10 motivos para ler mais devagar

Artigo de Danilo Venticinque para a revista Época.

A velocidade da internet nos fez desaprender a arte da leitura. É preciso redescobri-la. Quando abandonamos as distrações digitais e lemos um livro com calma, mesmo que por pouco tempo, cultivamos algumas habilidades fundamentais que corremos o risco de perder. Para quem está destreinado, reacostumar-se à leitura lenta ou praticá-la pela primeira vez pode dar trabalho. Mas não há motivo para preocupação. Os livros – sempre eles – podem ajudar. São incontáveis os autores que pretendem nos ensinar a ler melhor. Entre eles, o crítico literário americano David Mikics é o que mais chamou minha atenção, com seu livro recém-lançado Slow reading in a hurried age (A leitura lenta numa era apressada). O título explica tudo – perfeito para quem quer capturar a atenção de leitores apressadinhos. Ao longo de 336 páginas, Mikics defende os benefícios da leitura lenta e se propõe a ensiná-la. É a mais apaixonada declaração de amor aos livros que li nos últimos tempos. Na coluna de hoje, divido algumas de suas dicas para quem quer abandonar a pressa.

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1. Saiba por que você está lendo

Ninguém lê um livro apenas para passar o tempo. Na internet, no celular ou na tela da televisão, não faltam outras opções mais atraentes e acessíveis para quem quer relaxar nas horas vagas enquanto o sono não vem. Ler um livro é uma atividade diferente de todas elas. Lemos porque estamos procurando respostas para algo – talvez uma pergunta que ainda não tenhamos feito. Pense nisso. Ler sem motivo é uma receita infalível para ler mal. Antes de começar um novo livro, tente responder a essa questão simples: o que você espera tirar dessa leitura? É uma maneira de escolher melhor os livros que lemos – e de garantir que a pergunta será respondida.

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2. Fuja da microleitura

Engana-se quem diz que a televisão é a principal inimiga dos livros. A maior distração dos leitores, hoje em dia, é a própria leitura. Dedicamos a maior parte de nosso tempo na internet a uma leitura fragmentada, superficial, com péssimos índices de compreensão e retenção. Você pode passar o dia inteiro lendo posts no Facebook e notícias curtas em portais. Daqui a um mês, não se lembrará de nada. Repetir esse comportamento por um longo prazo é matar a mente de inanição. “Não dá para viver dessa dieta. Até para ler apenas uma página de literatura de verdade é preciso ter tempo para refletir”, diz Mikics.

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3. Aprenda a perder

Um dos erros mais comuns entre apaixonados por livros é não respeitar seus próprios limites. A lista de leituras pendentes é interminável e não há tempo a perder. Mal viramos a primeira página e já pensamos em acabar a história, e no próximo livro que leremos em seguida. Com isso, a leitura passa a ser uma fonte de estresse. A vontade de terminar o livro é tão grande que não somos capazes aproveitá-lo. Reconhecer que não conseguiremos ler tudo o que queremos é fundamental para aproveitar a leitura. “Como você lê importa muito mais do que quanto você lê”, diz Mikics. Ler 5 livros com prazer é muito melhor do que ler 50 sem refletir sobre eles.

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4. Respeite o autor

Você pode até não perceber, mas a internet se molda às suas vontades. Seus amigos nas redes sociais provavelmente pensam como você. Algoritmos do Google e do Facebook selecionam e exibem o conteúdo que tem mais chances de agradar alguém com o seu perfil. Você pode passar um dia inteiro na internet sem encontrar alguém que tenha bons argumentos para discordar de suas opiniões. Ler um livro, pelo contrário, é um exercício permanente de questionar convicções. É deixar de ser protagonista para ser ouvinte. Na leitura, a opinião do autor é muito mais importante do que a do leitor. É preciso deixar as preferências pessoais de lado para entender um livro por completo, mesmo que discordemos dele. Só quem aprende a ouvir e aceitar opiniões diferentes conseguirá aproveitar a leitura.

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5. Desconfie do autor

Endeusar um autor pode ser ainda mais perigoso do que rechaçá-lo logo de cara. Qualquer livro, mesmo os grandes clássicos, é cheio de idiossincrasias típicas de qualquer obra humana. Analisar as escolhas do autor e fazer perguntas sobre elas é uma maneira de dar ainda mais profundidade à leitura. O que cada personagem representa? Por que o livro termina da maneira como termina? O que mudaria se a história se passasse nos dias de hoje? Alguma das opiniões do autor seria considerada polêmica ou inaceitável atualmente? Condenar o autor é injusto e inútil, mas fazer perguntas desse tipo é um passo importante para garantir que tiraremos o melhor de cada livro.

