Apenas 8% dos brasileiros adultos são plenamente alfabetizados

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38% dos universitários brasileiros são analfabetos funcionais!

Lula lendoSegundo relatório divulgado recentemente, apenas 8% das pessoas em idade de trabalhar são consideradas plenamente alfabetizadas, isto é, capazes de entender e se expressar por meio de letras e números. Eles estão no nível “proficiente” em um índice chamado Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional). Um indivíduo considerado “proficiente” é capaz de compreender e elaborar textos, além de conseguir opinar sobre o posicionamento ou estilo do autor do texto. Também é apto a interpretar tabelas e gráficos simples; e compreende, por exemplo, que tendências aponta ou que projeções podem ser feitas a partir dos dados. Numa situação ideal, todos os estudantes que completam o ensino médio deveriam alcançar esse nível. Segundo o relatório Alfabetismo e o Mundo do Trabalho, há cinco níveis de alfabetismo funcional: analfabeto (4%), rudimentar (23%), elementar (42%), intermediário (23%) e proficiente (8%). O grupo de “analfabeto” mais o de “rudimentar” são considerados analfabetos funcionais. O estudo foi conduzido pelo IPM (Instituto Paulo Montenegro) e pela ONG Ação Educativa. No conjunto, foram entrevistadas 2002 pessoas entre 15 e 64 anos de idade, residentes em zonas urbanas e rurais de todas as regiões do país.

Fonte: UOL Educação.

Mapa racial do Brasil

Três programadores abriram uma empresa chamada Pata – análise e visualização de dados e, entre outros feitos, produziram um mapa interativo mostrando onde se concentram os diferentes grupos raciais do Brasil. O mapa é composto por 190 milhões de pontos coloridos e foi baseado nos dados do Censo demográfico do IBGE de 2010. Cada ponto no mapa representa uma pessoa e as cores representam os principais grupos raciais: Branco, Pardo, Preto, Amarelo e Indígena.

Acesse aqui o Mapa racial do Brasil e entenda melhor como ele foi feito.

Mapa Racial do Brasil

Embora eu não acredite nessa distinção entre raças (pra mim, somos todos mutantes) e seja contrário a políticas de ação afirmativa como as cotas raciais, não posso deixar de reconhecer alguma utilidade estatística no trabalho duro desses caras. Se você abstrair as cores (ignorando as “raças”), por exemplo, tem um excelente indicador da concentração urbana e da demografia brasileira. Como sou apaixonado por geografia e mapas, passei um tempão vasculhando isso.

 

Quantas pessoas já viveram na Terra até hoje?

humanidade-terraHoje, o nosso planeta conta com uma população estimada em cerca de 7 bilhões de habitantes. Mas, se considerássemos todos os seres humanos que já passaram sobre a face da Terra desde o surgimento do Homo sapiens, há 50 mil anos, quanta gente teria vivido neste mundo? O pessoal do Population Reference Bureau decidiu calcular quantas pessoas já habitaram o nosso planeta, considerando os dados disponíveis — e muitas estimativas — sobre o crescimento populacional global. Essas informações foram obtidas através da seleção do tamanho da população em diferentes períodos (da antiguidade até os tempos modernos) e, depois, aplicando-se os prováveis índices de nascimentos para cada período.

O cálculo está baseado em estimativas aproximadas, e chegar até ao número de habitantes total é bem complicado. Para começar, não é tão simples assim determinar exatamente quando os humanos surgiram na Terra. Outra complicação é que só existem registros estatísticos significativos referentes à população mundial há 2 ou 3 séculos. Até meados do século 18, poucos governos realizavam censos precisos. Portanto, todas as estimativas relacionadas com a antiguidade foram feitas com base em registros relacionados a grupos que pagavam impostos ou indivíduos alistados em serviços militares, por exemplo. Nesse caso, a margem de erro é maior.

Mais aspectos críticos levados em consideração foram a expectativa de vida e a mortalidade infantil que, como você pode imaginar, também variam bastante ao longo da História. Então, para o cálculo, estimou-se que a expectativa de vida ao nascer provavelmente variou numa média de 10 anos aproximadamente durante a maior parte da história da humanidade, o que significa que cerca de 40% de todas as crianças que já nasceram não viveram mais de 1 ano. Assim, considerando um índice de crescimento constante até os tempos modernos, os cálculos realizados pelo pessoal do PRB apontaram que aproximadamente 108 bilhões de pessoas nasceram desde o surgimento dos seres humanos, mais de 15 vezes a população atual do planeta. Isso significa que a população atual representa perto de 6,5% de todo mundo que já viveu aqui na Terra.

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O povo que não lê

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Pesquisas recentes têm confirmado que o povo brasileiro é avesso à leitura. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita pelo Instituto Pró-Livro em 2011, mostrou que o brasileiro lê em média 4 livros por ano. A maior parte das obras lidas são pedagógicas e didáticas, ou seja, livros que são exigidos por professores em escolas, colégios e universidades. Com efeito, lê-se mais por obrigação acadêmica e escolar do que por vontade própria e por um sincero interesse pessoal em buscar conhecimentos. Os brasileiros preferem utilizar seu tempo de lazer com outras atividades.

Apenas 24% afirmam gostar de ler jornais, revistas, livros e textos na internet quando dispõem de tempo livre. A maioria da população (85%) desfruta de seu tempo de ócio para assistir TV. Segundo dados do IBGE, em média o brasileiro lê apenas 6 minutos por dia, enquanto fica 2 horas e 35 minutos na frente da televisão. O brasileiro lê muito menos que os europeus e os americanos, que leem de 9 a 11 livros em média por ano. Estes dados são preocupantes e, parcialmente, ajudam a explicar outro fenômeno alarmante: o do crescente analfabetismo funcional entre nossos estudantes. Conforme a recente pesquisa divulgada pela Universidade Católica de Brasília, 50% dos alunos do ensino superior são analfabetos funcionais. Além disso, esta mesma pesquisa aponta que a maior parte dos universitários tem o hábito de estudar e aprender de maneira superficial e mecânica os conteúdos transmitidos pelos professores.

