Ranking das melhores universidades brasileiras, latino-americanas e lusófonas

As 27 melhores universidades lusófonas

A lista a seguir mostra quais são as 27 melhores universidades de países de língua portuguesa que apareceram no ranking das melhores universidades do mundo feito pelo QS World University Rankings 2014. Apenas universidades brasileiras e portuguesas entraram na lista (22 brasileiras e 5 portuguesas). O nome de cada universidade aparece ao lado do nome do país sede, bem como da sua posição no ranking mundial.

1. Universidade de São Paulo, Brasil (127)
2. Universidade Estadual de Campinas, Brasil (215)
3. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil (284)
4. Universidade do Porto, Portugal (343)
5. Universidade Nova de Lisboa, Portugal (353)
6. Universidade de Coimbra, Portugal (358)
7. Universidade Federal de São Paulo, Brasil (411-420)
8. Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil (481-490)
9. Universidade Estadual Paulista, Brasil (491-500)
10. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil (501-550)
11. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil (551-600)
12. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brasil (551-600)
13. Universidade de Brasília, Brasil (551-600)
14. Universidade Católica Portuguesa, Portugal (551-600)
15. Universidade de Lisboa, Portugal (551-600)
16. Universidade Federal da Bahia, Brasil (601-650)
17. Universidade Federal de São Carlos, Brasil (601-650)
18. Universidade Federal de Viçosa, Brasil (601-650)
19. Pontifícia Universidade Católica do RS, Brasil (651-700)
20. Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil (651-700)
21. Universidade Federal do Paraná, Brasil (651-700)
22. Universidade Federal Fluminense, Brasil (651-700)
23. Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil (+701)
24. Universidade Estadual de Londrina, Brasil (+701)
25. Universidade Federal de Santa Maria, Brasil (+701)
26. Universidade Federal do Ceará, Brasil (+701)
27. Universidade Federal de Pernambuco, Brasil (+701)


As 50 melhores universidades da América Latina

A lista a seguir mostra quais são as 50 melhores universidades da América Latina que apareceram no ranking das melhores do mundo do QS World University Rankings 2014 .

1. Pontifícia Universidade Católica do Chile, Chile
2. Universidade de São Paulo, Brasil
3. Universidade Estadual de Campinas, Brasil
4. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil
5. Universidade de Los Andes, Colômbia
6. Universidade do Chile, Chile
7. Instituto Tecnológico de Monterrey, México
8. Universidade Nacional Autônoma do México, México
9. Universidade Estadual Paulista, Brasil
10. Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil
11. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil
12. Universidade de Concepción, Chile
13. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brasil
14. Universidade Nacional da Colômbia, Colômbia
15. Universidade Federal de São Paulo, Brasil
16. Universidade de Santiago, Chile
17. Universidade de Brasília, Brasil
18. Universidade Federal de São Carlos, Brasil
19. Universidade de Buenos Aires, Argentina
20. Universidade Austral, Argentina
21. Universidad Nacional de La Plata, Argentina
22. Pontifícia Universidade Católica da Argentina, Argentina
23. Universidade de Antioquia, Colômbia
24. Universidade da Costa Rica, Costa Rica
25. Universidade Nacional de Córdoba, Argentina
26. Instituto Politécnico Nacional, México
27. Universidade Central da Venezuela, Venezuela
28. Universidade Iberoamerica, México
29. Pontifícia Universidade Católica de Valparaíso, Chile
30. Pontifícia Universidade Católica do Peru, Peru
31. Pontificia Universidad Javeriana, Colômbia
32. Universidade Simón Bolívar, Venezuela
33. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil
34. Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil
35. Universidade Autônoma Metropolitana, México
36. Instituto Tecnológico Autônomo do México, México
37. Universidade Austral do Chile, Chile
38. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Brasil
39. Universidade Técnica Federico Santa Maria, Chile
40. Universidade Federal do Paraná, Brasil
41. Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil
42. Universidad del Rosario, Colômbia
43. Universidade Federal do Pernambuco, Brasil
44. Universidade Torcuato Di Tella, Argentina
45. Instituto Tecnológico de Buenos Aires, Argentina
46. Universidade de San Andrés, Argentina
47. Universidade Nacional de Rosário, Argentina
48. Universidad de Porto Rico, Porto Rico
49. Universidade Federal Fluminense, Brasil
50. Universidad de las Américas Puebla, México


