Sobre os nomes dos meses

calendar_icon1Desde criança, uma pergunta me inquieta, mas nenhum dos adultos que eu conhecia jamais foi capaz de respondê-la. Eu mesmo me tornei adulto, mas até pouco tempo atrás não conseguia ainda saciar a curiosidade da criança dentro de mim. A pergunta continuava insolúvel, e consistia nisso: Por que o mês de setembro não é o mês de número sete, outubro não é o oito, novembro não é o nove, e dezembro não é o dez? Ora, não precisa ser um gênio para notar que os radicais das palavras setembro, outubro, novembro e dezembro vêm de sete, oito, nove e dez, respectivamente. Mas por que, ainda assim, isso não condiz com a realidade? Por que insistimos que setembro é o mês nove, outubro é o dez, novembro é o onze e dezembro é o doze? Do ponto de vista linguístico, isso não tem sentido! Vejamos o que diz a História.

Apenas abrindo um parêntesis, o mesmo pode ser dito dos calendários que colocam a semana começando na segunda-feira, fazendo do sábado e domingo literalmente “fim de semana”. Isso pode até ser útil, porque na prática, é assim mesmo que funciona. Mas do ponto de vista linguístico não faz sentido, já que segunda, terça, quarta, quinta e sexta significam literalmente segundo dia, terceiro dia, quarto dia, quinto dia e sexto dia, respectivamente. Isso sem falar que o sábado recebeu esse nome da tradição judaica por ser o último dia da semana, o dia do descanso; e que o domingo foi instituído pelos romanos como o “dia do Senhor” (do latim “dies Dominicus”), justamente por ser o primeiro e mais importante da semana.

Veja também: Por que os dias úteis da semana têm “feira”?

Mas, voltando aos nomes dos meses, por que há essa confusão? Não sou nenhum especialista no assunto, mas, depois de uma pesquisada na internet, eis o que encontrei: setembro, outubro, novembro e dezembro são assim chamados porque eles de fato eram (pasmem!) o sétimo, oitavo, nono e décimo mês do ano. Essa ordem só mudou no ano 46 a.C., por decreto do imperador romano Júlio César. Mas acho melhor contar essa história do começo. Os nomes dos meses, tais como os herdamos na língua portuguesa, são de origem latina e foram instituídos na criação do calendário romano, que começa na própria fundação da cidade de Roma pelo lendário Rômulo, considerado seu fundador e primeiro rei, na data tradicionalmente estabelecida como o dia 21 de abril de 753 a.C. Neste primeiro calendário romano, o ano tinha apenas 10 meses, que totalizavam 304 dias (os demais 61 dias, que coincidiam com o inverno, não entravam no calendário, havendo pouco interesse de acompanhamento temporal neste período do ano).

A primeira reforma do calendário ocorreu com Numa Pompílio, o segundo dos sete reis de Roma, por volta de 713 a.C., que adicionou os meses de Januarius e Februarius no final do calendário, aumentando o seu tamanho para 355 dias. Este calendário fora baseado no calendário grego praticado em Atenas, que já era um calendário luni-solar e bem mais preciso que aquele primeiro calendário praticado em Roma e que, então, também passou a ser de 12 meses. É por isso que até hoje fevereiro tem menos dias, porque era o último mês do ano.

Mas qual a origem desses nomes? Alguns foram dados em homenagem a deuses, imperadores ou festas, enquanto os outros simplesmente simbolizam uma ordem numérica. Março é em homenagem a Marte, o deus da guerra. Para abril há duas versões: A primeira baseia-se em uma comemoração sagrada: aprilis, feita em homenagem a Vênus, deusa do amor. A segunda versão viria de aperire (abrir, em latim), referência à abertura das flores, já que, nesse período, é primavera no hemisfério norte. Maio é em homenagem à deusa romana Maia. Junho homenageia Juno, deusa que protegia a maternidade e as mulheres casadas. Quintil, sextil, setembro, outubro, novembro e dezembro refletem apenas a ordem numérica. Janeiro é em homenagem a Janus, deus que protegia as portas de Roma. E, por fim, fevereiro faz referência a um festival que era celebrado nessa época do ano, em Roma, chamado Februália, ou “Purificação”. Nessas festas, os romanos se preparavam para a chegada do ano novo, que começava em março, e ofereciam sacrifícios para expiar as faltas cometidas durante todo o ano.

