Suposto local do Jardim do Éden é declarado patrimônio cultural da UNESCO

A região dos Pântanos da Mesopotâmia é cercada por grandes rios e fica localizada no atual território do Iraque, no sudeste do país. Essa região é considerada por muitos estudiosos como o local descrito na narrativa do Gênesis, onde supostamente a humanidade teria surgido. Recentemente, o provável local do Jardim do Éden tornou-se um patrimônio mundial da UNESCO, segundo anúncio feito pelas autoridades iraquianas.

O ecossistema úmido é alimentado pelos rios Tigre e Eufrates, tornando o local pleno de água e vida natural. No entanto, a região nem sempre foi mantida assim. Na década de 1990, os rios que abasteciam a área foram drenados pelo então ditador Saddam Hussein. Sua ação foi feita para punir as tribos árabes nativas da região pantanosa e outros opositores que se refugiavam no local — que haviam se revoltado contra o seu governo após a primeira Guerra do Golfo. Hussein construiu uma rede de canais para desviar a água dos rios Eufrates e Tigre, direcionando-a para o mar.

O quadro foi revertido apenas depois da queda do ex-ditador pelos Estados Unidos, em 2003. Desde então, moradores e agências ambientais trabalharam para destruir as barragens e restaurar a região. Os pântanos, que tinham mais de 9 mil quilômetros quadrados de extensão na década de 1970, foram reduzidos para apenas 760 quilômetros quadrados em 2002, antes do início de sua recuperação. O governo do Iraque anunciou que pretende recuperar um total de 6 mil quilômetros quadrados.

Na fronteira com o Irã, os pântanos têm sido utilizados nos últimos anos para o contrabando de drogas, armas e cativeiros de reféns. As tribos árabes nativas viveram nos Pântanos da Mesopotâmia por milênios, mas ultimamente têm vivido à margem da sociedade iraquiana. No domingo, o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, elogiou a decisão da UNESCO que, segundo ele, “coincide com as vitórias militares consecutivas na guerra contra o Estado Islâmico”. O grupo terrorista, que já perdeu metade do território que foi dominado por eles em 2014, ainda controla alguns dos mais ricos sítios arqueológicos do mundo no norte do Iraque.

Fonte: Guia-me.

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Como Andrés Ruzo descobriu que um rio fervente da Amazônia não era lenda

O peruano Andrés Ruzo sempre pensou que a existência de um rio fervente na Amazônia não passasse de uma lenda. Mas seu trabalho como geólogo – com uma bolsa da National Geographic – o levou a conhecer de fato essa maravilha natural, aonde ele “gostaria de levar todas as crianças do mundo para que vejam o quão maravilhoso é nosso planeta”. Agora, ele lança um livro, The Boiling River (O rio fervente, em inglês), assim como um site de mesmo nome, em inglês e espanhol, em que conta a fascinante história sobre esse lugar único cujo nome indígena significa “fervido com o calor do sol”. Clique na imagem abaixo para assistir uma apresentação dele no TED em 2014, e a seguir leia o relato dado pelo jovem cientista à BBC:

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Quando era criança, em Lima, meu avô me contou uma lenda da conquista do Peru pela Espanha. Atahualpa, imperador dos incas, havia sido capturado e aniquilado. Francisco Pizarro e seus conquistadores haviam enriquecido, e as histórias sobre sua conquista haviam chegado à Espanha, produzindo novas ondas migratórias de espanhóis, ávidos por ouro e glória. Eles iam aos povoados e perguntavam aos incas: “Onde há outra civilização que podemos conquistar? Onde há mais ouro?”. Os incas, por vingança, respondiam: “Vão à Amazônia. Lá, encontrarão todo o ouro que quiserem. De fato, há uma cidade chamada PaititiEl Dorado, em espanhol – toda feita em ouro”. Os espanhóis foram para a selva, mas os poucos que voltaram contavam histórias de poderosos xamãs, de guerreiros com flechas envenenadas, de árvores tão altas que tapavam o sol, de aranhas que comiam pássaros, cobras que comiam homens inteiros e de um rio que fervia. Tudo isso virou uma memória de infância.

