Qual é o seu ikigai?

Artigo do professor Marco Mello no blog Sobrevivendo na Ciência.

Na cultura de Okinawa, no Japão, há um conceito muito simples e profundo, com infinitas camadas, conhecido como ikigai (生き甲斐). Em uma tradução aproximada, significa “razão de viver”. Também tem sido traduzido, de maneira bem livre, como “razão pela qual você se levanta de manhã”. No tradutor do Google, a tradução literal é “sal da vida”. No Ocidente, o conceito de ikigai tem sido aplicado à orientação vocacional e ao coaching no mundo corporativo. Graças a alguns estudos muito interessantes e à menção do conceito em palestras para grandes públicos, ele tem sido estendido a várias outras áreas. Veja uma síntese gráfica do ikigai:

ikigai

Vamos considerar que qualquer atividade que desenvolvemos pode cair em um desses quatro grandes conjuntos: (1) aquilo que amamos, (2) aquilo que fazemos bem, (3) aquilo do que o mundo precisa, e (4) aquilo que te pagam para fazer. Esses conjuntos têm diferentes interseções entre si. Pode haver uma atividade que você ame e faça bem; se você descobri-la, saiba que essa é a sua paixão. Outra atividade você faz bem e é rentável; essa é sua vocação. Em alguns casos, há uma atividade que você e ama e da qual o mundo precisa; essa é sua missão. Quando o mundo precisa de uma atividade, está disposto a pagar por ela e você está disposto a realizá-la, essa é sua profissão.

A maioria das pessoas tem apenas uma ocupação, que é um emprego ou bico que paga as contas, por mais que elas o detestem ou ganhem mal por ele. Outras mais realizadas têm uma profissão. Aquelas que têm mais sorte ainda encontram uma vocação e a realizam. Poucas pessoas conseguem ganhar dinheiro com uma paixão, deixando essa atividade no campo do hobby. Menos pessoas ainda conseguem botar pão na mesa com uma missão, mas, por acreditarem muito nela, acabam realizando-a no campo do voluntariado. Qualquer uma dessas quatro interseções pode levar a uma vida produtiva e feliz. Contudo, para viver uma vida plena, o ideal é conseguir colocar a principal atividade que você desenvolve na interseção dos quatro conjuntos. Este é o ikigai. Ou seja: uma vida plena envolve ocupar a maior parte do seu tempo e energia com algo que você ama, faz bem, o mundo precisa e ainda te pagam para fazer.

Além dessa atividade principal, é saudável dedicar-se também a atividades paralelas, como hobbies e voluntariado. Por exemplo, pode ser que você trabalhe como cientista, mas também goste muito de praticar artes marciais. Como essas duas coisas são muito diferentes entre si e exigem talento, treinamento e prática, é improvável que o seu ikigai esteja nas duas. Pode ser que você ame ambas, mas faça uma bem melhor do que a outra. Se isso for verdade, provavelmente as pessoas estarão dispostas a te pagar por uma delas, mas não pela outra. Assim, a decisão mais sábia para alguém que presta atenção à própria voz interior é focar naquela em que pode ter um desempenho mais elevado e fazer dela sua ocupação principal, mantendo a outra como hobby.

Em alguns casos mais raros, acontece de a pessoa amar muito uma atividade, fazê-la bem, mas o mundo achar que não precisa dela e, por isso, ninguém estar disposto a pagar a conta. Quem cai nesse tipo de combinação pode se perder em um vórtice de frustração e auto-piedade, como muitos gênios incompreendidos que não dão em nada. Contudo, algumas dessas pessoas à frente do próprio tempo têm uma ambição tão grande e uma capacidade de convencimento tão forte que conseguem mostrar ao mundo que ele realmente precisa de algo que sequer sabia existir. Pense no exemplo dos produtos criados pelo Steve Jobs, que não era bom em programação ou engenharia eletrônica, mas sabia como ninguém enxergar dois passos à frente e reger “orquestras” formadas por excelentes profissionais de diferentes áreas.