18 brasileiras entre as mil melhores do mundo em 2015

Saiu o ranking de 2015 das mil melhores universidades do mundo feito pelo Center for World University Rankings. 18 brasileiras entraram na lista. Mais uma vez a Universidade de São Paulo (USP) foi a brasileira melhor colocada, ficando na posição 132 do ranking mundial. A Universidade de Harvard lidera o ranking, junto com outras universidades americanas. Veja aqui o ranking completo e veja abaixo quais foram as brasileiras classificadas e suas respectivas posições no ranking:

1. Universidade de São Paulo (USP) – 132
2. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – 322
3. Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) – 404
4. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – 526
5. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – 583
6. Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – 589
7. Universidade Estadual Paulista (Unesp) – 664
8. Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) – 826
9. Universidade Federal Fluminense (UFF) – 915
10. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – 918
11. Universidade de Brasília (UnB) – 920
12. Universidade Federal do Paraná (UFPR) – 934
13. Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) – 939
14. Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) – 941
15. Universidade Federal do ABC (UFABC) – 961
16. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – 974
17. Universidade Federal da Bahia (UFBA) – 992
18. Universidade Federal do Ceará (UFC) – 998


Unicamp ultrapassa USP e fica em 1º lugar em ranking de universidades da América Latina de 2017

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é a nova primeira colocada no ranking das melhores universidades da América Latina realizado pela revista Times Higher Education. Pela primeira vez, a instituição ultrapassou a Universidade de São Paulo (USP), que ficou na segunda posição na edição deste ano. Na edição de 2016, a USP era a primeira colocada, e a Unicamp ficou em segundo lugar. Veja na lista abaixo as dez melhores universidades da América Latina, segundo o ranking atual:

1. Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) – Brasil
2. Universidade de São Paulo (USP) – Brasil
3. Pontifícia Universidade Católica do Chile – Chile
4. Universidade do Chile – Chile
5. Universidade dos Andes – Colômbia
6. Instituto de Tecnologia de Monterrey – México
7. Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – Brasil
8. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – Brasil
9. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) – Brasil
10. Universidade Nacional Autônoma do México – México

Em nota, Phil Baty, editor do ranking, afirmou que Unicamp e USP são universidades muito diferentes que “representam a diversidade e a excelência no setor do ensino superior do Brasil”. Segundo o ranking da THE, o Brasil é o país latino-americano com o melhor desempenho na lista em 2017: das dez primeiras colocadas, cinco são universidades brasileiras. O país também tem outras 27 instituições listadas. Veja abaixo a lista de universidades brasileiras e a posição de cada uma no ranking:

1. Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
2. Universidade de São Paulo (USP)
7. Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
8. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
9. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
11. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
12. Universidade Estadual de São Paulo (UNESP)
14. Universidade Federal do ABC (UFABC)
15. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
16. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
18. Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
19. Universidade de Brasília (UnB)
24. Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj)
26–30. Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
31–35. Universidade Federal de Viçosa (UFV)
36–40. Universidade Federal do Ceará (UFC)
41–45. Universidade Federal Fluminense (UFF)
41–45. Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR)
51–60. Universidade Federal de Goiás (UFG)
51–60. Universidade Federal de Lavras (Ufal)
51–60. Universidade Federal do Paraná (UFPR)
51–60. Universidade Federal de Pelotas (Ufpel)
51–60. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
51–60. Universidade Estadual de Londrina (UEL)
61–70. Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop)
61–70. Universidade Presbiterana Mackenzie
61–70. Universidade do Vale dos Sinos
61–70. Universidade Estadual de Maringá (UEM)
61–70. Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
71+. Universidade Nove de Julho (Uninove)
71+. Universidade Estadual da Bahia (Uneb)
71+. Universidade do Vale do Itajaí

Fonte: G1.

