Por que a Bíblia católica tem mais livros?

Muita gente simples tem essa dúvida e acaba acreditando em versões completamente equivocadas e imparciais dadas pelos seus líderes religiosos, sejam eles católicos ou protestantes. Por isso, resolvi explicar essa questão aqui de maneira clara, sucinta e direta, para que seja facilmente entendida e finalmente esclarecida para os leigos.

pergaminho

A Bíblia protestante é constituída por 66 livros; 39 dos quais formam o Antigo Testamento (a Bíblia Hebraica, dos judeus), e 27 compõem o Novo Testamento. Já a Bíblia católica possui, além desses 66, outros sete livros completos (Tobias, Judite, I Macabeus, II Macabeus, Baruque, Sabedoria e Eclesiástico) e alguns acréscimos aos livros de Ester (10:4 a 11:1 ou a 16:24) e Daniel (3:24-90; caps. 13 e 14). Todos esses livros e fragmentos adicionais, chamados de deuterocanônicos pelos católicos, e de apócrifos pelos protestantes, fazem parte do Antigo Testamento na Bíblia católica, de modo que o Novo Testamento é idêntico em ambas as Bíblias.

Os livros deuterocanônicos ou apócrifos foram produzidos, em sua maioria, durante os dois últimos séculos antes de Cristo; portanto, bem depois que o cânon da Bíblia Hebraica já estava concluído; daí serem chamados de “deuterocanônicos”. Embora nunca tenham feito parte da Bíblia Hebraica, porém, eles foram incorporados à tradução da Bíblia para o latim (Vulgata Latina) em 382 d.C., e declarados autênticos pelo Concílio de Roma, no mesmo ano. Essa versão preservou e popularizou os acréscimos durante a Idade Média. Em 1546, pouco depois da Reforma Protestante, o Concílio de Trento decretou que aqueles que não reconhecessem os acréscimos da Vulgata Latina como genuinamente sagrados e canônicos deveriam ser excomungados. Consequentemente, todas as versões católicas da Bíblia preservam até hoje esses escritos.

Os protestantes, por sua vez, reconhecem o valor histórico dos livros apócrifos, mas não os consideram como canônicos ou inspirados. Essa posição deriva do fato de tais escritos (1) não fazerem parte do cânon hebraico do Antigo Testamento; (2) não haverem sido citados por Cristo ou pelos apóstolos no Novo Testamento; e (3) apresentarem ensinamentos contrários ao restante das Escrituras. Entre esses ensinamentos estão as teorias da existência do purgatório (Sabedoria 3:1-9; contrastar com Salmo 6:5; Eclesiastes 9:5, 10); das orações pelos mortos (II Macabeus 12:42-46; contrastar com Isaías 38:18 e 19); de que anjos bons mentem (Tobias 5:10-14; contrastar com Mateus 22:30; João 8:44); de que os órgãos de um peixe, postos sobre brasas, espantam os demônios (Tobias 6:5-8; contrastar com Marcos 9:17-29); e de que as esmolas expiam o pecado (Tobias 12:8 e 9; Eclesiástico 3:30; contrastar com I Pedro 1:18 e 19; I João 1:7-9).


Quem dividiu a Bíblia em capítulos e versículos?

Como foi feita a divisão da Bíblia em capítulos e versículos? Nos livros originais não havia nada disso, nem separação entre as palavras, sem sinais de pontuação, nem vogais (no caso da Bíblia Hebraica). A necessidade de dividir o texto sagrado surgiu especialmente para facilitar a localização de passagens bíblicas. Houve diversos sistemas, tanto entre os cristãos como entre os judeus (SedarimPerashiyyotPesuquim).

