Compre experiências e não coisas

capa-epoca-867Investir em viagens, jantares e aventuras – em vez de produtos – pode levar a uma vida mais feliz. É o que sugere a reportagem a seguir, publicada originalmente na revista Época.


Carro com cheiro de novo, sapatos e roupas da última coleção ou a caríssima luminária criada por seu designer preferido. Comprar o que desejamos é um dos caminhos mais fáceis – e talvez mais enganosos – para a felicidade. Por isso o mundo em que vivemos é muitas vezes descrito como sociedade do consumo. Todos o praticam desenfreadamente. Comprar um objeto, um doce ou um livro ativa em nosso cérebro mecanismos químicos de recompensa. Dá prazer. O problema é que a felicidade do consumo se dissipa rapidamente. Muitas vezes, antes mesmo da chegada da fatura do cartão. A tendência é que busquemos repor o prazer da compra com outra compra, num mecanismo similar ao do vício. Há, no entanto, uma solução simples para usufruir o prazer e evitar os problemas da dependência: consumir menos – e melhor. Consumir de modo que a sensação de prazer perdure e até mesmo se renove com o passar do tempo. Ou, em outras palavras, consumir experiências, em vez de coisas.

A ciência está do lado de quem compra para viver – e não de quem vive para comprar. De acordo com pesquisas feitas nos últimos anos, investir em experiências aumenta substancialmente as chances de ter uma vida mais feliz, mais plena de sentido e significado. Uma dessas pesquisas foi divulgada recentemente pela Universidade de Cornell, nos EUA. Liderado pelo pesquisador americano Thomas Gilovich, o estudo intitulado Uma vida maravilhosa: o consumo experimental e a busca pela felicidade mediu, durante três anos, a forma como consumidores se sentiram em relação a suas compras, em intervalos de tempo distintos. Mais de 2 mil pessoas, dos 21 aos 69 anos, participaram da pesquisa. Gilovich é um dos maiores especialistas do mundo em comportamento dos consumidores. Desde o início dos anos 1990, ele estuda como as pessoas empregam seu dinheiro – e o efeito dessas opções. No estudo mais recente, sua principal conclusão é que o gasto com experiências como jantares, viagens, passeios e espetáculos causa uma sensação de felicidade mais intensa e duradoura do que compras de produtos – por mais grandiosos e antecipados que eles sejam. “As experiências, ao contrário dos produtos, seguem em nossa memória e são revividas sempre que compartilhadas, expandindo nossa percepção de prazer e a de pessoas com quem as dividimos”, disse Gilovitch à revista Época. Num mundo em que nunca houve tanta oportunidade de compartilhar, apostar em experiências pode ser um jeito divertido de distribuir bem-estar – e recolher um pouco de felicidade.

O microempresário paulista Carlos Carnellas está aí para comprovar o trabalho de cientistas como Gilovitch. Aos 34 anos, sofreu um acidente grave no trabalho. Quebrou o braço em três lugares. “Estava internado quando decidi que queria investir numa grande experiência”, conta ele. Resolveu subir o Everest – logo ele, que nunca havia escalado. Foram dois anos de escaladas na América do Sul e treinos físicos diários antes de sua primeira viagem ao Everest, em 2009. Daquela vez, chegou ao primeiro acampamento, o ponto de parada mais baixo do monte, a 5.400 metros de altitude. Carnellas vendeu um apartamento que tinha em São Paulo para financiar a expedição, que lhe custou US$ 62 mil. “A sensação de realização foi a coisa mais incrível que já vivi”, diz ele. “A noção de fragilidade que a montanha nos impõe é transformadora”. Desde então, Carnellas já participou de duas outras expedições ao Everest. Na segunda, em 2011, alcançou o cume. Cada viagem é precedida de intensa preparação financeira. Dono de uma pequena fábrica de embalagens, ele troca o prazer fugidio – e o conforto – de dirigir carros novos e viver numa casa maior pela promessa de grandes aventuras, grandes lembranças. “Nunca penso no que deixo de ter. A montanha me tornou alguém mais desapegado e feliz. A lembrança de como me senti na primeira vez que a venci ainda me emociona”, diz ele.

