Por que somos míopes?

Tradução de uma matéria publicada na BBC Future.

Quando eu era adolescente, minha visão aos poucos começou a ficar ruim e tive que passar a usar óculos. O que começou como uma fina lente de vidro logo se aproximava de um fundo de garrafa. “Por quê?”, eu perguntava ao oftalmologista. E a resposta dele era sempre a mesma: “A culpa é dos seus genes e do seu gosto pela leitura”. Eu não tinha por que duvidar dele. É provavelmente a mesma coisa que o seu oftalmologista disse se você também sofre de miopia. Mas pesquisas recentes sugerem que esses argumentos estão relativamente enganados. Muitos outros fatores do mundo moderno podem estar levando as pessoas a ter uma visão pior. E, com algumas medidas simples, nossos filhos podem se ver livres de uma “maldição” que já dura gerações.

A ideia de que a miopia é primariamente genética nunca me pareceu verdadeira. Sem meus óculos, eu não consigo saber se o que tenho na minha frente é uma enorme pedra ou um rinoceronte. Então como é que meus ancestrais não foram eliminados se tinham dificuldades de enxergar? Além disso, a miopia é como uma epidemia: de 30% a 40% dos habitantes da Europa e dos Estados Unidos precisam de óculos, enquanto na Ásia esse número pode chegar a 90%. Se tivéssemos genes da miopia, os ancestrais dessas pessoas seriam “heróis” que conseguiram sobreviver apesar de sua clara desvantagem.

Experiências com a comunidade inuit do Canadá deveriam ter resolvido essa questão há quase 50 anos. Enquanto a geração mais velha dessa população indígena praticamente não apresentava casos de miopia, de 10% a 25% das crianças precisavam de óculos. “Isso não seria possível com uma doença genética”, diz Nina Jacobsen, do Hospital Universitário Glostrup de Copenhague, na Dinamarca. O que os cientistas perceberam é que, no intervalo entre as gerações, os inuit foram abandonando seus hábitos tradicionais de caçar e pescar em troca de um modo de vida mais ocidentalizado – uma causa muito mais provável para o problema.

“A miopia é uma doença industrial”, define Ian Flitcroft, do Children’s University Hospital de Dublin, na Irlanda. “Nossos genes podem até ter um papel ao definir quem se tornará míope, mas foi apenas por causa de uma mudança ambiental que os problemas surgiram”. A conclusão imediata tirada pelos cientistas foi a de que a maneira como somos educados hoje em dia pode ter provocado o aumento da miopia. Dê uma olhada no mar de óculos em qualquer sala de aula de uma universidade e você pensará que há uma ligação entre uma coisa e a outra. Estudos epidemiológicos, no entanto, sugerem que os efeitos são muito menores do que se acreditava. Muitos cientistas argumentam que é o tempo passado dentro de espaços fechados que mais influencia na visão, e não o ato de ler. Pesquisas realizadas na Europa, na Austrália e na Ásia indicam que as pessoas que passam mais tempo ao ar livre têm bem menos chances de desenvolver a miopia do que aqueles cujas vidas acontecem entre quatro paredes.

E por que isso acontece? Uma explicação popular é a de que a luz do sol nutre os olhos, de alguma forma, o que foi verificado por um estudo da Universidade de Queensland, na Austrália. Também pode ser porque a luz do sol estimula a fixação de vitamina D, responsável pela saúde do cérebro e do sistema imunológico, e que também pode regular a saúde dos olhos. Uma ideia com mais aceitação é a de que o sol estimula a liberação de dopamina diretamente nos olhos. A miopia é causada pelo crescimento excessivo do globo ocular, dificultando a formação de uma imagem na retina. Mas a dopamina parece conter esse crescimento, mantendo o olho saudável.

É possível também que se trate de uma questão de cor. Ondas de luz verde e azul tendem a entrarem em foco na frente da retina, enquanto a luz vermelha atinge a parte de trás. Como a iluminação artificial de um espaço coberto tende a ser mais vermelha do que os raios solares, o desencontro poderia confundir os mecanismos de controle do globo ocular. “Eles dizem ao olho que ele não está focalizando no melhor ponto, então ele cresce para compensar isso”, explica Chi Luu, da Universidade de Melbourne, na Austrália.

