O mundo em que nasci

Minha primogênita nasceu e eu fiquei refletindo sobre o quanto esse mundo em que ela chegou é diferente daquele que eu conheci na infância. Cheguei à conclusão que, em certo sentido, sou velho. Pra começo de conversa, eu e ela nascemos em milênios diferentes: eu no segundo e ela no terceiro milênio da era cristã. Além disso, nascemos em séculos diferentes: eu no século 20 e ela no 21. Quando eu cheguei aqui, em 1989, haviam menos de 5 bilhões de pessoas no mundo, enquanto ela deve ser a pessoa viva de número 7 bilhões e alguma coisa. Ela talvez nunca entenderá completamente as coisas que vou lembrar agora, mas quem, como eu, nasceu nos lendários “anos 80” e viveu a infância intensa dos “anos 90”, com certeza entenderá a nostalgia.

1989

Veja também: Murilo Gun nos anos 80

Nasci na época da Guerra Fria. O capitalismo representado pelos Estados Unidos e o socialismo representado pela União Soviética dividiam o mundo em dois, e essa divisão era simbolizada pelo Muro de Berlim, que só foi derrubado meses depois da minha chegada ao mundo. O Brasil tinha acabado de sair da ditadura militar e eu fui testemunha (sem entender nada, é claro) das primeiras eleições presidenciais após a redemocratização do país. Collor foi eleito presidente, mas sofreu o impeachment pelo envolvimento em casos de corrupção. O dinheiro que ele supostamente desviou dos cofres públicos era muito diferente desse que usamos hoje. Até a implantação do Plano Real em 1994 pelo governo FHC, ou seja, até os meus 5 anos de idade, usávamos uma moeda chamada “cruzeiro”, que valia muito pouco. Sou ou não sou velho?

Naquelas eleições de 1989, pouca gente sabe, mas até Silvio Santos se candidatou a presidente! Ele mesmo: o dono do SBT. E por falar em dono de emissora de TV, foi nesse mesmo ano que o bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal, comprou a rede Record. Já naquela época, porém, era a rede Globo que dominava a preferência nacional. Quando eu ainda era um bebê, meus pais assistiam um Jornal Nacional bem diferente: sem cenário, vinhetas e grafismos. Menos de um ano após o fim do Cassino do Chacrinha, a Globo estreava o Domingão do Faustão, no ar até hoje. Eram comuns comerciais de cigarro, bem como dos carros da moda: Fusca, Chevette, Kombi… Por falar em carros da moda, a modinha das manhãs de domingo era assistir as corridas de Ayrton Senna na Fórmula 1. E já que falamos de esporte, cheguei a ver Zico jogar e comemorei o tetra do Brasil na Copa de 1994. Ainda na primeira infância, convivi com grandes bandas e músicos, como Legião Urbana e Luiz Gonzaga. Além disso, vi surgir os Mamonas Assassinas; e chorei as suas mortes naquele trágico acidente aéreo.

Eu sou da época em que se vendiam discos de vinil. Lembro de colocá-los para tocar na radiola do meu pai e de gravar fitas cassete por cima de outras no rádio, sempre precisando girar para rebobinar com uma caneta Bic. Naquela época analógica, dificilmente ouvíamos música ou TV sem algum chiado. Eu assistia filmes e desenhos no vídeo cassete, sempre cuidando de rebobinar a fita VHS antes de devolvê-la à locadora para não pagar multa. Eu jogava Mario World num Nitendo, e precisava soprar a fita para ela pegar. Eu sou do tempo dos disquetes, dos minigames e dos celulares “tijolão” com toques monofônicos. Eu sou do tempo de “bater um retrato” com câmera analógica e depois levar o filme de “36 poses” para revelar as fotos, torcendo para nenhuma ter queimado. Eu sou do tempo de enviar pelos correios cartas redigidas em máquina de escrever. Sou da época em que curso de datilografia enriquecia o currículo.

Vivi toda a infância e adolescência em uma época analógica, na qual o uso de computadores e o acesso à internet eram atividades restritas a poucos especialistas. Muito pela condição econômica da minha família, até a vida adulta eu não sabia absolutamente nada de informática. Só quando comecei a trabalhar foi que pude fazer um curso básico e perder o medo de mexer em computador. Catarina, ao contrário, chega num mundo onde as crianças praticamente já nascem sabendo mexer em smartphones e tablets de última geração, mas que, no entanto, parecerão as mesmas velharias quando ela for contar a meus netos.

