O valor das coisas e das pessoas

Crônica de Alex Castro.

Nos países desenvolvidos as coisas são baratas e as pessoas são caras. No Brasil, é o oposto: as coisas são caríssimas, mas as pessoas (ou seja, os serviços que elas prestam) sempre estiveram a preço de banana. Agora, isso está mudando.

Para um americano de classe média, a vida do seu equivalente brasileiro parece vida de rico. Os EUA são a terra do faça-você-mesmo. As meninas se depilam e fazem as próprias unhas. Os amigos se juntam pra pintar as casas uns dos outros. Nas mudanças, o normal é alugar um caminhão e chamar a galera pra carregar caixa. Todos são acostumados desde criança a realizar serviços domésticos: empregada é luxo de milionário. Mas se você é da classe média no Brasil, o mais provável é que contrate profissionais para fazer esses serviços. Afinal, é tão barato, né? Com esse exército de miseráveis aí fora, com certeza dá pra achar alguém que fique de quatro e lave sua privada por uma mixaria.

Por outro lado, para um brasileiro de classe média, a vida do seu equivalente americano também parece vida de rico, mas por outros motivos. Afinal, o gringo pode até lavar suas próprias meias (cruzes!), mas possui uma quantidade de objetos e gadgets sem igual. A começar por seus carros: nos ônibus, só se veem velhos trêmulos, crianças em idade escolar e mendigos. Qualquer pessoa dita able-bodied (ou seja, com o “corpo apto”) tem um carro. Dá pra comprar e manter um carro novo até com salário de garçom.

Pra não falar dos aparelhos eletrônicos de última geração. Um Kindle sai por 114 dólares: para uma garçonete, é quanto ela ganha de gorjeta atendendo duas ou três mesas. Ou seja, qualquer um pode ter. Enquanto isso, nossa pobre classe média escorchada de impostos paga R$ 56 mil por um Honda City made in Brazil, carro que é vendido no México por menos da metade do preço, cerca de R$ 25 mil. O Kindle, ao alcance de qualquer garçonete americana, no Brasil sai por pouco mais de mil reais. Quantos trabalhadores brasileiros podem se dar ao luxo de comprar uma engenhoca que nunca viram, que não é gênero de primeira necessidade, por esse preço? Muito poucos.

Os americanos olham os brasileiros, servidos por um verdadeiro exército de mortos-de-fome que lhes depilam as pernas, pintam as paredes, lavam as cuecas e passam as camisas, e pensam: ricos são esses brasileiros, não eu que toda semana tenho que ficar de quatro e esfregar minha banheira! Os brasileiros olham os americanos, digitando no iMac e jogando no iPhone, conferindo um endereço no GPS e lendo no Kindle, e pensam: ricos são esses gringos, não eu que ainda uso um desktop de 2004!

No começo da década passada, eu tive duas empregadas domésticas. Uma delas fez curso técnico e hoje trabalha em um laboratório. A outra virou banqueteira, e o seu filho está estudando pra ser oficial da Marinha. As leis da economia são implacáveis. Quanto menor for o número de mulheres semi-analfabetas dispostas a lavar privada e depilar perna por uma mixaria, maiores vão ser os preços desses serviços. Se algumas delas se tornam técnicas de laboratório e banqueteiras, as consequências são duas:

Em primeiro lugar, os shoppings, aeroportos e faculdades particulares ficam lotados de gente que, até poucos anos atrás, simplesmente não tinha renda para frequentar esses lugares. Em segundo lugar, as poucas mulheres ainda dispostas a fazer os piores serviços percebem que seu poder de barganha aumentou. Então, o New York Times noticia que as babás vivem ascensão econômica e se juntam à classe média; e a Veja São Paulo informa que agora são as domésticas que ditam as regras do jogo.

Enquanto isso, outras categorias profissionais começam a sumir e já se fala até em saudades do embalador de supermercado. Quem ontem cortaria nossa grama por uma merreca, hoje estuda para ser oficial da Marinha. Quem ontem viria lá de Jardim Pobreza pra depilar nossas pernas, hoje mora no mesmo bairro, pega o mesmo metrô e ainda compra a última mussarela de búfala bem na nossa frente no supermercado!

