Nova York e João Pessoa registram mesma temperatura na noite de Natal

Normalmente com temperaturas negativas e coberta de neve nessa época do ano, a cidade de Nova York acaba de bater um recorde curioso: esta foi a véspera de Natal mais quente da história. O antigo recorde era de 17º C, registrado em 1996, segundo dados do Serviço Meteorológico Nacional americano (NWS), que mede desde 1871. Na última noite de Natal, porém, os termômetros por lá marcaram incríveis 22º C, mesma temperatura registrada aqui em João Pessoa, na Paraíba, de onde escrevo.

weather nyc christmas

Os termômetros também não ficaram muito diferentes disso em Boston, Washington, Recife e Natal. Com uma diferença básica importante: no Nordeste brasileiro estamos em pleno verão de uma região tropical, enquanto o Nordeste americano está em pleno inverno de uma região temperada. Por aqui, tudo normal. É por lá que o clima anda bastante confuso e está intrigando os meteorologistas. Depois do recorde de frio e das intensas nevascas no inverno passado, o Natal sem neve nos EUA e Canadá frustrou os turistas, e as lojas de Manhattan voltaram a ligar o ar-condicionado. A imagem abaixo é um sinal bastante influente de que o clima está meio louco no mundo. Ela mostra, em plena véspera de Natal, novaiorquinos jogando beachvoley de bermuda e sem camisa no Central Park (foto: AFP), coisa definitivamete impensável em um ano normal.

beachvoley nyc christmas

O que vi no TEDx Portal do Sol 2015

tedxpbNo último sábado (7), participei da primeira conferência TEDx na Paraíba. O evento aconteceu no Centro Cultural Ariano Suassuna, um espaço agradabilíssimo cedido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), no bairro de Jaguaribe, em João Pessoa. Apesar de ter sido realizado na capital paraibana, o evento não foi chamado TEDx João Pessoa, mas TEDx Portal do Sol. Não consegui descobrir o motivo dessa escolha, mas há uma chance de os organizadores concordarem comigo que a cidade mais oriental das Américas merecia um nome melhor. O TEDx Portal do Sol teve como tema um desafio: “Encare a possibilidade do salto”. Ao todo, 11 palestrantes subiram ao palco para contar suas histórias e comunicar suas ideias inovadoras. Eis um breve resumo dos talks:

Veja também: O que vi no TEDx Recife 2014

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EDUARDO VARANDAS
Um eterno inconformado

O procurador do trabalho e professor universitário Eduardo Varandas também é escritor e roteirista de cinema. No Ministério Público, atua contra o trabalho escravo, o trabalho infantil e todo tipo de injustiça social que, em pleno século 21, ainda afeta a nossa sociedade. No palco do TEDx, ele escolheu falar sobre um tema muito sério: a exploração sexual de crianças e adolescentes. Mostrando fotos e histórias de personagens reais com quem lidou durante muitos anos de carreira, ele compartilhou um pouco de sua experiência e sensibilizou a todos da importância de combater esse problema e promover um futuro mais digno para as nossas crianças.

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MURILO CAVALCANTI
Uma dor transformada em causa

Até 2004, Murilo era empresário, dono das melhores casas noturnas de Recife. Depois de sua irmã ser baleada durante um assalto e ficar paraplégica, ele começou a se interessar por segurança pública, estudou o tema a fundo e se tornou um dos maiores especialistas em políticas públicas de combate à violência urbana, sendo um grande estudioso do modelo de segurança cidadã implantado em cidades como Bogotá e Medellín, na Colômbia. Até poucas décadas, essas cidades estavam entre as mais violentas do mundo, conhecidas mundialmente pelos cartéis do narcotráfico liderados por Pablo Escobar. Atualmente, Murilo é secretário de Segurança Urbana da cidade do Recife e é co-autor do livro “As Lições de Bogotá e Medellín”, um relato com fotos e fatos de como essas cidades passaram a ser referência em políticas públicas de cidadania e prevenção à violência.

