Como é feita a prova do Enem?

Muitos candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ficam tão focados em conhecer o padrão de questões da prova e em como os conteúdos são cobrados, que acabam não pensando em como aquelas perguntas chegam no exame. Se você acha que um grupo de professores se reúne em uma mesa e monta as provas de uma vez, você está muito enganado. Tanto as questões do Enem quanto as de outros concursos públicos são selecionadas através de um acervo, o Banco Nacional de Itens (BNI).

O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) convocam instituições públicas e federais, tanto da educação básica quanto da superior, para contribuir com o banco. Estas decidem quais professores serão indicados para elaborar as questões, pois os docentes devem estar dentro do perfil definido pelo Inep. Após serem elaboradas, essas questões passam por uma revisão do INEP. Todas elas devem ser objetivas, possuir um texto introdutório e 5 alternativas, sendo que somente uma é a correta. O conteúdo de todas as perguntas da prova deve estar relacionado às disciplinas do Ensino Médio. Cada professor recebe R$ 200 por questão aceita para integrar o Banco Nacional de Itens. Já os professores que ficam responsáveis pela revisão dos itens ganham cada um R$ 100 por questão.

O MEC realiza uma prova semelhante ao Enem com alunos do Ensino Médio da rede pública. O chamado pré-teste é composto por 45 questões, diferentes entre si. Após o teste, as questões entram para o Banco Nacional de Itens, que hoje possui mais de 10 mil questões. Como o processo é extremamente sigiloso, os alunos não sabem que a prova que estão fazendo é parte do processo de montagem do banco de questões que compõem o Enem. De acordo com o resultado do pré-teste, as questões recebem graus de dificuldade. Cada grau é representado por um número que vai de zero até mil. A partir desses números, é montada uma régua. As perguntas são dividias entre fáceis, médias e difíceis. As médias ficam mais ou menos na marca de 500 pontos.

Para montar a prova, o MEC seleciona 180 questões, sendo 45 de cada uma das quatro áreas do conhecimento (Ciências Humanas; Ciências da Natureza; Linguagem e Códigos; Matemática). As questões começam a ser analisadas e escolhidas cerca de 5 a 6 meses antes do dia do exame. Esse é o tempo necessário para elaborar, imprimir e distribuir a prova. O conjunto de questões de cada área precisa equilibrar o grau de dificuldade das perguntas (25% fáceis, 50% médias e 25% difíceis). Como um dos objetivos do Enem é diferenciar o grau de conhecimento dos candidatos, as questões que apresentaram alto nível de acertos ou erros durante o pré-teste são descartadas.

As notas obtidas pelos candidatos são calculadas com base na Teoria de Resposta ao Item (TRI), que avalia não só o número de questões acertadas, mas também o grau de dificuldade delas e a coerência e consistência dos acertos na prova. Mesmo com números iguais de acertos, duas pessoas podem ter notas diferentes de acordo com o nível de dificuldade das questões acertadas e com a consistência desses acertos (errar muitas fáceis e acertar muitas difíceis não apresenta coerência e pode configurar chute). Continue reading “Como é feita a prova do Enem?” »

Sobre as recentes mudanças “drásticas” no sistema educacional brasileiro

Comentário irônico do professor Pier (Pierluigi Piazzi) sobre as recentes mudanças “drásticas” no sistema educacional brasileiro. O trecho foi extraído do livro Estimulando inteligência (São Paulo: Aleph, 2014, pp. 23 e 24).

Veja também: O que mudou na educação em 40 anos

Ao tomar conhecimento do vergonhoso resultado do Brasil no exame internacional PISA, as “autoridades de ensino” correram para repará-lo imediatamente. Adotaram uma providência “importantíssima”; eu diria até “crucial”. Em ocasiões anteriores, toda vez que se detectava o óbvio, ou seja, que o sistema educacional brasileiro é uma catástrofe, os “gênios” de Brasília sempre preconizavam “mudanças drásticas”. A primeira mudança foi denominar os cursos primário e ginásio de 1º grau, e o colegial de 2º grau; o que, é claro, manteve tudo catastroficamente ruim. Mas, pelo menos, eliminou-se o exame de admissão, que era a maior evidência da incompetência do sistema educacional brasileiro. Depois, ao verificar a inutilidade desta “drástica mudança”, os “gênios” resolveram fazer outra, mais “drástica” ainda: denominaram o 2º grau de “ensino médio” (talvez por ser indicativo de “mediocridade”), e o 1º grau de “ensino fundamental”, criando uma terrível confusão, ao ter que diferenciar o “Fundamental I” do “Fundamental II”, impedidos que estavam de usar a terminologia normal: primário e ginásio.