Já Flitcroft acredita que o problema está no aglomerado de objetos poluindo nosso campo visual. Dê uma olhada à sua volta e entenderá o que ele quer dizer. “Quando você olha para a tela de um computador, tudo o que está atrás dela fica bem fora de foco. Se você muda o olhar da tela para um relógio, há uma enorme inversão – o relógio fica em foco, mas outras coisas perto de você ficam borradas”, diz ele. Onde quer que você pouse seu olhar, sempre há um ponto desfocado que brinca com os mecanismos de feedback dos olhos. Mas na rua as coisas tendem a ficar separadas por uma distância maior, resultando em uma imagem mais limpa que ajuda a regular o desenvolvimento dos olhos.

Essas descobertas podem render novos tratamentos. Luu, por exemplo, pretende realizar um ensaio que oferece sessões com luz azul para crianças míopes. Ele espera que a deterioração da visão delas seja mais lenta ou até se reverta. Flitcroft destaca que estão sendo realizados testes promissores com lentes de contato que reduzem os objetos borrados na nossa visão periférica. Ele também está otimista quanto a um colírio chamado atropina, que desacelera os sinais que incentivam o crescimento do globo ocular e a miopia. Seus efeitos colaterais desagradáveis – como a dilatação das pupilas e os halos vistos em fontes de luz – tornaram seu uso inviável. Mas uma descoberta acidental mostrou que a substância pode ser eficiente com um centésimo da dose original, com efeitos colaterais mínimos.

Por enquanto, os cientistas recomendam cautela. Um erro muito comum é acreditar que os óculos são ruins para seus olhos: isso não é verdade. Mas se você quer já tomar algum tipo de atitude, vai gostar de saber que a maioria dos pesquisadores concorda que incentivar as crianças a brincar ao ar livre é uma boa ideia. Um teste feito em escolas em Taiwan até mostrou que a iniciativa teve um sucesso moderado. “Se deixados em seu habitat natural, ao ar livre, os humanos não se tornam míopes”, conclui Flitcroft.

Uma ótima notícia para a humanidade: Obesidade já mata mais do que a fome

Um dos mais completos estudos sobre as causas de morte no mundo indicou que a obesidade mata mais do que a desnutrição nos dias atuais. De acordo com o relatório da Global Health Burden, instituição ligada à Organização Mundial de Saúde, problemas físicos gerados pela obesidade mórbida foram responsáveis por 3 milhões de mortes em 2010. O número é 3 vezes maior que os óbitos relacionados à desnutrição. Segundo o estudo, feito por 500 cientistas de 300 instituições em 187 países, as mortes relacionadas à subnutrição caíram de 3,4 milhões, em 1990, para 1,4 milhão em 2010, último ano analisado. Em 1990, a subnutrição era a maior causa de mortalidade em pessoas saudáveis. Agora, ela despencou no quadro geral para oitavo lugar. Já a obesidade subiu de décimo para o sexto lugar. A má alimentação (dieta pobre em nutrientes) aparece em quinto lugar. Na frente estão a pressão alta, o tabagismo, o uso de álcool e a poluição.

Segundo um dos pesquisadores, o professor Alan Lopez, da Universidade de Queensland, na Austrália, o resultado surpreendeu. Ele ressaltou que embora esse seja um fenômeno mais acentuado nos países ricos, a obesidade também se tornou um problema nas nações em desenvolvimento. “Foi surpreendente para nós a disseminação da obesidade em países em desenvolvimento. Não é como nos países ricos, mas (o fenômeno) está crescendo”, disse. Nos Estados Unidos, o excesso de peso é considerado uma epidemia que atinge mais de um terço dos adultos e 17% das crianças. Atualmente, mais de 500 milhões de adultos e 43 milhões de crianças abaixo de cinco anos são obesos, e as doenças relacionadas a esse problema estão no topo da lista de causas evitáveis de morte. Indivíduos com sobrepeso têm maiores chances de desenvolver hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares.

Fonte: BBC Brasil e Eu Atleta.