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FÁTIMA SOUTO
O canto das Sereias da Penha

Psicóloga por formação, Fátima souto lidera o projeto Sereias da Penha, que está gerando renda e mudando a vida das donas de casa moradoras da praia da Penha através do artesanato e do empreendedorismo. Ela montou uma cooperativa com as mulheres dos pescadores para produzir biojóias, acessórios e peças decorativas usando como matéria prima as escamas dos peixes que seus maridos diariamente trazem do mar. Essas escamas, que antes não tinham nenhum valor comercial, são hoje vendidas por cerca de 100 reais o quilo (mais caro que a própria carne dos peixes!). As peças produzidas são de tamanha beleza que elas já exportam para países como Suíça e Argentina, e já foram parar até no São Paulo Fashion Week.

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NAZARENO ANDRADE
Quem é quem na câmara?

Pesquisador e professor de computação da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Nazareno sempre foi interessado em política. Um dia ele resolveu usar seus conhecimentos de computação para desenvolver, junto com um grupo de alunos sob sua orientação, dois sistemas online bastante úteis à uma democracia mais eficaz. São os sites Quem me representa, onde o cidadão pode comparar as suas convicções pessoais com a forma como cada deputado votou em cada projeto de lei; e o House of Cunha, que mostra através de gráficos o posicionamento político de cada deputado e de cada partido.

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MARCOS PIRES
Advogado de poucas causas

Ele nasceu em berço de ouro, filho da família mais rica da Paraíba entre as décadas de 1950 e 1970. Cresceu numa mansão em Miramar, e recebeu em casa hóspedes ilustres como Roberto Carlos, Jô Soares, Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Toquinho, Elza Soares e dois ex-presidentes da República: Castelo Branco e Costa e Silva. Morou em diversas cidades da Europa e gozou de quase tudo que o dinheiro pode comprar. Em 1979, no entanto, os negócios de sua família quebraram; os Pires faliram. Para defender o patrimônio dos pais, Marcos estudou Direito e virou advogado. Em sua palestra ele conta como era rico, ficou pobre e recomeçou tudo de novo. Basicamente, é isso; só que contado de uma maneira muito engraçada e com um cativante storytelling.

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OUTROS PALESTRANTES

Além desses, subiram ao palco do TEDx Portal do Sol outros seis palestrantes. Os escoteiros André Sena e Edmilson Fonseca contaram como cruzaram a Paraíba toda de bicicleta, passando por várias cidades, conhecendo muita gente, incentivando a doação de sangue para o Hemocentro e arrecadando doações em dinheiro para uma ONG que cuida de crianças com câncer. O publicitário Sérgio Aires contou um pouco da sua experiência com o ensino de música a crianças carentes de comunidades pobres através de um projeto social. Flávio Gomes contou como criou um banco comunitário e uma moeda própria que é usada na comunidade São Rafael, onde mora. O psicólogo Vital Queiroga contou como atende os garis de João Pessoa. E o designer Rodrigo Medeiros alertou sobre a importância do descarte adequado do lixo eletrônico.

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TEDx Portal do Sol

João Pessoa: 430 anos

Veja também: Nova York e João Pessoa registram mesma temperatura na noite de Natal

A minha cidade de João Pessoa está completando hoje 430 anos desde a sua fundação, em 05 de agosto de 1585. Sendo a terceira capital mais antiga do Brasil, a cidade tem muita história. Devido às belezas naturais e à boa qualidade de vida, muita gente escolhe João Pessoa como destino para morar e aproveitar a aposentadoria. Durante a Eco-92 (Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento), João Pessoa recebeu o título de “segunda capital mais verde do mundo”, ficando atrás apenas de Paris. O cálculo baseia-se na relação entre o número de habitantes e a quantidade de árvores na zona urbana. A cidade ainda foi considerada pela organização International Living como uma das melhores cidades do mundo para se desfrutar a aposentadoria.

