As 45 cidades mais ricas das Américas

Veja também: As 10 cidades mais ricas do mundo

Segundo ranking da PwC, das 45 metrópoles com maior PIB do continente americano, mais da metade (23) ficam nos Estados Unidos. Fora dos EUA, a cidade mais bem colocada no ranking é São Paulo, na quarta colocação, atrás apenas das americanas Nova York, Los Angeles e Chicago. A segunda cidade brasileira melhor colocada é o Rio de Janeiro, na 18ª posição. Brasília, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Recife, Fortaleza e Salvador também aparecem entre as 45 mais ricas do novo mundo. Veja:

PosiçãoCidadePaísPIB (bi US$)capital nacional
1Nova York EUA$ 1406
2Los Angeles EUA$ 792
3Chicago EUA$ 574
4São Paulo Brasil$ 477
5Filadélfia EUA$ 388
6Cidade De Mexico México$ 388
7Washington DC EUA$ 375
8Boston EUA$ 363
9Buenos Aires Argentina$ 362
10Dallas EUA$ 338
11Atlanta EUA$ 304
12São Francisco EUA$ 301
13Houston EUA$ 297
14Miami EUA$ 292
15Toronto Canadá$ 253
16Detroit EUA$ 253
17Seattle EUA$ 235
18Rio de Janeiro Brasil$ 201
19Phoenix EUA$ 200
20Minneapolis EUA$ 194
21San Diego EUA$ 191
22Denver EUA$ 165
23Montreal Canadá$ 148
24Baltimore EUA$ 137
25St. Louis EUA$ 126
26Tampa EUA$ 123
27Santiago Chile$ 120
28Cleveland EUA$ 112
29Brasília Brasil$ 110
30Portland EUA$ 110
31Lima Peru$ 109
32Monterrey México$ 102
33Bogotá Colômbia$ 100
34Pittsburgh EUA$ 99
35Vancouver Canadá$ 95
36Guadalajara México$ 81
37Porto Alegre Brasil$ 66
38Belo Horizonte Brasil$ 61
39Medellín Colômbia$ 50
40Curitiba Brasil$ 44
41Puebla México$ 42
42Caracas Venezuela$ 41
43Recife Brasil$ 35
44Fortaleza Brasil$ 25
45Salvador Brasil$ 10

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Fonte: PwC e Wikipedia.

Sobre o assalto ao Banco Central

Crônica de Eduardo Varandas, Procurador do Trabalho, publicada no jornal Correio da Paraíba do dia 16 de agosto de 2015. Muito brevemente, ele apresenta uma tese bastante perspicaz sobre o famoso assalto ao Banco Central do Brasil em Fortaleza, em 2005.


Pouca gente sabe, mas um dos meus poucos hobbies é pesquisar, entender e procurar decifrar golpes, fraudes, roubos. Um dos casos que me motiva é o roubo ao Banco Central em Fortaleza, que completou dez anos agora. Recapitulando: a quadrilha tinha 36 bandidos. Cavaram um túnel com 80 metros de extensão, saindo de uma casa até os cofres do BC; trabalho de 3 meses. Roubaram somente notas não registradas em sequência, num total de 165 milhões. E começaram a ser presos ao longo das investigações. Nesse ínterim, quase todos foram vítimas de achaques feitos por policiais corruptos, que levaram uns quantos milhões dos ladrões. Por sua vez, a Polícia Federal apreendeu uma parte do roubo (dinheiro e bens), mas somando tudo, entre achaques, gastos, farras e o que foi recuperado, ainda faltam por baixo uns cem milhões de reais. Essa grana dobra se for corrigida pelo dólar.

Pois bem, partindo da sapiência do velho Chico Souto (“Meu amigo, três coisas o ser humano não consegue esconder: paixão, tosse e dinheiro), essa dinheirama não poderia desaparecer, ainda mais sendo manipulada por bandidos que não têm, em sua maioria, noções de mercado financeiro. Uma coisa me chamou a atenção desde o início: o túnel de 80 metros, com sofisticados sistemas de iluminação e ventilação, só tinha cerca de 70 centímetros de largura. No entanto, foi por ali que teriam sido retiradas 3,5 toneladas de dinheiro (é esse o peso da quantia). Mais ainda, ao entrarem no cofre, os ladrões sabiam exatamente onde estavam as 3 câmeras de TV do sistema de segurança e evitaram a filmagem. Ora, na minha idiotice concluí que é impossível retirar em menos de 2 dias esse peso enorme por um túnel tão estreito. Para se ter uma ideia, esse tempo de dois dias seria o mínimo necessário para que máquinas eletrônicas, trabalhando sem cessar, contassem os 165 milhões. Minha tese é muito simples: esse dinheiro todo não estava lá. O fato dos ladrões saberem o posicionamento exato das câmeras só corrobora uma ajuda de pessoas de dentro do BC. As mesmas pessoas que, antes dos ladrões entrarem no cofre, sumiram com dois terços da fortuna. Elementar, meu caro leitor!