A atual divisão da Bíblia em capítulos deve-se ao trabalho do clérigo inglês Stephen Langton, que foi chanceler da Universidade de Paris, em 1206, e se tornou Arcebispo da Cantuária, na Inglaterra, em 1207 (mas só assumiu o cargo em 1213, por causa de intrigas entre o Papa e o rei). Ele publicou uma versão da Vulgata (a tradução da Bíblia para o latim feita por Jerônimo) com a divisão dos capítulos que temos hoje. Algumas outras divisões anteriores já haviam sido feitas, mas foi a versão em capítulos de Langton, conhecida como “Bíblia Parisiense”, que vingou até hoje. Foi com essa divisão de capítulos, inclusive, que a tradução da Bíblia de Lutero foi impressa no século 16.

Já a divisão em versículos veio três séculos mais tarde pelo trabalho do redator, editor e impressor francês Robert Estiénne, também conhecido como Stephanus. Estiénne foi um homem erudito, conhecedor do latim, do grego e do hebraico, que se empenhou em revisar e editar uma versão crítica da Vulgata. Nestas edições da Bíblia, apontava erros de manuscritos, de tradução, entre outras notas. Por causa de seu trabalho, foi considerado um herege pela igreja católica e, diferente de outros colegas de profissão, conseguiu escapar da fogueira muitas vezes. Em 1550, se tornou ilegal a impressão de outras versões da Bíblia senão a Vulgata. Por isso, Stephanus foi residir em Genebra, na Suíça. Estiénne reeditou uma divisão feita por Pagnino de Lucca, um monge dominicano que, em 1541, havia repartido a Bíblia em 1527 versículos. O editor retocou os versículos do Antigo Testamento e reelaborou todo o Novo Testamento. Depois disso, aproveitou a divisão em capítulos de Langton e, em 1553, publicou, pela primeira vez, em francês, toda a Bíblia com as divisões que temos atualmente. Em 1555, fez a versão latina.

Uma ideia tão simples — ter capítulos e versículos numerados. Com isso, cada versículo bíblico tem um “endereço” único, como um CEP ou código postal. É verdade que esses capítulos e versículos às vezes dividem o texto bíblico em lugares estranhos. Mas essa divisão torna mais fácil citar e encontrar determinada passagem. A divisão em capítulos e versículos facilita muito as coisas. Mas lembre-se de que é importante entender toda a mensagem de determinado livro. Por isso, recomenda-se desenvolver o hábito de ler o contexto em vez de apenas versículos isolados.

História da Grécia Antiga em 24 aulas

Este curso de história da Grécia antiga, ministrado pelo Dr. Donald Kagan, é dividido em 24 aulas e foi gravado em 2007 na Universidade de Yale. Assista abaixo a primeira aula do curso (introdutória) e, caso interesse, continue acompanhando a sequência pelo YouTube.

Obras Completas de Aristóteles

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A obra do filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C) é vastíssima e teria cerca de 150 títulos. Aristóteles escreveu até diálogos, embora os livros que nos chegaram sejam somente os tratados destinados aos seus alunos, os textos acroamáticos. Destacam-se os 6 escritos sobre lógica, que formam o Órganon (onde se encontram as Categorias, o Da Interpretação, os Primeiros Analíticos, os Segundos Analíticos, os Argumentos Sofísticos e os Tópicos); o seu mais importante e conhecido tratado, a Metafísica; os tratados acerca da natureza, isto é, da estrutura do mundo físico, que compreendem a Física, o De Caelo (Sobre o Céu) e o Da Geração e Corrupção; além desses o De Anima (Sobre a Alma), que condensa a psicologia aristotélica; os tratados biológicos, como História dos Animais e Das Plantas; os tratados estéticos, como a Retórica e a Poética; e a chamada filosofia prática, que resiste à ação do tempo com obras clássicas como a Política, os Econômicos, a Ética a Nicômaco, a Ética a Eudemo, a Magna Moralia e a Constituição de Atenas, tratado que inaugura a história das constituições e que foi descoberto apenas no século 19. Em inglês, já existe um volume com a obra completa de Aristóteles, traduzido sob a editoração de W. D. Ross.