Enquanto isso, é bom a gente ir se acostumando. Hoje, no Brasil, existem menos pessoas dispostas a lavar o chão o dia inteiro em troca de um prato de comida. Estamos a caminho de nos tornar uma sociedade mais justa, mais humana, mais digna. E, ao longo desse caminho, vamos ter que aprender a cortar nossa própria grama e fazer nossas próprias unhas. Quem sabe você até perceba que nem precisa tanto assim de grama cortada e unha feita. A solução é querer menos coisas e valorizar mais as pessoas.

Graduados – documentário completo

Dividido em três episódios, o documentário a seguir mostra o dia a dia de brasileiros que estudam nas melhores universidades do mundo, como as americanas Harvard, Princeton Yale. O documentário revela a rotina desses jovens que apostaram na aventura do conhecimento em um país estrangeiro, em busca da excelência acadêmica.


Conheça a rotina da Universidade Harvard

Assista abaixo uma série de três reportagens sobre como é o dia a dia numa das melhores universidades do mundo: a americana Harvard.


Universidades de ponta têm menos aulas
e mais tempo livre para estudo

A maioria dos estudantes brasileiros de graduação que foram estudar em universidades de ponta pelo programa Ciência sem Fronteiras do MEC conta que estranhou a quantidade reduzida de aulas das instituições estrangeiras. Um estudante de uma universidade como Harvard, considerada a melhor do mundo, tem em média 15 horas-aula por semana. Para comparar, quem faz engenharia na USP tem quase três vezes mais aulas. A filosofia de universidades como Harvard é que cada hora de aula demanda em média uma hora extra de estudos e leituras do aluno. Além disso, a universidade espera que o aluno se envolva em atividades de pesquisa, empresas-júnior, trabalho sociais e culturais e que pratique esportes. Com tudo isso, a formação fica completa e a grade fica cheia. Enquanto isso, o aluno da USP mal consegue ter tempo para estudar para as disciplinas obrigatórias porque as aulas tomam o dia inteiro. Essa questão é comumente abordada pelos gestores do Ciência sem Fronteiras. Na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que neste ano aconteceu em Recife, o presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães, discutiu o assunto e defendeu a redução da grade obrigatória de aulas. O problema, de acordo com Guimarães, é fazer com que as universidades brasileiras topem essa redução.

Fonte: Abecedário.

Quanta beleza temos deixado de apreciar?

Numa fria manhã de inverno, um homem sentou-se em uma estação de metrô em Washington e começou a tocar violino. Durante cerca de 45 minutos, ele tocou seis composições de Bach. Durante esse tempo, considerando que era horário de pico, calcula-se que mais de mil pessoas passaram pela estação, a maioria a caminho do trabalho. Passaram-se 3 minutos até que um homem de meia-idade percebeu que um músico estava tocando. Ele diminuiu o passo, parou por alguns segundos, e então apressou-se a seus compromissos. Um minuto depois, o violinista recebeu sua primeira gorjeta de um dólar: uma mulher arremessou o dinheiro na caixa e continuou a andar. Alguns minutos depois, um homem encostou-se na parede para ouvi-lo, mas olhou para o relógio e voltou a andar. Obviamente ele estava atrasado para o trabalho.

Quem prestou mais atenção foi um garotinho de 3 anos. Sua mãe o apressou, mas o garoto continuou parado olhando o violinista. Então a mãe o puxou com força pela mão e a criança continuou a andar, olhando para trás várias vezes. Isso se repetiu com muitas outras crianças. Todos os pais, sem exceção, os forçaram a seguir andando. Durante os 45 minutos que o músico tocou, apenas 6 pessoas pararam e observaram por um tempo. Aproximadamente 20 pessoas o deram dinheiro, mas continuaram a andar normalmente. Quando ele acabou de tocar, ninguém percebeu. Ninguém aplaudiu, tampouco houve algum reconhecimento. E ele só conseguiu arrecadar 32 dólares.

