Duas reportagens sobre países que querem abolir o uso de dinheiro em papel-moeda

A primeira matéria é sobre o caso da Dinamarca e do Equador. A segunda fala do caso da Suécia como uma tendência mundial. Ambas as reportagens são da BBC Brasil.


dinheiroQuando as primeiras moedas foram cunhadas na Ásia, há cerca de 2.600 anos, iniciou-se uma verdadeira revolução no comércio em escala mundial. Hoje, porém, cada vez mais países e especialistas se perguntam: ainda faz sentido manter o dinheiro físico em circulação?

O governo da Dinamarca já anunciou que pretende abolir o uso de moedas e cédulas de dinheiro em lojas de roupas, postos de gasolina e restaurantes. Seu objetivo de longo prazo é tornar-se o primeiro país do mundo a eliminar a circulação de dinheiro físico. A medida foi apresentada como parte de um pacote de propostas para fomentar a produtividade nos negócios. “A meta é cortar os consideráveis custos administrativos e financeiros envolvidos no uso de dinheiro”, disse o governo dinamarquês.

Especialistas acreditam que o futuro será dominado pelo dinheiro eletrônico. No caso da Dinamarca, isso já é muito provável. Segundo a Comissão de Pagamentos dinamarquesa, todos os adultos do país têm um cartão de crédito, e os pagamentos com dinheiro físico sofreram uma redução de 90% desde 1990. Hoje, apenas 25% dos pagamentos é feito em dinheiro vivo. Além disso, praticamente todos os pequenos negócios aceitam cartões.

Algo parecido vem acontecendo no Equador, onde o governo colocou em prática um sistema de dinheiro eletrônico. Um dos principais motivos era lidar com a exclusão financeira da maior parte de sua população – e o celular tornou-se uma ferramenta para isso. “Cerca de 40% da população economicamente ativa não tem acesso a uma conta bancária, mas 100% dos domicílios têm celular”, explica o economista Fausto Valencia, diretor do projeto equatoriano. O sistema é administrado pelo Banco Central do Equador e permite realizar pagamentos, transferências, compras em geral. Seu funcionamento é simples. Uma conta é aberta com o celular, sem uso da internet, e pode ser recarregada em lojas. As transações são feitas por meio de mensagens de texto.

Valencia acredita que, no futuro, o dinheiro físico estará extinto do país. “Em países como Dinamarca ou Suécia, não levará muito tempo, porque não há problemas como pobreza e exclusão social como aqui. Mas o dinheiro eletrônico é o futuro. Meus netos viverão em uma sociedade sem cédulas e moedas”, garante. Mesmo assim, ele reconhece que algumas barreiras ainda precisam ser superadas. “Nas áreas pobres do Equador, temos um problema de educação financeira que vamos combater com um processo de formação, para que os cidadãos aprendam a usar o sistema”, afirma.

Mas quais são as reais vantagens do dinheiro eletrônico? Primeiramente, moedas e cédulas têm um custo de produção, armazenamento, transporte, além de haver comissões para sacá-lo do banco. Além disso, o Equador, por exemplo, precisa repor anualmente US$ 1,3 milhão (R$ 3,9 milhões) em dinheiro físico que se deteriora. Ao México, custará quase um peso (R$ 0,20) para produzir cada um dos 1,32 milhões de cédulas que serão necessárias neste ano, segundo a revista Excelsior. E seus habitantes gastarão quase 2,3 milhões de pesos com taxas relacionadas à obtenção de dinheiro físico, segundo um estudo da Universidade de Tufts, nos Estados Unidos.

Segundo os pesquisadores Bhaskkar Chakravorti e Benjamín Mazzota, da Tuffts, cada americano passa 28 minutos por mês sacando dinheiro de caixas eletrônicos. E, todos os mexicanos juntos, gastam 48 milhões de horas por ano desta forma, segundo a mesma pesquisa. E o dinheiro físico ainda leva à evasão fiscal. O governo americano perde US$ 100 milhões por ano com pagamentos em dinheiro não declarados.

