Sobre a escrita e o estilo

Texto do filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860),
extraído do livro A Arte de Escrever (Porto Alegre: L&PM, 2012).


Antes de tudo, há dois tipos de escritores: aqueles que escrevem em função do assunto e os que escrevem por escrever. Os primeiros tiveram pensamentos que lhes parecem dignos de ser comunicados; os outros precisam de dinheiro e por isso escrevem. Pensam apenas para exercer sua atividade de escritores. É possível reconhecê-los tanto por sua tendência de dar a maior extensão possível a seus pensamentos e de apresentar meias-verdades, pensamentos enviesados, forçados e vacilantes, como por sua preferência pelo claro-escuro, a fim de parecerem ser o que não são. É por isso que sua escrita não tem precisão nem clareza. Desse modo, pode-se notar logo que eles escrevem para encher o papel. Assim que alguém percebe isso, deve jogar fora o livro, pois o tempo é precioso. No fundo, o autor engana o leitor sempre que escreve para encher o papel.

Só produz o que é digno de ser escrito quem escreve unicamente em função do assunto tratado. Seria uma vantagem inestimável se, em todas as áreas da literatura, existissem apenas alguns poucos livros, mas obras excelentes. Só que nunca se chegará a tal ponto enquanto houver honorários a serem recebidos. Pois é como se uma maldição pesasse sobre o dinheiro: todo autor se torna um escritor ruim assim que escreve qualquer coisa em função do lucro. As melhores obras dos grandes homens são todas provenientes da época em que eles tinham de escrever sem ganhar nada. A condição deplorável da literatura atual tem sua raiz no fato de os livros serem escritos para se ganhar dinheiro. Qualquer um que precise de dinheiro senta-se à escrivaninha e escreve um livro, e o público é tolo o bastante para comprá-lo. Uma grande quantidade de escritores ruins vive exclusivamente da obsessão do público de não ler nada além do que foi impresso recentemente, do que é atual. A consequência disso é a deterioração da língua.

Também se pode dizer que há três tipos de autores: em primeiro lugar, aqueles que escrevem sem pensar. Escrevem a partir da memória, de reminiscências, ou diretamente a partir de livros alheios. Essa classe é a mais numerosa. Em segundo lugar, há os que pensam enquanto escrevem. Eles pensam justamente para escrever. São bastante numerosos. Em terceiro lugar, há os que pensaram antes de se pôr a escrever. Escrevem apenas porque pensaram. São raros. Aquele escritor do segundo tipo, que adia o pensamento até a hora de escrever, é comparável ao caçador que busca ao acaso sua presa: dificilmente ele trará muita coisa para casa. Em compensação, a escrita dos autores do terceiro tipo, o mais raro, é como uma batida de caça em que a presa foi previamente cercada e encurralada, para depois ser conduzida a um outro lugar igualmente cercado, onde não pode escapar ao caçador, de modo que agora se trata apenas de apontar e atirar (expor). Esse é o tipo de caça que dá resultado.

No entanto, mesmo entre os escritores pouco numerosos que realmente pensam a sério antes de escrever, é extremamente reduzida a quantidade daqueles que pensam sobre as próprias coisas, enquanto os demais pensam apenas sobre livros, sobre o que outros disseram. Ou seja, para pensar, eles precisam de um forte estímulo de pensamentos alheios já disponíveis. Esses pensamentos se tornam seu próximo tema, de modo que os autores permanecem sempre sob a influência dos outros, sem nunca alcançarem a originalidade. Em contrapartida, aqueles que são estimulados pelas próprias coisas têm seu pensamento voltado para elas de modo direto. Apenas entre eles encontram-se os que permanecerão e serão imortalizados. Evidentemente, trata-se aqui de assuntos elevados, não de escritores que falam sobre a destilação de aguardentes.

Apenas aqueles que, ao escrever, tiram a matéria diretamente de suas cabeças são dignos de serem lidos. Mas os fazedores de livros, os escritores de compêndios, os historiadores triviais, entre outros, tiram sua matéria diretamente dos livros. É dos livros que ela é transferida para os dedos, sem ter passado por qualquer inspeção na cabeça, sem ter pagado imposto alfandegário, nem muito menos ter sofrido algum tipo de elaboração. (Como seriam eruditos alguns autores se soubessem tudo o que está em seus próprios livros!) Por isso, seu texto costuma ter um sentido tão indeterminado que os leitores quebram em vão a cabeça na tentativa de descobrir o que eles pensam afinal. Eles simplesmente não pensam. O livro a partir do qual escrevem muitas vezes foi resultado do mesmo processo. É por isso que se deve ler só raramente algum dos compiladores, já que evitá-los por completo é muito difícil.