E nem é preciso ter dinheiro para escolher experiências em vez de coisas. É possível ter o mesmo tipo de prazer em atividades cotidianas. Isso acontece devido à forma como nossa mente interpreta nossas experiências. Enquanto as coisas que compramos ficam em garagens, armários ou prateleiras, as experiências tornam-se parte do que somos. “É o oposto da noção errada de que produtos duram e vivências são fugazes”, diz Gilovich. “O que experimentamos estará conosco enquanto tivermos memória para resgatá-lo”. É claro que, quanto mais extraordinárias as experiências, quanto maior o investimento de tempo e energia, mais profundamente as impressões serão gravadas na memória. São muitos os mecanismos psicológicos que explicam por que viver algo traz sensações mais intensas do que possuir algo. O primeiro é que somos seres sociais. Conviver e compartilhar experiências são, para nós, fontes comprovadas de prazer. Ao longo das últimas décadas, vários estudos mostraram que pessoas com vida social equilibrada e fortes laços de afeto tendem a sofrer menos com depressão, melancolia e ansiedade. As experiências reforçam os aspectos positivos da nossa psicologia gregária. É mais fácil transformar um jantar ou um passeio numa experiência coletiva do que esperar que as pessoas se deleitem com nossa nova TV ou com aquela batedeira de grife, importada – por mais que às vezes pareça que não.

“Vivências são mais facilmente transformadas em experiências coletivas do que produtos”, afirma Sonja Lyubomirsky, pesquisadora da Universidade da Califórnia que há mais de 20 anos se dedica ao estudo da felicidade. Seu último livro, Os mitos da felicidade (Editora Odisseia), foi lançado em 2014 no Brasil. Ela diz que conversas sobre viagens, filmes ou uma peça de teatro são combustível certo de momentos prazerosos com amigos. Há compras que sugerem experiências, como o sítio onde você pode se reunir com amigos, mas, em geral, esse não é o resultado das compras. Mesmo compras longamente antecipadas, como o carro dos sonhos, não despertam empatia ou interesse nos demais. É um triunfo pessoal, apenas. Falar de conquistas materiais pode até gerar constrangimento. Transmite a impressão de que o interlocutor está diante de um novo-rico exibicionista. E talvez esteja mesmo… As redes sociais e os comunicadores instantâneos não só aumentam as possibilidades de compartilhar experiências como transformam as vivências em ponte para nos aproximar de pessoas com quem, de outra forma, não teríamos contato direto. Ao descobrirmos que amigos fizeram aquela mesma viagem ou provaram da última receita que nos surpreendeu, a relação de afinidade que estabelecemos com eles produz uma gostosa sensação de cumplicidade e pertencimento a um grupo – fonte comprovada de felicidade. Isso não ocorre com a posse de objetos. Pessoas com o mesmo modelo de carro que o nosso ou com o mesmo sapato não têm efeito positivo sobre o nosso bem-estar.

Nossa extraordinária capacidade de adaptação também ajuda a explicar por que o prazer das experiências é mais duradouro que o prazer das compras. As pesquisas mostram que cada ser humano tem um nível próprio de satisfação com a vida, ao qual costuma voltar depois de qualquer impacto, negativo ou positivo. Essa volta ao estado básico (ou adaptação, no dizer dos psicólogos) é essencial quando passamos por traumas, como a morte de alguém querido ou uma doença que nos traga limitações. Alguns estudos acompanharam gente que ficou paraplégica após um acidente. Constatou-se que, depois de um ou dois anos, a maioria voltava ao estado usual de satisfação – ou insatisfação – antes do trauma. A mesma adaptação às circunstâncias ruins se dá com as coisas boas. Pouco depois da euforia de comprar a casa de seus sonhos, é provável que você retorne ao estado de felicidade anterior à compra. O mesmo vale para o sapato, a bolsa, o carro, a promoção no trabalho… Em pouco tempo, viver naquela casa vira rotina, o carro perde o cheiro de novo, a bolsa sai de moda e a responsabilidade extra que chegou com a promoção começa a pesar. Esse mecanismo leva à necessidade de buscar outras compras que reproduzam a sensação de prazer. A isso, Philip Brickman e Donald Campbell, psicólogos da Universidade Yale, chamaram de esteira hedonista (ou esteira dos prazeres, ou esteira adaptativa). É uma referência à imagem dos hamsters na esteira, correndo desesperadamente sem sair do lugar.

