Estatísticas da pós-graduação no Brasil

Infográficos produzidos pela revista Galileu com dados de 2010 divulgados pelo CNPq e pela Capes revelam os números da pós-graduação no Brasil.

Número de doutores por milhão de habitantes:

Baseado em dados de 2010 (Foto: gabriela oliveira)

Concentração de mestres e doutores por estado:

Calculados a partir de dados do CNPq, com base no censo 2010, fontes IBGE, Banco Mundial e CAPES (Foto: gabriela oliveira)

Número de mestres e doutores por gênero:

 (Foto: gabriela oliveira)

Pensar por si mesmo

Texto do filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860),
extraído do livro A Arte de Escrever (Porto Alegre: L&PM, 2012).


A mais rica das bibliotecas, quando desorganizada, não é tão proveitosa quanto uma bastante modesta, mas bem ordenada. Da mesma maneira, uma grande quantidade de conhecimentos, quando não foi elaborada por um pensamento próprio, tem muito menos valor do que uma quantidade bem mais limitada, que, no entanto, foi devidamente assimilada. Pois é apenas por meio da combinação ampla do que se sabe, por meio da comparação de cada verdade com todas as outras, que uma pessoa se apropria de seu próprio saber e o domina. Só é possível pensar com profundidade sobre o que se sabe, mas também só se sabe aquilo sobre o que se pensou com profundidade.

No entanto, podemos nos dedicar de modo arbitrário à leitura e ao aprendizado; ao pensamento, por outro lado, não é possível se dedicar arbitrariamente. Ele precisa ser atiçado, como é o fogo por uma corrente de ar, precisa ser ocupado por algum interesse nos assuntos para os quais se volta; mas esse interesse pode ser puramente objetivo ou subjetivo. Este último se refere apenas às coisas que nos concernem pessoalmente, enquanto o interesse objetivo só existe nas cabeças que pensam por natureza, nas mentes para as quais o pensamento é algo tão natural quanto a respiração. Mas mentes assim são muito raras, por isso não se encontram muitas delas em meio aos eruditos.

O efeito que o pensamento próprio tem sobre o espírito é incrivelmente diferente do efeito que caracteriza a leitura, e com isso há um aumento progressivo da diversidade original dos cérebros, graças à qual as pessoas são impelidas para uma coisa ou outra. A leitura impõe ao espírito pensamentos que, em relação ao seu direcionamento e disposição naquele momento, são tão estranhos e heterogêneos quanto é o selo em relação ao lacre sobre o qual imprime sua marca. Desse modo, o espírito sofre uma imposição completa do exterior para pensar, naquele instante, determinados assuntos aos quais ele não tinha na verdade nenhuma propensão ou disposição.

Em contrapartida, quando alguém pensa por si mesmo, segue seu mais próprio impulso, tal como está determinado no momento, seja pelo ambiente que o cerca, seja por alguma lembrança próxima. No caso das circunstâncias perceptíveis, não há uma imposição ao espírito de determinado pensamento, como ocorre na leitura, mas elas lhe dão apenas a matéria e a oportunidade para pensar o que está de acordo com sua natureza e com sua disposição presente. Desse modo, o excesso de leitura tira do espírito toda a elasticidade, da mesma maneira que uma pressão contínua tira a elasticidade de uma mola.

O meio mais seguro para não possuir nenhum pensamento próprio é pegar um livro nas mãos a cada minuto livre. Essa prática explica por que a erudição torna a maioria dos homens ainda mais pobres de espírito e simplórios do que são por natureza, privando também seus escritos de todo e qualquer êxito. Como disse Pope, eles estão sempre lendo para nunca serem lidos. Os eruditos são aqueles que leram coisas nos livros, mas os pensadores, os gênios, os fachos de luz e promotores da espécie humana são aqueles que as leram diretamente no livro do mundo. No fundo, apenas os pensamentos próprios são verdadeiros e têm vida, pois somente eles são entendidos de modo autêntico e completo. Pensamentos alheios, lidos, são como as sobras da refeição de outra pessoa. Em comparação com os pensamentos próprios que se desenvolvem em nós, os alheios, lidos, têm uma relação como a que existe entre o fóssil de uma planta pré-histórica e as plantas que florescem na primavera.