Por que Recife é a capital do Nordeste?

Recife

“Imagina o Brasil ser dividido e o Nordeste ficar independente”… É o que propõe a música “Nordeste Independente“, uma composição dos paraibanos Bráulio Tavares (escritor e compositor) e Ivanildo Vilanova (poeta repentista) que foi interpretada e gravada pela primeira vez pela cantora paraibana Elba Ramalho no início dos anos 1980. A canção é um bem-humorado e utópico manifesto contra a discriminação sofrida pelo Nordeste, que gerou muita polêmica na época. “Já que existe no sul esse conceito que o nordeste é ruim, seco e ingrato… Já que existe a separação de fato, é preciso torná-la de direito… Quando um dia qualquer isso for feito, todos dois vão lucrar imensamente… Começando uma vida diferente da que a gente até hoje tem vivido… Imagina o Brasil ser dividido e o Nordeste ficar independente”, sugere a primeira estrofe.

nordeste-independenteSim: a ideia é utópica, improvável, ficcional e conta com muita licença poética, mas o movimento separatista do Nordeste existe há muito tempo e é mais organizado do que você imagina. Já existem trabalhos acadêmicos e livros publicados sobre esse tema e, desde 1992, existe em Pernambuco o GESNI (Grupo de Estudos sobre o Nordeste Independente), que é um movimento pacífico e organizado que examina as possibilidades de independência e melhorias no território nordestino. “O Brasil nunca encontrou uma solução para o problema nordestino, porque não tem interesse nisso, mas nós poderíamos encontrar”, diz Jaques Ribemboim, fundador do grupo. Ribemboim é economista, doutor em economia, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mestre em economia pela University College of London, na Inglaterra, e autor do livro “Nordeste Independente”, publicado em 2002 na cidade do Recife. Além do GESNI, o Nordeste já contou com movimentos de cunho separatista mais antigos como a Conspiração dos Suaçunas, Revolução Pernambucana, Confederação do Equador e Revolução Praieira.

 Não quero aqui entrar no mérito dessa questão e discutir se ela é factível, se traria mais vantagens ou desvantagens para ambas as “partes”, nem nada disso. Mas essa semana, conversando com alguns amigos, nos permitimos imaginar essa possibilidade e, supondo sua deflagração, ficamos a debater sobre qual seria a capital desse novo país. Qual cidade receberia o nobre título de capital do Nordeste? Qual é a cidade mais importante para a região, seja política, econômica, geográfica, histórica ou culturalmente? As candidatas logo emergiram, destacando-se das demais: Salvador (Bahia), Fortaleza (Ceará) ou Recife (Pernambuco). E agora? Como decidiríamos? Quais seriam os critérios da escolha? Após muita conversa, chegamos a um consenso: Recife seria a capital do Nordeste; pelos seguintes motivos:

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GEOGRAFIA

Observe o mapa do Nordeste. Dentre as três cidades candidatas, Salvador fica bem ao sul, Fortaleza fica bem ao norte, e Recife fica bem no centro da região. Recife tem ao norte as capitais estaduais João Pessoa e Natal separando-a de Fortaleza; e tem ao sul as capitais estaduais Maceió e Aracaju separando-a de Salvador. Se Brasília foi construída no meio de um deserto (praticamente) para ser a capital federal, apenas por aquela ser uma região geograficamente mais central, isso significa que, para nós, esse quesito é importante. E nele, em se tratando de Nordeste, Recife sai na frente.

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HISTÓRIA

A cidade do Recife é a capital mais antiga do Brasil e está prestes a completar 500 anos de fundação (em 2037). Muitos dos mais importantes eventos da História do Brasil aconteceram lá, como a guerra dos mascates (1710-1711), a revolução pernambucana (1817), a confederação do Equador (1824), a revolta praieira (1848-1850), etc. No início do século 20, antes da ascensão de São Paulo, Recife só perdia em importância política e econômica para o Rio de Janeiro, que era na ocasião a capital do Brasil (Brasília só foi fundada em 1960). Na década de 1970, Recife era ainda a terceira maior metrópole do Brasil, atrás apenas do Rio de Janeiro e São Paulo. Uma das regiões mais antigas das Américas e principal centro financeiro do Brasil Colônia até meados do século 18, a metrópole pernambucana abriga importantes cidades históricas, como é o caso de Olinda, cujo centro histórico é Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

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POLÍTICA

A região metropolitana do Recife é o maior aglomerado urbano do Norte-Nordeste, o 5ª maior do Brasil e um dos 120 maiores do mundo, com uma população de 4,5 milhões de habitantes. Ela é a terceira área metropolitana mais densamente habitada do país, superada apenas por São Paulo e Rio de Janeiro. A capital pernambucana está atrás somente de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo na hierarquia da gestão federal. Recife tem ainda o maior número de consulados estrangeiros fora do eixo Rio-São Paulo, sendo inclusive a única cidade, com exceção daquelas duas, que tem Consulados-Gerais de países como Estados Unidos, China, França e Reino Unido.

