Filmes sobre Lampião e o cangaço

bando de lampiao

Coletânea de documentários e filmes biográficos nacionais sobre a vida de Lampião, Maria Bonita, Corisco, Dadá e outros cangaceiros famosos que aterrorizavam o sertão nordestino no início do século 20. Clique nos links abaixo para assistir no YouTube.

O último dia de Lampião (1975)

Lampião, o rei do cangaço (1964)

Lampião e Maria Bonita (1982)

Meu nome é Lampião (1969)

Corisco e Dadá (1996)

O Cangaceiro (1953)

Minha nação nordestina

Os 193 países do mundo possuem juntos uma área total de aproximadamente 136.620.898 km². Dividindo isso igualmente entre eles, temos que 707.880 km² é aproximadamente o tamanho médio de um país do mundo hoje. Considerando apenas o continente europeu, sua área total é de aproximadamente 10.180.000 km². Dividindo isso igualmente entre os 50 países que compõem a Europa, temos que 203.600 km² é aproximadamente o tamanho médio de um país europeu. Resumindo, um país europeu médio teria cerca de 200 mil km² de área, enquanto que, em escala mundial, um país médio teria pouco mais de 700 mil km². Isso significa que boa parte da população mundial considera como sua pátria, sua nação, um território com área entre 200 e 700 mil km² (uma área do tamanho do Estado de São Paulo, Minas Gerais ou Bahia).

Com dimensões continentais (8.515.767 km², quase o tamanho da Oceania), o Brasil está muito longe desse padrão; de modo que muitos Estados brasileiros possuem dimensões bem maiores que o tamanho médio de um país. Talvez isso explique o porquê de haver tantos sotaques e culturas diferentes, tanto “bairrismo” e uma certa “rivalidade” (que em alguns casos culmina em preconceito e discriminação) entre regiões do Brasil, como o Nordeste e o Sudeste, por exemplo. É que, conscientemente ou não, percebemos mais facilmente como nossa pátria (ou nação) apenas a região geográfica em que vivemos (em alguns casos apenas o nosso Estado e/ou Estados vizinhos). Muitas vezes sem nos darmos conta disso, pensamos no Brasil da mesma maneira que muitas populações do mundo pensam o seu continente. Por isso, acabamos considerando como nossa nacionalidade e sentimos maior patriotismo apenas pela nossa região ou Estado.

Tomemos como exemplo o meu caso. Sempre vivi na Paraíba e, até hoje, só viajei por terra (moto, carro, ônibus, trem) para o interior paraibano e para os Estados vizinhos de Pernambuco e Rio Grande do Norte. Fora desse território limitado, só fiz viagens aéreas, dada a inviabilidade de percorrer o Brasil por terra. Por esse motivo, considero como minha terra natal, meu lugar de origem, apenas aquele raio que posso facilmente percorrer por terra em apenas um dia. De certa forma, meu “país” (considerando-se a média global) é apenas aquela área para a qual posso ir de moto ou carro quando me der na telha e voltar no mesmo dia. Sendo mais preciso, posso dizer que essa área tem cerca de 406.322 km² e corresponde aos Estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe (em vermelho no mapa). Isso é quase o dobro do tamanho de um país europeu médio e mais de três vezes o tamanho da Inglaterra!

Nordeste

Não quero com isso sugerir ou propagandear uma segregação do Brasil. Meu discurso não é nem um pouco separatista. Pelo contrário, eu até penso que unir estes seis Estados em um só talvez seria uma boa ideia, visto que estamos falando de unidades federativas relativamente pequenas em área se comparadas com os outros Estados, e geograficamente agrupadas, juntinhas. Se isso acontecesse no futuro, seríamos um Estado mais forte, mais representativo e com um tamanho parecido com o da Bahia ou Minas Gerais. Já comentei aqui em outro post que a capital seria Recife. Mas não é bem isso que quero defender aqui. O objetivo deste post é apenas expor uma constatação curiosa: a de que, se os países do mundo tivessem todos mais ou menos o mesmo tamanho, a área em vermelho do mapa acima seria a minha Nação Nordestina.