Alimentos naturais

Nossa sociedade está perdendo a noção de significado da palavra “natural”, especialmente quando se trata de alimentação. Hoje fui procurar um lugar pra fazer um lanche perto da pediatra de Catarina e encontrei duas opções, uma ao lado da outra. Uma era uma lanchonete tradicional, bem simples. Exatamente ao lado tinha um ambiente mais sofisticado no qual estava escrito com letras enormes: ALIMENTOS NATURAIS. É claro que escolhi a segunda opção. Entrei, dei uma olhada e, para minha surpresa, a única coisa efetivamente natural que encontrei foi um saquinho de castanha de caju por 15 reais. O resto era suco de caixinha ou de copinho industrializado, água de côco industrializada, barras de cereais, tortas, bolos, biscoitos e salgados com massa integral, pastel integral à base de soja sabor ricota com num sei o quê, brigadeiro sem açúcar, etc. Não tinha absolutamente nada que pudesse ser preparado na hora, com ingredientes frescos e in natura. Estava tudo pronto, embalado, empacotado, com rótulo e data de validade. Saí imediatamente do estabelecimento e pedi um cheese-egg-bacon na lanchonete ao lado. Estava uma delícia. Tirando o pão, o queijo e o hambúrguer, os demais ingredientes eram todos genuinamente naturais: a salada de alface, tomate e cebola estava fresca; o ovo e o bacon foram fritos na hora, na minha frente. Foi a coisa mais natural que encontrei pra comer essa tarde, no melhor sentido da palavra.

Cinco falhas psicológicas comuns e cinco estranhos sintomas de doenças mentais

Cinco falhas psicológicas comuns

1. Pareidolia: Sabe quando alguém cisma que está vendo a imagem de um santo em uma mancha na janela ou quando você distingue o formato de animais em nuvens? Esse fenômeno se chama pareidolia e acontece quando interpretamos um estímulo totalmente vago (uma imagem, som ou outros tipos de sinais) como algo cheio de significado. Tudo por causa da mania do cérebro em procurar padrões em tudo. O teste de Rorschach – aquele das pranchas com manchas de tinta em que você tem de dizer o que está vendo – foi criado para explorar a pareidolia e sua possibilidade de revelar o que há na mente.

2. Falácia do jogador: A “falácia do jogador” ou “falácia de Gambler” é a tendência a achar que eventos relacionados a probabilidades podem ser influenciados por eventos aleatórios anteriores. Para entender: você joga uma moeda 3 vezes e em todas elas dá coroa. Em que apostaria na quarta vez? A tendência é acharmos que, se já saiu coroa 3 vezes, a próxima deverá ser cara. Mas a probabilidade, é claro, continua sendo a mesma: há 50% de chance de sair cara e 50% de sair coroa, não importa quantas vezes tenha saído cada um dos lados. Pode parecer óbvio, mas esse erro de pensamento é responsável por fazer com que muita gente perca dinheiro em jogos de azar.

3. Ilusão do controle: Você sabe por que as pessoas que estão jogando dados em um cassino costumam soprá-los ou agitá-los bem antes de lançá-los à mesa? Tudo culpa da chamada ilusão do controle. Trata-se da tendência de acreditar que podemos controlar ou, pelo menos, influenciar acontecimentos sobre os quais não temos nenhum controle. Quando acertam o resultado do lançamento de um dado, por exemplo, a pessoa interpreta isso como a confirmação de que tem algum controle sobre o evento, sem considerar que havia, de fato, 1/6 de chance de acertar. Essa falha cognitiva está ligada à superstição e é responsável por fazer as pessoas repetirem certos rituais, como soprar os dados, usar um “anel da sorte” ou coisa do tipo, achando que poderá influenciar o futuro.

4. Desconto hiperbólico ou gratificação instantânea: O que você prefere: ganhar R$ 500 hoje ou R$ 1.000 daqui a seis meses? A maioria das pessoas age como uma criança nessa hora e preferiria garantir os R$ 500 na hora a esperar seis meses, mesmo que seja para receber uma quantia duas vezes maior. O viés do desconto hiperbólico ou gratificação instantânea faz com que sempre prefiramos benefícios imediatos a gratificações posteriores, mesmo que isso envolva perdas. É o que ocorre com quem prefere comprar algo a prazo em vez de poupar e esperar um pouco para pagar à vista, ainda que os juros a serem pagos quase dobrem o valor da mercadoria.

