O que faz um trabalho científico ser original?

Artigo do professor Marco Mello no blog Sobrevivendo na Ciência.

A originalidade é a principal diferença entre uma monografia de bacharelado (também conhecida como TCC), uma dissertação de mestrado e uma tese de doutorado. Enquanto nos dois primeiros níveis não é necessário apresentar um trabalho original, no terceiro a originalidade é uma condição obrigatória. No geral, isso significa dizer que, em uma monografia ou dissertação, não é necessário gerar conhecimento novo; basta o aluno resumir o conhecimento acumulado sobre um assunto de sua escolha, muitas vezes sem nem ao menos incluir uma opinião própria. Já no doutorado, o aluno é obrigado a apresentar uma novidade, senão seu trabalho de conclusão não pode ser chamado de tese. Mas o que garante a originalidade de um trabalho? Como diferenciar entre novidades e “mais do mesmo”? Essas perguntas não são tão fáceis de responder quanto parecem. A definição da originalidade de um trabalho científico depende basicamente do nível de rigor do curso de pós-graduação, da postura do orientador e da ambição do próprio aluno. Na média, o rigor varia muito entre culturas, atingindo seu nível máximo nos países anglo-saxões.

Em muitos cursos de pós-graduação de países latinos, como o Brasil e a Argentina, para uma tese ser considerada original é preciso muito pouco. Por exemplo, o doutorando pode simplesmente tomar como base um trabalho que ache interessante e aí mudar o táxon modelo ou a área de estudo, repetindo todo o resto da fórmula, e mesmo assim sua tese poderá ser aprovada. Obviamente, quem faz isso não está incorrendo em plágio. Mas por outro lado também não está sendo treinado corretamente no método científico e nem aprendendo a fazer boa ciência. Está apenas aprendendo um trabalho técnico, uma repetição de fórmulas. Já em países como EUA e Alemanha, um aluno de doutorado precisa ter uma nova ideia e testá-la para que seu trabalho possa ser chamado de tese. Não basta brincar de fazer um pouco diferente. É preciso pensar diferente, identificar os limites do conhecimento dentro do assunto escolhido e, a partir daí, criar e testar perguntas, hipóteses e previsões. Por exemplo, o aluno pode tomar como base diferentes fatos, hipóteses e teorias relacionadas ao táxon ou fenômeno de interesse, que já foram estudadas por colegas, e a partir delas fazer um raciocínio dedutivo que o leve a criar uma nova hipótese a ser testada.

É claro que essas diferenças não são uma questão de preto-e-branco. Há muitos trabalhos originais e relevantes que são desenvolvidos em outras culturas que não a anglo-saxã, assim como trabalhos repetitivos e monótonos desenvolvidos no Primeiro Mundo. Aliás, nos países desenvolvidos, às vezes vemos teses brilhantes que, na verdade, não saíram da cabeça do aluno, mas sim da cabeça do orientador. O orientador pensa de forma integrada em vários projetos, em diferentes níveis e numa escala de tempo grande, e apenas contrata doutorandos que trabalham como testadores das suas ideias. Nesses casos, qual é a relevância de uma tese dessas para a formação do jovem cientista? Por outro lado, há orientadores em países subdesenvolvidos que não ficam nada a dever aos seus colegas do Primeiro Mundo em termos de criatividade e originalidade e, além disso, treinam seus alunos corretamente.

Mas não dá para ignorar que, nos países subdesenvolvidos, o problema mais comum é a falta de treinamento no método hipotético-dedutivo. Considerando que a formação de um jovem cientista deveria ser focada principalmente no aprendizado desse método (além das outras habilidades básicas, como a comunicação escrita e oral), chega-se à conclusão lógica de que mesmo uma monografia de bacharelado deveria ser baseada em uma pergunta original. Senão, como o aluno vai aprender a usar o conhecimento acumulado para gerar conhecimento novo? Faz sentido obrigar o aluno a simplesmente mastigar e mastigar conhecimento na monografia e na dissertação, só cobrando dele criatividade no doutorado? Eu acho que não. Aliás, eu tenho certeza que não. Afinal de contas, em uma pós-graduação stricto sensu, queremos formar cientistas e não meros pesquisadores. A diferença entre os trabalhos de conclusão exigidos nos diferentes níveis acadêmicos deveria ser o grau de complexidade e aprofundamento, e não a originalidade. Desde a iniciação científica, os alunos precisam aprender a encontrar e processar conhecimento com o objetivo de produzir novidades.

