Sintaxe à vontade – O Teatro Mágico

Poema de Fernando Anitelli, idealizador d’O Teatro Mágico.

Veja também: Insetos interiores

Sem horas e sem dores
Respeitável público pagão
Bem-vindos ao teatro magico!

Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto
Nenhum predicado será prejudicado
Nem tampouco a frase, nem a crase, nem a vírgula e ponto final
Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas
E estar entre vírgulas pode ser aposto
E eu aposto o oposto que vou cativar a todos
Sendo apenas um sujeito simples
Um sujeito e sua oração
Sua pressa, sua verdade, sua fé
Que a regência da paz sirva a todos nós
Cegos ou não, que enxerguemos o fato
De termos acessórios para nossa oração
Separados ou adjuntos, nominais ou não
Façamos parte do contexto da crônica
E de todas as capas de edição especial
Sejamos também o anúncio da contra-capa
Pois ser a capa e ser contra a capa é a beleza da contradição
É negar a si mesmo
E negar a si mesmo é muitas vezes encontrar-se com Deus
Com o teu Deus

Palíndromos

O poema a seguir é de minha autoria. Digo isso não absolutamente, pois não criei nenhum desses versos. Após reunir todos os palíndromos que encontrei em língua portuguesa, isolados e espalhados por diversas fontes, meu trabalho consistiu apenas em organizá-los, dispondo-os numa ordem lógica de modo a dar-lhes sentido semântico. Gostei do resultado e resolvi compartilhá-lo com vocês. O que acharam?

Ame o poema.
Soa como caos.
Amora me tem aroma.
Roma me tem amor.
O romano acata amores a damas amadas e Roma ataca o namoro.
O teu drama é amar dueto.
Saúda e paga o ágape a duas!
Raul ama Luar, Luar ama Raul.
Ana me rola, calor emana.
Ramon ama dama de Ed: a má dama no mar.
Ana, case, esse é sacana!
Marujos só juram.
A pateta ama até tapa.
Luza Rocelina, a namorada do Manuel, leu na Moda da Romana: anil é cor azul.
Amada dádiva, a luz azula a vida da dama.
A diva ávida, dádiva à vida.
A miss é péssima!
A cara rajada da jararaca!
Ama fama? Vê lá, leva má fama!
Leon ama Noel, Noel ama Leon…
Livre do poder vil.
Ah, livre era papai noel: Leon ia papar é ervilha!
Sem o cu, tu comes?
O terrível é ele vir reto!
Roda esse corpo, processe a dor.
Sem o dote, é todo mês.
E temo-a no caso: no saco não mete.
O medo do certo é o treco do demo!
Acata o danado e o danado ataca!

A grama é amarga.
E assim a missa é.
Assim, a aluna anula a missa.
Assim, a sopa só mereceremos após a missa.
Oto come sopa, siri, sapos e mocotó.
A babá baba.
A rara arara.
Eva, asse essa ave!
Ave veloz o leve. Vá!
Me vê se a panela da moça é de aço, Madalena Paes, e vem.
E vou ao Batata Boa, ouve?
Morram após a sopa marrom!
A dama admirou o rim da amada.
E telas eram usadas à caneta até na casa da Sumaré, Salete!
Zé de Lima, Rua Laura, Mil e Dez.
A sacada da casa.
A porta rangia à ignara tropa.
A mala nada na lama.
Asnos levam a amável sonsa.
A Varig girava.
Salta o Atlas.
Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos!
Ias em missa?! Logo, o gol assim me sai.
O caso da droga da gorda do saco.
O pó de cocaína mata maníaco cedo, pô!
Lá vou eu em meu eu oval.

Charles Andrade

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