Modelo de ensino popular na Dinamarca tem a floresta como sala de aula para crianças

Um modelo de ensino popular na Dinamarca tem a floresta como sala de aula. Não por acaso chamadas de jardins de infância florestais, essas escolas tiram as crianças do ambiente fechado e as levam para aprender por meio de brincadeiras e experiências ao ar livre. A primeira reação de quem se depara com o sistema é, com frequência, o espanto. Isso porque nele crianças de 2 a 6 anos são pouco supervisionadas, podem escalar árvores altas, manuseiam facas afiadas, lidam com animais, ficam próximas a fogueiras e dormem sob o frio às vezes congelante do inverno dinamarquês.

“Lembro-me de ter visto uma criança no topo da árvore, chamei um pedagogo e disse: ‘tem uma criança lá em cima’; e ele respondeu: ‘tem sim’. Chocada, eu questionei: ‘mas ela pode cair!’; ‘sim’, disse o pedagogo, ‘pode, mas geralmente não cai'”, descreve Jane Williams-Siegfredsen no livro Understanding the Danish Forest School Approach (Compreendendo a abordagem da escola florestal dinamarquesa). Mais de duas décadas depois do primeiro contato, Jane hoje advoca pela disseminação do modelo e faz treinamentos em diversos países, como Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Portugal. “Vinda de uma cultura de superproteção e de constante preocupação de que as crianças corram riscos, aquilo parecia assustador”, explica Jane à BBC Brasil. “É uma surpresa perceber o quão confiantes e competentes as crianças são ao ar livre”.

O modelo surgiu na década de 1950 em Copenhague, capital da Dinamarca. Hoje há escolas do tipo em todo o país. Não há estatísticas nacionais oficiais. Mas só a capital abriga em seus arredores 91 delas, de um total de 3.975 instituições. São cerca de 4 mil alunos, num universo de 20 mil, segundo dados da prefeitura. Nos jardins de infância florestais, as crianças brincam, exploram a área verde, observam insetos, cuidam de animais como coelhos, constroem estruturas de madeira, cantam, escutam histórias, dormem em cabanas abertas e cozinham sobre fogueiras, além de aprenderem sobre matemática, biologia e outras disciplinas com a ajuda de objetos naturais ou observação do ambiente. As estruturas das escolas podem variar. Há aquelas que funcionam exclusivamente dentro de florestas, as que levam as crianças de ônibus para passarem o dia na natureza e as que dividem suas atividades entre dentro e fora de sala, embora com foco na atividade ao ar livre. Costumam funcionar de 7h às 17h, com turmas entre 10 e 20 crianças, supervisionadas por entre dois e quatro pedagogos.

“Os jardins de infância florestais reafirmam a importância da brincadeira como forma de aprendizado, engajam a criança no contato com a natureza, despertam empatia, inclusive de animais, desenvolvem habilidades motoras e sociais. Quando adultas, elas serão capazes de gerenciar situações de insegurança e desafiadoras com mais facilidade”, afirma Iben Dissing Sandahl, professora e psicoterapeuta não ligada a nenhuma escola ou instituição, autora do livro The Danish Way of Parenting (A maneira dinamarquesa de educar), que será lançado no Brasil. “Ao proteger a criança de todos os riscos e acidentes naturais, não as permitindo usar a imaginação e ter contato com a natureza, corremos o risco de ter crianças paralisadas e assustadas. A criança não será forçada a subir árvores antes que esteja pronta, e tampouco usará uma faca sem orientação. Elas serão ensinadas no tempo certo e aprenderão fazendo”.

Daniel e Aimie Stilling são um casal de cineastas dinamarqueses e hoje vivem em Orlando, nos Estados Unidos. Há três anos, eles decidiram passar alguns meses na Dinamarca e, na ocasião, sua filha Bella, na época com 4 anos, frequentou um jardim de infância florestal. Ambos admitem terem ficado inseguros, de início, com as atividades. Mas a partir da experiência que consideraram positiva, surgiu a ideia de um documentário sobre o tema, que acaba de ser lançado e deverá ser exibido em TVs de diferentes países. Com Daniel na direção e Aimie na produção, o filme Nature Play mostra o dia a dia e a metodologia por trás dessas escolas. É ainda um contraponto crítico ao sistema de ensino americano. “As crianças aqui nos Estados Unidos não conseguem brincar porque passam horas fazendo lições de casa e estudando para provas”, critica Daniel Stilling, que ao voltar aos EUA decidiu manter o “espírito”, como descreve, da educação que Belle recebeu no jardim florestal. “Ela é com certeza menos estressada que seus colegas, está sempre sorrindo, cantarolando, tem um ótimo controle físico e capacidade de reter informações”, exemplifica Daniel, que durante a entrevista mostra com a câmera do computador o quintal de sua casa, todo equipado com jogos e equipamentos infantis. “Passamos boa parte do tempo aqui fora ou no bosque perto de casa”.