Não há erro maior do que acreditar que a última palavra dita é sempre a mais correta, que algo escrito mais recentemente constitui um aprimoramento do que foi escrito antes, que toda mudança é um progresso. As cabeças pensantes são exceções. A regra, em toda parte do mundo, é a corja de pessoas infames que estão sempre dispostas, com todo empenho, a piorar o que foi dito por alguém após o amadurecimento de uma reflexão, dando a essa piora um aspecto de melhora. Por isso, quem quer se instruir a respeito de um tema deve se resguardar de pegar logo os livros mais novos a respeito, na pressuposição de que as ciências estão em progresso contínuo e de que, na elaboração desse livro, foram usadas as obras anteriores. De fato elas foram, mas como?

Com frequência, o escritor não entende a fundo os livros anteriores, além do mais não quer usar exatamente as mesmas palavras, de modo que desfigura e adultera o que estava dito neles de modo muito mais claro e apropriado, uma vez que foram escritos a partir de um conhecimento próprio e vivido do assunto. Muitas vezes, esse escritor deixa de lado o melhor do que tais obras revelaram, seus mais precisos esclarecimentos a respeito do assunto, suas mais felizes observações, porque não reconhece o valor dessas coisas, não sente sua relevância. Só tem afinidade com o que é superficial e insípido. Já ocorreu muitas vezes de um livro anterior excelente ser substituído por novos, muito piores, escritos apenas para ganhar dinheiro, mas que surgem com aspirações pretensiosas e são louvados pelos camaradas dos autores.

Nas ciências, cada um quer trazer algo novo para o mercado, com o intuito de demonstrar seu valor. Com frequência, o que é trazido se resume a um ataque contra o que valia até então como certo, para pôr no lugar afirmações vazias. Às vezes, essa substituição tem êxito por um breve período, em seguida todos voltam às teorias anteriores. Os inovadores não levam nada a sério no mundo, a não ser sua preciosa pessoa, cujo valor querem provar. Só que isso deve acontecer depressa e de uma maneira paradoxal: a esterilidade de suas cabeças lhes aconselha o caminho da negação, e então verdades reconhecidas há muito tempo são negadas. Assim, o curso da ciência muitas vezes é um retrocesso.

O mesmo vale para os tradutores que pretendem, ao mesmo tempo, corrigir e reelaborar seus autores, o que sempre me parece uma impertinência. Escreva seus próprios livros dignos de serem traduzidos e deixe as outras obras como elas são. Sempre que possível, é melhor ler os verdadeiros autores, os fundadores e descobridores das coisas, ou pelo menos os grandes e reconhecidos mestres da área. E é melhor comprar livros de segunda mão do que ler conteúdos de segunda mão. Assim, em geral vale aqui, como em toda parte, a regra: o novo raramente é bom, porque o que é bom só é novo por pouco tempo. Continue reading “Sobre a escrita e o estilo” »

Dicionário Houaiss redefine “família”

O conceito de família sempre possuiu um significado suficientemente claro: “Grupo de pessoas vivendo sobre o mesmo teto (especialmente o pai, a mãe e os filhos)”. Durante décadas, foi essa a definição dada pelo Houaiss, o mais importante dicionário de língua portuguesa, para o verbete “família”. É claro que a palavra pode assumir sentidos secundários, mas esse é o sentido imediato e primário. O complemento entre parêntesis na definição é necessário porque um “grupo de pessoas vivendo sobre o mesmo teto” pode ser uma república de estudantes, por exemplo, ou qualquer outra configuração habitacional cujos inquilinos não tenham entre si qualquer ligação afetiva ou sanguínea. De igual modo, parentes de primeiro grau que não vivem mais juntos são família apenas em sentido lato, de modo que não preenchem o significado estrito e primeiro de família.

