Um pequeno glossário para entender os “palavrões” do Hino Nacional

Veja também: Entenda o significado das estrelas na bandeira do Brasil

bandeira-do-brasil-sil-silO Hino Nacional Brasileiro é um dos 4 símbolos oficiais da República Federativa do Brasil, conforme estabelece o art. 13, § 1.º, da Constituição do Brasil (os outros símbolos da República são a bandeira nacional, as armas nacionais e o selo nacional). A música é uma composição de Francisco Manuel da Silva (1795 – 1865) e a letra é de Joaquim Osório Duque Estrada (1870 – 1927). O Hino foi adquirido por 5 contos de réis, pelo decreto n.º 4.559 de 21 de agosto de 1922, pelo então presidente Epitácio Pessoa; e foi oficializado pela lei n.º 5.700, de 1 de setembro de 1971. Leis e decretos à parte, fato é que a letra do nosso Hino Nacional ostenta uma linguagem rebuscada, pomposa em demasia, e um português bastante arcaico para os padrões atuais da língua, o que torna-o quase incompreensível ao cidadão brasileiro mediano, isto é, à população em geral. Pensando nisso, resolvi pesquisar um pouco e prestar esse serviço de utilidade pública, traduzindo para uma linguagem mais popular e atual as expressões mais “enigmáticas” do nosso Hino Nacional.

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*Trechos do poema “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias (1823-1864).

Ipiranga – Nome de um riacho situado na cidade de São Paulo, junto ao qual D. Pedro I supostamente proclamou a independência da República no dia 7 de setembro de 1888.

Margens plácidas – “Plácida” significa serena, calma, sossegada, tranquila.

Brado retumbante – Grito forte que provoca eco.

Raios fúlgidos – “Fúlgido” significa brilhante, cintilante.

Penhor – Usado de maneira metafórica (figurada), “penhor dessa igualdade” é a garantia, a segurança de que haverá liberdade na nação.

Raio vívido – “Vívido” significa brilhante, fulgurante, aquilo que tem vivacidade, que ilumina, que esclarece, que tem cores vivas. Essa expressão tem quase o mesmo significado que “raios fúlgidos”.

Imagem do Cruzeiro – Referência à constelação do Cruzeiro do Sul que resplandece (isto é, brilha) no céu noturno.

Impávido colosso – “Colosso” é uma estátua muito grande, de dimensões muito elevadas (como o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, por exemplo). Estar “impávido” significa não sentir ou aparentar medo diante do perigo.

Fulguras – Do verbo “fulgurar”, que significa reluzir, brilhar, distinguir-se dos demais, sobressair-se de maneira brilhante.

Florão da América – “Florão” é um ornato em forma de flor usado nas abóbadas de construções grandiosas. Segundo a letra do Hino, o Brasil seria o ponto mais importante e vistoso de toda a América.

Novo Mundo – Referência ao continente americano.

Garrida – Significa enfeitada, que chama a atenção pela beleza.

Lábaro que ostentas – “Lábaro” significa uma bandeira ou um estandarte. “Ostentar” significa mostrar, exibir com orgulho.

Verde-louro dessa flâmula – Verde e amarelo dessa bandeira.

Clava forte – “Clava” é um pedaço de pau grosso e maciço, um grande porrete usado como arma. No verso, em sentido figurado, significa mobilizar um exército, entrar em guerra.

Estas são, a meu ver, as expressões mais incompreendidas do nosso Hino Nacional. Espero que esse pequeno glossário tenha ajudado e que você, brasileiro, possa cantar o Hino com mais propriedade de agora em diante.

Por que os dias da semana têm “feira”?

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“Dias úteis” é como são chamados aqueles dias da semana que são destinados ao trabalho, em oposição a “fim de semana”, que são os dias destinados ao descanso e ao lazer. Atualmente, a semana é dividida em 5 dias úteis e um fim de semana de 2 dias (sábado e domingo). Na língua portuguesa, o nome “sábado” tem origem judaica (do hebraico “shabāt”) e significa “dia do descanso”; ele geralmente é considerado o último dia da semana e tem seu fundamento na narrativa bíblica do Gênesis, em que Deus criou o mundo em 6 dias e descansou no último. O nome “domingo” tem origem romana (do latim “dies Dominicus”) e significa “dia do Senhor”; ele geralmente é considerado o primeiro dia da semana, aquele em que as pessoas se reúnem para cultuar a Deus (daí a tradição de ir à igreja aos domingos). Os demais dias (os “úteis”) foram nomeados pela sua ordem (segunda, terça, quarta…) acrescidos da palavra “feira”. Mas por quê?

O nome “feira” acrescido aos dias úteis da semana na língua portuguesa vem do latim “feria“, que também significa “dia de descanso”, “folga”, ou ainda mais literalmente “férias”. O termo passou a ser empregado no ano 563, após um concílio da Igreja Católica na cidade portuguesa de Braga. Na ocasião, o bispo Martinho de Braga decidiu que os nomes dos dias da semana usados até então, em homenagem a deuses pagãos, deveriam mudar. Mas espera aí: se feria significa dia de descanso, folga e férias, por que se usa “feira” para nomear os dias úteis? Isso acontece porque, no início, a ordem do bispo valia apenas para os dias da Semana Santa, em que todo bom cristão deveria descansar. Somente depois é que ela acabou sendo adotada para o ano inteiro.