Além disso, o dinheiro eletrônico é mais ecológico. Valencia, do Banco Central do Equador, alerta para o custo ambiental do dinheiro físico, não só por sua produção e transporte, mas também por causa dos documentos exigidos pela burocracia. Por fim, o dinheiro físico é pouco higiênico. Em 2011, pesquisadores britânicos do Instituto BioCote chegaram à conclusão que tirar dinheiro em um caixa eletrônico deixa uma pessoa tão exposta a bactérias quanto usar o pior dos banheiros públicos.


O fim do dinheiro de papel já é certo na Suécia: até 2030, as cédulas e moedas deverão virtualmente desaparecer no país, que lidera a tendência global em direção à chamada “sociedade sem dinheiro”. A projeção é do Banco Central sueco. É o prenúncio de uma nova era, dizem especialistas. A previsão é de que, no futuro, as economias modernas serão dominadas pelo uso do cartão e da moeda eletrônica em escala mundial.

Na Suécia, cada vez mais cidadãos usam menos dinheiro, nesta sociedade em que os pagamentos já são feitos majoritariamente via cartão, celular e outros meios eletrônicos. Na capital, Estocolmo, cresce o número de restaurantes e lojas que estampam o aviso: “Não aceitamos dinheiro”. Novos dados do Banco Central indicam que as transações em dinheiro representam, atualmente, apenas 2% do valor de todos os pagamentos realizados na Suécia – contra uma média de cerca de 7% no restante da Europa.

Com base nesses dados, a Sveriges Radio (rádio pública sueca) chegou a decretar a morte iminente do dinheiro para daqui a cinco anos: se mantido o ritmo atual indicado agora pelo Banco Central, segundo a rádio, as projeções apontam que já em 2021 o percentual de utilização do dinheiro no país deverá cair para menos de 0,5%. O banco, no entanto, prefere adotar um tom mais cauteloso. “Cerca de 20% dos pagamentos efetuados no comércio varejista ainda são feitos em dinheiro. Nossa avaliação é que o dinheiro continuará a circular na Suécia até aproximadamente o ano de 2030”, disse à agência sueca de notícias TT o porta-voz do Banco Central, Fredrik Wange.

A expectativa é de que a Suécia deverá ser o primeiro país do mundo a abolir o dinheiro de papel. “Os novos números do Banco Central confirmam uma tendência que cresce a cada ano no país”, disse à BBC Brasil o analista Bengt Nilervall, da Federação Sueca do Comércio. “A Suécia continua à frente do resto da Europa em relação à redução do uso do dinheiro do papel. E principalmente dos Estados Unidos, onde cerca de 47% dos pagamentos ainda são feitos em dinheiro”, acrescenta Nilervall, que destaca os avanços dos vizinhos nórdicos, Noruega e Dinamarca, na mesma direção.

Em diversas lojas e diferentes setores de serviços da Suécia, mais de 95% dos pagamentos são feitos com cartão. Nos ônibus de Estocolmo há tempos já não se aceita dinheiro. A tarifa deve ser paga com cartões pré-pagos ou via SMS, e basta mostrar ao motorista o celular com a mensagem que confirma o pagamento.

Também cresce o número de comerciantes que aceitam apenas cartão como pagamento. “Toda semana, a Federação do Comércio recebe telefonemas de comerciantes que perguntam se é legalmente permitido não aceitar dinheiro como pagamento. E é”, diz Nilervall. Feirantes e ambulantes também se adaptam à tendência e trabalham equipados com leitores portáteis de cartões. Um estudo recente da empresa de serviços financeiros Visa indica que os suecos usam seus cartões com uma frequência três vezes maior do que a maioria dos europeus.

