Estatísticas da pós-graduação no Brasil

Infográficos produzidos pela revista Galileu com dados de 2010 divulgados pelo CNPq e pela Capes revelam os números da pós-graduação no Brasil.

Número de doutores por milhão de habitantes:

Baseado em dados de 2010 (Foto: gabriela oliveira)

Concentração de mestres e doutores por estado:

Calculados a partir de dados do CNPq, com base no censo 2010, fontes IBGE, Banco Mundial e CAPES (Foto: gabriela oliveira)

Número de mestres e doutores por gênero:

 (Foto: gabriela oliveira)

O que é um pesquisador do CNPq?

Artigo de opinião do professor Adonai Sant’Anna, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), publicado no blog Matemática e Sociedade.


O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) é um dos principais órgãos federais de fomento à pesquisa no Brasil. No entanto, já está bastante claro que a ciência brasileira passa por um período de grave crise, com periódicos especializados sendo citados na revista britânica Nature por fraude, número de citações a pesquisadores brasileiros caindo no mundo inteiro, crescente desinteresse dos jovens por ciências exatas e biológicas, entre outros exemplos. Portanto, acredito que seja importante promover uma análise sobre o complexo perfil de órgãos como o CNPq. Afinal, quando o CNPq avalia o mérito de uma proposta de desenvolvimento científico e tecnológico, o que exatamente é levado em consideração?

Para aqueles que não sabem, o CNPq oferece bolsas de produtividade em pesquisa para profissionais do mundo acadêmico brasileiro (o que naturalmente inclui a concessão de bolsas para estrangeiros). Isso significa que todos nós pagamos, através de impostos, para que certas pessoas façam avançar o conhecimento científico e tecnológico de nossa nação e do mundo. No entanto, no site do CNPq não há informações detalhadas sobre o destino dessas verbas federais. Quem recebe essas bolsas? Por que alguns recebem este tipo de apoio e outros não? Quais são os critérios usados para a concessão de bolsas? Importante também frisar que a concessão de bolsas não tem reflexos apenas sobre os cofres públicos e o bolso de quem recebe. Bolsas para pesquisadores apresentam reflexos muito visíveis em instituições nas quais eles estão lotados, bem como em grupos de pesquisa.

Sozinho, não tenho condições de avaliar bolsistas do CNPq em todas as áreas e modalidades. Os motivos são dois: (1) não tenho em mãos todas as informações necessárias e (2) não tenho condições de processar todas essas informações sem ajuda. Por isso escolhi, por enquanto, uma única área do conhecimento para promover uma primeira análise: filosofia. Tenho comigo a lista de todos os bolsistas de produtividade em pesquisa na área de filosofia, em nosso país. São, no total, 140. Para esta postagem decidi analisar prioritariamente os 13 bolsistas nível 1A em filosofia. 1A é o nível mais elevado das bolsas de produtividade em pesquisa do CNPq.

A questão que levanto é a seguinte: Existe sintonia entre as exigências do CNPq para a concessão de bolsas de pesquisa e as demandas da comunidade acadêmica internacional? Se houver tal sintonia, parabéns ao CNPq! Afinal, ciência e filosofia são edificantes quando não estão sujeitas a fronteiras ditadas por divisões políticas, crenças pessoais, linguagem ou outros fatores sociais produzidos pela arbitrariedade humana. No entanto, encontrei fortes evidências de que o CNPq sustenta parte significativa de suas políticas de apoio à pesquisa em bases que pouco têm a ver com as tendências acadêmicas em escala global. Como fiz a análise? Simplesmente comparei informações fornecidas pelos próprios pesquisadores na Plataforma Lattes (também de responsabilidade do CNPq!) com informações disponíveis em Web of Knowledge. Web of Knowledge (que abrevio como WoK) é um site de acesso restrito no qual consta a verdadeira produção científica relevante de todos os pesquisadores do mundo.

Neste momento, portanto, convém que eu qualifique dois adjetivos: (1) Afirmo que as informações disponíveis em WoK são verdadeiras no sentido de serem obtidas diretamente a partir dos periódicos especializados que publicam resultados de pesquisas. Como a Plataforma Lattes está vergonhosamente infestada de mentiras (titulações falsas, publicações que nunca aconteceram, entre outras), a comparação entre essas duas fontes é fundamental para apurar fatos. (2) Afirmo que a produção científica e tecnológica reportada em WoK é relevante no sentido de espelhar a produção que atende a parâmetros mínimos de qualidade editorial acadêmica. É claro que existem periódicos especializados importantes ainda não indexados em WoK, assim como existem periódicos de qualidade questionável que estão indexados. No entanto, WoK ainda é a fonte mais confiável para uma primeira avaliação, tanto de produção científica e tecnológica quanto de impacto de pesquisas.

Vale observar ainda que, usualmente, produção científica original e relevante se faz através da publicação de artigos em periódicos especializados de circulação internacional, com corpo editorial e sistema de referees. E filosofia, no âmbito internacional, não é exceção. Espero não ter que discutir sobre este ponto com eventuais críticos pré-programados com discursos vazios, repetitivos e sem sintonia com a realidade mundial. Pois bem. Neste link estão os 13 bolsistas de produtividade em pesquisa nível 1A do CNPq, na área de filosofia. Em suma, salvo raríssimas exceções, os pesquisadores nível 1A do CNPq em filosofia estão isolados demais do mundo. Isso, na prática, reflete em isolamento do Brasil. Afinal, essa gente exerce considerável influência sobre jovens universitários. Espero que o exemplo aqui dado seja seguido por outros. A academia brasileira está doente. Precisamos tratá-la, antes que seja tarde demais. Para acompanhar algumas críticas a esta postagem, clique aqui.