Cientistas da Universidade de Washington conseguem hackear computador usando DNA

Parece ficção científica, mas não é: cientistas da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, descobriram que é possível hackear um computador usando DNA.
O DNA é basicamente uma forma biológica de guardar informações, as quais podem ser lidas por um computador. Os pesquisadores então programaram um malware (um tipo de vírus) em uma sequência de DNA e observaram que ela foi capaz de contaminar um computador. “Queríamos entender quais novos riscos à segurança são possíveis com a interação entre informação biomolecular e sistemas de computadores”, escreveram os pesquisadores. É a primeira vez que algo do tipo é observado.

Segundo os pesquisadores Tadayoshi Kohno e Luis Ceze, eles usaram as quatro bases do DNA (adenina, citosina, guanina e timina) para criar um filamento de DNA sintético que continha um programa malicioso (um malware) em suas bases. Quando foi sequenciado e processado pelo programa vulnerável, o malware foi capaz de invadir e ganhar total controle do computador. Mais detalhes sobre o estudo serão apresentados em um simpósio de segurança da informação que será realizado em Vancouver, no Canadá.

A invasão da máquina só foi possível por causa de uma fragilidade no software do sequenciador de DNA. Apesar de parecer alarmante, os pesquisadores pedem calma com a descoberta e avaliam que a segurança no processo deve ser aumentada antes que surjam ameaças de fato. A equipe, inclusive, chegou a analisar alguns programas de sequenciamento e encontrou diversas falhas. Os pesquisadores ressaltam que o estudo não aponta a possibilidade de o genoma de uma pessoa ser hackeado: ele mostra apenas que a técnica pode ser usada para afetar computadores, não organismos vivos.

Antes dessa descoberta, pesquisadores já haviam mostrado que é possível transferir dados usando DNA. Em abril de 2016, a Microsoft e a mesma Universidade de Washington demonstraram uma técnica para guardar e recuperar imagens digitais usando DNA. A pesquisa buscava tornar o DNA um meio viável para guardar informações digitais, com o auxílio de suas propriedades únicas para armazenar uma quantidade vastíssima de informações em pequenas quantias de líquido. Outra novidade ocorreu em julho deste ano, quando cientistas de Harvard conseguiram armazenar um vídeo dentro de um DNA de uma célula viva, segundo o jornal britânico The Guardian.

Fontes: Washington University, MIT Technology Review e The Guardian.

BÔNUS: Nerdologia sobre a programação e a vida (de como o DNA é um algoritmo)

Sobre o fim dos carros com motor a combustão

Acabou. Inglaterra, França e Alemanha vão proibir a fabricação de carros com motor a combustão – e, depois, tornar ilegal a posse de carros que não sejam elétricos. É a maior mudança na indústria do transporte desde a invenção do automóvel. Entenda no vídeo abaixo, produzido pelos editores da revista Superinteressante:

Por que as revoluções científicas não destroem nossos conhecimentos tecnológicos?

Pertinente sacada de Daniel Durante, professor de filosofia da UFRN.

É inegável que a ciência, através da história, mudou de ideia e retratou-se inúmeras vezes. A terra, outrora centro imóvel do universo, tornou-se um pequeno satélite de uma estrela insignificante. Os átomos de hoje, de indivisíveis só têm o nome. A combustão, que já foi liberação de flogisto, tornou-se consumo de oxigênio. Mas nenhuma dessas revoluções científicas, por mais radical que tenha sido, afetou certos conhecimentos estabelecidos.

Já sabíamos, no cosmo de Ptolomeu, prever com bastante exatidão os eclipses do sol e da lua. O novo cosmo copernicano inverteu completamente nosso visão do mundo, mas não abalou este conhecimento. Os instrumentos geolocalizadores adequados à astronomia ptolomaica, como o astrolábio, por exemplo, continuaram funcionando, mesmo depois que tiramos a terra do centro do universo. O universo mudou, mas a capacidade que tínhamos de prever eclipses e de nos localizarmos geograficamente através das posições dos astros não se perdeu. Da mesma forma, nossa capacidade de prever o tempo de queda dos objetos manteve-se quando substituímos os fundamentos do universo mecânico de Newton pelos de Einstein.

