Ao descobrir a América, Cristóvão Colombo nem imaginava, mas recriou a Pangeia

Nas aulas de ciências ensinaram a você que, há milhões de anos, havia na Terra apenas um continente, chamado de Pangeia – e que, ao longo do tempo, esse enorme pedaço de terra foi se fragmentando e, muito tempo depois, formou os continentes como nós conhecemos hoje. Nas aulas de história, você também aprendeu que Cristóvão Colombo foi um grande navegador espanhol que chegou à América em 1492, liderando uma frota que pretendia chegar à Índia. O que ninguém deve ter contado é que, graças a seus “passeios”, Colombo recriou a Pangeia!

Ao chegar à América, Colombo não só descobriu um novo continente: transformou a natureza de todo o planeta. Os continentes se uniram novamente pela mistura de plantas, animais e micro-organismos que haviam se desenvolvido separadamente. A chegada de Colombo deu início a um processo que unificou a natureza do planeta, deixando-o mais homogêneo. É por causa do intercâmbio causado por Colombo que há tomate na Itália, laranja nos Estados Unidos, chocolate na Suíça e pimenta na Tailândia, diz o jornalista e escritor Charles C. Mann, em seu livro 1493: Uncovering the New World Columbus Created (1493: Descobrindo o Novo Mundo que Colombo Criou, sem edição em português). A bagunça ambiental promovida pelo navegador é considerada pelos ecologistas “o evento mais importante desde a morte dos dinossauros”.

Com informações de: Superinteressante.

Internet para prever o futuro

internetHá mais de 60 anos, em sua “Trilogia da Fundação”, o romancista de ficção científica Isaac Asimov inventou uma nova ciência que combinava matemática, história e psicologia para prever o futuro: a psico-história. Agora, cientistas sociais estão tentando utilizar os vastos recursos da internet para fazer a mesma coisa. Para isso, eles pretendem criar um sistema completamente automatizado que analisará as buscas online e as postagens no Twitter, Facebook e blogs. Os pesquisadores mais otimistas acreditam que esses armazéns de “grandes dados” irão, pela primeira vez, revelar as leis sociológicas do comportamento humano – permitindo que eles prevejam crises políticas, revoluções e outras formas de instabilidades sociais e econômicas da mesma maneira que físicos e químicos preveem fenômenos naturais.

Alguns sociólogos, defensores dos direitos à privacidade, estão profundamente céticos. Eles dizem que o projeto evoca memórias nauseantes, ao lembrar do programa Total Information Awareness (“Consciência de informação total”, em tradução livre), iniciativa do Pentágono logo após o 11 de setembro, que propunha a caça a potenciais agressores por meio da identificação de padrões em uma vasta coleta de dados públicos e privados: registros de chamadas telefônicas, e-mails, informações sobre viagens, informações sobre vistos e passaportes, e transações de cartões de crédito.

Por outro lado, o governo americano está mostrando interesse pela ideia e até financiando pesquisas. A disponibilidade e informatização de enormes bancos de dados já começou a induzir o desenvolvimento de novas técnicas estatísticas e novos softwares para gerenciar conjuntos de dados contendo trilhões de entradas, ou mais. “O resultado será uma compreensão muito melhor sobre o que está acontecendo no mundo, e sobre o quão bem os governos locais estão lidando com suas situações”, diz o cientista da computação Sandy Pentland, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). “Isso é muito mais esperançoso do que assustador, porque talvez seja a primeira oportunidade real para que toda a humanidade tenha transparência dos seus governos”.

Até agora existem apenas exemplos dispersos do potencial dos recursos disponíveis nas mídias sociais. No ano passado, os pesquisadores dos laboratórios da HP usaram os dados do Twitter para prever com precisão as rendas das bilheterias de filmes de Hollywood. Em agosto, a Fundação Nacional da Ciência aprovou verbas para pesquisas sobre o uso de mídias sociais como o Twitter e o Facebook para o acesso às informações sobre danos provocados por terremotos, em tempo real. Mesmo assim, a facilidade em adquirir e manipular enormes quantidades de dados mapeando comportamentos da internet faz com que muitos pesquisadores alertem sobre o fato de que as tecnologias de coleta de dados possam estar rapidamente atropelando a capacidade dos cientistas em considerar questões de privacidade e ética.

Sobre “O Nome da Rosa”

nome da rosaAssisti três vezes antes de começar a escrever. E escrever não foi uma opção: foi, antes, algo que eu não podia deixar de fazê-lo. Uma necessidade que surgiu enquanto eu me encontrava numa fascinante aventura ao lado de William de Baskerville e seu jovem discípulo Adso de Melk na grande biblioteca-labirinto de um mosteiro sombrio situado nas montanhas do norte da Itália, no final do outono de 1327. Esse é o cenário para onde o cineasta francês Jean Jacques Annaud nos leva com admirável competência por pouco mais de 2 horas.

E por “nos leva” entenda que estou falando sério: realmente me senti dentro da história, como que vivendo as experiências dos personagens. Experiências que, de tão marcantes e prazerosas, eu, como amante da literatura que sou, já cogito a compra do livro homônimo do qual o filme derivou. E não digo “prazerosa” só por causa da cena de sexo e nudez lá pela metade do filme, mas porque há prazer na busca pelo conhecimento livre e sem censura – este sim, tema acerca do qual o enredo se desenvolve. Outras discussões importantes sobre como a comédia (o riso), as riquezas ou a ciência afetam a cristandade – e até uma paixão reprimida – completam o conjunto de argumentos que o filme traz à tona, abrindo espaço para o debate de ideias.