5. Efeito placebo: Esse é famoso. Ocorre quando uma substância sem nenhuma propriedade medicinal é dada a um doente com a promessa de que irá curá-lo e acaba realmente melhorando os seus sintomas. Esse fenômeno é tão forte que chegam a ocorrer alterações fisiológicas na pessoa – mas, diferente de um tratamento de verdade, os efeitos são passageiros. Por isso, o efeito placebo é usado em testes para determinar se determinados medicamentos funcionam ou não. Saiba mais nos vídeos abaixo:


Cinco estranhos sintomas de doenças mentais

1. Vontade de comer o que não é comestível: Tecnicamente, alotriofagia. O nome é difícil, mas a denominação popular da alotriofagia é ainda mais estranha: síndrome de pica. Trata-se de uma referência a um pássaro comum na Europa, o pica pica, que tem por hábito encher a pança com quase tudo que encontra pela frente. O bicho come não apenas insetos mas também pedrinhas, galhos e qualquer outra coisa que lhe passe goela abaixo. E é exatamente isso o que acontece com uma pessoa acometida por essa síndrome. Quem sofre desse mal desenvolve apetite compulsivo por alguma coisa específica que, além de não comestível, pode fazer um belo estrago no organismo.

As mais comuns são terra, giz, carvão e gelo. Mas há relatos de pacientes que preferem piolas de cigarro, cola, objetos metálicos ou de madeira, tinta, sabão e até fezes. Sabe-se que a alotriofagia pode atingir pessoas de todas as idades e sexos, embora seja mais comum em crianças e mulheres grávidas – principalmente se estiverem subnutridas. Essa constatação leva alguns pesquisadores a acreditar que uma das causas da síndrome possa ser a carência de determinados nutrientes. Não há, porém, qualquer comprovação científica dessa tese. No meio acadêmico, inexiste uma explicação consensual sobre a causa do transtorno. Muitos pacientes de alotriofagia têm histórico de outros problemas neurológicos – o que é preocupante, porque essa condição pode levá-los a comer objetos cortantes ou perfurantes, como pregos e agulhas. Ainda que certas substâncias ingeridas não representem risco imediato de morte, outros riscos estão associados, como obstrução intestinal, intoxicação e contaminação parasitária.

2. Sotaque estrangeiro: Acredite: tem gente que, de uma hora para outra, começa a falar com sotaque estrangeiro. Não pense que é brincadeira, nem que seja o efeito de uma longa viagem ao exterior. Do nada, o sujeito sai falando como se fosse espanhol, alemão, francês, americano, japonês… Mesmo que jamais tenha pisado em nenhum desses países. O fenômeno é raríssimo. Um dos casos mais famosos foi registrado na Europa durante a 2ª Guerra Mundial. Em 1941, uma jovem norueguesa sobreviveu a um ataque desferido pela Luftwaffe, a temida força aérea de Hitler. Ao recobrar a consciência, no entanto, ela estava pronunciando as palavras de uma maneira estranha. E adivinhe: seu sotaque era justamente alemão. A pobre moça acabaria hostilizada por seus conterrâneos – além de ferida no bombardeio, ficaria com fama de vira-casaca.

Não há estudos conclusivos sobre a origem da síndrome. Mas os casos identificados desde 1907, quando o distúrbio foi descrito pela primeira vez, demonstram que ele costuma se manifestar em vítimas de derrames cerebrais. Estariam no grupo de risco também aqueles que sofrem acidentes – como nossa amiga norueguesa – e têm afetadas pequenas partes do cérebro responsáveis pela percepção e pela articulação da fala. O aparente sotaque (na verdade, uma dificuldade para pronunciar certos fonemas) é incontrolável. E pior: alguns nem percebem que estão falando diferente. Só notam quando ouvem a própria voz numa gravação. Segundo Jack Ryalls, especialista em desordens da comunicação e professor da University of Central Florida, nos EUA, o sintoma desaparece sozinho em um terço dos casos. “Mas ainda não sabemos por que apenas alguns portadores da síndrome se recuperam espontaneamente”, conclui.

