Espectro político hexagonal

Deu muito trabalho, levou muito tempo e passou por muitas versões, mas finalmente consegui desenhar um espectro político decente, que representa bem a realidade política brasileira na atualidade. Ele é autoexplicativo. Você vai facilmente perceber que, na vertical, o espectro vai desde a liberdade absoluta (na parte de cima) até as ditaduras totalitárias (na parte de baixo). Dividindo-o ao meio em duas metades, todo o lado esquerdo representa ideologias de esquerda, assim como todo o lado direito, ideologias de direita. Sem mais explicações óbvias, eis abaixo, para vossa apreciação, a minha mais nova criação. Dei-lhe o nome de “espectro político hexagonal” ou, se me permitem ser menos modesto, “espectro político Andrade” (clique na imagem para ver em tamanho maior). O que acharam?

Veja também: Direitistas querem liberdade, esquerdistas querem igualdade

espectro-politico-hexagonal-charlezine

Minha nação nordestina

Os 193 países do mundo possuem juntos uma área total de aproximadamente 136.620.898 km². Dividindo isso igualmente entre eles, temos que 707.880 km² é aproximadamente o tamanho médio de um país do mundo hoje. Considerando apenas o continente europeu, sua área total é de aproximadamente 10.180.000 km². Dividindo isso igualmente entre os 50 países que compõem a Europa, temos que 203.600 km² é aproximadamente o tamanho médio de um país europeu. Resumindo, um país europeu médio teria cerca de 200 mil km² de área, enquanto que, em escala mundial, um país médio teria pouco mais de 700 mil km². Isso significa que boa parte da população mundial considera como sua pátria, sua nação, um território com área entre 200 e 700 mil km² (uma área do tamanho do Estado de São Paulo, Minas Gerais ou Bahia).

Com dimensões continentais (8.515.767 km², quase o tamanho da Oceania), o Brasil está muito longe desse padrão; de modo que muitos Estados brasileiros possuem dimensões bem maiores que o tamanho médio de um país. Talvez isso explique o porquê de haver tantos sotaques e culturas diferentes, tanto “bairrismo” e uma certa “rivalidade” (que em alguns casos culmina em preconceito e discriminação) entre regiões do Brasil, como o Nordeste e o Sudeste, por exemplo. É que, conscientemente ou não, percebemos mais facilmente como nossa pátria (ou nação) apenas a região geográfica em que vivemos (em alguns casos apenas o nosso Estado e/ou Estados vizinhos). Muitas vezes sem nos darmos conta disso, pensamos no Brasil da mesma maneira que muitas populações do mundo pensam o seu continente. Por isso, acabamos considerando como nossa nacionalidade e sentimos maior patriotismo apenas pela nossa região ou Estado.

Tomemos como exemplo o meu caso. Sempre vivi na Paraíba e, até hoje, só viajei por terra (moto, carro, ônibus, trem) para o interior paraibano e para os Estados vizinhos de Pernambuco e Rio Grande do Norte. Fora desse território limitado, só fiz viagens aéreas, dada a inviabilidade de percorrer o Brasil por terra. Por esse motivo, considero como minha terra natal, meu lugar de origem, apenas aquele raio que posso facilmente percorrer por terra em apenas um dia. De certa forma, meu “país” (considerando-se a média global) é apenas aquela área para a qual posso ir de moto ou carro quando me der na telha e voltar no mesmo dia. Sendo mais preciso, posso dizer que essa área tem cerca de 406.322 km² e corresponde aos Estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe (em vermelho no mapa). Isso é quase o dobro do tamanho de um país europeu médio e mais de três vezes o tamanho da Inglaterra!

Nordeste

Não quero com isso sugerir ou propagandear uma segregação do Brasil. Meu discurso não é nem um pouco separatista. Pelo contrário, eu até penso que unir estes seis Estados em um só talvez seria uma boa ideia, visto que estamos falando de unidades federativas relativamente pequenas em área se comparadas com os outros Estados, e geograficamente agrupadas, juntinhas. Se isso acontecesse no futuro, seríamos um Estado mais forte, mais representativo e com um tamanho parecido com o da Bahia ou Minas Gerais. Já comentei aqui em outro post que a capital seria Recife. Mas não é bem isso que quero defender aqui. O objetivo deste post é apenas expor uma constatação curiosa: a de que, se os países do mundo tivessem todos mais ou menos o mesmo tamanho, a área em vermelho do mapa acima seria a minha Nação Nordestina.

ATUALIZAÇÃO em 05/05/2015:

A União Europeia é formada por 28 países europeus, quase como o Brasil, que tem 27 unidades federativas (os 26 Estados e o Distrito Federal). No entanto (pasmem), sua área total é de apenas 4.324.782 km², quase a metade da área do Brasil, que é de 8.515.767 km². Fazendo com a UE os mesmos cálculos acima, temos que a área média de um país membro da UE é de 154.456 km²; enquanto que a área média de um Estado brasileiro é mais que o dobro disso: 315.399 km².

ATUALIZAÇÃO em 07/04/2017:

A área em vermelho no mapa acima corresponde quase exatamente ao território conquistado pelos holandeses no século 17, que na época era conhecido como Nova Holanda (mapa abaixo).

Nova Holanda

Um pequeno glossário para entender os “palavrões” do Hino Nacional

Veja também: Entenda o significado das estrelas na bandeira do Brasil

bandeira-do-brasil-sil-silO Hino Nacional Brasileiro é um dos 4 símbolos oficiais da República Federativa do Brasil, conforme estabelece o art. 13, § 1.º, da Constituição do Brasil (os outros símbolos da República são a bandeira nacional, as armas nacionais e o selo nacional). A música é uma composição de Francisco Manuel da Silva (1795 – 1865) e a letra é de Joaquim Osório Duque Estrada (1870 – 1927). O Hino foi adquirido por 5 contos de réis, pelo decreto n.º 4.559 de 21 de agosto de 1922, pelo então presidente Epitácio Pessoa; e foi oficializado pela lei n.º 5.700, de 1 de setembro de 1971. Leis e decretos à parte, fato é que a letra do nosso Hino Nacional ostenta uma linguagem rebuscada, pomposa em demasia, e um português bastante arcaico para os padrões atuais da língua, o que torna-o quase incompreensível ao cidadão brasileiro mediano, isto é, à população em geral. Pensando nisso, resolvi pesquisar um pouco e prestar esse serviço de utilidade pública, traduzindo para uma linguagem mais popular e atual as expressões mais “enigmáticas” do nosso Hino Nacional.

hino

*Trechos do poema “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias (1823-1864).

Ipiranga – Nome de um riacho situado na cidade de São Paulo, junto ao qual D. Pedro I supostamente proclamou a independência da República no dia 7 de setembro de 1888.

Margens plácidas – “Plácida” significa serena, calma, sossegada, tranquila.

Brado retumbante – Grito forte que provoca eco.

Raios fúlgidos – “Fúlgido” significa brilhante, cintilante.

Penhor – Usado de maneira metafórica (figurada), “penhor dessa igualdade” é a garantia, a segurança de que haverá liberdade na nação.

Raio vívido – “Vívido” significa brilhante, fulgurante, aquilo que tem vivacidade, que ilumina, que esclarece, que tem cores vivas. Essa expressão tem quase o mesmo significado que “raios fúlgidos”.

Imagem do Cruzeiro – Referência à constelação do Cruzeiro do Sul que resplandece (isto é, brilha) no céu noturno.

Impávido colosso – “Colosso” é uma estátua muito grande, de dimensões muito elevadas (como o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, por exemplo). Estar “impávido” significa não sentir ou aparentar medo diante do perigo.

Fulguras – Do verbo “fulgurar”, que significa reluzir, brilhar, distinguir-se dos demais, sobressair-se de maneira brilhante.

