O que pode a tecnologia?

O programa Café Filosófico exibido no dia 14 de novembro de 2009 pela TV Cultura recebeu como convidado o cientista da informação e da computação, engenheiro de software e professor paraibano Silvio Meira. Assista na íntegra:

A futurologia de Murilo Gun

Série de vídeos produzida pelo humorista, palestrante e metido a futurólogo Murilo Gun sobre o futuro dos jornais, dos livros, dos idiomas, do Facebook, do celular, do videogame, da televisão, do carro, da indústria e dos crimes. Por fim, compartilho uma palestra dele no TEDx Fortaleza sobre o futuro da propriedade e do consumo e uma palestra na qual ele conta o que viu na Singularity, a escola de futurismo da Nasa e do Google.

Veja também: Murilo Gun nos anos 80 | Previsões para os próximos 100 anos













O papel tem futuro

Para o escritor americano Nicholas Basbanes, que pesquisou a história dos meios de conservar a escrita, o papel continuará a ser importante para a humanidade, porque jamais será substituído. É o que mostra a matéria a seguir, publicada na revista Época.


“A sociedade sem papel está se aproximando, queiramos ou não. Podemos escolher ignorar o mundo eletrônico, mas isso não fará diferença”, escreveu o cientista da informação Frederick Wilfrid Lancaster em 1978. Ao lado de outros entusiastas do futuro digital, ele previa um mundo maravilhoso com grande variedade de obras à disposição dos estudantes, menos impressões e redução de custos. Quem não se adaptasse a tempo e abandonasse o papel viveria uma transição caótica. Muito do futuro imaginado por ele se concretizou, mas o papel ainda persiste. As bibliotecas continuam abarrotadas. Os livros impressos convivem com a popularização dos e-readers e tablets.

“Usar um não significa descartar o outro”, afirma o escritor Nicholas Basbanes, autor do livro recém-lançado On paper (No papel), sem edição no Brasil. Num momento em que se discute o futuro do papel e até sua eventual extinção, o livro de Basbanes tenta explicar sua importância e a maneira como ele influenciou o curso da história. Bibliófilo, ele investigou a origem do papel e seus diferentes usos. Conversou com pesquisadores, donos de indústrias, bibliotecários e até pessoas que ainda fazem papel à mão, como há dois mil anos. A longa jornada pela história do papel convenceu Basbanes de que a supremacia do papel tem raízes profundas – e será impossível substituí-lo. Basbanes diz que os livros impressos não se tornarão obsoletos tão cedo, porque são os mais simples e confiáveis meios de preservação da escrita. Dispositivos eletrônicos e softwares estão em constante mudança. Aquilo que foi registrado num formato específico hoje pode não ser lido amanhã. “Já segurei nas mãos um livro com mais de 500 anos. Você pode dizer, com segurança, que o mesmo acontecerá com uma obra criada digitalmente?”, diz.

Grandes acervos históricos não abrem mão do papel. Nos Estados Unidos, o Arquivo Nacional encomendou folhas super-resistentes para ajudar a preservar documentos originais, como a Declaração da Independência, a Constituição e a Carta dos Direitos. O responsável pelo trabalho foi Timothy Barrett, do Centro do Livro da Universidade de Iowa, que registra e resgata técnicas milenares de fabricação de papel à mão. “Estamos nos movendo em direção a um mundo digital holográfico maravilhosamente fascinante, mas, ironicamente, nesse ambiente, os documentos em papel em certos casos se tornarão mais importantes, e não menos”, diz. É inegável que a tecnologia altera hábitos, mas as características únicas do livro tradicional dão a ele muitos anos a mais de vida. A tecnologia não conseguiu substituir algumas das vantagens do papel. Nos livros, há o contato com textura mais macia. É possível manipular as páginas. As palavras não competem com alertas de aplicativos, mensagens que sempre pulam nas telas ou com o link para o filme sobre a obra no YouTube, como acontece nos tablets e smartphones.

A demanda por papel tem caído em regiões como a América do Norte e a Europa. As grandes indústrias atribuem isso à estagnação econômica e ao avanço da tecnologia. As preocupações com o meio ambiente também resultam no menor uso de papel. Mas não é possível dizer que o setor viva um retrocesso. Foram produzidos 400 milhões de toneladas de papel em 2012, em comparação com os 399 milhões no ano anterior. Esses milhões de toneladas têm os mais variados destinos. A Associação Britânica de Historiadores do Papel registra mais de 20 mil usos atualmente. Há empresas que investem em papéis especiais, selos, cartões-postais, jogos de cartas e outros nichos de mercado. Há usos tradicionais que perduram. Em qualquer parte do mundo, ninguém consegue se identificar oficialmente sem usá-lo. É uma tradição que começou nos tempos medievais. As pesquisas de Basbanes revelam que o papel, tão barato, abundante e portátil, tornou a burocracia possível e contribuiu para a expansão dos árabes pelo Oriente Médio, pelo Norte da África e parte da Europa. A papelada cresceu ainda mais com a Revolução Francesa, em 1789, quando o poder deixou de ficar concentrado no rei e foi distribuído aos funcionários públicos, que deviam dar provas escritas dos serviços.

