Morar com os pais é ruim para a economia

Este mapa da Europa mostra a quantidade de adultos entre 25 e 34 anos que ainda moram com os pais. Note que, nos países mais ricos, como Reino Unido, França, Alemanha, Suíça, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Suécia, Noruega e Finlândia, a porcentagem é bem pequena; enquanto que nos países mais pobres, como Portugal, Espanha, boa parte do leste europeu e Grécia, essa porcentagem é bem maior. Conclusão: adultos morando com os pais não é bom negócio para a economia de um país.

jovens que moram com os pais (europa)

Argumentos contra as cotas raciais

São vários os nomes: ação afirmativa, discriminação positiva, política com­pensatória… Mas a ideia é uma só: corrigir a desigualdade social entre negros e brancos dando benefícios ao lado considerado “mais fraco”. Conheça abaixo os principais argumentos usados por quem é contra a política de cotas raciais nesta matéria da Superinteressante.

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Para poder se beneficiar das cotas, é preciso fazer uma escolha: ou se é branco ou se é negro. Essa proposta de divisão explícita dos brasileiros em duas categorias bem delimitadas é o primeiro ponto a tirar do sério os opositores das cotas. Questiona-se a criação de um sistema que subverte um pilar da democracia: a ideia de que todos somos iguais perante a lei. Para a antropóloga Yvonne Maggie, da UFRJ, o efeito dessa produção artificial de etnias e raças é o fim da identidade nacional. Deixamos de ser simplesmente cidadãos do Brasil para nos tornar brasileiros negros ou brasileiros brancos. “É o caminho para a difusão do ódio racial no Brasil”, afirma o sociólogo Demétrio Magnoli.

Outra distorção, na opinião dos críticos da política de cotas, é a supressão do mérito como critério de recompensa. Uma organização meritocrática é aquela que dá as melhores oportunidades a quem demonstrar mais habilidade e talento. Ao derrubar essa ideia, as cotas podem estigmatizar quem é beneficiado por elas. “Nos Estados Unidos, os estudantes asiáticos tiram dos brancos mais vagas nas universidades de ponta do que os negros. Mesmo assim, nas não são obrigados a lidar com o mesmo ressentimento. Isso porque existe a percepção comum de que eles entraram por mérito e não ajudados por um sistema de cotas. Ou seja: o ressentimento não é em relação à perda de vagas, mas ao modo injusto como isso acontece”, diz Thomas Sowell, economista da Universidade Stanford e autor de Ação Afirmativa ao Redor do Mundo.

Há ainda o temor de que a qualidade do ensino nas universidades piore com a entrada de alunos que não necessariamente obtiveram as melhores notas de acesso. Para os críticos das cotas, as funções primordiais da universidade pública são a pesquisa e a formação de alto nível, não a prestação de um auxílio social ao país. “Quando as universidades admitem alunos por critérios não acadêmicos, há um risco real de que percam qualidade”, alerta Simon Schwartzman, ex-presidente do IBGE.

Por fim, o time anticotas não tem dúvidas de que o seu caráter supostamente temporário é uma grande farsa. A maioria dos países que adotam a política de cotas acaba por prorrogá-la indefinidamente. Qual político quer se expor à impopularidade de suspender um benefício social? Ao contrário: as cotas costumam ser sempre ampliadas para beneficiar outros grupos em desvantagem. Quando a Índia adotou a ação afirmativa, em 1949, foi determinado um prazo de 10 anos. A reserva está até hoje em vigor. O motivo? Cotas não custam nada ao governo; e ainda dão aos políticos a chance de se gabarem por promover o avanço racial. Quem não quer uma mamata dessas?