Ninguém no metrô sabia, mas o violinista era Joshua Bell, um dos maiores músicos do mundo. Ele acabara de tocar seis das peças mais belas e difíceis já compostas, em um violino que valia 3,5 milhões de dólares. Dois dias antes de tocar no metrô de Washington, Joshua bell esgotou os ingressos em um teatro de Boston, onde cada poltrona custava aproximadamente 100 dólares. A apresentação foi organizada pelo jornal Washington Post como parte de um experimento científico sobre percepção, gosto e prioridade das pessoas. O questionamento era: “Num ambiente comum, numa hora inapropriada, nós somos capazes de perceber a beleza? Nós paramos para apreciá-la? Nós reconhecemos talento em um contexto inesperado?”. A mais óbvia conclusão extraída desse experimento resume-se numa pergunta retórica: Se não temos tempo para ouvir um dos melhores músicos do mundo tocando algumas das melhores músicas já compostas, quantas outras coisas belas temos deixado de apreciar todos os dias?

Quanta água há na Terra? E como seria o formato da Terra sem a água dos oceanos?

A imagem ao lado foi criada para fins didáticos pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e fornece uma boa ideia de como há pouca água no planeta Terra, comparado aos materiais sólidos que formam seu volume. Repare que estamos falando de volume, não de superfície. Cerca de 70% da superfície terrestre está coberta por água, mas o volume de água em relação ao volume da Terra é irrisório. Na ilustração, a esfera esverdeada representa o nosso planeta; e a esfera azul em cima dos EUA representa com precisão o volume de toda a água que existe nele – oceanos, mares, lagos, rios, lençóis freáticos, geleiras, nuvens, umidade do ar e até mesmo a água dentro de você, do seu animal de estimação e dos tomates na sua geladeira. De acordo com os cálculos do USGS, se representada em tamanho real, a esfera de água teria um diâmetro de aproximadamente 1385 km, com um volume de quase 1,4 bilhão de km³ (um quilômetro cúbico equivale a cerca de um trilhão de litros).

Formato da Terra sem a água dos oceanos:

Cientistas da Universidade de Washington conseguem hackear computador usando DNA

Parece ficção científica, mas não é: cientistas da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, descobriram que é possível hackear um computador usando DNA.
O DNA é basicamente uma forma biológica de guardar informações, as quais podem ser lidas por um computador. Os pesquisadores então programaram um malware (um tipo de vírus) em uma sequência de DNA e observaram que ela foi capaz de contaminar um computador. “Queríamos entender quais novos riscos à segurança são possíveis com a interação entre informação biomolecular e sistemas de computadores”, escreveram os pesquisadores. É a primeira vez que algo do tipo é observado.

Segundo os pesquisadores Tadayoshi Kohno e Luis Ceze, eles usaram as quatro bases do DNA (adenina, citosina, guanina e timina) para criar um filamento de DNA sintético que continha um programa malicioso (um malware) em suas bases. Quando foi sequenciado e processado pelo programa vulnerável, o malware foi capaz de invadir e ganhar total controle do computador. Mais detalhes sobre o estudo serão apresentados em um simpósio de segurança da informação que será realizado em Vancouver, no Canadá.

A invasão da máquina só foi possível por causa de uma fragilidade no software do sequenciador de DNA. Apesar de parecer alarmante, os pesquisadores pedem calma com a descoberta e avaliam que a segurança no processo deve ser aumentada antes que surjam ameaças de fato. A equipe, inclusive, chegou a analisar alguns programas de sequenciamento e encontrou diversas falhas. Os pesquisadores ressaltam que o estudo não aponta a possibilidade de o genoma de uma pessoa ser hackeado: ele mostra apenas que a técnica pode ser usada para afetar computadores, não organismos vivos.

Antes dessa descoberta, pesquisadores já haviam mostrado que é possível transferir dados usando DNA. Em abril de 2016, a Microsoft e a mesma Universidade de Washington demonstraram uma técnica para guardar e recuperar imagens digitais usando DNA. A pesquisa buscava tornar o DNA um meio viável para guardar informações digitais, com o auxílio de suas propriedades únicas para armazenar uma quantidade vastíssima de informações em pequenas quantias de líquido. Outra novidade ocorreu em julho deste ano, quando cientistas de Harvard conseguiram armazenar um vídeo dentro de um DNA de uma célula viva, segundo o jornal britânico The Guardian.

Fontes: Washington University, MIT Technology Review e The Guardian.

BÔNUS: Nerdologia sobre a programação e a vida (de como o DNA é um algoritmo)

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