inteligência artificial é o mais difícil deles. Porque Brin e Page não iriam querer resolvê-lo? Contudo, a pressuposição fácil de que estaríamos todos “melhores” se nossos cérebros fossem suplementados ou mesmo substituídos por uma inteligência artificial é preocupante. A ideia parece sugerir que a inteligência é o resultado de um processo mecânico, de uma série discreta de etapas que podem ser isoladas, medidas e otimizadas. No mundo do Google, há pouco espaço para a incompletude da contemplação. A ambiguidade não é vista como uma abertura para a criatividade, para o insight, mas um bug a ser corrigido. O cérebro humano é apenas um computador ultrapassado que precisa de um processador mais rápido e de um HD maior.

A ideia de que nossas mentes deveriam operar como máquinas de processamento de alta velocidade não está implicada apenas nas fundações da internet; ela é, na verdade, o modelo de negócios reinante na rede. Quando mais rápido surfamos na web – mais links seguimos, mais páginas vemos – mais oportunidades a Google e outras companhias têm de coletar informação sobre nós e nos enviar propaganda. A maior parte dos proprietários da internet comercial está financeiramente engajada na coleta de pedaços de informação que deixamos para trás ao saltar de um link para outro. A última coisa que estas companhias querem é encorajar a leitura prazerosa ou o pensamento concentrado e lento. Está em seu interesse econômico nos levar constantemente à distração.

Talvez eu seja apenas um paranoico. Do mesmo modo que há uma tendência à glorificação da tecnologia, há a tendência inversa de se esperar o pior de cada nova ferramenta ou máquina. No diálogo platônico Fedro, Sócrates reclama com tristeza do desenvolvimento da escrita. Ele temia que, a medida que as pessoas confiassem na linguagem escrita como um substituto para o saber que elas costumavam carregar na cabeça, elas iriam, nas palavras de uma das personagens do diálogo, “deixar de exercitar a memória e se tornar esquecidas”. E porque elas seriam capazes de “receber uma maior quantidade de informação sem a devida instrução”, elas iriam “se considerar muito sábias quando na verdade seriam, em grande parte, ignorantes”. Elas iriam estar “repletas do conceito de sabedoria ao invés de serem realmente sábias”. Sócrates não estava errado – a nova tecnologia teve, em grande parte, o efeito que ele temia – mas não viu longe o suficiente. Não percebeu que, de formas diversas, a escrita e a leitura iriam servir para disseminar informação, gerar novas ideias e expandir o conhecimento humano.

O aparecimento da imprensa, no século 15, disparou outra rodada de ranger de dentes. O humanista italiano Hieronimo Squarciafico defendia que a disponibilidade de livros levaria à preguiça intelectual, tornando os homens “menos estudiosos” e enfraquecendo suas mentes. Outros argumentavam que livros mais baratos e panfletos poderiam corroer a autoridade religiosa, tornar menos importante o trabalho de acadêmicos e escribas, além de espalhar a sedição e a concupiscência. Como afirma o professor da Universidade de Nova York, ClayShirky, “a maioria dos argumentos contra a invenção da imprensa estavam corretos, alguns eram até prescientes”. Porém, novamente, os apocalípticos não conseguiram imaginar a miríade de bençãos que a palavra impressa iria possibilitar.

Portanto, sim, você deveria ser cético quanto ao meu ceticismo. Talvez aqueles que descartam as críticas à internet classificando-as como nostálgicas e retrógradas estejam corretos e das nossas mentes hiperativas e abarrotadas de informação nasça uma era de ouro de descobertas intelectuais e verdades universais. Entretanto, a internet não é o alfabeto, e mesmo que ela substitua a mídia impressa, colocará algo diferente no lugar. O tipo de leitura profunda, dedicada, que uma sequência de páginas impressas promove possui valor não apenas pelo conhecimento que adquirimos das palavras do autor, mas também pelas vibrações intelectuais que tais palavras provocam em nossas mentes. Nos espaços tranquilos que se abrem através da leitura concentrada e sem distrações de um livro, ou por qualquer outro ato de contemplação, nós operamos nossas associações, produzimos nossas analogias e inferências, cultivamos nossas ideias. Ler profundamente, argumenta Maryanne Wolf, é indistinguível de pensar profundamente.