Ainda hoje, os governos exercem seu poder de controle por meio de uma série de regras, cumpridas apenas com a apresentação de documentos, protocolos e termos impressos. A burocracia criou duas classes de pessoas: as que têm papéis e as que não têm. Na França, os imigrantes ilegais são justamente conhecidos como sans papiers (sem papéis). Os Estados também não conseguiram reduzir o uso do papel em suas atividades diárias. Em mais de dois séculos de atividade, o Arquivo Nacional americano acumula 80 bilhões de papéis oficiais – e apenas 5% de todo o volume produzido no último ano foi para as prateleiras. Nas empresas, o inconfundível barulho das impressoras não deixa dúvidas de que o amplo uso de computadores e e-mails não livrou os profissionais das folhas. No início dos anos 2000, os pesquisadores Abigail Sellen e Richard Harper publicaram o livro The myth of the paperless office (O mito do escritório sem papel). Diziam que a internet aumentou as impressões em 40%. Para quem previa que a tecnologia acabaria com o papel, é um dado embaraçoso.

Previsões sobre o mundo digital também já mostraram que nossas carteiras ficariam sem notas. É verdade que o papel-moeda perdeu importância. Dá para notar no dia a dia que é possível comprar praticamente tudo com transferências bancárias e cartões de débito e crédito. Num futuro próximo, os celulares cumprirão boa parte dessa função. No entanto, números de Bancos Centrais mostram que a fabricação de notas e moedas não começou a cair. Na Zona do Euro, elas representam 9% das transações, mas o total em circulação sobe ano após ano. Em 2012, havia E 876,8 bilhões fora dos bancos, cerca de 2% a mais que em 2011, segundo o Banco Internacional de Compensações. Em alguns países,  como a Suécia, há esforços para acabar com as notas. Alguns estabelecimentos não aceitam notas, como pubs e pequenos negócios.

O mesmo vale para os Estados Unidos. Segundo o empresário Douglas Crane, que fornece papel para as notas de dólares, 20% dos americanos não têm conta bancária. O papel-moeda também é fundamental para imigrantes. Mesmo com grandes inovações relacionadas à carteira eletrônica, é difícil imaginar algo tão simples e anônimo quanto um pedaço de papel, que permite operações fora do sistema bancário. As altas taxas cobradas pelos bancos também desestimulam o uso do crédito e débito para compras pequenas. O avanço das moedas eletrônicas esbarra ainda na segurança. A quebra de um código poderia significar a reprodução de dinheiro indefinidamente. Até agora, não foi inventado nenhum sistema infalível. Mesmo que um novo sistema surja e convença todos (inclusive os excluídos) a trocar as carteiras por celulares, isso acabaria com apenas uma utilidade do papel. Restariam ainda 19.999.

Se é bom ou mau, só o futuro dirá

Crônica de Rubem Alves.

Quero contar a estória que mais tenho contado – não aconteceu nunca, acontece sempre. Um homem muito rico, ao morrer, deixou suas terras para os seus filhos. Todos eles receberam terras férteis e belas, com a exceção do mais novo, para quem sobrou um charco inútil para a agricultura. Seus amigos se entristeceram com isso e o visitaram, lamentando a injustiça que lhe havia sido feita. Mas ele só lhes disse uma coisa: “Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá”. No ano seguinte, uma seca terrível se abateu sobre o país, e as terras dos seus irmãos foram devastadas: as fontes secaram, os pastos ficaram esturricados, o gado morreu. Mas o charco do irmão mais novo se transformou num oásis fértil e belo. Ele ficou rico e comprou um lindo cavalo branco por um preço altíssimo. Seus amigos organizaram uma festa porque coisa tão maravilhosa lhe tinha acontecido. Mas dele só ouviram uma coisa: “Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá”.

