70 filmes para estudar História

Que tal estudar História Geral jogado no sofá, comendo uma pipoquinha? Sim, é possível! Confira abaixo uma lista de 70 filmes que o portal Guia do Estudante preparou para ajudar os vestibulandos a largar a rotina de livros e apostilas para se divertir um pouco. Estão divididos por período histórico.

Veja também: Historia da Europa: 1000 anos em 3 minutos

Pré-história
– A Guerra do Fogo
– 10.000 a.C.
– O Elo Perdido

Grécia Antiga e helenísmo
– 300
– Alexandre
– Tróia

Império Romano
– Asterix
– Gladiador
– Calígula
– Átila, o Huno
– Augustus
– Spartacus

Idade Média e feudalismo
– O Nome da Rosa
– O Incrível Exército de Brancaleone
– Cruzada
– Coração Valente
– Joana D’Arc
– O Sétimo Selo

Grandes Navegações
– 1492: A Conquista do Paraíso
– Cristóvão Colombo: A Aventura do Descobrimento

Absolutismo na Europa
– O Homem da Máscara de Ferro
– Cromwell

Reforma Protestante
– Lutero

Renascimento
– Dom Quixote
– Agonia e Êxtase
– Shakespeare Apaixonado
– Giordano Bruno

Revolução Francesa
– Danton
– Maria Antonieta
– A Queda da Bastilha

Revolução Industrial
– Tempos Modernos
– Germinal

Revolução Russa
– Rasputin
– O Encouraçado Potenkim
– Reds

2ª Guerra Mundial e nazismo
– O Grande Ditador
– A Vida É Bela
– Pearl Harbor
– A Queda
– A Última Bomba Atômica
– Cartas de Iwo Jima
– O Resgate do Soldado Ryan
– Arquitetura da Destruição
– Europa, Europa

Guerra Fria
– Dr. Fantástico
– Os 13 Dias que Abalaram o Mundo
– Boa Noite e Boa Sorte
– Intriga Internacional
– Topázio
– O Dia Seguinte

Guerra do Vietnã
– Platoon
– Apocalipse Now
– Corações e Mentes

Luta dos negros por direitos civis
– Mississipi em Chamas
– Malcolm X

América Latina (1950 a 1960)
– Diários de Motocicleta
– Chove Sobre Santiago
– O Segredo de Seus Olhos

África no século 20
– O Último Rei da Escócia
– Diamante de Sangue
– Hotel Ruanda
– O Jardineiro Fiel

Crise do socialismo e fim da União Soviética
– Adeus, Lênin

Conflito entre Israel e Palestina
– Lemon Tree
– Paradise Now
– Promessas de um Novo Mundo

Terrorismo e guerras dos anos 2000
– Guerra ao Terror
– Restrepo
– Caminho para Guantánamo
– Fahrenheit 9/11

Como escrever um artigo de filosofia

Artigo do professor Jeff McLaughlin (Ph.D., University College of the Cariboo). A tradução do original (How to Write a Philosophy Paper) foi feita pela minha professora na UFPB, Dra. Maria Clara Cescato. Este artigo é o segundo de uma série de três. Veja também como ler e como planejar um texto de filosofia.


O processo de escrita de um bom texto pode começar quando você avalia o trabalho de outros; isto é, você pode aprender a partir de exemplos. Infelizmente, por diversas razões, nem todos os “clássicos” são bons candidatos a ser seguidos como exemplo. O que se segue são apenas algumas sugestões sobre como escrever seu próprio texto de filosofia. É claro que as exigências ou recomendações de seu(sua) professor(a) ou orientador(a) terão preferência com relação a essas instruções.

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Título

Embora seja a primeira coisa vista pelo leitor, talvez seja melhor que a escolha do título seja feita por último. Isso porque um título deve dar uma boa indicação da natureza do trabalho – e você terá uma ideia melhor disso quando seu texto estiver terminado. Por que o leitor deve ler seu texto e não o de outra pessoa qualquer? Faça com que o título seja informativo, sem ser específico demais – é um título, não a declaração prolixa de uma tese. Sinta-se à vontade para personalizar seu título, mas cuidado com os exageros! Vamos supor que você está escrevendo um trabalho sobre Epistemologia. Um título possível seria: “A Verdade”. Problemático? Definitivamente sim. “Verdade” é genérico demais, além de ser um pouco pretensioso. Que tal “A Teoria da Correspondência da Verdade”? Bem melhor, mas continua demasiado abrangente e não dá ao leitor uma ideia do objetivo do texto. “A Teoria da Correspondência da Verdade: uma Defesa” – Esse é ainda melhor, pois dá ao leitor uma indicação a respeito do assunto que você está abordando e sugere qual será o seu ponto de vista. É claro que não é muito atraente, mas nós deixamos isso para você decidir.

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Introdução

Seus parágrafos introdutórios devem situar o contexto para o restante do texto. Neles você está inteirando seu leitor a respeito do conteúdo de seu trabalho. Isso dá subsídios para que ele perceba por que o assunto é importante, a definição do problema e qual será sua tese. Se tiver espaço, você pode querer fazer um pequeno resumo com os principais pontos a serem abordados – mas tome cuidado, você não vai querer gastar um terço de um pequeno ensaio apenas para explicar do que ele vai tratar. Assim como o título, talvez você queira escrever o primeiro parágrafo por último. Isso porque pode ser que você não esteja totalmente seguro com respeito ao rumo que o trabalho vai afinal tomar ou quais serão os argumentos que você vai empregar. Assim, evite tentar forçar seu texto a se adequar aos limites que você estabeleceu em um mero parágrafo introdutório, trace apenas um plano para começar a escrever e vá direto ao texto propriamente dito. É claro que o esboço prévio de um esquema pode ajudar. Uma vez escrita a primeira versão, você poderá voltar e reelaborar o primeiro parágrafo.