Voltemos á realidade brasileira. Suponhamos que determinado governo analisou algumas estatísticas e decidiu que é preciso aumentar a presença de negros nas universidades públicas do país. Como seria possível fazer isso? Como determinar quem é negro e quem não é em um país miscigenado como o Brasil? Recentemente, a Universidade de Brasília (UnB) instituiu uma comissão para julgar se a autodeclaração de raça é verdadeira. Os integrantes da banca, cujos nomes não são revelados, dão uma bela olhada na foto do candidato e decidem, assim no olho, quem é negro e quem não é. Em 2005, 48% dos candidatos inscritos tiveram suas fotos rejeitadas e foram impedidos de concorrer a uma vaga pelo sistema de cotas. O “tribunal racial” da UnB, como ficou conhecido, recebeu uma enxurrada de críticas. Houve até um caso de dois irmãos gêmeos idênticos que se inscreveram nas cotas: um deles foi considerado negro e o outro não.


O que diz a ciência sobre a existência de raças humanas?

Nunca entendi por que sou obrigado a preencher, em formulários e documentos oficiais do governo, uma declaração de cor ou raça. Não vejo nenhum sentido em dividir as pessoas por cor ou raça, principalmente se isso é feito com a desculpa de combater o racismo. Na minha opinião, esse hábito é que é um tipo de racismo. Talvez o pior tipo: o racismo institucionalizado. Sorte a nossa que a ciência tem atuado para combater essa ideia equivocada de que cor ou raça é geneticamente importante nos humanos. É o que mostra o artigo abaixo, de Alexandre Varsignassi para a revista Superinteressante.


A cor da pele não é assunto entre os chimpanzés. Se você depilar um, uma pele branca vai aparecer por baixo da manta de pelos. Passa a gilete em outro e surge uma pele preta. Manda mais outro para a cera quente e quem sai do centro de depilação é um chimpanzé rosa. Na verdade, eles mudam de cor ao longo da vida: nascem mais claros e vão escurecendo. Mas não importa. A cor da pele é tão relevante para eles quanto a do pâncreas é para a gente. Não que eles não sejam racistas. No mundo chimpanzé, o pelo pode ser de qualquer cor, contanto que seja preto. Quando nasce algum albino, com pêlo branco, não tem jeito: os outros chimpanzés não aceitam. Ele vai apanhar, ficar isolado e morrer logo – ou linchado ou de fome.

Nosso ancestral comum com os chimpanzés, um símio que viveu há 6 milhões de anos, provavelmente obedecia a mesma regra. A cor da pele não tinha importância, só a dos pelos. Mas uma hora essa história mudou. Há coisa de 2 milhões de anos alguns dos descendentes desse ancestral comum começaram a perder pelos. A cada mil partos nascia um macaco pelado. Um mutante. Algumas dessas aberrações genéticas tinham o mesmo destino dos albinos: bullying e morte prematura. Outros não. Talvez a falta de pelos os tenha ajudado a lidar melhor com o calor africano, e eles conseguiam ir mais longe para arranjar comida. Assim, viviam mais e melhor, então se reproduziam mais.

Deu tão certo que, uma hora, esses macacos pelados tinham formado uma super espécie – eram maiores e bem mais inteligentes que seus antepassados peludos. Nada mal para quem começou a vida evolutiva apanhando. Hoje esse animal sem pelos é conhecido como Homo erectus – são os nossos avós diretos. E as mutações não pararam, lógico. Quanto maior a inteligência de um erectus, maior era a chance de ele deixar mais descendentes. Então 1,8 milhão de anos depois já havia alguns erectus com cérebro gigante, e, de quebra, com traços idênticos aos dessa maravilha genética que você vê no espelho todas as manhãs. Era o Homo sapiens.

E você era negro. A pele escura era a melhor para aguentar o sol africano sem a proteção de uma camada de pêlos, já que é menos propensa a brindar seu dono com um câncer de pele. Por essas, nossa linhagem trocou o arco-íris de pigmentação que provavelmente tinha antes de perder os pêlos por uma tonalidade só. Ficamos monocromáticos. Mas não demorou e o sapiens começou a colonizar outras partes do mundo. Um dos momentos mais definidores dessa fase foi quando chegamos à Europa, há 40 mil anos, e exterminamos os neandertais. Eles eram nossos primos, também descendentes do erectus. A diferença é que os ancestrais deles tinham saído da África há 400 mil anos (200 mil antes de a nossa espécie surgir).