Enquanto trabalhava em meu doutorado, tratando de entender o potencial da energia geotérmica do Peru, lembrei-me desta lenda e me perguntei: Será que o rio fervente existe? Perguntei a colegas da universidade, ao governo, a companhias de petróleo, gás e mineração, e a resposta sempre foi um unânime “não”. E faz sentido. É que, ainda que existam rios ferventes no mundo, geralmente estão associados a vulcões. É necessária uma fonte poderosa de calor para produzir uma manifestação geotérmica tão grande. Mas não há vulcões na Amazônia, nem na maior parte do Peru. Consequentemente, não deveria haver um rio fervente ali. Quando estava contando essa mesma história em um jantar de família, minha tia me disse: “Não, Andrés, já estive lá. Eu me banhei neste rio”. E meu tio me confirmou: “Não é mentira. Só é possível nadar nele depois de uma chuva forte, e está protegido por um poderoso xamã”.

Apesar do meu ceticismo científico, terminei entrando na selva, guiado pela minha tia, a mais de 700 km do centro vulcânico mais próximo e, honestamente, preparando-me mentalmente para ver a lendária “corrente quente da Amazônia”. E então… escutei algo. Um som de ondas que ficava cada vez mais forte conforme nos aproximávamos. Soava como as ondas do mar se quebrando e, ao chegar perto, vi um vapor elevando-se entre as árvores. Saquei imediatamente meu termômetro, e a temperatura média da água do rio era de 86ºC. Não precisamente os 100ºC, ponto de ebulição da água, mas suficientemente próximo. O rio corria quente e rapidamente. E isso era estranho. O aprendiz do xamã me levou rio acima a um lugar mais sagrado. Começa como um córrego frio. Logo, em um local chamado de Yacumama, nome da mãe das águas – o espírito de uma serpente gigante que, na mitologia local, dá à luz água fria e quente –, está a corrente quente que se mistura com a fria, dando vida a suas lendas.

Na manhã seguinte, acordei e pedi um chá. Entregaram-me um saco de chá e uma xícara com água do rio. Para minha surpresa, era limpa e seu sabor, agradável, algo pouco comum nos sistemas geotérmicos. O assombroso é que os nativos conheciam este lugar desde sempre e que eu não era de forma alguma o primeiro forasteiro a vê-lo. O rio é simplesmente parte de seu cotidiano. Tomam sua água, aproveitam seu vapor, cozinham, se limpam e até tomam seus remédios com ele. Quando conheci o xamã, ele me pareceu ser uma extensão do rio e da selva. Perguntou-me qual eram minhas intenções e escutou-me com atenção. Logo, para meu grande alívio, um sorriso começou a se desenhar no seu rosto, e ele simplesmente riu. Recebi sua bênção para estudar o rio com a condição de que, depois de analisar as amostras em meu laboratório, as jogasse na terra, onde quer que estivesse, para que as águas pudessem encontrar seu caminho de volta para seu lar.

O nome indígena do rio, Shanay-timpishka, significa “fervido com o calor do sol”, o que indica que não sou o primeiro a me perguntar por que o rio ferve e mostra que a humanidade sempre busca explicar o mundo que nos rodeia. Então, por que ele ferve? Assim como nós temos sangue quente correndo por nossas veias e artérias, a Terra tem água quente correndo por suas rachaduras e falhas. Quando chegam à superfície, produzem manifestações geotérmicas: torres de vapor, águas termais ou, neste caso, um rio fervente. O que realmente é incrível, no entanto, é a escala do local. O rio flui quente por 6,24 km e, ao longo da maioria desse percurso, é mais largo que uma rodovia. Tem piscinas termais e cascatas de mais de seis metros de altura… tudo com água quase fervendo. Quando mapeamos as temperaturas ao longo do rio, surgiu uma tendência curiosa. O rio começa frio, depois esquenta, volta a esfriar e esquenta novamente, daí sua temperatura baixa mais uma vez e sobe de novo, e finalmente começa a cair até desembocar em outro rio.