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Desenvolvimento

Ao mesmo tempo em que a primeira sentença de cada parágrafo deve conter uma nova ideia ou a expansão de uma ideia anterior, ela deve fluir naturalmente a partir da última sentença do parágrafo anterior. Tome cuidado para não pular de um ponto para outro, sem antes avisar o leitor – senão ele ficará perdido e não saberá para onde você está indo e o que você quer demonstrar. É claro que há muitas maneiras diferentes de se escrever um ensaio e às vezes é apenas da questão de saber o que funciona melhor para você, para o assunto e para o que seu professor deseja. Por exemplo, você pode querer descrever a questão e os pontos de vista a seu respeito, para depois abordar os possíveis contra-argumentos e suas respostas; ou você pode querer desenvolver todas essas questões ponto a ponto. Isto é, apresentar um argumento e uma objeção possível, para depois resolver a crítica e seguir adiante.

As sentenças centrais do parágrafo devem dar detalhes e ampliar a discussão que está sendo desenvolvida, enquanto a sentença final deve deixar o leitor com uma percepção clara de qual o ponto chave da questão, ao mesmo tempo em que deve situar o parágrafo seguinte. Além disso, os parágrafos não devem ser demasiado longos. Como regra geral, os argumentos mais fortes devem ser reservados para o final de seu trabalho. Comece com os mais fracos ou menos relevantes e então desenvolva seu argumento. Você não quer terminar seu trabalho num tom fraco, já que as últimas coisas que você disser serão as primeiras coisas de que o leitor vai se lembrar logo após a leitura. Não tenha medo de apresentar um ponto aparentemente fraco – desde que você consiga reconhecer que se trata de uma dificuldade e tenha condições de responder a ela com êxito.

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Conclusão

A conclusão deve reunir todas as partes de seu texto num argumento final. Essa é a última chance que você terá para cativar o leitor. A conclusão é usada para reafirmar sua tese e os principais argumentos referentes tanto aos tópicos específicos de seu texto quanto ao assunto em geral. Ela deve terminar o que você começou de forma a permitir que o leitor siga adiante, tendo compreendido algo do que você quis comunicar com o texto.

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Como citar suas fontes

Notas de rodapé ou notas de fim podem ser usadas para duas finalidades diferentes. Uma delas é fornecer informações sobre a fonte que você está citando, a outra é utilizar as notas para os comentários que não se encaixam no corpo do texto, apesar de relevantes e de merecer alguma atenção. Por exemplo, numa nota de rodapé você pode fornecer na íntegra uma passagem da qual você citou uma parte ou então introduzir uma observação geral sobre o autor ou a fonte utilizada. Muitos professores permitem a inclusão de citações de referência no corpo do texto. Por exemplo: “Dualistas e mesmo idealistas contestam as teses dos reducionistas, uma vez que essas duas escolas de pensamento defendem a tese de que ‘a mente não é uma coisa material’ (Wilson, 63)”. Em minha opinião, no entanto, as citações incluídas no corpo do texto podem interromper seu fluxo argumentativo. Se estou pensando no argumento do autor, a inserção de referências pode romper o fluxo visual do argumento e, em consequência, minha concentração. Além disso, se o autor que você está citando tiver mais de um artigo publicado no mesmo ano, isso pode ocasionar confusão, a menos que você inclua parte do título do artigo em sua citação. Isso, em minha opinião, somente afasta ainda mais a atenção do leitor com relação ao fluxo do texto. Posto isso, em geral procuro utilizar notas de rodapé para ambos: comentários e referências. Prefiro usar notas de rodapé para tudo – mas essa é uma mera preferência pessoal. Você deve verificar com seu(sua) orientador(a) qual formato ele(a) espera em seu trabalho.

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Algumas considerações finais

  • Os números de referência devem ser fornecidos em ordem sequencial: 1, 2, 3, 4, 5…
  • Os números devem ficar “sobrescritos” (números pequenos, posicionados acima da linha do texto). Todos os programas de edição de texto (Word, etc.) fazem isso, basta digitar o número pressionando a tecla “Alt Gr” (exemplo¹).
  • As citações longas devem ser separadas do corpo do texto, com recuo de parágrafo e em espaço simples. Aspas são desnecessárias nesse caso e as passagens devem ser seguidas de um número de citação.
  • Se você quiser omitir alguma parte do texto citado por achar irrelevante, use três pontos entre colchetes […] para indicar que parte do texto foi excluída.
  • Se precisar adicionar ou mudar uma palavra para deixar mais claro o sentido da frase ou enfatizar, use colchetes [ ].
  • Lembre-se de que e.g. (uma abreviação do latim exempli gratia) é usada para dar exemplos (em português, geralmente se usa p. ex.) e que i.e. (uma abreviação do latim id est) é usada para explicar ou esclarecer o significado de um termo em outras palavras (em português, geralmente se usa i.é., com o sentido de “isto é”).
  • Nunca use “acho” quando você de fato quer dizer “penso” ou “acredito”. O termo “acho” sugere que você tem apenas uma intuição ou hesita quando pensa sobre o que é a verdade. Você não conseguirá persuadir ninguém a aceitar suas concepções com base em algo que você sente. Tente evitar por completo o uso de “acho”, uma vez que o uso da primeira pessoa num trabalho escrito muitas vezes é redundante. Se você escreve: “acho que a prática do aborto é errada”, isso não dá ao leitor nenhuma informação além da afirmação de que “a prática do aborto é errada”. O leitor já sabe que você acha que a prática do aborto é errada, porque você é o autor do texto! Não há necessidade alguma de lembrá-lo desse fato. Além disso, omitir o “acho” valoriza sua afirmação. Você está tentando persuadir alguém de que o aborto é errado e não apenas de que você acredita que é errado. Fazer essa última afirmação deixa seu texto vulnerável à crítica óbvia de que “o que você escreve pode levar você a acreditar que o aborto é errado, mas isso certamente não me convence”.
  • Assegure-se de que o tamanho de seu trabalho esteja o mais próximo possível do estabelecido. Parte do exercício está em perceber se você consegue desenvolver seus argumentos com propriedade dentro dos limites estabelecidos. Se o trabalho ficar muito pequeno, muito provavelmente o assunto não terá sido abordado de forma apropriada. Se ficar muito longo, ele não estará tão conciso quanto deveria estar. Esses dois extremos estão sujeitos a penalidades.
  • Use o bom senso quando for imprimir e encadernar seu trabalho. Se ainda não tem grampeador, compre um amanhã! Não use papéis pautados ou decorados com flores que você encontrou na gaveta só porque “foram os únicos que sobraram”. Não use tinta de cores estranhas ou ainda margens ou tipos de fonte impróprios. O fato de não levar a sério a aparência de seu trabalho indica o quanto você se importa ou não com o que está fazendo.