A opção pelas experiências, dizem os pesquisadores, ameniza em muito essa armadilha. Mesmo as experiências repetidas ainda são únicas, imunes ao efeito do hábito. Segundo o trabalho de Gilovich, ao contrário do que ocorre com os produtos, a sensação de bem-estar com experiências positivas tende a aumentar com o passar do tempo. A cada lembrança de um episódio feliz, o sentimento é revivido. Até experiências desastrosas, como o carro quebrado no início da viagem ou o vexame de uma bebedeira, podem virar histórias hilárias, depois que o sofrimento for apagado pelo tempo. Em linhas gerais, o prazer de uma compra é intenso no momento em que ela é feita. A partir dali, o objeto tende a se desvalorizar – imediatamente após sair da concessionária com seu carro novo, ele não vale mais aquilo que se pagou. Uma experiência funciona ao contrário. Seu valor pode não apenas ir crescendo com o tempo, mas às vezes tem o poder de modificar outras experiências – e até valores. Tome-se o exemplo do advogado Persio Bider. Ele sonhava em conhecer Israel. Aos 37 anos, finalmente, viajou para lá. Bider se surpreendeu com a comoção que sentiu ao conhecer locais sagrados das religiões judaica e cristã. Diz que sua relação com elas mudou. Agora, se organiza para ir ao Marrocos conhecer lugares sagrados dos muçulmanos. A revisora mineira Regina Pereira teve satisfação similar ao percorrer a trilha que passa pelas cidades citadas nas obras do escritor Guimarães Rosa, de quem é fã desde a adolescência. Passar pelos locais que Rosa descreveu e nos quais se inspirou lhe deu outra compreensão da obra. Ela se sentiu mais próxima do escritor e de seus livros.

A terceira razão para preferir experiências à compra de bens é a comparação. A satisfação de ter um carro bacana pode ser afetada quando nossos amigos ou conhecidos compram modelos mais avançados. Um estudo dos pesquisadores Leonardo Nicolao, da Universidade do Texas, e Joseph Goodman, da Universidade de Washington, em 2009, sugere que experiências são menos passíveis de comparação do que produtos. Por duas razões: experiências distintas têm características peculiares, e o impacto de cada uma depende do repertório de cada pessoa. Como comparar um passeio de balão a um jantar à luz de velas na beira da praia? Ou uma viagem a dois para o interior da Toscana com levar os filhos a esquiar? E mesmo quando a comparação é possível, a sensação de bem-estar não sofre alteração, segundo uma pesquisa de 2003, feita pela equipe de Gilovich. Ao comparar dois tipos de refeição, uma simples e outra mais elaborada, o fato de a segunda ser mais saborosa não influenciou na satisfação que a primeira produziu. O mesmo não ocorreu com o uso de objetos como canetas, canecas e notebooks. A satisfação obtida com o uso das primeiras amostras foi reduzida com o uso de objetos avaliados como mais eficientes ou confortáveis.

Há uma quarta razão para preferir experiências: o arrependimento causado por elas é menor. A compra de objetos causa duas vezes mais arrependimento do que os gastos com eventos. A conclusão é do estudo To do or to have (Fazer ou ter), de Leaf Van Boven, da Universidade do Colorado (EUA), em parceria com Gilovich, que também avaliou a duração da ressaca dos gastos indevidos. O desconforto causado pelo arrependimento de comprar demais perdura por muito mais tempo, e pode ser revivido toda vez que deparamos com o objeto da compra – ou com a fatura do cartão de crédito. O arrependimento produzido por gastos com experiências não só é passageiro, como também é diferente. Os consumidores se arrependeram três vezes mais pelo que deixaram de fazer do que pelo que viveram. Se olharmos para cada real em nossa conta bancária como oportunidade de aumentar nossa felicidade, as experiências parecem, à luz da ciência, um investimento melhor que os objetos. Oferecem prazer mais intenso e duradouro, e causam menos culpa e menos inveja. Qual sua próxima experiência?

Veja também:
Presenteie com experiências, em vez de objetos
“Abrimos mão de objetos para realizar um sonho”
12 dicas para fazer a viagem dos seus sonhos
Quatro maneiras de viajar sem pagar pela acomodação

Depressão pós-intercâmbio e síndrome do regresso: a tristeza e voltar ao Brasil

As dificuldades que o estudante intercambista tem ao voltar do exterior. Como se acostumar de novo com o Brasil? Como lidar com a síndrome do regresso? É o que mostra este artigo do HetCourses.


Já ouviu falar da depressão pós intercâmbio? Ela é real e eu senti na pele. Afinal, foi mais de um ano no exterior. E é difícil entendê-la. Você está voltando pra casa, pra sua família, pro seu país. Como é possível isto ser motivo de depressão? Foi por esta incredibilidade que fiquei tão aliviada ao descobrir que isso é até objeto de estudo. Trata-se da síndrome do regresso. Como publicado na matéria da Folha, o termo foi criado pelo neuropsiquiatra Décio Nakagawa. Na ida, sofremos o que chamam em inglês de homesickness, algo como “saudade de casa”. E na volta, a síndrome do regresso.