Aproveitando a ocasião, veja abaixo quatro vídeos: duas relíquias que mostram imagens antigas de João Pessoa, e duas reportagens contando o surgimento da cidade e as curiosidades do seu centro histórico. Mas antes, um aviso: Se você conhece João Pessoa, vai ficar encantado vendo como eram as principais ruas, praças e lugares históricos da cidade – devido ao progresso, alguns lugares estão irreconhecíveis. Mas se você não conhece a cidade, talvez fique um pouco perdido e talvez pareça que as imagens não tenham muito sentido. Em suma, talvez esses vídeos interessem apenas aos meus conterrâneos. Porém, é possível que você fique curioso e queira vir conhecer essa terra. Se este for o seu caso, sinta-se sempre bem-vindo.


Este primeiro vídeo, de pouco mais de 10 minutos, é o mais antigo. Ele mostra como era a cidade de João Pessoa entre os anos de 1959 e 1963, durante a administração do então prefeito Luiz Gonzaga de Miranda Freire. Nessa época, a capital paraibana tinha uma população de apenas 172 mil habitantes.

Nesta reportagem da TV Câmara de João Pessoa, a historiadora Anal Leal conta, direto do rio Sanhauá, como aconteceu a colonização destas terras pelos portugueses, a fundação da cidade e como era a vida por aqui nos seus primeiros séculos de existência.

Finalmente, esta reportagem do programa Vida Melhor, do canal Rede Viva, leva você em um passeio pelos principais pontos turísticos do centro histórico de João Pessoa.

O que vi no Campus Festival 2014

campus festival 2014No último fim de semana, emendado com esse feriado da segunda, estive no Espaço Cultural José Lins do Rego (em João Pessoa-PB) participando da segunda edição do Campus Festival – Conferência Universitária de Artes integradas e Tecnologia, o maior evento universitário do Nordeste, que este ano teve como tema “Nômades globais na savana digital”. Como prometi no meu perfil do Facebook, resolvi contar o que vi por lá. Foram basicamente dois dias de palestras e debates sobre os mais variados temas (com cientistas, pesquisadores, artistas, convidados ilustres e palestrantes renomados), duas noites de shows e apresentações musicais (Nação Zumbi, Seu Pereira e Coletivo 401, Os Gonzagas, entre outros), uma exposição de artes visuais (fotografias, pinturas, ilustrações e desenhos de 14 artistas da Paraíba) e uma mostra de cinema (6 filmes de diretores paraibanos) – isso sem mencionar o convívio com um monte de gente bacana. A experiência valeu muito a pena. Foi como o Charlezine: conteúdo inteligente para mentes curiosas. Os R$ 70,00 da inscrição foram um investimento muito bem aplicado. Ano que vem quero participar de novo.

As palestras e debates ocorreram de forma simultânea em 5 espaços diferentes, divididos de acordo com o tema de interesse. Nos quatro auditórios do Espaço Cultural, os estudantes podiam discutir com especialistas de suas respectivas áreas acadêmicas divididas em quatro eixos temáticos: Comunicação, Saúde, Design e Arquitetura, Direito e Sociedade. Enquanto isso, no Teatro Paulo Pontes – que, por sinal, depois da reforma ficou lindo (fotos abaixo) –, as atrações mais aguardadas se revezavam na programação principal. Durante todo o evento, não participei de nada nos auditórios. Preferi ouvir todas as palestras da programação principal no Teatro Paulo Pontes; e não me arrependi. Em um ambiente misto, diverso e multicultural, aprendi um pouco sobre os assuntos mais variados. A experiência foi positiva por me fazer sair um pouco do gueto da minha especialização acadêmica (filosofia) e ter contato com o que de mais interessante está rolando nas universidades como um todo, em outros cursos, outras áreas do saber, outros mundos. Esse contato ampliou minha visão de mundo, abriu minha mente a novas ideias, me possibilitou colidir universos bastante distintos. Saí de lá com ideias fervilhando.

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Teatro Paulo Pontes (Foto: Charles Andrade)
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Teatro Paulo Pontes (Foto: Charles Andrade)

Marcado para ter início às 14h, a abertura do evento no sábado (06) atrasou um pouco. Um show à parte foi o apresentador e mestre de cerimônias, que se apresentou como Dom Quixote, inspirado no icônico personagem de Cervantes. Com sua fantasia pra lá de criativa e sempre recitando versos e poemas famosos, ele deu um toque poético e literário às apresentações. Eu não resisti e quis tirar uma foto com essa figura.

