A CBF tem que acabar!

cbf-selecao-brasileiraArtigo de opinião de Alexandre Versignassi e Guilherme Pavarin, publicado na edição de agosto (336) da Superinteressante.


O porto de Santos é a cafeteira do mundo: um terço do café tomado na Terra passa por ali, numa jornada que começa nas fazendas do Brasil e termina nas xícaras de Madrid, Milão, Moscou, Kiev… Não só nas xícaras. O maior comprador do nosso estimulante preto, ao lado dos EUA, é a Alemanha. Mas eles não tomam tudo. Revendem uma parte razoável, porque é um negocião: os alemães pagam mais ou menos R$ 400 em cada saca de 60 quilos e reexportam para o resto da Europa por R$ 800. Sem industrializar nada, só revendendo café “cru” mesmo, do jeito que ele sai das roças daqui. Não é malandragem, é logística: eles podem fazer isso graças à sua malha ferroviária cheia de tentáculos, veias e artérias.

Reexportar dali para o resto da Europa é fácil. Num ano típico, os caras importam 18 milhões de sacas e revendem 12 milhões. Isso faz da Alemanha o terceiro maior exportador de café do mundo, atrás apenas do Brasil e do Vietnã. Tudo sem nunca ter plantado um pé de café! Tem mais. Das 6 milhões de sacas que ficam dentro da Alemanha, uma parte vai para Schwerin, uma cidadezinha de conto de fadas perto da fronteira com a Dinamarca. Por lá, os grãos brasileiros reencarnam na forma de cápsulas de Nespresso. E ganham preços que até outro dia só eram praticados no mercado de outro estimulante – branco. Um quilo dessas cápsulas acaba saindo por R$ 400 no varejo, quase 70 vezes o quilo do café cru. Ou seja: 70 x 1 para a Alemanha.

No futebol é parecido. Exportamos o material cru, os atletas jovens, e importamos o produto acabado – não exatamente os jogadores, porque quando eles voltam geralmente estão é acabados mesmo. O que a gente compra é o espetáculo. Por mais que aqui no Brasil ninguém torça de verdade por um Barcelona, Real Madrid ou Bayern de Munique, todo mundo entende que futebol pra valer está lá fora, e que o Campeonato Brasileiro, na prática, é só uma espécie de série B do futebol mundial. Uma segunda divisão que alimenta a primeira com uma voracidade extrativista. O Brasil é o maior exportador mundial de jogadores, ao lado da Argentina. Vende por volta de 1.500 atletas por ano.

Ainda estamos entre as 10 maiores economias do planeta, à frente de destinos futebolísticos consagrados, como Espanha e Itália. Mesmo assim, nosso futebol não tem força econômica suficiente para reter pé-de-obra, e não para de ceder atletas para Madrid, Milão, Moscou… E Kiev. Até para a Ucrânia, que tem um PIB menor do que o da cidade de São Paulo, a gente perde jogadores! Entre os atletas menos estrelados é pior ainda. Se o cara não consegue vaga nos times grandes daqui, qualquer tralha leva: Chipre, Malta, Bulgária… Em 2013, 20 foram para o Vietnã, e 2 ajudaram a engrossar a população das Ilhas Faroe, que tem 50 mil habitantes e PIB menor que o de Matão, no interior paulista.

Até os 7 x 1, o único patrimônio realmente sólido do futebol nacional era a seleção. Sólido e lucrativo: a CBF faturou R$ 478 milhões com o time nacional em 2013. Só o patrocínio da camisa de treinos do time trouxe R$ 120 milhões. A Alemanha, segunda colocada nesse ranking, só levantou R$ 40 milhões com a dela. A Argentina, com Messi e tudo, R$ 10 milhões. Ou seja: A CBF ganha dinheiro. Muito. E isso deveria ser bom. Mas não adianta nada, porque gastam quase tudo na própria manutenção da CBF. A primeira medida de José Maria Marin à frente da entidde foi aumentar o próprio salário. Passou a ganhar R$ 160 mil por mês, mais um chorinho de R$ 110 mil pelos serviços como chefe do COL (Comitê Organizador Local da Copa).

Salário de jogador, só que sem o incômodo de jogar. Ou de trabalhar. De concreto mesmo, o que a CBF fez nos últimos anos foi reformar os 3 campos da Granja Comari para a Seleção treinar. Enquanto isso, a Deutscher Fussbal Bund (DFB, a CBF da Alemanha) construiu mil campinhos para crianças e 307 centros de treinamento, para reforçar a formação de jogadores. É o dinheiro da seleção alemã custeando o futuro do futebol alemão. E custou só R$ 105 milhões – menos que um quarto do faturamento da CBF em um ano. Faturamento que, inclusive, pode secar. Depois dos 7 x 1, o gaúcho de bigode sumiu dos comerciais da Ambev; e o Itaú deixou de pedir para o Brasil amarrar o amor na chuteira. Claro: o maior banco da América Latina e a maior cervejaria do mundo, patrocinadores tradicionais da CBF, não podem se dar ao luxo de ligar sua imagem à um bando de zumbis de olhos vermelhos e expressão de terror na cara.