Jardins de infância florestais seguem o mesmo enquadramento jurídico que os tradicionais e têm que apresentar um plano de como garantirão que as crianças sejam estimuladas a determinadas habilidades, como linguagem, desenvolvimento motor, etc. Prefeitura e conselhos locais são responsáveis pelo financiamento e pela fiscalização de que as instituições cumpram as normas. De acordo com a prefeitura de Copenhague, há inspeções anuais. Um terço dos custos é pago pelos pais, e o restante, pelo conselho local. Os valores são os mesmos de um jardim de infância tradicional. No caso da capital, varia de 1,5 mil a 3,5 mil coroas dinamarquesas (cerca de R$ 790 e R$ 1.800), dependendo da opção por horário parcial ou integral, além de inclusão ou não da alimentação. Na Dinamarca, famílias com crianças pequenas ainda têm direito a um auxílio financeiro extra do governo, que pode ser usado para abater o custo da escola.

Por que somos míopes?

Tradução de uma matéria publicada na BBC Future.

Quando eu era adolescente, minha visão aos poucos começou a ficar ruim e tive que passar a usar óculos. O que começou como uma fina lente de vidro logo se aproximava de um fundo de garrafa. “Por quê?”, eu perguntava ao oftalmologista. E a resposta dele era sempre a mesma: “A culpa é dos seus genes e do seu gosto pela leitura”. Eu não tinha por que duvidar dele. É provavelmente a mesma coisa que o seu oftalmologista disse se você também sofre de miopia. Mas pesquisas recentes sugerem que esses argumentos estão relativamente enganados. Muitos outros fatores do mundo moderno podem estar levando as pessoas a ter uma visão pior. E, com algumas medidas simples, nossos filhos podem se ver livres de uma “maldição” que já dura gerações.

A ideia de que a miopia é primariamente genética nunca me pareceu verdadeira. Sem meus óculos, eu não consigo saber se o que tenho na minha frente é uma enorme pedra ou um rinoceronte. Então como é que meus ancestrais não foram eliminados se tinham dificuldades de enxergar? Além disso, a miopia é como uma epidemia: de 30% a 40% dos habitantes da Europa e dos Estados Unidos precisam de óculos, enquanto na Ásia esse número pode chegar a 90%. Se tivéssemos genes da miopia, os ancestrais dessas pessoas seriam “heróis” que conseguiram sobreviver apesar de sua clara desvantagem.

Experiências com a comunidade inuit do Canadá deveriam ter resolvido essa questão há quase 50 anos. Enquanto a geração mais velha dessa população indígena praticamente não apresentava casos de miopia, de 10% a 25% das crianças precisavam de óculos. “Isso não seria possível com uma doença genética”, diz Nina Jacobsen, do Hospital Universitário Glostrup de Copenhague, na Dinamarca. O que os cientistas perceberam é que, no intervalo entre as gerações, os inuit foram abandonando seus hábitos tradicionais de caçar e pescar em troca de um modo de vida mais ocidentalizado – uma causa muito mais provável para o problema.

“A miopia é uma doença industrial”, define Ian Flitcroft, do Children’s University Hospital de Dublin, na Irlanda. “Nossos genes podem até ter um papel ao definir quem se tornará míope, mas foi apenas por causa de uma mudança ambiental que os problemas surgiram”. A conclusão imediata tirada pelos cientistas foi a de que a maneira como somos educados hoje em dia pode ter provocado o aumento da miopia. Dê uma olhada no mar de óculos em qualquer sala de aula de uma universidade e você pensará que há uma ligação entre uma coisa e a outra. Estudos epidemiológicos, no entanto, sugerem que os efeitos são muito menores do que se acreditava. Muitos cientistas argumentam que é o tempo passado dentro de espaços fechados que mais influencia na visão, e não o ato de ler. Pesquisas realizadas na Europa, na Austrália e na Ásia indicam que as pessoas que passam mais tempo ao ar livre têm bem menos chances de desenvolver a miopia do que aqueles cujas vidas acontecem entre quatro paredes.