Para concluir, sugiro aos cientistas aspirantes que procurem orientadores que valorizem a criatividade e a originalidade. Muitos alunos com bom potencial acabam mudando de carreira simplesmente por terem uma péssima primeira impressão da ciência no bacharelado, causada por professores que tratam seus laboratórios acadêmicos como se fossem linhas de produção de montadoras de carros. Você, que anda desapontado com a Academia: saiba que tem muita ciência interessante sendo desenvolvida por aí! Acorde, pois o seu laboratório não é o mundo! Não deixe que uma experiência ruim defina o conceito que você tem da ciência como um todo. Acredite: elaborar um projeto original dá um trabalhão, mas é infinitamente mais divertido e dá muito mais satisfação!

O que é o plágio científico?

Artigo do professor Marco Mello no blog Sobrevivendo na Ciência.

Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. Alguns cientistas parecem ter entendido errado a Lei de Lavoisier e os casos de plágio no meio acadêmico aparentemente se tornam cada vez mais frequentes. Ou, pelo menos, cada vez mais fáceis de detectar. Contudo, neste artigo não analisarei o suposto crescimento do plágio científico, mas sim sua definição, algumas de suas formas mais comuns e suas principais consequências, a fim de ajudar os aspirantes a cientista a não incorrem nesse erro, mesmo que involuntariamente. Convém lembrar que o plágio científico, no fundo, é como qualquer outro tipo de plágio: trata-se da reprodução de uma obra alheia, sem atribuição de créditos e muito menos permissão. Ou seja, o plágio acontece quando algum cientista tem o trabalho de desenvolver uma hipótese, teoria, método, análise ou mesmo um trabalho completo (por exemplo, um artigo, uma tese ou um livro), e outro cientista simplesmente copia essa obra intelectual e a publica como se fosse sua.

Vale lembrar que mesmo uma frase pescada em um artigo é uma obra intelectual e, quando citada literalmente, deve vir entre aspas e acompanhada da devida citação. Infelizmente, alguns alunos, por inexperiência e falta de orientação adequada, cometem o erro de copiar algumas frases ou mesmo parágrafos inteiros de obras de referência sem citar sua fonte, especialmente quando têm que elaborar seus primeiros projetos de pesquisa. Isso geralmente resulta em “textos frankenstein”, que acabam ficando sem coerência, resultando em projetos mal-elaborados e com poucas chances de obter financiamento ou atingir resultados satisfatórios. Além disso, fique claro que isso também é plágio, mesmo que sem má intenção. As ideias e fatos aprendidos em trabalhos alheios devem ser lidos, digeridos e interpretados, sendo depois explicados nas palavras do próprio autor do novo texto, citando-se é claro suas fontes. Nas ciências naturais, raramente se justifica fazer uma citação literal, a não ser no caso de grandes aforismos, como o de Lavoisier, citado acima.

Fora esse tipo de plágio não-intencional, comum entre alunos de graduação, há os casos mais sérios, que resultam de má fé por parte de pós-graduandos. São as chamadas teses por encomenda, compradas em sites de “ajuda acadêmica“ na internet. Existem empresas picaretas, geralmente registradas como empresas de digitação ou editoração, que vendem TCCs, monografias, dissertações e teses completas a preço de banana. O aluno precisa apenas informar a universidade e o curso, que a empresa monta um frankenstein a partir das mais variadas fontes. Em alguns cursos e universidades, o rigor é muito baixo e as bancas de avaliação (quando existem) não levam seu trabalho a sério, deixando passar esses monstros e conferindo grau a esses alunos estelionatários (sim, isso pode ser enquadrado como crime de falsificação de documento público!). Obviamente um aluno desses não tem futuro profissional algum, apesar do diploma em mãos, pois não será capaz de desenvolver um trabalho de pesquisa por contra própria quando estiver no mercado de trabalho. Contudo, quando o aluno plagiador sai da universidade e busca outros caminhos, ele pode até se dar bem por um tempo. A presidente Dilma Rousseff foi pega em flagrante há alguns anos por ter mentido em seu currículo Lattes quanto a ter um título de doutora pela Unicamp. A mentira pode até render alguns frutos, mas tem pernas curtas, principalmente para quem quer continuar no meio acadêmico.

Um outro tipo de plágio, mais comum entre cientistas profissionais, é o “empréstimo de hipóteses”. Infelizmente, acontece às vezes de ótimas hipóteses serem publicadas em revistas pouco lidas, o que as leva a passarem despercebidas pela grande maioria da comunidade científica. Isso às vezes acontece por barreiras linguísticas, regionalismo ou má escolha da revista. Em alguns casos, maus cientistas tomam conhecimento dessas hipóteses e as reciclam em seu nome, publicando-as em revistas internacionais de maior circulação; isso obviamente é de uma desonestidade extrema. Também acontece, em alguns casos, de um cientista pegar um manuscrito para revisar (como assessor de uma revista) e notar que alguma ideia apresentada nesse trabalho era a peça que faltava num quebra-cabeças que ele mesmo estava montando. Quando o cientista é mau-caráter, ele pode até mesmo forçar a barra para que o editor da revista rejeite o manuscrito em questão (o que não é muito difícil hoje em dia), de modo a atrasar sua publicação e, assim, ganhar tempo para ele mesmo publicar a hipótese antes. Acreditem, isso é deprimente, mas acontece. Nesses casos, o cientista menor muitas vezes nem se dá conta do plágio ou se sente constrangido em brigar com um colega de maior renome, com medo da retaliação acadêmica (“o fantasma da banca futura”). Felizmente, há uma grande maioria de cientistas honestos, e alguns ajudam até mesmo a dar crédito póstumo a grandes ideias revolucionárias.