A CBF pode até não ter matado essa galinha dos ovos de ouro. Mas que colocou ela na UTI, colocou. Junto com o resto do nosso futebol. Os 13 maiores clubes do País somam R$ 4,7 bilhões em dívidas. Tudo fruto de um péssimo gerenciamento, cuja inspiração vem lá de cima, da Confederação Brasileira de Futebol. Por essas, qualquer solução para o esporte passa pelo fim da CBF. Pelo fim do modelo atual, pelo menos. A entidade hoje é tão democrática quanto um feudo do século 13. Só há 47 votantes para a presidência – 20 clubes da série A e mais 27 federações estaduais. Ou seja: um colégio eleitoral altamente manipulável, que garante reeleições eternas para quem estiver lá em cima.

Num artigo recente para a Folha de S. Paulo, o jogador Paulo André definiu bem a situação: acusou a CBF de explorar de forma ditatorial um bem que pertence a todos os brasileiros, o futebol. Paulo, que é líder do Bom Senso F. C., o grupo de atletas que tenta melhorar a administração da bola, aposta na democratização. Isso significa ampliar o número de eleitores para a presidência da entidade, dando direito de voto a a todos os jogadores de todos os clubes profissionais do Brasil. Não seria a salvação imediata da lavoura, mas representaria um passo fundamental para sairmos da Idade Média do futebol – e, quem sabe, deixarmos de ser mera colônia extrativista de atletas. Se isso acontecer um dia, que sirva de inspiração para a própria economia do País. Porque é dela que as nossas vidas realmente dependem. Chega de goleada.

Europeus versus sul-americanos

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A Copa do Mundo FIFA é o campeonato esportivo mais popular e prestigiado do mundo. A competição foi criada em 1928 na França por Jules Rimet, então presidente da FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado, em francês: Fédération International de Football Association). A primeira edição ocorreu em 1930 no Uruguai, cuja seleção que abrigou o evento saiu vencedora. A partir de então, o torneio acontece a cada 4 anos (com exceção de 1942 e 1946, anos em que não houve Copa devido às Guerras Mundiais). Este ano (2014), está acontecendo aqui no Brasil a 20ª edição do mundial. Nas 19 edições anteriores, apenas seleções europeias e sul-americanas sagraram-se campeãs mundiais. Este ano não será diferente, já que a grande final será disputada entre uma seleção europeia e uma sul-americana: Alemanha x Argentina.

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Dos 19 títulos mundiais disputados até hoje, 10 foram conquistados por seleções europeias (4 da Itália, 3 da Alemanha, e 1 de Inglaterra, França e Espanha), e outros 9 ficaram com seleções sul-americanas (5 do Brasil e 2 de Uruguai e Argentina), como você pode ver no mapa acima. A final deste domingo entre Alemanha e Argentina decidirá se esta disputa ficará empatada ou se a Europa aumenta a vantagem. Se a Argentina for campeã, a história das Copas ficará equilibrada com 10 títulos para cada continente nessas 20 edições. E o empate virá não apenas para os continentes em questão, mas também na disputa individual entre os países, já que a Argentina seria tricampeã, assim como a Alemanha. Diante de tais números, e apesar de gostar muito do futebol da Alemanha, eu, que sou brasileiro, decidi deixar a rivalidade de lado e torcer pela Argentina, pelos “hermanos“, nossos vizinhos aqui da América do Sul. Estou encarando esta final como uma disputa entre continentes mais do que entre países.

Mas o confronto individual entre os países também tem seus encantos. As duas seleções já se enfrentaram 20 vezes na história (6 vezes em Copas do Mundo). Veja os números desse duelo no infográfico abaixo:

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E se Portugal fosse anexado ao Brasil?

Esta reportagem do Globo News provoca nossa imaginação com uma situação fictícia sugerida pelo famoso jornal inglês Financial Times. E se, para fugir da crise econômica, Portugal se desligasse da União Europeia e resolvesse ser anexado ao Brasil, tornando-se apenas mais um estado brasileiro? O que mudaria no nosso cotidiano?

Em apenas 3 minutos, este vídeo resume mais de 6 mil anos de História da Europa

A Europa e o Oriente Próximo viram surgir algumas das mais brilhantes – e das mais perversas – formas de organização humana. Ao longo dos séculos, essas áreas foram cortadas e recortadas por fronteiras e limites que dividiram povos, línguas e culturas. O vídeo abaixo recupera mais de 6 mil anos da dinâmica geopolítica de boa parte dessa região e retrata a trajetória de territórios, impérios e nações, do nascimento à fragmentação e vice-versa, em igual frequência, num xadrez de permanente impermanência – uma ebulição que as crises, primaveras e conflitos atuais mostram continuar presente. Como estarão dispostas as peças desse tabuleiro daqui a 100 anos? Aliás, a interessante iniciativa bem poderia ser repetida nas Américas, para resgatar um pouco do passado do continente, em especial antes da chegada dos europeus.

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