E por que isso acontece? Uma explicação popular é a de que a luz do sol nutre os olhos, de alguma forma, o que foi verificado por um estudo da Universidade de Queensland, na Austrália. Também pode ser porque a luz do sol estimula a fixação de vitamina D, responsável pela saúde do cérebro e do sistema imunológico, e que também pode regular a saúde dos olhos. Uma ideia com mais aceitação é a de que o sol estimula a liberação de dopamina diretamente nos olhos. A miopia é causada pelo crescimento excessivo do globo ocular, dificultando a formação de uma imagem na retina. Mas a dopamina parece conter esse crescimento, mantendo o olho saudável.

É possível também que se trate de uma questão de cor. Ondas de luz verde e azul tendem a entrarem em foco na frente da retina, enquanto a luz vermelha atinge a parte de trás. Como a iluminação artificial de um espaço coberto tende a ser mais vermelha do que os raios solares, o desencontro poderia confundir os mecanismos de controle do globo ocular. “Eles dizem ao olho que ele não está focalizando no melhor ponto, então ele cresce para compensar isso”, explica Chi Luu, da Universidade de Melbourne, na Austrália.

Já Flitcroft acredita que o problema está no aglomerado de objetos poluindo nosso campo visual. Dê uma olhada à sua volta e entenderá o que ele quer dizer. “Quando você olha para a tela de um computador, tudo o que está atrás dela fica bem fora de foco. Se você muda o olhar da tela para um relógio, há uma enorme inversão – o relógio fica em foco, mas outras coisas perto de você ficam borradas”, diz ele. Onde quer que você pouse seu olhar, sempre há um ponto desfocado que brinca com os mecanismos de feedback dos olhos. Mas na rua as coisas tendem a ficar separadas por uma distância maior, resultando em uma imagem mais limpa que ajuda a regular o desenvolvimento dos olhos.

Essas descobertas podem render novos tratamentos. Luu, por exemplo, pretende realizar um ensaio que oferece sessões com luz azul para crianças míopes. Ele espera que a deterioração da visão delas seja mais lenta ou até se reverta. Flitcroft destaca que estão sendo realizados testes promissores com lentes de contato que reduzem os objetos borrados na nossa visão periférica. Ele também está otimista quanto a um colírio chamado atropina, que desacelera os sinais que incentivam o crescimento do globo ocular e a miopia. Seus efeitos colaterais desagradáveis – como a dilatação das pupilas e os halos vistos em fontes de luz – tornaram seu uso inviável. Mas uma descoberta acidental mostrou que a substância pode ser eficiente com um centésimo da dose original, com efeitos colaterais mínimos.

Por enquanto, os cientistas recomendam cautela. Um erro muito comum é acreditar que os óculos são ruins para seus olhos: isso não é verdade. Mas se você quer já tomar algum tipo de atitude, vai gostar de saber que a maioria dos pesquisadores concorda que incentivar as crianças a brincar ao ar livre é uma boa ideia. Um teste feito em escolas em Taiwan até mostrou que a iniciativa teve um sucesso moderado. “Se deixados em seu habitat natural, ao ar livre, os humanos não se tornam míopes”, conclui Flitcroft.

Três teoremas científicos que você provavelmente aprendeu errado na escola

A ciência avança mais rápido do que os livros didáticos. Por isso, frequentemente eles ficam desatualizados. São inúmeros os exemplos de teoremas ou teorias científicas que já estão desatualizadas há bastante tempo, mas que ainda são ensinadas nas escolas. Escolhi aqui apenas três exemplos clássicos para ilustrar isso.