Como planejar um artigo de filosofia

Artigo do professor Jeff McLaughlin (Ph.D., University College of the Cariboo). A tradução do original (How to Plan a Philosophy Paper) foi feita pela minha professora na UFPB, Dra. Maria Clara Cescato. Este artigo é o segundo de uma série de três. Veja também como ler como escrever um texto de filosofia.


Suas aulas de filosofia mal começaram e seu professor, cujo nome você sequer conhece, já está falando sobre o primeiro texto que deve ser entregue em semanas, senão meses depois. Você talvez se veja tentado(a) a esperar até o último minuto para começar de fato a escrever, mas a essa altura, você terá mais outras cinco tarefas de outros cursos a ser também entregues. Não é uma atitude sábia, mas é compreensível. Faz parte da natureza humana evitar fazer coisas de que não gostamos, seja a tarefa do curso, seja ir ao dentista. No entanto, qual a consequência de se esperar até o último minuto? Você vai perder muito sono, faltar a algumas aulas matinais, ficar de mau humor, estressado(a), e apresentar um trabalho cheio de falhas que não representa de modo adequado sua capacidade nem o que você pensa (e você provavelmente vai receber uma nota baixa).

Os guias de escrita se destinam a ajudar você a expressar seus pontos de vista e argumentos com clareza e com força filosófica. Erros gramaticais e pensamento acrítico aliados a fracas habilidades de pesquisa e exposição vão interferir em suas tentativas de convencer o leitor de suas afirmações. Seu leitor quer se esclarecer com seu texto – e não ser confundido; sobretudo, ele não vai querer ter de lidar com seu texto como uma espécie de quebra-cabeça, sem clara direção ou objetivo. Os leitores não devem ter de trabalhar pesado para decifrar sua intenção. Na verdade, você não precisa realmente gastar mais tempo escrevendo seu texto, você precisa gastar mais tempo planejando-o. Nesta segunda parte de nossa série, você aprenderá como planejar sistematicamente seu texto de filosofia. Antes de começar, vamos nos certificar de que estamos falando da mesma coisa. Com muita frequência, um texto de filosofia é um texto que toma posição, ou um texto argumentativo. Não é um “texto de pesquisa”. Um texto de pesquisa pura envolve, entre outras coisas, o estabelecimento ou a descoberta de fatos. Um texto argumentativo é, ao contrário, um texto em que você toma posição ou explica uma posição ou ponto da vista. Você está tentando convencer seu leitor da tese que você propõe. Para saber se você tem meios de convencer seu leitor de seus próprios pontos de vista, seu professor irá verificar se você compreende adequadamente o material e suas implicações, se você consegue analisar e avaliar criticamente as questões relevantes e pode defender com plausibilidade sua tese.

Um texto de posicionamento não deve ser considerado como uma oportunidade para meramente afirmar suas próprias opiniões (opiniões não têm interesse filosófico, uma vez que são apenas afirmações sem o apoio de justificativas). Embora estejamos comparando esse processo com um “texto de pesquisa” padrão, não estamos afirmando que você não deve fazer nenhuma pesquisa para seu projeto. A pesquisa é um elemento chave para descobrir mais sobre seu tópico bem como posições e argumentos diferentes que outras pessoas apresentaram sobre ele. Você precisará fazer pesquisa para poder entender o tópico, assim como as questões e implicações a ele vinculadas; depois você precisará fazer pesquisa para descobrir o que outros pensam e depois você precisará fazer pesquisa para justificar sua própria posição. Fazer tudo isso exige tempo. Algo que irá desesperadamente faltar, se você adiar o texto até o último minuto.

Se existe um tema no presente texto é enfatizar a necessidade de ter tempo suficiente para dedicar a seu projeto. Vamos repetir novamente: dê a sua tarefa, a seu tópico e a seu leitor o tempo que eles merecem. Você precisa de tempo para refletir, realizar a pesquisa, refletir um pouco mais e colocar suas idéias no papel. Você precisa de tempo para se distanciar dessas idéias e tempo para retornar a elas. Você precisa de tempo para procurar materiais em bibliotecas e na internet e para, então, munido com esse material adicional, alterar, reelaborar e revisar seu trabalho. Você precisará de mais tempo para executar tarefas mecânicas como revisão e correção de provas e verificar se tem tinta na impressora. E uma vez que o tempo é importante, passemos aos tópicos principais.

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Entenda a natureza da tarefa

Seu tópico pode ser sugerido por seu professor ou você pode receber a incumbência de escolher um tópico dentro de certos parâmetros. Independentemente de qual abordagem seu professor adote, você deve entender o tópico e os requisitos da tarefa, pois embora você possa escrever um texto com competência, ele pode estar completamente fora do tema! Assegure-se de que entendeu corretamente as instruções. Trata-se de analisar uma determinada obra ou conceito? O que está sendo pedido é um resumo, sem emitir sua avaliação? A tarefa é comparar e contrastar as posições de filósofos ou filosofias diferentes? Quantas laudas são necessárias? Trata-se de um texto curto ou de um mais longo? Seja qual for o tamanho, preste atenção para permanecer dentro dos limites estabelecidos. Um texto demasiado curto indica que você não dedicou tempo suficiente para desenvolver e explorar idéias complexas. Um texto excessivamente longo pode ser repetitivo ou ser demasiado tortuoso e simplesmente não cumprir o objetivo da tarefa (por exemplo., capacitar o estudante a apresentar o material de modo conciso).