Se nós perdermos estes espaços de tranquilidade, ou preenchê-los com “conteúdos”, sacrificaremos algo importante não apenas em nós mesmos, mas em nossa cultura. Num recente ensaio, o dramaturgo Richard Foreman descreveu com eloquência o que está em jogo: “Eu venho de uma tradição da cultura ocidental na qual o ideal (meu ideal) era o de uma densa, complexa, altamente educada e articulada personalidade – um homem ou mulher que carregasse em si mesmo uma versão pessoal e única de toda a herança ocidental. Mas agora eu vejo em nós todos (eu incluso) a substituição de uma complexa densidade interior por um novo tipo de Eu (Self) – evoluindo sob a pressão do excesso de informação e da tecnologia do instantaneamente disponível”. A medida em que somos drenados do nosso “repertório interior da densa herança cultural”, conclui Foreman, nos arriscamos a nos tornarmos “pessoas pó-de-arroz” – espalhadas e superficiais a medida em que nos conectamos à vasta rede de informação acessível.

Bilionário russo promete possibilitar a imortalidade humana até 2045

Segura firme: faltam só 32 anos para você poder se tornar imortal! Pelo menos é isso o que propõe o projeto 2045 Initiative, patrocinado pelo bilionário russo Dmitry Itskov. A ideia é muito mais séria do que pode parecer à primeira vista, tanto que o magnata já tem uma equipe inteira de profissionais trabalhando no desenvolvimento de unidades holográficas funcionais com capacidade de carregar um cérebro artificial humano. Agora ele está tentando reunir mais bilionários ao redor do mundo interessados em colaborar financeiramente. A lista de metas e prazos estipulados é um tanto ambiciosa:

Até 2020: criar um avatar para o qual um cérebro humano possa ser transplantado.

Até 2025: transplantar o cérebro de uma pessoa no final da vida para o avatar.

Até 2030: criar um cérebro artificial.

Até 2035: transplantar o cérebro artificial para o avatar.

Até 2040: criar um corpo holográfico.

Até 2045: transplantar o cérebro artificial humano para o avatar holográfico.

Cinco falhas psicológicas comuns e cinco estranhos sintomas de doenças mentais

Cinco falhas psicológicas comuns

1. Pareidolia: Sabe quando alguém cisma que está vendo a imagem de um santo em uma mancha na janela ou quando você distingue o formato de animais em nuvens? Esse fenômeno se chama pareidolia e acontece quando interpretamos um estímulo totalmente vago (uma imagem, som ou outros tipos de sinais) como algo cheio de significado. Tudo por causa da mania do cérebro em procurar padrões em tudo. O teste de Rorschach – aquele das pranchas com manchas de tinta em que você tem de dizer o que está vendo – foi criado para explorar a pareidolia e sua possibilidade de revelar o que há na mente.

2. Falácia do jogador: A “falácia do jogador” ou “falácia de Gambler” é a tendência a achar que eventos relacionados a probabilidades podem ser influenciados por eventos aleatórios anteriores. Para entender: você joga uma moeda 3 vezes e em todas elas dá coroa. Em que apostaria na quarta vez? A tendência é acharmos que, se já saiu coroa 3 vezes, a próxima deverá ser cara. Mas a probabilidade, é claro, continua sendo a mesma: há 50% de chance de sair cara e 50% de sair coroa, não importa quantas vezes tenha saído cada um dos lados. Pode parecer óbvio, mas esse erro de pensamento é responsável por fazer com que muita gente perca dinheiro em jogos de azar.