No entanto, o surpreendente é o tempo de duração dos dois. O período de adaptação do intercambista no país novo é de até 6 meses; já a readaptação ao país de origem leva até 2 anos! A verdade é que é muito mais fácil se acostumar a um local onde tudo é novo e a rotina é agitada. Onde há lugares e pessoas para conhecer todos os dias, comidas para experimentar. Onde a rotina dos estudos o mantém ocupado. Onde as coisas funcionam de forma diferente (quase sempre melhor) que no Brasil. Enquanto tudo isso acontece com você no exterior, o que você deixou no país ao partir continua o mesmo. Enquanto você cria uma grande bagagem cultural e coleciona experiências, sua família e amigos, mesmo que muito felizes por você, continuam na rotina de sempre. E é muito difícil para os familiares compreenderem a sua infelicidade porque estão felizes com o seu regresso.

Por isso, é muito importante que intercambistas tenham consciência da existência dos estudos sobre a síndrome do regresso, para não se sentirem culpados, e entenderem que o descontentamento que possam vir a sentir é completamente normal. E passa. Comigo, bastou manter-me ocupada, conquistando um novo emprego, saindo com os amigos, estudando… Mas é preciso que haja paciência dos dois lados. De quem está voltando, para dar-se o tempo de readaptação, encontrando uma maneira de sentir-se em casa de novo, e dos familiares e amigos, para escutar sobre todas as suas experiências, histórias, comparações sem fim entre os países; para reinseri-lo na rotina, na vida da casa, nos passeios; e para, acima de tudo, entender que isso passa e que a sua tristeza não é culpa deles. Meus pais chegaram a acreditar que eu não seria mais feliz no Brasil. Pra dizer a verdade, até eu cheguei a acreditar nisso. Mas depois de ler sobre a síndrome do regresso, nós – meus pais e eu – nos aquietamos e entendemos que era uma fase. E a fase, como todas as outras, passou. Amo os Estados Unidos como minha segunda casa. Mas, como já dizia Dorothy de O Mágico de Oz, “there’s no place like home”.

O efeito de elogios nas crianças

Artigo de Adonai Santanna, professor de matemática da UFPR.

children

De acordo com a teoria da habilidade incremental, inteligência é algo que pode ser desenvolvido. Não se trata de uma característica inerente e imutável com a qual uma pessoa está destinada a viver para sempre. No entanto, o leitor deve ter muito cuidado com esta visão. Em momento algum se afirma que uma pessoa de inteligência normal possa se tornar um gênio ou um superdotado. Apenas se afirma que inteligência pode ser melhorada com estímulos adequados. E um dos possíveis estímulos é o elogio. Mas como deve ser o elogio, quando se trata de crianças?

Um elogio como “Nossa, como você é inteligente!” é extremamente inadequado. Isso porque a criança pode se sentir inútil e indefesa diante de uma futura tarefa difícil. E a tendência é ela desistir da busca por soluções para problemas mais complexos, justamente porque não quer mais errar. Esta tendência foi claramente identificada pelos pesquisadores do artigo acima citado, com efeitos muito negativos a curto e médio prazo. No entanto, um elogio da forma “Gostei da maneira como você resolveu este problema” ou “Gostei de ver seu empenho” é um estímulo à motivação.

Esta atitude é a mais recomendável para crianças entre um e três anos de idade, apresentando reflexos positivos até cinco anos depois. Ou seja, crianças não devem se sentir intelectualmente superiores. O que elas precisam é da motivação para se tornarem cada vez melhores. A referência para a criança, portanto, não é a comparação dela com outras, mas a comparação dela com ela mesma. O elogio deve exercer influência positiva sobre a criatividade da criança para encontrar soluções. Espero que o leitor também perceba que elogios não podem surgir gratuitamente, sem uma permanente oferta de desafios. Elogio é apenas um dos estímulos. Um problema a ser resolvido já é outro.

Esta recente descoberta em psicologia cognitiva infantil está em perfeita sintonia com a visão meramente intuitiva de Terence Tao, matemático ganhador da Medalha Fields (o Nobel da matemática). Segundo ele, para fazer contribuições relevantes em matemática não há necessidade de ser um gênio. Precisa sim de uma certa inteligência. Mas também precisa trabalhar duro, conhecer bem sua área específica de estudos, conhecer outras áreas de estudos, conversar com outros matemáticos, formular questões e ter muita paciência. O que incrementa a inteligência é a capacidade de encarar desafios, mesmo que eles não sejam superados.

