Apresentadora de TV muçulmana defende o uso de escravas sexuais no Kuwait

 

A apresentadora Salwa AL-Mutairi defendeu, em seu programa de TV no Kuwait, o uso de mulheres não muçulmanas como escravas sexuais para os homens muçulmanos. Dessa forma, cada homem mulçumano teria, além da sua esposa, várias escravas sexuais. Assim, segundo ela, os maridos se manteriam viris, decentes, devotados a sua mulher e não cometeriam adultério (oi?). Para “abastecer” os homens e suprir essa demanda, Salwa sugere que o país importe prisioneiras: “A Rússia, por exemplo, deve ter muitas prisioneiras por causa da guerra com a Chechênia”, disse. Ela afirma não haver “vergonha alguma nisso” e acredita que as escravas até agradeceriam, porque passariam a ter onde comer e dormir. Salwa já foi representante parlamentar no Kuwait e atualmente faz campanha para obter novo mandato. Pela proposta dela, as estrangeiras poderiam ser contratadas em escritórios mantidos pelo governo, semelhantes aos que existem para contratação de empregadas domésticas.


A pedofilia legalizada

“O Profeta Maomé é o modelo que seguimos”, informa o saudita Ahmad Al Mu’bi. “Ele tomou Aisha como sua esposa quando ela tinha seis anos, mas só fez sexo com ela quando ela tinha nove”. O maridão já passara dos 50, dispensou-se de lembrar. Também lhe pareceu irrelevante lembrar que, enquanto esperava que Aisha chegasse ao ponto, Maomé não teve de estrangular a libido. O harém que abrigava o time de reservas de Aisha estava ali para que jamais lhe faltasse companhia noturna. O modelo saudita, adotado em grande parte do mundo islâmico, permite que qualquer adulto de qualquer faixa etária transforme em esposa e inicie sexualmente meninas em idade de brincar com bonecas. Em lugares menos primitivos, esse tipo de assassinato da inocência dá cadeia. Naquelas paragens, o casamento pedófilo é uma homenagem ao Profeta que amava criancinhas.

Fonte: Veja.

Como medir a qualidade de uma cidade

Artigo publicado na revista Gangorra para comemorar o Dia Mundial Sem Carro.

Quer saber se uma cidade é boa ou ruim? É simples: olhe para fora da janela e tente calcular a proporção de crianças entre as pessoas que estão na rua. A cada 100 pessoas que passam, quantas são crianças caminhando para a escola, pedalando pela rua ou brincando na calçada? Se forem muitas, sua cidade está saudável. Se forem poucas, sua cidade está doente. Se não houver nenhuma, a doença é grave: sua cidade precisa de uma intervenção urgente, seu prefeito está trabalhando errado. A quantidade de crianças na rua é o melhor indicador para medir a qualidade de uma cidade porque ele é multidimensional: traz ao mesmo tempo informação sobre saúde, segurança e educação, três itens centrais para definir qualidade de vida. Pelo seguinte:

Saúde: Caminhar ou andar de bicicleta por meia hora diariamente é o suficiente para uma criança afastar muito o risco de sofrer no futuro diabetes, hipertensão, câncer e doenças do coração. Criar condições para que todas as crianças façam esse tipo de exercício na ida e na volta da escola é uma forma infalível de garantir uma população saudável e economizar uma fortuna de dinheiro público em hospitais.

Segurança: Está bem estabelecida a relação estatística entre o número de crianças pedalando e a segurança no trânsito. Crianças de bicicleta são um indicador preciso: se há muitas delas na rua, praticamente não ocorrem acidentes, em parte porque seres humanos são geneticamente programados para tomar cuidado quando há crianças por perto. Além disso, crianças aumentam muito a quantidade de “olhos da rua”, que são as pessoas que ficam na entrada de casa olhando para o movimento da calçada, e que fazem com que o índice de crimes naquele lugar caia imensamente. Ruas com muita vida comunitária tendem a ter muitos “olhos”, e portanto são bem mais seguras.