Os cinco sentidos

sentidos-corpoVisão, audição, tato, olfato e paladar. O clássico quinteto existe, mas você já ouviu falar em propiocepção? É nossa capacidade de saber onde está cada parte do corpo, sem precisar ver ou tocar. Dor e temperatura, outros sentidos óbvios, ficam na pele, mas não tem nada a ver com tato. Equilíbrio fica na orelha interna, mas não é audição. Você também tem sensores diferentes para notar que o pulmão, bexiga, estômago e intestinos estão cheios e percebe quando seu sangue está com pouco oxigênio, quando prende a respiração. Temos até mesmo um GPS no nariz. Então, quantos sentidos existem? Na verdade, não é tão fácil assim definir o que é um sentido. Podemos chamar nossa percepção da passagem do tempo, sem nenhum órgão associado a ela, de sentido? No fim, há quem fale em mais de 20 sentidos. A certeza é que são mais de cinco.


As cores primárias

coresSegundo as aulinhas de educação artística, misturando amarelo, vermelho e azul, podemos obter todas as cores. E você não pode obtê-las misturando nenhuma outra cor. Pura balela. As verdadeiras cores primárias são ciano, magenta e amarelo. Simplesmente não dá para fazer qualquer cor com vermelho e azul; ao passo que dá para fazer azul com ciano e magenta, e vermelho com amarelo e magenta. Qualquer um que já recarregou uma impressora deve ter percebido: as tintas vêm nessas três cores, e não nas do guache com que você sujou os dedos na terceira série. Só que isso não é tudo. Essas são as cores primárias substrativas. Mas existe outro tipo de cores primárias, as aditivas. Quando a gente fala em tintas, misturá-las é remover cores. Como ensinado na escola, a luz branca contém todas as cores. Quando ela reflete num material pintado, volta com menos cores.

Quando você pinta uma parede branca de azul, o que está fazendo é impedir que ela reflita as outras partes do espectro luminoso. Misturando tintas, você reduz quais partes da luz branca são refletidas. O resultado é que, se você juntar as três cores primárias subtrativas, o resultado é preto, e não branco. O branco é a união de todas as cores de forma aditiva. E podemos produzir cores dessa forma emitindo luz. Se você acender uma luz vermelha e outra verde, o resultado é amarelo, e não o marrom desagradável produzido ao se misturar tintas. Isso porque estamos ampliando o espectro luminoso ao adicionar mais partes dele à uma emissão de luz. Dessa forma, as cores primárias aditivas são azul, vermelho e verde. De fato, é assim que seus olhos funcionam: eles tem receptores para essas três cores. As cores primárias erradas vem da Renascença, quando os pigmentos eram limitados. Desde o século 19 sabemos que não é assim.


Os estados da matéria

estados-aguaSólido, líquido e gasoso, certo? Mas o que dizer do plasma, em que os elétrons se separam de seus núcleos, criando algo que parece gás, mas conduz eletricidade e pode ser controlado por campos magnéticos? Ou o cristal líquido, com propriedades tanto de sólido quanto de líquido, que também está na sua TV, mas não nos livros didáticos? E ainda o superfluido, um material que tem zero viscosidade, e corre para cima quando posto num recipiente? Assim como no caso dos sentidos, existem muitos outros estados da matéria. A maioria deles só existe em condições raras e extremas, observados apenas em laboratório. Então, para simplificar, lembre-se pelo menos do plasma, que é comum, existe na natureza e é fácil de explicar: basta aquecer qualquer gás imensamente ou expô-lo a uma grande corrente elétrica.

Com informações de: Superinteressante.

38% dos universitários brasileiros são analfabetos funcionais, segundo Inaf

Veja também: Sobre as recentes mudanças “drásticas” no sistema educacional brasileiro

38% dos universitários brasileiros não dominam habilidades básicas de leitura e escrita, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgado pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa. O indicador reflete o expressivo crescimento de universidades de baixa qualidade. Criado em 2001, o Inaf é realizado por meio de entrevista e teste cognitivo aplicado em uma amostra nacional de 2 mil universitários, que respondem perguntas relacionadas ao cotidiano, como, por exemplo, sobre o itinerário de um ônibus ou o cálculo do desconto de um produto. O indicador classifica os avaliados em quatro níveis de alfabetização: plena, básica, rudimentar e analfabetismo. Aqueles que não atingem o nível pleno são considerados analfabetos funcionais, ou seja, são capazes de ler e escrever, mas não conseguem interpretar e associar informações.