O número mágico é 47, porque, a 47ºC, o calor começa a machucar, e sei disso por experiência própria. Acima desta temperatura, é preciso tomar cuidado, pois pode ser mortal. Vi todo tipo de animal cair nele, e o que mais me impressiona é que o processo é sempre muito parecido. Primeiro, perdem os olhos, que, aparentemente, cozinham muito rápido, adquirindo uma cor esbranquiçada. A corrente os vai levando, e eles tentam nadar para sair do rio, mas sua carne está cozinhando, pois é muito quente. Assim, vão perdendo as forças até que, finalmente, chega o momento em que a água quente entra na sua boca e os cozinha por dentro. Um pouco sádico, não? De novo, suas temperaturas são o mais impressionante. São similares à de outros vulcões que vi no mundo todo, inclusive de supervulcões, como Yellowstone. A questão é que essa informação nos mostra que um rio fervente pode existir independentemente de vulcões. Sua origem não é ligada ao magma. Como isso é possível? Por anos, tenho questionado especialistas em geotermia e vulcanólogos e ainda não consegui encontrar um sistema geotérmico não-vulcânico dessa magnitude. É algo único. É especial em escala global.

De onde vem seu calor? Ainda será preciso investigar muito para entender melhor, mas, segundo a informação que coletamos, parece ser resultado de um grande sistema hidrotérmico. A água pode vir das geleiras dos Andes e, após ser filtrada nas profundezas da Terra, brota fervendo, aquecida pelo gradiente geotérmico, tudo graças a uma situação geológica única. Trabalhando com meus colegas Spencer Wells, da National Geographic, e Jon Eisen, da Universidade da Califórnia, sequenciamos geneticamente os organismos extremófilos, que sobrevivem ou requerem condições geoquímicas extremas, dentro e ao redor do rio e encontramos novas espécies. No entanto, apesar de tantos estudos e todas as descobertas e lendas, ficam as perguntas: Qual é o significado do rio fervente? Qual é a transcendência dessa nuvem estacionária que flutua sobre este pedaço da selva? Qual é a importância de um detalhe em uma lenda da infância? Para o xamã e sua comunidade, é um lugar sagrado. Para mim, como geocientista, é um fenômeno único. Mas, para os lenhadores ilegais e pecuaristas, é apenas outro recurso a ser explorado. E, para o governo peruano, é outro território desprotegido, pronto para ser desenvolvido.

Minha meta é garantir que quem controle esta terra compreenda o significado e a singularidade do rio fervente. Porque disso se trata, de significado. E nós definimos o significado. Temos esse poder. Somos nós que traçamos a linha entre o sagrado e o trivial. E, nesta época em que tudo parece estar mapeado, medido e estudado, nesta era da informação, os recordo que as descobertas não só se fazem no vazio negro do desconhecido, mas também em meio ao ruído branco gerado pela imensa quantidade de dados. Há muito a se explorar. Vivemos em um mundo incrível. Então, seja curioso.

O misterioso Triângulo das Bermudas

bermuda triangleMais de 100 navios e aviões desapareceram, desde o final da Segunda Guerra Mundial, na área localizada entre o arquipélago das Bermudas, no Atlântico norte; a cidade de Miami, na Flórida; e a cidade de San Juan, em Porto Rico. Os limites dessa região formam um triângulo imaginário sobre as águas do Mar do Caribe que há séculos desperta temores. Mas a fama do Triângulo das Bermudas como cenário de fenômenos inexplicáveis cresceu mesmo a partir de dezembro de 1945, quando cinco aviões da Marinha americana sumiram sem deixar vestígios. As especulações sobre o incidente e a lembrança de casos semelhantes deixaram muita gente curiosa e logo a mídia passou a explorar o assunto em livros, filmes e programas de TV. Publicado em 1974, o livro O Triângulo das Bermudas, do escritor americano Charles Berlitz, vendeu 20 milhões de exemplares.

Como o interesse popular crescia, os cientistas começaram a levar o assunto a sério, buscando uma resposta plausível. Uma das teorias que hoje tem certo crédito no meio científico culpa o gás metano pelos mistérios. Alguns cientistas garantem que no subsolo oceânico do Triângulo há metano estocado como hidrato gasoso, em estruturas como cristais de gelo. O movimento das placas tectônicas muda a pressão e a temperatura das profundezas, transformando esse hidrato em gás. O gás de metano sobe para a superfície em forma de bolhas e reduz a densidade da água. “A liberação do metano reduz a capacidade de flutuação de um navio e pode afundá-lo”, diz o físico Bruce Denardo, da Escola de Pós-Graduação Naval de Monterey, nos Estados Unidos. Além do risco de naufrágio, essas bolhas também podem liberar o gás na atmosfera, de modo que uma pequena faísca produzida pelas turbinas de um avião que passe pelo local nesse momento seria suficiente para provocar uma explosão, já que estamos falando de “uma forma bruta do gás de cozinha”, como descreve o geólogo Carlos José Archanjo, da USP.