No dia seguinte, seu cavalo de raça fugiu e foi grande a tristeza. Seus amigos vieram e lamentaram o acontecido. Mas o que o homem lhes disse foi: “Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá”. Passados sete dias o cavalo voltou trazendo consigo dez lindos cavalos selvagens. Vieram os amigos para celebrar esta nova riqueza, mas o que ouviram foram as palavras de sempre: “Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá”. No dia seguinte o seu filho, sem juízo, montou um cavalo selvagem. O cavalo corcoveou e o lançou longe. O moço quebrou uma perna. Voltaram os amigos para lamentar a desgraça. “Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá”, o pai repetiu. Passados poucos dias vieram os soldados do rei para levar os jovens para a guerra. Todos os moços tiveram de partir, menos o seu filho de perna quebrada. Os amigos se alegraram e vieram festejar. O pai viu tudo e só disse uma coisa: “Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá…”.

Assim termina a estória, sem um fim. Ela poderá ser continuada, indefinidamente. E ao contá-la é como se contasse a estória de minha vida. Tanto os meus fracassos quanto as minhas vitórias duraram pouco. Não há nenhuma vitória profissional ou amorosa que garanta que a vida finalmente se arranjou e nenhuma derrota que seja uma condenação final. As vitórias se desfazem como castelos de areia atingidos pelas ondas, e as derrotas se transformam em momentos que prenunciam um começo novo. Enquanto a morte não nos tocar, pois só ela é definitiva, a sabedoria nos diz que vivemos sempre à mercê do imprevisível dos acidentes. “Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá”.

São Paulo será 6ª cidade mais rica do mundo até 2025, segundo estimativas internacionais

Veja também: População de São Paulo comparada

A cidade de São Paulo deve se tornar a sexta mais rica do mundo até 2025, segundo ranking compilado pela consultoria econômica internacional PwC. De acordo com o estudo, a capital paulista, atualmente na décima posição, deve crescer em média 4,2% ao ano até 2025, ultrapassando cidades como Paris, Osaka e Cidade do México. Com um crescimento semelhante, o Rio de Janeiro deve passar da 30ª para a 24ª posição. Outras sete cidades brasileiras (Brasília, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Recife, Fortaleza e Salvador) devem figurar entre as 150 cidades com maior PIB no mundo em 2025.

O estudo destaca ainda o crescimento acelerado das economias emergentes, que deve elevar de 39 para 48 o número de cidades de países em desenvolvimento entre as 100 mais ricas do mundo. “Se olharmos para a projeção de crescimento do PIB de 2008 para 2025 das maiores cidades de países emergentes e de países desenvolvidos, a comparação é impressionante. Cidades como Xangai, Pequim e Mumbai, por exemplo, têm um crescimento projetado de 6% a 7% ao ano em termos reais, enquanto cidades como Nova York, Tóquio, Chicago e Londres devem crescer somente em torno de 2% ao ano em média”, observa John Hawksworth, diretor do setor de macroeconomia da PwC.

A cidade de Mumbai, centro financeiro da Índia, deve ser, entre as 30 primeiras, a que mais posições subirá no ranking, segundo o levantamento, saindo da atual 29ª posição para a 11ª em 2025. No mesmo período, a capital da China, Pequim, deve saltar do 38º para o 17º lugar, enquanto Xangai, o centro financeiro chinês, deve subir da 25ª para a 9ª posição. O ranking das cidades com o maior crescimento estimado do PIB até 2025 é liderado por duas cidades do Vietnã (Hanoi e Ho Chi Min), com uma elevação média de 7% no período. Entre as 30 cidades com o maior crescimento econômico no período estão ainda 12 indianas e 9 chinesas. As três primeiras posições do ranking (Tóquio, Nova York e Los Angeles) devem se manter inalteradas até 2025. O estudo da PwC foi baseado nas estimativas de população e crescimento das Nações Unidas, da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e de governos locais.


As 10 cidades mais ricas do mundo em 2012:

1. Tóquio (Japão)

2. Nova York (EUA)

3. Los Angeles (EUA)

4. Chicago (EUA)

5. Londres (Inglaterra)

6. Paris (França)

7. Osaka (Japão)

8. Cidade do México (México)

9. Filadélfia (EUA)

10. São Paulo (Brasil)


Estimativa das cidades mais ricas do mundo em 2025:

1. Tóquio

2. Nova York

3. Los Angeles

4. Londres

5. Chicago

6. São Paulo

7. Cidade do México

8. Paris

9. Xangai

10. Buenos Aires

24. Rio de Janeiro

51. Brasília

85. Porto Alegre

89. Belo Horizonte

112. Curitiba

132. Recife

141. Fortaleza

149. Salvador


As 45 cidades mais ricas das Américas:

Segundo ranking da PwCdas 45 metrópoles com maior PIB do continente americano, mais da metade (23 delas) ficam nos Estados Unidos. Fora dos EUA, a cidade mais bem colocada no ranking é São Paulo, na quarta colocação, atrás apenas das americanas Nova YorkLos Angeles e Chicago. A segunda cidade brasileira melhor colocada é o Rio de Janeiro, na 18ª posição. Brasília, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Recife, Fortaleza e Salvador também aparecem entre as 45 mais ricas do novo mundo. Veja:

PosiçãoCidadePaísPIB (bi US$)capital nacional
1Nova York EUA$ 1406
2Los Angeles EUA$ 792
3Chicago EUA$ 574
4São Paulo Brasil$ 477
5Filadélfia EUA$ 388
6Cidade De Mexico México$ 388
7Washington DC EUA$ 375
8Boston EUA$ 363
9Buenos Aires Argentina$ 362
10Dallas EUA$ 338
11Atlanta EUA$ 304
12São Francisco EUA$ 301
13Houston EUA$ 297
14Miami EUA$ 292
15Toronto Canadá$ 253
16Detroit EUA$ 253
17Seattle EUA$ 235
18Rio de Janeiro Brasil$ 201
19Phoenix EUA$ 200
20Minneapolis EUA$ 194
21San Diego EUA$ 191
22Denver EUA$ 165
23Montreal Canadá$ 148
24Baltimore EUA$ 137
25St. Louis EUA$ 126
26Tampa EUA$ 123
27Santiago Chile$ 120
28Cleveland EUA$ 112
29Brasília Brasil$ 110
30Portland EUA$ 110
31Lima Peru$ 109
32Monterrey México$ 102
33Bogotá Colômbia$ 100
34Pittsburgh EUA$ 99
35Vancouver Canadá$ 95
36Guadalajara México$ 81
37Porto Alegre Brasil$ 66
38Belo Horizonte Brasil$ 61
39Medellín Colômbia$ 50
40Curitiba Brasil$ 44
41Puebla México$ 42
42Caracas Venezuela$ 41
43Recife Brasil$ 35
44Fortaleza Brasil$ 25
45Salvador Brasil$ 10

PIB de São Paulo comparado ao de países:

Todos os países vizinhos da América do Sul, além de grandes nações europeias como Suécia, Noruega, Bélgica, Polônia, Áustria, Dinamarca, Grécia, Finlândia, Portugal e Irlanda ficam no chinelo comparadas à cidade de São Paulo. Segundo o Wikipedia, o PIB atual da capital paulista é de 1,4 trilhões de reais. Feita a devida conversão, isso equivale a aproximadamente 537 bilhões de dólares. A tabela a seguir traz uma lista de países que têm um PIB menor do que isso e informa a posição de cada país no ranking do PIB e o seu respectivo valor (em milhões de dólares). Repare que apenas a cidade de São Paulo possui um PIB mais de três vezes maior que o de todo o Uruguai!

21 Suécia520.256
22 Noruega499.827
23 Irã483.780
24 Bélgica476.796
25 Argentina474.812
26 Polónia470.354
27 Taiwan466.054
28 Áustria391.469
29 África do Sul390.919
30 Tailândia376.989
31 Colômbia365,402
32 Emirados Árabes361.912
33 Venezuela337.979
34 Dinamarca309.180
35 Malásia307.178
36 Nigéria272.550
37 Chile268.278
38 Singapura267.941
39 Hong Kong260.471
40 Egito255.001
41 Grécia254.978
42 Finlândia247.189
43 Israel246.780
44 Filipinas240.664
45 Paquistão230.525
46 Portugal210.620
47 Argélia206.545
48 Irlanda204.710
49 Cazaquistão200.642
50 Peru200.292
51 República Checa193.513
52 Catar184.566
53 Ucrânia180.174
54 Kuwait174.628
55 Romênia171.401
56 Nova Zelândia166.923
57 Vietnã137.681
58 Iraque130.574
59 Hungria129.959
60 Bangladesh118.639
61 Angola114.833
62 Marrocos97.173
63 Eslováquia91.186
64 Líbia85.109
65 Equador80.927
66 Azerbaijão71.043
67 Omã79.974
68 Sri Lanka59.773
69 República Dominicana59.133
70 Bielorrússia58.125
71 Croácia57.493
72 Luxemburgo55.287
73 Myanmar54.049
74 Uzbequistão51.622
75 Sudão51.583
76 Bulgária50.806
77 Guatemala50.296
78 Uruguai49.716

Documentário sobre a cidade de São Paulo:

Com informações de: PwCBBC Brasil e Wikipedia.

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