Para a diretora executiva do IPM, Ana Lúcia Lima, os dados da pesquisa reforçam a necessidade de investimentos na qualidade do ensino. “A primeira preocupação foi com a quantidade, com a inclusão de mais alunos nas escolas. Porém, o relatório mostra que já passou da hora de se investir em qualidade”, diz Ana Lúcia. Segundo dados do IBGE, cerca de 30 milhões de estudantes ingressaram nos ensinos médio e superior entre 2000 e 2009. Para a diretora do IPM, o aumento foi bom, pois possibilitou a difusão da educação em vários estratos da sociedade. No entanto, a qualidade do ensino caiu por conta do crescimento acelerado. “Algumas universidades só pegam a nata e as outras se adaptaram ao público menos qualificado por uma questão de sobrevivência”, diz.

Para a coordenadora-geral da Ação Educativa, Vera Masagão, o indicativo reflete a “popularização” do ensino superior sem qualidade. “Num mundo ideal, qualquer pessoa com uma boa 8ª série deveria ser capaz de ler e entender um texto ou fazer problemas com porcentagem, mas no Brasil ainda estamos longe disso”. Segundo Vera, o número de analfabetos funcionais só vai diminuir quando houver programas que estimulem a educação como trampolim para uma maior geração de renda e crescimento profissional. “Existem muitos empregos em que o adulto passa a maior parte da vida sem ler nem escrever, e isso prejudica a procura pela alfabetização”, afirma.

Com informações de: Estadão.


Apenas 8% dos brasileiros adultos
são plenamente alfabetizados

Segundo relatório divulgado recentemente, apenas 8% das pessoas em idade de trabalhar são consideradas plenamente alfabetizadas, isto é, capazes de entender e se expressar por meio de letras e números. Eles estão no nível “proficiente” em um índice chamado Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional). Um indivíduo considerado “proficiente” é capaz de compreender e elaborar textos, além de conseguir opinar sobre o posicionamento ou estilo do autor do texto. Também é apto a interpretar tabelas e gráficos simples; e compreende, por exemplo, que tendências aponta ou que projeções podem ser feitas a partir dos dados. Numa situação ideal, todos os estudantes que completam o ensino médio deveriam alcançar esse nível. Segundo o relatório Alfabetismo e o Mundo do Trabalho, há cinco níveis de alfabetismo funcional: analfabeto (4%), rudimentar (23%), elementar (42%), intermediário (23%) e proficiente (8%). O grupo de “analfabeto” mais o de “rudimentar” são considerados analfabetos funcionais. O estudo foi conduzido pelo IPM (Instituto Paulo Montenegro) e pela ONG Ação Educativa. No conjunto, foram entrevistadas 2002 pessoas entre 15 e 64 anos de idade, residentes em zonas urbanas e rurais de todas as regiões do país. (Fonte: UOL Educação)


A inferioridade do ensino superior

Artigo do professor André Gazola publicado no portal Lendo.

Ao fim você me chamará de romântico, mas ando mastigando essas coisas faz tanto tempo que esse artigo será nada menos que um grande cuspe. Cartazes, panfletos e propagandas de televisão têm me convidado a ingressar na universidade. Uma formação superior que abrirá as portas para uma brilhante carreira profissional, com salários exorbitantes, viagens para a Europa, apartamentos em Copacabana e uma família feliz. São todos os sonhos deles realizadosPasso pela prova de admissão — que exige todo o potencial de meus dois neurônios relapsos — e chego na primeira aula com meu boné, meus óculos escuros e as roupas largas que hoje impressionam as garotas (aquelas, lindíssimas, que às oito da manhã estão com 1 quilo de maquiagem no rosto) da mesma forma que o terno e a gravata impressionarão daqui a 5 anos.

Sou um universitário. Dirijo o carro importado que ganhei do papai como prêmio por passar no vestibular. Tenho aula de filosofia, política, ética, direito, religião, mas apesar de não entender uma palavra do que falam e não me preocupar em ler aquelas absurdas quatro páginas que o professor pediu, sei que tudo isso não adicionará nenhum zero em minha conta bancária e por isso vou faltar hoje, afinal a prova final é com consulta e em dupla. Finalmente a formatura. Minha família chorando de alegria vendo o filho receber um canudo e ser agraciado com o título de bacharel. Sou o primeiro da linhagem a alcançar tamanho sucesso. Meu currículo não é dos melhores, algumas reprovações atrasaram meus planos, mas nada que papai não resolva com aqueles amigos dele. É bom ir para o apartamento novo, jogar fora todas as tralhas da faculdade e finalmente descansar, afinal foram seis dolorosos anos aqueles. Principalmente o último, no qual quase todo mundo que vente monografias já estavam com clientes demais.