Os tempos mudaram e os organizadores do dicionário já não estavam mais satisfeitos com essa definição clássica. Resolveram reescrever o verbete; e essa decisão foi tema de uma reportagem do Fantástico, exibida no último domingo (08), dia das mães. Para dar o tom da reportagem, ela começa com uma pergunta aparentemente despretensiosa, mas que carrega consigo o pressuposto do relativismo: “O que é família pra você?”. Note que a pergunta não procura pela definição objetiva de “família”, mas pelas opiniões subjetivas de cada um. A preocupação implícita ali era compreensível: não excluir ou discriminar os tipos menos comuns de família. Depois de apresentar alguns exemplos de famílias, digamos, mais “heterodoxas”, a reportagem dá a entender que a atual definição limita muito o termo. Ora, mas o que é uma definição, se não uma delimitação dos termos?

Além do mais, note que “especialmente”, na definição acima, tem o mesmo sentido de “normalmente”, “geralmente”, “na maioria dos casos”, e não de “exclusivamente”. Sendo assim, a definição continua aplicável a modelos familiares menos ortodoxos. Mesmo assim, fato é que os organizadores do dicionário sentiram que estava na hora de ampliar a definição de “família”. Fizeram então uma parceria com uma agência de publicidade e criaram uma campanha. Após ouvir mais de 3 mil opiniões diferentes, chegaram a um consenso. A partir da próxima edição do Houaiss, “família” será definida assim: “Núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, que geralmente compartilham o mesmo espaço e mantém entre si uma relação solidária”. Leia novamente. Agora compare com a definição original. Percebe como o relativismo é avesso à clareza?

Em nome do politicamente correto, trocaram uma definição clara, sucinta e objetiva, que vai direto ao ponto em poucas palavras, por uma definição obscura, prolixa e vaga. Se me perguntassem o que é um “núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, que geralmente compartilham o mesmo espaço e mantém entre si uma relação solidária”, eu certamente não saberia responder. Mas se me perguntassem o que é um “grupo de pessoas vivendo sobre o mesmo teto (especialmente o pai, a mãe e os filhos)”, eu teria a resposta na ponta da língua: é uma família!

Conheça os Pirahã: a tribo amazônica que não conhece o conceito de números

Imagine viver numa sociedade que não só não tem palavras para designar números, mas onde o próprio conceito de números é inexistente. Ou seja, uma cultura onde “um”, “dois” ou “três” simplesmente não existem. Assim vive o povo Pirahã, uma tribo seminômade que habita o vale do rio Maici, na fronteira entre os Estados do Amazonas e Rondônia, no norte do Brasil. A língua falada pela tribo não possui palavras para contar.

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Daniel Everett, pesquisador da Bentley University, em Massachusetts, Estados Unidos, morou com os Pirahã como missionário e, depois, como pesquisador no campo da linguística. Durante o período de convivência com a tribo, desenvolveu um interesse especial pela questão dos números – ou melhor, a ausência deles – na cultura desse povo. Anteriormente, especialistas achavam que os Pirahã tinham conceitos para “um”, “dois” e “muitos”, algo que não é incomum em culturas desse tipo. Mas à medida que Everett investigava de forma mais sistemática, ia se dando conta de que esses indivíduos simplesmente não faziam contas precisas. “Ficou claro que não tinham nenhum tipo de número”, disse o pesquisador à BBC. Everett teve sua primeira suspeita quando observou a tribo repartindo o peixe. “Se alguém chegava com três peixes, dois muito pequenos e um grande, o grupo se referia ao peixe grande com a palavra que eu julgava significar ‘dois’. Para indicar os dois peixes pequenos, diziam uma palavra que eu achava significar ‘um'”. Isto fez com que ele se desse conta de que, na realidade, os Pirahã se referem a quantidades relativas – e não precisas.

Everett teve sua hipótese confirmada após convidar o psicólogo cognitivo Ted Gibson para visitar a comunidade Pirahã. Daniel Everett e Ted Gibson contaram sua experiência com o povo Pirahã ao programa de rádio Discovery, do BBC World Service. Gibson, que trabalha no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, fez um experimento simples. “Tínhamos bobinas de fio idênticas e fomos colocando-as na frente deles, uma a uma. Fomos adicionando os objetos até somarem-se dez bobinas. Pusemos uma bobina e perguntamos a eles o que era aquilo. Eles responderam com uma palavra. Depois, colocamos mais uma e repetimos a pergunta. A resposta foi a mesma. Cada pessoa dizia as mesmas palavras para quantificar os objetos – as que pensávamos ser ‘um’ e ‘dois'”, explicou. Então, Gibson inverteu o experimento, começando com dez bobinas e retirando uma por vez. “Quando tínhamos sete bobinas, os índios começavam a usar a palavra que achávamos ser ‘dois’. E quando chegávamos a quatro bobinas, todos começavam a usar a palavra que pensávamos ser ‘um'”. Assim, os especialistas perceberam que os Pirahã não estavam contando, mas sim que os termos indicavam quantidades relativas de acordo com o contexto, que pode ser muito ou pouco. Ou seja, se você tinha dez bobinas e passa a ter cinco, dez bobinas são muito e cinco são pouco. Mas se você começa com uma bobina e termina com cinco, então cinco passa a ser muito. “Assim, os termos que a tribo possui indicam ‘pouco’, ‘alguns’ e ‘muitos’. Todos relativos”, acrescentou o especialista.