Dom Quixote
Eu e Dom Quixote

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Silvio Meira e Alfredo Júnior

O primeiro bate papo da tarde foi sobre o tema “Negócios sociais: conexões que mudam o mundo” e contou com a participação de Silvio Meira e Alfredo Júnior, ambos de Recife-PE. Silvio Meira é cientista, pesquisador, engenheiro, especialista em ciências da computação e fundador do CESAR Recife – Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (veja aqui sua participação no programa De Frente com Gabi). Alfredo Júnior é CEO e co-fundador do Impact Hub Recife, além de organizador do TEDx Recife, a ser realizado no próximo dia 16 (estarei lá e depois conto tudo também). Tanto Silvio quanto Alfredo são especialistas e referências nacionais na área de tecnologia, informática e computação. Dentre os assuntos discutidos, um em especial me chamou a atenção. Descobri que, se tudo correr bem, com o planejamento, o empenho e os investimentos atuais, a cidade do Recife tem tudo para se tornar, nas próximas décadas, o “Vale do Silício” brasileiro, um pólo de relevância mundial na área de tecnologia e inovação. Contribui para isso, hoje, o funcionamento a pleno vigor do Porto Digital, um pólo de desenvolvimento de softwares e economia criativa localizado no centro histórico de Recife desde o ano 2000.

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André Braga e Vinnie

O segundo tema discutido foi voltado ao empreendedorismo criativo e inovador. André Braga e Vinícios Oliveira, ambos de São Paulo, bateram um papo e deram muitas dicas sobre o tema “Transforme sua ideia numa startup” (saiba aqui o que é uma startup). André Braga é CEO e co-fundador do Eventick, site especializado na venda de ingressos online. Vinícios Oliveira, ou Vinnie, como prefere ser chamado, é CEO e fundador do Glocal Arts, portal na internet que reúne e expõe para a venda obras de centenas de artistas plásticos da cidade de Olinda-PE, Recife e região metropolitana. No site do Eventick, ideia do André, você pode criar um evento e centralizar as vendas de ingressos de forma organizada, recebendo pagamentos via cartão de crédito, débito em conta e boleto bancário (os ingressos para o Campus Festival 2014 e para o TEDx Recife 2014 foram vendidos por lá). Após o pagamento, o participante inscrito recebe por e-mail um voucher para imprimir e apresentar no dia do evento. No site Glocal Arts, ideia do Vinnie, qualquer artista plástico pode fazer um cadastro e passar a expor e vender online as suas obras, cobrando por elas o preço que bem entender. Em Pernambuco, o artista plástico que não tem uma conta no Glocal Arts é quase como um cidadão comum que não tem uma no Facebook, por exemplo.

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André Lemos

A palestra principal do primeiro dia de evento ficou por conta de André Lemos, professor da UFBA. Engenheiro, doutor em sociologia e referência nacional em cibercultura, André Lemos palestrou sobre o tema “A internet das coisas”. Em suma, ele desmistificou a ideia equivocada de que a internet é uma rede que liga pessoas apenas. Segundo Lemos, além de conectar pessoas a pessoas, a internet conecta também pessoas a máquinas e até máquinas a máquinas, sem a intervenção de um ser humano. Como tendência para as próximas décadas, Lemos antecipou que, no futuro, será cada vez mais comum que máquinas “conversem entre si”, sem a intermediação de um humano. O avanço da tecnologia fará com que os objetos do cotidiano se tornem cada vez mais inteligentes, fazendo praticamente tudo sozinhos e “aprendendo” tarefas por meio de inteligência artificial. Além de previsões futurísticas, Lemos mostrou como isso já é uma realidade hoje e como esse futuro que parece tão distante está mais próximo do que imaginamos.