Veja também:
Você não merece nada!
Seu filho merece um não
O mundo não é um bufê de festinha infantil
A educação moderna criou adultos que se comportam como bebês

O homem moderno é um fracote

Veja também: A educação espartana

leonidas-sparta-300

Muito aborígenes australianos pré-históricos conseguiriam vencer facilmente o atual campeão de velocidade do mundo atualmente, o jamaicano Usain Bolt. Muitos homens da etnia Tutsi, em Ruanda, conseguiriam superar o atual recorde de salto em altura, de 2,45 metros, durante seus rituais de iniciação. Qualquer mulher neandertal conseguiria vencer o fisiculturista e ator Arnold Schwarzenegger em uma queda de braço. Além disso, romanos da antiguidade completavam aproximadamente uma maratona e meia diariamente, carregando mais do que metade do seu peso corporal. Precisa de algo mais para se convencer que os homens modernos são fracotes?

Essas e outras afirmações impressionantes são analisadas pelo antropólogo australiano Peter McAllister, que acredita que o homem moderno é fisicamente muito inferior a seus antepassados. A sua conclusão sobre a velocidade dos aborígenes australianos de 20 mil anos atrás é baseada em um grupo de pegadas de seis homens perseguindo uma presa, fossilizadas e perfeitamente preservadas até hoje. A análise das pegadas de um dos homens, chamado de T8, mostra que, em uma superfície enlameada, ele chegava a atingir 59,2 quilômetros por hora. Usain Bolt, por sua vez, atingiu a velocidade máxima de 67 km/h nas olimpíadas de Pequim, em 2008.

“Presumimos que, ao perseguir um animal, eles correm ao máximo da sua velocidade”, afirma McAllister. “Mas se eles conseguiam esta velocidade em um terreno com lama, suspeito que superariam Bolt facilmente, levando em conta as vantagens que ele tem”, completa o antropólogo. Além da velocidade impressionante de T8, o especialista também chama a atenção para o fato de que os outros aborígenes desta época também deviam chegar a velocidades semelhantes. “Essas fossilizações são muito raras”, afirma McAllister. “Quais são as chances de que o corredor mais veloz da Austrália tivesse a sua pegada fossilizada naquele momento?”, questiona.

Quanto aos pulos, o pesquisador afirma que fotografias tiradas por um antropólogo alemão no início do século 20 mostram jovens pulando em alturas de até 2,52 metros. De acordo com McAllister, a tarefa era realizada pelos jovens tutsis como um ritual de iniciação à idade adulta. “Eles desenvolviam habilidades fenomenais para os pulos, e pulavam para provar a sua capacidade”, diz. Outra curiosidade é que uma mulher neandertal comum tinha 10% mais massa muscular que um homem europeu moderno. Treinada ao máximo, elas poderiam chegar a 90% da massa de Arnold Schwarzenegger na década de 1970, quando ele atingiu o seu auge.

De acordo com McAllister, a inatividade física adquirida desde a revolução industrial causou essa grande diminuição da força e capacidade física. “O corpo humano responde muito ao stress”, explica o pesquisador. “Perdemos 40% da massa dos maiores ossos do corpo porque temos menos massa muscular sobre eles atualmente”, afirma. “Simplesmente não somos expostos aos mesmos desafios que as pessoas do passado, por isso nossos corpos não se desenvolvem”, diz o antropólogo, que completa: “Mesmo com o nível de treinamento que atletas de elite têm atualmente, não chegamos nem perto do que era exigido antes”.

Fonte: HypeScience.

Resumo da História:
Tempos difíceis criam homens fortes.
Homens fortes criam bons tempos.
Bons tempos criam homens fracos.
Homens fracos criam tempos difíceis.


O que está acontecendo com os homens?

Nesta videoaula, o padre Paulo Ricardo reflete sobre o novo modelo de masculinidade adotado pelo pensamento pós-moderno. Segundo ele, os homens estão ficando cada vez mais afeminados e menos viris.

Filosofia da mente

Palestra ministrada pelo professor Dr. João Teixeira, da Universidade Federal de São Carlos-SP (UFSCAR), na universidade do Minho, em Portugal, sobre o problema mente-corpo na filosofia da mente.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Pág. 3 de 13Pág. 1 de 13...234...10...Pág. 13 de 13
%d blogueiros gostam disto: