Expectativa de vida: Por que, em geral, as mulheres vivem mais que os homens?

De maneira geral, em todo o mundo, a expectativa de vida média das mulheres é superior à dos homens. No Brasil, segundo dados de 2015, a expectativa de vida ao nascer para os homens é de 75,5 anos. Para as mulheres, é de 79,1. Na França, homens vivem em média 78,5 anos e mulheres, 84,9. No Japão, esses números chegam a 80,2 anos para homens e 86,6 para mulheres. Já no Sudão, a média para os homens é de 61,2 anos e para as mulheres, 65,4. Por que, afinal, essa diferença é tão persistente?

Segundo Steven Austad e Kathleen Fischer, da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, os seres humanos são a única espécie em que um sexo é conhecido por ter vantagem de sobrevivência em qualquer condição. “De fato, a diferença de sexo na longevidade pode ser uma das características mais robustas da biologia humana”, escreveram em um artigo publicado na revista Cell Metabolism. O Human Mortality Database reúne informações de mortalidade de homens e mulheres de 38 países que remontam até 1751 para a Suécia e 1816 para a França. “Dada essa alta qualidade dos dados, é impressionante que, para todos os 38 países em cada ano no banco de dados, a expectativa de vida feminina ao nascer excede a expectativa de vida masculina”, notaram Austad e Fischer. Além disso, as mulheres são a grande maioria dos supercentenários, as pessoas que ultrapassam os 110 anos de idade. Atualmente, existem 43 pessoas vivas no mundo todo que passaram dessa idade – e apenas uma é homem.

Um caso curioso para estudo é o da Islândia. Durante o século 19, a ilha, cuja população é geneticamente homogênea, sofreu erupções vulcânicas, períodos de fome, inundações e epidemias. Com isso, a expectativa de vida chegou a cair para os 21 anos de idade e, em épocas melhores, subiu para 69 anos. Mas, independentemente da situação que o país vivia, a expectativa de vida das mulheres sempre superou a dos homens. Nos Estados Unidos, sabe-se que a mulher tem melhor resistência à maioria das principais causas de morte. Das 15 principais causas de morte em 2013, as mulheres morreram em uma menor taxa, ajustada por idade, de 13 delas, incluindo todas as 6 principais causas. Para apenas uma causa, o acidente vascular cerebral, não houve viés de sexo, e apenas para uma delas, a doença de Alzheimer, as mulheres estavam em maior risco.

De acordo com estudo feito por um grupo de pesquisadores liderado por Katsuiku Hirokawa, professor da Tokyo Medical and Dental University, no Japão, o segredo para a maior longevidade das mulheres estaria no seu sistema imunológico. A equipe analisou amostras de sangue de 356 pessoas de ambos os sexos com idades entre 20 e 90 anos, medindo os níveis de glóbulos brancos, que fazem parte do sistema imunológico, e citocinas, proteínas que ajudam a regular o sistema imunológico. Tanto em mulheres como em homens, o número de glóbulos brancos e de citocinas diminui com a idade, mas essa queda é mais acelerada em homens. Por outro lado, com o passar dos anos, a produção de dois tipos de células (CD4T e NK) responsáveis por destruir organismos invasores aumenta – e esse processo é mais intenso em mulheres. Além disso, de acordo com Hirokawa, a alta quantidade de estrogênio parece proteger as mulheres de doenças cardiovasculares até a menopausa.

Com informações de: HypeScience.

A proporção entre homens e mulheres na pesquisa científica, por área do conhecimento

O infográfico abaixo, produzido pelo jornal Nexo, mostra a proporção de pesquisadores homens e mulheres por área do conhecimento no Brasil. Os dados são da Unesco e do relatório “Gender in the Global Research Landscape”, publicado em 2017 pela Elsevier. Note que a área de saúde é dominada majoritariamente por mulheres, enquanto que as áreas de tecnologia e ciências exatas é dominada por homens. Em ciências humanas e sociais, há um maior equilíbrio entre os gêneros.

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Estatísticas da pós-graduação no Brasil

Infográficos produzidos pela revista Galileu com dados de 2010 divulgados pelo CNPq e pela Capes revelam os números da pós-graduação no Brasil.

Número de doutores por milhão de habitantes:

Baseado em dados de 2010 (Foto: gabriela oliveira)

Concentração de mestres e doutores por estado:

Calculados a partir de dados do CNPq, com base no censo 2010, fontes IBGE, Banco Mundial e CAPES (Foto: gabriela oliveira)

Número de mestres e doutores por gênero:

 (Foto: gabriela oliveira)

Ator Pedro Cardoso fala sobre pornografia e nudez na televisão, no cinema e no teatro

Trecho da entrevista concedida pelo ator Pedro Cardoso à jornalista Leda Nagle para o programa Sem Censura, da TV Brasil, exibido em 2009.