Essa teoria, porém, está longe de ser uma unanimidade. Para vários especialistas há muito exagero em torno do assunto. Fenômenos bem mais comuns, como tempestades, explicariam boa parte dos naufrágios e muitos podem ter ocorrido longe da área. Em 1975, no livro The Bermuda Triangle Mystery – Solved (“O Mistério do Triângulo das Bermudas – Solucionado”, inédito no Brasil), o ex-piloto americano Larry Kusche mostra o trabalho de meses de investigações sobre vários incidentes e conclui que os aviões desaparecidos em 1945 caíram no mar por causa da simples falta de combustível. De qualquer forma, as histórias sobre o Triângulo das Bermudas ainda impressionam. A catarinense Heloisa Schurmann, matriarca da família que deu a volta ao mundo em um barco entre 1984 e 1994, navegou pela região com o marido Vilfredo em 1978. E não tem boas lembranças: “Quando entramos no arquipélago das Bahamas, uma forte tempestade se aproximou. De repente, vimos um redemoinho de água vindo em nossa direção. Imediatamente mudamos de rumo e fugimos daquele lugar”, revela a brasileira.

Alguns fatos curiosos e misteriosos envolvendo o Triângulo das Bermudas:


500 a.C. – Pesadelo fenício

Cinco séculos antes de Cristo, os fenícios, civilização de exímios navegadores que surgiu onde hoje fica a Síria, no Oriente Médio, temiam monstros marinhos que se moviam num oceano de algas. Hoje, há especialistas que vêem nisso uma indicação de que eles teriam chegado ao mar de Sargaços, área infestada de algas sobre o Triângulo das Bermudas.


Século 15 – Sustos de Colombo

O navegador espanhol Cristóvão Colombo também temia essa parte do Mar do Caribe. Em seu diário de bordo, ele menciona estranhos acontecimentos no local, como o mau funcionamento de sua bússola e a presença de luzes emergindo do oceano.


Século 18 – Primeiro naufrágio

Em 1790, a embarcação do navegador espanhol Juan de Bermudez afundou na região, mas ele conseguiu sobreviver e encontrar uma ilha, que depois passaria a se chamar Bermudas (nome atual), por causa de seu sobrenome. O navegador não só esteve num dos primeiros naufrágios registrados no Triângulo como ainda batizou o arquipélago.


1945 – O caso mais polêmico

Cinco bombardeiros Torpedo, da Marinha americana, decolam de Fort Lauderdale, na Flórida, e desaparecem com 14 tripulantes a bordo. O incidente do chamado Vôo 19 (seu número de controle no tráfego aéreo) tornaram a região mundialmente famosa como local de sumiços misteriosos.


1951 – Gigante desaparecido

Um avião cargueiro C-124, da Força Aérea americana, deixa de ser registrado por radares ao sobrevoar o Triângulo das Bermudas. Considerado um dos maiores aviões de carga do mundo, ele levava 52 tripulantes e jamais foi encontrado.


1963 – Rotina de sumiços

Em 1963, o navio cargueiro Marine Sulphur Queen, com seus 130 metros de comprimento, desaparece com 39 homens a bordo. Nenhum sinal de socorro foi emitido e o navio jamais foi encontrado.


1972 – O último caso

O desaparecimento do navio cargueiro alemão Anita, de 20 mil toneladas, foi o último acontecimento misterioso do Triângulo das Bermudas a ter grande repercussão em todo o mundo. Ele levava a bordo 32 pessoas e jamais foi encontrado.

Fonte: Mundo Estranho.

Profecias do fim do mundo que falharam

Profecia do fim do mundo com data marcada é um fenômeno sazonal. Mal uma é desmascarada como falsa, e já surge outra no seu lugar.  É um caso cíclico de lendas e mitos divulgados por pessoas que se acham iluminadas, mas não aprendem com os erros dos “profetas” que lhes antecederam. Na edição de 20 de maio de 2011, ainda sob o impacto do “fim do mundo” que Harold Camping havia previsto exatamente para aquele dia, a revista Time publicou a sua lista das 10 mais famosas profecias apocalípticas que falharam. Agora, diante da perspectiva de mais um dia do fim do mundo fracassado, no caso ontem (21/12/2012), nada melhor do que relembrar aquela matéria da Time.


