Explosão demográfica

Trecho do livro Aprendendo Inteligência, do professor Pierluigi Piazzi.

Veja também: Quantas pessoas já viveram no mundo?

Quando eu tinha uns nove anos, um professor propôs o seguinte problema: “Dentro de uma garrafa, cheia de um líquido nutritivo, cai um micróbio. O micróbio se alimenta, cresce e se divide em dois. Os dois se alimentam, crescem e, por sua vez, se dividem dando origem a quatro micróbios. Verificamos que o número de micróbios duplica de minuto em minuto. Sabemos que o primeiro micróbio caiu na garrafa à meia-noite e que a garrafa chegou a se encher pela metade de micróbios em quatro horas, ou seja, ela está pela metade às quatro horas da manhã. A que horas ela estará totalmente cheia?”.

E todos nós, trouxas, caímos na armadilha e respondemos quase em coro: “Às oito horas”. Com muita paciência, o professor nos explicou que, se o número de micróbios duplicava a cada minuto, em apenas mais um minuto a garrafa, que já estava pela metade, iria se encher completamente. A resposta correta, portanto, seria: “Às quatro horas e um minuto!”. Nesse momento, senti a saudável sensação de ser um verdadeiro tonto (sensação essa que se repetiria frequentemente ao longo de minha existência).

O episódio, porém, teria sido completamente esquecido se, muitos anos mais tarde, eu não tivesse lido um artigo escrito por alguém que com certeza conhecia a história dos micróbios. Em resumo, a história começava com a garrafa pela metade e um micróbio político fazendo um pronunciamento ao vivo pela televisão:

“Minhas compatriotas e meus compatriotas! Já faz muito tempo, quatro longas horas para ser exato, que nosso ancestral comum chegou nessa garrafa deserta e, com corajoso espírito pioneiro, a colonizou. Nossa estirpe orgulhosamente cresceu, apesar dos gritos de estúpidos ambientalistas que ficam bradando contra o que eles denominam ‘crescimento desordenado’. Será que eles não enxergam que, no decorrer de toda a nossa história, só consumimos a metade do espaço e dos recursos disponíveis? Toda a outra metade está virgem e intocada para as gerações seguintes! Além disso, para calar esses pessimistas, quero dar uma excelente notícia: Nossa agência espacial enviou algumas sondas para exploração no espaço extragarrafal e descobriu nas vizinhanças seis garrafas idênticas à nossa, completamente desertas e cheias de líquido nutritivo, para as quais já transferimos alguns corajosos colonos. Portanto, se já consumimos o espaço e a comida de apenas meia garrafa em toda a existência de nossa nação, as gerações futuras irão dispor de muitas e muitas eras antes de começar e se preocupar, dando ouvidos a esses chatos dos ambientalistas. Se algum dia nossa garrafa ficar cheia, transferiremos num instante as duas metades da população em duas garrafas virgens.”

Sob aplausos entusiásticos, nosso personagem desce do palanque, sorrindo e acenando para a multidão. Apenas três minutos depois, todos os micróbios de todas as garrafas começam a morrer de fome! “Bonita história”, você dirá. “Mas o que isso tem a ver comigo?”. Pois é, meu caro leitor, você já deve ter ouvido algum professor de história dizendo que devemos estudar o passado para não cometermos os mesmos erros no presente. Acontece que há um erro que jamais foi cometido no passado e que, pela primeira vez na história da humanidade, está sendo cometido agora. E não por falta de aviso. Entre no Google e dê uma pesquisada sobre um tal de Thomas Robert Malthus (1766-1834). Ele certa vez alertou: “A população, quando não controlada, cresce em razão geométrica. Recursos de subsistência crescem apenas em razão aritmética”.