3. Síndrome da mão alienígena: Dá para imaginar quantas situações constrangedoras – ou até perigosas – alguém encararia se, de repente, perdesse o controle sobre uma das mãos. Já pensou se ela resolvesse desrespeitar a namorada de um lutador de jiu-jítsu? Parece piada de mau gosto, mas pode acontecer de verdade com pessoas que sofrem de um distúrbio neurológico conhecido como “síndrome da mão alienígena”. O problema é conhecido desde 1908. Não se trata de loucura, apenas do resultado de uma falha do cérebro que, aparentemente, pode ser provocada por derrames, tumores cerebrais ou pancadas muito fortes na cabeça. “Os pacientes frequentemente relatam que uma das mãos (o mais comum é que seja a esquerda) começa a se comportar como se tivesse vontade própria, agindo de maneira surpreendente e muitas vezes indesejada”, afirma o neurologista italiano Sergio della Salla, professor de neurociência da Universidade de Edimburgo, na Escócia. “São movimentos complexos, dirigidos a um determinado objetivo e executados com precisão, ainda que claramente não intencionados”. Em casos graves, diz Della Salla, o paciente pode até tentar se autoestrangular enquanto dorme.

Embora identificada há mais de um século, pouca coisa se descobriu sobre a síndrome até agora. Uma das explicações para o distúrbio pode estar relacionada à independência dos hemisférios cerebrais (o esquerdo controla o lado direito do corpo, e vice-versa). Os defensores dessa tese costumam citar testes feitos na década de 1990 na Universidade da Califórnia, nos quais portadores do distúrbio tiveram os olhos vendados e seguraram objetos facilmente identificáveis pelo tato em cada mão. Com a direita, não encontraram dificuldade para reconhecê-los. Já com a esquerda, o resultado foi oposto – presumivelmente porque o hemisfério direito não conseguiu transmitir a informação para o esquerdo. Essa falha de comunicação estaria na origem da síndrome. A mão alienígena não tem cura. Mas alguns dos poucos pacientes conhecidos apresentam melhora espontânea – como se o cérebro, subitamente, aprendesse a compensar a disfunção.

4. Acreditar que está morto: Gente supostamente capaz de conversar com os mortos é algo relativamente comum. Difícil é encontrar alguém que, vivinho da silva e olhando nos seus olhos, jure que está morto. Essa situação absolutamente surreal pode acontecer. Basta que você se depare com uma pessoa que sofra do chamado delírio de Cotard. Vítimas desse distúrbio nem sempre acreditam apenas que já morreram. Algumas afirmam que não têm mais sangue correndo nas veias. Outras, que perderam algum órgão. E há também as que pensam estar em decomposição. Nos casos extremos, o paciente passa a dizer que virou imortal – pois tem certeza de que morreu, mas continua circulando por aí. Os delírios seriam cômicos se não fossem trágicos. Entre os que sofrem dos graus mais severos da síndrome, não são raros casos de suicídio.

Um dos registros mais curiosos de que se tem notícia ocorreu com um paciente que, após ter alta de um hospital na Escócia, foi levado para a África do Sul. Chegando lá, convenceu-se de que acabara de desembarcar no inferno. A síndrome de Cotard – assim batizada por ter sido descrita, em 1880, pelo neurologista francês Jules Cotard – é um mistério que já dura 130 anos. Suas causas continuam obscuras, apesar do grande avanço conquistado pela neurociência nas últimas décadas. Para alguns cientistas, a origem dos delírios pode estar relacionada a um corte na conexão entre as regiões cerebrais responsáveis pelo reconhecimento facial e aquelas que associam emoções ao semblante humano. Outros acreditam que exista uma ligação entre a doença e outra síndrome de natureza neurológica: a de Capgras, que veremos mais adiante. De fato, existe na literatura médica um caso de paciente que sofreu das duas disfunções simultaneamente. Mas um só registro não pode ser usado como prova científica – até porque vários pacientes trazem consigo um histórico de esquizofrenia e distúrbio bipolar.

