Teto social: quantos amigos podemos ter?

281_feed_amigosA partir de análises feitas com primatas no início da década de 1990, o antropólogo Robin Dunbar, professor de psicologia da Universidade de Oxford, na Inglaterra, estabeleceu uma relação entre o tamanho do neocórtex, a área do cérebro responsável pelo pensamento consciente, e o número máximo de pessoas com quem é viável manter relações sociais. Evidências estatísticas, como o número de habitantes de comunidades primitivas e a quantidade de soldados em uma unidade do exército, serviram de base para que o britânico calculasse que é possível interagir de maneira mais profunda com, no máximo, 150 pessoas — em outras palavras, esse é o número de indivíduos com quem você se sentiria confortável para tomar uma cerveja após um encontro inesperado no bar.

E, de acordo com as últimas pesquisas do antropólogo, esse “teto social” evolutivo imposto pelo cérebro continua o mesmo apesar das mudanças de comportamento causadas pelas redes sociais. “Pedimos aos usuários para enumerar quantas pessoas da lista de contato eles viram ao menos uma vez no ano e observamos que as redes não conseguem expandir o número de relações pessoais”, diz Dunbar. O psicólogo Diogo Araújo de Sousa, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, exemplifica esse quadro: “Se você pedir para uma pessoa que faça uma lista de convidados para a festa de formatura, ela não usará toda a sua lista de amigos do Facebook”.

Fonte: Galileu.

Faça uma dieta de leituras

Passar o dia inteiro nas redes sociais é tão saudável para a mente quanto viver à base de fast-food é para o corpo. Esse é o tema do artigo de opinião a seguir, escrito por Danilo Venticinque e publicado na revista Época:


O Facebook está insuportável hoje. Pelo menos foi isso o que um amigo me disse. Não duvido: com a quantidade de assuntos polêmicos em pauta, poucos resistem à tentação de entrar em debates acalorados e intermináveis sobre tudo. Quanto mais pitoresco o tema, maior parece ser a vontade de se debruçar sobre ele para escrever um post “definitivo”. Perdi a conta de quantas vezes sucumbi a essas armadilhas. Tenho tentado não cair nelas. Estou de dieta. Houve um tempo em que os pessimistas diziam que no futuro passaríamos o dia inteiro assistindo à televisão e não leríamos mais nada. Estavam errados. Ironicamente, nunca lemos tanto quanto hoje, nos celulares, tablets e na tela do computador. E, infelizmente, nunca lemos tão mal.

Nutricionistas costumam organizar os tipos de alimentos numa pirâmide. Na base estão os cereais, verduras e frutas que precisamos comer várias vezes ao dia. O meio é reservado às carnes magras e derivados do leite, que devemos comer com moderação. No topo, tudo aquilo que devemos evitar no dia-a-dia, como doces, frituras e carnes gordurosas. Poderíamos fazer um gráfico semelhante com as leituras. Na base estariam os livros. No topo, as discussões vazias nas redes sociais. No meio ficariam os artigos e reportagens, online e offline. Alguns podem ser tão enriquecedores quanto um livro. Outros, tão superficiais quanto uma polêmica no Facebook.

Não é preciso levar o exercício mental muito adiante para perceber que nossa dieta anda péssima. As redes sociais tomam a maior parte do nosso tempo de leitura. Elas nos levam com frequência a blogs ou sites de notícias. Aproveitamos um texto ou outro, mas nos esquecemos da imensa maioria. Aos livros, que teoricamente deveriam ser nossa principal fonte de leituras, reservamos apenas uma pequena fração do nosso tempo. Por acreditar que os livros exigem concentração e silêncio, preferimos nos distrair com textos irrelevantes o dia inteiro e deixar as leituras sérias para o dia seguinte ou para mais tarde, quando já estamos cansados de ler bobagens e mal aguentamos manter os olhos abertos. É como se tivéssemos um banquete à nossa disposição, mas nos entupíssemos de balas e cachorros-quentes antes de sentar à mesa.

O primeiro passo para mudar a sua dieta de leituras é reconhecer que aproveitamos muito mal nosso tempo. Vale repetir a pergunta proposta pelo escritor suíço Rolf Dobelli em seu livro A arte de pensar claramente: “De todas as notícias e posts em redes sociais que você leu no último ano, quantos realmente fizeram diferença na sua vida?”. Minha resposta foi alarmante: apenas dois ou três posts em blogs e, com sorte, meia dúzia de reportagens. Nenhum post em redes sociais. Nada que justifique as dezenas de horas que dedico a essas leituras semanalmente. Quanto aos livros, lembro de todos os que li durante o período. Mesmo os que não gostei de ler me ensinaram algo. Definitivamente, era hora de mudar meus hábitos.