Como o ano solar tem na verdade aproximadamente 365 dias e 6 horas, o calendário romano (de 304 dias), mesmo após a reforma de Pompílio (quando mudou para 355 dias) acabou ficando, depois de alguns séculos, com muita defasagem. Numa tentativa de corrigir essa falha no calendário, o então imperador de Roma Júlio César instituiu em 46 a.C. o calendário juliano, com 365 dias distribuídos em 12 meses, baseado em um modelo utilizado pelos egípcios. Além de aumentar os dias do ano para 365, Júlio César fez ainda outras três alterações significativas:

Primeiro, instituiu os chamados anos bissextos, usados até hoje, para corrigir defasagens no calendário de 365 dias. Depois, mudou o nome do mês “quintil” para “julho”, em sua homenagem. Seu sucessor, César Augusto, gostou da ideia e também mudou, no ano 8 d.C., o nome do mês “sextil” para “agosto”, também em homenagem própria. Por fim, a mudança mais importante: Mudou os meses de janeiro e fevereiro do final do ano para o começo. Dessa forma, o deus Janus, protetor das portas de Roma, deus das entradas e saídas, términos e recomeços, passaria a ser homenageado na passagem para o ano novo. E é por isso, amiguinhos, que os nomes dos quatro últimos meses do ano ficaram sem sentido.

O problema do calendário juliano é que, para ser bem preciso, um ano solar tem 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos; ou seja, cerca de 11 minutos a menos do que os astrônomos estimavam naquela época (eles calcularam 365 dias e 6 horas). Ao longo dos séculos, essa defasagem se acumulou novamente e, para corrigir isso, o papa Gregório XIII instituiu, em 1582, o calendário gregoriano, que substituiu em todo o ocidente o calendário juliano. Não houveram grandes mudanças nessa transição, mas um fato curioso merece ser relatado: É que, por decreto do papa, foram omitidos dez dias do calendário juliano. A bula papal determinava que o dia imediato à quinta-feira, 4 de outubro, fosse sexta-feira, 15 de outubro. Desse modo, os dias 5 a 14 de outubro de 1582 jamais existiram!

Veja fotos incríveis e em cores da descoberta da tumba do faraó Tutancâmon no Egito

Uma das mais fantásticas descobertas arqueológicas da história recente foi a tumba do faraó Tutancâmon no Egito, que até serviu de inspiração para o personagem Indiana Jones no cinema. Recentemente as fotos da expedição foram coloridas para divulgar a exposição Discovery of King Tut, que será inaugurada em Nova York neste sábado, dia 21 de novembro, e que, além das fotos, contará com réplicas e reconstruções dos artefatos encontrados. Os arqueólogos ingleses Howard Carter e Lord Carnarvon estavam desde 1907 à procura da tumba de Tutancâmon, um rei que foi coroado em 1333 a.C., ainda criança, e morreu aos 18 anos de idade. Com o financiamento da expedição prestes a acabar, Carter decidiu voltar a um local de escavação que tinha abandonado. Foi quando descobriu, em 1922, um caminho que levava para a entrada da tumba, onde ele e sua equipe quebraram uma porta de tijolos de barro que levava ao túmulo do faraó. O processo de escavação demorou 8 anos e muitos tesouros da época foram encontrados, incluindo o sarcófago contendo os restos mumificados de Tutancâmon. Saiba mais sobre a descoberta da tumba aqui. Veja a seguir 9 incríveis imagens sobre uma das mais fascinantes descobertas arqueológicas da História e se encante com a beleza da cultura egípcia:

Veja também: Robô transmite imagens exclusivas da Pirâmide de Gizé

PS.: Clique nas fotos para vê-las em tamanho maior.

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Fonte: Alberto de Sampaio.

Escritor e dramaturgo Ariano Suassuna fala sobre as raízes populares da cultura brasileira

Selecionei abaixo as melhores palestras ministradas pelo falecido escritor e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna que estão disponíveis no YouTube. Apesar de longas, as chamadas “aulas-espetáculo” passam longe de ser cansativas e maçantes. Vale a pena cada minuto. Que saudade desse velho da voz rouca e prosa cativante!