5. Síndrome de Capgras: Tão estranha quanto o delírio de Cotard é a síndrome de Capgras. Seu sintoma mais típico renderia um bom filme de ficção científica: o paciente acredita que alguém bem próximo a ele – pais, cônjuge, filho – foi substituído por um clone. Isso quer dizer que o doente reconhece as características físicas da pessoa, mas não tem dúvida de que se trata de um impostor. A origem do distúrbio parece ser a mesma da que se especula para Cotard: perda de conexão entre a área do cérebro responsável pelo reconhecimento facial e aquela que armazena informações emocionais sobre a pessoa que o paciente julga ter sido clonada. Em 1984, um estudo publicado pelo psicólogo Russell Bauer reforçou essa hipótese ao mostrar que, quando viam o suposto clone, portadores da síndrome apresentavam respostas galvânicas (sinais elétricos mensuráveis na pele), indicando um reconhecimento emocional, mas não consciente.

Em compensação, outro estudo, feito em 1990 pelo psicólogo Hadyn Ellis, demonstrou o oposto: pacientes reconheciam conscientemente o alegado impostor, mas não apresentavam reação emocional. Para complicar ainda mais a situação dos cientistas, algumas vítimas de Capgras reconhecem o suposto clone quando conversam com ele sem estabelecer contato visual – por telefone, por exemplo -, o que demonstra que o problema, aparentemente, é com a imagem. Mas como explicar os casos de indivíduos cegos que também sofrem do distúrbio? Ninguém tem a resposta. Descrita em 1923 pelo psiquiatra francês Joseph Capgras, a síndrome – assim como o delírio de Cotard – é mais comum em pacientes com diagnóstico de esquizofrenia ou dano cerebral. A literatura médica aponta para um número maior de casos entre os que já passaram dos 40 anos, principalmente mulheres. O “impostor” mais frequente é o marido – e, como se pode facilmente imaginar, a convivência do casal fica muito complicada.

Fonte: Superinteressante.

Experimentos científicos macabros realizados pela antiga União Soviética com cachorros

Um cachorro de duas cabeças e uma cabeça de cachorro mantida viva separada do corpo. Esses são apenas dois exemplos da crueldade que era frequentemente praticada contra animais indefesos em nome de um suposto progresso científico na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Os vídeos contém cenas bastante desagradáveis. Se você é sensível a esse tipo de conteúdo, recomendo não assisti-los.


O cachorro de duas cabeças

Em 1954, o cientista soviético Vladimir Demikhov chocou o mundo quando revelou uma monstruosidade cirurgicamente criada: um cachorro de duas cabeças. Trabalhando em um laboratório localizado nos arredores de Moscou, ele enxertou a cabeça, ombros e as patas dianteiras de um filhote no pescoço de um pastor alemão.

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Demikhov preparou uma apresentação diante de repórteres de todo o mundo. Jornalistas suspiravam enquanto as duas cabeças se debruçavam para beber simultaneamente em uma tigela de leite e estremeciam enquanto o leite da cabeça do filhote pingava do tubo desconectado de seu esôfago. A União Soviética ostentou o cachorro como prova da proeminência médica da nação. No decorrer dos 15 anos seguintes, Demikhov criou um total de 20 outros cachorros de duas cabeças. Nenhum deles viveu por muito tempo, sendo vítimas inevitáveis das consequências de rejeição de tecido. O recorde foi um mês.


A cabeça viva separada do corpo

Podemos sobreviver caso nossa cabeça seja completamente separada do corpo? Muitos diriam que não, mas o cientista Sergei Brukhonenko conseguiu manter a cabeça de um cachorro viva em 1928! Sergei apresentou um vídeo como prova no 3º Congresso de Psicólogos da URSS e graças às maravilhas e horrores da internet, ele está aqui. Neste vídeo perturbador, o cientista manteve a cabeça do cão viva através de uma máquina que ele chamou de “autojector”, que nada mais era do que coração e pulmões mecânicos que supriam as necessidades de sangue e oxigênio da cabeça. A cabeça do cachorro reage a diversos estímulos externos: abre os olhos, lambe a boca e se incomoda com barulhos.

Com informações de: Hypescience.


Sobre animais, ética e ciência

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Qualquer ser humano com os miolos no lugar é avesso à ideia de maltratar um animal – seja ele qual for. E cientistas, ao que tudo indica, são seres humanos. Logo, eles próprios devem repudiar atos causadores de sofrimento a seres inocentes e indefesos. Nos últimos dias, no entanto, o uso de animais em pesquisas científicas voltou a ser fortemente repudiado por grupos de defesa dos direitos dos animais. Acirrados debates pululam na esfera pública. Mas cuidado: um falso maniqueísmo tem sido propalado por contendores desavisados e desinformados.