Na verdade, a ojeriza e a repulsa pela leitura e a vida de estudos é um fenômeno histórico e cultural de longa data no Brasil. Os nossos melhores romancistas retrataram com sutileza e ironia este traço vergonhoso de nossa sociedade. Machado de Assis, no conto A teoria do medalhão (1881) –  que narra os conselhos imorais que um pai dá ao seu filho, na noite de seu aniversário, de como “vencer na vida”, de como alcançar rapidamente e sem muitos esforços o prestígio e o reconhecimento social – nos fornece uma ilustração ficcional exemplar deste fenômeno. Em uma passagem do conto, o pai se dirige ao filho com estas palavras: “As livrarias, ou por causa da atmosfera do lugar ou por qualquer outra razão que me escapa, não são propícias ao nosso fim […]”. No magnífico Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Machado de Assis coloca na boca do seu principal personagem todo o desprezo pelo verdadeiro conhecimento e, por consequência, pela vida de estudos:

“E foi assim que desembarquei de Lisboa e segui para Coimbra.  A universidade esperava-me com suas matérias árduas; estudei-as muito mediocremente, e nem por isso perdi grau de bacharel, deram-no com a solenidade do estilo, após os anos da lei; uma bela festa  me encheu de orgulho e de saudades, – principalmente de saudades. Tinha eu conquistado em Coimbra uma grande nomeada de folião; era um acadêmico estroina superficial, tumultuário e petulante, dado às aventuras, fazendo romantismo prático e liberalismo teórico, vivendo na pura fé dos olhos pretos e das constituições escritas. No dia em que a universidade me atestou, em pergaminho, uma ciência que eu estava longe de trazer arraigada no cérebro, confesso que achei de algum modo logrado, ainda que orgulhoso. Explico-me: o diploma era um carta de alforria; se me dava a liberdade, dava-me a responsabilidade. Guardei-o, deixei as margens do Mondego, e vim por ali assas desconsolado, mas já sentindo uns ímpetos, uma curiosidade, um desejo de acotovelar os outros, de influir, de gozar, de viver, – de prolongar a universidade pela vida adiante.”

O personagem machadiano é a expressão maior do bacharelismo, da ânsia por títulos e diplomas, conquistados na maior das vezes sem grandes estudos e sem muita leitura, uma marca de nosso imaginário coletivo. Busca-se a todo custo e o mais rápido possível o diploma de graduação em algum curso superior. Por sua vez, o conhecimento, a aquisição de cultura e ciência é um mero detalhe insignificante. O estudo, as leituras, o conhecimento são transformados em meros instrumentos, em meios acessórios para o verdadeiro e único fim que é adquirir o diploma que possibilitará o exercício de uma profissão. O espírito arrivista e carreirista dominante são antitéticos ao estilo de vida austero, silencioso e solitário necessário ao exercício regular e constante da leitura.

O desprezo pela vida intelectual e, desse modo, pela leitura no ambiente social brasileiro é um experiência que vivi e vivo na carne. Durante minha adolescência e nos primeiros anos da minha juventude, em várias oportunidades quando estava absorto em minhas leituras em casa ou então na faculdade, notei, não sem certo incômodo e mal-estar, os olhares furtivos de curiosidade tola, de ironia presunçosa e mesmo de gozação por parte de colegas, amigos e familiares. Recordo que, apesar do apoio de alguns poucos amigos, muitos chegavam a dizer que eu estava perdendo tempo com a leitura de livros de filosofia, ciências sociais e religião comparada, que havia outras coisas mais importantes e prazerosas para fazer e que, pasmem, eu poderia me tornar uma pessoa descompensada se continuasse a ler como estava lendo. Em nossa cultura, infelizmente, ler e estudar com afinco é visto como uma anomalia, uma atividade para gente esquisita, deslocada e anti-social. Conforme a mentalidade dominante, ler é algo cansativo, tedioso e enfadonho. Dá dor de cabeça, sono e prejudica a visão; o bom mesmo é tomar umas cervejas, cantar um pagodinho e assistir as novelas. Enfim, ler é um desperdício de energia e de tempo, um ato supérfluo, um luxo acessório, um simples adorno.

Em muitos países europeus e em alguns países latino-americanos, como a Argentina e o Uruguai, é bastante comum notarmos as pessoas lendo nas ruas, nas praças, nos ônibus e nos metrôs; no Brasil isto é uma raridade. É preciso ter coragem e paciência para ler em ambientes públicos em nosso país. Fora o barulho e a balburdia que caracterizam nossas cidades, temos de enfrentar os olhares perscrutadores e perplexos dos bisbilhoteiros quando estamos nos dedicando a esta atividade “estranha, ofensiva e bizarra” que é ler um livro. A única solução mesmo é ler escondido, longe do alcance visual dos curiosos. Vivemos em um ambiente social francamente hostil à vida do espírito. O descaso e mesmo certa alergia à leitura e os livros é tão grande que, em boa parte das cidades interioranas, as bibliotecas públicas estão em frangalhos e as livrarias inexistem. Livros são estorvos que ocupam espaços demais. Não temos amor e cuidado por eles e, assim, demonstramos nossa indiferença para com a cultura.

Fonte: Revista Vila Nova.

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