Seria um exagero abandonar o Facebook completamente, do mesmo modo que nenhum nutricionista que se leve a sério diria para alguém cortar os doces para todo o sempre. O mesmo vale para o fast-food da informação. As redes sociais nem sempre são prejudiciais. Basta usá-las com moderação e tirar algum proveito delas. Cada um sabe sua forma de aproveitá-las. Desde que decidi fazer uma dieta de leituras, abandonei as discussões no Facebook e no Twitter. Em vez disso, tenho usando as duas redes para receber e compartilhar reportagens sobre literatura. Por falar em reportagens, também reduzi o tempo que dedico a elas. Descobri que posso sobreviver tranquilamente lendo somente as principais notícias do dia e assinando três ou quatro publicações essenciais para quem trabalha na minha área.

O resultado? Além de conseguir mais tempo para os livros, não sinto a menor falta das polêmicas digitais. Da próxima vez que o seu Facebook estiver insuportável, não reclame dele. Feche a aba do navegador. Procure outras leituras. Se alguém insistir para que você diga algo sobre o assunto polêmico do dia, experimente a sensação libertadora de não ser obrigado a expressar sua opinião sobre tudo. Peça desculpas. Diga que está de dieta.

50 tons de sexo

sexo-facebookAntigamente isso era muito mais fácil. Só havia homens e mulheres. Agora, quem resolve criar uma conta no Facebook precisa escolher entre 52 opções. É o que mostra a matéria a seguir, publicada na revista Época.


Para quem escreveu o Gênesis era fácil. Deus fez Adão e Eva – e pronto. A humanidade toda se restringia a dois sexos. Desde então o mundo mudou, mudou, mudou, veio a revolução sexual, o feminismo, o movimento LGBT – até que surgiu o Facebook. E nem as mentes mais abertas para a diversidade da sexualidade humana estavam preparadas para isso. Ao criar uma conta na rede social, o usuário informa dados como data de nascimento, idioma, cidade natal e um que para muitos passa despercebido: gênero. No começo de 2014, o Facebook anunciou mais 50 novas opções de gêneros, além das duas tradicionais (masculino e feminino). Somando tudo, o usuário agora tem de escolher quem ele é entre 52 tons de sexo.

“Estamos orgulhosos de oferecer uma nova opção de customização de gênero para ajudar você a expressar melhor sua própria identidade”, escreveram os representantes do Facebook no comunicado oficial. Na longa lista de 50 novas opções de gênero, há algumas conhecidas, como “transgênero” (alguém que não se identifica com seu gênero biológico) e termos totalmente misteriosos, como “dois espíritos” (definição usada por tribos indígenas da América Norte para quem se sente, ao mesmo tempo, homem e mulher). A seleção dos termos durou um ano e foi feita em parceria com líderes de organizações LGBT dos Estados Unidos. O Facebook Brasil diz que não há previsão para que as 50 novas opções de gênero estejam disponíveis na versão em português do site – assumindo que, no Brasil, também seríamos igualmente criativos nessa área.

Os psicólogos e psiquiatras ouvidos por ÉPOCA dizem que é importante que as pessoas possam se definir sexual­mente de acordo com sua própria percepção. O psicólogo mineiro Klecius Borges diz que os termos são “diferentes tentativas” de definição da própria identidade. “A escolha de um desses termos ajuda a quebrar a forma binária como nossa cultura e sociedade tratam a questão do sexo”, afirma. Mesmo ele, porém, acha 52 opções um pouco demais. “Quando se especifica demais, perde-se o foco e passa-se a concentrar em detalhes que não importam”, diz Alexandre Saadeh, coordenador do Ambulatório de Transtornos de Identidade de Gênero do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. Ao mesmo tempo, Saadeh afirma que a decisão do Facebook gera discussão e pode servir para expor os preconceitos. Mas será que alguém se tornará mais tolerante ao ser informado das 50 novas opções de sexo do Facebook?

A futurologia de Murilo Gun

Série de vídeos produzida pelo humorista, palestrante e metido a futurólogo Murilo Gun sobre o futuro dos jornais, dos livros, dos idiomas, do Facebook, do celular, do videogame, da televisão, do carro, da indústria e dos crimes. Por fim, uma palestra dele no TEDx Fortaleza sobre o futuro da propriedade e do consumo. Boas previsões!

Veja também: Murilo Gun nos anos 80 e O futuro da televisão












Bíblia do Matuto

O publicitário e designer paraibano Rayan Rodrigues teve a sacada de contextualizar passagens da Bíblia com a linguagem típica do Nordeste ao idealizar a Bíblia do Matuto. Eu já lhe dei a ideia de um livro mas, por enquanto, o trabalho está sendo divulgado apenas no Facebook – e fazendo sucesso por lá. Repara que ideia arretada:

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