A história do ponto de exclamação

De origem incerta, o ponto de exclamação é marcado pelas muitas utilidades, pouca frequência nos textos formais e visto como sinal de simpatia nas mensagens virtuais. É o que mostra em menos de 3 minutos este adorável vídeo produzido pelo jornal Nexo.

Dicionário Houaiss redefine “família”

O conceito de família sempre possuiu um significado suficientemente claro: “Grupo de pessoas vivendo sobre o mesmo teto (especialmente o pai, a mãe e os filhos)”. Durante décadas, foi essa a definição dada pelo Houaiss, o mais importante dicionário de língua portuguesa, para o verbete “família”. É claro que a palavra pode assumir sentidos secundários, mas esse é o sentido imediato e primário. O complemento entre parêntesis na definição é necessário porque um “grupo de pessoas vivendo sobre o mesmo teto” pode ser uma república de estudantes, por exemplo, ou qualquer outra configuração habitacional cujos inquilinos não tenham entre si qualquer ligação afetiva ou sanguínea. De igual modo, parentes de primeiro grau que não vivem mais juntos são família apenas em sentido lato, de modo que não preenchem o significado estrito e primeiro de família.

Os tempos mudaram e os organizadores do dicionário já não estavam mais satisfeitos com essa definição clássica. Resolveram reescrever o verbete; e essa decisão foi tema de uma reportagem do Fantástico, exibida no último domingo (08), dia das mães. Para dar o tom da reportagem, ela começa com uma pergunta aparentemente despretensiosa, mas que carrega consigo o pressuposto do relativismo: “O que é família pra você?”. Note que a pergunta não procura pela definição objetiva de “família”, mas pelas opiniões subjetivas de cada um. A preocupação implícita ali era compreensível: não excluir ou discriminar os tipos menos comuns de família. Depois de apresentar alguns exemplos de famílias, digamos, mais “heterodoxas”, a reportagem dá a entender que a atual definição limita muito o termo. Ora, mas o que é uma definição, se não uma delimitação dos termos?

Além do mais, note que “especialmente”, na definição acima, tem o mesmo sentido de “normalmente”, “geralmente”, “na maioria dos casos”, e não de “exclusivamente”. Sendo assim, a definição continua aplicável a modelos familiares menos ortodoxos. Mesmo assim, fato é que os organizadores do dicionário sentiram que estava na hora de ampliar a definição de “família”. Fizeram então uma parceria com uma agência de publicidade e criaram uma campanha. Após ouvir mais de 3 mil opiniões diferentes, chegaram a um consenso. A partir da próxima edição do Houaiss, “família” será definida assim: “Núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, que geralmente compartilham o mesmo espaço e mantém entre si uma relação solidária”. Leia novamente. Agora compare com a definição original. Percebe como o relativismo é avesso à clareza?

Em nome do politicamente correto, trocaram uma definição clara, sucinta e objetiva, que vai direto ao ponto em poucas palavras, por uma definição obscura, prolixa e vaga. Se me perguntassem o que é um “núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, que geralmente compartilham o mesmo espaço e mantém entre si uma relação solidária”, eu certamente não saberia responder. Mas se me perguntassem o que é um “grupo de pessoas vivendo sobre o mesmo teto (especialmente o pai, a mãe e os filhos)”, eu teria a resposta na ponta da língua: é uma família!

Conheça os Pirahã: a tribo amazônica que não conhece o conceito de números

Imagine viver numa sociedade que não só não tem palavras para designar números, mas onde o próprio conceito de números é inexistente. Ou seja, uma cultura onde “um”, “dois” ou “três” simplesmente não existem. Assim vive o povo Pirahã, uma tribo seminômade que habita o vale do rio Maici, na fronteira entre os Estados do Amazonas e Rondônia, no norte do Brasil. A língua falada pela tribo não possui palavras para contar.

piraha

Daniel Everett, pesquisador da Bentley University, em Massachusetts, Estados Unidos, morou com os Pirahã como missionário e, depois, como pesquisador no campo da linguística. Durante o período de convivência com a tribo, desenvolveu um interesse especial pela questão dos números – ou melhor, a ausência deles – na cultura desse povo. Anteriormente, especialistas achavam que os Pirahã tinham conceitos para “um”, “dois” e “muitos”, algo que não é incomum em culturas desse tipo. Mas à medida que Everett investigava de forma mais sistemática, ia se dando conta de que esses indivíduos simplesmente não faziam contas precisas. “Ficou claro que não tinham nenhum tipo de número”, disse o pesquisador à BBC. Everett teve sua primeira suspeita quando observou a tribo repartindo o peixe. “Se alguém chegava com três peixes, dois muito pequenos e um grande, o grupo se referia ao peixe grande com a palavra que eu julgava significar ‘dois’. Para indicar os dois peixes pequenos, diziam uma palavra que eu achava significar ‘um'”. Isto fez com que ele se desse conta de que, na realidade, os Pirahã se referem a quantidades relativas – e não precisas.