Pressionados pelo vergonhoso resultado do PISA 2003, partiram, como já disse, para mais uma mudança. Alguém deve ter dito, numas das reuniões dos “gênios” de Brasília: “Olha pessoal, não dá mais para apenas mudar o nome. O povo já começou a desconfiar”. Provavelmente, depois de algumas horas remoendo e sugerindo absurdos, em uma atividade frenética que não poderíamos chamar de brainstorm (pois isso pressupõe a existência de um brain), finalmente alguém viu surgir uma luz no fim do túnel: “Pessoal, se não dá mais para mudar o nome, vamos mudar o número!”. E batizaram, no ensino fundamental, a primeira série de “segundo ano”, a segunda série de “terceiro ano”, e assim sucessivamente. Puxa! Nem as maiores mentes da história da humanidade teriam conseguido um lance de gênio como esse! Eu sempre brinco dizendo que deve existir algum acordo secreto entre o MEC (Ministério da Educação) e os pintores das placas colocadas em frente às escolas deste país.

Graduação: Qual é a diferença entre bacharelado, licenciatura e tecnológico?

Veja também: Diferença entre especialização, mestrado e doutorado

Ao concluir o ensino médio, além de se preocupar com que curso fazer, o estudante precisa ter em mente o tipo do curso. Há quatro opções de graduação: bacharelado, licenciatura, curso tecnológico e curso sequencial. A principal diferença, além do conteúdo, é o tempo que o aluno passa estudando: enquanto um bacharelado leva, em média, quatro anos para ser concluído, um curso tecnológico pode levar apenas dois.

O bacharelado, segundo o MEC, é o curso superior que “confere ao diplomado competências em determinado campo do saber para o exercício de atividade acadêmica ou profissional”. A licenciatura, por sua vez, prepara o estudante para dar aula como professor na educação básica. Os dois costumam dividir boa parte do currículo, mas quem prefere a licenciatura pode ter matérias específicas, mais focadas em aspectos pedagógicos. Para dar aula no ensino fundamental e médio, o estudante precisa ter cursado uma área do conhecimento como matemática, física, química, biologia, geografia, história, letras ou filosofia. Um aluno formado em engenharia, por exemplo, não pode dar aula de química. O tempo de curso, seja bacharelado ou licenciatura, depende de cada instituição de ensino superior, mas, em média, um bacharelado leva quatro anos – período que pode ser ligeiramente maior no segundo caso.

Os cursos que oferecem graduação em apenas dois anos são os chamados cursos “tecnológicos”. Além do tempo reduzido, eles têm um objeto de estudo bastante específico. Por exemplo: não há um curso tecnológico de jornalismo, mas é possível encontrar um de fotografia. Como a carga de conteúdo é menor e mais centralizada, os estudos são mais focados. De acordo com o MEC, os cursos tecnológicos também conferem diploma aos concluintes. Como todo curso de graduação, é aberto a quem terminou o ensino médio (ou nível equivalente) e passou por algum processo seletivo. Existem também os cursos sequenciais. O MEC não os considera como graduação e eles são voltados a quem já é formado em alguma área e procuram uma certa especialização. Há dois tipos: o de formação específica, que, se for reconhecido pelo MEC, pode conceder diploma; e o de complementação de estudos, que não tem esse poder.

Fonte: UOL Vestibular.

Universidades de ponta têm menos aulas e mais tempo livre para estudo

A maioria dos estudantes brasileiros de graduação que foram estudar em universidades de ponta pelo programa Ciência sem Fronteiras do MEC conta que estranhou a quantidade reduzida de aulas das instituições estrangeiras. Um estudante universitário de uma escola como a Universidade Harvard, nos Estados Unidos, considerada a melhor do mundo, tem em média 15 horas-aula por semana. Para comparar, quem faz engenharia na USP tem quase 3 vezes mais aulas. A filosofia de universidades como Harvard é que cada hora de aula demanda em média uma hora extra de estudos e leituras do aluno. Ou seja, as 15 horas semanais viram 30. Além disso, a universidade espera que o aluno se envolva em atividades de pesquisa, empresas-júnior, trabalho sociais e culturais e que pratique esportes. Com tudo isso, a formação fica completa e a grade fica cheia. Enquanto isso, o aluno da USP mal consegue ter tempo para estudar para as disciplinas obrigatórias porque as aulas tomam o dia inteiro. Fazer atividades fora da engenharia, então, esquece.