A leitura não passa de um substituto do pensamento próprio. Trata-se de um modo de deixar que seus pensamentos sejam conduzidos em andadeiras por outra pessoa. Além disso, muitos livros servem apenas para mostrar quantos caminhos falsos existem e como uma pessoa pode ser extraviada se resolver segui-los. Mas aquele que é conduzido pelo gênio, ou seja, que pensa por si mesmo, que pensa por vontade própria, de modo autêntico, possui a bússola para encontrar o caminho certo. Assim, uma pessoa só deve ler quando a fonte dos seus pensamentos próprios seca, o que ocorre com bastante frequência mesmo entre as melhores cabeças. Renegar os pensamentos próprios, originais, para tomar um livro nas mãos é semelhante a fugir da natureza e do ar livre para visitar um herbário ou contemplar belas regiões em gravuras. Continue reading “Pensar por si mesmo” »

Como é feita a prova do Enem?

Muitos candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ficam tão focados em conhecer o padrão de questões da prova e em como os conteúdos são cobrados, que acabam não pensando em como aquelas perguntas chegam no exame. Se você acha que um grupo de professores se reúne em uma mesa e monta as provas de uma vez, você está muito enganado. Tanto as questões do Enem quanto as de outros concursos públicos são selecionadas através de um acervo, o Banco Nacional de Itens (BNI).

O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) convocam instituições públicas e federais, tanto da educação básica quanto da superior, para contribuir com o banco. Estas decidem quais professores serão indicados para elaborar as questões, pois os docentes devem estar dentro do perfil definido pelo Inep. Após serem elaboradas, essas questões passam por uma revisão do INEP. Todas elas devem ser objetivas, possuir um texto introdutório e 5 alternativas, sendo que somente uma é a correta. O conteúdo de todas as perguntas da prova deve estar relacionado às disciplinas do Ensino Médio. Cada professor recebe R$ 200 por questão aceita para integrar o Banco Nacional de Itens. Já os professores que ficam responsáveis pela revisão dos itens ganham cada um R$ 100 por questão.

O MEC realiza uma prova semelhante ao Enem com alunos do Ensino Médio da rede pública. O chamado pré-teste é composto por 45 questões, diferentes entre si. Após o teste, as questões entram para o Banco Nacional de Itens, que hoje possui mais de 10 mil questões. Como o processo é extremamente sigiloso, os alunos não sabem que a prova que estão fazendo é parte do processo de montagem do banco de questões que compõem o Enem. De acordo com o resultado do pré-teste, as questões recebem graus de dificuldade. Cada grau é representado por um número que vai de zero até mil. A partir desses números, é montada uma régua. As perguntas são dividias entre fáceis, médias e difíceis. As médias ficam mais ou menos na marca de 500 pontos.

Para montar a prova, o MEC seleciona 180 questões, sendo 45 de cada uma das quatro áreas do conhecimento (Ciências Humanas; Ciências da Natureza; Linguagem e Códigos; Matemática). As questões começam a ser analisadas e escolhidas cerca de 5 a 6 meses antes do dia do exame. Esse é o tempo necessário para elaborar, imprimir e distribuir a prova. O conjunto de questões de cada área precisa equilibrar o grau de dificuldade das perguntas (25% fáceis, 50% médias e 25% difíceis). Como um dos objetivos do Enem é diferenciar o grau de conhecimento dos candidatos, as questões que apresentaram alto nível de acertos ou erros durante o pré-teste são descartadas.

As notas obtidas pelos candidatos são calculadas com base na Teoria de Resposta ao Item (TRI), que avalia não só o número de questões acertadas, mas também o grau de dificuldade delas e a coerência e consistência dos acertos na prova. Mesmo com números iguais de acertos, duas pessoas podem ter notas diferentes de acordo com o nível de dificuldade das questões acertadas e com a consistência desses acertos (errar muitas fáceis e acertar muitas difíceis não apresenta coerência e pode configurar chute). Continue reading “Como é feita a prova do Enem?” »

A obsessão pela bibliografia

Artigo de opinião de Rafael Falcón.

A obsessão pela bibliografia é um dos erros mais cometidos pelos proto-intelectuais – classe mais promissora do país, já que intelectuais totalmente formados inexistem por aqui. Quando digo proto-intelectuais me refiro àqueles estudantes dotados de sincero e esforçado desejo de saber, e não a uma classe de falsários que, para esconder sua mediocridade, procuram ter aparências de sabedoria. É sem dúvida natural que um jovem estudante, almejando a torre do conhecimento, queira alcançá-la por uma escada de livros; isso é razoável e parcialmente verdadeiro.