Consigo conceber a possibilidade de futuras revoluções radicais nas mais diversas áreas, mas não parece possível que as coisas que já sabemos sejam perdidas por causa destas revoluções. Eventuais mudanças na física ou na bioquímica não farão os aviões caírem ou os remédios pararem de fazer efeito. As revoluções científicas destroem nossas teorias e aspectos fundamentais de nossas concepções do mundo, mas parece que tanto nossa capacidade preditiva quanto nossos conhecimentos tecnológicos são imunes a elas. As revoluções científicas não destroem os objetos técnicos. Por quê?

Leia aqui um artigo sobre esse tema (PDF)

O que é filosofia?

Trecho de um ensaio de Adonai Sant’Anna, doutor em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), publicado originalmente por Produções Eclipse. Apesar da utilidade, considero essa tentativa de definição de filosofia muito prolixa pro meu gosto. Se quiser uma definição que vá direto ao ponto, leia meu post intitulado Breve definição de filosofia.


Em um primeiro momento pode-se afirmar que filosofia é a atividade intelectual caracterizada pela busca sistemática e crítica da verdade. O problema desta definição reside principalmente na qualificação sobre o que, afinal, é verdade; sendo que o próprio conceito de verdade é tema de debate interminável entre filósofos há milênios. Ou seja, se aceitarmos esta primeira definição de filosofia, é seguro dizer que nem mesmo filósofos conseguem qualificar o que é filosofia, de maneira a estabelecer um consenso entre eles.

Do ponto de vista histórico, filosofia pode ser percebida como a origem dos estudos sistemáticos que visam responder a questões fundamentais levantadas por seres humanos a respeito do mundo físico, da metafísica, da vida, da moral, das artes e da própria natureza humana. Neste sentido, com o passar do tempo a filosofia foi diluída em múltiplas disciplinas, como física, matemática, biologia, química, economia, sociologia, psicologia, linguística, ciência política, entre outras. Consequentemente, existe uma tendência natural entre pessoas de julgar que filosofia é um ramo do conhecimento distinto de outros, como as ciências exatas e as ciências biológicas.

Já do ponto de vista social, este modo de percepção fica mais acentuado diante da realidade do mercado de trabalho, no qual muitos filósofos trabalham simplesmente como professores, pesquisadores ou escritores. Mesmo que um filósofo trabalhe como um consultor jurídico, um conselheiro político, um diretor de relações públicas, um publicitário, um jornalista ou um administrador de empresas, pessoas em geral tendem a percebê-lo como um consultor jurídico, um conselheiro, um diretor, um publicitário, um jornalista ou um administrador, mas não como um filósofo. Menos ainda como um profissional da filosofia aplicada. Esta percepção reside principalmente no fato de que discussões claramente identificadas como filosóficas, nos dias de hoje, têm um caráter altamente especulativo ou, pelo menos, sem consenso algum. Com efeito, até hoje os filósofos não chegaram a um acordo sobre o que é, afinal, a verdade.

Logo, a ironia da filosofia é que ela foi o ponto de partida para estudos metodológicos sobre o mundo e o ser humano, sendo que esses mesmos estudos promoveram um distanciamento da própria filosofia, no atual sentido acadêmico do termo. Quando um físico teoriza sobre a origem do universo, ou um biólogo teoriza sobre a origem da vida, essas ideias são essencialmente filosóficas, mesmo que os próprios pesquisadores não percebam desta forma. A separação entre filosofia e ciência, apesar de suas origens históricas, sociais, institucionais e pragmáticas, não é algo trivialmente perceptível no que diz respeito às finalidades últimas tanto da filosofia quanto da ciência.

A obra mais conhecida de Isaac Newton, por exemplo, é o livro Princípios Matemáticos de Filosofia Natural. A ideia de estabelecer princípios matemáticos fundamentais que regem dinâmicas de objetos materiais sob a ação de forças é algo de caráter essencialmente filosófico. O problema de entender a dinâmica de corpos físicos foi qualificado e respondido por Isaac Newton. Hoje esta obra é percebida como uma das grandes conquistas da física, sendo que na época foi compreendida como um inspirador passo dado pela filosofia natural. Tanto é verdade que o próprio conceito de força, na mecânica de Newton, chegou a ser percebido como um conceito metafísico por pensadores importantes, como Heinrich Hertz e Hermann von Helmholtz.