Atualmente há grande esforço em traduzir do grego clássico para o português todos os títulos das obras de Aristóteles que nos chegaram. Trata-se do projeto intitulado “Obras Completas de Aristóteles”, conduzido pelo professor Antonio Pedro Mesquita, da Universidade de Lisboa. O objetivo do projeto consiste em tornar acessível ao leitor de língua portuguesa a totalidade da coleção aristotélica, aí incluídos os cerca de 30 tratados completos que subsistiram até aos nossos dias, os textos que, de modo fragmentário, foram transmitidos pela tradição e ainda as 7 obras apócrifas que circularam em época tardia sob o nome de Aristóteles. Ao propor-se levar a cabo a tradução coletiva deste conjunto, o projeto torna-se, a nível mundial, o primeiro e, até ao momento, o único a englobar a integralidade do legado aristotélico.

Este projeto é promovido pelo Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa (CFUL), com a colaboração de outros institutos de investigação científica em Portugal, e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). A publicação é assegurada pela Imprensa Nacional – Casa da Moeda (INCM), tudo isso em Portugal. A coleção das publicações se inicia com a Introdução Geral (2005), onde o professor Mesquita traz o repertório bibliográfico sobre Aristóteles, aborda algumas das questões mais candentes no tratamento da obra do estagirita e particularmente de seu vocabulário filosófico. Na sequência, vão sendo editadas as traduções, das quais diversos títulos já vieram à luz.

Veja também: Artigo sobre o projeto na revista Archai

Links sobre cultura clássica

Lista de filmes sobre a Grécia Antiga

Letras Clássicas – Curso de Graduação em de Letras Clássicas da UFPB.

Dicionário de Latim – Traduza palavras e expressões para português.

Thesaurus Linguae Graecae – Biblioteca digital de literatura grega.

Perseus – Textos em grego e em latim, com tradução para o inglês.

Curso de Latim Online – Ministrado pelo professor Rafael Falcón.

Rafael Falcón – Professor, palestrante e pesquisador.

Bible Hub – Recursos para estudar textos bíblicos.

Isso é Grego! – Recursos para estudar grego koinê.

Chou Seh-fu – Recursos para estudar grego antigo.

Type Greek – Transliteração para o alfabeto grego.

Biblioteca Augustana – Textos em grego e latim.

Latinitas Brasil – Leitura de textos em língua latina.

Ephemeris – Notícias diárias em latim.

The Latin Library – Textos em latim.

SBEC – Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos.

SEEC – Sociedad Española de Estudios Clásicos.

Classica Digitalia – Biblioteca online de estudos clássicos.

Estudos Clássicos – Portal da Universidade de Coimbra.

Dickinson College – Comentários sobre textos clássicos.

Fluir Perene – Projeto de divulgação da cultura clássica.

Theoi – Deuses da mitologia grega.

LHIA – Laboratório de História Antiga (UFRJ).

NEA – Núcleo de Estudos da Antiguidade (UERJ).

CEIA – Centro de Estudos Interdisciplinares da Antiguidade (UFF).

GEMAM – Grupo de Estudos sobre o Mundo Antigo e Medieval (UFSM).

NEHMAAT – Núcleo de Estudos em História Medieval e Antiga (UFF).

MERIDIANUM – Núcleo Interdisciplinar de Estudos Medievais (UFSC).

Idade Média Brasil – Mapeamento de estudos medievais no Brasil.

ABREM – Associação Brasileira de Estudos Medievais.


ALFABETO GREGO:

α (alfa)   β (beta)   γ (gama)   δ (delta)   ε (épsilon)

ζ (zeta)   η (eta)   θ (teta)   ι (iota)   κ (capa)

λ (lambda)   μ (mi)   ν (ni)   ξ (csi)   ο (ômicron)

π (pi)   ρ (rô)   σ (sigma)   τ (tau)   υ (úpsilon)

φ (fi)   χ (qui)   ψ (psi)   ω (omega)   Γ (Gama)

Δ (Delta)   Π (Pi)   Σ (Sigma)


Veja também:

Links de utilidade pública

Links de utilidade acadêmica

Links de teologia reformada

Links de filosofia

 

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