Bem vindo à explosão demográfica! O planeta Terra, nossa garrafa, está se degradando aceleradamente: poluição, desmatamento, buraco na camada de ozônio, aquecimento global devido ao efeito estufa… E as coisas vão piorar! Duvida? Então ouça, a partir desse alerta, os discursos dos políticos: todos eles falam em “crescimento econômico”. Agora entre no Google e digite: “Lemingue”. Leia o que vier e medite um pouco. Depois de meditar, entre no site da WWF e leia alguns relatórios muito esclarecedores. Baseadas nesses dados, todas as escolas, numa falta de originalidade até benéfica, propõem trabalhos sobre o que é considerado o recurso mais escasso do século 21: água potável. Na realidade, há tanta água potável no século 21 quanto havia nos séculos anteriores. O que há de diferente é o excesso de pessoas querendo beber. O bem mais escasso do século 21 não é água, é inteligência!

Sobre a morte e o morrer – Rubem Alves

Celebra-se hoje no Brasil o Dia de Finados, uma data em que milhões de pessoas, muitas delas em visitas aos cemitérios, relembram e homenageiam entes queridos que já se foram. Aproveitando a ocasião, compartilho a crônica abaixo, escrita por Rubem Alves e publicada no jornal Folha de S.Paulo do dia 12 de outubro de 2003.


Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: “Morrer, que me importa? O diabo é deixar de viver”. A vida é tão boa! Não quero ir embora. Como ia dizendo, não tenho mais medo da morte, mas temo ainda porque o morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo. E pela solidão, já que ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte. E medo também de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza. Mas a medicina não entende.

Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: “O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?”. O médico olhou-o com olhar severo e disse: “O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?”. Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava.

Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que conseguia com esforço movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: “Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei”. Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusaram, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.

Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama. De repente um acontecimento feliz: o coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias.

Dirão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a reverência pela vida é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais? Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais.

A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia. Muitos dos chamados “recursos heroicos” para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da reverência pela vida. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: “Liberta-me!”.

Dizem as escrituras: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A reverência pela vida exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a morienterapia, o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs, aparelhos invasivos e hospitais.

Eu trocaria – Hélio Fraga

Escrita pelo jornalista Hélio Fraga em meados da década de 1980, a crônica abaixo revela uma trágica e comovente lição de vida. Se você é pai ou mãe, esse depoimento pode mudar a forma como você se relaciona com os seus filhos.


O pai moderno, muitas vezes perplexo, aflito, angustiado, passa a vida inteira correndo como um louco em busca do futuro e esquecendo-se do agora. Na luta para edificar esse futuro, ele renuncia ao presente. Por isso, é um homem ocupado, sem tempo para os filhos, envolvido em mil atividades – tudo com o objetivo de garantir o amanhã. Com prazer e orgulho, a cada ano, ele preenche a sua declaração de Imposto de Renda. Cada nova linha acrescida foi produto de muito esforço, muito trabalho. Lote, casa, apartamento, sítio, casa de praia, automóvel do ano, tudo isso custou dias, semanas, meses de luta. Mas ele está sedimentando o futuro de sua família: se partir de repente, por qualquer motivo, já cumpriu sua missão e não vai deixá-la desamparada. E para ir escrevendo cada vez mais linhas na sua relação de bens, ele não se contenta com um emprego só – é preciso ter dois ou três; vender parte das férias, em vez de descansar junto à família; levar serviço para casa, em vez de ficar com os filhos. É um tal de viajar, almoçar fora, discutir negócios, marcar reuniões, preencher a agenda – afinal, um executivo dinâmico não pode fraquejar nesse mundo competitivo.

Mas esse homem esquece que a verdadeira declaração de bens, o valor mais alto, aquele que efetivamente conta, está em outra página do formulário do Imposto de Renda – mais precisamente naquelas modestas linhas, quase escondidas, onde se lê: “relação dos dependentes”. São os filhos que ele colocou no mundo, e a quem deve dedicar o melhor do seu tempo. Há filhos órfãos de pais vivos, porque estão “entregues” – o pai para um lado, a mãe para outro, e a família desintegrada, sem amor, sem diálogo, sem convivência. Há irmãos crescendo como verdadeiros estranhos,  correndo de um lado para o outro o dia inteiro – ginástica, natação, judô, ballet, aula de música, curso de inglês, terapia, etc. – e só se encontram de passagem em casa, um chegando, outro saindo. Não vivem juntos, não saem juntos, não conversam. Para ver os pais, é quase preciso marcar hora!