A CBF tem que acabar!

cbf-selecao-brasileiraArtigo de opinião de Alexandre Versignassi e Guilherme Pavarin, publicado na edição de agosto (336) da Superinteressante.


O porto de Santos é a cafeteira do mundo: um terço do café tomado na Terra passa por ali, numa jornada que começa nas fazendas do Brasil e termina nas xícaras de Madrid, Milão, Moscou, Kiev… Não só nas xícaras. O maior comprador do nosso estimulante preto, ao lado dos EUA, é a Alemanha. Mas eles não tomam tudo. Revendem uma parte razoável, porque é um negocião: os alemães pagam mais ou menos R$ 400 em cada saca de 60 quilos e reexportam para o resto da Europa por R$ 800. Sem industrializar nada, só revendendo café “cru” mesmo, do jeito que ele sai das roças daqui. Não é malandragem, é logística: eles podem fazer isso graças à sua malha ferroviária cheia de tentáculos, veias e artérias.

Reexportar dali para o resto da Europa é fácil. Num ano típico, os caras importam 18 milhões de sacas e revendem 12 milhões. Isso faz da Alemanha o terceiro maior exportador de café do mundo, atrás apenas do Brasil e do Vietnã. Tudo sem nunca ter plantado um pé de café! Tem mais. Das 6 milhões de sacas que ficam dentro da Alemanha, uma parte vai para Schwerin, uma cidadezinha de conto de fadas perto da fronteira com a Dinamarca. Por lá, os grãos brasileiros reencarnam na forma de cápsulas de Nespresso. E ganham preços que até outro dia só eram praticados no mercado de outro estimulante – branco. Um quilo dessas cápsulas acaba saindo por R$ 400 no varejo, quase 70 vezes o quilo do café cru. Ou seja: 70 x 1 para a Alemanha.

No futebol é parecido. Exportamos o material cru, os atletas jovens, e importamos o produto acabado – não exatamente os jogadores, porque quando eles voltam geralmente estão é acabados mesmo. O que a gente compra é o espetáculo. Por mais que aqui no Brasil ninguém torça de verdade por um Barcelona, Real Madrid ou Bayern de Munique, todo mundo entende que futebol pra valer está lá fora, e que o Campeonato Brasileiro, na prática, é só uma espécie de série B do futebol mundial. Uma segunda divisão que alimenta a primeira com uma voracidade extrativista. O Brasil é o maior exportador mundial de jogadores, ao lado da Argentina. Vende por volta de 1.500 atletas por ano.

Ainda estamos entre as 10 maiores economias do planeta, à frente de destinos futebolísticos consagrados, como Espanha e Itália. Mesmo assim, nosso futebol não tem força econômica suficiente para reter pé-de-obra, e não para de ceder atletas para Madrid, Milão, Moscou… E Kiev. Até para a Ucrânia, que tem um PIB menor do que o da cidade de São Paulo, a gente perde jogadores! Entre os atletas menos estrelados é pior ainda. Se o cara não consegue vaga nos times grandes daqui, qualquer tralha leva: Chipre, Malta, Bulgária… Em 2013, 20 foram para o Vietnã, e 2 ajudaram a engrossar a população das Ilhas Faroe, que tem 50 mil habitantes e PIB menor que o de Matão, no interior paulista.

Até os 7 x 1, o único patrimônio realmente sólido do futebol nacional era a seleção. Sólido e lucrativo: a CBF faturou R$ 478 milhões com o time nacional em 2013. Só o patrocínio da camisa de treinos do time trouxe R$ 120 milhões. A Alemanha, segunda colocada nesse ranking, só levantou R$ 40 milhões com a dela. A Argentina, com Messi e tudo, R$ 10 milhões. Ou seja: A CBF ganha dinheiro. Muito. E isso deveria ser bom. Mas não adianta nada, porque gastam quase tudo na própria manutenção da CBF. A primeira medida de José Maria Marin à frente da entidde foi aumentar o próprio salário. Passou a ganhar R$ 160 mil por mês, mais um chorinho de R$ 110 mil pelos serviços como chefe do COL (Comitê Organizador Local da Copa).

