Saudades do velho Chico

Ontem a tardinha sepultamos o patriarca da família Andrade, meu saudoso vovô Chico, que tombou do alto de seus 79 anos, deixando esposa e três gerações de Andrade espalhadas por esse mundão. Vindo do Sertão do Ceará para trabalhar na construção da malha ferroviária da Paraíba, sua personalidade expressava com muita clareza a sua origem: era forte como um sertanejo e brincalhão como um cearense.

Além disso, era um ótimo contador de causos e anedotas. Mesmo sem muito estudo, inspirou no pequeno Charles o gosto pela leitura ao me apresentar os folhetos de cordel. Estando ele morto, não conheço mais ninguém nesse mundo que que saiba recitar de cor os versos de As Proezas de João Grilo, um dos maiores clássicos da literatura de cordel.

Desde que recebemos a notícia de seu falecimento, o luto e a saudade traz à tona as melhores lembranças que sua existência nos legou. Reunidos em sua casa após o cortejo fúnebre, parentes e amigos consolavam-se mutuamente, enquanto relembrávamos histórias marcantes, emocionantes e engraçadas. Enterramos o corpo e desenterramos, do fundo da memória, o seu espírito.

vovo chicoDesde a mais remota infância, o sentimento ao chegar na casa de vovô era sempre o mesmo, e está estampado na minha camiseta nesta foto antiga: “Lets have fun!”. Dentre as muitas lembranças, há uma muito engraçada que, apesar da pouca idade que eu tinha na época, ainda guardo fresca na memória. Não sei se por influência de sua profissão, essa lembrança tem a ver com trens, ferrovias e mulher pelada. Senta aí que a história é boa.

 

Quando eu era muito pequeno, costumava sair de carro com meus avós: eles iam nos bancos da frente e eu gostava de ir deitado no banco de trás (sim, sem cinto mesmo, eram outros tempos). Estando eu entretido em observar pela janela do carro os postes e as copas das árvores passando, eis que meu avô exclamava em tom de grande surpresa: “Olha, Charles! Um trem cheio de mulher pelada!”. Nessa hora eu dava um pulo para olhar pela janela, mas não havia nada; e eles se acabavam de rir com essa brincadeira. Isso se repetiu algumas vezes, mas o verdadeiro motivo da minha empolgante curiosidade era muito mais pura e inocente do que eles imaginavam. Eu não levantava às pressas para ver as mulheres peladas. Para quem passou a infância nos lendários anos 90, isso não era novidade (como eu disse, eram outros tempos). O verdadeiro motivo da minha euforia pueril era a mera possibilidade de ver um trem de verdade pela primeira vez!

Guardo ainda na memória muitas outras histórias engraçadas envolvendo meu avô; nenhuma delas, porém, tão antiga. E é com essa lembrança leve e bem humorada que eu quero expressar a falta que estou sentindo do meu velho Chico.

Pessoas que são muito parecidas com personagens de desenhos da Disney

Compilação de 20 fotos de pessoas reais que são incrivelmente parecidas com personagens de desenhos e animações dos estúdios Disney. Fonte: Minilua.

Veja também: Desenhos da Disney em ordem cronológica

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O que os autores realmente queriam dizer em seus artigos científicos

Todo pós-graduando lê (ou deveria ler) semanalmente uma boa quantidade de artigos científicos, resumos, teses, dissertações e demais publicações de resultados de pesquisas e trabalhos acadêmicos. É possível identificar, com o passar do tempo, alguns padrões na redação científica que, com um pouco de senso crítico e muito de bom humor, nos faz pensar sobre como os textos seriam elaborados pelos autores se a sinceridade fosse possível neste universo acadêmico de cobranças exageradas por publicação a qualquer preço. Assim, apresentamos abaixo algumas interpretações sinceras e bem-humoradas das discussões de resultados encontrados em artigos publicados.