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6. Imagine novas histórias

Para terminar um livro, o autor é obrigado a tomar decisões. Das inúmeras de histórias diferentes e contraditórias imaginadas por ele, apenas uma chega ao leitor na história publicada. Por que ela foi escolhida? Por que a trama não se desenrolou de outra forma? As perguntas parecem infantis, mas são um passo essencial para quem quer entender melhor o autor. Pense nas maneiras diferentes como o livro poderia ser escrito. Imagine histórias paralelas e tente se colocar na cabeça do escritor que decidiu descartá-las. Ralph Waldo Emerson escreveu uma bela frase sobre o assunto: “Assim como existe a escrita criativa, existe a leitura criativa”. O que não está no livro pode ser tão estimulante quanto o que chegou às páginas da versão final.

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7. Viva com o livro

“Olhar para um tweet demora alguns segundos; entender um romance demora dias, às vezes semanas”, diz Mikics. Pela sua natureza, o livro é algo que nos acompanha no dia a dia, mesmo quando não estamos diante de suas páginas. Pensar num livro quando estamos longe dele é uma parte indispensável da leitura lenta. Leve seu livro para passear, ainda que mentalmente. Lembre-se dele nas situações mais inusitadas do cotidiano. Se você tiver sorte, isso mudará algo na sua forma de ver o livro (ou a vida). Um tweet dificilmente teria esse efeito.

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8. Repita até aprender

Com tantos livros para ler em tão pouco tempo, a releitura poderia ser vista como um pecado a ser evitado a todo custo. Na prática, ela é essencial. Mikics recomenda que todos os leitores tenham uma prateleira de livros favoritos e releiam ao menos partes deles com frequência. Cada leitura é uma redescoberta. Uma das mais verdadeiras frases sobre esse hábito foi escrita pelo romancista Robertson Davies: “Um livro verdadeiramente grandioso deve ser lido na juventude, na maturidade e na velhice, da mesma forma que um prédio bonito deve ser visto de manhã, de tarde e de noite”.

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9. Encontre sua próxima leitura

Uma boa leitura pode ser definida como uma conversa franca entre leitor e escritor. Quando embarcamos nela, é comum entreouvirmos, à distância, diálogos entre o autor do livro e outros autores. Um leitor curioso não deve perder a chance de acompanhar essas conversas. Um bom livro serve como porta de entrada para uma infinidade de outros, igualmente valiosos.

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10. Reavalie sua vida

A experiência da leitura, segundo Mikics, é comparável a uma visita a um país estrangeiro. Podemos nos comportar como turistas impacientes, que estranham quaisquer novidades e não veem a hora de chegar em casa. Mas é muito mais recompensador aprender com as diferenças culturais, aceitá-las, descobrir um novo universo e reavaliar sua vida com base nessas descobertas. Cada livro é um país desconhecido. “Aproveitar ao máximo a viagem a esse novo território significa se render aos sons e paisagens do lugar, mantendo-se alerta a todas as suas surpresas. Só depois você pode julgar o que viu”, afirma o autor. Cada nova leitura é uma chance de escolher se seremos viajantes curiosos ou turistas apressados. Nunca é tarde para aproveitar a viagem.

Leia para sair da bolha

Às vezes é preciso resistir à vontade de só ler o que nos agrada. Esse é o tema do artigo de opinião a seguir, de Danilo Venticinque para a revista Época.


Nossos dias estão lotados de distrações. Leitores pouco cautelosos correm o risco de ceder à tentação de tentar acompanhar, em tempo real, todas as polêmicas do dia na internet. Acabam lendo muito, mas aprendendo pouco. Em tempos de excesso de informação, quem não tem um plano para organizar suas leituras será inevitavelmente soterrado por elas. É preciso tomar cuidado, porém, para não cair em outra armadilha: a de evitar todos os textos que não nos agradam. Em excesso, a disciplina na leitura corre o risco de virar alienação. Esse mal acomete fãs de livros com muita frequência. Por mais que se orgulhem de ler “de tudo – até bula de remédio”, na prática há muitos leitores que resistem a mudar seus hábitos. Conheço muitos leitores de não-ficção que não têm paciência para a ficção, e vice-versa. Alguns só leem alta literatura e torcem o nariz para os best-sellers sem piedade. Outros se prendem a um gênero, como a literatura fantástica ou policial, e jamais dão uma chance a outros temas. Há até quem só dê atenção para os clássicos e acham absurda a ideia de perder tempo com literatura contemporânea.