No entanto, como pode uma comunidade sobreviver sem as palavras para um, dois e três? Como você diz, por exemplo, que precisa de três peixes para o jantar? “Na verdade, pode-se chegar muito longe sem números em uma sociedade tribal como a dos Pirahã“, respondeu Everett. “Vamos dizer que você quer dividir a comida. Eles simplesmente se sentam em volta do alimento. Você tem a pessoa que corta o animal em pedaços e vai em círculo distribuindo cada pedaço até que terminem. É um tipo de divisão sem números”, explicou. “Nessa sociedade não há a necessidade de se contar com precisão. O escambo é praticamente inexistente. Encontrei pirahãs que foram sequestrados, ainda pequenos, por comerciantes que navegam pelo rio. Foram criados fora da tribo e agora trabalham em lojas, falam português fluente e fazem cálculos matemáticos. Então, não tem nada a ver com habilidade cognitiva, é simplesmente uma questão cultural”, acrescentou Everett. A existência de uma cultura que só tem conceitos para “pouco”, “alguns” e “muito” é importante para determinar como os humanos em geral aprendem números. “Eles (os Pirahã) demonstram que as palavras para contar não são inatas, são um conceito que temos de descobrir e que ensinamos aos mais jovens”.

Fonte: BBC Brasil.

Línguas europeias surgiram na Turquia há aproximadamente 9 mil anos, sugere estudo

A saga do mais importante grupo de línguas do mundo, com quase 3 bilhões de falantes nativos, começou há aproximadamente 9 mil anos, na atual Turquia, e está ligada às origens da agricultura. Em última instância, seria graças à descoberta de como cultivar trigo e cevada que os brasileiros falam português e os americanos falam inglês. A conclusão está em uma pesquisa publicada hoje na revista Science e que almeja colocar um ponto final no debate sobre a origem das chamadas línguas indo-europeias.

A afirmação pode soar estranha à primeira vista, mas há boas razões para achar que esse grupo imenso de idiomas, que coloca no mesmo balaio o grego, o alemão, o russo e as principais línguas do Irã e da Índia, descende de um ancestral comum. A prova disso é o vocabulário básico de todas elas – como as palavras usadas para designar parentes próximos, partes do corpo, numerais e os pronomes pessoais. Apesar das diferenças, elas conservam um núcleo comum de som e significado, e as mudanças que ocorrem de um grupo de línguas para outro não são aleatórias: seguem “leis” estabelecidas. Um exemplo é a transformação do “p” em “f” nas línguas germânicas, como o inglês. É por isso que “peixe” e “pé” viram “fish” e “foot“. O diabo era saber quando e como o ancestral dessas línguas todas começou sua carreira de sucesso.

A equipe de cientistas liderados por Quentin Atkinson, da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, resolveu responder à questão “emprestando” um método normalmente usado para estudar a evolução e propagação de vírus como o da gripe. Grosso modo, o método compara as “letras” químicas do DNA de vários tipos de vírus para saber qual está mais próximo do ancestral comum de todos eles e, a partir disso, monta uma árvore genealógica dos parasitas usando estratégias sofisticadas de estatística. A mesma coisa, raciocinaram Atkinson e companhia, pode valer para línguas – desde que, em vez de mutações no código genético, sejam avaliadas “mutações” no som das palavras.

Também foram incorporados elementos geográficos – com base na distribuição histórica e atual das línguas, o método calculava qual o trajeto de expansão mais provável para elas. O resultado, em vários tipos de simulação, apontou a Turquia, há 9 mil anos, como o lugar e o tempo de origem do tronco indo-europeu. O método foi testado só para as línguas latinas, grupo do português, e deu indícios de ser confiável: mostrava o centro da Itália (onde está Roma, berço do latim) como fonte da nossa família de idiomas.