ATUALIZAÇÃO em 05/05/2015:

A União Europeia é formada por 28 países europeus, quase como o Brasil, que tem 27 unidades federativas (os 26 Estados e o Distrito Federal). No entanto (pasmem), sua área total é de apenas 4.324.782 km², quase a metade da área do Brasil, que é de 8.515.767 km². Fazendo com a UE os mesmos cálculos acima, temos que a área média de um país membro da UE é de 154.456 km²; enquanto que a área média de um Estado brasileiro é mais que o dobro disso: 315.399 km².

ATUALIZAÇÃO em 07/04/2017:

A área em vermelho no mapa acima corresponde quase exatamente ao território conquistado pelos holandeses no século 17, que na época era conhecido como Nova Holanda (mapa abaixo).

Nova Holanda

As proezas de João Grilo

proezas-de-joao-grilo-cordelEstes versos são talvez os mais famosos e icônicos da literatura de cordel. Lembro que meu avô lia isso pra mim na infância (boa parte ele apenas recitava, pois sabia de cor). A autoria é do cordelista paraibano João Martins de Athayde (1880-1959). O personagem João Grilo foi quem inspirou o protagonista homônimo de “Auto da Compadecida”, a famosa peça de teatro de Ariano Suassuna que virou filme.

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João Grilo foi um cristão
que nasceu antes do dia
criou-se sem formosura
mas tinha sabedoria
e morreu depois da hora
pelas artes que fazia.

E nasceu de sete meses
chorou no bucho da mãe
quando ela pegou um gato
ele gritou: não me arranhe
não jogue neste animal
que talvez você não ganhe.

Na noite que João nasceu
houve um eclipse na lua
e detonou um vulcão
que ainda continua
naquela noite correu
um lobisomem na rua.

Porém João Grilo criou-se
pequeno, magro e sambudo
as pernas tortas e finas
e boca grande e beiçudo
no sítio onde morava
dava notícia de tudo.

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A poesia e a prosa de Jessier Quirino

Você vai dar boas risadas com os causos e anedotas do poeta paraibano Jessier Quirino, um dos principais representantes da cultura popular nordestina da atualidade.

Matuto no cinema

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Paisagem de interior

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O matuto e o filho universitário

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Show completo

Por que Recife é a capital do Nordeste?

Recife

“Imagina o Brasil ser dividido e o Nordeste ficar independente”… É o que propõe a música “Nordeste Independente“, uma composição dos paraibanos Bráulio Tavares (escritor e compositor) e Ivanildo Vilanova (poeta repentista) que foi interpretada e gravada pela primeira vez pela cantora paraibana Elba Ramalho no início dos anos 1980. A canção é um bem-humorado e utópico manifesto contra a discriminação sofrida pelo Nordeste, que gerou muita polêmica na época. “Já que existe no sul esse conceito que o nordeste é ruim, seco e ingrato… Já que existe a separação de fato, é preciso torná-la de direito… Quando um dia qualquer isso for feito, todos dois vão lucrar imensamente… Começando uma vida diferente da que a gente até hoje tem vivido… Imagina o Brasil ser dividido e o Nordeste ficar independente”, sugere a primeira estrofe.

nordeste-independenteSim: a ideia é utópica, improvável, ficcional e conta com muita licença poética, mas o movimento separatista do Nordeste existe há muito tempo e é mais organizado do que você imagina. Já existem trabalhos acadêmicos e livros publicados sobre esse tema e, desde 1992, existe em Pernambuco o GESNI (Grupo de Estudos sobre o Nordeste Independente), que é um movimento pacífico e organizado que examina as possibilidades de independência e melhorias no território nordestino. “O Brasil nunca encontrou uma solução para o problema nordestino, porque não tem interesse nisso, mas nós poderíamos encontrar”, diz Jaques Ribemboim, fundador do grupo. Ribemboim é economista, doutor em economia, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mestre em economia pela University College of London, na Inglaterra, e autor do livro “Nordeste Independente”, publicado em 2002 na cidade do Recife. Além do GESNI, o Nordeste já contou com movimentos de cunho separatista mais antigos como a Conspiração dos Suaçunas, Revolução Pernambucana, Confederação do Equador e Revolução Praieira.