Se você tiver pouca clareza sobre o tópico escolhido ou se tiver pouca familiaridade com o contexto em que ele se situa, ou se tiver dúvidas quanto à terminologia filosófica, pesquise num dicionário de filosofia ou enciclopédia na seção de referências de sua biblioteca. Essa leitura também irá ajudar a situar o tópico no contexto mais amplo e pode fornecer informações que ajudarão na hora de efetivamente iniciar o processo de escrita formal. Não recorra simplesmente a um dicionário padrão, uma vez que as definições que você obterá estarão irremediavelmente incorretas ou incompletas. Se o tópico for baseado em materiais de aula, então releia os artigos à luz das novas informações de que você dispõe. Isto é, procure nos artigos os elementos vinculados ao tópico que você tem em mãos, pois, agora que você sabe o que está procurando, compreender o material deve ficar mais fácil. Você pode querer reler a primeira parte desta série, Como ler um texto de filosofia, para ajudar nesse ponto de seu preparo. Se tiver que escolher seu próprio tópico, somente o faça após considerar as 4 diretrizes abaixo.

Escolha algo que seja relevante

Parece óbvio, mas os estudantes às vezes perdem o rumo com facilidade e terminam por escolher um tópico que está longe do que o professor espera. Isso talvez se deva a uma falta de compreensão da natureza da tarefa ou devido à escolha de um tema demasiado genérico ou vago. É aconselhável pelo menos discutir o tema escolhido com seu(sua) professor(a), para verificar se você está na pista correta. Ele(a) poderá então fornecer orientação adicional sobre o que fazer.

Escolha algo em que você tenha interesse

Dizem que o tempo voa quando você se está divertindo… Embora alguns tópicos possam parecer mais fáceis que outros, não deixe suas impressões iniciais ser o fator principal. Se você não tiver interesse pelo tema, então o processo efetivo de escrita se tornará mais difícil, uma vez que você não tem muita coisa investida no projeto.

Escolha um tema que seja “executável”.

Temas como “A filosofia de Aristóteles”, “O que é a Verdade?”, ou “Ciência contra Religião”, são demasiado amplos. Ao refletir sobre seu tópico, é preferível que “o poço seja pequeno e profundo, em vez de amplo e raso”. Essa é uma metáfora obscura, mas basicamente significa: não abocanhe mais do que você pode mastigar. Você não vai querer abordar 50 pontos diferentes e desarticulados, sem dizer nada de substancial sobre qualquer deles (ou você corre o risco de escrever um texto longo demais). Ao contrário, você vai querer escolher um tópico que seja possível abordar e que permita explorar com profundidade uma questão específica.

Escolha algo sobre o qual você pode encontrar materiais.

Ao encontrar um tema de seu interesse, você precisa verificar que recursos estão disponíveis. Você poderá se ver em dificuldades com os argumentos e ideias se não encontrar mais de 2 ou 3 textos que apenas mencionam seu tema de passagem.

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Faça observações preliminares sobre o tema

Uma vez escolhido o tópico com cuidado e tendo alguma compreensão dele, tente colocar no papel alguns de seus próprios pensamentos. Faça observações que podem servir como áreas em potencial para talvez ser exploradas mais tarde. O mero fato de ter selecionado um tópico não significa necessariamente que você tem claro o que você pensa sobre ele e, menos ainda, o que você quer dizer sobre ele. Tente responder às seguintes perguntas: O que você pensa com relação ao tópico? O que você pretende dizer? O que incomoda você nesse tópico? O que você gosta nele? O que você acha interessante ou confuso? Você acha que ele conduz a determinadas consequências? Você consegue imaginar algum exemplo que põe em destaque algum dos aspectos discutidos ou que põe em destaque as afirmações apresentadas pelos que defendem essa posição específica? Agora é hora de deixar fluir os eflúvios criativos. Você acredita ser favorável a uma posição mais que a outra? Você se inclina para uma direção, mas não tem absoluta certeza? Apenas coloque seus pensamentos no papel. A essa altura, não tem de ser uma apresentação formal e de forma alguma esses comentários iniciais têm de ser bem desenvolvidos ou mesmo coerentes entre si. O desafio é apenas começar. O processo mecânico de escrita – mesmo ser ter certeza do que pretende dizer – vai ajudar.

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Pesquise fontes em potencial

Depois de escolher seu tema e registrar alguns de seus pensamentos sobre ele, você precisa descobrir o que existe lá fora. Embora você possa achar que a internet é o melhor lugar para procurar e descobrir que tipos de recursos estão disponíveis, ela não é o melhor lugar para se começar. Examine primeiro seus próprios materiais de aula. Eles podem conter uma bibliografia ou uma lista de “leituras recomendadas”. O autor ou editor apresentam uma introdução ao texto ou a cada capítulo? Nela pode haver referências explícitas a outras obras ou pelo menos algumas questões propostas para discussão que podem fornecer alguns termos chave que você poderá usar em sua busca. O livro ou artigo talvez mencionem outras fontes como periódicos ou outros textos que você pode buscar na biblioteca de sua universidade. Procure nas notas de rodapé que acompanham os diferentes recursos. Também elas irão indicar outras fontes. Lembre-se, cada fonte, seja uma enciclopédia, seja um periódico, um livro, uma antologia, um índice, um glossário de termos ou uma nota de rodapé, tem o potencial de conduzir a outras fontes.