Por essas, os neandertais já nasciam adaptados ao frio: eram fortes que nem um bisão e, como todo mamífero que vive no gelo, tinham pele e cabelos claros. Não que camuflagem na neve fosse tão importante para eles quanto é para um urso polar ou uma raposa siberiana. Os neandertais mantiveram a mutação dos seus avós africanos – a de não ter pêlos (pelo menos não tantos pêlos). Então precisavam se cobrir de peles o tempo todo para aguentar as temperaturas negativas. A vantagem da pele clara era outra: ela sintetiza melhor a vitamina D nas altas latitudes, onde não existe sol o bastante para fazer esse trabalho a contento. Num tempo em que nutriente era tudo o que faltava, qualquer vantagem na absorção de algum deles fazia toda a diferença. O processamento mais eficaz de vitamina D era uma vantagem. Assim os neandertais foram embranquecendo.

Não que isso tenha ajudado muito quando nós, negros Homo sapiens, entramos na Europa. Nossa tecnologia àquela altura era bem superior à dos neandertais, com lanças mais leves e afiadas. Mas o que fazia mesmo a diferença era a nossa organização social: andávamos em grupos de 100, 200 pessoas. Eles, em famílias com no máximo 10 indivíduos. Cada encontro, então, era um massacre. Não demorou e já tínhamos matado todos os neandertais. Algumas fêmeas de neandertal, no entanto, conseguiam escapar da morte trabalhando como escravas sexuais.

A maior evidência disso é que 20% do genoma neandertal continua vivo no nosso DNA. Todo não-africano tem entre 2% e 3% de DNA neandertal dentro de suas células. Bom, pode ser também que machos neandertais tenham inseminado nossas fêmeas ao longo do processo, mas dificilmente essa foi a regra: mulheres são um espólio de guerra constante na nossa história, e talvez mais ainda na nossa pré-história.  Mas não foi a hibridização com os neandertais que empalideceu o sapiens na Europa. Não havia neandertais o bastante para fazer a diferença no pool genético da pigmentação e, provavelmente, os machos nascidos desses encontros eram inférteis, como acontece com machos filhos de tigres com leoas – aí complica mais ainda.

sapiens embranqueceu pelo mesmo processo de sempre: a cada mil, dez mil nascimentos, aparecia um mutante. Em alguns casos, a mutação era ter uma pele mais clara. Esses indivíduos deviam levar seus pescotapas na infância, por serem diferentes do resto. Alguns certamente eram mortos pela própria família logo que viam a luz. Mas naquele ambiente ser branco ainda era vantagem, também por causa da vitamina D. Uma vantagem grande o bastante para que, em poucas dezenas de milhares de anos, só nascessem sapiens de pele clara nas latitudes mais altas. Era a evolução emulando dentro da nossa espécie o que já tinha acontecido entre os ancestrais dos neandertais num passado ainda mais remoto.

Hoje a cor da pele não faz diferença do ponto de vista evolutivo: por mais que a nossa dieta não seja uma maravilha, temos acesso a tantos nutrientes que a capacidade de sintetizar mais vitamina D não tem mais com apitar na cor da pele. Nem a vitamina D nem a quantidade de sol do ambiente. Um Nigeriano vai viver o mesmo tempo (e ter o mesmo sucesso reprodutivo) vivendo em Copenhague ou em Salvador. Um dinamarquês, idem. O mais provável, então, é que fiquemos todos marrons em alguns milhares de anos, já que mais hora menos hora todos os genes de pigmentação dos sapiens vão acabar misturados, em todos os indivíduos.