 Não quero aqui entrar no mérito dessa questão e discutir se ela é factível, se traria mais vantagens ou desvantagens para ambas as “partes”, nem nada disso. Mas essa semana, conversando com alguns amigos, nos permitimos imaginar essa possibilidade e, supondo sua deflagração, ficamos a debater sobre qual seria a capital desse novo país. Qual cidade receberia o nobre título de capital do Nordeste? Qual é a cidade mais importante para a região, seja política, econômica, geográfica, histórica ou culturalmente? As candidatas logo emergiram, destacando-se das demais: Salvador (Bahia), Fortaleza (Ceará) ou Recife (Pernambuco). E agora? Como decidiríamos? Quais seriam os critérios da escolha? Após muita conversa, chegamos a um consenso: Recife seria a capital do Nordeste; pelos seguintes motivos:

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GEOGRAFIA

Observe o mapa do Nordeste. Dentre as três cidades candidatas, Salvador fica bem ao sul, Fortaleza fica bem ao norte, e Recife fica bem no centro da região. Recife tem ao norte as capitais estaduais João Pessoa e Natal separando-a de Fortaleza; e tem ao sul as capitais estaduais Maceió e Aracaju separando-a de Salvador. Se Brasília foi construída no meio de um deserto (praticamente) para ser a capital federal, apenas por aquela ser uma região geograficamente mais central, isso significa que, para nós, esse quesito é importante. E nele, em se tratando de Nordeste, Recife sai na frente.

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HISTÓRIA

A cidade do Recife é a capital mais antiga do Brasil e está prestes a completar 500 anos de fundação (em 2037). Muitos dos mais importantes eventos da História do Brasil aconteceram lá, como a guerra dos mascates (1710-1711), a revolução pernambucana (1817), a confederação do Equador (1824), a revolta praieira (1848-1850), etc. No início do século 20, antes da ascensão de São Paulo, Recife só perdia em importância política e econômica para o Rio de Janeiro, que era na ocasião a capital do Brasil (Brasília só foi fundada em 1960). Na década de 1970, Recife era ainda a terceira maior metrópole do Brasil, atrás apenas do Rio de Janeiro e São Paulo. Uma das regiões mais antigas das Américas e principal centro financeiro do Brasil Colônia até meados do século 18, a metrópole pernambucana abriga importantes cidades históricas, como é o caso de Olinda, cujo centro histórico é Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

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POLÍTICA

A região metropolitana do Recife é o maior aglomerado urbano do Norte-Nordeste, o 5ª maior do Brasil e um dos 120 maiores do mundo, com uma população de 4,5 milhões de habitantes. Ela é a terceira área metropolitana mais densamente habitada do país, superada apenas por São Paulo e Rio de Janeiro. A capital pernambucana está atrás somente de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo na hierarquia da gestão federal. Recife tem ainda o maior número de consulados estrangeiros fora do eixo Rio-São Paulo, sendo inclusive a única cidade, com exceção daquelas duas, que tem Consulados-Gerais de países como Estados Unidos, China, França e Reino Unido.