3. Ilusão do controle: Você sabe por que as pessoas que estão jogando dados em um cassino costumam soprá-los ou agitá-los bem antes de lançá-los à mesa? Tudo culpa da chamada ilusão do controle. Trata-se da tendência de acreditar que podemos controlar ou, pelo menos, influenciar acontecimentos sobre os quais não temos nenhum controle. Quando acertam o resultado do lançamento de um dado, por exemplo, a pessoa interpreta isso como a confirmação de que tem algum controle sobre o evento, sem considerar que havia, de fato, 1/6 de chance de acertar. Essa falha cognitiva está ligada à superstição e é responsável por fazer as pessoas repetirem certos rituais, como soprar os dados, usar um “anel da sorte” ou coisa do tipo, achando que poderá influenciar o futuro.

4. Desconto hiperbólico ou gratificação instantânea: O que você prefere: ganhar R$ 500 hoje ou R$ 1.000 daqui a seis meses? A maioria das pessoas age como uma criança nessa hora e preferiria garantir os R$ 500 na hora a esperar seis meses, mesmo que seja para receber uma quantia duas vezes maior. O viés do desconto hiperbólico ou gratificação instantânea faz com que sempre prefiramos benefícios imediatos a gratificações posteriores, mesmo que isso envolva perdas. É o que ocorre com quem prefere comprar algo a prazo em vez de poupar e esperar um pouco para pagar à vista, ainda que os juros a serem pagos quase dobrem o valor da mercadoria.

5. Efeito placebo: Esse é famoso. Ocorre quando uma substância sem nenhuma propriedade medicinal é dada a um doente com a promessa de que irá curá-lo e acaba realmente melhorando os seus sintomas. Esse fenômeno é tão forte que chegam a ocorrer alterações fisiológicas na pessoa – mas, diferente de um tratamento de verdade, os efeitos são passageiros. Por isso, o efeito placebo é usado em testes para determinar se determinados medicamentos funcionam ou não. Saiba mais nos vídeos abaixo:


Cinco estranhos sintomas de doenças mentais

1. Vontade de comer o que não é comestível: Tecnicamente, alotriofagia. O nome é difícil, mas a denominação popular da alotriofagia é ainda mais estranha: síndrome de pica. Trata-se de uma referência a um pássaro comum na Europa, o pica pica, que tem por hábito encher a pança com quase tudo que encontra pela frente. O bicho come não apenas insetos mas também pedrinhas, galhos e qualquer outra coisa que lhe passe goela abaixo. E é exatamente isso o que acontece com uma pessoa acometida por essa síndrome. Quem sofre desse mal desenvolve apetite compulsivo por alguma coisa específica que, além de não comestível, pode fazer um belo estrago no organismo.

As mais comuns são terra, giz, carvão e gelo. Mas há relatos de pacientes que preferem piolas de cigarro, cola, objetos metálicos ou de madeira, tinta, sabão e até fezes. Sabe-se que a alotriofagia pode atingir pessoas de todas as idades e sexos, embora seja mais comum em crianças e mulheres grávidas – principalmente se estiverem subnutridas. Essa constatação leva alguns pesquisadores a acreditar que uma das causas da síndrome possa ser a carência de determinados nutrientes. Não há, porém, qualquer comprovação científica dessa tese. No meio acadêmico, inexiste uma explicação consensual sobre a causa do transtorno. Muitos pacientes de alotriofagia têm histórico de outros problemas neurológicos – o que é preocupante, porque essa condição pode levá-los a comer objetos cortantes ou perfurantes, como pregos e agulhas. Ainda que certas substâncias ingeridas não representem risco imediato de morte, outros riscos estão associados, como obstrução intestinal, intoxicação e contaminação parasitária.

2. Sotaque estrangeiro: Acredite: tem gente que, de uma hora para outra, começa a falar com sotaque estrangeiro. Não pense que é brincadeira, nem que seja o efeito de uma longa viagem ao exterior. Do nada, o sujeito sai falando como se fosse espanhol, alemão, francês, americano, japonês… Mesmo que jamais tenha pisado em nenhum desses países. O fenômeno é raríssimo. Um dos casos mais famosos foi registrado na Europa durante a 2ª Guerra Mundial. Em 1941, uma jovem norueguesa sobreviveu a um ataque desferido pela Luftwaffe, a temida força aérea de Hitler. Ao recobrar a consciência, no entanto, ela estava pronunciando as palavras de uma maneira estranha. E adivinhe: seu sotaque era justamente alemão. A pobre moça acabaria hostilizada por seus conterrâneos – além de ferida no bombardeio, ficaria com fama de vira-casaca.