Florão da América – “Florão” é um ornato em forma de flor usado nas abóbadas de construções grandiosas. Segundo a letra do Hino, o Brasil seria o ponto mais importante e vistoso de toda a América.

Novo Mundo – Referência ao continente americano.

Garrida – Significa enfeitada, que chama a atenção pela beleza.

Lábaro que ostentas – “Lábaro” significa uma bandeira ou um estandarte. “Ostentar” significa mostrar, exibir com orgulho.

Verde-louro dessa flâmula – Verde e amarelo dessa bandeira.

Clava forte – “Clava” é um pedaço de pau grosso e maciço, um grande porrete usado como arma. No verso, em sentido figurado, significa mobilizar um exército, entrar em guerra.

Estas são, a meu ver, as expressões mais incompreendidas do nosso Hino Nacional. Espero que esse pequeno glossário tenha ajudado e que você, brasileiro, possa cantar o Hino com mais propriedade de agora em diante.

Uma questão de nacionalidade: Americano, norte-americano ou estadunidense?

Veja também: Diferença entre Inglaterra, Reino Unido e Grã-Bretanha

USA

Qual a maneira correta de indicar a nacionalidade de quem nasce nos Estados Unidos da América? Como devo me referir a algo que tem origem, características ou ligação com esse país? Americano, norte-americano ou estadunidense? Eu mesmo convivi com essa dúvida por um bom tempo (inclusive na hora de escrever posts para este blog) e somente agora tive a disposição de ir pesquisar, ler, comparar opiniões e finalmente me posicionar. Eis o que encontrei: Primeiramente, nota-se que as três formas são muito comuns no Brasil, muito embora no resto do mundo a primeira seja bem mais usada. Vejamos as principais críticas e objeções suscitadas por brasileiros acerca de cada um dos termos, bem como os melhores argumentos em favor de cada um deles:

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ESTADUNIDENSE

Quem defende o uso da expressão “estadunidense” está, na maioria das vezes, motivado politicamente – são geralmente influenciados pela ideologia anti-americana. Dizem eles que “americano” é quem nasce na América (como brasileiros, argentinos, mexicanos e estadunidenses); e “norte-americano” é quem nasce na América do Norte (como canadenses e estadunidenses). De acordo com esse ponto de vista, qualquer imposição cultural que use outro termo mais abrangente, que não seja “estadunidense”, para referir-se àquele país é de caráter imperialista e deriva do egocentrismo característico desse povo. Segundo essa posição, os próprios “estadunidenses” usurparam o termo e se autodenominaram “americanos” por se considerarem a parte mais importante da América. Por que logo eles, os “estadunidenses”, teriam o direito de usar como emblema a sonoridade de América, se nós também somos América?

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NORTE-AMERICANO

Numa tentativa de estreitar o uso do termo “americano”, muito por conta das críticas citadas acima, surgiu a expressão “norte-americano”. Obviamente ela não resolve muita coisa, já que norte-americano claramente se refere à América do Norte em geral, incluindo os canadenses. Não há um argumento forte que sustente tal uso: ele cristalizou-se no Brasil aparentemente apenas por conta do uso frequente. Esta é, portanto, uma maneira pouco precisa de se referir a esse povo. Algo como chamar brasileiros de sul-americanos ou latino-americanos num sentido exclusivo.

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AMERICANO

O termo mais comum (e mais usado em documentos oficiais) em todo o mundo é “americano”, de modo que esta discussão sobre qual dos três termos usar é uma peculiaridade brasileira – que, certamente, surgiu após as objeções anti-imperialistas explicadas acima. Essa discussão é também muito recente, haja vista que “americano” é a forma mais enraizada na história de nossa língua. De Machado de Assis a Caetano Veloso, existe uma tradição cultural séria a legitimar “americano” como termo preferencial para designar o que se refere aos EUA no português brasileiro. Isso sem falar que, na nacionalidade, no passaporte ou no documento de identidade de uma pessoa que pertence aos EUA, está sempre escrito “american”; ou, se for um documento brasileiro, está escrito “americana (nacionalidade)” e não “estadunidense”.