Não que isso vá ser a panaceia da humanidade. Na Índia todo mundo é marrom faz tempo, e isso não impediu que surgisse o sistema de castas. Os Hutus e os Tutsis, de Ruanda, são quase idênticos, mesmo para os ruandeses, nem por isso deixaram de protagonizar um dos maiores massacres étnicos da história, com 800 mil Tutsis assassinados por Hutus. Um corintiano pode ser geneticamente indiscernível de um palmeirense, mas mesmo assim, de vez em quando um acha motivo para espancar e matar o outro pela cor da camisa.

O problema é que sempre nos juntamos em tribos de “iguais” para lutar contra qualquer coisa que pareça “diferente”. É parte da nossa natureza. É parte da natureza de qualquer animal – por isso todos os mutantes sofrem, em todas as espécies. Mas, ironicamente, são os mutantes, os diferentes, que fazem a espécie evoluir. Não fossem por eles, a evolução simplesmente não teria acontecido. Mas, graças a ela, hoje temos neurônios o bastante para decidir não nos comportar como amebas, para entender que o próprio conceito de raça é uma ilusão, ainda que perpetrada por um instinto estúpido.

skin color


Os negros loiros das Ilhas Salomão

Nas Ilhas Salomão, cerca de 10% da população nativa, de pele negra, tem cabelo loiro. Alguns insulares acreditam que a cor seria resultado da exposição excessiva ao sol, ou de uma dieta rica em peixe. Outra explicação seria a herança genética de ancestrais distantes — mercadores europeus que passaram pelo arquipélago. Mas essas hipóteses foram derrubadas por pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos.

A variante genética responsável pelo cabelo loiro dos insulares é diferente da que causa a mesma característica nos europeus. “Este caso acaba com qualquer noção simplória que podemos ter sobre raça. Nós, humanos, somos diferentes, e esta é apenas a ponta do iceberg“, revela o geneticista Carlos Bustamante. Ele e sua equipe publicaram as descobertas na edição desta semana da revista americana Science, especializada em divulgação científica. Eles analisaram amostras da saliva de mais de mil insulares (com atenção especial para um subconjunto de 43 loiros e 42 pessoas de cabelos escuros) e conseguiram rapidamente identificar um gene responsável por essa variação. Chamado de TYRP1, ele é conhecido por influenciar a pigmentação nos humanos. Sua variante encontrada nos cabelos loiros dos nativos não é encontrada no genoma dos europeus.

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Minha nação nordestina

Os 193 países do mundo (reconhecidos pela ONU) possuem juntos uma área total de aproximadamente 136.620.898 km². Dividindo isso igualmente entre eles, temos que 707.880 km² é aproximadamente o tamanho médio de um país hoje. Considerando apenas o continente europeu, sua área total é de aproximadamente 10.180.000 km². Dividindo isso igualmente entre os 50 países que compõem a Europa, temos que 203.600 km² é aproximadamente o tamanho médio de um país europeu. Ou seja, um país europeu médio teria cerca de 200 mil km² de área, enquanto que, em escala mundial, um país médio teria pouco mais de 700 mil km². Isso significa que boa parte da população mundial considera como sua pátria, sua nação, um território com área entre 200 e 700 mil km² (uma área do tamanho do estado de São Paulo, Minas Gerais ou Bahia).

Com dimensões continentais (8.515.767 km², quase o tamanho da Oceania), o Brasil está muito longe desse padrão; de modo que muitos Estados brasileiros possuem dimensões bem maiores que o tamanho médio de um país. Dizer que o Brasil é um país de proporções continentais já é um clichê. Em área, muitos de nossos Estados são maiores do que grandes potências europeias. Um professor universitário da Nova Zelândia, Roberto Rocco (que pelo nome desconfio que seja brasileiro), criou o mapa abaixo, que compara a área dos Estados brasileiros ao de vários países de todos os continentes:

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Talvez isso explique tantos sotaques e culturas diferentes em cada estado brasileiro. É que, conscientemente ou não, percebemos mais facilmente como nossa pátria ou nação apenas a região geográfica em que vivemos (em alguns casos apenas o nosso estado e/ou estados vizinhos). Muitas vezes sem nos darmos conta disso, pensamos no Brasil da mesma maneira que muitas populações do mundo pensam o seu continente; e acabamos sentindo um certo patriotismo apenas pela nossa região ou estado.