Educação: Uma pesquisa com 20 mil estudantes dinamarqueses revelou que crianças que vão para a escola a pé ou de bicicleta têm uma capacidade bem maior de se concentrar na aula, e aprendem mais do que as que vão de carro. A pesquisa revelou que, quatro horas depois do início das aulas, os alunos que pedalaram ou caminharam continuam mais atentos e aprendendo mais do que os outros. Outra pesquisa reveladora foi feita na Califórnia, em 1993. Cientistas pediram a crianças que vão para a escola a pé, de bicicleta ou de carro para que elas desenhassem o bairro, e depois as entrevistaram. A conclusão foi que crianças que caminham ou pedalam tem habilidades cognitivas muito maiores: elas têm mais noção de espaço e desenvolvem mais suas capacidades sociais.

Enfim, para resumir: cidades sem crianças nas ruas possuem índices maiores de obesidade infantil e gastam mais combatendo doenças, são mais violentas no trânsito, têm maior criminalidade, atrapalham o rendimento escolar das crianças, reduzem a eficácia da educação e prejudicam as capacidades cognitivas e sociais das crianças. Ainda assim, muitas cidades brasileiras medem a qualidade de suas vias simplesmente contando quantos veículos passam por determinada rua em uma hora. Quanto mais veículos, maior a eficácia da via. Ou seja: para os administradores urbanos das principais cidades brasileiras, cidade boa é aquela onde as filas de carro não param nunca de passar, espalhando fumaça tóxica e expulsando as crianças. É um critério ruim, e ajuda a entender por que nossas cidades estão tão ruins. Deveríamos exigir dos nossos prefeitos que monitorem a proporção de crianças no espaço público e que governem todos os dias com um objetivo central: aumentar essa proporção. Simples assim.

O feminino de sexo

Crônica de Luis Fernando Verissimo, extraída do livro Comédias para se ler na escola
(Rio de Janeiro: Objetiva, 2008).


sexualidade– Pai…
– Hmmm?
– Como é o feminino de sexo?
– O quê?
– O feminino de sexo.
– Não tem.
– Sexo não tem feminino?
– Não.
– Só tem sexo masculino?
– É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
– E como é o feminino de sexo?
– Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
– Mas o senhor mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.
– O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra “sexo” é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
– Não devia ser “a sexa”?
– Não.
– Por que não?
– Porque não! Desculpe. Porque não. “Sexo” é sempre masculino.
– O sexo da mulher é masculino?
– É. Não! O sexo da mulher é feminino.
– E como é o feminino?
– Sexo mesmo. Igual ao do homem.
– O sexo da mulher é igual ao do homem?
– É. Quer dizer… Olha aqui. Tem o sexo masculino e o sexo feminino, certo?
– Certo.
– São duas coisas diferentes.
– Então como é o feminino de sexo?
– É igual ao masculino.
– Mas não são diferentes?
– Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
– Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
– A palavra é masculina.
– Não. “A palavra” é feminino. Se fosse masculina seria “O palavro”.
– Chega! Vai brincar, vai.
O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:
– Temos que ficar de olho nesse guri…
– Por quê?
– Ele só pensa em gramática.

A arte de produzir fome

crianca-sem-fome-comida-apetiteCrônica de Rubem Alves.

Adélia Prado me ensina pedagogia. Diz ela: “Não quero faca nem queijo; quero é fome”. O comer não começa com o queijo. O comer começa na fome de comer queijo. Se não tenho fome é inútil ter queijo. Mas se tenho fome de queijo e não tenho queijo, eu dou um jeito de arranjar um queijo. Sugeri, faz muitos anos, que, para se entrar numa escola, alunos e professores deveriam passar por uma cozinha. Os cozinheiros bem que podem dar lições aos professores. Foi na cozinha que a Babette e a Tita realizaram suas feitiçarias. Se vocês, por acaso, ainda não as conhecem, tratem de conhecê-las: a Babette, no filme “A Festa de Babette”, e a Tita, em “Como Água para Chocolate”. Babette e Tita, feiticeiras, sabiam que os banquetes não começam com a comida que se serve. Eles se iniciam com a fome. A verdadeira cozinheira é aquela que sabe a arte de produzir fome.