Não há estudos conclusivos sobre a origem da síndrome. Mas os casos identificados desde 1907, quando o distúrbio foi descrito pela primeira vez, demonstram que ele costuma se manifestar em vítimas de derrames cerebrais. Estariam no grupo de risco também aqueles que sofrem acidentes – como nossa amiga norueguesa – e têm afetadas pequenas partes do cérebro responsáveis pela percepção e pela articulação da fala. O aparente sotaque (na verdade, uma dificuldade para pronunciar certos fonemas) é incontrolável. E pior: alguns nem percebem que estão falando diferente. Só notam quando ouvem a própria voz numa gravação. Segundo Jack Ryalls, especialista em desordens da comunicação e professor da University of Central Florida, nos EUA, o sintoma desaparece sozinho em um terço dos casos. “Mas ainda não sabemos por que apenas alguns portadores da síndrome se recuperam espontaneamente”, conclui.

3. Síndrome da mão alienígena: Dá para imaginar quantas situações constrangedoras – ou até perigosas – alguém encararia se, de repente, perdesse o controle sobre uma das mãos. Já pensou se ela resolvesse desrespeitar a namorada de um lutador de jiu-jítsu? Parece piada de mau gosto, mas pode acontecer de verdade com pessoas que sofrem de um distúrbio neurológico conhecido como “síndrome da mão alienígena”. O problema é conhecido desde 1908. Não se trata de loucura, apenas do resultado de uma falha do cérebro que, aparentemente, pode ser provocada por derrames, tumores cerebrais ou pancadas muito fortes na cabeça. “Os pacientes frequentemente relatam que uma das mãos (o mais comum é que seja a esquerda) começa a se comportar como se tivesse vontade própria, agindo de maneira surpreendente e muitas vezes indesejada”, afirma o neurologista italiano Sergio della Salla, professor de neurociência da Universidade de Edimburgo, na Escócia. “São movimentos complexos, dirigidos a um determinado objetivo e executados com precisão, ainda que claramente não intencionados”. Em casos graves, diz Della Salla, o paciente pode até tentar se autoestrangular enquanto dorme.

Embora identificada há mais de um século, pouca coisa se descobriu sobre a síndrome até agora. Uma das explicações para o distúrbio pode estar relacionada à independência dos hemisférios cerebrais (o esquerdo controla o lado direito do corpo, e vice-versa). Os defensores dessa tese costumam citar testes feitos na década de 1990 na Universidade da Califórnia, nos quais portadores do distúrbio tiveram os olhos vendados e seguraram objetos facilmente identificáveis pelo tato em cada mão. Com a direita, não encontraram dificuldade para reconhecê-los. Já com a esquerda, o resultado foi oposto – presumivelmente porque o hemisfério direito não conseguiu transmitir a informação para o esquerdo. Essa falha de comunicação estaria na origem da síndrome. A mão alienígena não tem cura. Mas alguns dos poucos pacientes conhecidos apresentam melhora espontânea – como se o cérebro, subitamente, aprendesse a compensar a disfunção.

4. Acreditar que está morto: Gente supostamente capaz de conversar com os mortos é algo relativamente comum. Difícil é encontrar alguém que, vivinho da silva e olhando nos seus olhos, jure que está morto. Essa situação absolutamente surreal pode acontecer. Basta que você se depare com uma pessoa que sofra do chamado delírio de Cotard. Vítimas desse distúrbio nem sempre acreditam apenas que já morreram. Algumas afirmam que não têm mais sangue correndo nas veias. Outras, que perderam algum órgão. E há também as que pensam estar em decomposição. Nos casos extremos, o paciente passa a dizer que virou imortal – pois tem certeza de que morreu, mas continua circulando por aí. Os delírios seriam cômicos se não fossem trágicos. Entre os que sofrem dos graus mais severos da síndrome, não são raros casos de suicídio.