No entanto, sempre houve quem se incomodasse com isso, por acreditar que essa escolha aparentemente inocente traz embutida uma concordância com o sequestro que os ianques fizeram do termo que deveria ser propriedade de todo o Novo Mundo. O problema é que o principal argumento contra o uso de “americano” – o de que o termo está errado porque quer dizer tudo o que se refere às três Américas – é ingênuo. De acordo com a grande maioria dos dicionários de língua portuguesa, a palavra “americano” é usada para se referir à pessoas do continente americano e/ou pessoas que são dos EUA. Ou seja, tem os dois usos – assim como “mineiro” pode designar tanto um trabalhador de minas, seja ele búlgaro ou cearense, quanto uma pessoa natural do Estado de Minas Gerais, e o contexto resolve qualquer possível ambiguidade.

Existem críticas muito consistentes aos termos alternativos. A expressão “norte-americano”, como já vimos, faz referência à América do Norte e inclui os canadenses. A expressão “estadunidense”, por outro lado, é a que menos faz sentido. Quem está um pouco familiarizado com a História do Brasil deve se lembrar que nosso país, antes de se chamar oficialmente “República Federativa do Brasil”, chamava-se “Estados Unidos do Brasil”. Mas nem por isso nosso povo foi, naquela época, chamado de “estadunidense”: éramos, ainda assim, “brasileiros”. Isso porque o termo “Estados Unidos” diz respeito à forma de organização do país e não ao nome do país propriamente dito. “Estados Unidos”, nesse caso, é o equivalente de “República Federativa”. Chamar um americano de “estadunidense” seria o equivalente a chamar um brasileiro de “republicano-federativo”. O mesmo vale para as pessoas que nascem no Reino Unido da Grã-Bretanha. Seguindo a mesma lógica que querem os defensores do termo “estadunidense”, os súditos da rainha deveriam ser chamados de “reinunidenses” em vez de “britânicos”. Ora, se o povo dos Estados Unidos do Brasil sempre foi chamado de “brasileiro”, o povo da República Federativa do Brasil continua sendo chamado de “brasileiro” e o povo do Reino Unido da Grã-Bretanha é chamado de “britânico”, devemos, por uma questão de coerência, chamar o povo dos Estados Unidos da América de “americano”.

Entenda o significado das estrelas que compõem a bandeira do Brasil

Veja também: Entenda os “palavrões” do Hino Nacional Brasileiro

Pouca gente sabe, mas as 27 estrelas presentes na bandeira do Brasil representam cada um dos 26 Estados mais o Distrito Federal. Na verdade, cada estrela representa especificamente um Estado, como você pode ver na imagem a seguir. Abaixo do nome do Estado, estão o nome da estrela que o representa e da constelação a que ela pertence.

800px-Flag_of_Brazil_(sphere).svg

A próxima imagem é o desenho modular (ou técnico) da bandeira do Brasil. Ele especifica a posição exata que cada constelação deve ocupar, mantendo as proporções oficiais.

800px-Flag_of_Brazil_(dimensions).svg

A imagem a seguir mostra como devem estar posicionadas as estrelas que formam a constelação do Escorpião, a maior e mais complexa presente na bandeira brasileira.

Scorpius_Bandeira_Brasil

Para finalizar, o mapa abaixo mostra quais Estados brasileiros são representados por cada constelação. A cor de cada unidade da federação indica a qual constelação pertence a estrela a ela correspondente (vide legenda).

Com informações de: Wikipedia.

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ATUALIZAÇÃO EM 18/09/2013:

Hoje, 18 de setembro, celebra-se no Brasil os símbolos nacionais. O quadro “Repórter Brasil Explica”, da TV Brasil, detalha o significado de alguns deles.

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