Salário de jogador, só que sem o incômodo de jogar. Ou de trabalhar. De concreto mesmo, o que a CBF fez nos últimos anos foi reformar os 3 campos da Granja Comari para a Seleção treinar. Enquanto isso, a Deutscher Fussbal Bund (DFB, a CBF da Alemanha) construiu mil campinhos para crianças e 307 centros de treinamento, para reforçar a formação de jogadores. É o dinheiro da seleção alemã custeando o futuro do futebol alemão. E custou só R$ 105 milhões – menos que um quarto do faturamento da CBF em um ano. Faturamento que, inclusive, pode secar. Depois dos 7 x 1, o gaúcho de bigode sumiu dos comerciais da Ambev; e o Itaú deixou de pedir para o Brasil amarrar o amor na chuteira. Claro: o maior banco da América Latina e a maior cervejaria do mundo, patrocinadores tradicionais da CBF, não podem se dar ao luxo de ligar sua imagem à um bando de zumbis de olhos vermelhos e expressão de terror na cara.

A CBF pode até não ter matado essa galinha dos ovos de ouro. Mas que colocou ela na UTI, colocou. Junto com o resto do nosso futebol. Os 13 maiores clubes do País somam R$ 4,7 bilhões em dívidas. Tudo fruto de um péssimo gerenciamento, cuja inspiração vem lá de cima, da Confederação Brasileira de Futebol. Por essas, qualquer solução para o esporte passa pelo fim da CBF. Pelo fim do modelo atual, pelo menos. A entidade hoje é tão democrática quanto um feudo do século 13. Só há 47 votantes para a presidência – 20 clubes da série A e mais 27 federações estaduais. Ou seja: um colégio eleitoral altamente manipulável, que garante reeleições eternas para quem estiver lá em cima.

Num artigo recente para a Folha de S. Paulo, o jogador Paulo André definiu bem a situação: acusou a CBF de explorar de forma ditatorial um bem que pertence a todos os brasileiros, o futebol. Paulo, que é líder do Bom Senso F. C., o grupo de atletas que tenta melhorar a administração da bola, aposta na democratização. Isso significa ampliar o número de eleitores para a presidência da entidade, dando direito de voto a a todos os jogadores de todos os clubes profissionais do Brasil. Não seria a salvação imediata da lavoura, mas representaria um passo fundamental para sairmos da Idade Média do futebol – e, quem sabe, deixarmos de ser mera colônia extrativista de atletas. Se isso acontecer um dia, que sirva de inspiração para a própria economia do País. Porque é dela que as nossas vidas realmente dependem. Chega de goleada.

Europeus versus sul-americanos

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A Copa do Mundo FIFA é o campeonato esportivo mais popular e prestigiado do mundo. A competição foi criada em 1928 na França por Jules Rimet, então presidente da FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado, em francês: Fédération International de Football Association). A primeira edição ocorreu em 1930 no Uruguai, cuja seleção que abrigou o evento saiu vencedora. A partir de então, o torneio acontece a cada 4 anos (com exceção de 1942 e 1946, anos em que não houve Copa devido às Guerras Mundiais). Este ano (2014), está acontecendo aqui no Brasil a 20ª edição do mundial. Nas 19 edições anteriores, apenas seleções europeias e sul-americanas sagraram-se campeãs mundiais. Este ano não será diferente, já que a grande final será disputada entre uma seleção europeia e uma sul-americana: Alemanha x Argentina.

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Dos 19 títulos mundiais disputados até hoje, 10 foram conquistados por seleções europeias (4 da Itália, 3 da Alemanha, e 1 de Inglaterra, França e Espanha), e outros 9 ficaram com seleções sul-americanas (5 do Brasil e 2 de Uruguai e Argentina), como você pode ver no mapa acima. A final deste domingo entre Alemanha e Argentina decidirá se esta disputa ficará empatada ou se a Europa aumenta a vantagem. Se a Argentina for campeã, a história das Copas ficará equilibrada com 10 títulos para cada continente nessas 20 edições. E o empate virá não apenas para os continentes em questão, mas também na disputa individual entre os países, já que a Argentina seria tricampeã, assim como a Alemanha. Diante de tais números, e apesar de gostar muito do futebol da Alemanha, eu, que sou brasileiro, decidi deixar a rivalidade de lado e torcer pela Argentina, pelos “hermanos“, nossos vizinhos aqui da América do Sul. Estou encarando esta final como uma disputa entre continentes mais do que entre países.