A parte mais interessante dessa história é que tudo isso (os nomes dos dias e suas origens explicadas acima) é uma exclusividade dos países de língua portuguesa. No inglês, espanhol, francês, italiano, alemão e muitas outras línguas modernas, ao contrário do que queria o bispo Martinho de Braga, os deuses pagãos continuam sendo homenageados e batendo ponto dia após dia. Isso porque, na sua origem mais remota, os nomes dos dias da semana tinham influência na astrologia, e cada um representava um deus pagão, que por sua vez eram representados materialmente por um astro do nosso Sistema Solar: Sol (domingo), Lua (segunda), Marte (terça), Mercúrio (quarta), Júpiter (quinta), Vênus (sexta) e Saturno (sábado). Veja o exemplo do inglês: sunday (dia do Sol), monday (dia da Lua), tuesday (dia de Marte), wednesday (dia de Mercúrio), thursday (dia de Júpiter), friday (dia de Vênus) e saturday (dia de Saturno).

Outro dado curioso: por ordenação de trabalho e lazer e pela normalização ISO 8601, a segunda-feira é considerada o primeiro dia da semana, sendo o domingo o último dia e o sábado o penúltimo. No entanto, desde o ano 321 os calendários ocidentais começam a semana pelo domingo. A regra foi imposta naquele ano pelo imperador romano Constantino, que, além disso, estabeleceu que as semanas teriam 7 dias. A ordem não foi aleatória: embora na época os romanos adotassem semanas de 8 dias, a narrativa do Gênesis já dizia que Deus havia criado a Terra em 6 dias e descansado no sétimo e, ao que tudo indica, os babilônios também já dividiam o ano em conjuntos de 7 dias.

Com informações de Wikipédia e revista Mundo Estranho.

Origens curiosas de algumas palavras

Ametista – Os gregos antigos se surpreenderiam ao saber que usamos essa pedra azul-violeta como um adorno e a guardamos numa caixinha de jóias. Para eles, a ametista era um amuleto para prevenir ressaca. Daí o nome: a, “sem”, e methystos, “embriaguez”.

Assassino – O mais antigo alucinógeno que se conhece é o haxixe, extraído das folhas do cânhamo. Há 18 séculos, os árabes já ficavam doidões mascando suas folhas. Acontece que algumas tribos árabes tinham também o hábito de torturar os inimigos capturados. E faziam isso em clima de festa, mascando haxixe. Essas tribos ficaram conhecidas como “comedoras de haxixe”, que em árabe se escreve hash-shas-hin, daí a palavra “assassino”.

Canário – O simpático passarinho amarelo tem nome de cachorro. Quando chegaram ao que hoje são as Ilhas Canárias, os romanos ficaram surpresos com a quantidade de cães selvagens. Por isso, chamaram o arquipélago de insula canaria, “a ilha dos cães”.

Companhia – As empresas estão ficando cada vez mais impessoais e, além disso, a própria expressão “Companhia Limitada” não deixa de ser uma afronta ao sentido original da palavra. Em latim, cum, “junto”, e panis, “pão”, significava “repartir o pão”. Pois é. Tudo mudou, desde as relações até o cardápio.

Cosméticos – A palavra grega para “ordem” era kosmos. Seu oposto era kaos, “bagunça”. Ao pé da letra grega, toda a parafernália hoje disponível de maquiagem e de produtos cosméticos serviria para consertar uma situação caótica.

Dizimar – Um caso típico de exagero numérico. Se a gente lê que uma população foi “dizimada”, o que se entende é que não sobrou quase ninguém, quando, na verdade, deveriam ter sobrado exatos 90%. “Dizimar” vem do latim decimo, “dez”. Quando havia alguma rebelião em suas legiões, os romanos executavam um de cada dez soldados.

Formidável – Quando alguém nos diz que um trabalho que apresentamos é formidável, nós agradecemos o elogio. Há mil anos, teríamos ficado deprimidos. Porque formidare queria dizer “assustar” em latim.

Ginástica – Quem decide malhar numa academia de ginástica sabe que vai ter, entre outras coisas, que gastar uma boa grana com equipamentos e roupas especiais. Os gregos achariam isso um desperdício de dinheiro, porque a palavra gymnos queria dizer, pura e simplesmente, “nu”. E gymnazo, de onde derivou “ginástica”, era “treinar pelado”.

Histérica – Para os gregos, as mulheres eram emocionalmente mais instáveis que os homens e, na falta de uma explicação mais científica, atribuíram essa instabilidade ao fato de elas possuírem útero, ou hystera.