Curiosamente, esse processo de usar uma referência para conectar a outra é exatamente o mesmo procedimento que usamos nas hiperconexões na web. Assim, sente-se em meio à coleção de sua biblioteca e comece a folhear as várias revistas e textos que encontrar nas prateleiras. Você terá uma agradável surpresa com o que vai descobrir apenas passando uma hora procurando. Se não tiver sorte em encontrar algo sobre seu tema, você pode pedir orientação ao bibliotecário ou seu professor. Talvez seja necessário escolher outro tópico, para o qual haja disponível material mais abundante. É preciso assinalar que, se você ainda não fez uma visita oficial a sua biblioteca, é preciso fazer. Descubra onde estão as coisas. Descubra como procurar os materiais. Descubra onde se encontram as obras de referência, os periódicos, as máquinas de xérox… Faça perguntas. Peça ajuda. Explore o local, antes de desperdiçar mais tempo, caso contrário, você vai fazer isso toda vez que tiver de retornar à biblioteca para pesquisar para um texto. Com relação à internet, é importante ser capaz de buscar com eficácia e de forma crítica, de modo a poder distinguir entre um site duvidoso e o que é uma mina de ouro em potencial.

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Reúna suas fontes iniciais

Agora é o momento de reunir suas leituras. Você pode descobrir que algumas das fontes não são adequadas ou exatamente o que você precisa, mas por ora, reúna uma pequena coleção e comece a examinar sua utilidade. Muitas vezes não vai levar muito para avaliar se um determinado artigo é relevante ou inútil para o que você quer. Leia o índice por assunto, dê uma olhada na introdução do autor, examine o índice em busca dos termos chave que são mencionados com frequência. Utilize esses termos chave para procurar outras fontes. Ao procurar um livro numa prateleira, dê uma olhada em todos os outros da mesma prateleira. Ao encontrar um artigo útil num periódico, procure nas edições anteriores e posteriores (talvez alguém tenha escrito uma crítica ao artigo).

Se houver informação publicitária na sobrecapa do livro, leia. Pois o nome do resenhista na sobrecapa do livro pode ser o de alguém que você queira investigar. Após percorrer um setor da biblioteca e encontrar suas fontes em potencial, vá a uma máquina de xérox e faça suas cópias para uso pessoal (sempre verificando as regras de direitos autorais). Embora você possa, em princípio, confiar no fato de que os livros ou periódicos da biblioteca são obras de “qualidade”, uma vez que foram selecionados por alguém para ser incluídos na coleção da universidade, lembre-se de avaliar criticamente toda e qualquer obra que você está pensando em utilizar como base para suas próprias posições. Isso é ainda mais necessário se você está recorrendo à web, onde qualquer pessoa pode publicar online o que quer que seja. Felizmente, muitos dedicaram seu tempo a montar sites fornecendo listas com vários recursos que você pode utilizar.

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Entenda e reflita sobre os artigos que encontrou

Leia os artigos que você selecionou. Você deve compreender o material antes de poder avaliá-lo. Faça notas em suas cópias (xérox), use um marca-texto ou uma caneta para resumir idéias ou citações que você deseja utilizar (mas não plagie!). Se não tem segurança sobre como ler os artigos com eficiência, por garantia, verifique na primeira parte desta série, para obter ajuda. Dedique tempo para refletir sobre as informações.

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Escreva um esboço

Retorne agora às ideias que você anotou anteriormente. Há algum fio condutor em comum? Você pode reunir algumas delas de modo a formar uma direção rumo à qual você pode querer ir? Os artigos que você encontrou oferecem novas idéias e pistas? Eles respondem algumas questões ou levam a novas perguntas? Como os artigos que você leu estão ajudando? Pense nesse processo como um trabalho de equipe. Muitos outros percorreram o caminho em que você está e podem oferecer sugestões sobre em que rua virar e com que tomar cuidado. Tente elaborar a partir das bases que eles construíram. Agora é o momento de criar um esboço de seus argumentos ou, no mínimo, um esboço de suas idéias e elaborar um diagrama informal ligando um ponto a outro.

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Fique longe!

Você precisa de algum tempo para ser capaz de bloquear sua mente voltada para a meta e reexaminar seu texto. Isso porque, quando se escreve por longos períodos de tempo, pode-se perder a objetividade. Por exemplo, você já leu alguma vez um de seus próprios textos repetidas vezes e pediu a um amigo para dar uma olhada para encontrar erros de digitação que você nunca percebeu? Isso acontece porque você se habituou de tal forma ao que você escreveu e tem tanta intimidade com as ideias que você passa batido por todos os erros. É por isso também que, quando você lê o texto, ele pode estar claro como dia para você, mas não fazer nenhum sentido para uma outra pessoa. A razão disso é que você sabe o que quis dizer e você sabe o que pensa e para onde está indo, mas essas coisas podem não estar apropriadamente refletidas no que de fato aparece em seu texto. Depois de um tempo afastado, você deve retornar ao seu texto não como o autor dele, mas como um leitor desinteressado.

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Retorne e revise furiosamente!

Ao dar um tempo para esvaziar sua cabeça (pelo menos uma boa noite de sono!) você pode retornar a seu texto com um ponto de vista mais objetivo. Você vai perceber o que pode ter escapado a você, ou o que precisa ser reescrito, ou suprimido, ou um pouco mais fundamentado. Muitas vezes a leitura do texto em voz alta para você mesmo ou para um amigo pode revelar lapsos de lógica, incongruências, digressões e problemas básicos de apresentação. Aqui vão algumas coisas que você deve verificar:

Você apresenta uma tese clara e informa ao leitor para onde pretende levá-lo? Você leva seu leitor para onde disse que estava levando e da forma mais eficiente? Você oferece argumentos? Você apresenta uma defesa persuasiva de sua tese – fornecendo não apenas suas próprias justificativas, mas também as justificativas de outros? Alguma das afirmações que você utiliza como justificação também requer, por sua vez, justificação? Você oferece e considera pontos de vista de outros? O que outros disseram tanto a favor quanto contra os pontos de vista que você está apresentando? Por que o leitor deve aceitar seus argumentos em vez de outros que estão disponíveis (e que você pode até mesmo discutir)? Você examina as consequências deles para sua própria posição? Você pode fornecer argumentos convincentes colocando em questão outras posições que são incompatíveis com a sua? Você pode perceber as implicações de sua posição? Você aceita essas implicações? Você percebe alguma fragilidade em sua teoria? Você reconhece explicitamente alguma crítica em potencial e tenta se confrontar com ela? Essas críticas são sérias o suficiente para exigir uma revisão geral de seu argumento ou você pode lidar com essa fragilidade alterando sua posição dentro de limites razoáveis? Existem pontos que estão ambíguos ou vagos? Há inconsistências?