O renascimento do parto

O Renascimento do PartoA cesariana é uma cirurgia maravilhosa que salva vidas todos os dias, mas ela, pelo menos em tese, deveria ser um procedimento de urgência, uma alternativa caso a mulher ou o bebê corresse riscos graves com o parto normal. Infelizmente não é isso o que acontece hoje no mundo todo, especialmente no Brasil. Hoje, no Brasil, mais de 80% dos partos feitos com plano de saúde são cesarianas. Considerando todos os partos feitos no Brasil em 2014, mais da metade foram cesarianas. Por ser mais conveniente e lucrativo para os médicos, para os hospitais e para o sistema de saúde, este se tornou o novo paradigma obstétrico. A cesariana é o novo “normal”, e o chamado “parto normal” está se tornando cada vez mais raro.

O documentário “O Renascimento do Parto” denuncia essa prática abusiva e orienta, não só as gestantes, mas toda a sociedade, sobre um fato óbvio: a normalidade do parto normal. Ele critica o paradigma atual, faz uma apologia do parto natural, trás muitas informações valiosas, depoimentos de especialistas e mães, e é bastante útil para quem um dia pensa em trazer uma criança a este mundo. Se quiser saber mais a respeito antes de assistir o filme, assista o trailer abaixo, acesse o site oficial e a fanpage do projeto.

A aliança – Luis Fernando Verissimo

Crônica extraída do livro As Mentiras que os Homens Contam
(Rio de Janeiro: Objetiva, 2001).

casamento1Esta é uma história exemplar, só não está muito claro qual é o exemplo. De qualquer jeito, mantenha-a longe das crianças. Também não tem nada a ver com a crise brasileira, o apartheid, a situação na América Central ou no Oriente Médio ou a grande aventura do homem sobre a Terra. Situa-se no terreno mais baixo das pequenas aflições da classe média. Enfim. Aconteceu com um amigo meu. Fictício, claro. Ele estava voltando para casa, como fazia, com fidelidade rotineira, todos os dias à mesma hora. Um homem dos seus 40 anos, naquela idade em que já sabe que nunca será o dono de um cassino, com diamantes nos dentes, mas ainda pode esperar algumas surpresas da vida, como ganhar na loteria ou furar-lhe um pneu.

Furou-lhe um pneu. Com dificuldade, ele encostou o carro no meio-fio e preparou-se para a batalha contra o macaco, que provavelmente não funcionaria, resignação e reticências… Conseguiu fazer o macaco funcionar, ergueu o carro, trocou o pneu e já estava fechando o porta-malas quando a sua aliança escorregou pelo dedo sujo de óleo e caiu no chão. Ele deu um passo para pegar a aliança do asfalto, mas sem querer a chutou. A aliança bateu na roda de um carro que passava e voou para um bueiro, onde desapareceu diante dos seus olhos, nos quais ele custou a acreditar. Limpou as mãos o melhor que pôde, entrou no carro e seguiu para casa. Começou a pensar no que diria para a mulher. Imaginou a cena. Ele entrando em casa e respondendo às perguntas da mulher antes de ela fazê-las:

— Você não sabe o que me aconteceu!

— O quê?

— Uma coisa incrível.

— O quê?

— Contando ninguém acredita.

— Conta!

— Você não nota nada de diferente em mim? Não está faltando nada?

— Não.

— Olhe.

E ele mostraria o dedo da aliança, sem a aliança.

— O que aconteceu?

E ele contaria. Tudo, exatamente como acontecera. O macaco. O óleo. A aliança no asfalto. O chute involuntário. E a aliança voando para o bueiro e desaparecendo.

— Que coisa!

Diria a mulher, calmamente.

— Não é difícil de acreditar?

— Não. É perfeitamente possível.

— Pois é. Eu…

— SEU CRETINO!

— Meu bem…

— Está me achando com cara de boba? De palhaça? Eu sei o que aconteceu com essa aliança. Você tirou do dedo para namorar. É ou não é? Para fazer um programa. Chega em casa a esta hora e ainda tem a cara-de-pau de inventar uma história em que só um imbecil acreditaria.

— Mas, meu bem…

— Eu sei onde está essa aliança. Perdida no tapete felpudo de algum motel. Dentro do ralo de alguma banheira redonda. Seu sem-vergonha!

E ela sairia de casa, com as crianças, sem querer ouvir explicações.

Mas ele não fez nada disso. Chegou em casa sem dizer nada.

— Por que o atraso?

— Muito trânsito.

— Por que essa cara?

— Nada, nada.

E, finalmente:

— Que fim levou a sua aliança?

E ele disse:

— Tirei para namorar, para fazer um programa, e perdi no motel. Pronto. Não tenho desculpas. Se você quiser encerrar nosso casamento agora, eu compreenderei.

Ela fez cara de choro. Depois correu para o quarto e bateu com a porta. Dez minutos depois reapareceu. Disse que aquilo significava uma crise no casamento deles, mas que eles, com bom-senso, a venceriam.

— O mais importante é que você não mentiu pra mim.

E foi tratar do jantar.

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