Em um encontro da British Association for the Advancement of Science, realizado em junho de 1833, o filósofo William Whewell argumentou o seguinte: “Assim como os praticantes de artes são chamados de artistas, os praticantes de ciências deveriam ser chamados de cientistas”. Foi então que nasceu o termo “cientista”. E rapidamente Isaac Newton passou a ser menos conhecido como simplesmente um filósofo, para então ser reconhecido como um dos mais importantes cientistas de todos os tempos.

O distanciamento entre ciência e filosofia deu um importante passo, neste momento, graças a um filósofo. Mas que ninguém jogue a culpa sobre Whewell! Isso porque um filósofo jamais deve deixar de expressar o que pensa, mesmo que seu pensamento seja de alguma forma prejudicial à própria filosofia, enquanto prática cultural. Este é tão somente um exemplo irônico de como o pensamento pode minar o próprio pensamento. Apesar do inegável impacto filosófico da obra de Newton, não é usual entre estudantes de filosofia de hoje o estudo de cálculo diferencial e integral. Cientistas são aqueles que resolvem problemas importantes, enquanto filósofos são aqueles que discutem sobre especulações que estão fora do alcance das ciências, como o sentido da vida, a utopia política, o conceito de belo, o livre arbítrio, a existência de Deus, a imortalidade da alma, a vida após a morte, a natureza metafísica do universo, etc.

Enquanto um cientista é aquele que sabe (ou pelo menos julga que sabe), um filósofo é aquele que incessantemente busca saber. A própria origem etimológica das palavras sustenta pelo menos parcialmente esta visão. “Filosofia” deriva do grego φιλοσοφία, ou seja, “amor à sabedoria”, enquanto “ciência” deriva do latim scire, que se traduz simplesmente como “saber”. O amor à sabedoria é uma postura de questionamento crítico, enquanto o saber é algo que permite efetivamente resolver problemas.

O sucesso da obra de Newton para derivar matematicamente as leis de Kepler passou a ser percebido por muitos como um saber, um conhecimento, uma crença verdadeira: as órbitas planetárias seguem as leis de Kepler por consequência das leis físicas enunciadas por Newton. O filósofo, por sua vez, é aquele que reconhece que existem outras possíveis formulações matemáticas que igualmente permitem descrever as órbitas planetárias, em acordo com os princípios percebidos por Kepler. A teoria da relatividade geral de Einstein é um exemplo bem conhecido de teoria que permite descrever órbitas planetárias semelhantes, sem apelar de forma alguma a qualquer conceito de força. Portanto, forças existem no mundo real ou não? Onde está a verdade no conceito de força?

Os estudos alquímicos de Newton costumam ser ignorados por cientistas em geral, como uma espécie de embaraçoso erro intelectual daquele que deu início à ciência moderna. Quase setenta anos após a morte de Newton, em 1796, o historiador James Pettit Andrew se referiu à alquimia como uma “fantástica pseudociência”. E foi assim que nasceu a necessidade de se promover uma distinção entre ciência e pseudociência. Mas filósofos também não conseguem entrar em um acordo sobre qual seria exatamente a diferença entre ciência e pseudociência. Por enquanto não quero estender esta discussão sobre o papel da filosofia ao longo da história, uma vez que este ramo do conhecimento atinge não apenas a física, mas também as artes, a política, a psicologia, entre outras áreas.

Por que afirmei no início deste texto que “filosofia é a atividade intelectual caracterizada pela busca sistemática e crítica da verdade”? A resposta é simples. O ponto de partida de qualquer investigação filosófica é invariavelmente uma pergunta. E perguntas são comumente formuladas na esperança de se obter respostas. Essas respostas surgem à medida que investigações são feitas, de maneira sistemática e crítica.

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