O enredo começa a ganhar forma quando monges franciscanos de várias partes da Europa reúnem-se com representantes do papa no tal mosteiro para uma conferência. Mas a missão deles é ofuscada por um grande “desconforto espiritual” devido a uma série de assassinatos misteriosos dentro do mosteiro, os quais os religiosos passaram a atribuir aos “ardis do demônio”. Entra em cena, então, as habilidades do monge franciscano William de Baskerville (Sean Connery), que, auxiliado pelo seu noviço Adso de Melk (Christian Slater), começa a investigar as causas das mortes. “A única prova que vejo do demônio é o desejo de todos de vê-lo atuar”, diz William. “Não vamos nos deixar influenciar por boatos irracionais. Em vez disso, vamos exercitar os nossos cérebros e tentar solucionar este torturante enigma”, completa.

Com uma brilhante capacidade de dedução que chega a lembrar o famoso detetive Sherlock Holmes, William passa por grandes apuros, que vão desde a acusação de heresia pela Inquisição à acusação de ser o autor dos assassinatos – passando por um incêndio –, até conseguir desvendar este intrigante mistério de uma forma que eu, preocupado em não contar o desfecho do filme e lhe estragar a emoção, prefiro omitir. Em vez disso, considero muito útil fazer uma análise crítica de uma ideologia predominante e de um costume comum na Idade Média, e em torno da qual o filme se constrói. Por “ideologia”, refiro-me à ideia de que a sabedoria está ligada diretamente à tristeza, beirando o mau humor. Diversas vezes é apregoado que “um monge não deve rir”, pois “para isso existe o bobo, que levanta a voz em risos”. O problema do riso para a Igreja, na Idade Média, baseava-se em uma lógica muito simples, representada no filme pelas palavras de um monge, o venerável Jorge: “O riso mata o temor. E sem temor não pode haver fé. Se não há temor no demônio, não é necessário haver Deus”.

Finalmente, por “costume”, me refiro à prática da Igreja de censurar livros que eles mesmos consideravam “espiritualmente perigosos”, ou seja, livros que apresentavam ideias capazes de pôr em dúvida os dogmas das escrituras. Ou, nas palavras do próprio William: “É porque contêm uma sabedoria diferente da nossa”. Sentindo por admitir que tamanha intolerância ainda vigora, disfarçadamente, nos nossos dias, concordo totalmente com William quando ele, eufórico por ter descoberto uma das maiores bibliotecas de sua época, composta apenas por livros proibidos pela Igreja, diz: “Ninguém deveria ser proibido de consultar estes livros!”.

Termodinâmica do inferno

Um professor de Termodinâmica Aplicada, do curso de Engenharia Química da UFBA, é conhecido por fazer perguntas intrigantes do tipo “Por que os aviões voam?” em suas provas finais. Sua única questão numa dessas provas foi a seguinte:

O inferno é exotérmico ou endotérmico?
Justifique sua resposta.

Vários alunos justificaram suas opiniões baseadas na Lei de Boyle ou em alguma variante da mesma. Um aluno, entretanto, escreveu o seguinte:


Primeiramente, postulemos que o inferno exista e que esse é o lugar para onde vão algumas almas. Agora, postulemos que as almas  existam e devam ter alguma massa e ocupar algum volume. Logo, um conjunto de almas também tem massa e também ocupa certo volume. Então, a que taxa as almas estão se movendo para fora e a que taxa elas estão se movendo para dentro do inferno? Podemos assumir seguramente que, uma vez que uma alma entra no inferno, ela nunca mais sai de lá. Por isso, não há almas saindo. Para as almas que entram no inferno, vamos dar uma olhada no que dizem as diferentes religiões que existem no mundo. Algumas dessas religiões pregam que se você não pertencer a ela, você vai para o inferno. Como há mais de uma religião desse tipo e as pessoas não possuem duas religiões, podemos projetar que todas as almas vão para o inferno. Com as taxas de natalidade e mortalidade do jeito que estão, podemos esperar um crescimento exponencial das almas no inferno.

Agora, vamos olhar a taxa  de mudança de volume no inferno. A Lei de Boyle diz que, para a temperatura e a pressão no inferno serem as mesmas, a relação entre a massa das almas e o volume do inferno deve ser constante. Existem, então, duas opções: (1) Se o inferno estiver se expandindo numa taxa menor do que a taxa com que as almas entram, então a temperatura e a pressão no inferno vão aumentar até ele explodir, portanto é EXOTÉRMICO. (2) Se o inferno estiver se expandindo numa taxa maior do que a entrada de almas, então temperatura e a pressão irão baixar até que o inferno congele, portanto é ENDOTÉRMICO. Se nós aceitarmos o que a menina mais gostosa da UFBA me disse no primeiro ano: “Só irei pra cama com você no dia que o inferno congelar”, e levando-se em conta que AINDA NÃO obtive sucesso na tentativa de ter relações amorosas com ela, então a opção 2 não é verdadeira. Por isso, o inferno é exotérmico!


Não preciso nem dizer que o cara tirou dez na prova, né?

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