Nova York e João Pessoa registram mesma temperatura na noite de Natal

Normalmente com temperaturas negativas e coberta de neve nessa época do ano, a cidade de Nova York acaba de bater um recorde curioso: esta foi a véspera de Natal mais quente da história. O antigo recorde era de 17º C, registrado em 1996, segundo dados do Serviço Meteorológico Nacional americano (NWS), que mede desde 1871. Na última noite de Natal, porém, os termômetros por lá marcaram incríveis 22º C, mesma temperatura registrada aqui em João Pessoa, na Paraíba, de onde escrevo.

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Os termômetros também não ficaram muito diferentes disso em Boston, Washington, Recife e Natal. Com uma diferença básica importante: no Nordeste brasileiro estamos em pleno verão de uma região tropical, enquanto o Nordeste americano está em pleno inverno de uma região temperada. Por aqui, tudo normal. É por lá que o clima anda bastante confuso e está intrigando os meteorologistas. Depois do recorde de frio e das intensas nevascas no inverno passado, o Natal sem neve nos EUA e Canadá frustrou os turistas, e as lojas de Manhattan voltaram a ligar o ar-condicionado. A imagem abaixo é um sinal bastante influente de que o clima está meio louco no mundo. Ela mostra, em plena véspera de Natal, novaiorquinos jogando beachvoley de bermuda e sem camisa no Central Park (foto: AFP), coisa definitivamete impensável em um ano normal.

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São Nicolau: o verdadeiro Papai Noel

Mesmo que o Natal tenha se tornado essa festa consumista, com o Papai Noel como figura proeminente, em substituição a Jesus, é interessante pesquisar as raízes do “bom velhinho” na cultura popular. Primeiro, é curioso ver como a nomenclatura varia de país para país, inclusive dentro do mesmo idioma, como acontece em Portugal, onde Papai Noel é conhecido como Pai Natal. Isto se justifica pelo fato de que Noël significa Natal em francês. A influência gaulesa se fez sentir também nos países hispânicos, que o chamam de Papá Noel, com a defasada exceção do Chile, que o chama de Viejito Pascuero.

Entretanto, é pelo idioma inglês que o nome Santa Claus remete à origem mais remota do Papai Noel. O personagem histórico que inspirou a criação do mito do bom velhinho foi Nicolau de Mira, também conhecido como São Nicolau de Bari, canonizado por católicos e ortodoxos, considerado o padroeiro da Rússia, da Grécia e da Noruega. A própria Lapônia, terra onde habitaria o Papai Noel, é uma região ártica que engloba parte dos territórios de Suécia, Noruega, Finlândia e Rússia. Só que São Nicolau de Mira nasceu mais ao sul, em Patara, hoje Demre, na Turquia, supostamente na segunda metade do século III, vindo a morrer no mesmo local em 6 de dezembro de 342 d.C.

O santo continua tão popular na Europa que, depois do alegado descobrimento, em 1993, de sua tumba na ilha turca de Gemile, o governo muçulmano da Turquia requereu formalmente à Itália, em 2009, a devolução dos restos mortais de Nicolau, que haviam sido levados a Bari em 1087, ainda na época das Cruzadas. No ano 2000, governo russo chegou a doar uma estátua de São Nicolau à cidade de Demre, mas em 2005 o prefeito da cidade trocou o pobre Nicolau de bronze por um Papai Noel de plástico (vermelho, é claro), de olho nos ganhos financeiros advindos do turismo. Os protestos russos não tardaram a ser ouvidos, mas o prefeito turco foi irredutível. Deixou Papai Noel no pedestal e retornou São Nicolau a uma esquina perto da igreja da cidade.

É difícil separar o que é lenda do que é real na vida de São Nicolau, mas o fato incontestável é que ele era muito popular no seu tempo. Conta-se, por exemplo, que ele teria ressuscitado três crianças vítimas de um macabro assassinato, além de ter convertido ladrões que queriam saquear a sua igreja. A mais famosa história que se conta a seu respeito é a de um pai muito pobre que não tinha como prover o dote para casar as três filhas. Nicolau, à noite, teria atirado três sacos de moedas de ouro e prata na casa da família pela chaminé, e assim salvou as moças de se tornarem prostitutas, o que fatalmente aconteceria caso não pudessem se casar. Por esse dado, histórico ou não, nota-se de onde vem boa parte da inspiração que, associada a pitadas de mitos germânicos e escandinavos, resultou na “invenção” folclórica do Papai Noel.

Já que o mito suplantou o personagem histórico, é bom voltar às origens e resgatar um pouco da vida de São Nicolau. Ele era muito religioso desde a mais tenra idade, e após perder os pais ainda muito jovem, em decorrência de uma epidemia, foi criado pelo tio, que também se chamava Nicolau e era bispo de Patara à época. O jovem Nicolau teria ido a Jerusalém, buscando se dedicar a uma vida eremita de oração, como era comum naqueles tempos, mas se convenceu de que deveria voltar a sua terra, onde seria mais útil ao Senhor. Foi assim que ele subiu paulatinamente na hierarquia eclesiástica e, por ocasião do Concílio de Niceia, em 325 d.C., foi um dos cerca de 300 bispos presentes para decidir questões cruciais que ameaçavam os rumos da ortodoxia da Igreja.

O tema mais disputado em Niceia foi a doutrina da trindade, combatida por Ário de Alexandria e seus seguidores. Conta-se que, enquanto Ário defendia que Jesus, o Filho, não era nem nunca havia sido igual (ou consubstancial) ao Pai, Nicolau ficou tão furioso que cruzou o recinto e, na presença do imperador Constantino, deu um tapa na cara do herege. O ato intempestivo teria causado profundo constrangimento no concílio, e Nicolau foi sumariamente despido de suas vestes episcopais. Lendas à parte, o fato é que, terminado o concílio, o arianismo foi derrotado e declarado anátema, consolidando-se o dogma da trindade, e Nicolau foi posteriormente restituído à sua posição de bispo.

