Mudou a música ou mudaram os caipiras?

Coluna de André Barcinski para a Folha de S.Paulo, publicada em 4 de junho de 2012.

Dia desses, participei de uma entrevista com um músico que admiro muito: Renato Teixeira. Certa hora, alguém pediu ao Renato para listar as diferenças entre a música sertaneja antiga e a atual. A resposta dele surpreendeu a todos: “Não há diferença alguma”, disse. “Como assim?” reagiu o entrevistador. “A música caipira sempre foi a mesma”, explicou o músico. “É uma música que espelha a vida do homem no campo, e a música não mente. O que mudou não foi a música, mas a vida no campo”. Faz todo sentido: a música caipira de raiz exalava uma solidão, um certo distanciamento do país “moderno”. Exigir o mesmo de uma música feita hoje, num interior conectado, globalizado e rico como o que temos, é impossível. Para o bem ou para o mal, a música reflete seu próprio tempo. Fiquei pensando muito sobre a frase do Renato Teixeira. Será que nossa nostalgia por uma música melhor não reflete nossa nostalgia por outros tempos? Será possível, nos tempos atuais, ter uma música popular de qualidade e mais “autêntica”? Será que a decadência cultural e a globalização permitiriam ao público jovem apreciar uma música que não refletisse a confusão de estilos e tendências que é a marca da modernidade? “Ai Se Eu Te pego” é sertanejo? Segundo a teoria de Renato Teixeira, sim. Talvez não o “sertanejo” a que nos acostumamos, ou o que gostaríamos que fosse. Mas um sertanejo que é inescapável.

As capitais linguísticas do mundo

Seguindo a mesma linha do post no qual escolhi quais são as capitais de cada continente, agora chegou a vez de dizer quais são as capitais de cada idioma. Da nossa lista dos 10 idiomas mais falados no mundo, troquei o Hindi e o Bengali pelo Alemão e o Italiano. Penso ter obtido, assim, a lista das 10 línguas mais importantes do mundo (primeira coluna a esquerda na tabela abaixo). Essa escolha não foi arbitrária: embora possuam um maior número de falantes, especialmente na Índia e em Bangladesh, os idiomas Hindi e Bengali não têm a mesma importância cultural que o Alemão e o Italiano têm para o resto do mundo. Depois disso, para cada um desses 10 idiomas, escolhi, por ordem de importância cultural, econômica e demográfica, as três cidades mais influentes nas quais esse idioma é a língua oficial. Chamei-as de “capitais linguísticas do mundo”.

INGLÊS

Nova York (EUA)

Londres (ING)

Los Angeles (EUA)

ESPANHOL

Madri (ESP)

Cid. do México (MEX)

Buenos Aires (ARG)

FRANCÊS

Paris (FRA)

Montreal (CAN)

Bruxelas (BEL)

ALEMÃO

Berlim (ALE)

Frankfurt (ALE)

Munique (ALE)

PORTUGUÊS

São Paulo (BRA)

Rio de Janeiro (BRA)

Lisboa (POR)

ITALIANO

Roma (ITA)

Milão (ITA)

Nápoles (ITA)

RUSSO

Moscou (RUS)

São Petersburgo (RUS)

Kiev (UCR)

ÁRABE

Cairo (EGI)

Teerã (IRÃ)

Dubai (EAU)

MANDARIM

Shangai (CHI)

Pequim (CHI)

Hong Kong (CHI)

JAPONÊS

Tóquio (JAP)

Osaka (JAP)

Nagoia (JAP)

Os 10 idiomas mais falados no mundo

Segundo a última edição do livro Ethnologue: languages of the world, o número de línguas faladas no mundo hoje é 6912. Confira na lista abaixo as dez línguas mais faladas no mundo, com seu respectivo número de falantes e alguns países e regiões onde ela é o idioma oficial. Note que o Inglês, considerada hoje a língua franca, o idioma universal, é apenas o terceiro do mundo em número de falantes, atrás do Mandarim e do Hindi, que o superam devido à enorme população da China e da Índia, respectivamente. O nosso querido Português aparece em sexto colocado, com cerca de 218 milhões de falantes.

LÍNGUA

FALANTES

   PAÍSES E REGIÕES

Mandarim

1051 milhões

   China, Malásia e Taiwan

Hindi

565 milhões

   Índia (regiões norte e central)

Inglês

545 milhões

   EUA, Canadá, Reino Unido e Austrália

Espanhol

450 milhões

   Espanha e América Latina

Árabe

246 milhões

   Oriente Médio e norte da África

Português

218 milhões

   Brasil, Portugal, Angola e Moçambique

Bengalês

171 milhões

   Bangladesh e nordeste da Índia

Russo

145 milhões

   Rússia e Ásia Central

Francês

130 milhões

   França, Canadá e alguns países africanos

10º

Japonês

127 milhões

   Japão

Fonte: MDIG

O Ocidente e o Islã

Artigo de opinião do historiador, teólogo e pastor presbiteriano Alderi Souza de Matos, publicado originalmente no portal da Mackenzie.

Veja também: O Oriente e o Ocidente

mesquitaNos últimos anos, uma série de acontecimentos dramáticos tem chamado a atenção de todos para as enormes tensões existentes entre o mundo muçulmano e o Ocidente cristão. A ressurgência do fundamentalismo islâmico, a intensificação do terrorismo, os conflitos entre Israel e Palestina e a invasão americana no Iraque transformaram a interação desses dois mundos em um dos temas mais candentes do nosso tempo. Ao que parece, essa interação terá vastas consequências para a humanidade ao longo do século 21. Para se entender melhor a complexidade dos eventos atuais é preciso conhecer um pouco de história.