Um dos registros mais curiosos de que se tem notícia ocorreu com um paciente que, após ter alta de um hospital na Escócia, foi levado para a África do Sul. Chegando lá, convenceu-se de que acabara de desembarcar no inferno. A síndrome de Cotard – assim batizada por ter sido descrita, em 1880, pelo neurologista francês Jules Cotard – é um mistério que já dura 130 anos. Suas causas continuam obscuras, apesar do grande avanço conquistado pela neurociência nas últimas décadas. Para alguns cientistas, a origem dos delírios pode estar relacionada a um corte na conexão entre as regiões cerebrais responsáveis pelo reconhecimento facial e aquelas que associam emoções ao semblante humano. Outros acreditam que exista uma ligação entre a doença e outra síndrome de natureza neurológica: a de Capgras, que veremos mais adiante. De fato, existe na literatura médica um caso de paciente que sofreu das duas disfunções simultaneamente. Mas um só registro não pode ser usado como prova científica – até porque vários pacientes trazem consigo um histórico de esquizofrenia e distúrbio bipolar.

5. Síndrome de Capgras: Tão estranha quanto o delírio de Cotard é a síndrome de Capgras. Seu sintoma mais típico renderia um bom filme de ficção científica: o paciente acredita que alguém bem próximo a ele – pais, cônjuge, filho – foi substituído por um clone. Isso quer dizer que o doente reconhece as características físicas da pessoa, mas não tem dúvida de que se trata de um impostor. A origem do distúrbio parece ser a mesma da que se especula para Cotard: perda de conexão entre a área do cérebro responsável pelo reconhecimento facial e aquela que armazena informações emocionais sobre a pessoa que o paciente julga ter sido clonada. Em 1984, um estudo publicado pelo psicólogo Russell Bauer reforçou essa hipótese ao mostrar que, quando viam o suposto clone, portadores da síndrome apresentavam respostas galvânicas (sinais elétricos mensuráveis na pele), indicando um reconhecimento emocional, mas não consciente.

Em compensação, outro estudo, feito em 1990 pelo psicólogo Hadyn Ellis, demonstrou o oposto: pacientes reconheciam conscientemente o alegado impostor, mas não apresentavam reação emocional. Para complicar ainda mais a situação dos cientistas, algumas vítimas de Capgras reconhecem o suposto clone quando conversam com ele sem estabelecer contato visual – por telefone, por exemplo -, o que demonstra que o problema, aparentemente, é com a imagem. Mas como explicar os casos de indivíduos cegos que também sofrem do distúrbio? Ninguém tem a resposta. Descrita em 1923 pelo psiquiatra francês Joseph Capgras, a síndrome – assim como o delírio de Cotard – é mais comum em pacientes com diagnóstico de esquizofrenia ou dano cerebral. A literatura médica aponta para um número maior de casos entre os que já passaram dos 40 anos, principalmente mulheres. O “impostor” mais frequente é o marido – e, como se pode facilmente imaginar, a convivência do casal fica muito complicada.

Fonte: Superinteressante.

Ilusão de ótica – falso movimento

Não dá pra acreditar 100% no nosso cérebro. Ilusões de ótica como as listadas abaixo “enganam” o sistema visual humano fazendo-nos ver o que não está presente na imagem ou fazendo-nos vê-la de um modo errôneo. Elas são criadas pela forma como o olho forma imagens e percebe cores, mas também se devem a “tilts” do cérebro. Algumas são de carácter fisiológico, outras de carácter cognitivo. Há ainda as brincadeiras geométricas e os truques de perspectiva que enganam nossos olhos e a nossa mente. Mas neste post selecionei apenas as ilusões de falso movimento.

NOTA: Embora não pareça, todas as imagens deste post são estáticas.

DDjOo

Com o molhar fixo no ponto ao cento da imagem, mova sua cabeça para frente e para trás, aproximando e afastando a vista da tela.
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