Fonte: O Contorno da Sombra.

Papai Noel existe?

Existem cerca de 2 bilhões de crianças no mundo. Porém, como o Papai Noel não visita crianças das religiões judaica, muçulmana, budista e hindu, isso reduz o trabalho na noite de Natal para 32% do total, que dá cerca de 640 milhões de crianças. A uma taxa média de 2,5 crianças por lar, tem-se um total de 256 milhões de lares, considerando que haja pelo menos uma criança boazinha em cada lar. Graças à diferença de fuso-horário e à rotação da Terra, Papai Noel tem cerca de 36 horas de Natal para trabalhar – desde que ele viaje de leste para oeste (o que parece mais lógico). Para concluir todo o trabalho a tempo, ele teria que realizar algo em torno de 2 mil visitas por segundo. Ou seja, para cada lar cristão com uma criança boazinha, Papai Noel teria cerca de 0,5 milionésimo de segundo para estacionar o trenó, saltar, descer pela chaminé (ou qualquer outro buraco), encher as meias, distribuir os presentes restantes sob a árvore, subir de volta pela chaminé, entrar no trenó e ir até a próxima casa.

Considerando que cada um dos 256 milhões de lares estejam distribuídos uniformemente pelo mundo (o que, naturalmente, sabemos ser falso, mas será aceito para fins de facilitar o cálculo), estamos falando agora de aproximadamente 1,25 km por casa, o que dá uma viagem total de 320 milhões de quilômetros em apenas 36 horas. Isso significa que o trenó do Papai Noel move-se a uma velocidade média de quase 9 milhões de km/h – mais de 7  mil vezes a velocidade do som! O peso da carga no trenó é outro elemento interessante. Considerando que cada criança não receba nada mais do que um Lego médio, de mais ou menos 1 kg, o trenó levaria algo em torno de 640 mil toneladas, sem contar o peso do “bom velhinho”. Uma rena média não puxa mais do que 136 kg; isso significa que Papai Noel precisaria de quase 5 milhões de renas. Isso aumentaria a carga em mais 1,4 milhão de toneladas, já que uma rena pesa em média 300 kg.

2 milhões de toneladas viajando a 9 milhões de quilômetros por hora resultaria numa enorme resistência do ar. O trenó se aqueceria da mesma maneira que um meteorito ao entrar na atmosfera da Terra. O primeiro par de renas explodiria em chamas quase que instantaneamente, explodindo as renas atrás delas e criando estrondos sônicos ensurdecedores em seu rastro. Todo o conjunto seria vaporizado em menos de 0,76 milésimo de segundo. Conclusão: se algum dia o Papai Noel existiu, ele já está morto.

A misteriosa origem do Natal

A historiadora Jany Canela afirmou em entrevista ao site Cross Content que “a origem do Natal é muito vaga”. Cristãos de todo o mundo celebram o nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro, porém há relatos históricos indicando que o Natal é uma festa anterior ao nascimento de Jesus. “Na verdade, é sabido que muitos rituais e festas instituídas pela Igreja Católica como cristãs eram originalmente tradições pagãs reunidas de maneira a incluir também a cultura popular”, afirma a historiadora.

Uma das possíveis origens do Natal é um antigo festival na Mesopotâmia, que simbolizava a passagem de um ano para o outro, com festas que duravam 12 dias e seguia uma tradição que dizia que o rei deveria morrer no fim do ano e, ao lado do deus Marduk, lutar contra os monstros. Para evitar que o rei fosse morto, um criminoso era vestido com roupas do rei e tratado com privilégios, antes de ser morto como sacrifício. “Os povos antigos sempre realizaram festas de celebração em deferência aos marcos de transição da natureza, como as estações ou períodos representativos de mudanças importantes, entre eles o solstício (em dezembro) e o equinócio (em março)”, explica Jany Canela. Outra possibilidade de origem para o Natal é um ritual praticado pelos persas e babilônios, chamado Sacae, também motivado pela luta contra o mal e com escravos sendo tratados como senhores. “Por conta da relação luz/escuridão trazida pela simbologia do solstício, a teoria mais difundida sobre o Natal associa a data a esse período, em que alguns povos passavam a noite em vigília com tochas acesas para garantir que o sol nascesse e imperasse sobre a escuridão”, afirma Canela.

Os gregos antigos também incorporaram os rituais estabelecidos pelos mesopotâmios ao celebrar a luta de Zeus contra o titã Cronos. Esse hábito também chegou aos romanos, que passaram a realizar a Saturnalia, uma comemoração em homenagem ao deus Saturno, que começava no dia 17 de dezembro e ia até o 1º de janeiro, celebrando a noite mais longa do ano, o solstício de inverno. Segundo essas tradições, o dia 25 era a data em que o sol se encontrava mais fraco (no hemisfério norte), porém pronto para recomeçar a crescer e trazer vida às coisas da Terra. Nessas tradições, o dia 25 de dezembro era conhecido como o Dia do Nascimento do Sol Invicto, e era tratado como feriado, pois não havia trabalho nem aulas e eram realizadas festas nas ruas e celebrações com amigos. As árvores verdes eram enfeitadas e iluminadas com muitas velas para expulsar os maus espíritos. A tradição cristã, historicamente mais recente, comemora em 25 de Dezembro a data em que a virgem Maria deu à luz o filho de Deus, Jesus, em uma manjedoura. Porém, a data exata do nascimento do homem que mais influenciou a cultura e as religiões de todo o mundo, é um mistério.

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