Quando o islamismo surgiu na primeira metade do século VII da era cristã (ano 622), o cristianismo já era uma religião consolidada e estava a caminho de criar a grande civilização européia conhecida como “cristandade”. O antigo Império Romano Ocidental havia desaparecido e dentro de um século e meio haveria de surgir o Sacro Império Romano Germânico, sob a liderança do imperador dos francos, Carlos Magno (que reinou de 771 a 814). O islamismo foi fruto da genialidade de um notável líder religioso, Maomé (ou Muhammad, 570-632), que transformou os povos árabes, até então inexpressivos e desunidos, em uma poderosa força no contexto internacional. Inspirados pela nova fé, em poucas décadas os muçulmanos conquistaram todo o Oriente Médio, a Mesopotâmia e o norte da África, bem como passaram a ameaçar a Europa cristã tanto no Oriente (Ásia Menor) quanto no Ocidente (Península Ibérica).

É importante lembrar que o islamismo foi, desde o início, uma religião conscientemente rival do cristianismo e do judaísmo, ainda que se considerasse herdeira dessas duas tradições religiosas. Além disso, enquanto os cristãos por vários séculos expandiram a sua fé por meios pacíficos, os muçulmanos o fizeram, desde o início, também pela força, isto é, mediante a conquista militar. É verdade que eles geralmente se mostravam tolerantes com as populações cristãs conquistadas, mas estas eram relegadas a um status inferior e sofriam toda uma série de limitações religiosas, sociais e econômicas.

A cristandade sofreu por cerca de quatro ou cinco séculos contínuas incursões islâmicas em seus territórios. Foi somente depois do ano 1000 que surgiu uma reação ampla e organizada – na Península Ibérica, a chamada Reconquista, e no Oriente Médio, as Cruzadas (1095-1291). Estas últimas, que visavam libertar os locais sagrados do cristianismo, na Palestina, foram especialmente significativas por causa de seus objetivos, motivações e amplas consequências.

Do ponto de vista político e militar, as Cruzadas foram um fracasso, mas intensificaram o intercâmbio cultural e econômico entre o Oriente e o Ocidente. Ao longo da Idade Média, os muçulmanos criaram florescentes civilizações em regiões como Iraque, Síria, Egito e Espanha, dando notáveis contribuições ao Ocidente nas áreas da filosofia, literatura e ciência. Ao mesmo tempo, as violências perpetradas pelos cruzados produziram marcas profundas na consciência islâmica e se tornaram um fator perene de ressentimento e amargura em relação ao cristianismo e ao Ocidente.

Outra consequência adversa foi o maior distanciamento entre a cristandade ocidental (católica romana) e a cristandade oriental (ortodoxa grega). Após as cruzadas, surgiu uma poderosa força muçulmana na Ásia Menor – o Império Otomano (1300-1924), que por vários séculos atacou continuamente a Europa cristã, conquistando boa parte dos Bálcãs. Em 1683, os turcos foram derrotados durante o segundo cerco de Viena, em sua última tentativa de invadir a Europa central. O mundo islâmico estava entrando em um longo período de declínio, tornando-se uma sombra do que havia sido em séculos anteriores, e cessaram por longo tempo os seus conflitos com o Ocidente.

No início do século 20, o fim do império turco, a partilha dos territórios árabes entre vários países europeus (colonialismo), a criação do Estado de Israel e a descoberta de petróleo no Oriente Médio deram nova visibilidade à região e produziram renovados conflitos com o Ocidente. O descumprimento de promessas no que diz respeito à independência dos países árabes, à criação de Israel e à preservação dos direitos dos palestinos gerou forte sentimento anti-europeu e anti-americano naquela região.

O sentimento de trauma e frustração do mundo muçulmano, em virtude de se considerar injustiçado pelo Ocidente, aliado à ameaça de secularização, ocidentalização e dissolução dos valores tradicionais, alimentou uma corrente intolerante e agressiva dentro do islamismo, que resultou no fundamentalismo militante das últimas décadas. A partir dos anos 1950, essa reação conservadora produziu resistência política, revolução e finalmente o horrendo flagelo do terrorismo.

Para a restauração da confiança entre as duas comunidades, o mundo ocidental precisa reconhecer e sanar os seus erros: sua arrogância e prepotência, suas ações imperialistas (políticas e culturais), sua falta de simpatia e sensibilidade acerca de questões essenciais como a causa palestina. Por outro lado, as nações islâmicas não estão isentas de falhas, entre elas a ausência de instituições democráticas e o desrespeito aos direitos humanos e a intolerância contra minorias religiosas (em contraste com a plena liberdade que os muçulmanos usufruem no Ocidente). Os muçulmanos devem reconsiderar alguns aspectos do conceito de jihad (guerra santa), a incitação à violência nas mesquitas, e o radicalismo em nome de Alá, “clemente e misericordioso”. Enfim, é necessária a ação dos governos, dos organismos internacionais, dos grupos religiosos e de todas as pessoas de boa-vontade para que sejam curadas as feridas antigas e recentes e se renove a harmonia nas relações entre os muçulmanos e o Ocidente, o que trará benefícios extraordinários para todo o mundo.

O papel da filosofia na educação

Palestra ministrada pela diretora da Nova Acrópole de Brasília, professora Lúcia Helena Galvão, sobre o papel da filosofia na educação. Encontre tempo e ouça com atenção.

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