Como preencher corretamente o currículo Lattes (orientações para a área de Filosofia)

Preocupada com as discrepâncias no preenchimento do currículo Lattes, a ANPOF (Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia) solicitou aos professores Ivan Domingues e Paulo Roberto Margutti Pinto a elaboração de um conjunto de sugestões para a área de Filosofia, de modo a facilitar a avaliação do pesquisador pelos órgãos competentes. A partir de levantamentos da prática de preenchimento do currículo na área, bem como das normas do CNPq que podem ser encontradas na “ajuda” da plataforma Lattes, os referidos professores chegaram ao presente documento, que a ANPOF torna público agora (as observações terão em vista o currículo em seu formato ampliado, uma vez que o currículo acessado via internet é o completo e o formato resumido deixa de lado uma série de informações consideradas relevantes).

Acesse o documento oficial aqui.

Antes de mais nada, há de se levar em conta que o currículo Lattes foi construído ao longo do tempo e pretende se adequar a uma grande multiplicidade de áreas, com suas culturas próprias. Vários itens foram incorporados, muitas vezes sem uma conexão lógica rigorosa, mas atendendo a aspectos pragmáticos de suma importância no dia a dia do pesquisador. Por isso, não se deve esperar deste documento uma espécie de modelo autoconsistente, de vez que algumas das sugestões apresentadas poderiam encontrar locais diferentes nas diversas categorias previstas pelo programa. Procurou-se apenas, com bom senso e pragmatismo, dar algumas soluções a problemas usuais encontrados no preenchimento dos diversos itens do currículo. Além disso, como muitos itens são de preenchimento óbvio, a atenção foi concentrada nos casos considerados duvidosos, que permitem mais de uma interpretação. Os pontos considerados mais problemáticos na estrutura do Lattes para a área de Filosofia são os seguintes:

  1. “Atuação Profissional” do pesquisador (em “Dados Gerais”);
  2. “Trabalhos Técnicos” (em “Produção Técnica”);
  3. “Demais Tipos de Produção Técnica” (em “Produção Técnica”);
  4. “Demais Trabalhos” (em “Outra Produção”);
  5. “Participações em Eventos, Congressos, etc.” (em “Dados Complementares”);
  6. “Orientações em Andamento” (em “Dados Complementares”).
  • Na “Atuação Profissional”, a pressuposição é que o pesquisador irá lançar aqui suas atividades profissionais principais, com vínculo empregatício, no passado e no presente. Isto de certa forma exclui as consultorias, assessorias, participações em diretorias de órgãos nacionais, etc. Todavia, não parece haver um outro lugar mais adequado para indicar esse tipo de atividade. Além disso, a maioria dos pesquisadores em filosofia faz a indicação aí. Por esse motivo, a sugestão é que se continue com este procedimento neste item.
  • Nos “Trabalhos Técnicos” está prevista, entre outras coisas, a inclusão de relatórios técnicos relacionados com consultorias e assessorias. Com base nisso, sugere-se que os relatórios técnicos específicos sejam lançados aqui, distinguindo da função de consultoria, já indicada no item anterior. Deve-se, porém, ter o cuidado de não lançar aqui pareceres sigilosos, como os da CAPES, do CNPq e outras agências de fomento, comuns na área.
  • Em “Demais Tipos de Produção Técnica”, devem ser incluídos a apresentação de trabalho, o desenvolvimento de material didático ou instrucional, a editoração de livro, a organização de evento, a realização de programa de rádio ou TV e a elaboração de relatório de pesquisa. Este é, portanto, um bom local para o lançamento de conferências, palestras, comunicações, mini-cursos, etc. Como em versões anteriores do Lattes esse tipo de produção não era lançado aqui, há uma grande discrepância nos lançamentos feitos pelos diversos pesquisadores. Sugere-se que, aos poucos, as pessoas passem a usar este campo para fazer os registros aqui mencionados.
  • Em “Demais Trabalhos”, por sua vez, deve ser relacionada a produção que não está enquadrada nas outras opções correspondentes (nem bibliográfica, nem técnica, nem artística/cultural), como, por exemplo, tese de titular.
  • No item “Participações em Eventos, Congressos, etc.”, para evitar o registro de informações redundantes, uma vez que palestras e conferências ocorridas em eventos podem ser lançadas em “Demais Tipos de Produção Técnica” (item “Apresentação de Trabalho”), sugere-se a inclusão aqui não só de participações avulsas, como também de coordenações de mesas, presidências de congressos, reuniões de GTs, etc.
  • Em “Orientações em Andamento”, sugere-se que o pesquisador indique apenas aquelas que se achem efetivamente em curso, eliminando as já concluídas, que têm o lugar próprio para serem lançadas.
  • Antes de finalizar, convém lembrar que o item “Outras informações relevantes” é um excelente lugar para fazer um apanhado geral das atividades do pesquisador, dando uma ideia de seu perfil. Este item não aparece no currículo resumido, que é oferecido como uma das modalidades de impressão e gravação na plataforma Lattes, lacuna esta que constitui uma das razões pelas quais este formato deve ser evitado na avaliação do pesquisador.
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