Jesus de Nazaré (filme completo e dublado)

Encontre tempo e assista abaixo o famoso filme Jesus de Nazaré, dirigido por Franco Zeffirelli e estrelado por Robert Powell em 1977. Este é um dos maiores clássicos da história do cinema mundial. E quando digo que ele está entre os “maiores”, refiro-me inclusive à duração: são incríveis cinco horas de filme! A sorte é que a tecnologia ajuda nesse sentido: se preferir, você pode aumentar a velocidade de exibição.

O galo e a pérola

Fábula em poema do poeta português Curvo Semedo (1766-1838).

galoNum monturo esgravatando
Formoso galo aguerrido
Acha uma pérola fina
Que havia um nobre perdido.

Por três vezes a escoucinha
Sem nela querer pegar
À quarta, erguendo-a no bico,
Põe-se a cacarejar.

Vêm logo algumas galinhas
Cuidando que era algum grão
Mas vendo a pérola, tristes,
Vão-se deixando-a no chão.

Acaso passa um ourives
E apanhando-a, alegre diz:
“É uma pérola fina!”
“Que belo achado que fiz!”

“Homem”, lhe pergunta o galo,
“Tanto essa joia merece?”
“Pois eu por um grão de milho”
“Te dera mil, se as tivesse.”

Pérola em poder de galo
Que não lhe sabe o valor
É como entre as mãos de um néscio
As obras de um sábio autor.

Uma lição parecida aparece no Sermão da Montanha, proferido por Jesus Cristo e registrado no Evangelho de Mateus: “Não deem aos cães o que é sagrado, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão.” (7:6)

Matrix e a verdadeira vida

Crônica de Rubem Amorese publicada na revista Ultimato em 2004.

“Cristo salva de quê? Não estou morrendo afogado!” — disse o colega, ao ver o adesivo colado no vidro do meu carro. Na hora, dei uma resposta padrão, evangelística. No entanto, senti que eu mesmo não conseguia verbalizar convincentemente um “Cristo salva” para gente como aquele colega. O que poderia ser dito ao jovem saudável, de família abastada e vida profissional promissora que o fizesse ver a necessidade de salvação? Dizer-lhe que nasceu em pecado, que o salário do pecado é a morte, mas que em Cristo pode ter vida abundante, se o receber em arrependimento e fé, como senhor e salvador de sua vida? Sim, certamente. Mas não sentiria estar comunicando. Precisava de uma parábola.

Quem poderia supor que ela adviria da trilogia Matrix? Pois veio. Assisti aos três filmes, aficionado que sou por tecnologia de ponta, ficção científica e efeitos especiais. Mas fiz uma leitura teológica. Não sei se intencionalmente, Matrix versa sobre trevas e luz; perdição e resgate; escravidão e redenção. Ao reagir à invasão alienígena de seres tanto mecânicos quanto orgânicos e espirituais, os humanos do futuro pensam que podem cortar-lhes a fonte de energia, cobrindo o sol do planeta com uma nuvem atômica de proporções apocalípticas. Mas os invasores descobrem uma nova fonte de energia: os próprios seres humanos, agora cultivados em imensas plantações.

Cada pessoa que nasce é colocada num casulo gosmento e ligada a tubos que lhe fornecerão alimento e lhes extrairão calor do corpo. E os humanos passam a vida, de nenê a adulto, como baterias humanas, a energizar essa rede formidável. O detalhe é o tubo que entra na cabeça de cada um, pela nuca. Por esse terminal, o sistema fornece a cada vítima um sonho, uma “vida”. O computador que tudo gerencia, chamado Matrix, lhe “fornece” estudos, trabalho, família, vida profissional e tudo o mais, instilado, como um filme, diretamente no cérebro. E as pessoas não têm consciência de que estão vegetando no casulo gosmento, em posição fetal. Quando morrem, ou perdem a “energia”, com a idade, são transformadas em compostos alimentícios para aqueles que vão nascendo. Reciclagem. A cena da grande “plantação”, com sua malha de tubos e adutores, é tétrica.

A história começa com um resgate. Morfeu, o líder de um pequeno grupo de pessoas “desplugadas”, que vivem na realidade lutando contra os invasores, passou a vida à procura daquele que teria o dom de “ver” a Matrix, com seus mecanismos, programas e fraquezas. Teria, portanto, o poder de conduzi-los à vitória. Então, resgata da Matrix um rapaz que, mesmo vivendo a vida fictícia fornecida pelo sistema, em seus sonhos tem visões da “realidade real” e desconfia da “realidade artificial” em que está. “Deve haver algo mais”, pensa ele. E, mesmo na vida alienada, torna-se um hábil hacker de computador que invade o sistema, rouba e vende informações sigilosas — informações sobre a verdadeira realidade, eu concluo — e foge da polícia dos invasores.

Interessante: essa “vida” criada pela Matrix é tão “real” e satisfatória que muitos, ao serem “desplugados”, pedem para retornar. Não suportam a realidade. Nesta, eles são renegados, vivendo nos escombros da civilização pós-cataclisma nuclear; naquela, ordeiros cidadãos, vivendo uma vida normal, organizada e prazerosa. E, então, eu me dou conta da “parábola” de que somos “escolhidos”, isto é, “desplugados” por Cristo de um sistema diabólico, onde já nascemos “mortos” (Efésios 2:1) em uma “realidade falsa”. Imediatamente ouço outra vez meu colega dizer: “Cristo salva de quê?”. Coitado de Moisés! Imagino-o tendo de suportar de seus irmãos, no Egito:

— Libertação de quê?

E a resposta “pouco convincente”:

— Desta vida falsa, desta vida de escravidão.

— E para onde vamos, Moisés?

— No momento, para o deserto…

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