Essa é a vida do universitário médio, tipo que tem infestado o meio acadêmico. Sua simploriedade não é simplesmente textual, mas intelectual, crônica e contagiosa. Convencionou-se, ao longo dos últimos anos, que a universidade seria uma extensão, uma continuação do Ensino Médio. Bem, ela não é; apesar de estar se tornando. A universidade não foi criada para ensinar profissões. Ela foi criada para, lá dentro, você ver que existem pontos de vista diferentes do seu, ver que a realidade é muito maior e mais complexa do que você sempre imaginou ou ainda vai imaginar, para entender que você só é hoje porque alguém já foi um dia — e que você está intimamente ligado a tudo que aquele alguém fez ou deixou de fazer. Além disso, a universidade serve para dar voz às ideias que o mundo aqui fora não é capaz de compreender, tolerar ou praticar. A universidade é o lugar dos pensadores, não dos acomodados.

Sei que essa é uma visão extremamente romântica e que você já deve estar questionando o senso prático disso tudo com questões do tipo “o que eu vou ganhar com isso?”, “de que adianta eu ser assim se ninguém mais é?”, ou até com convicção: “assim eu vou ser passado pra trás”, etc. Na verdade, esse artigo desempenha exatamente o papel que a universidade deveria desempenhar: suscitar perguntas, não dar respostas. Os melhores universitários sabem, mesmo hoje, que vão sair da universidade com pouquíssimas respostas, mas com experiências que, ao longo dos anos, servirão para formular uma pergunta que lhes guiará pelo resto da vida acadêmica. Os demais, como alguém já disse um dia, talvez virem reitores.

idiota-universidade

 

Como é feita a prova do Enem?

Veja também: Dicas de estudo

Muitos candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ficam tão focados em conhecer o padrão de questões da prova e em como os conteúdos são cobrados, que acabam não pensando em como aquelas perguntas chegam no exame. Se você acha que um grupo de professores se reúne em uma mesa e monta as provas de uma vez, você está muito enganado. Tanto as questões do Enem quanto as de outros concursos públicos são selecionadas através de um acervo, o Banco Nacional de Itens (BNI).

O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) convocam instituições públicas e federais, tanto da educação básica quanto da superior, para contribuir com o banco. Estas decidem quais professores serão indicados para elaborar as questões, pois os docentes devem estar dentro do perfil definido pelo Inep. Após serem elaboradas, essas questões passam por uma revisão do INEP. Todas elas devem ser objetivas, possuir um texto introdutório e 5 alternativas, sendo que somente uma é a correta. O conteúdo de todas as perguntas da prova deve estar relacionado às disciplinas do Ensino Médio. Cada professor recebe R$ 200 por questão aceita para integrar o Banco Nacional de Itens. Já os professores que ficam responsáveis pela revisão dos itens ganham cada um R$ 100 por questão.

O MEC realiza uma prova semelhante ao Enem com alunos do Ensino Médio da rede pública. O chamado pré-teste é composto por 45 questões, diferentes entre si. Após o teste, as questões entram para o Banco Nacional de Itens, que hoje possui mais de 10 mil questões. Como o processo é extremamente sigiloso, os alunos não sabem que a prova que estão fazendo é parte do processo de montagem do banco de questões que compõem o Enem. De acordo com o resultado do pré-teste, as questões recebem graus de dificuldade. Cada grau é representado por um número que vai de zero até mil. A partir desses números, é montada uma régua. As perguntas são dividias entre fáceis, médias e difíceis. As médias ficam mais ou menos na marca de 500 pontos.

Para montar a prova, o MEC seleciona 180 questões, sendo 45 de cada uma das quatro áreas do conhecimento (Ciências Humanas; Ciências da Natureza; Linguagem e Códigos; Matemática). As questões começam a ser analisadas e escolhidas cerca de 5 a 6 meses antes do dia do exame. Esse é o tempo necessário para elaborar, imprimir e distribuir a prova. O conjunto de questões de cada área precisa equilibrar o grau de dificuldade das perguntas (25% fáceis, 50% médias e 25% difíceis). Como um dos objetivos do Enem é diferenciar o grau de conhecimento dos candidatos, as questões que apresentaram alto nível de acertos ou erros durante o pré-teste são descartadas.