Insulto – Um ataque físico é uma agressão, enquanto um ataque moral é um insulto. Mas houve um tempo em que o insulto era exatamente o mais físico dos ataques: a palavra vem do latim in, “em cima” e salio, “pulo”. Insultar era, literalmente, voar no pescoço do oponente. Quem disse que não estamos ficando mais civilizados?

Medíocre – Esse termo difamatório e seu irmão, “ordinário” eram, até há bem pouco tempo, usados com o sentido de “normal”. Ordinário é algo que está em ordem e medíocre é qualquer coisa que se situa na média. A mudança é o reflexo da competição acirrada dos tempos modernos: hoje em dia, ser igual aos outros ou atuar na média é uma tremenda desvantagem.

Nepotismo – A prática de arrumar uma boquinha para os parentes ganharem um troco sem precisar fazer muita coisa é um hábito antigo. O que mudou foi o grau de parentesco: nepotis era “sobrinho” em latim. Hoje, vale qualquer parente, até primo em quinto grau.

Precário – Precis, em latim, era “oração”, ou “prece”. Antigamente se acreditava que algo conseguido precariamente, ou seja, através da fé, era mais do que sólido. A mudança no sentido da palavra mostra que, com o tempo, os povos foram se convencendo de que ter fé é bom, mas insuficiente: além de rezar, é preciso fazer algo mais prático para conseguir se aprumar na vida.

Químico – Os árabes passaram séculos tentando encontrar uma maneira de transformar metais em ouro. Da palavra árabe para “ouro”, al-kimia, derivaram duas ciências: a própria alquimia, meio esotérica, e a química, mais científica, que se expandiu e hoje parece capaz de transformar qualquer coisa em qualquer coisa, menos metais em ouro.

Senador – A palavra latina senex quer dizer “velho”. É dela que vem, por exemplo, “senil”. Aqueles que conseguiam chegar à velhice sem caducar passavam a ser considerados sábios. E os povos antigos respeitavam esses velhinhos, tanto que eram reunidos numa espécie de Clube da Terceira Idade, a quem os jovens iam pedir opiniões e conselhos. Daí vieram os “senadores”, ou “associação de velhos”.

Sarcófago – Impressiona perceber que os sarcófagos egípcios conservaram as múmias quase intactas por milhares de anos. Mas os egípcios atribuiriam esse fato a uma falha de projeto. A palavra vem do grego sarx, “carne” e phagein, “comer”. Ou seja, a finalidade do sarcófago não era a de preservar o corpo do falecido, mas facilitar sua decomposição. Ou então, se não for isso, quem inventou a palavra estava falando grego.

Virilidade – Virtus, em latim, significa “virtude”. Por exemplo, falar com perfeição, ter excelentes padrões de moralidade, combater com coragem. A “virilidade”, ou a soma das virtudes, tanto se aplicava ao homem quanto à mulher. Mas aí o tempo foi passando, passando e “virilidade” se tornou sinônimo de “masculino”. Para a mulher, teve que ser criada a variação “virtuosa”.

Fonte: Superinteressante.

As linguagens míticas da Bíblia

Texto de Sóstenes Lima.

Quando cito um trecho do mito de Prometeu, não preciso dizer a ninguém que não estou tomando a narrativa como história, mas como mito. Mas se eu resolver citar um trecho da história da Torre de Babel, devo começar dizendo que se trata de um mito, para não ser tachado de estúpido. Por que preciso dizer que a Torre de Babel é um mito? Isso deveria ser um pressuposto básico. Quando digo que Prometeu é o inventor da tecnologia ninguém acha que estou tratando Prometeu como um sujeito histórico. Mas se falo de Jó, a maioria das pessoas acha que estou me referindo a um sujeito histórico. Caso eu queira ser compreendido de outra forma, devo dizer expressamente que Jó é personagem de uma narrativa da sabedoria trágica-épica judaica, não um sujeito histórico como Moisés.

Gostaria que certos pressupostos básicos aplicados às narrativas míticas e fantásticas também fossem aplicados a certas narrativas bíblicas. Por exemplo, quando conto a história da Branca de Neve, ninguém me pergunta se eu acredito ou não em Branca de Neve. As pessoas simplesmente ouvem e deixam a história fluir, tirando dela lições éticas e até valores transcendentes. Por que, então, quando conto a história da Serpente no Éden, as pessoas não aplicam o mesmo pressuposto? Por que preciso responder se acredito ou não em serpentes falantes? Rubem Alves dizia que Deus é poeta, não repórter ou historiador. Ele diz: “Eu leio os textos sagrados como quem lê poesia e não como quem lê jornal. Prefiro pensar que Deus é poeta a imaginá-lo como jornalista. Existirá ofensa maior para um poeta do que perguntar se o seu poema é reportagem?”.

Bíblia do Matuto

O publicitário e designer paraibano Rayan Rodrigues teve a sacada de contextualizar passagens da Bíblia com a linguagem típica do Nordeste brasileiro ao idealizar a Bíblia do Matuto. Eu já lhe dei a ideia de um livro mas, por enquanto, o trabalho está sendo divulgado apenas no Facebook – e fazendo sucesso por lá. Repara que ideia arretada:

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