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Revise seu texto manualmente antes de entregar

Finalmente, você está quase no fim. Após revisar o conteúdo de seu texto, faça uma verificação mecânica. Aplique um corretor ortográfico. Se não o fez ainda, faça uma cópia impressa de seu texto. Revise manualmente o texto. Muitas vezes, os estudantes apenas passam o corretor ortográfico, mas ele não detectará erros como distinguir entre “filósofo” e “filosofo”, do verbo “filosofar”. Ao ler seu texto no papel e não na tela do computador, você vai poder perceber erros óbvios, saltos na lógica, parágrafos desconexos e transições mal feitas que você talvez ignore se examinar o texto apenas na tela. Agora repita os dois últimos passos até que você esteja satisfeito(a) e/ou até que seja hora de entregar seu texto.

Como ler um artigo de filosofia

Artigo do professor Jeff McLaughlin (Ph.D., University College of the Cariboo). A tradução do original (How to Read a Philosophy Paper) foi feita pela minha professora na UFPB, Dra. Maria Clara Cescato. Este artigo é o primeiro de uma série de três. Veja também como planejar e como escrever um texto de filosofia.


Como aluno, talvez novo, de filosofia, o que vai preocupar você de forma mais imediata é como lidar com os textos sem se ver completamente desencorajado e arrasado. Muitas vezes é difícil para os que começam a se familiarizar com a filosofia simplesmente compreender alguns dos artigos que devem ser lidos. As dificuldades que talvez você encontre muitas vezes são simplesmente devidas a sua pouca familiaridade com os estilos de escrita dos filósofos acadêmicos. Nesta rápida discussão, vou apresentar algumas sugestões de como trabalhar um artigo ou capítulo de filosofia. Antes, duas pequenas recomendações. Primeiro: não leia descansando num sofá ou cama… você provavelmente vai querer cair no sono. Segundo: você terá de ler cada texto mais de uma vez. Eis aqui algumas dicas de como melhorar sua compreensão de textos de filosofia.

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Compreensão

Em primeiro lugar, dê uma lida rápida no artigo, a fim de obter uma ideia geral do que o autor está tentando dizer. Preste atenção no título e subtítulos, pois eles muitas vezes informam sobre a área da investigação. Preste atenção nos parágrafos de abertura, uma vez que os autores muitas vezes apresentam sumários ou sinopses de seus artigos. Ao compreender em que direção se encaminha a conclusão, você vai querer anotá-la: ela é justamente aquilo que o autor está tentando convencer você a aceitar. Sublinhe ou ilumine-a (desde que a cópia utilizada seja sua e não a da biblioteca). Experimente anotar a conclusão num pedaço de papel, empregando suas próprias palavras. Agora, retorne ao início do texto e, com a conclusão em mente, tente perceber como o autor procura encaminhar a argumentação rumo a ela. Em outras palavras, pense no desafio como algo próximo à releitura de um romance policial: foi divertido tentar descobrir quem era o assassino, você percebeu pistas aqui e ali e talvez tenha conseguido dar solução a algumas delas, mas outras escaparam a você. Agora que sabe quem é o culpado, pode ser divertido examinar como todas as pistas que lhe escaparam se encaixam na trama.

Em cada parágrafo, a primeira e a última sentença muitas vezes podem oferecer a você os elementos chave envolvidos no processo de pensamento do autor; você pode, por exemplo, encontrar uma conclusão ou premissa de um argumento ou sub-argumento. Vou explicar alguns desses termos. Um argumento é constituído por pelo menos uma premissa e pelo menos uma conclusão. Esse argumento, por sua vez, pode ser empregado para defender uma outra conclusão. A conclusão é a tese que o autor está tentando convencer você a aceitar. A premissa ou as premissas são a razão que ele oferece para tentar levar você a aceitar sua conclusão. O importante é que o autor de fato oferece ao leitor uma razão para a conclusão, caso contrário ele estaria apenas expressando uma opinião. Se eu dissesse: “O serviço de saúde universal é uma boa coisa”, tudo que você poderia fazer seria apenas sorrir ou dizer algo como: “Isso é ótimo”. O que ofereci a você foi nada mais que uma simples declaração daquilo em que acredito. Apresentei a você apenas uma declaração sem justificação. Assim, você pode concordar ou discordar de mim, mas como não forneci nenhuma justificação para minhas opiniões, você não sabe o que fazer com elas. É preciso que eu apresente uma defesa de minha posição para que você possa determinar racionalmente se a aceita ou rejeita.

Mesmo que você concorde com minha opinião, você não vai querer se antecipar e concordar comigo, uma vez que pode ser que você não concorde com meu raciocínio e isso é tão importante quanto concordar com meu ponto de vista. Eis aqui um exemplo. Eu digo: “Em minha opinião, a pena de morte é um erro”. Você diz: “Concordo!”. Então eu digo: “Acho que é um erro porque os que matam alguém deveriam, em vez disso, ser torturados lentamente!”. Agora, como você não esperou para ouvir minhas razões, você concordou, ou pelo menos deu a impressão de concordar, com minha convicção bastante repugnante – mas mais provavelmente você gostaria é de discordar dela. As pessoas podem concordar sobre as mesmas questões, mas por razões diferentes e algumas dessas razões podem ser boas, outras más. Um outro exemplo simples: você e eu concordamos em que a soma de 2 + 2 não é 5. Você (com razão) acredita que 2 + 2 não é igual a 5 porque de fato é igual a 4, mas eu (equivocadamente) acredito que 2 + 2 não é igual a 5 porque é igual a 17. Portanto, você deve considerar tanto as premissas quanto a conclusão antes de chegar a sua decisão final.