As notas obtidas pelos candidatos são calculadas com base na Teoria de Resposta ao Item (TRI), que avalia não só o número de questões acertadas, mas também o grau de dificuldade delas e a coerência e consistência dos acertos na prova. Mesmo com números iguais de acertos, duas pessoas podem ter notas diferentes de acordo com o nível de dificuldade das questões acertadas e com a consistência desses acertos (errar muitas fáceis e acertar muitas difíceis não apresenta coerência e pode configurar chute).


Orientações para a elaboração de questões do Enem

  1. As questões devem ser divididas em três partes: texto, enunciado e alternativas;
  2. Cada situação-problema deve ser contextualizada de maneira que permita ao candidato incorporar situações vivenciadas; aproximar os temas escolares da realidade extraescolar. Um item contextualizado pretende transportar o candidato para uma situação normalmente vivenciada por ele no dia a dia;

  3. Os textos-base podem ser verbais e não verbais, como, por exemplo, imagens, figuras, tabelas, gráficos ou infográficos, esquemas, quadros, experimentos, etc.;

  4. Os textos-base poderão ser de dois tipos: formulados pelo próprio elaborador para o contexto do item ou referenciados por publicações de apropriação pública;

  5. O uso de publicações implica a citação da respectiva fonte;

  6. Não poderá ser utilizado livro didático como fonte para o texto-base;

  7. Deve-se suprimir elementos de caráter meramente acessório ou que demandem dispendioso tempo de leitura;

  8. Deve-se evitar a exigência de informações simplesmente decoradas, como fórmulas, datas, termos, nomes, enfim, detalhes que não avaliam a habilidade, mas privilegiam a memorização;

  9. O enunciado constitui-se de uma ou mais orações e não deve apresentar informações adicionais ou complementares ao texto-base;

  10. No enunciado, inclui-se uma instrução clara e objetiva da tarefa a ser realizada pelo participante do teste. Essa instrução poderá ser expressa como pergunta ou frase a ser completada pela alternativa correta;

  11. Não devem ser criadas situações capazes de induzi-lo ao erro;

  12. Utilize textos que abordem temas atuais e sejam adequados ao público-alvo;

  13. Evite a utilização de textos muito extensos;

  14. Evite abordagens de temas que suscitem polêmicas;

  15. Não vale pegadinha;

  16. Utilize termos impessoais como: “considere-se”, “calcula-se”, “argumenta-se” etc;

  17. Não utilize termos como: “falso”, “exceto”, “incorreto”, “não”, “errado”;

  18. Não utilize termos absolutos como: “sempre”, “nunca”, “todo”, “totalmente”, “absolutamente”, “completamente”, “somente” etc;

  19. Não utilize sentenças como: “Pode-se afirmar que”, “É correto afirmar que”, etc.

  20. Evite alternativas demasiadamente longas;

  21. Não use: “todas as anteriores”, “nenhuma das anteriores”;

  22. Considere o tempo médio de três minutos para resolução do item.


Todos os temas que já caíram nas provas de redação

Veja também: Redações com receita de miojo e hino do Palmeiras

1998: Viver e aprender
1999: Cidadania e participação social
2000: Direitos da criança e do adolescente
2001: Desenvolvimento e preservação ambiental
2002: O direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais que o Brasil necessita?
2003: A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo
2004: Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos
2005: O trabalho infantil na sociedade brasileira
2006: O poder de transformação da leitura
2007: O desafio de se conviver com as diferenças
2008: Como preservar a floresta Amazônica: suspender imediatamente o desmatamento; dar incentivo financeiros a proprietários que deixarem de desmatar; ou aumentar a fiscalização e aplicar multas a quem desmatar?
2009: O indivíduo frente à ética nacional
2010: O trabalho na construção da dignidade humana
2011: Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado
2012: Movimento imigratório para o Brasil no século 21
2013: Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil
2014: Publicidade infantil em questão no Brasil
2015: A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
2016: Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
2016 (segunda aplicação): Caminhos para combater o racismo no Brasil
2017: Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil

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