Tomemos como exemplo o meu caso. Sempre vivi na Paraíba e, até hoje, só viajei por terra (moto, carro, ônibus, trem) para o interior paraibano e para os Estados vizinhos de Pernambuco e Rio Grande do Norte. Fora desse território limitado, só fiz viagens aéreas, dada a inviabilidade de percorrer o Brasil por terra. Por esse motivo, considero como minha terra natal, meu lugar de origem, apenas aquele raio que posso facilmente percorrer por terra em apenas um dia. De certa forma, meu “país” (considerando-se a média global) é apenas aquela área para a qual posso ir de moto ou carro quando me der na telha e voltar no mesmo dia. Sendo mais preciso, posso dizer que essa área tem cerca de 406.322 km² e corresponde aos Estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe (em vermelho no mapa). Isso é quase o dobro do tamanho de um país europeu médio e mais de três vezes o tamanho da Inglaterra!

Nordeste

Não quero com isso sugerir uma segregação do Brasil. Meu discurso não é separatista. Pelo contrário, até penso que unir esses 6 estados em um só talvez seria uma boa ideia, visto que estamos falando de unidades federativas relativamente pequenas em área se comparadas com os outros estados, e geograficamente agrupadas, juntinhas. Se isso acontecesse no futuro, seríamos um estado mais forte e representativo, com tamanho parecido com o da Bahia ou Minas Gerais. Já comentei em outro post que a capital seria Recife. Mas não é bem isso que quero defender aqui. O objetivo deste post é apenas expor uma constatação curiosa: a de que, se os países do mundo tivessem todos mais ou menos o mesmo tamanho, a área em vermelho do mapa acima seria a minha nação.

Curiosidade 1: A União Europeia é formada por 28 países, quase como o Brasil, que tem 27 unidades federativas. No entanto, sua área total é de apenas 4.324.782 km², quase a metade do Brasil (8.515.767 km²). Fazendo com a UE os mesmos cálculos acima, temos que a área média de um país membro da UE é de 154.456 km²; enquanto que a área média de um estado brasileiro é mais que o dobro disso: 315.399 km².

Curiosidade 2: A área em vermelho destacada no mapa acima corresponde quase exatamente ao território conquistado pelos holandeses no século 17, que na época era conhecido como Nova Holanda (mapa abaixo), incluindo o litoral do Piauí e Maranhão.

Nova Holanda

Línguas europeias surgiram na Turquia há aproximadamente 9 mil anos, sugere estudo

A saga do mais importante grupo de línguas do mundo, com quase 3 bilhões de falantes nativos, começou há aproximadamente 9 mil anos, na atual Turquia, e está ligada às origens da agricultura. Em última instância, seria graças à descoberta de como cultivar trigo e cevada que os brasileiros falam português e os americanos falam inglês. A conclusão está em uma pesquisa publicada hoje na revista Science e que almeja colocar um ponto final no debate sobre a origem das chamadas línguas indo-europeias.

A afirmação pode soar estranha à primeira vista, mas há boas razões para achar que esse grupo imenso de idiomas, que coloca no mesmo balaio o grego, o alemão, o russo e as principais línguas do Irã e da Índia, descende de um ancestral comum. A prova disso é o vocabulário básico de todas elas – como as palavras usadas para designar parentes próximos, partes do corpo, numerais e os pronomes pessoais. Apesar das diferenças, elas conservam um núcleo comum de som e significado, e as mudanças que ocorrem de um grupo de línguas para outro não são aleatórias: seguem “leis” estabelecidas. Um exemplo é a transformação do “p” em “f” nas línguas germânicas, como o inglês. É por isso que “peixe” e “pé” viram “fish” e “foot“. O diabo era saber quando e como o ancestral dessas línguas todas começou sua carreira de sucesso.