Não escapa a ninguém, é verdade, a sutil obviedade de que livros são meios e não fins. Aparentemente, porém, essa obviedade não foi suficientemente absorvida por nossa classe estudantil, não se manifesta em suas inclinações e atos com a espontaneidade da natureza. Insistem esses jovens leitores em procurar livros, sem se perguntar para que querem esses livros e se de fato têm as forças e concentração necessárias para levar esse estudo específico a cabo. Preciso saber história, comprem-se livros; literatura, comprem-se livros; religião, comprem-se! O resultado é uma pilha crescente de livros sobre assuntos variados, cuja conexão entre si é, o mais das vezes, o círculo intelectual que os recomendou. Livros sobre mito e religião, literatura e metafísica, comparam entre si suas camadas de poeira, na esperança de que a espessura dessas camadas traga a curiosidade de revisitá-los a seu volúvel comprador. Este é quem mais padece, porque gastou seu dinheiro e parte de suas energias com livros que nunca leu inteiros, e que se leu não sabe bem para que lhe serviram. A sensação de frustração o acompanha.

Um livro é o bastante para um bom estudante. Não pode ser qualquer livro, naturalmente; tem de ser aquele que responde ao seu desespero, à sua esperança de agora. Não deveria ser, no princípio, um livro de René Girard ou Tomás de Aquino. Não deveria ser um livro de teses. Um só livro da alta literatura basta para um ano de padecimento intelectual, para levantar dúzias de perguntas fundamentais e talvez responder alguma. Não estou dizendo isso para soar bonito. É assim que as coisas são. Tentar ler muitos livros de literatura em geral também não levará a lugar algum. A leitura apressada, que já pensa no próximo livro, não se entrega ao que está lendo agora. Não presta atenção, não se pergunta por que nem o quê. Assim não há benefício em ler. Dever-se-ia comprar apenas um livro, sem sequer pensar no próximo, e lê-lo apenas, como uma criança que crê integralmente que sua rua é a totalidade do mundo. Ela explorará cada casa, cada jardim, sem se preocupar com o que há mais adiante.

Alguns se têm concentrado, graças a Olavo de Carvalho principalmente, nos exercícios do Trivium – o plano de educação fundamental da Idade Média. Conheço os exercícios do Trivium, e pretendo falar deles no futuro. Por ora, porém, lanço a pergunta: de que te adiantaria uma bibliografia? Você acabaria sabendo algo sobre a história do Trivium e o que já se disse sobre o assunto. Isso sem dúvida tem valor, pode ser usado para o bem da humanidade, etc. Mas seu objetivo é tornar-se um especialista no Trivium? Seu interesse é em técnicas pedagógicas? Ou você antes está interessado em aprimorar sua leitura e escrita com base nos clássicos da literatura? Se for esse o caso, não valeria mais seu tempo e seu esforço procurar – digamos assim – um clássico da literatura? Sem dúvida é possível amplificar os resultados com técnicas e exercícios específicos, e esse conhecimento pode ser obtido pela pesquisa. Mas o tempo e esforço que você gastaria nessa pesquisa não seriam melhor empregados na essência, que é a literatura, do que em aditivos que não têm nenhuma utilidade sem a literatura?

Imagino objeções: posso ler literatura e estudar outras coisas ao mesmo tempo; essas outras coisas vão ajudar-me com a literatura; não tenho condições de compreender livros tão profundos sem apoio, etc. Responder a todas essas objeções levaria muito tempo e não parece estritamente necessário. De todo modo, parece-me que o problema fundamental é que ler literatura dói. Literatura é difícil, é densa, não te dá respostas repetíveis, apenas fatos. A estrutura da literatura é semelhante à estrutura da vida e, por isso, compreender literatura é um esforço parecido ao de compreender a própria vida. Diante de um tal esforço, é natural que queiramos fugir para adendos, detalhes, interpretações, bibliografias e discursos em geral. É um modo de postergar o trabalho duro e fingir, para nós mesmos, que estamos sim ocupados, cumprindo as etapas necessárias, os requisitos, porque ainda não estamos prontos. Proponho a pergunta: você está inventando obrigações para postergar o que é mais importante? Você precisa realmente desse livro que quer comprar ou dessa bibliografia de apoio que está pesquisando? Sem essa sinceridade consigo mesmo, não me parece que alguém possa obter uma formação efetiva e muito menos descobrir sua vocação intelectual.