Para leituras na internet, fugir da monotonia é ainda mais difícil. As redes sociais e sites de busca são feitos para mostrar aquilo que queremos ler. Quanto mais demonstramos atenção por um autor ou um assunto, maior a chance de depararmos com eles no futuro. Textos que ignoramos ou rejeitamos aparecem com menos frequência. No Facebook, muitas vezes aceleramos o processo ao “limpar” a timeline e remover  pessoas ou páginas com quem discordamos em assuntos polêmicos. Em seu livro O filtro invisível, o americano Eli Pariser faz um alerta contra esse hábito. O risco é ficar preso numa bolha em que nada ataca nossas convicções e não descobrimos nada novo. Não há mal nenhum em não saber tudo sobre o último escândalo político, não participar de todos os bate-bocas no Facebook ou não acompanhar em tempo real o cotidiano das celebridades. Os livros que mais gostamos de ler são prioridade. A leitura, antes de tudo, deve ser um prazer. Ler notícias que não nos interessam ou comprar um livro muito diferente do que costumamos ler, ou seja, se aventurar em territórios desconhecidos, pode ser importante.

Quando sentir que suas leituras estão se tornando monótonas, tente dar uma chance a um texto que você jamais leria. O exercício exige paciência. Quem só está acostumado a ler clássicos, por exemplo, pode levar algum tempo para se acostumar com um best-seller contemporâneo. Por mais que o impulso inicial seja largar o livro, resista. Tente se acostumar com o desconhecido. Talvez você se surpreenda e descubra novas paixões. A leitura serve para nos tirar da bolha. Quem não desafia a própria ignorância é incapaz de aprender.

A arte perdida de ler um texto até o fim

Artigo de Danilo Venticinque para a revista Época.

Abandonar um texto logo nas primeiras linhas é um direito inalienável de qualquer leitor. Talvez você nem esteja lendo esta linha: ao ver que a primeira frase deste texto era uma obviedade, nada mais natural do que clicar em outra aba do navegador. Ou talvez você tenha perseverado até aqui. Mesmo assim eu não comemoraria. É muito provável que você desista agora. Passar para o segundo parágrafo é o que separa os fortes dos fracos.

A internet é um enorme banquete de informações, mas estamos todos fartos. Não aguentamos mais do que as duas ou três primeiras garfadas de cada prato. Ler um texto até as últimas linhas é uma arte perdida. No passado, quem desejasse esconder um segredo num texto precisava criar códigos sofisticados de linguagem para que só os iniciados decifrassem o enigma. Hoje a vida ficou mais fácil. Quer preservar um segredo? Esconda-o na última frase de um texto, esse território selvagem, raramente explorado. Lembro-me que, no Enem do ano retrasado, um aluno escreveu um trecho do hino de seu time favorito no meio da redação. Tirou nota 500 (de 1000), foi descoberto pela imprensa e virou motivo de chacota nacional. Era um mau aluno, obviamente. Se fosse mais estudioso e inteligente, teria aprendido que o fim da redação é o melhor lugar para escrever impunemente uma frase de um hino de futebol. Se fizesse isso, provavelmente tiraria a nota máxima e jamais seria descoberto.

Agora que perdi a atenção da enorme maioria dos leitores à exceção de amigos muito próximos e parentes de primeiro grau, posso ir direto ao que interessa. Se você chegou ao último parágrafo deste texto, você é uma aberração estatística. Estudos sobre hábitos de leitura demonstram claramente que até meus pais teriam desistido de ler. Estamos sozinhos agora, eu e você. Talvez você se considere um ser fora de moda. Na era de distração generalizada, é preciso ser um pouco antiquado para perseverar na leitura. Imagino que você já tenha pensado em desistir desse estranho hábito e começar a ler apenas as primeiras linhas, como fazem as pessoas ao seu redor. O tempo economizado seria devidamente investido em atividades mais saudáveis, como o Facebook ou games para celular. Aproveito estas últimas linhas para tentar te convencer do contrário. Esqueça a modernidade. Quando o assunto é leitura, não há nada melhor do que estar fora de moda. A história está repleta de textos cheios de sabedoria, que merecem ser lidos do começo ao fim. Este, evidentemente, não é um deles. Mas seu esforço um dia será recompensado. Não desanime. As tuas glórias vêm do passado.

A obsessão por textos longos

Artigo de Danilo Venticinque para a revista Época.

A proliferação de textos fragmentados e superficiais na internet provocou outra praga igualmente irritante: as divagações intermináveis disfarçadas de post. Longo virou sinônimo de bom. Há sites e páginas em redes sociais dedicados a reunir textos longos sobre os mais variados temas. O fetiche é mais importante do que o conteúdo. Numa época em que a maioria lê pouco e mal, enfrentar um texto longo e compartilhá-lo é uma espécie de troféu. Um sinal de resistência aos tempos de fragmentação.