Seus filhos são novos demais e não estão interessados em propriedades e no aumento da renda. Eles só querem um pai para conviver e brincar. Os anos passam, os meninos crescem, e o pai nem percebe, porque se entregou de tal forma ao trabalho que não viveu com eles, não participou de suas pequenas alegrias, não os buscou no colégio, nunca foi a uma festa infantil, não teve tempo para assistir a apresentação da filha – pois um executivo não deve desviar sua atenção para bobagens. São coisas para desocupados.

Depois de uma dramática experiência pessoal e familiar vivida, a única mensagem que tenho para dar é esta: não há tempo melhor aplicado do que aquele destinado aos filhos. Dos 16 anos de casado, passei 15 anos correndo e trabalhando sem parar, absorvido por muitas tarefas, envolvido em várias ocupações, totalmente entregue a um objetivo único e prioritário: construir o futuro para três filhos e minha mulher. Isso me custou longos afastamentos de casa, viagens, estágios, cursos, plantões no jornal, madrugadas no estúdio da televisão, uma vida sempre agitada, atarefada, tormentosa. A apaixonante dedicação à profissão escolhida – que foi mais importante do que minha família.

E agora, aqui estou eu, de mãos cheias e de coração aberto, diante de todos vocês. Aqui está o resultado de tanto esforço: construí o futuro penosamente, e agora não sei o que fazer com ele depois da perda de Luiz Otávio. De que valem casas, carros e tudo o mais que foi possível juntar nesses anos todos de esforço, se ele não está mais aqui para aproveitar isso com a gente? Se o resultado de 30 anos de trabalho fosse consumido agora por um incêndio e, desses bens todos, não restasse mais do que cinzas, isso não teria a menor importância; não ia provocar o menor abalo em nossa vida, porque a escala de valores mudou e o dinheiro passou a ter peso mínimo e relativo em tudo. Se o dinheiro não foi capaz de comprar a cura e a saúde de um filho amado, para que ele serve? Para que ser escravo dele? Eu trocaria, explodindo de felicidade, todas as linhas de declaração de bens por uma única linha que eu tive de retirar, do outro lado da folha: o nome do meu filho na relação de dependentes. E como doeu retirar essa linha na declaração de 1983!

NOTA: Luiz Otávio morreu aos 12 anos, em novembro de 1982, na cidade de Belo Horizonte, vítima de um tumor cerebral.

Fonte: Revista Raio de Luz (Betel Brasileiro), edição 113.

Saudades do velho Chico

Ontem a tardinha sepultamos o patriarca da família Andrade, meu saudoso vovô Chico, que tombou do alto de seus 79 anos, deixando esposa e três gerações de Andrade espalhadas por esse mundão. Vindo do Sertão do Ceará para trabalhar na construção da malha ferroviária da Paraíba, sua personalidade expressava com muita clareza a sua origem: era forte como um sertanejo e brincalhão como um cearense.

Além disso, era um ótimo contador de causos e anedotas. Mesmo sem muito estudo, inspirou no pequeno Charles o gosto pela leitura ao me apresentar os folhetos de cordel. Estando ele morto, não conheço mais ninguém nesse mundo que que saiba recitar de cor os versos de As Proezas de João Grilo, um dos maiores clássicos da literatura de cordel.