A equipe de cientistas liderados por Quentin Atkinson, da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, resolveu responder à questão “emprestando” um método normalmente usado para estudar a evolução e propagação de vírus como o da gripe. Grosso modo, o método compara as “letras” químicas do DNA de vários tipos de vírus para saber qual está mais próximo do ancestral comum de todos eles e, a partir disso, monta uma árvore genealógica dos parasitas usando estratégias sofisticadas de estatística. A mesma coisa, raciocinaram Atkinson e companhia, pode valer para línguas – desde que, em vez de mutações no código genético, sejam avaliadas “mutações” no som das palavras.

Também foram incorporados elementos geográficos – com base na distribuição histórica e atual das línguas, o método calculava qual o trajeto de expansão mais provável para elas. O resultado, em vários tipos de simulação, apontou a Turquia, há 9 mil anos, como o lugar e o tempo de origem do tronco indo-europeu. O método foi testado só para as línguas latinas, grupo do português, e deu indícios de ser confiável: mostrava o centro da Itália (onde está Roma, berço do latim) como fonte da nossa família de idiomas.

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Origem da língua já foi ligada a domínio do cavalo

Uma hipótese que esteve em voga por décadas dizia que os primeiros indo-europeus estariam associados à domesticação do cavalo e ao aparecimento de túmulos conhecidos como kurgans há 6 mil anos, na atual Ucrânia. O cavalo, espécie de tanque de guerra pré-histórico, teria permitido ao povo dos kurgans dominar vastas áreas, legando a língua a seus descendentes e às tribos conquistadas. Nos últimos tempos, vinha ganhando força a hipótese da origem mais antiga, na Turquia. As línguas indo-europeias mais primitivas, como o hitita, eram faladas por lá. Também se sabe que povos que dominam a agricultura têm vantagem sobre os demais porque “produzem” mais gente. Estudos em esqueletos pré-históricos mostram que o DNA dos primeiros europeus agricultores (nos Bálcãs) têm grande contribuição do Oriente Médio. Mas ninguém consegue provar que língua um esqueleto de 9 mil anos falava, já que não havia escrita. Jared Diamond, autor do livro Armas, Germes e Aço, no qual defende que o avanço da agricultura ajudou a forjar as línguas dominantes, diz que a hipótese dos kurgans ainda é a mais aceita pelos linguistas. “Mas, se eu fosse reescrever meus livros hoje, daria mais espaço para a hipótese dos agricultores no caso do indo-europeu”.

Fonte: Folha.

As capitais continentais

Eu já argumentei aqui por que Recife é a capital do Nordeste, ainda que informalmente. Em mais uma de minhas divagações ociosas, estive me perguntando qual seria a capital de cada continente do mundo. Por “capital”, leia-se cidade mais importante, levando em consideração os pontos de vista político, econômico, cultural, histórico e geográfico.

Eis as minhas sugestões:

capitais continentais


CAPITAL DA AMÉRICA DO SUL: SÃO PAULO

Correndo por fora: Buenos Aires

Na América do Sul, não há cidade à altura de São Paulo (Brasil) e Buenos Aires (Argentina) que ousem se candidatar ao título de capital do continente. Rio de Janeiro (Brasil) e Santiago (Chile) não têm a menor chance nessa disputa. Entre as duas gigantes sul-americanas, São Paulo ganha da rival argentina em quase todos os quesitos. Enquanto Buenos Aires tem melhor IDH e a língua mais falada no continente (espanhol), São Paulo está geograficamente mais ao centro do continente, pertence ao maior e mais importante país, tem uma população muito maior, um PIB muito maior, e é o maior centro financeiro da América Latina (e de todo o hemisfério sul). Por esses e outros motivos, São Paulo é a capital informal da América do Sul.