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ECONOMIA

Recife é a metrópole mais rica do Norte-Nordeste em PIB, além de ser o maior pólo industrial e econômico do Nordeste. Destaca-se por possuir a melhor universidade do Norte-Nordeste, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); o 2º maior polo médico do Brasil; o 9º maior número de arranha-céus das Américas; o melhor aeroporto do Brasil, o Aeroporto Internacional do Recife (Guararapes); e o Complexo Industrial e Portuário de Suape, que abriga o Porto de Suape (melhor porto do Brasil), o Estaleiro Atlântico Sul (maior estaleiro do hemisfério sul), entre outros empreendimentos. O metrô do Recife é composto atualmente de 28 estações, com linhas que somam 39,5 quilômetros de extensão, transportando cerca de 225 mil usuários por dia. O Shopping RioMar, localizado na Zona Sul, é o maior centro de compras do Norte-Nordeste e o 3º maior do Brasil.

A cidade é considerada um dos mais importantes polos de tecnologia da informação do país. O Porto Digital, que abriga mais de 200 empresas, entre elas multinacionais como Motorola, Nokia, IBM e Microsoft, é reconhecido internacionalmente como o maior parque tecnológico do Brasil em faturamento e número de empresas. O Centro de Informática da UFPE fornece mão de obra para o polo, que gera 7 mil empregos e tem participação de 3,5% no PIB do Estado de Pernambuco. Por isso alguns especialistas chamam a capital pernambucana de Vale do Silício brasileira.

A cidade foi eleita por pesquisa encomendada pela MasterCard Worldwide como uma das 65 cidades com economia mais desenvolvida dos mercados emergentes no mundo. Apenas 5 cidades brasileiras entraram nessa lista, e Recife ficou em 4º lugar, após São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Segundo a consultoria britânica PwC, Recife será uma das 100 cidades mais ricas do mundo até 2020, à frente de cidades como Munique (Alemanha), Nápoles (Itália) e Amsterdã (Holanda). Recife destaca-se ainda por ser a capital nordestina com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo dados da ONU de 2010, figurando como a capital mais alfabetizada, com a menor incidência de pobreza e a com a maior renda média domiciliar mensal do Nordeste.

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CULTURA

A cidade do Recife deu origem a grandes nomes de todas as áreas do conhecimento, como, Cristovam Buarque, Paulo Freire, Nelson Rodrigues, João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector, Gilberto Freyre, Manuel Bandeira, Joaquim Nabuco, entre diversos outros, como Ariano Suassuna, que nasceu na Paraíba, mas vivia no Recife e se considerava pernambucano de coração. Na música, Recife deu ao Brasil e ao mundo nomes como Luiz Gonzaga, Lenine, Alceu Valença, Reginaldo Rossi, Bezerra da Silva, Michael Sullivan, Clarice Falcão, Chico Science e Nação Zumbi, dentre outros tantos. Com atletas e esportistas consagrados, o Recife tem, no cenário brasileiro, a maior representação esportiva do Nordeste. Isso é especialmente verdade no futebol, esporte mais popular do país, já que este ano o Sport é o único clube do Norte-Nordeste na série A do campeonato brasileiro.

Recife também é a casa do Galo da Madrugada, reconhecido pelo Guinness Book (o livro dos recordes) como o maior bloco carnavalesco do mundo, que todos os anos arrasta cerca de 2,5 milhões de foliões pelas ruas do Recife Antigo. O frevo, um dos principais gêneros musicais nascidos no Recife, foi declarado pela UNESCO, em cerimônia realizada em 2012 em Paris, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Não podemos esquecer ainda do maracatu, ritmo regional responsável pelo surgimento, nos anos 1990, do movimento manguebeat, uma das maiores provas de que momentos de efervescência cultural elevam a auto estima de uma cidade e influenciam no crescimento da economia. Por isso e muito mais, pode-se dizer que Recife é a cidade do Nordeste (e quiçá do Brasil) mais rica culturalmente. Ela possui uma cultura própria e independente, além de um sotaque próprio, diferente dos estados à sua volta e que não é falado em nenhum outro lugar. Poetas já chamaram Recife de “Veneza Brasileira”, “Florença dos Trópicos”, “Cidade Maurícia” e “Manguetown“.

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