Quando vivi nos Estados Unidos, minha família e eu visitávamos, vez por outra, uma parenta distante, nascida na Alemanha. Seus hábitos germânicos eram rígidos e implacáveis. Não admitia que uma criança se recusasse a comer a comida que era servida. Meus dois filhos, meninos, movidos pelo medo, comiam em silêncio. Mas eu me lembro de uma vez em que, voltando para casa, foi preciso parar o carro para que vomitassem. Sem fome, o corpo se recusa a comer. Forçado, ele vomita. Toda experiência de aprendizagem se inicia com uma experiência afetiva. É a fome que põe em funcionamento o aparelho pensador. Fome é afeto. O pensamento nasce do afeto, da fome. Mas não confundam afeto com beijinhos e carinhos. Afeto, do latim affetare, quer dizer “ir atrás”. É o movimento da alma em busca do objeto da fome. É o eros platônico, a fome que faz a alma voar em busca do fruto sonhado.

Eu era menino. Ao lado da pequena casa onde morava, havia uma casa com um pomar enorme que eu devorava com os olhos, olhando sobre o muro. Pois aconteceu que uma árvore cujos galhos chegavam a dois metros do muro se cobriu de frutinhas que eu não conhecia. Eram pequenas, redondas, vermelhas, brilhantes. A simples visão daquelas frutinhas vermelhas provocou o meu desejo. Eu queria comê-las. E foi então que, provocada pelo meu desejo, minha máquina de pensar se pôs a funcionar. Anote isso: o pensamento é a ponte que o corpo constrói a fim de chegar ao objeto do seu desejo. Se eu não tivesse visto e desejado as ditas frutinhas, minha máquina de pensar teria permanecido parada. Imagine se a vizinha, ao ver os meus olhos desejantes sobre o muro, com dó de mim, tivesse me dado um punhado das ditas frutinhas, as pitangas. Nesse caso, também minha máquina de pensar não teria funcionado. Meu desejo teria se realizado por meio de um atalho, sem que eu tivesse tido necessidade de pensar. Anote isso também: se o desejo for satisfeito, a máquina de pensar não pensa. Assim, realizando-se o desejo, o pensamento não acontece. A maneira mais fácil de abortar o pensamento é realizando o desejo. Esse é o pecado de muitos pais e professores que ensinam as respostas antes que tivesse havido perguntas.

Provocada pelo meu desejo, minha máquina de pensar me fez uma primeira sugestão, criminosa: “Pule o muro à noite e roube as pitangas”. Furto, fruto, tão próximos… Sim, de fato era uma solução racional. O furto me levaria ao fruto desejado. Mas havia um senão: o medo. E se eu fosse flagrado no momento do meu furto? Assim, rejeitei o pensamento criminoso, pelo seu perigo. Mas o desejo continuou e minha máquina de pensar tratou de encontrar outra solução: “Construa uma maquineta de roubar pitangas”. McLuhan nos ensinou que todos os meios técnicos são extensões do corpo. Bicicletas são extensões das pernas, óculos são extensões dos olhos, facas são extensões das unhas. Uma maquineta de roubar pitangas teria de ser uma extensão do braço. Um braço comprido, com cerca de dois metros. Peguei um pedaço de bambu. Mas um braço comprido de bambu, sem uma mão, seria inútil: as pitangas cairiam. Achei uma lata vazia, amarrei-a com um arame na ponta do bambu e lhe fiz um dente, que funcionasse como um dedo para segurar a fruta.