CAPITAL DA AMÉRICA DO NORTE: NOVA YORK

Correndo por fora: Chicago e Los Angeles

Considerando o continente americano como um todo, nem São Paulo, nem Buenos Aires, nem a Cidade do México, nem as canadenses Toronto, Montreal e Vancouver se colocam em par de igualdade com as grandes metrópoles dos Estados Unidos: Nova York, Chicago e Los Angeles. Dentre essas, Chicago, apesar do porte e importância, logo cai fora da disputa. Los Angeles se sobressai por pertencer ao mais rico e próspero estado americano, a Califórnia. Também por abrigar Hollywood. Mas não chega a igualar-se a Nova York nem em população, nem em PIB, nem em importância cultural e histórica. Nova York é para o mundo um símbolo da América e merece com folga esse título de capital das Américas.


CAPITAL DA EUROPA: LONDRES

Correndo por fora: Paris, Roma e Atenas

O velho continente poderia muito bem ser representado por Roma (Itália) ou Atenas (Grécia). Essas cidades históricas são o berço da nossa cultura e civilização ocidental e foram consideradas os centros do mundo na Antiguidade, mas nos dias de hoje não têm força suficiente para competir com Londres (Reino Unido) e Paris (França) pelo posto de capital da Europa. Entre essas duas, Paris leva vantagem por estar localizada mais no centro do continente, enquanto Londres fica numa ilha ao norte (Grã-Bretanha), mas as vantagens da capital francesa param por aí. Londres foi a capital do maior império de todos os tempos, tem mais gente, um PIB ligeiramente maior e um argumento que desbanca de vez a rival francesa: é o berço a língua universal, o inglês.


CAPITAL DA ÁFRICA: JOANESBURGO

Correndo por fora: Cairo

A cidade do Cairo (Egito) tem a seu favor o fato de estar localizada no norte do continente africano, portanto bem mais próxima da Europa e da Ásia, o que em tese facilita o comércio e a troca cultural com esses outros continentes. Além disso, ela é a capital e cidade mais importante do Egito, uma das nações mais antigas do mundo, e bebe das águas do maior e mais importante rio do continente, o Nilo (sem falar nas maravilhosas pirâmides). Mesmo assim, Joanesburgo (África do Sul) hoje supera Cairo em quase tudo, assim como a África do Sul supera o Egito. Joanesburgo é hoje a maior e mais rica metrópole do continente, responsável por 10% do PIB africano. Isso dá a ela o título de capital da África.


CAPITAL DA ÁSIA: TÓQUIO

Correndo por fora: Xangai, Pequim, Hong Kong, Singapura e Seul

Xangai (China), Pequim (China), Hong Kong (China), Singapura (independente) e Seul (Coreia do Sul) são enormes, populosas como formigueiros, riquíssimas, mas nenhuma se compara a Tóquio (Japão). A capital japonesa é de longe a cidade mais rica do mundo, e alguns rankings a colocam também como a mais populosa. Isso sem falar na importância econômica e cultural do Japão no cenário mundial. Assim fica fácil declarar Tóquio como a capital não só da Ásia, mas de todo o mundo oriental.