Nada contra leituras de fôlego – muito pelo contrário. Mas tenho deparado frequentemente com textos longos demais. A impressão é que escrever muito virou obrigação para qualquer um que quer ser levado a sério. O resultado? Para não ser confundido com um palpiteiro virtual, quem quer compartilhar uma ideia simples se vê forçado a dar voltas em torno do próprio rabo, fazer rodeios e desperdiçar o tempo do leitor até chegar à ideia central do texto, escondida lá pelo décimo parágrafo. Outros decidem fazer o mesmo e a timeline alheia é infestada por textos “definitivos” sobre a polêmica do momento. Até no Twitter há quem seja prolixo. 140 caracteres são uma imensidão para quem não tem nada a dizer.

Talvez seja a hora de redescobrir a concisão. Escrever muito ou pouco é o de menos. O que importa é ir direto ao assunto. Eu ia incluir aqui um parágrafo sobre a importância das narrativas curtas na literatura e sobre como Tolstói soube dar o tamanho perfeito tanto para Guerra e paz (mais de 1500 páginas) quanto para A morte de Ivan Ilitch (menos de 100). Decidi cortar o trecho para este texto não ficar longo demais. No cotidiano, são raras as ideias complexas o bastante para precisarem ser divididas e explicadas em dezenas de parágrafos. Ideias curtas pedem textos curtos. Mesmo se o que o autor tem a dizer for uma bobagem, ao menos ele terá economizado o tempo do leitor.

Você já leu um texto idiota hoje?

Boa parte de nossas leituras do cotidiano só serve para nos irritar. Esse é o tema do artigo a seguir, de Danilo Venticinque para a revista Época.


Qual foi a última vez que você leu um texto sabendo que iria detestá-lo? Fiz isso hoje. Dezenas de amigos publicaram no Facebook um artigo de um polemista que eu prometi não mais levar a sério há anos. O título já deixava claro que o tema era ridículo, até mesmo para os padrões do autor. Os comentários de quem compartilhava também indicavam isso: dedicavam-se a explicar, das mais diferentes maneiras, o quanto o artigo era lamentável. A despeito dos avisos, cliquei no link. Perdi cinco minutos e confirmei duas certezas: o texto era, de fato, ridículo – e eu era ridículo por dar atenção a ele.

Fazer propaganda negativa é uma maneira infalível de chamar atenção para um texto na internet. Estamos sempre ocupados demais para leituras de fôlego, mas jamais perdemos a oportunidade de ver alguém usar argumentos rasteiros, tentar defender o indefensável e protagonizar uma peça de humor involuntário. Como se não bastasse perder nosso tempo, ainda compartilhamos os textos que detestamos para garantir que nossos amigos também cairão na mesma armadilha. No fim do dia, milhares terão trocado alguns minutos de seus dias por uma leve irritação, uma vaga sensação de superioridade e nenhum aprendizado.

A culpa, evidentemente, não é do autor do texto. Temos o privilégio de viver numa época em que qualquer um pode publicar qualquer opinião, mesmo que todos os outros habitantes do país discordem. Se a polêmica barata ganha projeção, os culpados são os leitores, que seguem lendo e – pior – compartilhando textos que detestam. Fãs de séries de televisão criaram um verbo para isso: “hatewatch” (algo como “assistir com ódio”). É o velho hábito de acompanhar um programa ruim apenas pelo prazer de criticá-lo.

Há quem faça o mesmo com a literatura. Cansei de ver leitores que se prendem a um livro ruim até a última página só para dizer, com satisfação pelo dever cumprido: “li tudo e detestei”. Esse costume se repete na internet, mas há um agravante. Quando alguém de confiança nos diz que um livro ou série de televisão é péssimo, a tendência é que procuremos outra coisa para ler ou assistir. Ninguém tem horas sobrando para gastar com bobagens. Com as leituras online, o instinto é fazer o oposto. Quanto mais amigos disserem que um texto é desprezível, menores são as nossas chances de desprezá-lo. Afinal, o que são cinco minutos?

Não canso de repetir: quem diz que as pessoas leem pouco hoje em dia está enganado. Lemos muito, mas escolhemos muito mal – e às vezes parecemos nos orgulhar disso. De cinco em cinco minutos dedicados a alardear a ignorância alheia, desperdiçamos todo nosso tempo de leitura e passamos dias inteiros sem aprender nada. Com a enorme quantidade de informações que temos a nossa disposição, é preciso muito esforço para escolher sempre tão mal. Para cada texto idiota no Facebook há incontáveis leituras valiosas que podem ser feitas sem sair da frente do computador.

A liberdade que permite a qualquer um publicar as maiores bobagens também permite que ignoremos a idiotice alheia e cliquemos em algo mais interessante. Por que não exercer esse direito? Quando aquele polemista divulgar sua mais nova barbaridade (como são produtivos!), pense nos outros milhões de textos que você poderia ler em vez de prestigiá-lo. Resista. Compartilhe outra coisa. Os idiotas não se tornarão menos idiotas sem a sua reprovação. Só terão um leitor a menos. Você, em compensação, ganhará tempo e sanidade se aprender a ignorá-los.

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