Everett teve sua hipótese confirmada após convidar o psicólogo cognitivo Ted Gibson para visitar a comunidade Pirahã. Daniel Everett e Ted Gibson contaram sua experiência com o povo Pirahã ao programa de rádio Discovery, do BBC World Service. Gibson, que trabalha no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, fez um experimento simples. “Tínhamos bobinas de fio idênticas e fomos colocando-as na frente deles, uma a uma. Fomos adicionando os objetos até somarem-se dez bobinas. Pusemos uma bobina e perguntamos a eles o que era aquilo. Eles responderam com uma palavra. Depois, colocamos mais uma e repetimos a pergunta. A resposta foi a mesma. Cada pessoa dizia as mesmas palavras para quantificar os objetos – as que pensávamos ser ‘um’ e ‘dois'”, explicou. Então, Gibson inverteu o experimento, começando com dez bobinas e retirando uma por vez. “Quando tínhamos sete bobinas, os índios começavam a usar a palavra que achávamos ser ‘dois’. E quando chegávamos a quatro bobinas, todos começavam a usar a palavra que pensávamos ser ‘um'”. Assim, os especialistas perceberam que os Pirahã não estavam contando, mas sim que os termos indicavam quantidades relativas de acordo com o contexto, que pode ser muito ou pouco. Ou seja, se você tinha dez bobinas e passa a ter cinco, dez bobinas são muito e cinco são pouco. Mas se você começa com uma bobina e termina com cinco, então cinco passa a ser muito. “Assim, os termos que a tribo possui indicam ‘pouco’, ‘alguns’ e ‘muitos’. Todos relativos”, acrescentou o especialista.

No entanto, como pode uma comunidade sobreviver sem as palavras para um, dois e três? Como você diz, por exemplo, que precisa de três peixes para o jantar? “Na verdade, pode-se chegar muito longe sem números em uma sociedade tribal como a dos Pirahã“, respondeu Everett. “Vamos dizer que você quer dividir a comida. Eles simplesmente se sentam em volta do alimento. Você tem a pessoa que corta o animal em pedaços e vai em círculo distribuindo cada pedaço até que terminem. É um tipo de divisão sem números”, explicou. “Nessa sociedade não há a necessidade de se contar com precisão. O escambo é praticamente inexistente. Encontrei pirahãs que foram sequestrados, ainda pequenos, por comerciantes que navegam pelo rio. Foram criados fora da tribo e agora trabalham em lojas, falam português fluente e fazem cálculos matemáticos. Então, não tem nada a ver com habilidade cognitiva, é simplesmente uma questão cultural”, acrescentou Everett. A existência de uma cultura que só tem conceitos para “pouco”, “alguns” e “muito” é importante para determinar como os humanos em geral aprendem números. “Eles (os Pirahã) demonstram que as palavras para contar não são inatas, são um conceito que temos de descobrir e que ensinamos aos mais jovens”.

Fonte: BBC Brasil.

Como se lê um ensaio de filosofia

Artigo do professor James Pryor, da Universidade de Princeton (EUA),
traduzido por Álvaro Nunes para o portal Crítica.

Veja também:
Como ler um texto de filosofia
Como ler um texto filosófico
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Vais ter dificuldade em compreender alguns dos textos que iremos ler. Isto é em parte devido a esses textos discutirem ideias abstratas em que não estás acostumado a pensar. Podem também usar vocabulário técnico que é novo para ti. Algumas vezes não será evidente qual é o argumento geral do texto. A prosa pode ser complicada e podes precisar de separar cada frase do texto. Eis algumas indicações para tornar o processo mais fácil e mais eficaz.

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1. Lê superficialmente o texto para encontrar a sua conclusão e ter uma ideia da sua estrutura

Quando se tenta ler um texto difícil, uma boa maneira de começar é ler primeiro superficialmente o texto para identificar a conclusão principal do autor. Tem em especial atenção os parágrafos de abertura e de fecho, uma vez que frequentemente os autores dir-te-ão aí aquilo a favor de que tencionam argumentar. Quando souberes qual é a conclusão principal do autor, tenta reescrevê-la com as tuas próprias palavras. Isto ajudar-te-á a ter a certeza de que compreendes realmente aquilo que o autor pretende demonstrar. Quando estiveres a ler superficialmente o texto, tenta também ter uma compreensão geral do que trata cada parte da discussão. Qual é a estrutura do texto? Às vezes os autores dizem no início do texto como será a sua argumentação. Isto torna o teu trabalho mais fácil. Os textos que lemos nem sempre têm uma estrutura fácil de compreender. Nem sempre terão a forma: “Esta é a conclusão que quero que aceites. Aqui está o argumento a favor dessa conclusão…”.