Alega-se, de um lado, que existem cientistas perversos – que, em seus jalecos brancos impessoais ofuscados pela sedução do progresso científico, seriam insensíveis ao sofrimento da bicharada. E, no extremo oposto, estariam militantes inoportunos – estereótipos de bicho-grilo e defensores de causas perdidas, vegetarianos ou não, que prezam por uma ética universal sem se dar conta de que as próprias vacinas que tomaram quando bebês foram testadas em bichinhos fofos que hoje defendem e querem libertar. Não é raro toparmos com esse tipo de generalização falha. Mas tanto cientistas concordam que o sofrimento animal deve ser evitado ao máximo, quanto militantes e afins entendem o fato de que a ciência, além de prezar pela ética, muitas vezes depende desses experimentos para seguir em frente. A questão é: onde estará o ponto de equilíbrio que norteará os valores éticos e morais de nosso desenvolvimento científico?

“No Brasil, todo laboratório que trabalha com esse tipo de pesquisa deve ter uma comissão de ética para garantir o bem-estar dos animais”, explica o médico Hugo Faria Neto, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A instituição, aliás, divulgou uma nota externando sua posição. O mesmo fez a Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe), que publicou uma carta aberta em seu site. A Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência também se manifestaram. Fato é que laboratórios precisam seguir rigorosas normas para que, em todas as fases das pesquisas, seja garantido o bem-estar dos bichos. E, sempre que possível, pesquisadores buscam métodos alternativos para evitar o uso de animais. Por exemplo: eles podem utilizar culturas de células, tecidos e mesmo programas de computador para simular os processos biológicos que querem estudar. “Somente em último caso recorre-se ao uso de animais; e, quando isso acontece, eles devem ser muito bem tratados”, diz Faria Neto. Se as normas forem seguidas à risca, os animais de laboratório são criados sob condições rigorosas: alimento de qualidade, água fresca em abundância, locais bem higienizados, até mesmo detalhes como temperatura e iluminação são ajustados pensando no bem-estar deles. “Se algum procedimento mais delicado for necessário, eles deverão estar sob efeito de anestésicos ou analgésicos. É preciso evitar qualquer tipo de sofrimento desnecessário”, conta o médico da Fiocruz.

É desgastante lembrar que novos tratamentos, remédios e curas dependem em grande parte de trâmites que envolvem pesquisas com animais. Igualmente enfadonho é dizer que certos valores éticos e morais são inquebrantáveis e imprescindíveis para a dignidade da condição humana. Somados esses dois fatores, estão lançadas as bases de um infindável debate. Para muitos, a questão não é se devemos ou não parar de utilizar animais em pesquisas, e sim quando e como esse passo será dado. “Nos últimos 20 anos, temos avançado muito nessa questão; houve diminuição significativa do uso de animais em experimentos científicos”, conta o pesquisador da Fiocruz. A tendência, segundo ele, é usarmos cada vez menos animais nas pesquisas. Faria Neto destaca ainda a necessidade de diferenciar a pesquisa médica daquela que visa ao desenvolvimento de novos cosméticos. E pondera: “Antes de usarmos um animal, devemos sempre nos perguntar qual é a real relevância daquela pesquisa”.

Fonte: Revista Ciência Hoje.

Relatos de autocirurgias

Em 1959, Leonid Rogozov, recém-graduado em medicina, foi imediatamente aceito para fazer residência como cirurgião. No entanto, seus estudos foram adiados devido à viagem à Antártida em setembro de 1960 como médico da expedição soviética à estação Novolazarevskaya. Durante a expedição, aconteceu um evento que fez com que o médico de 27 anos se tornasse famoso no mundo todo. No quarto mês do inverno, Leonid apresentou sintomas inquietantes: fraqueza, náuseas, febre e dores. No dia seguinte, sua temperatura subiu ainda mais. Sendo o único médico na expedição composta por 13 pessoas, Leonid diagnosticou a si mesmo com apendicite aguda. Era, então, necessária uma operação de urgência e a única saída era operar a si mesmo.