Os anabatistas de Münster, 1530

Nos conturbados anos que se seguiram à Reforma Protestante, surgiram não só as igrejas reformadas tradicionais que conhecemos hoje em dia, mas várias seitas apocalípticas que incomodaram profundamente os próprios reformadores. Entre os anabatistas não estavam somente “pessoas que batizam de novo”, como a raiz grega do nome evoca, mas anarquistas e revolucionários de todo tipo que pregavam um mundo sem ordem e hierarquias enquanto aguardavam – para muito breve – o retorno de Cristo.

Na década de 1530, milhares de camponeses alemães tomaram a cidade de Münster, e ali ficaram entrincheirados numa espécie de sociedade comunista medieval, dizendo que Münster era a Nova Jerusalém, na qual esperavam a segunda vinda de Jesus. Entre eles estava Jan Bockelson, um alfaiate de origem holandesa, que se declarou o “messias dos últimos dias”, virou polígamo, emitiu moedas que profetizavam o apocalipse urgentemente vindouro e dominou cruelmente toda a população de Münster. O fim veio para Bockelson em 1535, quando a cidade foi tomada e a população dizimada pelas forças dos príncipes alemães. Detalhe: há quem diga que os testículos de Bockelson foram pregados no portão de entrada de Münster.


Londres e o incêndio de 1666

O número 666 tem um significado místico-cabalístico que transcende aquele registrado como “a marca da besta” no livro de Apocalipse (13:18). As pessoas até suspeitam que o número 666 tem alguma, digamos, “maldição embutida”, embora nem sempre saibam exatamente a sua origem. Imagine agora como se sentiam os europeus às vésperas do ano 1666, sobretudo no ano 1665, quando uma praga matou 100 mil pessoas em Londres, o que equivalia a 20% da população local à época. Se já havia rumores de que o fim do mundo se aproximava, a praga só os reforçou, até que no dia 2 de setembro de 1666 um incêndio aparentemente inofensivo começou numa padaria da Pudding Lane e rapidamente se alastrou pela cidade, cerca de 13 mil edifícios e dezenas de milhares de casas durante 3 dias do mais absoluto terror. Apesar do pânico gerado, quando o fogo baixou e as cinzas se assentaram, pouco menos de 10 pessoas morreram, e o fim do mundo foi adiado mais uma vez.


William Miller, 1844

O pastor William Miller, a quem a revista Time chama de “provavelmente o mais famoso falso profeta da história”. Miller começou a pregar o fim do mundo no começo da década de 1840, dizendo que Jesus retornaria à Terra e o planeta arderia em fogo em algum ponto entre 21 de março de 1843 e 21 de março de 1844. A mensagem de Miller foi amplamente divulgada e cerca de 100 mil seguidores seus venderam tudo o que tinham e foram para as montanhas esperar o fim predito. Entretanto, quando o período anunciado passou em brancas nuvens, Miller disse que havia cometido um “equívoco” nos cálculos, e marcou a nova data do fim do mundo para 22 de outubro de 1844. Novo fiasco. Esse dia entrou para a história americana como o “Dia da Grande Decepção”, mas boa parte dos seguidores de Miller se reagrupou alguns anos depois sob o comando de Ellen G. White, vindo a formar a Igreja Adventista do Sétimo Dia, que manteve o dia 22 de outubro de 1844 como a sua peculiar doutrina do “juízo investigativo”, em que Cristo teria retornado aos céus para terminar sua obra de expiação dos pecados.


Testemunhas de Jeová, 1914

Os Testemunhas de Jeová fazem de tudo para que o mundo esqueça que seu fundador, Charles Taze Russell, havia previsto  a segunda vinda de Jesus para 1914. O início da 1ª Guerra Mundial neste ano fez com que Russell decretasse o “fim da era dos gentios”, o que se confirmou, na verdade, como mais uma previsão furada. Ele morreria em 1918,  deixando aos seus sucessores a difícil tarefa de explicar por que o fim não chegou no ano previsto. A solução destes foi apontar 1914 como o retorno invisível de Jesus (que já tinha sido previsto por Russell para 1874). Afinal, a 1ª Guerra Mundial era um evento importante demais para não ser aproveitado como evidência, já que eles haviam previsto alguma coisa estranha para aquele ano.