Palavras que indicam as premissas e as conclusões muitas vezes (mas nem sempre) irão ajudar você a distinguir as diferentes partes dos argumentos, assim como a distinguir os argumentos dos não-argumentos. Entre as palavras que indicam ou sinalizam que há uma razão (ou premissa, ou prova, ou justificação etc.) sendo apresentada em apoio a um ponto de vista (ou conclusão) estão: porque, uma vez que, devido a, segue-se que, etc. Entre os indicadores da conclusão estão: portanto, dessa forma, assim, consequentemente, etc. Se não há palavras indicadoras, tente inserir uma palavra indicadora de sua escolha para verificar se faz sentido. Fazer anotações à margem é útil. Por exemplo, você pode acrescentar uma ou duas palavras ao lado de cada parágrafo, destacando o conteúdo do parágrafo. Não sublinhe indiscriminadamente todas as palavras, uma vez que nem tudo que o autor diz é importante e/ou relevante para a tese principal. Ele pode estar apresentando a você informações fatuais básicas, comentários introdutórios, digressões pessoais etc. Verifique se ele oferece distinções entre suas próprias concepções e as de outros autores. Em seguida, tente formular os principais argumentos (as premissas e as conclusões) do texto em suas próprias palavras. O desafio, posteriormente, será verificar se o que você acredita que o autor está defendendo é, de fato, o que ele está efetivamente defendendo.

Observe o que aconteceu. (1) Você leu rapidamente o artigo, a fim de obter uma ideia geral de seu assunto. (2) Você formulou a conclusão (ou o que você acredita ser a conclusão) em suas próprias palavras. (3) Você retornou ao início e releu cuidadosamente o artigo, a fim de extrair os vários argumentos que o autor levanta ou rejeita em seu texto (lembre-se de que nem tudo que o autor diz vai ser uma tese por ele defendida; muitas vezes ele estará ao mesmo tempo argumentando contra outras pessoas, tentando mostrar por que a concepção do adversário é insatisfatória e, em seguida, por que suas próprias concepções estão corretas). (4) Você selecionou esses pontos (muitos dos quais você anotou à margem do texto) e os relacionou num pedaço de papel. (5) Agora você dedica um momento ao exame do caminho percorrido. Você consegue acompanhar o fluxo do texto? Talvez você possa traçar setas e diagramas conectando os vários pontos. Você compreende o que o autor disse e por que ele o disse? Caso não, adivinhe o que você precisa fazer. Sim, você precisa ler o texto novamente e, se isso não resolver suas dúvidas, faça perguntas bem elaboradas a seu(sua) orientador(a) ou colegas. Por exemplo, tente formular a pergunta da seguinte forma: “Na página 34, o autor afirma x, mas não entendo como isso se encaixa na conclusão z. O autor está dizendo que x leva a y e y leva a z?”. Somente após compreender o artigo você poderá retornar e avaliá-lo.

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Avaliação

Assim, em benefício do argumento, vamos supor que você compreendeu bem o que o autor está tentando em última análise convencer você a aceitar. Agora a questão é: o autor teve êxito nessa tarefa? Ninguém está dizendo que você deve aceitar ou rejeitar cada um dos argumentos apresentados. Alguns argumentos podem ainda se manter, mesmo você tendo colocado em questão algumas de suas premissas. Talvez você tenha gostado do argumento em geral, mas tenha encontrado algumas áreas pouco convincentes. Talvez você ache que o argumento é precário e está seriamente comprometido desde o início. Seja qual for sua avaliação, você em última análise deverá convencer outras pessoas disso. Para fazer isso, você precisará saber como escrever um texto de filosofia. No entanto, não vamos nos adiantar precipitadamente. Eis aqui uma abordagem que você pode utilizar para avaliar a posição do autor. Em primeiro lugar, você precisará isolar as razões que ele apresenta em defesa de suas conclusões (isto é, as premissas dos argumentos) assim como precisará avaliar se elas são racionalmente aceitáveis ou não. Isso significa, entre outras coisas, que você terá de determinar se a justificativa ou premissa é defendida por meio de um sub-argumento dedutivamente coerente ou indutivamente consistente. Por exemplo, a premissa é defendida com êxito pelo autor em um sub-argumento em alguma outra parte do texto, ou mesmo num outro artigo, ou por alguma outra pessoa? Trata-se de uma questão de conhecimento geral, ou ela é sustentada pelo recurso apropriado a uma autoridade?

Se por alguma razão você não sabe se a premissa é aceitável e não tem indicações que sugiram que ela é inaceitável, então você pode aceitá-la provisoriamente e passar ao exame dos outros argumentos utilizados pelo autor (essa é a razão por que ouvimos as pessoas dizer: “somente para argumentar, vamos supor que tal coisa é verdadeira”). No entanto, se não compreende o argumento, por favor, não empregue a aceitação provisória como uma forma de justificar sua preguiça. Às vezes a leitura de um texto específico sobre um tema filosófico exige que você faça um pouco de leitura de base. O autor continuamente se refere ao argumento de uma outra pessoa – você precisa ler o artigo original? Qual o contexto do artigo?  Você precisa se familiarizar com detalhes das questões a ele vinculadas? Assim como é inapropriado entrar na conversa de outras pessoas e começar a discutir com elas, é também intelectualmente inapropriado iniciar uma discussão contra um autor antes de ter todos os dados da questão. Faça um pouco de pesquisa. A pesquisa não precisa se limitar à tarefa de localizar outros livros volumosos. Você pode tentar uma enciclopédia filosófica, para uma boa visão geral. Você pode tentar um dicionário de filosofia, para ajuda com a terminologia. Você pode conversar com colegas, pode pedir ajuda diretamente a seu orientador e assim por diante. A pesquisa, nesse sentido, consiste simplesmente em descobrir o que você precisa saber para poder tomar decisões bem justificadas quanto ao texto que está avaliando.