Novas tecnologias e aplicativos de pagamento via celular também vêm sendo desenvolvidos com rapidez. Entre as novidades mais recentes está o aplicativo Swish, que acabou criando um novo verbo na língua sueca: “swishar” significa transferir dinheiro via celular. Para “swishar” dinheiro para outro usuário, basta digitar no celular o número de telefone da pessoa ou empresa a quem deseja transferir uma quantia, seguido por um código de segurança. A transação se dá em tempo real: em questão de segundos, pisca no celular de quem recebeu o dinheiro a mensagem de que a quantia entrou em sua conta bancária. O sistema Swish foi implementado nos seis maiores bancos da Suécia, como um método rápido e simples de transferência de dinheiro entre pessoas e empresas.

O avanço tecnológico é apontado por especialistas como uma das razões que explicam a liderança da Suécia no movimento em direção a uma sociedade sem dinheiro. “Os bancos e o comércio investiram maciçamente em sistemas de pagamentos eletrônicos na Suécia a partir da década de 90, e hoje em dia os consumidores estão acostumados a usá-los”, diz Niklas Arvidsson, professor de Dinâmica Industrial do Real Instituto de Tecnologia da Suécia. Os principais bancos da Suécia vêm simplesmente parando de lidar com cédulas e moedas: cerca de 75% de suas agências já operam sem dinheiro.

Ladrões de banco vão se tornando, assim, personagens do passado. O número de roubos a agências bancárias vem atingindo o índice mais baixo dos últimos 30 anos, segundo a Associação dos Bancos sueca. Em 2014, de acordo com relatório publicado na página oficial na internet do Conselho Nacional Sueco para a Prevenção do Crime, foram registrados um total de 23 assaltos a banco no país. Para os bancos, as vantagens de uma futura sociedade sem dinheiro são evidentes. Em primeiro lugar, ela traria mais segurança para funcionários e clientes. E também eliminaria os altos custos de gerenciamento e transporte de dinheiro, estimados em cerca de 8,7 bilhões de coroas suecas – o equivalente a 0,3% do PIB do país.

Para os críticos da tendência, o aumento das transações digitais também representa o crescimento potencial de fraudes e riscos de segurança bancária, além do fato de que idosos e outros segmentos da sociedade têm acesso limitado a opções de pagamento eletrônico. A associação nacional dos aposentados suecos está preocupada com o ritmo da transformação. “Isso está acontecendo a uma velocidade furiosa”, disse Christina Tallberg, presidente da associação. “E é importante para muitos idosos ter o direito de continuar a usar o dinheiro de papel, assim como para novos residentes do país, imigrantes e muitos outros que têm dificuldades para utilizar cartões”.

O fim do dinheiro parece um caminho sem volta. “Voltar aos tempos do dinheiro de papel não é uma alternativa na Suécia. Fora de questão”, diz Bengt Nilervall. “Se eu acredito que a Suécia não terá no futuro nenhum dinheiro em circulação? Bem, não. Mas com certeza o uso do dinheiro será drasticamente reduzido”. Em 1661, as primeiras cédulas de papel da Europa foram introduzidas pelo Stockholms Banco, o embrião do Banco Central da Suécia. Agora, ironicamente, os suecos vão se tornando os primeiros do mundo a desprezar o dinheiro vivo.

Explosão de uma baleia na Dinamarca

As baleias são os maiores animais do planeta e, quando uma delas encalha numa praia e morre, não é tarefa fácil retirá-las do lugar. É preciso cortar o animal em pedaços menores para facilitar a remoção. Mas existe um grande problema: o processo pode causar uma explosão. Mas como isso acontece? Logo após a morte da baleia começa o processo de decomposição. Os órgãos internos e toda a comida consumida pelo animal começam a apodrecer. Bactérias decompositoras produzem gases que aumentam a pressão no interior do animal. Quando um corte é feito, para remover ou estudar o bicho, os gases se expandem e causam uma explosão que leva tudo o que estiver pelo caminho. A televisão nacional das Ilhas Faroé, na Dinamarca, registrou o momento em que uma baleia cachalote explode ao ser aberta por um biólogo.

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Fonte: National Geographic.

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