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Eduardo Jorge e Alfredo Minervino

No segundo dia do evento, todo mundo queria ver em ação o médico e ex-candidato à presidência da República pelo Partido Verde (PV), Eduardo Jorge. Grande estrela do dia, Eduardo Jorge chegou ao Espaço Cultural caminhando, de camiseta, conversando e tirando foto com todo mundo. Somente depois fiquei sabendo que ele tem uma casa aqui em João Pessoa, bem perto do Espaço Cultural, e por isso foi a pé mesmo. De qualquer modo, essa atitude foi uma amostra de sua humildade. Apesar de discordar dele em algumas questões políticas, tive que me render à sua notável inteligência e sabedoria. Enquanto todos os palestrantes usavam recursos de ponta em suas apresentações, Eduardo Jorge não quis usar datashow. Ele próprio foi o show, armado apenas com um microfone. A julgar pelo que vi, ele é gente finíssima (inclusive fisicamente).

Contrariando a expectativa de todo mundo, a fala de Eduardo Jorge, a mais esperada do dia, foi inconvenientemente interrompida aos 28 minutos pela organização do evento porque havia estourado o tempo. A plateia não teve sequer direito a fazer perguntas, como sempre fazia ao fim de cada apresentação. O motivo dessa escassez de tempo dificilmente poderia ser mais decepcionante. É que a organização do evento resolveu inserir de última hora na programação uma palestra inesperada de Beto Chaves, que, em resumo, falou por quase uma hora sobre como teve uma vida fracassada, nunca conseguiu passar num vestibular decente, abriu dezenas de empresas, faliu todas e hoje ganha a vida dando palestras motivacionais e vive muito bem porque tem besta que paga para ouvir sua história.

Eduardo Jorge fez uma espécie de “debate” com Alfredo Minervino sobre a “Regulamentação para o uso medicinal e recreativo da maconha”. Alfredo Minervino, que é médico psiquiatra e professor de Medicina da UFPB, começou o debate se posicionando contra a descriminalização, legalização e/ou qualquer tipo de liberação do uso da maconha para fins recreativos (muito embora apoie o seu uso para fins medicinais). Ele apresentou muitas estatísticas, dados científicos e argumentos variados mostrando os males que o uso da maconha causa à saúde e à qualidade de vida do indivíduo, à convivência familiar e à sociedade como um todo. Para ele, a maconha deve continuar proibida para o bem da sociedade.

Do modo como o debate foi configurado e conhecendo o estereótipo que se criou em torno da figura de Eduardo Jorge, eu particularmente esperava que, após a fala de Minervino, o ex-candidato à presidência fosse se posicionar do lado contrário, defendendo a legalização e fazendo apologia ao uso da maconha. Mas não foi o que aconteceu. Para minha surpresa, Eduardo Jorge afirmou concordar com quase tudo o que Alfredo Minervino disse acerca dos males da maconha. Primeiro, ele revelou que, ao contrário do que dizem por aí, não usa maconha, não bebe nada com álcool e não fuma (“porque não sou besta”, disse). Depois, afirmou que, como médico, desaconselha convictamente o uso da maconha, pois, como sabemos, ela faz mal à saúde.

Por fim, disse que “a legalização é a forma mais eficiente de reduzir os danos da dependência de drogas nos indivíduos e na sociedade”. Ele explicou que, como político, percebe que o Estado, ao longo de cerca de 50 anos, perdeu a chamada “guerra contra as drogas”; e que a melhor solução atualmente é liberar o uso da maconha para enfraquecer o poder e o monopólio dos traficantes; que são, no fim das contas, os únicos a lucrar com o mercado negro do narcotráfico. Segundo ele, o Estado deveria tratar o problema da maconha não como um problema de segurança pública, usando a polícia para combater o uso, mas como um problema de saúde pública, fazendo campanhas de conscientização, assim como já o faz contra o tabagismo e o alcoolismo.

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Lau Siqueira e Shiko

Após o debate sobre a regulamentação da maconha, subiram ao palco Lau Siqueira e Shiko, ambos de João Pessoa, para um bate papo descontraído sobre “Economias e cidades criativas”. Lau Siqueira é poeta e presidente da FUNESC; e Shiko é ilustrador e grafiteiro. Sem nenhum roteiro pré-estabelecido, eles fugiram muito ao tema proposto e falaram basicamente sobre como o artista pode viver de sua arte hoje em dia. Falaram também sobre como a indústria cultural e o mercado editorial muitas vezes se aproveitam desses artistas de forma gananciosa e exploratória. Quando um artista escreve um livro e quer publicá-lo, por exemplo, as editoras tomam para si os direitos autorais sobre a obra de modo que o autor perde até a propriedade sobre o seu trabalho. E isso em troca de uma porcentagem muito pequena (5%) do lucro das vendas de cada exemplar.