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ECONOMIA

Recife é a metrópole mais rica do Norte-Nordeste em PIB, além de ser o maior pólo industrial e econômico do Nordeste. Destaca-se por possuir a melhor universidade do Norte-Nordeste, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); o 2º maior polo médico do Brasil; o 9º maior número de arranha-céus das Américas; o melhor aeroporto do Brasil, o Aeroporto Internacional do Recife (Guararapes); e o Complexo Industrial e Portuário de Suape, que abriga o Porto de Suape (melhor porto do Brasil), o Estaleiro Atlântico Sul (maior estaleiro do hemisfério sul), entre outros empreendimentos. O metrô do Recife é composto atualmente de 28 estações, com linhas que somam 39,5 quilômetros de extensão, transportando cerca de 225 mil usuários por dia. O Shopping RioMar, localizado na Zona Sul, é o maior centro de compras do Norte-Nordeste e o 3º maior do Brasil.

A cidade é considerada um dos mais importantes polos de tecnologia da informação do país. O Porto Digital, que abriga mais de 200 empresas, entre elas multinacionais como Motorola, Nokia, IBM e Microsoft, é reconhecido internacionalmente como o maior parque tecnológico do Brasil em faturamento e número de empresas. O Centro de Informática da UFPE fornece mão de obra para o polo, que gera 7 mil empregos e tem participação de 3,5% no PIB do Estado de Pernambuco. Por isso alguns especialistas chamam a capital pernambucana de Vale do Silício brasileira.

A cidade foi eleita por pesquisa encomendada pela MasterCard Worldwide como uma das 65 cidades com economia mais desenvolvida dos mercados emergentes no mundo. Apenas 5 cidades brasileiras entraram nessa lista, e Recife ficou em 4º lugar, após São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Segundo a consultoria britânica PwC, Recife será uma das 100 cidades mais ricas do mundo até 2020, à frente de cidades como Munique (Alemanha), Nápoles (Itália) e Amsterdã (Holanda). Recife destaca-se ainda por ser a capital nordestina com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo dados da ONU de 2010, figurando como a capital mais alfabetizada, com a menor incidência de pobreza e a com a maior renda média domiciliar mensal do Nordeste.

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CULTURA

A cidade do Recife deu origem a grandes nomes de todas as áreas do conhecimento, como, Cristovam Buarque, Paulo Freire, Nelson Rodrigues, João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector, Gilberto Freyre, Manuel Bandeira, Joaquim Nabuco, entre diversos outros, como Ariano Suassuna, que nasceu na Paraíba, mas vivia no Recife e se considerava pernambucano de coração. Na música, Recife deu ao Brasil e ao mundo nomes como Luiz Gonzaga, Lenine, Alceu Valença, Reginaldo Rossi, Bezerra da Silva, Michael Sullivan, Clarice Falcão, Chico Science e Nação Zumbi, dentre outros tantos. Com atletas e esportistas consagrados, o Recife tem, no cenário brasileiro, a maior representação esportiva do Nordeste. Isso é especialmente verdade no futebol, esporte mais popular do país, já que este ano o Sport é o único clube do Norte-Nordeste na série A do campeonato brasileiro.

Recife também é a casa do Galo da Madrugada, reconhecido pelo Guinness Book (o livro dos recordes) como o maior bloco carnavalesco do mundo, que todos os anos arrasta cerca de 2,5 milhões de foliões pelas ruas do Recife Antigo. O frevo, um dos principais gêneros musicais nascidos no Recife, foi declarado pela UNESCO, em cerimônia realizada em 2012 em Paris, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Não podemos esquecer ainda do maracatu, ritmo regional responsável pelo surgimento, nos anos 1990, do movimento manguebeat, uma das maiores provas de que momentos de efervescência cultural elevam a auto estima de uma cidade e influenciam no crescimento da economia. Por isso e muito mais, pode-se dizer que Recife é a cidade do Nordeste (e quiçá do Brasil) mais rica culturalmente. Ela possui uma cultura própria e independente, além de um sotaque próprio, diferente dos estados à sua volta e que não é falado em nenhum outro lugar. Poetas já chamaram Recife de “Veneza Brasileira”, “Florença dos Trópicos”, “Cidade Maurícia” e “Manguetown“.

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