Mas o confronto individual entre os países também tem seus encantos. As duas seleções já se enfrentaram 20 vezes na história (6 vezes em Copas do Mundo). Veja os números desse duelo no infográfico abaixo:

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Jogos históricos da Seleção Brasileira

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Seleção Brasileira de Futebol foi formada pela primeira vez há exatos 100 anos, em 1914. Em um século de histórias marcantes, a Seleção adquiriu um prestígio quase inabalável devido às suas grandes conquistas, como os 5 títulos mundiais (É Penta!). Mas essa bela história também já foi maculada por trágicas derrotas e fracassos (como o de ontem, maior de todos). Além dos jogos que aparecem neste post, poderiam ser incluídos aqui o lendário “Maracanaço”, quando o Brasil perdeu sua primeira final de Copa do Mundo em casa para o Uruguai por 2 x 1 em pleno Maracanã; e, claro, os dois primeiros títulos mundiais, conquistados em 1958 na Suécia (numa vitória por 5 x 2 sobre os donos da casa) e em 1962 no Chile (vencendo a extinta Tchecoslováquia na final por 3 x 1). Mas infelizmente não temos vídeos desses jogos na íntegra, apenas fragmentos de lances em preto e branco. Por esse motivo, você vai poder assistir aqui apenas os jogos mais importantes da Seleção Brasileira desde a Copa de 1970.

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Final da Copa do Mundo de 1970

Assista abaixo o duelo travado entre o majestoso Brasil de Pelé e Rivellino contra a fortíssima seleção italiana de Gianni Rivera e Mazzola na grande final da Copa do Mundo FIFA de 1970, realizada no México. Na ocasião, o Brasil vence a Itália por 4 x 1 e conquista o tricampeonato mundial.

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Final da Copa do Mundo de 1994

Assista abaixo a partida disputada entre Brasil e Itália na grande final da Copa do Mundo FIFA de 1994, realizada nos Estados Unidos. Na ocasião, o Brasil vence a Itália nos pênaltis (depois de um empate dramático em 0 x 0 no tempo normal + prorrogação) e conquista o tetracampeonato mundial depois da cobrança para fora do craque italiano Baggio (transmissão: Rede Globo; narração: Galvão Bueno).

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Final da Copa do Mundo de 2002

Assista abaixo o jogão entre Brasil e Alemanha na grande final da Copa do Mundo FIFA de 2002, realizada no Japão e na Coreia do Sul. Na ocasião, o Brasil vence a Alemanha por 2 x o (dois gols de Ronaldo) e conquista o pentacampeonato mundial (transmissão: Globo; narração: Galvão Bueno).

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Se preferir, assista apenas os melhores momentos deste jogão logo abaixo:

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Final da Copa das Confederações de 2013

Final da Copa das Confederações da FIFA de 2013 realizada no Brasil. Na ocasião, o Brasil vence em casa a favorita Espanha por 3 x 0.

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Mineiraço (Copa do Mundo de 2014)

Como já foi dito, a Seleção Brasileira de Futebol foi formada pela primeira vez há exatos 100 anos, em 1914. Estou atualizando este post porque ontem, dia 08/07/2014 (guarde bem esta data), em pleno centenário da Seleção, numa Copa do Mundo disputada aqui no Brasil, sendo apontada como a principal favorita ao título mundial, com um elenco badalado de jogadores milionários, esta mesma Seleção sofreu a maior derrota de sua história, ao tomar uma goleada avassaladora da Alemanha nas semifinais (7 x 1). O jogo repercutiu como nenhum outro na história do futebol e fez a tão prestigiada Seleção Brasileira virar motivo de piada nos principais veículos de comunicação do mundo todo. Na imprensa internacional, algumas palavras foram repetidas à exaustão estampando as manchetes nas capas dos jornais e revistas: vergonha, humilhação, vexame, desonra, mico, apagão, desastre, catástrofe, tragédia, massacre, atropelamento…

Dilma - Copa - Alemanha

A pré-história do futebol

Às vésperas da Copa, a revista Placar traz essa reportagem sobre as modalidades ancestrais do esporte mais popular do mundo, da China antiga à Inglaterra do século 19.