Descubra quais são e onde ficam as 10 universidades mais antigas do mundo

Considera-se que a universidade mais antiga do Brasil é a Universidade Federal do Paraná, que iniciou suas atividades em 1912, há mais de 100 anos. Mas enquanto a UFPR era criada, já existiam universidades com mais de mil anos de funcionamento. As pioneiras surgiram como instituições religiosas do mundo islâmico medieval. E, dois séculos depois da fundação da primeira universidade do mundo, no Marrocos, a “moda” se espalhou pela Europa. Veja a lista das 10 universidades mais antigas do mundo:

GAF Merton Sunrise Steve Langton GPC oxford

Universidade de Al-Karaouine (Marrocos) – Fundada em 859 por Fatima al-Fihri (sim, uma mulher!). Foi reconhecida mundialmente por seus estudos em ciências naturais.

Universidade Al-Azhar (Egito) – A segunda universidade mais antiga ainda em atividade fica no Cairo. Fundada em 972, é referência em estudos de literatura árabe.

Universidade Nizamyya (Irã) – Dentre as suas faculdades, a mais famosa é a Al-Nizamiyya of Baghdad, estabelecida em 1065. Acredita-se que as Nizamiyya serviram de modelo para universidades fundadas posteriormente na região.

Universidade de Bolonha (Itália) – É a primeira universidade ocidental, fundada em 1088. O termo “universidade”, aliás, vem de sua criação.

Universidade de Paris (França) – Não se sabe ao certo a data exata de sua fundação, mas estima-se que suas atividades tenham se iniciado em 1096. Em 1970, foi dividida em 13 universidades autônomas, dentre as quais a mais famosa é Sorbonne (fundada em 1257). A Universidade de Paris fechou três vezes em sua história: em 1229, durante uma revolta de seus alunos, em 1940, durante a invasão do exército alemão e em 1968, durante o chamado “Maio Francês”, conhecido como uma revolução cultural.

Universidade de Oxford (Inglaterra)– Assim como na Universidade de Paris, não se sabe a data exata do início de suas atividades. A data mais provável é 1096, apesar de saber-se que já ministravam aulas no local bem antes disso. A instituição se desenvolveu mais rapidamente depois de 1167, quando o rei Henrique II proibiu que ingleses estudassem na Universidade de Paris. Oxford fechou temporariamente duas vezes: a primeira vez em 1209, como protesto pela execução de dois de seus professores, e depois em 1355, na Revolta de Santa Escolástica.

Universidade de Montpellier (França) – Como em Oxford, também acredita-se que já ministravam aulas bem antes de sua data oficial de fundação, em 1150. A Universidade foi fechada durante a revolução francesa em 1793, mas as faculdades de ciência e letras foram restabelecidas em 1810, enquanto as de direito voltaram apenas em 1880.

Universidade de Cambridge (Inglaterra) – A segunda universidade mais antiga de língua inglesa foi criada por dois acadêmicos que deixaram Oxford após uma disputa em 1209. Desde então, as duas instituições cultivam um clima de rivalidade. Atualmente, Cambridge figura na lista das cinco melhores universidades do mundo e é considerada a melhor universidade europeia. Em uma contagem feita em 2009, descobriu-se que ex-alunos de Cambridge possuíam 85 prêmios Nobel.

Universidade de Salamanca (Espanha) – Localizada na cidade homônima, na Espanha, foi criada em 1218 e recebeu o título de Universidade pelas mãos do Papa Alexandre IV em 1225. Hoje, Salamanca é considerada especialista em estudos no campo das ciências humanas, principalmente no estudo de linguagens.

Universidade de Pádua (Itália) – É a segunda Universidade mais antiga da Itália, fundada em 1222 por um grupo de estudantes e professores que deixaram a Universidade de Bolonha em busca de uma maior liberdade acadêmica. Ficou famosa a partir de 1595, com aulas de anatomia no qual artistas e cientistas dissecavam corpos humanos em público.

Fonte: Galileu.

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