Há também um outro tipo de plágio, em que o sentido é o inverso do comentado no caso anterior. Tratam-se de casos em que uma ideia é copiada de um artigo publicado em um veículo de grande circulação, e depois é requentada em revistas menores, lidas por um público bem mais restrito e geralmente diferente do público específico original. Quando o nível de cara-de-pau chega ao extremo, acontece até mesmo de artigos inteiros serem plagiados. Na versão pirata desses artigos, o plagiador se dá ao trabalho apenas de trocar alguns termos-chave, reaproveitando até mesmo as figuras! Geralmente, esse tipo de plágio é usado para dar prestígio local a um mau cientista, que tem ambições políticas ou financeiras que podem ser alcançadas através de uma melhoria em seu currículo acadêmico. É o caso mais extremo e, portanto, o mais raro. Contudo, ele pode ter consequências muito graves, especialmente se os artigos piratas acabarem sendo usados regionalmente na tomada de decisões sobre saúde pública ou conservação da natureza, por exemplo.

Para concluir, quero deixar uma mensagem positiva. Apesar dos muitos casos de plágio e fraude científica publicados nos últimos anos, a esmagadora maioria dos trabalhos científicos é feita de forma honesta. Não porque os cientistas sejam pessoas melhores do que a média, mas porque a ciência tem mecanismos eficientes de auto-policiamento. Dentro de um campo do conhecimento científico, os especialistas geralmente estão sempre antenados com as novas descobertas, hipóteses, teorias e evidências. Portanto, sempre há uma grande chance de plágios e fraudes serem detectados ainda em estágios iniciais do trabalho científico, como a elaboração de um projeto ou a submissão de um artigo. E a facilidade atual no acesso à literatura científica torna cada vez mais eficiente o processo de detectar fraudes e erros não-intencionais em artigos já publicados, levando os mesmos a serem “despublicados”. Portanto, não há motivo para pânico ou para denegrir a imagem da ciência. Basta mantermos nossos olhos abertos, educarmos nossos alunos corretamente e termos a coragem de delatar os absurdos que virmos.

Fraudes acadêmicas

Editorial publicado no jornal Folha de S.Paulo do dia 08/11/2005.

fraude-ciencia-pinoquio-mentiraEmbora não chegue a ser uma novidade, é deplorável a comercialização fraudulenta de trabalhos acadêmicos retratada em reportagem publicada ontem por esta Folha. Pagando valores que variam de acordo com o grau de complexidade das tarefas, qualquer aluno de pós-graduação pode comprar monografias, dissertações de mestrado e teses de doutorado confeccionadas por terceiros sob encomenda. Em sua maioria, esses trabalhos são produzidos por profissionais da área acadêmica, agenciados por pequenas empresas especializadas que proliferaram, se beneficiando da expansão da internet. Hoje em dia, é fácil encontrar sites que oferecem trabalhos acadêmicos para todos os perfis de estudantes, aos mais variados preços e sob diversas formas e condições de pagamento.

O que causa mais espanto é que, ao que tudo indica, esse ardil muitas vezes garante bons resultados aos alunos, mesmo quando se trata de escolas de reconhecida excelência. Segundo depoimentos, instituições como a FGV do Rio já aprovaram teses produzidas nesses balcões de venda. A disseminação dessa prática é um indício lamentável do papel meramente burocrático e ornamental a que muitas vezes são reduzidas as exigências da carreira acadêmica. Monografias, dissertações e teses, que deveriam ser o resultado da dedicação aos estudos e à pesquisa, se transformam em simples formalidades para a obtenção de títulos que facilitam a inserção dos estudantes no mercado de trabalho. Ainda que a venda desse tipo de trabalhos não seja caracterizada como crime, recorrer a esse gênero de comércio é uma atitude imoral e fraudulenta. Cabe principalmente aos professores dificultar a vida de estudantes que recorrem a expedientes dessa ordem. Afinal, é de supor que uma banca de mestrado ou doutorado que realize sua arguição de modo criterioso seja capaz de detectar se o estudante é ou não o verdadeiro responsável pelo trabalho apresentado.