Não havia aviões em qualquer das estações mais próximas, além das condições meteorológicas adversas, que não permitiriam de forma alguma sair dali. Na noite de 30 de abril de 1961, o cirurgião foi auxiliado por um engenheiro mecânico e um meteorologista. Um entregava a ele os instrumentos cirúrgicos e o outro segurava um pequeno espelho sobre sua barriga para que melhor enxergasse. O médico fez uma anestesia local com solução de novocaína seguida de uma incisão de 12 centímetros na região ilíaca direita com um bisturi. Usando a visão do espelho e o tato, ele removeu o apêndice inflamado e injetou antibiótico na cavidade abdominal. Mas não foi nada fácil: 40 minutos após o início da operação Leonid sentiu um incipiente desmaio com o formigamento e vertigem que percorreu todo seu corpo obrigando o cirurgião a fazer algumas pausas para descanso. No entanto, à meia-noite a operação com duração de 1h45 havia terminado. Cinco dias depois a temperatura normalizou, em 2 dias os pontos foram retirados. Expostos em um museu de São Petersburgo, na Rússia, há até hoje uma exposição dos instrumentos cirúrgicos usados por Rogozov naquela operação.


Um segundo caso no Brasil:

Tem gente que desmaia quando corta o dedo. E cortar a própria barriga de propósito, então? Com certeza muitos não conseguiriam mesmo que disso dependesse suas vidas. Não é o caso do cirurgião plástico brasileiro Luiz Américo de Freitas Sobrinho, que recentemente realizou uma autocirurgia plástica no abdome inferior. Mas por que ele fez isso? Segundo o próprio médico, pela curiosidade, pelo desafio, pelo aprimoramento técnico e profissional e, claro, como todo bom cirurgião plástico, pela estética, que é a finalidade principal desse tipo de cirurgia. “Pesquisei por cerca de uns 2 anos os prós e contras da autocirurgia. Alguns colegas me apoiaram, outros me aconselharam a iniciar uma terapia e, por sorte, o restante me desafiou. Estes últimos contribuíram para que eu tomasse tal decisão, tendo em vista que gosto muito de desafios”, conta o Dr. Freitas Sobrinho. Além disso, ele disse que, ao ler a história do médico soviético Leonid Rogozov (caso acima), recebeu o impulso que faltava para fazer o mesmo que o corajoso colega.

A cirurgia durou cerca de 2 horas. Na sala de operação estavam presentes, além do Dr. Freitas Sobrinho, outros dois médicos cirurgiões e uma clínica geral como equipe de apoio. Freitas Sobrinho utilizou anestesia local para realizar a autocirurgia, como costuma fazer com a maioria dos procedimentos de pequeno e médio porte executados por ele em sua clínica. A anestesia local e sedação muscular são preferíveis à anestesia geral e sedação venosa, já que o sangramento nesses procedimentos é quase inexistente e os riscos da segunda são maiores. O procedimento cirúrgico incluiu a extirpação da pele e do tecido gorduroso na forma de uma elipse, mas em pedaços, retirando diversos segmentos de cerca de 10 centímetros cada, cauterizando e dando os pontos. Assista:

Atenção: o vídeo a seguir contém cenas fortes. Se você é sensível a esse tipo de conteúdo, é aconselhável não assistir.

Agora fica a pergunta que não quer calar: como foi que o Dr. Luiz Américo Freitas Sobrinho teve o sangue frio de cortar a si mesmo? Ele disse que não ficou nervoso, nem sequer hesitou ou pensou em desistir, mas teve que lidar com a ansiedade. No fim, acabou se sentindo tão bem que por pouco não realizou pequenas lipoaspirações nas laterais do seu abdome. “Isso só não foi possível porque os colegas e demais funcionários tinham outros compromissos agendados, o que não invalida planos para próximas autocirurgias”, contou, rindo. Claro que autocirurgias não são possíveis em todos os casos, porque há locais em que as nossas próprias mãos não conseguem chegar. Mas o Dr. Freitas Sobrinho não teve muitas dificuldades. “Por alguns momentos, precisei de um espelho que me foi posicionado logo abaixo do meu abdome, apenas para que eu pudesse visualizar a área cirúrgica, mas não para as incisões, porque os movimentos são ao contrário do que a gente pensa em fazer”, explica.

Com informações de: HypeScience.

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