Lau e Shiko chegaram à conclusão de que o problema consiste em que os artistas muitas vezes sabem apenas produzir suas obras de arte, mas não sabem negociá-las (não sabem “vender o seu peixe”). Falta o empreendedorismo. A solução apontada para esse problema é a popularização das publicações independentes. Para eles, os artistas precisam perder o medo de recusar a oferta das editoras e escolher publicar suas obras de maneira independente, sem intermediação. Desse modo, eles mesmos diagramam, editam, imprimem a tiragem que quiserem numa gráfica e vendem seus livros por conta própria, ficando com 100% do lucro em vez dos 5% oferecidos pelas editoras. Ainda reforçando esse raciocínio, eles citaram o exemplo da literatura de cordel, que segue esse estilo independente desde os seus primórdios. Nas considerações finais, Shiko sugeriu que mudássemos nossa atitude diante da arte. Quando pagamos ou compramos um ingresso para um show, um filme, uma peça de teatro ou qualquer outra forma de expressão artística, não devemos pensar que estamos “ajudando” o artista porque somos legais. Devemos encarar isso como uma troca, um investimento. Estamos comprando um produto intelectual.

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Marco Gomes

A palestra de encerramento do Campus Festival 2014, com o tema “Empreendedorismo inovador”, ficou a cargo de Marco Gomes, CEO e fundador da Boo-Box, maior empresa de monetização e publicidade em blogs e mídias sociais do Brasil, com sede em São Paulo. Só pra vocês entenderem melhor o que faz a Boo-Box, os banners com anúncios publicitários que você vê no topo e na barra lateral deste blog, por exemplo, são gerados pelo sistema da Boo-Box e rendem uma graninha a este que vos escreve. Marco Gomes teve essa ideia de negócio aos 20 anos. Numa atitude de coragem, largou a universidade (cursava computação na UnB), desistiu de assumir o cargo após ter sido aprovado num concurso público federal, se mudou de Brasília para São Paulo, morou de favor comendo miojo por quase três anos, insistiu, persistiu no seu sonho e hoje é um dos mais jovens milionários deste país (já discursou até na sede da ONU em Nova York!). Apesar do currículo invejável, o cara é super gente boa, muito humilde, atencioso com todo mundo, “nerd, ciclista, viajante, cristão e marido” (conforme descrição no blog pessoal). Após a palestra e uma breve sessão de entrevistas, nos encontramos por acaso, batemos um papo, trocamos umas ideias e tiramos essa foto altamente nerd:

charlezine e boo-box
Vida longa e próspera, terráqueos!

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Shows musicais

Sobre os shows, para finalizar, não há muito o que dizer: um simples “foi massa” resolve. Um detalhe importante é que o primeiro dia de Campus Festival (06) coincidiu com o encerramento do Festival Internacional de Música Clássica à noite, lá mesmo, no Espaço Cultural. Os participantes do evento puderam, então, desfrutar de um belo concerto da Orquestra Sinfônica Municipal de João Pessoa, sob regência do maestro Isaac Karabtchewsky. No domingo (07), Seu Pereira e Coletivo 401, Os Gonzagas, entre outras bandas, se apresentaram em um palco montado no teatro de arena. Na segunda (08), milhares de pessoas assistiram aos shows de Nação Zumbi e outras bandas.

Os Gonzagas no teatro de arena do Espaço Cultural (foto: Charles Andrade)
Os Gonzagas no teatro de arena do Espaço Cultural (foto: Charles Andrade)
Nação Zumbi no Espaço Cultural (foto: Charles Andrade)
Nação Zumbi no Espaço Cultural (foto: Charles Andrade)

Festa de São João (documentário)

Documentário produzido pela TV Câmara de João Pessoa
sobre a festa mais popular do Nordeste brasileiro.

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