CAPITAL DO ORIENTE MÉDIO: JERUSALÉM

Correndo por fora: Istambul e Dubai

Aqui a briga é boa. Dubai (Emirados Árabes), apesar de ser hoje uma das cidades mais ricas do mundo e uma das que mais recebem turistas, não é historicamente importante como Istambul (Turquia) e Jerusalém (Israel). Sua grandeza não é espontânea e natural: ela foi feita importante. Nasceu e cresceu recentemente pela vontade (e fortuna) dos xeiques árabes, com a força econômica do petróleo. Considerá-la a cidade mais importante do Oriente Médio seria cometer o mesmo erro de considerar Brasília a cidade mais importante do Brasil. Ora, Brasília foi construída para esse fim, não surgiu e se tornou importante espontaneamente, naturalmente, como São Paulo ou Rio de Janeiro. (Outra semelhança entre Dubai e Brasília é que ambas foram construídas no deserto). Istambul, por sua vez, tem grande vantagem por estar localizada simultaneamente em dois continentes, Ásia e Europa, e também por ser a cidade mais populosa da região. Mas se Dubai é muito rica e Istambul é muito populosa, nenhuma delas tem a importância simbólica, histórica, cultural, religiosa e espiritual de Jerusalém. Primeiramente, a cidade é considerada sagrada por ser o berço das três principais religiões do mundo: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Depois, nenhuma outra cidade foi e é tão disputada quanto esta. Ela também é uma das cidades mais antigas do mundo e uma das que mais recebe turistas do mundo todo. Merece assim o título de capital do Oriente Médio.


CAPITAL DA OCEANIA: SIDNEY

Correndo por fora: Melbourne e Auckland

Essa é fácil. Primeiro porque, por uma questão de bom senso, a capital da Oceania deve ser uma cidade australiana (foi mal, Nova Zelândia). Depois porque, dentre as principais cidades australianas, nenhuma tem a importância de Sidney. Tanto que, se você perguntar a qualquer brasileiro qual é a capital da Austrália, as chances de que ele responda Camberra são quase nenhuma: a grande maioria dirá equivocadamente que é Sidney, pois esta é a cidade mais populosa, mais rica e mais conhecida da Austrália.


CAPITAL DO OCIDENTE: NOVA YORK

Correndo por fora: Atenas, Roma e Londres

Agora que os continentes estão devidamente capitaneados (isso tá certo?), vamos pensar no mundo sob a ótica da divisão clássica entre Ocidente e Oriente. Como já dissemos no tópico sobre a Europa, Atenas (Grécia) e Roma (Itália) têm tudo para serem consideradas capitais do Ocidente, justamente porque foram o berço dessa civilização. Mesmo assim, já que estamos procurando uma capital para o Ocidente hoje, essas cidades históricas cedem lugar a Nova York ou Londres. E, claro, nessa disputa quem vence é Nova York. Primeiro pela importância dos Estados Unidos no cenário mundial, muito maior que a do Reino Unido. Depois por Nova York ser mais populosa e mais rica do que Londres. E finalmente, por Nova York ser um verdadeiro símbolo do Ocidente. Pode confirmar isso com qualquer terrorista muçulmano: o seu ódio ao Ocidente têm um alvo bastante específico: os Estados Unidos. E se você pedir que ele seja ainda mais específico, ele provavelmente revelará que o seu sonho é se explodir num importante cartão postal de Nova York no meio de uma multidão.


CAPITAL DO ORIENTE: TÓQUIO

Correndo por fora: Xangai e Mumbai

Já adiantamos, no tópico sobre a capital da Ásia, que Tóquio (Japão) seria a capital do Oriente. Levando em consideração o aspecto histórico, temos a China e a Índia como as grandes nações orientais da Antiguidade, o berço da civilização oriental (assim como Grécia e Roma antigas o são para o Ocidente). Além disso, China e Índia são, respectivamente, os países com as maiores populações do mundo. Mas hoje, nem Xangai (principal e maior metrópole chinesa) nem Mumbai (principal e maior metrópole indiana) têm condições de competir com Tóquio, a gigante japonesa.


CAPITAL DO MUNDO: VOCÊ DECIDE!

Por fim, qual seria a capital do mundo hoje? Essa última eu vou abrir mão de responder e jogar a bola (ou o globo) para vocês, caros leitores. Compartilhe nos comentários a sua opinião e justifique sua escolha.

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