Testemunhas de Jeová, 1925

Só que as previsões para o fim do mundo não parariam por aí. O segundo presidente da Sociedade Torre de Vigia, Joseph Franklin Rutherford, faria ainda uma previsão para 1925, quando os profetas do Antigo Testamento seriam ressuscitados. Para acomodá-los (fisicamente falando), ele construiu a casa conhecida como Beth Sarim (“Casa dos Príncipes”), e depois de 1925 a “hospedaria profética” sem uso acabou se tornando sua própria residência, onde morreria em 1942.


Testemunhas de Jeová, 1975

Um novo fim do mundo seria ainda previsto para 1975. A Torre de Vigia alegava que a criação do homem completaria 6 mil anos naquele ano específico. Em uma semana cujos dias equivalem a mil anos (2 Pedro 3:8) os próximos mil anos seriam uma espécie de “milênio sabático”. Mais uma vez a data passou em branco.


William Branham, 1977

O pastor pentecostal estava numa de suas pregações públicas em 1963 no Estado do Arizona (EUA), quando uma “linda e misteriosa nuvem” teria deslizado pelo deserto. William Branham então subiu à montanha Sunset, onde, segundo alegou posteriormente, teria se encontrado com 7 anjos que revelaram a ele o significado dos 7 selos do livro do Apocalipse. Alguns dias depois, já no Tabernáculo Branham de Jeffersonvile (Indiana), o pastor pregou 7 sermões por 7 noites, explicando o significado dos selos e das 7 visões que ele teria recebido, concluindo que Jesus retornaria à Terra em 1977. Não houve tempo, entretanto, para que Branham visse sua previsão dar com os burros n’água, já que ele morreu na noite de Natal de 1965, 6 dias após um motorista bêbado ter colidido seu carro com o do pastor.


David Koresh, 1983

Depois de uma infância pra lá de problemática e passagens pelas igrejas batista e adventista, David Koresh (cujo nome verdadeiro era Vernon Wayne Howell) se juntou em 1981 à seita Ramo Davidiano, um grupo dissidente dos adventistas que se formou na década de 1950. A seita davidiana era sediada em Waco, no Estado do Texas (EUA), num rancho que eles denominaram de Monte Carmelo. Não demorou muito, entretanto, para que Koresh decidisse alçar, digamos, voos próprios. Em 1983, ele se autoproclamou profeta, e após uma sucessão de intrigas dentro da seita, que incluíram assassinatos de líderes concorrentes, Koresh convenceu vários seguidores a se juntarem a ele no rancho em Waco para aguardar o fim do mundo. Só que o fim do mundo para Koresh veio na forma de um cerco das autoridades americanas, que durou 50 dias e exterminou da face da Terra dezenas de seguidores de Koresh, além dele próprio e alguns policiais.


Hal Lindsey e Edgar Whisenant, 1988

Hal Lindsey é um pastor e escritor americano que ficou muito conhecido nos anos 1970 por seu livro best seller “The Late, Great Planet Earth”, traduzido no Brasil por “A Agonia do Grande Planeta Terra”, publicado no Brasil pela editora Mundo Cristão. Lindsey foi um grande expoente do dispensacionalismo (corrente teológica que divide a história do mundo em “eras” ou “dispensações” dos desígnios de Deus), e no livro em questão, tomando como base sobretudo o retorno do povo judeu a Israel algumas décadas antes, predisse que o mundo terminaria em alguma data pouco antes de 31 de dezembro de 1988. Na esteira das previsões de Hal Lindsey, Edgar Whisenant publicou em 1988 o livro “88 Reasons Why the Rapture Will Be in 1988” (“88 razões pelas quais o arrebatamento acontecerá em 1988”), que (como todo bom “fim do mundo”) vendeu pra caramba, 4,4 milhões de cópias, deixando seu autor envergonhado pela falsa profecia, mas com uma gordíssima conta bancária para afogar suas lágrimas de crocodilo.