Conheça a Biblioteca Nacional

O vídeo a seguir foi divulgado há exatos 5 anos, em 29 de outubro de 2010, por ocasião do bicentenário da Fundação Biblioteca Nacional, no centro histórico do Rio de Janeiro. Pelo mesmo motivo, nesta data se comemora também o Dia Nacional do Livro aqui no Brasil. A Biblioteca Nacional é a maior biblioteca do país e recebe, por lei, um exemplar de cada livro publicado no Brasil. Todo o seu acervo fica disponível à consulta pública. Parada obrigatória pra quem for dar uma passadinha na cidade maravilhosa.

Quem gosta de clássicos?

Crônica de Camila Kehl publicada no Diário de Canoas.

Veja também: Por que ler os clássicos.

Os clássicos se tornam clássicos por uma série de razões. Mesmo pertencendo a uma época, eles são atemporais. O fato de se passar em determinado período ou pincelar sobre determinado acontecimento histórico não faz com que uma obra fique datada, estigmatizada e, dentro de alguns anos, ultrapassada – só contribui para agregar valor a um enredo. Referências a um ano, local ou marco que situem um acontecimento no tempo e no espaço convidam a estudar e a contemplar o passado da humanidade, e a conhecer o que até então possivelmente ignorávamos. A essência das novas descobertas descortinadas pela literatura trazem, sempre, um tom e um vínculo eternos com a arte.

Para que um clássico seja considerado clássico, é avaliado o estilo de narrativa de um escritor, o valor da forma, a cadência da prosa, a qualidade do texto, a consistência do enredo, a grandiosidade das ideias, a veracidade das personagens. Os clássicos não viram clássicos porque são chatos, como eu pensava enquanto ainda estava no colégio e os professores tentavam fazer com que pré-adolescentes gostassem de ler com Vidas Secas. Não dá para esfregar Camões nos narizes de meninos e meninas que ainda não completaram 15 anos e esperar que estes sorriam encantados e passem a estudar mais a fundo a literatura portuguesa. A maioria, claro, não vai reagir de forma positiva.

Isso porque gostar de livros clássicos exige, em primeiro lugar, um tipo muito centrado de maturidade; uma vontade de aprender e de acumular o conhecimento ideal, ou que se convencionou chamar ideal, desprovida daquela pontada de anarquia e rebeldia que os mais jovens têm e que, evidentemente, contesta também, e principalmente, este campo. Em segundo lugar, para se entender e amar as obras imortais, há que se ter perseverança e paciência, e direcionar ambas a um patamar maior e que pode ser denominado como o do saber. Em terceiro lugar, podemos afirmar ainda que isso não seja uma regra, que o livro clássico não é simples de ser lido; ele geralmente pertence à outra época, sobre a qual é necessário algum tipo e algum acúmulo de entendimento.

Os clássicos nem sempre divertem e entretêm. Mas todos, em igual medida, são necessários para uma sólida formação cultural. Discordo veementemente dos que apregoam que a leitura deve ser simplesmente um prazer e obedecer única e exclusivamente aos momentos de lazer. Ora, só nos parece fácil – e, portanto, divertido – algo que não exige muito de nossa capacidade intelectual. É evidente que algumas obras servem exclusivamente aos momentos de relaxamento, e por isso mesmo pouco têm a acrescentar e contribuir; simplesmente figuram como um elemento pertencente ao conjunto das cadeiras de praia, do mar, do sol e da água de coco. É o caso dos livros de autoajuda, daqueles romances comprados em banca de jornal, e dos de temática fantástica, com vampiros, lobisomens, anjos e demônios, que se proliferam com uma rapidez assombrosa nas prateleiras das livrarias.

É a perseverança de seguir adiante com um livro complicadíssimo que nos faz crescer intelectualmente. É o desafio que instiga, que amplia horizontes, que move o interesse. O ato de abrir um dicionário ou um livro de história para entender uma obra de ficção é a confirmação de que esta cumpriu parte do seu propósito. E aqueles que ainda não têm intimidade com o mundo da leitura, devem começar o reconhecimento de terreno pelos clássicos? De forma alguma. Mas, em nome do crescimento pessoal, e para duelarem consigo mesmos, um dia devem tentar.

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