Os filósofos frequentemente fornecem argumentos auxiliares, argumentos para premissas importantes a que apelam para suportar a conclusão principal. Por exemplo, a discussão do autor pode ter a forma: “A conclusão que quero que aceites é A. O meu argumento para essa conclusão é o seguinte: B e C são verdadeiros, e se B e C são verdadeiros, então A tem de ser também verdadeiro. É geralmente aceite que B é verdadeiro. Contudo, é controverso se C é verdadeiro. Penso que deves aceitar C pelas razões seguintes…”. Aqui o argumento principal do autor é para suportar a conclusão A. Ao defender A ele avança um argumento auxiliar para suportar C. Tenta identificar estes argumentos auxiliares e as alegações que pretendem suportar, evitando confundir um destes argumentos auxiliares com o argumento principal do autor.

Os textos podem ser igualmente complexos noutros aspectos. Nem tudo o que o autor diz é uma conclusão positiva ou uma premissa para suportar a sua conclusão. Às vezes o autor suportará o seu ponto de vista com uma experiência mental. Outras vezes argumentará a favor de uma distinção em que o seu ponto de vista se apoia. Outras vezes defenderá que o ponto de vista ou os argumentos de outro filósofo devem ser rejeitados. Outras ainda defenderá um ponto de vista contra as objecções de outra pessoa. Estejas atento a palavras como estas enquanto lês: porque, desde, dado este argumento, assim, portanto, por isso, segue-se que, consequentemente, no entanto, contudo, mas, em primeiro lugar, por outro lado… Estes são indicadores que te ajudam a compreender a estrutura da discussão. Por exemplo, um artigo filosófico pode ter este aspecto: “O filósofo X avançou o argumento seguinte contra o dualismo… O dualista tem duas respostas ao argumento de X. Primeiro… Contudo, esta resposta tem problemas, porque… Uma resposta melhor é dizer… X pode ser tentado a contrapor o seguinte… Contudo…”. E assim por diante.

Eis outro exemplo: “O cético diz que não podemos dizer se estamos a ver as coisas como elas realmente são, ou se somos cérebros numa cuba alimentados com experiências falsas, como os habitantes de Matrix. Y fez a seguinte objecção ao cético… Por isso, concluo, que não temos razão para pensar que a nossa situação é tão má quanto o cético diz. É tentador responder desta maneira ao cético, mas não creio que funcione, pela seguinte razão… Y pode responder a este problema de uma de duas maneiras. A primeira é… Contudo, esta resposta não é bem-sucedida porque… A segunda maneira é… Contudo, esta resposta também não é bem-sucedida porque… Pelo que no fim de contas penso que a objecção de Y ao cético não pode ser mantida”. Nesse caso, o autor não precisa ser um cético. Concorda com Y que a conclusão do cético é falsa, mas pensa que temos que refletir mais no assunto para ver qual é realmente o defeito do raciocínio do cético. Neste texto, o autor passa a maior parte do tempo a defender o cético contra as objecções de Y, e a examinar as respostas que Y pode dar. A principal conclusão do autor é que as objecções de Y ao cético não funcionam. Mas note que a conclusão principal não é que o ceticismo é verdadeiro.

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2. Volta atrás e lê o texto cuidadosamente

Quando tiveres percebido qual é a conclusão principal do argumento e qual é a estrutura geral do texto, volta atrás e lê o artigo cuidadosamente. Toma atenção à forma como as várias partes se encaixam umas nas outras. Mais importante: vê quais são os argumentos centrais do autor. Que razões apresenta em suporte das suas conclusões? Em que parte do texto apresenta estas razões? Tem também em atenção o seguinte: Aponta onde o autor diz explicitamente o que entende por um determinado termo. Aponta que distinções o autor introduz ou defende. Tem em conta em particular os pressupostos injustificados em que pensas que o autor se apoia. Considera várias interpretações do que ele diz. Há alguma ambiguidade importante de que a sua argumentação não dê conta? Tudo isto te ajudará a compreender melhor o texto e será crucial quando tentares avaliar o argumento do autor e decidir se deves aceitar ou não a sua conclusão. Nas tuas notas podes esboçar as “peças” argumentativas mais importantes. Desenha esquemas de modo a representar a forma como achas que estas peças se encaixam. Se não o podes fazer, então precisas voltar a ler o texto de modo a compreender melhor o que o autor defende.