Os ensinos de Lindsey continuam populares até hoje, já que a famosa série “Left Behind” (“Deixados para Trás”), de Tim LaHaye e Jerry Jenkins, continua vendendo muito bem, obrigado, e não é nada mais nada menos do que a oferta das mesmas ideias requentadas da agonia do planeta Terra da década de 1970. Não vai tardar muito, portanto, para reaparecer uma nova “profecia do fim do mundo” nesses mesmos moldes. Dá grana! Aliás, esse é outro detalhe curioso. Porque esses “profetas” gostam tanto de ganhar dinheiro com isso se não terão tempo de gastar esse dinheiro?


bug do milênio, 2000

Os mais jovens não se lembrarão disso, mas a maioria recordará o furor que tomou conta do mundo por ocasião da virada do ano 1999 para o ano 2000. O temor de uma catástrofe mundial se baseava no fato de que a imensa maioria dos computadores de então, por uma questão de economia de equipamento, havia previsto apenas duas casas para designar o ano na data. Desta maneira, quando 1999 virasse para 2000, o risco era que, naquela meia-noite específica, os computadores de bancos, empresas aéreas, fornecedoras de serviços públicos, etc., entendessem que o mundo havia voltado a 1900 e alastrassem o caos pelo planeta. Associe a esse dado tecnológico ao ditado popular “até 2000 chegarás, de 2000 não passarás” (que de bíblico não tem nada), e – pronto! – a confusão está estabelecida. Apesar de todo o pânico prévio gerado pelo bug do milênio, nenhum incidente cibernético de monta foi registrado nos primeiros dias do ano 2000. Outro grande logro que também vendeu pra caramba.


Harold Camping, 1994 e 2011

O pastor americano é reincidente na triste função de falso profeta. Em 1992 ele já havia previsto a segunda volta de Cristo e o fim do mundo para alguma data em meados de setembro de 1994. Depois que sua profecia fracassou, Camping disse que estava triste mas isso não o incomodava nem um pouco. No entanto, o segundo fracasso, em 2011, parece que convenceu o frustrado pastor futurólogo a aposentar sua bola de cristal.


Calendário Maia, 2012

Ontem, 21 de dezembro de 2012, foi exatamente o dia em que o calendário maia terminou, segundo algumas fontes. Entretanto, existe uma grande controvérsia sobre se o calendário maia foi corretamente interpretado, o que não impediu que muita gente entrasse em pânico com a simples possibilidade de que ele pudesse estar certo. De qualquer maneira, filmes foram produzidos, livros foram escritos e – como sempre – muito dinheiro se ganhou com o pânico gerado pela previsão midiática. Sinal de que, diante do fracasso do apocalipse maia, novas profecias virão em seguida, a fim de que alguns espertalhões continuem ganhando muita grana às custas dos incautos.

Fonte: O Contorno da Sombra.

As linguagens míticas da Bíblia

Crônica de Sóstenes Lima.

Quando cito um trecho do mito de Prometeu, não preciso dizer a ninguém que não estou tomando a narrativa como história, mas como mito. Mas se eu resolver citar um trecho da história da Torre de Babel, devo começar dizendo que se trata de um mito, para não ser tachado de estúpido. Por que preciso dizer que a Torre de Babel é um mito? Isso deveria ser um pressuposto básico. Quando digo que Prometeu é o inventor da tecnologia ninguém acha que estou tratando Prometeu como um sujeito histórico. Mas se falo de Jó, a maioria das pessoas acha que estou me referindo a um sujeito histórico. Caso eu queira ser compreendido de outra forma, devo dizer expressamente que Jó é personagem de uma narrativa da sabedoria trágica-épica judaica, não um sujeito histórico como Moisés.

Gostaria que certos pressupostos básicos aplicados às narrativas míticas e fantásticas também fossem aplicados a certas narrativas bíblicas. Por exemplo, quando conto a história da Branca de Neve, ninguém me pergunta se eu acredito ou não em Branca de Neve. As pessoas simplesmente ouvem e deixam a história fluir, tirando dela lições éticas e até valores transcendentes. Por que, então, quando conto a história da Serpente no Éden, as pessoas não aplicam o mesmo pressuposto? Por que preciso responder se acredito ou não em serpentes falantes? Rubem Alves dizia que Deus é poeta, não repórter ou historiador. Ele diz: “Eu leio os textos sagrados como quem lê poesia e não como quem lê jornal. Prefiro pensar que Deus é poeta a imaginá-lo como jornalista. Existirá ofensa maior para um poeta do que perguntar se o seu poema é reportagem?”.

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