Desde que recebemos, com muito pesar, a notícia de seu falecimento, o luto e a saudade traz à tona as melhores lembranças que sua existência nos legou. Reunidos em sua casa após o cortejo fúnebre, parentes e amigos consolavam-se mutuamente, enquanto relembrávamos histórias marcantes, emocionantes e sobretudo engraçadas. Enterramos o corpo e desenterramos, do fundo da memória, o seu espírito.

vovo chicoDesde a mais remota infância, o sentimento ao chegar na casa de vovô era sempre o mesmo, e está estampado na minha camiseta nesta foto antiga: “Lets have fun!”. (Clique na imagem para ver em tamanho maior.) Dentre as muitas lembranças, há uma muito engraçada que, apesar da pouca idade que eu tinha na época, ainda guardo fresca na memória. Não sei se por influência de sua profissão, essa lembrança tem a ver com trens, ferrovias e mulher pelada. Senta aí que a história é boa.

Quando eu era muito pequeno, costumava sair de carro com meus avós: eles iam nos bancos da frente e eu gostava de ir deitado no banco de trás (sim, sem cinto mesmo, eram outros tempos). Estando eu entretido em observar pela janela do carro os postes e as copas das árvores passando, eis que meu avô exclamava em tom de grande surpresa: “Olha, Charles! Um trem cheio de mulher pelada!”. Nessa hora eu dava um pulo para olhar pela janela, mas não havia nada; e eles se acabavam de rir com essa brincadeira. Isso se repetiu algumas vezes, mas o verdadeiro motivo da minha empolgante curiosidade era muito mais pura e inocente do que eles imaginavam. Eu não levantava às pressas para ver as mulheres peladas. Para quem passou a infância nos lendários anos 90, isso não era novidade (como eu disse, eram outros tempos). O verdadeiro motivo da minha euforia pueril era a mera possibilidade de ver um trem de verdade pela primeira vez!

Guardo ainda na memória muitas outras histórias engraçadas envolvendo meu avô; nenhuma delas, porém, tão antiga. E é com essa lembrança leve e bem humorada que eu quero expressar a falta que estou sentindo do meu velho Chico.

O maior dilema de todo professor

Crônica do professor e cientista político português João Pereira Coutinho
para o jornal Folha de S.Paulo do dia 18 de novembro de 2016.


Um amigo meu, professor do ensino secundário, contou-me a história de um colega que jamais esqueci. Certo dia, o docente em questão foi chamado ao gabinete do diretor. Motivo: as notas dos exames. Segundo parece, as notas que ele atribuía aos alunos estavam “abaixo da média”. Ele, surpreendido com a filosofia do colégio, limitou-se a afirmar que nunca corrigia exames de acordo com as notas dos outros professores. Limitava-se a aplicar a mais velha distinção do mundo entre acerto e erro. As notas apenas expressavam esse julgamento elementar.

O diretor compreendeu a seriedade do professor. Mas depois perguntou – uma forma suave de ridicularizar – se o ensino moderno pode ser resumido a uma dicotomia tão estreita entre “saber” e “não saber”. Existem outros valores – extra-epistemológicos, digamos assim – que devem ser tidos em consideração. E, além disso, os alunos pagam mensalmente uma quantia generosa para estudarem na instituição. Não será legítimo esperar que eles tenham direito ao sucesso? O pobre homem ficou mudo. E o diretor, em tom amigável, pediu-lhe para “repensar os critérios”, até porque “os pais estão preocupados”. Não com a ignorância ou a preguiça dos filhos, entenda-se; mas com as “expectativas frustradas” de quem apostara naquele colégio em particular.

A noite foi de insônia. Será que um homem de meia-idade, com mulher e três filhos, tem direito aos luxos da ética? Será que a seriedade profissional compensa quando há uma casa e um “estilo de vida” para pagar? A resposta foi negativa. Ele regressou para o colégio, continuou com as suas aulas e corrigiu os exames com outros critérios. Aliás, os critérios foram tão generosamente alargados que todos os alunos da turma terminaram o ano com a nota mais elevada. O professor regressou ao gabinete do diretor para ser informado que não era possível comunicar aos pais a “farsa das notas altas”. Não era “verossímil”. E o colégio tinha um nome a defender. O professor estava “dispensado”.

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