O que foi publicado no artigoO que significa na verdade
“Vários autores relatam que…”“Tive preguiça de procurar a referência”
“Como é de conhecimento geral”“Eu acho que é assim”
“Geralmente se afirma que…”“Eu e meus colegas pensamos assim”
“Há algumas discussões em torno do assunto”“Ninguém acredita em mim”
“Isto pode ser demostrado”“Acredite em mim”
“De grande importância teórica”“Eu acho isso interessante”
“De grande importância prática”“Isto justifica o meu emprego”
“De grande importância histórica”“Isto pode me tornar famoso”
“Com os resultados característicos podemos concluir que…”“Escolhemos os melhores resultados”
“Correto, em uma certa ordem de grandeza”“Errado”
“Valores obtidos de forma empírica”“Valores obtidos acidentalmente”
“Os resultados não são conclusivos”“Os resultados poderiam destruir minha hipótese”
“Outros trabalhos são necessários…”“Preciso de mais dinheiro para o projeto”
“Sintetizado de acordo com os protocolos padrões”“Comprado da Merck”
“Gostaria de agradecer a José da Silva pela assistência na parte técnica e a Maria José pelas valiosas contribuições”“Gostaria de agradecer a José da Silva por ter feito todo o trabalho e a Maria José por ter me explicado o que tudo significa”
“Por enquanto não é possível obter respostas precisas para este problema”“Mesmo não tendo a resposta, achei que poderia publicar um artigo com essas besteiras”
“Acredita-se que este efeito possa ser observado em intervalos maiores de tempo”“Não tive paciência para realizar um experimento mais demorado”
A concordância com o modelo proposto é:
1. Excelente
2. Bom
3. Satisfatório
4. Regular
5. Como esperado
A concordância com o modelo proposto é:
1. Regular
2. Fraco
3. Duvidoso
4. Péssimo
5. Inexistente
“Trabalhos adicionais são necessários para elucidar os resultados”“Não entendi os resultados obtidos”
“Lamentavelmente uma teoria com abordagem quantitativa não foi formulada ainda”“Todo mundo já percebeu que isso não faz o menor sentido”
“Espero que este trabalho estimule outras pessoas a investir neste campo de conhecimento”“Por favor, não me abandonem!”
“Composto de alta pureza”“Isto é o que afirmava o rótulo”
“Algumas amostras foram escolhidas para o estudo”“As outras amostras não faziam sentido”

E você, consegue acrescentar algum item nessa lista?

Fonte: Pós-graduando.

O idiota e a moeda

Conta-se que numa cidadezinha do interior um grupo de pessoas se divertia com o idiota da cidade. Um pobre coitado, de pouca inteligência, que vivia de pequenos biscates e esmolas. Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e ofereciam-lhe a escolha entre duas moedas: uma grande, de 400 réis, e outra menor, de 2000 réis. Ele escolhia sempre a maior e menos valiosa, o que era motivo de riso para todos. Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e perguntou-lhe se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos. “Eu sei”, respondeu o tolo. “Ela vale cinco vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e eu não vou mais ganhar mais nada”.

O que mudou na educação em 40 anos

Esta famosa charge foi publicada em 2009 pelo jornal francês Ouest-France.
Ela sintetiza bem o que mudou na educação nas últimas 4 décadas.

que-notas

“As escolas particulares vivem em pânico, com medo de perder alunos, e a questão financeira se sobrepõe à pedagógica, gerando uma tolerância que leva ao caos. Antigamente, ao ocorrer um problema entre um professor e um aluno, a família era chamada para enquadrar o aluno. Hoje, quem é enquadrado é o professor! (…) Hoje o professor é um profissional desprestigiado, mal remunerado e destituído de autoridade. No passado, o pai entregava o aluno à professora com a seguinte recomendação: ‘Se ele não se comportar direitinho, por favor, me avise que eu dou um jeito nele!’. Hoje, pelo contrário, as famílias processam o professor por ter exigido melhora no comportamento do aluno e, o que é pior, ouvem apenas a versão do pequeno delinquente!”

PIAZZI, Pierluigi. Estimulando Inteligência. São Paulo: Aleph, 2014, pp. 68 e 152.


Leia abaixo o relato de uma professora de matemática do município de
Santo Antônio do Aventureiro, no interior de Minas Gerais:

Semana passada comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer. Tentei explicar que ela tinha que me dar R$ 5,00 de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender. Por que estou contando isso? Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática, que foi assim:

Ensino de matemática em 1960:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda.
Qual é o lucro?

Ensino de matemática em 1970:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda, ou seja, R$ 80,00.
Qual é o lucro?

Ensino de matemática em 1980:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Qual é o lucro?

Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Escolha a resposta certa que indica o lucro:
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

Ensino de matemática em 2000:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
( )SIM ( )NÃO

Ensino de matemática em 2010:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

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