E já que estamos falando nele, recomendo que você assista abaixo ao famoso discurso de Steve Jobs na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, em 2005. Ele fala sobre ligar os pontos e descobrir o seu ikigai. Siga o conselho dele e não viva a vida de outra pessoa. Ninguém pode dizer a você qual é o seu ikigai. Descobri-lo é uma jornada pessoal, íntima e introspectiva. Contudo, você deve ficar constantemente atento aos sinais que indicam se você está ou não no caminho certo. Além disso, procure se cercar de pessoas que te puxam para cima e te deixam mais próximo do seu ikigai. Procurar o próprio ikigai pode parecer uma meta egoísta, mas uma pessoa plenamente realizada torna o mundo um lugar melhor para as outras pessoas, enquanto uma pessoa frustrada leva outras para o buraco com ela. Antes de arrumar o mundo, arrume o seu quarto.

Dicas de estudo #5 – Como manter o foco

Nosso cérebro é meio fanfarrão: na hora de pensar em estratégias para aquele jogo complicado de videogame ou de ler aquela revista que você adora, ele coopera facilmente. Mas quando é preciso sentar e estudar um pouco, é difícil manter a concentração. Pensando nisso, o portal Guia do Estudante listou algumas dicas para ajudar seu cérebro a se concentrar na hora dos estudos. Como cada pessoa tem um jeito diferente de funcionar, nem todas essas dicas serão igualmente eficientes para todo mundo. Então é bom fazer uns testes até descobrir quais dão certo para você.

Primeiramente, sacie suas necessidades mais básicas. Não adianta começar a estudar se você estiver com fome, sede, sono ou calor. Você certamente não conseguirá manter o foco. Por isso, o ideal é se organizar para que todas essas necessidades do corpo estejam satisfeitas e saciadas antes de começar os estudos. Ter uma boa noite de sono, se alimentar nos mesmos horários e de forma correta, e criar um ambiente confortável e adequado é fundamental para aumentar o potencial do seu aprendizado.

Desligue todos os aparelhos eletrônicos (exceto o que você estiver usando para estudar, se estiver). Na hora de estudar, nada de deixar o celular por perto te avisando de cada notificação no Facebook ou no Whatsapp. E nem caia na tentação de abrir o Facebook só por “dois minutinhos”. Esses dois minutinhos sempre se estendem e acabam com toda a sua concentração. Não é proibido estudar ouvindo música – há quem precise dela para se concentrar. Mas evite ouvir músicas em idiomas que você entenda – isso pode fazer com que você desvie sua atenção para a letra e esqueça momentaneamente a matéria. Música clássica ou instrumental é uma boa dica.

Evite a monotonia. Uma conversa no mesmo tom de voz e sem movimento faz com que a gente fique com sono ou comece a pensar em outras coisas. Com os estudos, acontece o mesmo. Se você se limitar a ler textos por muito tempo, a tendência é perder o foco e ficar com sono. O estudo torna-se bem mais interessante e produtivo quando você adota uma postura ativa. Se você estuda pela internet, revese o acompanhamento de uma videoaula com a leitura da teoria seguida da resolução dos exercícios didáticos. Isso facilita a compreensão e a fixação gradativa dos conteúdos.

Respeite seu tempo. Se você é mais produtivo de manhã, à tarde ou à noite, deixe para estudar as matérias mais difíceis nesse período. Quando sentir que a concentração não está rolando de jeito nenhum, faça uma pausa nos estudos e depois volte. Manter intervalos regulares é fundamental – e a frequência vai depender do seu ritmo. Crie um pequeno ritual antes de estudar. Pode ser um alongamento, pegar uma xícara de café ou um copo de suco para deixar na sua mesa, ou o que mais achar melhor. Com o tempo, seu cérebro vai entender quando for a hora dos estudos e ficará mais fácil se concentrar.

Outros posts da série dicas de estudo:

1 – A atitude correta
2 – O ciclo do aprendizado
3 – Individual e ativo
4 – Educação egoísta
5 – Concentração e foco
6 – As quatro etapas
7 – Pierluigi Piazzi
8 – Lúcia Helena Galvão
9 – Como estudar sozinho em casa
10 – Como estudar para uma prova

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