O estágio seguinte de sua avaliação envolve examinar se as premissas são positivamente relevantes para a(s) conclusão(ões). Para ser “positivamente relevante”, a verdade de uma premissa deve contribuir para a verdade da conclusão. Por exemplo, a premissa “hoje está um dia quente e ensolarado” é positivamente relevante para a conclusão “preciso usar bermuda e camiseta, para evitar me sentir desconfortável hoje”. Enquanto a premissa “todos os corvos são negros” não é relevante para a mesma conclusão: “preciso usar bermuda e camiseta, para evitar me sentir desconfortável hoje”. Em outras palavras, as premissas são relevantes quando apresentam alguma prova em apoio à conclusão. Somente após identificar o argumento e suas partes e após determinar se as razões apresentadas nas premissas são relevantes para a conclusão é que você pode avaliar se o autor apresentou provas suficientes ou não para você racionalmente aceitar a conclusão. Para poder fazer isso, você tem de empregar seu “pensamento crítico”. Infelizmente, o pensamento crítico não é algo que você pode aprender apenas lendo a respeito dele, em especial num artigo curto como este aqui. Você não pode simplesmente ler sobre como desenvolver suas habilidades de pensamento crítico porque, para poder aprender filosofia, você tem de fazer filosofia.

Maioria dos métodos de estudar para provas não funciona, diz estudo

Os métodos favoritos de se preparar para provas escolares não são os que garantem os melhores resultados para os estudantes, segundo uma pesquisa feita por um grupo de psicólogos americanos. Universidades e escolas sugerem aos estudantes uma grande variedade de formas de ajudá-los a lembrar o conteúdo dos cursos e garantir boas notas nos exames. Entre elas estão tabelas de revisão, canetas marcadoras, releitura de anotações ou resumos, truques mnemônicos ou autotestes. Mas segundo o professor John Dunlosky, da Kent State University, em Ohio (EUA), os professores não sabem o suficiente sobre como a memória funciona e quais as técnicas mais efetivas.

Dunlosky e seus colegas avaliaram centenas de pesquisas científicas que estudaram 10 das estratégias de revisão mais populares, e verificaram que 8 delas não funcionam ou mesmo, em alguns casos, atrapalham o aprendizado. Por exemplo, muitos estudantes adoram marcar suas anotações com canetas marcadoras. Mas a pesquisa coordenada por Dunlosky – publicada pela Associação de Ciências Psicológicas – descobriu que marcar frases individuais em amarelo, verde ou rosa fosforescente pode prejudicar a revisão. “Quando os estudantes estão usando um marcador, eles comumente se concentram em um conceito por vez e estão menos propensos a integrar a informação que eles estão lendo em um contexto mais amplo”, diz ele. “Isso pode comprometer a compreensão sobre o material”, afirma. Mas ele não sugere o abandono dos marcadores, por reconhecer que elas são um “cobertor de segurança” para muitos estudantes.

Os professores regularmente sugerem ler as anotações e os ensaios das aulas e fazer resumos. Mas Dunlosky diz: “Para nossa surpresa, parece que escrever resumos não ajuda em nada. Os estudantes que voltam e releem o texto aprendem tanto quanto os estudantes que escrevem um resumo enquanto leem”, diz. Outros guias para estudo sugerem o uso de truques mnemônicos, técnicas para auxiliar a memorização de palavras, fórmulas ou conceitos. Dunlosky afirma que eles podem funcionar bem para lembrar de pontos específicos, como “Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá, Seno A Cosseno B, Seno B Cosseno A”, para lembrar a fórmula matemática do seno da soma de dois ângulos: sen (a + b) = (sen a) . (cos b) + (sen b) . (cos a). Mas ele adverte que eles não devem ser aplicados para outros tipos de materiais: “Eles não vão te ajudar a aprender grandes conceitos de matemática ou física”.

Então, o que funciona? Somente 2 das 10 técnicas avaliadas se mostraram efetivas: testar-se a si mesmo e espalhar a revisão em um período de tempo mais longo. “Estudantes que testam a si mesmos ou tentam recuperar o material de sua memória vão aprender melhor aquele material no longo prazo. Comece lendo o livro-texto e então faça cartões de estudo com os principais conceitos e teste a si mesmo. Um século de pesquisas mostra que a repetição de testes funciona”, diz Dunlosky. Isso aconteceria porque o estudante fica mais envolvido com o tema e menos propenso a devaneios da mente. “Testar a si mesmo quando você tem a resposta certa parece produzir um rastro de memória mais elaborado conectado com seus conhecimentos anteriores, então você vai construir (o conhecimento) sobre o que já sabe”, diz o pesquisador.

Porém a melhor estratégia é uma técnica chamada “prática distribuída”, de planejar com certa antecipação e estudar em espaços de tempo espalhados – evitando, assim, de deixar para estudar de uma vez só na véspera do teste. Dunlosky diz que essa é a estratégia “mais poderosa”. “Os estudantes que concentram o estudo podem passar nos exames, mas não retêm o material. Uma boa dose de estudo concentrado após bastante prática distribuída é o melhor caminho”, avalia. Então, técnicas diferentes funcionam para indivíduos diferentes? Dunlosky afirma que não – as melhores técnicas funcionam para todos. E os especialistas acreditam que esse estudo possa ajudar os professores a ajudar seus alunos a estudar.

Fonte: BBC Brasil.

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