Deves estar preparado para ter de ler um texto filosófico mais de uma vez. Eu faço filosofia há mais de 10 anos e ainda tenho que ler os artigos várias vezes antes que consiga compreendê-los completamente. Digerir intelectualmente um texto de filosofia demora tempo e exige esforço e concentração. É mais do que certo que não vais compreender tudo num texto a primeira vez que o lês, e podem existir partes do texto que não compreenderás mesmo depois de o ler várias vezes. Deves fazer perguntas sobre essas partes do texto (nas aulas ou depois das aulas, como queiras). Podes dizer: O que é que se passa na página 13? Descartes diz X, mas não percebo como isto se ajusta com a sua anterior alegação Z. X segue-se supostamente de Z? Ou está a tentar aqui apresentar um argumento a favor de Z? Se é isso, por que pensa ele que X é uma razão a favor de Z?

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3. Avalia os argumentos do autor

Como é óbvio, só estarás em condições de avaliar os argumentos do autor quando tiveres feito o trabalho necessário para compreender o que o autor está realmente a dizer e como os seus argumentos funcionam. Quando o tiveres feito, podes começar a fazer perguntas como estas: Concordas com o autor? Se não, o que pensas que está errado no seu raciocínio? Apela ele a alguma premissa que penses ser falsa? (Por que pensas que é falsa?) Há algum pressuposto que o autor não explicite, mas que pensas ser falso? O argumento é confuso ou mal dirigido? Sentirás com frequência que os debates que examinamos são muito confusos e que não sabes em que argumentos acreditar. Não há forma de escapar a isto. Sinto-me assim constantemente. Tudo o que posso dizer é que se trabalhares muito, serás capaz de te orientares na confusão. Começas a compreender como os diferentes pontos de vista se relacionam mutuamente e quais são os seus prós e contras. Podes até chegar à conclusão de que as coisas são mais confusas do que pensavas, que são frustrantes e que tens de voltar aos esquemas. Isto pode repetir-se várias vezes e podes nunca chegar a uma conclusão definitiva. Mas cada vez que tentas entender o debate, descobres que compreendes as coisas um pouco melhor. É assim que progredimos em filosofia. Esse é o único caminho.

Às vezes uma questão filosófica conduz a três outras, que por sua vez conduzem a outras… e não podes explorar essas ligações imediatamente. De modo que tens que aprender a passar sem respostas definitivas. Podes não ser capaz de chegar a uma conclusão segura acerca de se deves aceitar um argumento filosófico, porque isso depende de outras questões P, Q e R, que ainda não abordaste. Isto é normal. Os teus próprios professores de filosofia sentem-se frequentemente desse modo a propósito de muitos argumentos que leram. Outras vezes, podes estar seguro de que um argumento é defeituoso, mas não tens tempo nem meios para compreender, ou explicar e sustentar tudo o que pensas estar errado no argumento. Nesses casos, podes provisoriamente aceitar uma das premissas do argumento, e avançar para outras que penses serem mais importantes ou mais fáceis de criticar. (É por este motivo que frequentemente ouves os filósofos dizerem que “Mesmo se admitirmos por hipótese tal e tal, continuo a pensar que o argumento de X é malsucedido, porque…”)

Pobre de Marré

A maioria das canções de ninar, cirandas e cantigas de roda presentes em jogos e brincadeiras do folclore brasileiro é um arranjo ou uma adaptação de canções francesas, portuguesas e europeias de modo geral, trazidas à cultura popular brasileira desde remotas eras, com maior afluxo no século 19. As traduções são às vezes curiosíssimas, e um bom exemplo disso é a canção “Je suis pauvre pauvre pauvre du Marais Marais Marais, je suis riche riche riche d’la Mairie D’Issy”, que virou “Eu sou pobre pobre pobre de marré marré marré, eu sou rica rica rica de marré dessi”. O que pouca gente sabe é que Marais e Mairie d’Issy são dois bairros de Paris.

Na verdade, o segundo bairro se chama Issy-les-Moulineaux e tem de fato uma estação de metrô chamada Mairie d’Issy, que tem esse nome porque fica perto da prefeitura de Issy. Issy não é exatamente um bairro de Paris: é um de seus subúrbios. Fica no sudoeste de Paris, podendo ser acessado de carro pela Ponte de Versailles. A estação Mairie d’Issy é a última da linha 12 que liga o sul ao norte parisiense, de Marie d’Issy até Porte de la Chapelle. Muitas vezes as letras em português nem fazem sentido, pois se destinam mais a uma onomatopeia do que a uma tradução literal. Fazem parte da nossa cultura, mas são quase todas de origem europeia, popularizadas de cima para baixo; ou seja, primeiro as famílias nobres e ricas as importavam, depois as escravas e as crianças, não sabendo cantar em francês ou não entendendo a letra em português às vezes literário, estropiavam tudo, e o resultado é que muitas cantigas de roda são de assunto ininteligível ou de sentido duvidoso (como em “pega a criança e joga na bacia”, ou “Terezinha de Jesus de uma queda foi ao chão”, ou “Pai Francisco entrou na roda”).

Com informações de: Rafael Galvão.

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