Estudo falso é aceito para publicação em mais de 150 revistas científicas

Imagine o seguinte experimento: Você escreve um trabalho científico falso, baseado em dados inventados, assinado com nomes falsos de pesquisadores que não existem, associados a universidades que também não existem, e envia esse trabalho para centenas de revistas científicas do tipo open access (que disponibilizam conteúdo gratuitamente na internet) para publicação. O que você acha que aconteceria?

Um biólogo e jornalista americano chamado John Bohannon fez exatamente isso e os resultados, publicados pela revista Science, são aterradores (para aqueles que se preocupam com a credibilidade da ciência): ele escreveu um trabalho falso sobre as propriedades supostamente anticancerígenas de uma molécula supostamente extraída de um líquen e enviou esse trabalho para 304 revistas científicas de acesso aberto ao redor do mundo. Não só o trabalho era totalmente fabricado e obviamente incorreto (com falhas metodológicas e experimentais que, segundo Bohannon, deveriam ser óbvias para “qualquer revisor com formação escolar em química e capacidade de entender uma planilha básica de dados”), mas o nome dos autores e das instituições que o assinavam eram todos fictícios. Apesar disso (pasmem!), mais da metade das revistas procuradas (157) aceitou o trabalho para publicação. Um escândalo!

O que isso quer dizer? Quer dizer que tem muita revista “científica” por aí que não é “científica” coisíssima nenhuma. E que o fato de um estudo ter sido publicado não significa que ele esteja correto (pior, não significa nem mesmo que ele seja verdadeiro, para começo de conversa). A ciência, assim como qualquer outra atividade humana, infelizmente não está isenta de falcatruas. E o que isso não quer dizer? Não quer dizer que o sistema de open access seja intrinsecamente falho ou inválido. Certamente há revistas de acesso livre de ótima qualidade, como as do grupo PLOS, assim como há revistas pagas de baixa qualidade que publicam qualquer porcaria. Nenhum sistema é perfeito. Até mesmo a Science publica umas lorotas de vez em quando, assim como a Nature e outras revistas de alto impacto, que empregam os critérios mais rígidos de seleção e revisão. Além disso, o fato de uma revista ser gratuita não significa que ela não tenha revisão por pares (peer review) e outros filtros de qualidade. Assim, o que deve ser questionado não é a forma de disponibilizar a informação, mas a forma como ela é selecionada e apurada — em outras palavras, a qualidade e a confiabilidade da informação, não o seu preço.

O relato de Bohannon acaba de ser publicado no site da Science, dentro de um pacote de artigos intitulado “Comunicação na ciência: Pressões e Predadores”. Nessa mesma temática, a revista Nature publicou recentemente também uma reportagem sobre o escândalo envolvendo 4 revistas científicas brasileiras que foram acusadas de praticar citações cruzadas — ou “empilhamento de citações” –, esquema pelo qual uma revista cita a outra propositadamente diversas vezes, como forma de aumentar seu fator de impacto (e, consequentemente, o prestígio dos pesquisadores que nelas publicam). As revistas são Clinics, Revista da Associação Médica Brasileira, Jornal Brasileiro de Pneumologia e Acta Ortopédica Brasileira. O suposto esquema foi descoberto pela empresa Thomson Reuters, maior referência internacional na produção de estatísticas de publicação e citações científicas. Como punição, as 4 revistas tiveram seu fator de impacto suspenso por um ano (leia a reportagem completa aqui). O texto inclui explicações de alguns dos atores envolvidos e aborda as críticas aos padrões de avaliação da CAPES, bastante frequentes na comunidade científica brasileira, por enfatizar de maneira supostamente exagerada o fator de impacto das revistas.

Fonte: Estadão.

Cresce número de artigos científicos “despublicados” por fraude ou erro

Nunca tantos artigos científicos foram publicados e nunca foi tão fácil ter acesso a eles de graça. São notícias aparentemente ótimas, mas dois levantamentos recentes indicam que o efeito colateral desses avanços é uma explosão no número de estudos fraudados, plagiados ou simplesmente muito ruins. Uma das maneiras de medir isso é a análise das “retratações”, nome dado às pesquisas “despublicadas” por problemas éticos ou erros.

Em artigo na revista científica PLoS ONE, pesquisadores nos Estados Unidos apontam que, de 2003 a 2012, o número de artigos retratados (1.333 numa das principais bases de dados do setor, a PubMed) foi quase o dobro do que se viu entre 1973 e 2002 (só 714). Dos anos 1970 para cá, a produção científica cadastrada na PubMed praticamente quadruplicou, mas os artigos “retratados” cresceram em ritmo ainda mais forte, chegando perto de ficar seis vezes mais comuns. Veja o infográfico produzido pela Folha:

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Leia a matéria completa aqui.

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