Feita a minha máquina, apanhei todas as pitangas que quis e satisfiz meu desejo. Anote isso também: conhecimentos são extensões do corpo para a realização do desejo. Imagine agora se eu, mudando-me para um apartamento no Rio de Janeiro, tivesse a ideia de ensinar ao menino meu vizinho a arte de fabricar maquinetas de roubar pitangas. Ele me olharia com desinteresse e pensaria que eu estava louco. No prédio, não havia pitangas para serem roubadas. A cabeça não pensa aquilo que o coração não pede. E anote isso também: conhecimentos que não são nascidos do desejo são como uma maravilhosa cozinha na casa de um homem que sofre de anorexia. Homem sem fome. O fogão nunca será aceso. O banquete nunca será servido. “Saber por saber é inumano”, dizia Miguel de Unamuno. A tarefa do professor é a mesma da cozinheira: antes de dar faca e queijo ao aluno, provocar a fome. Se ele tiver fome, mesmo que não haja queijo, ele acabará por fazer uma maquineta de roubá-los. Toda tese acadêmica deveria ser isso: uma maquineta de roubar o objeto que se deseja.

A origem dos contos de fadas

disney-princessOs desenhos clássicos da Disney encantaram gerações e marcaram a indústria cinematográfica voltada ao público infantil. Mas as belas histórias retratadas nem sempre tiveram um final feliz: elas já foram bastante sinistras e macabras. No século 16, os contos de fadas não eram brincadeira de criança. Sexo, violência, vingança, medo e fome apimentavam as tramas inventadas e passadas oralmente de geração para geração por camponeses analfabetos nas poucas horas de diversão, quando passavam a noite ouvindo e contando histórias ao redor do fogo nas aldeias europeias.

Essas reuniões eram chamadas de veillées pelos franceses. As mulheres narravam seus casos enquanto fiavam e teciam, costume que originou expressões como “tecer uma trama” e “costurar uma história”. Enquanto isso, os homens consertavam suas ferramentas ou quebravam nozes, já que no universo dos camponeses franceses pré-Revolução não havia tempo para descanso. Nesse tempo, diversão e trabalho misturavam-se, como na história da pobre Gata Borralheira. Tanta inspiração nascia do cotidiano: a segurança da casa e da aldeia opunha-se aos perigos da estrada e da floresta, como em Chapeuzinho Vermelho. A crueldade fazia parte do roteiro pois era pobreza, miséria e morte que se esperava do mundo no século 16. A fome, o maior mal daquele tempo, protagonizava muitas das narrativas, como em João e Maria, em que os pais abandonam as crianças na floresta por não ter como alimentá-los.

Já imaginou se o lenhador não chegasse a tempo para salvar Chapeuzinho Vermelho e sua avó? Pior: e se a menina, antes de ser devorada pelo lobo mau, ainda fosse induzida por ele a beber o sangue da avó, além de tirar a roupa e deitar-se nua na cama? Você contaria tal historinha a seu filho? Os camponeses da França do século 16 contavam. Sem papas na língua, os contadores de histórias caprichavam nos detalhes, digamos, escabrosos. A Bela Adormecida, por exemplo, foi estuprada por um anão durante o sono na versão original. E os detalhes violentos e libidinosos desta e de outras histórias que povoam o nosso imaginário não param aí. Isso acontecia porque, nos contos originais, a intensão não era puramente vender algo bonito ao público infantil, mas sim trazer uma lição. Dessa forma, pouco importava se no final a princesa ou o príncipe viveriam felizes para sempre, ou sequer se viveriam, o que importava era a “moral da história”.

Se você nunca ouviu as versões apimentadas, foi por obra e graça de escritores como o francês Charles Perrault, os alemães Jacob e Wilhelm Grimm (os famosos irmãos Grimm) e o dinamarquês Hans Christian Andersen, que, entre o fim do século 17 e o início do século 19 pesquisaram, recolheram e adaptaram as histórias contadas por camponeses criados em comunidades de forte tradição oral. Somente depois dessa adaptação, os contos foram sendo sucessivamente amenizados até chegarem às versões “censura livre” que conhecemos hoje. Veja o desfecho dos principais contos de fadas, como eram originalmente e como ficaram depois da adaptação, no site da Superinteressante.

Assista também a palestra ministrada pela professora Lúcia Helena Galvão, diretora da Nova Acrópole de Brasília, sobre o simbolismo dos contos de fadas:

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