Essa questão é comumente abordada pelos gestores do Ciência sem Fronteiras. Na reunião anual de cientistas da SBPC, que neste ano aconteceu em Recife-PE, o presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães, discutiu o assunto e defendeu a redução da grade obrigatória de aulas. O problema, de acordo com Guimarães, é fazer com que as universidades brasileiras topem essa redução. O diretor da Poli-USP e candidato à reitor da USP, José Roberto Cardoso, falou sobre o assunto nesta quarta-feira (16), no primeiro dia de debates dos candidatos à reitoria da universidade. De acordo com Cardoso, a redução das horas-aulas liberaria os professores para fazer mais pesquisa. E, quem sabe, poderia até fazer com que a quantidade de vagas se expandisse.

Fonte: Abecedário.

140 programas de pós-graduação no Brasil recebem nota máxima da Capes

Na última terça-feira (10), a Capes divulgou os resultados da Avaliação Trienal dos cursos de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) do Brasil. A avaliação atribui notas de 1 a 7 aos programas de cada universidade. Os programas que recebem nota 1 ou 2 são reprovados e deixam de ser reconhecidos pelo MEC. Recebendo nota 3, o programa é considerado “regular”. Com uma nota 4, o programa é reconhecido como “bom”. Um 5 classifica o programa como “muito bom”. Já os programas avaliados com notas 6 e 7 oferecem cursos de “excelência internacional”. 3.337 programas de pós-graduação de todo o Brasil e de todas as áreas do conhecimento foram avaliados. Em linhas gerais, o resultado foi o seguinte:

1.054 obtiveram nota 3

1.219 obtiveram nota 4

598 obtiveram nota 5

229 obtiveram nota 6

140 obtiveram nota 7

A Capes reprovou 60 programas de pós-graduação no país, que tiraram as notas 1 e 2, mas seus nomes ainda não foram divulgados. Os coordenadores dos cursos terão um mês para recorrerem da nota. O processo levou em consideração informações prestadas pelos cursos durante os anos de 2010, 2011 e 2012. Na primeira etapa as atividades de avaliação contaram com a participação, durante 4 semanas, de 1.200 consultores vindos de todas as regiões do país, distribuídos nas comissões das 48 áreas de avaliação.

Veja a lista completa dos programas com avaliação acima de 3

Do documento disponível no link acima, reproduzo aqui a parte que diz respeito à área que me interessa: filosofia. Destaque para os programas de pós-graduação em filosofia da USP e UFMG, que receberam nota máxima (7). A “pós” em filosofia da minha querida UFPB recebeu nota 3, mostrando que ainda tem muito o que melhorar.

ÁREAINSTITUIÇÃOCURSONOTA
FILOSOFIAFAJE M3
ÉTICA E EPISTEMOLOGIAFUFPI M3
FILOSOFIAFUFSE M3
FILOSOFIAPUC/PR MD4
FILOSOFIAPUC/RS MD6
FILOSOFIAPUC/SP MD5
FILOSOFIAPUC-RIO MD5
FILOSOFIAUCS M3
FILOSOFIAUECE M3
FILOSOFIAUEL M3
FILOSOFIAUEM M3
FILOSOFIAUERJ MD5
FILOSOFIAUFBA MD5
FILOSOFIAUFC MD4
FILOSOFIAUFES M3
FILOSOFIAUFF M3
FILOSOFIAUFG MD4
FILOSOFIAUFMG MD7
ESTÉTICA E FIL. DA ARTEUFOP M4
FILOSOFIAUFPA M3
FILOSOFIAUFPE/UFPB/UFRN D3
FILOSOFIAUFPB M3
FILOSOFIAUFPEL M4
FILOSOFIAUFPR MD5
FILOSOFIAUFRGS MD6
FILOSOFIAUFRJ MD4
LÓGICA E METAFÍSICAUFRJ MD4
FILOSOFIAUFRN M4
FILOSOFIAUFSC MD6
FILOSOFIAUFSCAR MD5
FILOSOFIAUFSM MD4
FILOSOFIAUFU M3
FILOSOFIAUNB M4
FILOSOFIAUNESP/MAR M4
FILOSOFIAUNICAMP MD6
FILOSOFIAUNIFESP MD4
FILOSOFIAUNIOESTE M4
FILOSOFIAUNISINOS MD5
FILOSOFIAUSP MD7

Com informações de: UOL Educação.

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