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2500 a.C., China – Tsu-chu

Foi desenvolvido por Yang-Tsé, um dos guardas do imperador Huang-ti e era disputado por soldados. A bola era o crânio de um inimigo derrotado, que, mais tarde, foi trocada por uma bola de couro. Sem deixá-la cair no chão, os jogadores tinham de passá-la entre duas balizas. O tsu-chu chegou à Coreia, ao Japão e Vietnã. Na Dinastia Tang (618 a 907), os postes ganharam uma rede. Perdeu espaço a partir da dinastia Ming (1368-1644).

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900 a.C., México – Pok ta pok

Entre os Maias da Península de Yucatan, o jogo era questão de vida ou morte. O líder da equipe derrotada era oferecido em sacrifício aos deuses. A bola, feita de borracha, simbolizava o Sol e era jogada, com os pés ou as mãos, em um buraco circular no meio de placas de pedra.

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800 a.C., Grécia – Episkyros

O esporte foi citado pelo poeta Homero no livro Sphairomachia. Era disputado em um campo que podia receber até 17 jogadores de cada lado. O objetivo era cruzar a meta adversária com a bola — o uso das mãos era livre —, feita de bexiga de vaca, areia e ar. Não foi tão popular quanto o arremesso de disco ou a corrida, mas teve praticantes.

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146 a.C., Império Romano – Harpastum

Quando os romanos invadiram a Grécia, adaptaram o episkyros a um exercício militar. A partida podia durar várias horas. O imperador Júlio César era um entusiasta da atividade pois gostava de ver seus soldados treinando força e habilidade ao mesmo tempo. Os romanos levaram o esporte à Europa, Ásia Menor e norte da África.

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58 a.C., França – Soule

Por influência dos romanos, os gauleses criaram um jogo parecido ao harpastum. As regras variavam em cada região. Não tinha muitas regras e, às vezes, descambava para a violência. Até que, já na Idade Média, o rei Henrique II o baniu. Quem insistisse em sua prática era condenado à prisão.

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644, Japão – Kemari

Era disputado por seis ou oito jogadores e tinha um caráter cerimonial, sem que fosse apontado um vencedor. Antes do jogo, os atletas abençoavam a bola em um templo. Um ancião, o Edayaku, rezava por prosperidade. Os jogadores formavam uma roda e passavam a bola um para o outro, sem deixá-la cair no chão e apenas com o pé direito.

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1580, Itália – Calcio Fiorentino

O nome “cálcio”, como os italianos chamam o esporte, surgiu em Florença, com esta versão. As regras teriam sido estabelecidas pelo músico e escritor local Giovanni Bardi. Ele instituiu a necessidade de usar dez juízes, por causa da longa extensão do campo. A bola, levada com as mãos ou os pés, era introduzida em uma barraca armada no fundo de cada campo. Da Toscana, o “cálcio”espalhou-se por todo o país.

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1175, Grã-Bretanha – Schrovetide Football

Desse ano vem o primeiro registro de um esporte parecido com o futebol entre os bretões, provavelmente uma adaptação das versões romana (harpastum) e francesa (soule). Ele era jogado durante a Schrovetide, que coincide com o nosso carnaval, festa na qual os ingleses comemoram a expulsão dos dinamarqueses. Para tanto, eles saíam à rua chutando uma bola de couro, que simbolizava a cabeça do invasor. Muitas pessoas participavam ao mesmo tempo, sem obedecer a nenhuma regra. O resultado era um exemplo de violência descabida, com alguns praticantes cheios de fraturas, sem alguns dentes e até mortos.

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1710, Londres – Football

Após estabelecer algumas regras, que variavam conforme a instituição, as escolas londrinas de Covent Garden, Strand e Fleet Street adotaram o futebol como atividade física. Em um deles, só o uso dos pés era permitido — a regra mais próxima do esporte praticado atualmente.

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1863, Inglaterra

A Football Association (Federação Inglesa de Futebol) unificou as regras do esporte, determinando, por exemplo, o número de participantes e o tamanho do campo. Com a expansão do Império Britânico, estudantes, missionários, marinheiros e colonos divulgaram a “invenção inglesa” e suas 17 regras pelo mundo.

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