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Origem da língua já foi ligada a domínio do cavalo

Uma hipótese que esteve em voga por décadas dizia que os primeiros indo-europeus estariam associados à domesticação do cavalo e ao aparecimento de túmulos conhecidos como kurgans há 6 mil anos, na atual Ucrânia. O cavalo, espécie de tanque de guerra pré-histórico, teria permitido ao povo dos kurgans dominar vastas áreas, legando a língua a seus descendentes e às tribos conquistadas. Nos últimos tempos, vinha ganhando força a hipótese da origem mais antiga, na Turquia. As línguas indo-europeias mais primitivas, como o hitita, eram faladas por lá. Também se sabe que povos que dominam a agricultura têm vantagem sobre os demais porque “produzem” mais gente. Estudos em esqueletos pré-históricos mostram que o DNA dos primeiros europeus agricultores (nos Bálcãs) têm grande contribuição do Oriente Médio. Mas ninguém consegue provar que língua um esqueleto de 9 mil anos falava, já que não havia escrita. Jared Diamond, autor do livro Armas, Germes e Aço, no qual defende que o avanço da agricultura ajudou a forjar as línguas dominantes, diz que a hipótese dos kurgans ainda é a mais aceita pelos linguistas. “Mas, se eu fosse reescrever meus livros hoje, daria mais espaço para a hipótese dos agricultores no caso do indo-europeu”.

Fonte: Folha.

Pesquisadores brasileiros tentam decifrar o enigmático Manuscrito Voynich

Físicos brasileiros utilizaram uma técnica de análise de textos desenvolvida por eles para estudar o manuscrito Voynich, um livro misterioso supostamente escrito no início do século 15 em um alfabeto desconhecido. A esperança é que a descoberta ajude a decifrar o texto, considerado um dos mais enigmáticos que se conhece. Por meio de ferramentas estatísticas avançadas, o físico Diego Amâncio, da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, se esforça para descobrir se o manuscrito é um texto coerente ou apenas um amontoado aleatório de símbolos sem sentido.

Leia mais na reportagem O código Voynich. Leia o artigo científico citado no vídeo.
Veja o Manuscrito Voynich, disponibilizado pela Universidade Yale (EUA).


Codex Seraphinianus: o misterioso livro
escrito em uma língua que não existe

Em 1981, o artista e arquiteto italiano Luigi Serafini publicou uma enciclopédia com mais de mil ilustrações e extensos textos sobre animais, plantas, roupas e pessoas. Nada de mais até aí. O que intrigou na época e continua um mistério até hoje é que o livro é escrito em uma língua que, até onde se sabe, não existe, e as ilustrações parecem interpretar zoologia, mineralogia, botânica, antropologia, física e arquitetura de uma maneira que simplesmente não existem no mundo que conhecemos. O artista italiano passou 30 meses dedicado a escrever o Codex, que tem quase 400 páginas.

Serafini nega que o texto do livro tenha qualquer significado – alega que são caracteres inventados e é tudo uma obra de ficção. Eu não acredito nele (e muita gente também não), mas ninguém teve sucesso, até hoje, em desvendar a escrita de Serafini ou encontrar ao menos uma sintaxe entre as “letras”. O texto inclui também palavras em inglês e francês usadas aleatoriamente e de maneira incompreensível no contexto. Alguns dizem que o Codex é diretamente inspirado no Manuscrito Voynich – as ilustrações, no entanto, retratam coisas que conhecemos.

A editora italiana Rizzoli está lançando uma nova edição do Codex Seraphinianus. O Dangerouns Minds entrevistou o editor responsável pelo lançamento, Charler Miers. Curiosamente evasivo, em um tom quase humorístico, ele disse ao site que Serafini existe e não é um pseudônimo, que o autor tem casas em Roma e em Milão e uma oficina de cerâmica na Umbria, e que a nova edição traz, além de novas ilustrações, 22 páginas inéditas em que o autor explica a origem do livro: um gato vira-lata branco teria se juntado ao autor enquanto ele escrevia a obra e a teria transmitido telepaticamente para ele (isso é sério). O vídeo abaixo tem uma porção de páginas do Codex:

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